Lançamentos da Novo Conceito de Março

Oii, hoje! Hoje é dia de post com os lançamentos da Novo Conceito, dessa vez com os livros de março. Quero ler tantos que nem sei por qual começar. Hahaha E vocês, por quais estão mais ansiosos?
Diga Aos Lobos Que Estou Em Casa - Carol Rifka Brunt (Skoob)
1987. Só existe uma pessoa no mundo inteiro que compreende June Elbus, de 14 anos. Essa pessoa é o seu tio, o renomado pintor Finn Weiss. Tímida na escola e vivendo uma relação distante com a irmã mais velha, June só se sente “ela mesma” na companhia de Finn; ele é seu padrinho, seu confidente e seu melhor amigo.
Quando o tio morre precocemente de uma doença sobre a qual a mãe de June prefere não falar, o mundo da garota desaba. Porém, a morte de Finn traz uma surpresa para a vida de June – alguém que a ajudará a curar a sua dor e a reavaliar o que ela pensa saber sobre Finn, sobre sua família e sobre si mesma.
No funeral, June observa um homem desconhecido que não tem coragem de se juntar aos familiares de Finn. Dias depois, ela recebe um pacote pelo correio. Dentro dele há um lindo bule que pertenceu a seu tio e um bilhete de Toby, o homem que apareceu no funeral, pedindo uma oportunidade para encontrá-la.
À medida que os dois se aproximam, June descobre que não é a única que tem saudades de Finn. Se ela conseguir confiar realmente no inesperado novo amigo, ele poderá se tornar a pessoa mais importante do mundo para June.
DIGA AOS LOBOS QUE ESTOU EM CASA é uma história sensível que fala de amadurecimento, perda do amor e reencontro, um retrato inesquecível sobre a maneira como a compaixão pode nos reconstruir.
O Fogo - Bruxos e Bruxas #03 - James Patterson, Jill Dembowski (Skoob)
VOCÊ PENSOU QUE SERIA UM CONTO DE FADAS?
Whit e Wisty Allgood sacrifi caram tudo para liderar a Resistência contra o regime sanguinário que governa o mundo. O líder supremo, O Único Que É O Único, baniu tudo o que havia de bom: livros, música, arte e imaginação. Mas o poder dos dois irmãos parece estar longe de conseguir deter O Único, e agora ele executou a única família que eles tinham.
VOCÊ NÃO VAI ENCONTRAR O ÚNICO AQUI.
Wisty sabe que o momento se aproxima. Em breve ela estará cara a cara com O Único. A sua bravura e o seu dom canalizam ainda mais poder para esse ser, que já é invencível. De que maneira ela e Whit poderão se preparar para o confronto iminente com o implacável vilão que devastou o seu mundo – antes de ele se tornar verdadeiramente onipotente?
NEM SEMPRE SEREMOS FELIZES DEPOIS QUE ACABAR.
No impressionante terceiro livro da série Bruxos e Bruxas, a tensão está maior do que nunca – e as consequências mudarão tudo.

Fênix: A Ilha - Fênix #01 - John Dixon (Skoob)
Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo a Fênix: A Ilha. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?





Quando Tudo Volta - John Corey Whaley (Skoob)
Uma morte por overdose. Um fanático estudioso da Bíblia. Um pássaro lendário. Pesadelos com zumbis. Coisas tão diferentes podem habitar a vida de uma única pessoa?
Cullen Witter leva uma vida sem graça. Trabalha em uma lanchonete, tenta compreender as garotas e não é lá muito sociável. Seu irmão, Gabriel, de 15 anos, costuma ser o centro das atenções por onde passa. Mas Cullen não tem ciúmes dele. Na verdade, ele é o seu maior admirador.
O desaparecimento (ou fuga?) de Gabriel fica em segundo plano diante da nova mania da cidade: o pica-pau Lázaro, que todos pensavam estar extinto e que resolveu, aparentemente, ressuscitar por aquelas bandas.
Em meio a uma cidade eufórica por causa de um pássaro que talvez nem exista de verdade, Cullen sofre com a falta do irmão e deseja, mais que tudo, que os seus sonhos se tornem realidade. E bem rápido.
A Filha do Louco - Filha do Louco #01 - Megan Shepherd (Skoob)
Juliet Moreau construiu sua vida em Londres trabalhando como arrumadeira — e tentando se esquecer do escândalo que arruinou sua reputação e a de sua mãe, afinal ninguém conseguira provar que seu pai, o Dr. Moreau, fora realmente o autor daquelas sinistras experiências envolvendo seres humanos e animais.
De qualquer forma, seu pai e sua mãe estavam mortos agora, portanto, os boatos e as intrigas da sociedade londrina não poderiam mais afetá-la... Mas, então, ela descobre que o Dr. Moreau continua vivo, exilado em uma remota ilha tropical e, provavelmente, fazendo suas trágicas experiências.
Acompanhada por Montgomery, o belo e jovem assistente do cirurgião, e Edward, um enigmático náufrago, Juliet viaja até a ilha para descobrir até onde são verdadeiras as acusações que apontam para sua família.

As Gêmeas - Saskia Sarginson (Skoob)
As gêmeas Isolte e Viola eram inseparáveis na infância, mas se tornaram mulheres muito diferentes: Isolte tem um emprego glamouroso em uma revista de moda de Londres, namora um fotógrafo e vive em um bairro descolado. Viola, desesperadamente infeliz, luta contra um transtorno alimentar e não faz questão de se ajustar a nenhum grupo.
O que pode ter acontecido para levar as gêmeas a seguirem trajetórias tão desencontradas? À medida que as duas jovens começam a reviver os eventos do último verão em família, terríveis segredos do passado vêm à tona – e ameaçam invadir suas vidas adultas.

Perto de Você - Os Sullivans #07 - Bella Andre (Skoob)
A estrela de cinema Smith Sullivan não pode permitir nenhuma distração. Ele está apostando sua reputação inteira em seu novo filme... mas ele não pode parar de pensar em Valentina Landon e o fogo ardente que ele vê logo abaixo da superfície. Valentina não é avessa ao prazer sensual, ou mesmo com a ideia de encontrar o amor verdadeiro, mas, como um gerente de negócios de Hollywood, ela assistiu a muitas mulheres inteligentes cair para atores... só para ser rasgado quando o conto de fadas chega ao seu fim inevitável. Mas quando semanas intensas juntos no set transformam sua atração aquecida em brasa chamas da paixão, Smith sabe que ele tem que encontrar uma maneira de convencer Valentina a deixá-lo ficar um pouco mais perto. Perto o suficiente para completamente roubar seu coração... do jeito que ela roubou o seu desde o início.



O Começo de Tudo - Robyn Schneider (Skoob)
O garoto de ouro Ezra Faulkner acredita que todo mundo tem uma tragédia esperando ali na esquina – um encontro fatal depois do qual tudo o que realmente importa vai acontecer. Sua tragédia particular esperou até que ele estivesse preparado para perder tudo de uma vez: em uma noite espetacular, um motorista imprudente acabou com a perna de Ezra, com sua carreira no esporte e com sua vida social.
Depois que perdeu o favoritismo ao posto de rei do baile, Ezra agora almoça na mesa dos losers, onde conhece Cassidy Thorpe. Cassidy é diferente de qualquer pessoa que Ezra tenha encontrado antes – melancólica e com uma inteligência mordaz.
Juntos, Ezra e Cassidy descobrem flash mobs, tesouros enterrados e um poodle que talvez seja a reencarnação do Grande Gatsby. À medida que Ezra mergulha nos novos estudos, nas novas amizades e no novo amor, aprende que algumas pessoas, assim como os livros, são difíceis de interpretar. Agora, ele precisa considerar: se uma tragédia já o atingiu, o que poderá acontecer se houver mais infortúnios?
O Começo de Tudo é um livro poético, inteligente e de cortar o coração sobre a dificuldade de ser o que as pessoas esperam, e sobre começos que podem nascer de finais trágicos.

O Código do Apocalipse - Leo Tillman & Heather #02 - Adam Blake (Skoob)
Depois das investigações de Manuscritos do Mar Morto, a ex-detetive Heather Kennedy recebe um telefonema com uma proposta de trabalho. Um suposto roubo no Museu Britânico precisa ser investigado.
Kennedy rapidamente deduz que alguém teve acesso a livros sobre Johann Toller, um profeta europeu louco do século 17. Acreditando que o fim dos dias estava em suas mãos, Toller fez uma série de previsões relacionadas ao Apocalipse e aos eventos que o precederiam. Mas nenhuma delas havia se tornado realidade até então. Agora, pouco a pouco, os sinais se confirmam.
Com a ajuda do mercenário e antigo parceiro Leo Tillman e de uma jovem que pertence a uma tribo secreta, Kennedy deve lutar para impedir que a próxima profecia se concretize: a destruição de uma cidade sem nome...

Arrabal e A Noiva do Capitão - Marisa Ferrari (Skoob)

Giordano e Giuseppe são idênticos na aparência, mas suas almas não poderiam ser mais diferentes. O bravo Giordano é o capitão-chefe da Guarda Real. Giuseppe é um ator de coração puro e alegria contagiante que viaja com sua trupe para se apresentar nas praças e castelos da região. De caráter inflexível, Giordano tem como sua maior missão proteger o Rei. Por sua vez, o sonhador Giuseppe deseja escrever uma peça de teatro com diálogos, o que seria uma inovação para a época. Embora não sejam propriamente amigos, os dois irmãos vivem uma espécie de acordo de cavalheiros, respeitando o espaço um do outro e lidando com o delicado estado de saúde de sua mãe. Até que a formosa Luigia acaba com a paz da família Romanelli... Arrabal e a Noiva do Capitão nos transporta para a incrível Nápoles do século 18, magistralmente reconstruída por Marisa Ferrari. Uma história que resgata a magia do teatro e nos convida a compreender a beleza que existe nas contradições.


No Canto da Estante - Dez Mil Guitarras - Catherine Clément

Hoje estreamos uma nova coluna aqui no blog, a No Canto da Estante, que tem como objetivo divulgar livros que queremos ler, conhecer e que são pouco ou nada divulgados, sejam eles antigos ou novos e de quaisquer assuntos, lançados tanto em português como inglês. Assim podemos sair da rotina, e conhecer novos horizontes além dos livros que acabam virando figurinha carimbada nos blogs literários. Esperamos que curtam e que possam despertar a vontade de ler mais ainda com eles!

O escolhido de hoje apareceu para mim em uma dessas promoções do submarino com mil páginas de livros com descontos, eu pacientemente sempre olho todas e eis que surgiu Dez Mil Guitarras, da autora Catherine Clément, que foi lançado aqui no Brasil em 2012 pela editora Cia das Letras. A primeira coisa que chama atenção é a capa, diferente conta com um inusitado rinoceronte.

A sinopse é a seguinte: Um brâmane morre em Bengala, na Índia, e nasce de novo, como rinoceronte, na África. Para seu azar, sofre uma dupla reencarnação, levando para a nova vida sua antiga consciência, encerrada agora naquele animal portentoso. Quando já havia se acostumado a sua rotina de mergulhos na lama, é capturado e levado a Portugal para ser o bibelô de d. Sebastião, num reino prestes a deixar para trás seus dias de glória.
Com a alma e o corpo aprisionados, nada resta ao misto de brâmane e bada senão narrar tudo o que presencia e ouve falar, iniciando uma jornada que o levará a uma nova transformação, a outros países e a um insólito contato com a intimidade do filósofo René Descartes em seus momentos finais na corte da rainha Catarina da Suécia.
Misto de romance histórico e narrativa fantástica, o novo romance de Catherine Clément nos transporta com humor e magia aos tumultos políticos da Europa de fins do século XVI e meados do XVII.




CURIOSIDADE:  A Autora Catherine Clément nasceu em 1939, em Paris. Autora de obras de filosofia, antropologia e psicanálise, tornou-se mais conhecida como teórica feminista e romancista. Vários de seus livros, entre os quais A viagem de Théo e O sangue do mundo, frequentaram as listas dos mais vendidos em vários países.
Alguns de seus livros:

A Senhora,
Por Amor da Índia,
A Valsa Inacabada,
A Rameira do Diabo,
A Viagem de Théo,
O Último Encontro
As Novas Bacantes
Dez Mil Guitarras

A capa francesa também tem um enorme rinoceronte, o que não é diferente com a edição lançada em Portugal.


Ficou curioso para ler? Leia um trecho em pdf no site da editora. O livro está aqui na minha estante me esperando, eu espero chegar a ele em breve e vir aqui contar para vocês o que achei desse livro que parece ter tudo para me agradar!

Você autor que quiser ver seu livro aqui entre em contato conosco. E você nosso leitor que tiver uma indicação de livro para vir para nosso canto fique à vontade para sugerir!



Só Deus Sabe – Marcelo Cezar

“Esqueceu-se de que estamos em plena ditadura? Eles controlam tudo, inclusive todos os meios de comunicação. Só mesmo quem está envolvido é que pode saber a verdade. A maioria dos brasileiros não tem noção do que ocorre.
[...]
Em Paralelo a essa luta que poucos começaram a travar contra o regime, estamos vivendo a era do milagre econômico. A classe média está podendo comprar seu carro, sua casa, artigos que antes eram de poucos. Quando a família tem conforto e comida na mesa, condições de viajar, de oferecer estudo aos filhos, não vai questionar se o presidente é general ou civil, se há tortura ou não. Não sei o preço que pagaremos amanhã por tudo isso, mas logo essa farsa também vai acabar. Espero que possamos sobreviver a isso.”
Como vocês podem notar no trecho acima, a história desse livro é passada em uma data muito representativa para nós, brasileiros, a ditadura. Mesmo que muitos não tenhamos vivido nessa época, nossos pais e avós, entre outros familiares, viveram nela, que foi um período bem importante até para quem não era nascido, pois marcou a sociedade brasileira e o mundo para sempre.
“O mundo passava por uma das mais profundas transformações sociais, políticas e culturais ocorridas no Século XX”.
Essa foi uma época de inúmeras mudanças e é nesse cenário que encontramos os jovens enamorados Rogério e Leonor, um casal do tipo perfeito, digo em todos os sentidos, no visual e no intelectual também, sendo pessoas do bem. Até que um grave acidente seiva esses jovens do convívio de suas famílias por amnésia ou pela morte. Foram anos de escuridão perante a vida, pois esquecer-se de tudo é muito complicado.
A sorte, porém, sorri por outro lado. Algumas pessoas aparecem no caminho de Leonor, que, como por magnetismo, se encantam pela moça que perdeu a memória. Uma delas, um médico, fazendo de Leonor sua filha que nunca teve. Os anos passam e esse sentimento fica cada vez mais forte, coisa que só podemos tentar compreender, e imaginamos que essa ligação faz parte de outras encarnações, por conta de coisas que haviam ficado inacabadas para nessa vida serem resolvidas.
O autor Marcelo Cezar é um dos meus preferidos quando o assunto é romance mediúnico. Gosto tanto dele que já li todos os seus livros lançados até hoje e tem resenha de alguns deles no blog (para ler, clique nos títulos): A Última Chance, Um Sopro de Ternura, Ela só queria casar..., e O que Importa é o Amor.
Em se tratando de uma obra escrita por Marcelo Cezar, é difícil eu não gostar, mesmo ela sendo a segunda que ele escreveu que, por acaso, era a última que faltava para eu ler (espero muito que ele publique novos livros em breve!). Conheci o autor bem depois de ler todos os romances mediúnicos de Zibia Gasparetto, sua colega de editora, mas seus livros não ficam atrás em termos de qualidade e emoção. São sempre bons e de muito aprendizado para os mais leigos e até para os que sabem mais do assunto espiritismo. São toques profundos que despertam uma gama de sentimentos e descobertas.
Nesta história, são apresentados momentos passados no Rio (antiga Guanabara), São Paulo e no interior de SP, Guaratinguetá. O romance, mais uma vez, nos mostra caminhos diversos, com várias pessoas que acabam se reencontrando e percebendo que já faziam parte das suas vidas passadas por tudo o que está acontecendo.
Paralelamente, em capítulos alternados, conhecemos duas vidas ao mesmo tempo, cada um vivendo com sua família e enfrentando as dificuldades da vida. Até que, por conta do destino, eles se encontram novamente, despertando o amor de um pelo outro.
Esse livro envolve muitos personagens, com famílias que se entrelaçam futuramente, transformando-se em uma só. Como destaque, posso citar Leonor, que é uma protagonista carismática que gostei muito de conhecer, e Dr. Nelson, que se tornou alguém muito importante para ela, ajudando-a quando ela mais precisou e mudando sua vida para melhor naquele período.
A leitura é bem fluida, tranquila, e muito envolvente. É impossível não ter simpatia por algumas das pessoas que conhecemos ao longo da história, que têm muito amor no coração, e também é muito difícil não se sentir conectado com tudo o que está acontecendo com as vidas retratadas no livro.
Uma coisa que muito me emociona, que é mostrada nesse livro, é quando a pessoa ao dormir, ou aquela está em coma, consegue sair de seu corpo espiritualmente e vai ao encontro de entes queridos, que já se foram, em outro plano. Saber que podemos vivenciar essa experiência, mesmo que em sonho, e ir encontrar com essas pessoas nos faz sentir alegria e percebemos que a vida continua, não para por aqui, e somos espíritos eternos.
A primeira edição desse exemplar foi de 2001, mas essa já é a sexta impressão, de maio de 2013, e eu acho que já poderiam ter feito um trabalho gráfico melhor para ela. Para começar, acho essa capa muito feia, infelizmente, e estou torcendo para que a editora possa fazer uma nova edição desse livro com alguma capa que chame mais a atenção do leitor.
A diagramação é boa, com um espaçamento agradável, mas a fonte não é muito grande, o que pode dificultar um pouco a leitura, e o começo de cada capítulo é bem sem graça, já que não há nada além do número correspondente e da palavra ‘capítulo’. A obra possui 340 páginas, que são brancas, o que incomoda alguns leitores, mas não eu. E não gostei muito que não teve nenhuma fotografia ou um detalhe gráfico diferenciado, como os outros livros que a editora publica possuem.
No final da obra há uma lista de autores e seus livros, que já foram publicados pela Editora Vida & Consciência, o que é muito legal porque eu gosto de olhá-la para pensar em qual será o próximo que lerei, pois são obras magníficas que merecem nossa atenção.
“Só Deus Sabe” é um lindo romance que mostra que a vida sempre prega peças nas pessoas, e que mesmo que não estejamos totalmente bens e seguros para embarcarmos nessa longa jornada, viver é a melhor experiência que qualquer ser humano pode ter.
Avaliação



Anardeus - No Calor da Destruição - Walter Tierno

O ser humano é um bicho estranho é capaz de despertar coisas maravilhosas e ao mesmo tempo terríveis, é capaz de atos extraordinários e aterradores, é deus, é o diabo, mas ultimamente tem gostado muito do lugar cômodo de vítima do destino e não se move nem com o mundo caindo sob suas cabeças. Pessimismos a parte essas reflexões partiram da leitura do livro Anardeus - No Calor da Destruição, do autor Walter Tierno, publicado pela Giz Editorial.

A sinopse será um verdadeiro desafio, mas vamos lá tentar contar o que o livro apresenta. Anardeus é um homem marcado, nasceu feio e estranho e desde que abriu os olhos desperta repulsa nas pessoas ao seu redor, o que acaba o transformando em um indivíduo ignorado. É irmão gêmeo de Isabel, a bela mulher que a todos desperta paixão.
Desde pequeno sente um frio incontrolável que só se acalma quando ele é testemunha de catástrofes ao seu redor. Perante este fato e o ódio crescente que sente pela raça humana, Anardeus começa seu próprio Apocalipse, sem dó, São Paulo é palco de um história de sangue.

Anardeus é um personagem interessantíssimo do ponto de vista psicológico, marcado pelo trauma do abandono, age no mundo como se nada quisesse dele ou como se nada importasse, quando o processo é bem o contrário. O abandono que sofre não é o físico, ele tem uma família torta boa parte do tempo, o que sente é o vazio do não amor. A falta de um olhar carinhoso, de um bem querer, e mais de alguém que o veja, simples assim.

É um personagem complexo que renderia um post inteiro sobre sua maneira de existir funcionar e tentar sobreviver ao seu próprio inferno. É um anti-herói que sonha em ser herói no seu inconsciente. A criança que pede compreensão age a cada lugar destruído, como um brinquedo que não funciona mais, não consegue lidar com uma memória ruim? Destrua-a! Esse é o jeito de ser dele. Não consegue desenvolver laços sociais com ninguém além da própria irmã. Trata as mulheres como objetos e tem a libido extremamente alta e nada controlada, talvez porque nesse momento seja objeto de desejo e olhar.

"...Sou esquisito, diz ela. Sinto-me ofendido. Sou bem mais que isso. Sou quem deseja faz acontecer. Quem se banha no calor da aniquilação. É o que desejo agora e sei que vai acontecer. Sou eu quem provoca, sei que sou". (Pág. 73)

Isabel sua irmã é a imagem da perfeição, bonita, sociável, parece se encaixar bem na vida. Mas na verdade é tão perturbada quanto o irmão. Gosta de brincar com as situações (maiores explicações implicariam em spoiler =P) e é cruel com quem lhe contraria. Alimenta ilusões perturbadoras no irmão, quer tê-lo a adorando.


O fotografo surge quase no meio da trama como alguém que assiste as ações da dupla, inicialmente se aproveita da situação e ganha com os acidentes, depois assim como toda a população passa a ser vítima.

A narrativa é feita em primeira pessoa sob o ponto de ora de Anardeus, ora do fotografo e em um único capítulo de Isabel, essa variação permite uma visão completa da situação. A diagramação é com letras maiores e com um espaçamento maior, além de contar com algumas ilustrações. Assim como em seu livro anterior não há linearidade de tempo, a história vai e volta o tempo todo pela vida de Anardeus, e como em Cira e o Velho trabalha a vingança do protagonista diante do que lhe fizeram.

Têm uma forte crítica social, jogando de forma crua verdades sobre os comportamentos deploráveis do ser humano, causando diversas reviravoltas no estômago. A história é marcada por muita violência e sexo. Tudo é muito direto, simples e como um chute na cara! O uso de palavrões é constante pois ajuda a transmitir os sentimentos dos personagens. Pode não agradar a todos, mas é honesto e sincero, deveria ser lido minimamente para despertar reflexão.

Não há dúvidas quanto a qualidade da obra, é um livro inteligente, que trabalha com a sombra humana em sua extremidade. Quantos são desprezados por não se encaixar nesta sociedade capitalista do espetáculo, quantos fazem disso combustível para agir? Alguns conseguem sublimar, transformar, outros não conseguem e atacam aquilo que lhes incomoda.


É incômodo, repleto de humor negro e viceral, mas Anardeus - No Calor da Destruição é um conto de fadas as avessas que nos vem contar sobre uma história de não amor pode gerar caos como um efeito borboleta. Leia, perturbe-se e cresça!


TRILHA SONORA - BEHEMOTH - The Satanist (O livro pediu por algo apocalíptico rs!).




SORTEIO
O autor walter nos cedeu 1 marcador autografado do seu livro, para ganhar basta:

>>> Seguir o blog no GFC.
>>> Curtir o blog no Facebook.
>>> Comentar nesta resenha (com meio de contato) com conteúdo sobre o livro, a vingança é algo que valha a pena?
>>> Comentar na entrevista do Walter Tierno aqui para o House.

O sorteio vai ser feito no dia 14.03.2014. Boa sorte!!

Avaliação













Metamorfose? – O Protetorado da Sombrinha #02 – Gail Carriger

Quando vi que a editora Valentina iria publicar o segundo volume da série “O Protetorado da Sombrinha” que se iniciou com Alma?, resenhado aqui no blog, fiquei super empolgada para ler esta história, isto por que amei a escrita da autora, como vocês podem conferir na minha resenha, e fiquei louca pela sua continuação. Agora, depois de ter lido este segundo volume da série criada por Gail Carriger, venho contar para vocês as minhas opiniões a respeito desta história.

Como essa é uma resenha de continuação, pode ter algum spoiler sobre a história nos próximos dois parágrafos, no resto não.
Neste volume continuamos a acompanhar as aventuras de Alexia Tarabotti Maccon, agora também conhecida como Lady Maccon, uma mulher sem alma que tem o poder de anular os poderes sobrenaturais de criaturas como lobisomens e vampiros. No volume anterior vimos que Alexia se casou com o lobisomem Conall Maccon e está vivendo no castelo, sendo a conselheira da rainha. Tudo estava bem e normal, até que ela acorda cedo demais com os berros de seu marido, que deveria de estar dormindo ao seu lado, e que mais tarde descobre que ele foi embora correndo, literalmente, para a Escócia para cuidar de problemas familiares.
Para completar a situação, já bastante chata, os vampiros e lobisomens de toda Londres estão perdendo suas habilidades sobrenaturais. Agora, como conselheira da rainha, nossa protagonista fica encarregada de descobrir o que está acontecendo, e para isso ela acaba tendo que seguir os passos de seu marido, que já tem mais de duzentos anos de história sem ela, e acaba descobrindo vários segredos de seu passado.
Nossa protagonista continua perspicaz, determinada e teimosa como sempre, além de ainda ser bem irônica. Essas características fazem dela uma personagem e tanto, que consegue nos cativar do começo ao fim. Aliás, todos os personagens deste livro foram bem escritos e conseguem, cada um à sua maneira, nos encantar com sua forma de ser. O livro é narrado em terceira pessoa, o que achei bem legal já que assim dá para a gente ter uma visão de tudo, sem ficarmos presos a apenas um ponto de vista.
O livro tem bastante humor e aventura, e sempre temos novos acontecimentos na trama, fazendo com que ela não fique chata, nem parada. A investigação principal consegue nos surpreender e a narrativa da autora realmente consegue nos encantar com sua forma rápida e fluida, que nos prende do início ao término da leitura.
Neste volume conhecemos novos personagens e o Steampunk está com tudo, com novas sombrinhas, e bastantes objetos futuristas no passado, na época em que se passa o livro. Eu adoro esse cenário e essa mistura de tecnologia com as vestimentas antigas e todo o clima do Steampunk misturado ao sobrenatural.
Confesso que gostei bem mais da capa do primeiro volume, pois de primeira a mulher da capa deste me assustava um pouco com sua cara bem esquisita, mas à medida que fui me acostumando mais até passei a gostar muito dela, além disso, é inegável que tem tudo a ver com a história do livro.
A diagramação está perfeita, com a fonte em um tamanho confortável para a leitura, assim como o espaçamento entre as palavras, fazendo com que a gente consiga ler por mais tempo sem cansar a vista. Logo no topo de cada página encontramos a ilustração de um polvo, com o número correspondente da página dentro dele, assim como o nome da autora e série. Achei isso bem legal, já que criou um diferencial bem fofo. As páginas são amarelas e a Editora Valentina, mesmo sendo relativamente nova no mercado, sempre tem o maior cuidado em trazer um livro perfeito e de muita qualidade para nós, leitores, e desta vez não foi diferente.
Recomendo esta história para todas as pessoas que gostem de um livro com uma escrita rápida, inteligente e cheia de sarcasmo, com uma ótima e carismática protagonista, que consegue nos prender desde o começo até o fim com um a leitura surpreendente e cheia de reviravoltas e revelações.
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O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks – E. Lockhart

Até seus quatorze anos de idade, Frankie Landau-Banks era uma garota comum, magricela e desajeitada, e sem grandes artifícios físicos que chamassem a atenção. Na Escola Preparatória Alabaster ela andava com um grupo de calouros levemente nerds (que não eram cafonas nem bobocas), gostava de ler, participava do clube de debates, havia tido apenas um namorado, e passou o ano escolar ilesa por ser irmã da veterana Zada. Ela também era considerada a princesa da família.
Mas, agora com quinze anos, tudo mudou na vida de Frankie. O que aconteceu foi que, durante as férias de verão, a menina desenvolveu seu corpo, ganhando muitas curvas que não estavam ali antes, e virou dona de uma beleza inusitada, mas estonteante, fazendo com que a maioria dos garotos olhasse para ela com outros olhos.
Com essa nova aparência, Frankie volta às aulas para o segundo ano no colégio interno Alabaster, e logo chama a atenção do popular Matthew Livingston, com quem ela começa a namorar em seguida. Ele a apresenta a seu círculo de amigos, com que ela começa a andar, e Frankie logo se vê apaixonada, não apenas por Matthew, mas também por tudo aquilo que seu universo representa: status, camaradagem, piadas internas, etc.

Mas, por mais que se esforce, Frankie nunca sente como se realmente fizesse parte daquele grupo, principalmente com relação a Alfa, o melhor amigo de Matthew e por quem ele a troca em grande parte das vezes. Até que ela descobre que os garotos na verdade fazem parte de uma sociedade secreta que prega peças na escola há décadas, a Leal Ordem dos Bassês, que infelizmente só admite membros do sexo masculino.
Claro que Frankie não se conforma com essa situação e dá o seu jeito de cooperar com os trotes criados pelos Bassês, isso sem que eles nem mesmo saibam de sua participação. Ela, então, começa a bolar planos mirabolantes e consegue manipular os garotos para que eles façam o que ela quer, sem nem desconfiar de que é uma menina quem está no comando, com piadas inteligentes que tem seus propósitos e críticas, muitas delas fazendo com que os alunos pensem sobre o que aconteceu ou o que tudo aquilo deveria significar. Afinal, ela é muito mais do que apenas a garota bonita namorada do mais popular veterano.

Desde que a Diana da Companhia das Letras falou desse livro pela primeira vez em um vídeo sobre os próximos lançamentos da Editora Seguinte, fiquei imensamente empolgada e curiosa a respeito dessa obra, então ficava contando os dias para, enfim, poder lê-la. Nem preciso dizer que li o mais rápido que pude quando a tive em mãos. E fico contente que a história tenha realmente alcançado minhas expectativas.
Me diverti muito com Frankie, principalmente pelo fato de ela não aceitar as coisas facilmente e ainda conseguir enganar todo mundo, inclusive o namorado que achava que estava sendo super discreto e inteligente, quando na verdade era ela quem estava na liderança de tudo aquilo.
Ela é uma jovem bem perspicaz, seus planos eram ótimos e bem pensados, o que faziam com que fossem executados com perfeição, e gostei de toda a crítica social que ela usava como base para criá-los. Como boa parte trama é desenvolvida baseada neles, acho que a autora soube desenvolver o enredo com maestria, mantendo o leitor curioso a respeito do que viria a seguir e torcendo para continuar sigiloso e bem feito. E, claro, rindo por conta de toda a maquinação que Frankie fazia sem ninguém desconfiar. É um orgulho daqueles!

Confesso que gostei do relacionamento amoroso do casal, apesar de Matthew me irritar algumas vezes quando ele a largava para ir atrás de Alfa como um cachorrinho, e queria que o final tivesse sido diferente, apesar de ter sido realista.
Bom, eu adoro livros voltados para o público mais jovem, então a leitura desse título foi bem prazerosa para mim porque, por mais que Frankie seja brilhante e engenhosa, ela tem apenas quinze anos, então várias de suas atitudes são coniventes com sua idade. Mas também é um livro bem elaborado até para as pessoas da faixa etária a qual ele se destina, então acho legal que a autora não subestime seus leitores.
A leitura é muito gostosa e a narrativa de Lockhart, escrita em terceira pessoa, é bem fluida, fazendo com que as páginas sejam avançadas rapidamente, o que é uma pena, porque esse livro não possui continuação, então não vou mais poder acompanhar as peripécias de Frankie. Antes que vocês perguntem, sim, esse livro teve um final para o proposto nele mesmo e não ficou nada em aberto precisando de complementos, mas eu sempre fico querendo mais das histórias que eu adoro porque não gosto de dar adeus a elas. hahaha

Estou torcendo para a Editora Seguinte publicar outra das obras escritas por E. Lockhart. Eu, sem sombra de dúvidas, vou querer ler todas! Para alegria dos leitores, a maioria dos seus livros é individual, ou seja, não tem continuação, exceto por uma série com quatro volumes, mas nenhum deles ainda foi publicado aqui no Brasil, apesar de já terem sido lançados há anos lá fora, o que é uma pena.
A parte gráfica está ótima. A capa é linda, afinal as partes internas das letras do título apresentam a fachada do colégio interno em tons de azul e preto. A diagramação está muito bem feita, com fonte e espaçamento confortáveis para a leitura, e em cada capítulo, abaixo do título, há uma silhueta em cinza de um cachorro.
O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks é uma leitura inteligente e gostosa, com uma protagonista sagaz e carismática, que definitivamente merece um lugar especial na sua estante.
Avaliação


Habibi – Craig Thompson

Gosto muito de Graphic Novels, mas confesso que não sei nada de traços, cores, etc. O meu intuito quando pego uma para ler é passar boas horas na companhia de uma ótima história, igual acontece com os livros. Quando vi a capa de Habibi (sempre as capas que primeiro me chamam a atenção) fiquei interessada em saber mais sobre o que era, e após ler a sinopse sabia que precisava lê-la o quanto antes.
Quando peguei essa graphic novel nas mãos pela primeira vez, não imaginava que seria tão extensa quanto é (tem quase 700 páginas!), mas a leitura é rápida e tão envolvente que quando terminei só fiquei pensando que queria mais.
A história criada por Craig Thompson fala do amor entre dois escravos, Dodola e Zam. Ela foi vendida ainda criança (tinha apenas 9 anos de idade) pelo pai para um escrivão, tornando-se sua esposa. Seu marido não era uma pessoa ruim e até a ensinou a ler e escrever, porém ela perdeu toda a sua infância e inocência ao viver com ele. Até que saqueadores invadiram sua casa, mataram seu marido e a levaram. Dodola então conhece Zam, um menino que ela salva e adota, e eles fogem e ficam refugiados no deserto. Ela cuida dele, alimenta-o e o ensina a ler e escrever, contando histórias. Até que o destino os separa. E eles vão passar por muitas coisas até se reencontrarem novamente.

A leitura é densa e desperta os mais variados sentimentos no leitor, principalmente os ruins, mas não de uma maneira negativa. Foram várias as vezes em que eu precisei parar a leitura porque a passagem que havia lido tinha sido muito para minha cabeça processar, de uma forma que fiquei bem chateada. A trama foi construída por Craig com maestria e mistura drama com ação e suspense, partes comoventes, encantadoras e algumas até cômicas.


Todo o texto de Craig Thompson é de uma riqueza cultural magnífica, afinal ele pesquisou e trabalhou nessa obra durante sete anos. Ele recorreu ao Corão e às Mil e uma noites para escrever essa graphic novel, inspirando-se na caligrafia árabe, no estilo, e nas narrativas do primeiro, e criou um cenário cheio de lendas e histórias, baseado no segundo. Habibi, apesar de ser ambientado no Oriente, não se passa em nenhum país conhecido, mas mesmo assim há crítica social, incluindo venda de pessoas como escravos, apresenta histórias sobre a cultura árabe, fala de ligação entre amor e religião, inclusive a influência dessa última na vida cotidiana das pessoas, e também sobre a visão cultural e sociológica da mulher como objeto.


Gostei imensamente da construção dos personagens, todos eles são complexos e humanos, alguns nos cativam e ficamos torcendo por eles. Nenhum dos que foram incluídos na história estavam ali sem nenhuma razão, pelo contrário, cada um serviu como parte importante em algum momento.


Sobre a parte gráfica, como comentei anteriormente, não posso dar detalhes técnicos a respeito das ilustrações, mas como gosto pessoal posso afirmar que as achei de muito bom gosto, lindas, e muito bem feitas, inclusive acredito que foram perfeitas para representar a história através de imagens e que outro artista não teria feito tão bem. Além disso, acho que o traço combinou com a forma de narrativa e com o cenário. Elas conseguiram transmitir tudo o que as palavras queriam, e me senti envolvida de uma forma que prestava atenção em tudo atentamente para não perder detalhes.


Todas as ilustrações foram feitas em preto e branco, incluindo a da capa. Falando em capa, adorei ela, a cor vermelha e a fonte utilizada chamam muito a atenção, e a lombada fica maravilhosa na estante. A fonte e espaçamento no miolo também estão ótimos para uma leitura confortável.

Indico a leitura para quem tem interesse em uma história tocante, mais pesada e intensa, muito bem escrita e ilustrada. E, acima de tudo, repleta de amor, através da representação mais bonita desse sentimento.

Avaliação





Tabuleiro dos Deuses – A Era de X #01 – Richelle Mead

Eu ainda não tinha lido nenhum livro desta autora, mas como conheço várias pessoas que já leram, inclusive minha irmã, pedi a prova deste volume para conhecer um pouco sobre a escrita que tantos elogiam, e também porque a premissa da história me pareceu incrível e fiquei com bastante vontade de ler.
Em Tabuleiro dos Deuses, de Richelle Mead, vimos que anos atrás o mundo todo foi afetado por um vírus chamado Mefistófeles, que matou metade da população mundial e que, por conta deste caos, a RANU, República da América do Norte Unida, com sua tecnologia avançada, conseguiu desenvolver uma vacina para acabar com o vírus.
Agora, esses cidadãos que restaram passaram por diversas mudanças. Entre elas, são proibidas de adorar um Deus, para que assim o mundo seja mantido em paz, e, por isso, a população é constantemente supervisionada pelo governo, apenas a “Igreja da humanidade” era permitida, pois ela não adorava ninguém, apenas discutia assuntos do cotidiano, etc. Para vigiar as pessoas que possam tentar burlar as regras existe a “Divisão de investigação de cultos e seitas” fechando grupos que não cumprem as normas da sociedade, pois esses grupos são considerados uma ameaça à soberania do Estado.
Justin March é um investigador de religiões que trabalhava na República da América do Norte Unida (RANU) fechando esses grupos não licenciados, mas algo aconteceu e fez com que ele fosse expulso do país e exilado no Panamá por quatro anos. Agora, como começaram a surgir diversas mortes que parecem estar ligadas a seitas clandestinas, Justin é convidado a voltar para tentar descobrir o que está acontecendo, pois alguns acreditam que ele é o único que pode desvendar esse mistério.
Neste volume também conhecemos Mae Koskinen, que faz parte da elite do serviço militar do país, mas que após se envolver em uma briga, é enviada para servir de guarda-costas para Justin nesta sua missão. É com este plano de fundo que passamos a conhecer o livro, se encantar com a história e investigar junto de nosso protagonista, fazendo com que a gente não consiga parar de ler, já que a narrativa mistura deuses, crimes, manipulações genéticas, um país totalmente pós-apocalíptico, sendo uma distopia de tirar o fôlego.
Essa história criada por Mead apresenta muitos termos que, por não serem tão convencionais para nós, leitores, acabam nos confundindo. Eu, por exemplo, precisava procurar o glossário para lembrar o que era o que toda hora, então fico contente que a Editora Paralela tenha mandado essa lista de nomes com explicações para me ajudar a entender, me situar, e não me deixar totalmente perdida.
Apesar de ser legal a criação de um mundo com coisas totalmente novas, acho que ficou meio confuso e cansativo, não permitindo que eu conseguisse ler rapidamente e até me enjoando no meio de tanta explicação, sendo que algumas nem mesmo traziam boas respostas para o que buscamos.
A capa, pelo que pude ver pela prova (ainda não tive o livro finalizado em mãos), está muito linda e faz com que eu fique com vontade de ler só de olhar. A diagramação, que ainda deve ficar um pouco diferente do que a do exemplar que está comigo, já está com um tamanho de letra super confortável para leitura e as palavras estão com um ótimo espaçamento, acho que isso com certeza deve ser mantido.
Gostei bastante da história, que conta com uma narrativa em terceira pessoa, o que faz com que a gente consiga entender tudo de uma maneira geral, e achei bem interessante como a Richelle criou este novo mundo. Como este é um livro voltado para o público adulto, algumas cenas e palavras são um pouco mais fortes.
Só acho que, por possuir uma narrativa tão lenta e arrastada, os vários pontos positivos criados pela autora acabaram ficando para segundo plano. Ou seja, eu gostei muito da história, mas acho que a escritora pecou no desenvolvimento da mesma, porém, acredito que Richelle Mead consiga dar a volta por cima e o próximo volume tem potencial para melhorar muito, então com certeza vou continuar acompanhando a série.
Recomendo este exemplar para todo mundo que goste de uma boa história, bem complexa e com teor bem investigativo, que consegue prender a gente do início ao fim com personagens cativantes, mas tenham em mente que a leitura não flui muito bem, o que pode acabar incomodando algumas pessoas.
Avaliação


A Coisa Terrível que aconteceu com Barnaby Brocket – John Boyne

Alistair e Eleanor Brocket sempre se vangloriaram por terem uma família perfeitamente normal, sem chamar a atenção ou fazer algo fora do comum. Eles sempre evitaram pessoas que eram o mínimo de diferentes ou complicadas, e conseguiram isso muito bem por muito tempo, levando uma vida tranquila e pacata com seus dois filhos, Henry e Melanie, e seu cachorro de estimação de raça e pedigree indefinidos, o Capitão W. E. Johns.
Até que, com a terceira gravidez de Eleanor, tudo muda; logo após o parto a coisa mais anormal acontece: Barnaby Brocket, o novo membro da família, sai flutuando pelo quarto do hospital. O orgulho de Alistair e Eleanor foi ferido, afinal o novo filho se recusava “a obedecer a mais fundamental das regras. A lei da gravidade.”.
Eles imaginaram que essa teimosia de Barbany em ficar flutuando era coisa passageira, de criança esquisita, mas conforme os anos passavam e ele não mudava, seus pais começaram a ficar muito preocupados com a reputação da família e com o bem estar dos membros da mesma. Eles escondiam a criança o máximo que conseguiam, não deixando que ele saísse de casa e nem frequentasse escolas normais, afinal os vizinhos teriam a impressão errada deles e isso seria vergonhoso demais para aguentarem.

Até que Alistair e Eleanor não aguentavam mais passar por isso e, quando Barnaby completou oito anos de idade, eles montaram um plano que resultou no menino sair flutuando por aí, tendo que contar com a própria sorte para sobreviver e encontrar um destino. A coisa terrível que aconteceu com Barnaby acaba se transformando em uma viagem pelo mundo, onde ele acaba conhecendo lugares incríveis e pessoas tão espetaculares quanto ele, já que nenhuma delas é assim tão normal também.
Gente, estou completamente apaixonada por Barnaby! Que criança fofa e magnífica, e que história sensacional! Sério, toda vez que eu olho para esse livro fico com aquela sensação boa e gostosa de quando nós realmente gostamos muito mesmo de uma leitura. Fico sorrindo e suspirando (tá, pareço uma boba falando isso, mas relevem! Hahaha).

Nunca tinha lido nenhum livro de John Boyne e agora, além de me arrepender de ter demorado tanto para começar, entendo perfeitamente o que ele tem de tão bom escritor. Sei que esse livro é voltado para o público juvenil e, portanto, a linguagem é mais fácil e direta, mas desde já dá para perceber que ele é muito bom no que faz.
Gostei muito da narrativa, que é em terceira pessoa e, apesar de não ser minha preferida, algumas vezes é necessário que seja feita assim, e nesse caso ela encaixou perfeitamente com a história, nos deixando totalmente encantados. A sensação é que parece estar sendo contada por aquele tipo de narrador que faz com que o leitor sinta como se estivesse em uma conversa real, lhe ouvindo falar daqueles acontecimentos como sendo lembranças boas, como se fossem verdadeiros.

É uma narrativa deliciosa e reflexiva, afinal não há como definir o que é ser normal, já que cada um tem a sua própria concepção dessa palavra e o que ela significa para um, no sentido amplo, provavelmente não é o mesmo que para o próximo.
Barnaby passeia por diversos lugares no mundo (inclusive o Brasil), conhecendo muitas pessoas e vivendo aventuras espetaculares. Ser diferente do que é considerado normal o faz encontrar pessoas que o aceitam como ele é, sendo elas também de bom coração e já tendo vivenciado coisas terríveis, igual a ele. E, como um bom menino que é, ele sempre faz algo para retribuir a ajuda que recebeu das pessoas, o que acaba mudando positivamente a vida dos demais para melhor. Suas intenções são sempre boas e é muito bonito ver um menino tão pequeno que sofreu nas mãos dos pais ser tão diferente deles e propagar o amor ao próximo ao invés de se tornar alguém carrancudo e malvado.

“(...) Mas para mim elas parecem bem normais.
Palmira deu um sorriso.
– É porque elas são normais – disse ela. – Nós todos somos. A ideia que elas têm de normal, por acaso, é diferente das que outras pessoas têm. Mas esse é o mundo em que a gente vive. Algumas pessoas simplesmente não aceitam uma coisa que fuja da experiência que elas têm.”
Claro que a história tem um ar de fantasia, afinal essas situações não poderiam existir na nossa realidade por diversos fatores, mas, por incrível que pareça, a explicação que Boyne encontrou para o fato de Barbany flutuar é aceitável, e em uma dimensão paralela quase poderia ser real.

Dos personagens, nem precisava comentar, mas realmente odiei os pais, e não entendo como podem fazer algo tão terrível com o próprio filho e, pior ainda, sendo ele uma criança, mesmo que tenham suas motivações para agirem como agem na questão do “ser normal”. Pior que existem muitos pais horríveis por aí que fazem coisas tão ruins quanto com seus pequenos e isso me revolta profundamente!!
Enquanto isso, amei os irmãos de Barbany, que crianças meigas, mesmo com esses pais péssimos, também adorei conhecer junto com Barnaby boa parte das pessoas que ele encontrou no caminho e, claro, fiquei apaixonada pelo Capitão W. E. Johns (o cachorro da família), eu sou uma pessoa que ama animais e confesso que cães são os meus preferidos para ter de estimação, então fiquei ainda mais apaixonada com o melhor amigo de Barnaby.

“E aí ocorreu a Barnaby que ser normal não era tudo isso que diziam. Afinal de contas, quantos garotos que se dizem normais já haviam passado pelas mesmas aventuras que ele, ou conhecido as mesmas pessoas que ele? Quantos já haviam visto tanta coisa do mundo ou tanta gente pelo caminho?
[...]
E foi nesse momento que percebeu que gostava de ser diferente. Afinal de contas, havia nascido assim. E era assim que devia ser.”
O final é muito fofo! Na verdade ficou em aberto e não sabemos o que vai acontecer em seguida, e eu não sou muito fã desse tipo de finalização, porém, acho que nesse livro não poderia ter sido diferente porque se encaixou com tudo o que tinha acontecido, e nos deixou com aquele ar feliz e esperançoso de que coisas melhores viriam a seguir.

Ilustração do autor, John Boyne
A história é pequena e tem apenas 256 páginas, gostaria que fosse maior só porque eu queria poder acompanhar mais Barnaby nas suas aventuras, mas acho que teve um tamanho perfeito, já que deu tempo de acontecer tudo e ainda nos deixar com esse gostinho de quero mais. Além disso, a narrativa é tão rápida, fluida e cativante que as páginas são avançadas rapidamente e quando nos damos conta, infelizmente, o livro chegou ao fim. Ao fechar o livro ficamos com uma mensagem linda em nossos corações e aprendemos que o mais importante é nos aceitarmos como somos, independente das outras pessoas.
A parte gráfica também está maravilhosa, a começar pela capa linda com essa ilustração fofa em tons de verde e roxo com detalhes em azul, amarelo, marrom e vermelho, e apresenta capa complementar a contracapa. Para o livro ficar ainda mais bonito, a diagramação está incrível, a fonte do miolo, que apresenta tamanho e espaçamento confortável, não é preta e, sim, roxa, assim como todas as ilustrações internas feitas por Oliver Jeffers, que estão presentes em quase todos os capítulos, com traços e preenchimento na mesma cor. Os títulos dos capítulos estão em uma fonte diferente, assim como as legendas das imagens. As páginas são amarelas, facilitando a leitura por um período maior de tempo.

Indico “A Coisa Terrível que aconteceu com Barnaby Brocket” para pessoas de todas as idades. Às crianças, para aprenderem que ser diferente não é ruim, só o torna alguém especial, aos adultos porque tenho certeza de que vão se emocionar e se encantar com a singela e comovente história do menino Barnaby Brocket.
Avaliação