Piloto Playboy - Vi Keeland & Penelope Ward

Kendall Sparks precisa tomar uma grande decisão, que pode mudar tudo o que conhece na sua vida até agora radicalmente. O tempo para fazer sua escolha está acabando e ela tem algumas coisas em andamento, mas não sabe se está preparada para o que o futuro reserva. Para arejar a mente e tomar uma decisão da qual não vai se arrepender, ela opta por fazer uma viagem sem rumo para espairecer e refletir sobre tudo. Quando tenta escolher seu destino no próprio lounge do aeroporto, acaba conhecendo de uma forma no mínimo inusitada um homem um pouco misterioso, que ao mesmo tempo é divertido e simpático. Sua sugestão é que ela pegue o próximo voo para o Rio de Janeiro e tem ótimos argumentos para convencê-la.
Kendall pensa que nunca mais iria vê-lo, mas fica intrigada e decide embarcar nesse avião. O que ela não poderia imaginar é que aquele homem era justamente o piloto do voo! Depois de chegarem ao seu destino, eles acabam se aproximando e percebem que combinam tanto um com o outro que a conexão parece até magnética. Para se conhecerem melhor, os dois embarcam em várias pequenas aventuras enquanto dá tempo – afinal ele tem um novo voo para pilotar.4
Como Carter tem essa profissão e acaba indo de país para país em poucos dias, e desejando estender o contato entre eles para ver aonde aquilo poderia ir, mesmo sabendo que há uma linha final para a história deles, ambos embarcam em várias viagens juntos com destinos exóticos. E, conforme dividem seus dias corridos e vivenciam diversas situações inusitadas, eles se conhecem mais e mais e um sentimento acaba surgindo. Mas aquela decisão que ela precisava tomar, juntamente com a vida “louca” de Carter (e também todas as mulheres que trabalham com ele que já passaram pela sua cama) podem atrapalhar qualquer tipo de relacionamento que eles poderiam ter. Seguir em frente ou tentar fazer com que dê certo? Essa é mais uma decisão que pode mudar completamente a vida desses dois.
Como já comentei aqui no blog, Vi Keeland é, definitivamente, uma das minhas autoras favoritas da vida! Até o momento já li nove obras dela e gostei de todas, sendo algumas até mesmo favoritadas. Então, quando uma editora publica um de seus títulos eu já fico louca para lê-lo o quanto antes. A Editora Charme foi a responsável por me apresentar à autora em 2015 e “Piloto Playboy” é o seu lançamento mais recente aqui no Brasil. A editora já adquiriu mais dois títulos, Dear Bridget, I Want You e Mister Moneybags, ambos também escritos em coautoria com Penelope, mas ainda não anunciou uma previsão de publicação. Já estou mais do que ansiosa esperando.
É sempre muito gostoso quando a gente embarca numa nova leitura de uma escritora que gostamos tanto, e esse sentimento é ainda melhor quando fechamos o livro e podemos confirmar mais uma vez que adoramos passar aquele tempo com seus “novos” personagens.
Kendall é simplesmente incrível! Outra protagonista feminina forte, com uma personalidade agradável e adorável que faz com que a gente se sinta amiga da vida real – como se ela existisse fora das páginas de um livro (teria apenas dado um conselho em um momento que achei sua atitude exagerada). Também adorei Carter de modo geral, só que alguns pontos no personagem me incomodaram um pouco, como vou comentar abaixo. Tirando isso, ele é maravilhoso! Daquele tipo que tem uma essência muito melhor do que as pessoas podem imaginar só conhecendo-o superficialmente ou olhando seu belo exterior. Ele é um doce, responsável, amoroso, divertido, e, mais importante, um ser humano incrível que faz lindas ações e emociona aqueles que têm coração bom.
Confesso que até certo momento da leitura estava gostando, mas ainda não adorando porque sentia falta de algo comovente que a Vi sempre traz para suas histórias. Até que Carter apresentou melhor sua vida para Kendall e, consequentemente, para os leitores. Quando pude adentrar as belas ações que ele faz, me emocionando no processo, é que fechei meu exemplar, o abracei e disse: está aí a Vi Keeland que eu conheço e adoro! Foi realmente incrível!
A escrita das autoras é muito gostosa e fluida. Suas obras são realmente daquele tipo que nos fazem mergulhar completamente na leitura de um jeito delicioso e que não vemos nem o tempo passar. Adoro o lado divertido, que sempre é o destaque de suas histórias, que ainda traz leveza à trama, e curto muito a pitada de drama que nos faz refletir e admirar os personagens.




Mulheres Na Luta - Marta Breen & Jenny Jordahl

O cenário social do mundo em que vivemos vem se modificando ao longo dos anos. Uma das mudanças mais significativas e radicais é com relação ao papel da mulher na sociedade. Se olharmos para trás na linha do tempo, nem precisamos ir tão longe para perceber isso. Há mais ou menos 150 anos, as mulheres não tinham direitos, não podiam tomar decisões sobre seu próprio corpo, mal podiam trabalhar, não tinham direito a voto, escolher coisas importantes da vida e muito menos do país em que viviam. O usual era obedecer ao “homem da casa”, fosse ele o pai, o marido, o irmão, etc.
Quando algumas mulheres começaram a ficar bastante incomodadas com o modo como eram tratadas e queriam mais direitos e mais oportunidades na vida, passaram a lutar por isso. Para chegarmos aonde estamos (mesmo que ainda falte bastante para realmente alcançarmos o patamar ideal), muitas mulheres se uniram e colocaram a si mesmas à frente dessa batalha, na luta por liberdade e igualdade.
E nessa obra, organizada e escrita por Marta Breen e ilustrada por Jenny Jordahl, temos a oportunidade de conhecer várias das mulheres que fizeram algo por nós, conseguindo proporcionar tudo o que temos hoje e que é tão diferente desse passado não tão distante.
Podemos conhecer os principais nomes na luta por direitos iguais, pelo direito à educação, pela aceitação sexual, incluindo o uso de contraceptivos, pelo direito ao próprio corpo, por inserção e igualdade no mercado de trabalho, pela participação na política e em outros cargos importantes, etc. Para isso, vamos conhecer cada uma de suas histórias e os movimentos sociais que surgiram com o apoio e a batalha delas.

Essa obra é uma Graphic Novel de não ficção, que traz diversas histórias verídicas dentro de um mesmo tema para completar o exemplar. Cada história traz ilustrações e uma cor específica, que deixaram a leitura mais dinâmica. Com uma linguagem simples, direta e fluida, esse livro é voltado para públicos de todas as idades. Desde pequeninos até adultos, todos podemos ler e apreciar esses textos.
Então, ainda que tenha um teor mais complexo e sério por se tratar de coisas erradas que as mulheres sempre viveram no passado, e que precisavam ser mudadas para conseguirmos ser nós mesmas e termos os mesmos direitos que os homens, a autora, Marta, apresentou as histórias com uma leveza deliciosa, que nos permite ter mais conhecimento de uma forma fácil e prazerosa. E as ilustrações de Jordahl ainda trouxeram um toque divertido dando a oportunidade de crianças pequenas apreciarem a leitura também.




Persuasão – Jane Austen


Anne Elliot já soube o que era estar apaixonada. Há alguns anos, se encantou por Frederick Wentworth, um belo oficial sem fortuna ou patente, com quem desejava se casar. Sua família frívola, juntamente com sua amiga íntima Lady Russell, achavam que ele não era merecedor da jovem, persuadindo-a a romper o noivado.
8 anos se passam e agora Anne, aos 27 e sem nunca mais ter sentido algo especial por alguém, acaba reencontrando-o porque sua família está passando por dificuldades financeiras e o pai decide mudar para Bath, alugando a residência do cunhado dele, que agora é Capitão.
Com o reaparecimento de Frederick, Anne reflete sobre suas decisões do passado e nutre grande arrependimento. Afinal, é tarde demais para que eles tenham algo, já que ele deve ter ressentimentos pela rejeição anterior. Porém, talvez o poder do amor seja mais forte do que ela poderia prever.
Amo ler os Clássicos escritos por Jane Austen, que nos levam de volta no tempo como se vivêssemos naquele século junto com os personagens e não apenas lendo sobre eles através das páginas de um livro. O texto é bem escrito e apresentado, a narrativa é em 3ª pessoa e traz uma visão ampla dos acontecimentos, com foco maior em Anne.
A trama tem diversos pontos cotidianos, nos apresentando a sociedade da época, e é recheada de momentos de tensão, esperança, suspense, romance, etc., que se complementam entre si. Além do mais, há críticas à sociedade, ora de maneira sutil, ora mais diretas, e bem reflexivas.






Não Inclui Manual de Instruções - T.S. Rodriguez

Conor é um premiado autor de suspense policial, que escreveu diversos livros de sucesso durante a vida. Porém, ele não tem muitas habilidades sociais e, consequentemente, dificuldade em manter relacionamentos duradouros (tanto no âmbito amoroso quanto de amizades). Sua mãe se preocupa com o futuro e quer vê-lo feliz no amor também, então decide armar um plano bem divertido para dar uma ajudinha ao destino e encontrar alguém especial para ele.
Depois de conhecer Aidan, que combina muito com seu filho, decide que ele é o rapaz ideal para Conor, então faz diversas armações para unir os dois. Por um lado, essa relação tem tudo para dar certo: eles conseguem conversar bem, têm assuntos em comum e sentem uma atração física mútua. Além do mais, Aidan é um grande fã de Conor, que é seu escritor favorito.
Porém, a sinceridade excessiva de Conor, sua obsessão por determinados assuntos, sua falta de habilidade social e a dificuldade para entender e rir das piadas de Aidan, acabam fazendo com que a relação não seja tão fácil assim. Porém, quando sentimentos estão em jogo, aceitar as diferenças do próximo acaba ficando mais fácil. E é nesse relacionamento cheio de novidades e adaptações que eles vão descobrir a si mesmos e ao amor.
A primeira vez que olhei para esse livro, achei a capa bem fofa e fiquei interessada na leitura. Mas foi somente depois de ler a sinopse que fiquei encantada e sabia que precisava embarcar nessa obra. E foi a melhor coisa que fiz, afinal fiquei completamente apaixonada por esse exemplar!
“O amor acontece quando encontramos uma pessoa com quem podemos ser nós mesmos. [...] Queremos compartir tudo com ela. Sabemos que encontramos a pessoa certa porque a partir desse ponto, não conseguimos imaginar nossas vidas sem ela.”
Primeiramente, gostaria de dizer que esse livro traz uma trama bem simples e direta. E, com menos de cento e sessenta páginas, não há muitos acontecimentos ou revelações intensas, mas é uma história tão fofa e gostosa de ler, que enche nosso coração de paz e um quentinho delicioso, e a gente logo fica apaixonado. Com sinceridade, amei a obra!
A história é bem doce, os protagonistas são completamente carismáticos e os pais de Conor são dois amores! Com destaque para a mãe, que mesmo tendo umas ideias loucas e contestáveis, ainda assim conseguiu me divertir bastante. Dava para notar todo o carinho envolvido entre todos eles e isso foi bem bonito de ver.
Gostei bastante da escrita da Thaís Rodriguez, que ainda não conhecia. Aliás, esse foi o seu primeiro livro publicado e já fiquei bem empolgada para ler outros (no momento ela só tem mais um e está escrevendo o terceiro). Sua narrativa é leve, envolvente e muito gostosa, além de fluir de uma forma maravilhosa.
A trama traz um personagem que foi diagnosticado com Síndrome de Asperger, o próprio protagonista, Conor. Quando comecei a leitura, já tinha me esquecido da sinopse (sim, minha memória é péssima), só me lembrava que estava bem empolgada para lê-lo. Como prefiro não estragar a surpresa, não a reli. E, como eu já havia lido outros livros e séries que abordavam o tema, soube identificar de imediato o jeito de ser de Conor. Mas a “revelação” para Aidan só acontece mais para o final. E realmente adorei que a autora incluiu uma pequena explicação sobre esse Distúrbio Neurológico no Espectro do Autismo.
Gosto bastante quando uma autora traz assuntos menos populares para seus enredos e os desenvolvem de maneira leve e feliz, pois assim podemos notar que existem, sim, pessoas boas no mundo que desejam apenas o bem do próximo, independentemente de qualquer coisa. E também que todos podemos ser felizes, mesmo que sejamos “diferentes” (baseando-se na sociedade em que vivemos).



O Homem de Giz - C.J. Tudor

Eu simplesmente adoro o modo como livros podem ser caixinhas de surpresa, mesmo quando achamos que sabemos algo sobre eles, estes podem nos surpreender, tanto sobre seus temas, quanto sobre suas estórias e o sentimento que eles despertam durante a leitura. A memória que eu tinha sobre O Homem de Giz, escrito pela inglesa C.J. Tudor, publicado pela Intrínseca, era de um livro sobre um crime e os anos 80, de fato existem crimes e os anos 80, mas o livro foi bem diferente do que eu pensava.

Em 1986 Eddie era um adolescente descobrindo o mundo, ainda inocente ele se vê próximo de algumas mortes, mortes estas que não foram bem explicadas, e que no ano de 2016 ele se vê obrigado a reviver e a finalmente saber o que aconteceu entre seus bonecos de giz.

A narrativa em primeira pessoa através de Eddie é muito instigante e interessante - a cada final de capítulo, que alterna entre os anos de 1986 e 2016, nos vemos frente a uma nova revelação. E logo no começo do livro um acidente no parque já tira a perspectiva de leveza do livro. Ao contrário do que pode-se esperar não temos um serial killer, ou um único crime que permeia todo livro. São sucessivos fatos que se amarram e que aos poucos são revelados e criam cada uma das cenas de forma muito inteligente e crível.

Eddie é um personagem inocente, seja jovem, seja adulto ele não amadureceu o suficiente para ver a maldade ou a malícia das pessoas, e essa visão simplista que conduz a estória. Embora seja um homem recluso e nerd, ele possui segredos um tanto bizarros que parecem inocentes, mas que tem um toque bem macabro.

Seus amigos Gav, Nikk, Hoppo e Mickey são bastante explorados em suas personalidades que se chocam com o dia a dia dos personagem e dos principais acontecimentos da trama. Vê-los crianças e depois adultos é uma possibilidade interessante de perceber como cada um deles evoluiu diante dos fatos que passaram quando ainda jovens. E o mais interessante é que aqui não existem mocinhos, são personagens reais e dúbios, que fazem aquilo que suas paixões e emoções os conduzem a fazer.

Por conta dessas emoções os acontecimentos não são tão previsíveis, e algumas surpresas aparecem a cada passo da estória. Honestamente eu nem estava preocupada em quem era o assassino do crime principal, porque o grande destaque é a construção ao redor, o crescimento e evolução destas crianças e os adultos que estão a sua volta.

É preciso ressaltar o fato de que embora tenham crianças na trama não se trata de um livro leve. Algumas cenas podem impressionar, cenas de violência, de abuso (enquanto eu lia eu pensava sério que eles estão fazendo isso?!) e suicídio. Não são cenas extensas, e apesar do seu conteúdo achei que a autora passou seu recado sem pesar na mão, mesmo assim ela narra de forma muito objetiva os acontecimentos, sem deixar dúvidas do ocorrido.

O desfecho é ótimo, porque até personagens que parecem apenas apoio para Eddie tem uma importância e segredos para revelar. O capítulo final é sombrio, é muito macabro, não é um fato que você possa esperar de uma criança.


Sr. Holmes - Mitch Cullin

Como sou uma apaixonada por Sherlock Holmes, adoro tudo que encontro relacionado a esse detetive, sejam livros, adaptações cinematográficas, séries e até mesmo jogos, entre outros. Quando vi que Mitch Cullin tinha escrito uma releitura brilhante do personagem com uma impressionante análise dos mistérios da mente humana, fiquei louca para conhecer melhor essa obra, que inspirou o filme de mesmo nome “Sr. Holmes”, protagonizado por ninguém menos do que o maravilhoso Sir Ian McKellen. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito desse volume publicado aqui no Brasil pela Intrínseca.
Nessa obra, vemos que Sherlock está aposentado há décadas e mora em uma fazenda em Sussex, onde tem uma criação de abelhas com a ajuda de Roger, o filho da empregada. Esse jovem tem um grande interesse e carinho por Sherlock, que acaba sendo uma representação de uma figura paterna, uma vez que ele não tem pai. Eles passam horas conversando. O seu interesse pelo famoso detetive é tão grande que Roger entra no escritório dele escondido para ler os seus livros e escritos, se imaginando como o próprio investigador dos casos.
Sherlock, apesar da idade, ainda recebe muitas cartas e pacotes, pedidos de entrevistas para rádios ou revistas, presentes exóticos, livros, cartas lisonjeiras, etc., e, claro, solicitações de ajuda e investigação. Ele as lia e separava os presentes para doação, mas raramente respondia alguma coisa. Mesmo gostando de relembrar casos memoráveis, com a sua memória já afetada pela idade e toda a sua dificuldade em lembrar de eventos recentes, ele não tem interesse em novos casos, já que, agora, seus únicos interesses são abelhas, geleia real e a cinza espinhosa (uma planta medicinal).
Quando o Sr. Umezaki convida nosso protagonista para ir até o Japão do pós-guerra para ver de perto a planta e a sua culinária, ele prontamente aceita o convite sem saber que o Sr. Umezaki tinha segundas intenções.
Intercalando entre lembranças, casos de amor, amizades e pessoas que fazem falta na vida do detetive, vemos nosso protagonista com ele sempre foi, cheio de manias e ainda bem metódico e racional, apesar de consciente das suas capacidades analíticas envelhecidas. Porém, também acompanhamos o seu lado mais humano e saudosista, além do seu sentimento paternal em relação ao Roger.
Escrito em terceira pessoa, esse volume consegue nos conquistar com a vida desse detetive tão famoso e querido. Eu amei ver a história criada por Mitch Cullin, trazendo um protagonista com a idade mais avançada e relembrando alguns dos seus casos importantes. Amei cada página e não conseguia desgrudar os olhos do meu exemplar até chegar ao final. Essa é uma leitura interessante e bem nostálgica, que, além de abordar a vida atual dele, também fala sobre o último caso de Holmes e de como acabou sendo tão traumático que levou nosso protagonista se aposentar.




Jung, O Místico - Gary Lachman


Jung sempre foi um pensador que me atraiu intelectualmente, antes de fazer faculdade suas frases já chamavam minha atenção, e durante a faculdade infelizmente não tive uma matéria sobre a Psicologia Analítica. Me restou a aprender o pouco que sei sobre sua teoria sozinha, e já estava tarde a leitura de uma biografia sobre o autor. Escolhi uma que abordasse sua vida com toques espiritualistas, Jung, O Místico - As dimensões esotéricas da vida e dos ensinamentos de C.G. Jung, do autor Gary Lachman, publicado pela Cultrix.

Lachman pretende nesta biografia narrar a vida de Jung dando enfoque aos acontecimentos ligados a espiritualidade e ocultismo na vida de Carl. Fatos estes que não faltaram ao longo de sua vida, mas que acabaram um pouco abafados em suas biografias para não comprometer sua validade como pensador científico.

Jung sempre foi dono de muita personalidade, tão grande que as vezes seu inconsciente bolava saídas para seus problemas que o prejudicava muito, mas determinado a conseguir o que queria ele mesmo foi seu terapeuta e conseguiu superar alguns problemas ainda na infância. E seu modo de os enfrentar gerou o princípio de suas teorias.

Se alguém que for ler esta biografia espera muitos fatos impressionantes de sua vida não vai encontrar, existem momentos que fica claro que Jung não era bom pai já que era ausente, era péssimo marido e chegou a ter duas esposas já que não abria mão da amante, além de que trabalhar com ele não era tarefa fácil

Em contra partida ele atraiu uma legião de mulheres que o seguiram e aprofundaram o que ele começou a criar. A psicologia Analítica nasceu com Jung, mas se ampliou e muito com os estudantes que estiveram com ele, já que muitos deles eram inclusive pesquisadores para Jung.

O livro permite uma visão de conjunto da vida de Carl, tanto de seu ambiente familiar, quanto seus pensamentos conscientes e inconscientes, além de acontecimentos a sua volta. Entretanto é quase ausente explicações sobre suas teorias ou conceitos, que poderiam não só informar o leitor sobre as mesmas, como explicar e ampliar mais ainda o entendimento sobre a personalidade do mesmo.

Fica muito claro, por exemplo, a fixação de Jung por alquimia, mas não foi dada nenhuma ênfase no tema. Ficou muito claro que Jung teve fases em que realizava mesas brancas para contato com espíritos, mas a real relação dele com os mesmos também não fica clara. Assim aparecem diversos relatos de temas e situações espiritualistas com Jung, mas senti falta de um pouco mais tanto do que o autor dizia sobre cada coisa, como breve explanações sobre algumas destas coisas.

Sem dúvida o que mais achei estranho foi a ausência de fotos, afinal é esperado pelo menos algumas páginas com imagens que ilustrem a vida do escolhido, mas a única imagem que temos é a da capa.

E a grande pergunta que não quer calar não acaba respondida, afinal Jung poderia ser considerado como místico? Talvez sim pelos seus seguidores que acatavam a tudo que ele dizia, mas não tanto do ponto de vista de quem acompanha de fora, já que era um homem repleto de problemas de relacionamento e mesmo da construção sobre seu saber.
Mas místico ou não o fato é que Jung é uma figura interessante suficiente para tornar sua biografia muito interessante, especialmente para quem gosta de Psicologia e inconsciente, mas também para quem gosta de personalidades fortes. Cada situação de sua vida gerou eventos posteriores, cada pessoa que conheceu também teve seus efeitos, e é muito intrigante quanto comum ele é em determinados momentos, e quanto genial também ele consegue ser.


Histórias da Gente Brasileira #01: Colônia - Mary del Priore

Quando li essa sinopse, fiquei bem interessada nessa obra que nos mostra um pouco da sociedade brasileira desde a Colonização e seu reflexo para entendermos quem somos hoje. Adoro aprender mais sobre nossos antepassados, como se vestiam, se relacionavam, seus hábitos, costumes, vida cotidiana, etc., então fiquei muito interessada nessa leitura para saber sobre pessoas anônimas que não são retratadas nos livros de História.
E nesse volume ficamos sabendo histórias de perfis variados desde os índios, passando por portugueses, escravos, etc. É uma obra muito rica em informações e detalhes, entregando ao leitor uma nova perspectiva do nosso passado.

Todos os relatos da época são muito interessantes e a forma que a autora consegue descrever as particularidades da nossa História acaba nos fascinando e conquistando em todos os momentos, sendo uma leitura instigante e muito agradável. Em nenhum momento me senti cansada ou achei que as mais de 400 páginas estavam se tornando maçante. 


Realmente foi um trabalho de pesquisa excepcional feito pela autora, que reuniu sua extensa referência bibliográfica no final do exemplar. Não é à toa que Mary del Priore é uma das historiadoras mais importantes da atualidade. Dessa série de livros, também já foram publicados pela @editoraleya: Império, República – Memórias (1889-1950) e República – Testemunhos (1951-2000).
O livro traz ilustrações e gravuras da época, o que gostei bastante, pois nos ajuda a visualizar tudo, e um glossário, com o qual aprendi bastante. Posso citar como exemplo a palavra Jornal, que significava pagamento, salário por um dia de trabalho, ou Zungús, que eram os Cortiços, e até Hortelãs, mulheres que tratam de hortas.



Se você tem interesse em mergulhar na nossa História e conhecer um pouco mais sobre as origens brasileiras e como as pessoas viviam, com histórias leves e divertidas que apresentam a panorâmica da época do Brasil Colônia, não pode deixar de ler esse volume. Indico a obra com todo o meu Córdula (Coração).

Avaliação 




A Menina que Semeava - Lou Aronica


Eu simplesmente adoro quando um livro abre possibilidade para mais de uma explicação quanto a sua proposta, já que nem sempre deixar tudo explicitamente é a melhor forma de criar uma estória, especialmente quando ela trabalha com conteúdos do inconsciente de pessoas machucadas. Em A Menina que Semeava, do autor americano Lou Aronica, publicado por aqui pela editora Novo Conceito, temos uma relação familiar bastante conturbada e que fala exatamente sobre aquilo que nunca é dito.

Becky é uma adolescente de quatorze anos, e fazem apenas quatro anos que um furacão passou em sua vida após a separação do pais. Após esse evento a relação que antes era muito próxima com o pai, passa a ser como a de dois estranhos que não sabem comunicar o que sentem. Após acidentalmente a jovem ir para o mundo criado na sua infância, ela e seu pai terão que correr contra o tempo para este mundo não morrer. O que eles não sabem é que a fantasia e a realidade estão  mais próximas do que nunca!

Narrado em terceira pessoa sob o ângulo de vários personagens, mas especialmente de Becky, seu pai Chris e a princesa Miea, essa trama parece simples ao se ler a sinopse, mas ela é tão cheia de camadas e significados que deixa o leitor investigando a qual linha a estória pretende seguir. Ela pode ser uma fantasia, onde mundos paralelos existem a partir da imaginação de um pai e uma filha, e isso é alimentado por um personagem que distribui dons, mas também pode ser um recurso do inconsciente de uma menina que está perdendo o controle de sua própria saúde, e pode soar como um escape mental.

Tamarisk, o reino criado pelo pai na infância de Becky quando ela enfrentava uma leucemia, é bastante diferenciado, embora siga com o modelo de monarquia, as semelhanças com outras fantasias para ai. Desde as denominações de lugares, alimentos e criaturas, até as regras do mundo são bastante únicas. Focada muito no reino vegetal e animal, atribuindo grande inteligências aos animais mas sem dar voz a estes, este lugar tem toda uma atmosfera criada por uma criança pequena e seu pai. Coisas como uma madeira que tem as cores do arco-íris, e um meio de transporte que é um pássaro de três metros são algumas delas.

Ao mesmo tempo que temos estas partes mais leves, quando uma doença assola o lugar, tanto a vida normal de Becky, quanto suas visitas a Tamarisk começam a ter uma forte carga emocional. A narrativa já começa assim, com Chris o pai sentindo falta de sua filha revendo videos antigos dela, e durante todo o livro essa separação só trouxe sofrimento a ele, a filha que sentiu que o pai se afastou dela sem maiores explicações, e a mãe que não soube lidar com a bela relação entre pai e filha.

Aos poucos pai e filha começam a estabelecer novamente pontes, mas a dor continua lá, o medo da perda e da passagem do tempo. A relação delicada entre os dois é bastante explorada, especialmente do lado do pai que não compreende como uma mãe quer privar sua filha de um pai dedicado. Somado a isso a avassaladora doença de Becky.


A Máquina do Tempo - H. G. Wells

Como sempre falo, sou viciada nos Clássicos Zahar, pois eles trazem histórias maravilhosas em edições muito lindas! Sendo assim, sempre que possível leio uma das obras publicadas e mergulho nesses clássicos maravilhosos. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito de  “A Máquina do Tempo”.
Nesse volume, conhecemos a história de um cientista, a quem o autor deu o nome de “Viajante do Tempo”, que acabou construindo uma máquina capaz de realizar essas viagens. Sendo assim, ele reúne em sua casa um grupo de intelectuais para poder provar que realizou essas viagens.
O viajante, então, chega nessa reunião atrasado, esfomeado, sujo e junta todos os seus convidados na sala para contar sobre suas experiências no ano de 802.701. Ele então relata que em sua viagem se deparou com a raça humana totalmente diferente do que estamos acostumados, sendo que ela foi dividida em duas “espécies” diferentes de habitantes, os Elói e os Morlocks.
Os Elois são pessoas amigáveis e amáveis, que vivem em harmonia em uma comunidade sem guerra e sem doenças, e que não tem muita inteligência. São os habitantes da superfície, que não precisam se preocupar com nada, por isso são uma espécie que não pensa muito, tendo sua capacidade limitada. No passado, eles foram considerados a classe superior e deixaram a outra classe, denominada Morlocks, no subsolo, vivendo na escuridão. Esses últimos são seres magros, brancos e de olhos grandes, que são considerados sombrios e selvagens, porém são a classe que precisou “pensar” para sobreviver, e, com isso, possuem mais inteligência.
O livro fala um pouco sobre como o homem que se considerava “superior” acabou se tornando preguiçoso, e aqueles que eram “inferiores” continuaram a trabalhar e a desenvolver o intelecto, fazendo com que a outra classe tenha medo deles.
Narrado em primeira pessoa, conseguimos entender, através dos relatos do Viajante do Tempo, tudo o que ele passou. A obra as vezes é um pouco cansativa, porém também muito interessante e que nos faz refletir sobre muitos aspectos da sociedade. Uma coisa bem diferente é que os personagens desse livro não possuem nomes próprios, são chamados de o psicólogo, o prefeito, o médico, etc.




A Noiva Fantasma - Yangsze Choo

Eu fico bastante satisfeita em ver como a Darkside Books tem uma mão boa para escolher livros diferenciados, nem todos entram para os meus favoritos, mas ainda não li nenhum livro ruim da editora, e não foi diferente com A Noiva Fantasma, da autora Yangsze Choo.
Li Lan é uma jovem malaia que mora com seu pai, ela já está com dezessete anos e a pressão do casamento já é grande. Seu pai a informa que ela foi pedida em casamento, mas não por um vivo e sim por um jovem que morreu recentemente. Abalada pela proposta ela busca saber mais sobre a família Lim, e após uma visita a casa desta família ela passa a ter estranhos sonhos com este morto, e sua vida nunca mais será a mesma depois de tocar a morte!
Eu não sei se vocês compartilham da mesma impressão que eu, mas tudo que é livro, filme ou série que se passa no oriente ou tem alguma mitologia deste povo é mil vezes mais macabra do que a mesma estória no ocidente. Acho que eles têm estórias e costumes muito peculiares com a morte, por exemplo, e com isso uma atmosfera única e mórbida acaba se colocando facilmente em um livro que se passa por lá, no caso a Malásia.
A narrativa em primeira pessoa de Choo é através da protagonista Li Lan, uma jovem muito simples e inteligente que acabou criada por seu pai e sua Amah, com isso embora erudita na criação sofreu com a falta de alguns dotes femininos. É uma menina muito inocente e tímida que soa como uma colegial e não consegue conceber a maldade nas pessoas. Quando acaba envolvida nesta trama de morte com este jovem falecido ela toma atitudes drásticas para se livrar do espírito, e a reviravolta que o livro dá foi bem inesperada.
Este volume pode ser encarado sob diversos prismas, primeiro do ponto de vista cultural, a estória se passa em uma região que teve a imigração maciça de chineses, o que fez com que a cultura chinesa, Malaca, fosse também a deste local. A autora inclusive nas páginas finais explica alguns destes dados e sua origem de inspiração, e é muito claro a vasta pesquisa que ela fez, já que tudo é bem detalhado e explicado sobre todos estes costumes, desde comidas e roupas até e principalmente as crenças espiritualistas.

Falando em espiritualidade esta é um ponto central na trama já que Lin tem uma jornada espiritual, mostrando em detalhes as crenças e atitudes que esta população têm com os mortos, como por exemplo criar réplicas de objetos em papel e queimá-los para os mortos, assim estes recebem estes objetos no mundo dos mortos. Ela também explora supertições quanto a atitudes que dão sorte ou azar.

Por fim ainda temos um ângulo investigativo já que a jovem se vê diante de um possível assassinato, e ela para salvar a própria pele e resolver seus sentimentos precisa saber a verdade quanto esta morte. Claro que ela acaba por descobrir não só a verdade quanto a isso, mas também quanto ao passado de sua própria família.

A narrativa é envolvente, mas soa triste e opressiva, e pode deixar o leitor para baixo já que todo tempo trata da morte e da vida após a morte. Gostaria que a autora tivesse se demorado em algumas criaturas que ela diz existir no astral, ela apenas foca nos espíritos humanos, e acabei muito curiosa quanto aos demais, apenas Er Lang é um deste seres que não são humanos e que por sinal gostei muito dele!



Esposas & Filhas – Elizabeth Gaskell

Estamos em Hollingford, uma cidadezinha da Inglaterra no Século XIX, e temos a chance de conhecer e acompanhar o dia a dia de algumas pessoas bem diferentes entre si. Dentre eles, há Molly, filha única do viúvo Mr. Gibson, médico da região, que trabalha muito atendendo pacientes em suas residências e também ensinando aprendizes jovens que desejam seguir sua profissão. Por conta do seu cargo, ele também tem contato com diversas famílias da região, entre elas as solteironas Miss Brownings, que eram próximas de sua falecida esposa, o fazendeiro aristocrata Hamley, sua esposa e dois filhos, os nobres Lord e Lady Cumnor, que vivem em Towers, entre outros.
Como quase não fica em casa e tem dificuldade de saber como criar e educar uma jovem mulher, já que Molly está crescendo e começando a despertar o interesse dos rapazes, Mr. Gibson decide hospedar a menina na residência Hamley Hall com a intenção de aproximá-la de Mrs. Hamley enquanto os filhos do casal estão estudando fora. Molly rapidamente se torna amiga da família, sendo muito querida por todos. Quando os jovens visitam os pais, ela logo se encanta por Mr. Roger, com quem nutre uma amizade.
Enquanto isso, Mr. Gibson decide se casar novamente para conseguir uma madrasta para a menina e acaba escolhendo Miss Clare, ex-governanta de Towers, uma mulher autoritária e cheia de regras, que controla a vida da menina e tem fortes opiniões sobre tudo. Como se importa bastante com as aparências, sempre quer visitar a residência dos antigos patrões, com quem ainda mantém contato. Mas Molly nutre lembranças ruins de um acontecimento que vivenciou lá quando ainda era pequena e se sente desconfortável no local. Juntamente com a nova esposa de seu pai, Molly ganha uma nova irmã com quem logo faz amizade, Cynthia, uma jovem bela e coquete, que conquista todos os rapazes por onde passa.


Em meio a segredos, conflitos, traições, mortes, fofocas, reviravoltas e muitos acontecimentos, adentramos nas vidas dessas pessoas que são ao mesmo tempo simples e complexas, e conhecemos um pouco mais sobre a sociedade interiorana da época sob a fantástica e fascinante perspectiva de uma autora consagrada que viveu naquele século, Elizabeth Gaskell.
“Nem Lady Cumnor, nem suas filhas estavam livres da mesma provação, e, também, de um pouco da mesma fadiga. A fadiga que sempre acompanha os esforços conscientes de se comportar da melhor maneira para melhor satisfazer a sociedade em que se está inserido.”
A princípio, pensei que a trama deste livro iria focar mais na história de Molly com Mr. Roger, com os demais personagens transitando entre eles. Mas felizmente não foi como imaginei e o enredo ganha proporções muito maiores do que apenas girar em torno de um romance entre os dois jovens. Pelo contrário, temos a oportunidade de conhecer diversos personagens tão importantes quanto eles, que tiveram suas próprias histórias exploradas e desenvolvidas, assim como suas personalidades marcantes e bem apresentadas. Cada um tem sua própria evolução e todos merecem destaque, ainda que o papel desempenhado não seja tão grande.


E, mesmo que haja romance, esse também não é o foco do livro. Na verdade, como a própria autora considerava, essa é uma obra de história cotidiana, então vamos conhecer os personagens, suas personalidades, modo de pensar e agir, como interagem entre si e como vivem seu dia a dia. Há de tudo: amor, amizade, fofocas, intrigas, revoltas, carinho, personagens femininas fortes, personagens adoráveis, outros irritantes ou com atitudes ruins que acabam incomodando, entre muitos outros detalhes.
O mais interessante de tudo isso é que toda a trama é completamente interligada, então mesmo acontecimentos que não parecem importantes, acabam ganhando maior proporção mais para a frente. Desse modo que a gente se sente inserido dentro do livro de uma forma tão impactante que é como se fossemos um personagem onipresente em todos os lugares, não apenas como amigo de um dos protagonistas, mas como se fizéssemos parte do enredo juntamente com eles.
E olha que foi uma delícia poder mergulhar na sociedade rural da Inglaterra Vitoriana sob o ponto de vista de alguém que realmente viveu naquela época e ainda conseguiu transmitir em belas palavras tudo aquilo, o que torna tudo ainda mais real e especial sob meu ponto de vista.