A Travessia - Camila Torrano


Sou uma grande fã de história em quadrinhos, sejam as em modo ocidental, sejam os mangás orientais, mas infelizmente em detrimento dos livros acabo por comprar e ler muito menos do que gostaria deles. Mas em um intervalo entre livros corri conhecer uma graphic novel: A Travessia, escrito e desenhado pela brasileira Camila Torrano e publicado pela editora Escrita Fina.

A Travessia é um conto sobre um casal de irlandeses que em 1847 para fugir da fome resolve partir para os Estados Unidos, New York em um coffin ship (navio antigo que era conhecido por fazer viagens à America), mesmo conhecendo as lendas a respeito de criaturas que surgem ao longo desta travessia.

Sarah e Henry não são muito explorados do ponto de vista das características de personalidade, já que a narrativa começa e termina na ação e se dá de forma direta. Mas conseguimos perceber que diante das dificuldades que estavam atravessando em seu país entrar escondido em um navio que poderia nunca chegar a seu destino era melhor do que ficar. Embora tivessem medo dos rumores que ouviam não acreditavam que tais criaturas existiam.

Henry é um pouco arrogante visto que é um médico, e tenta a todo custo ser melhor tratado no navio, o que talvez tenha dificultado de forma mais rápida sua vida. Um velho cruza o caminho do casal, e é ele quem alerta eles do perigo que correm. Sarah até começa a ficar com medo, mas Henry com seu pensamento científico não muda sua opinião.

Os quadrinhos têm um traço marcante e forte, e flertam com um estilo gótico. Particularmente achei linda a forma como o quadrinho é iniciado e terminado com quadros que lembram muito o estilo usado em tatuagens. Tem um tamanho maior do que o convencional, com papel couche e acabamento bem feito.

O final é bem ao estilo de um bom conto de terror, surpreendente! Você não sabe do que se trata até que a ação de fato se desenrole. Um quadrinho ótimo baseada em um conto de qualidade, e que deve estar nas prateleiras de todos que gostam de arte.





Avaliação








Mais Forte Que o Sol - Irmãs Lyndon #02 - Julia Quinn

Ellie Lyndon estava caminhando tranquilamente, pensando na vida, quando de repente um homem cai literalmente aos seus pés. Charles Wycombe estava em cima de uma árvore bêbado porque estava um pouco desesperado já que tinha que arrumar uma esposa antes de fazer 30 anos, o que não faltava muito para acontecer, para não perder toda a sua fortuna para o primo distante, já que o pai tinha colocado esta condição em seu testamento.
É claro que neste momento eles ainda não sabiam que iam acabar se casando. Porém, por conta de alguns problemas em casa, Ellie precisa se casar ou a nova madrasta irá escolher seu noivo – velho, jovem demais ou com algum fato muito perturbador rodeando-o. E ela também precisará agir como uma empregada para a insuportável mulher, que agora se sente a dona do lar. Claro que com sua inteligência, Ellie conseguiu fazer alguns investimentos e tem um dinheiro guardado, porém só um homem poderia mexer nele, afinal mulheres não deveriam saber/mexer com essas coisas de acordo com diversos homens da época.
Unindo as necessidades de ambos, Ellie e Charlie percebem que o casamento de conveniência é a única saída para eles. Assim, ele vai conseguir manter sua fortuna e ela poderá conquistar sua independência e recuperar o dinheiro que é seu por direito. Porém, a química entre os dois é forte e a companhia do outro começa a ficar cada vez mais agradável. E, talvez, seguindo o caminho inverso, eles dois podem acabar se apaixonando pelo seu próprio cônjuge!
Amo a Julia Quinn com todo o meu coração. Tanto é que ela é minha autora favorita do gênero e também uma das minhas preferidas da vida. Porém, seu livro anterior dessa duologia, “Mais Lindo Que a Lua”, não foi um de seus melhores trabalhos na minha opinião, já que foi o único exemplar escrito por ela que eu não gostei, infelizmente. Então estava um pouco receosa de não amar esse segundo também, afinal a gente sempre espera adorar tudo o que nosso autor amado escreve, certo? No entanto, depois de ter finalizado essa obra, posso suspirar aliviada, já que ela é MARAVILHOSA! Me apaixonei por tudo e amei esse livro!
Primeiramente, essa é uma história divertidíssima! Me peguei gargalhando em diversos momentos da leitura, desde o comecinho até o final. O tom cômico que Quinn usou foi realmente muito agradável. Além disso, a trama é bem leve, envolvente e gostosa. Como essas já são marcas de Quinn, não podia esperar algo diferente.
Adorei a personalidade de Ellie e o fato de ela gostar de falar bastante. Parece uma geminiana, e como eu também sou, gosto de gente com quem poderia manter uma longa conversa, com uma pitada sarcástica e comentários sagazes de bônus. Além disso, ela é muito inteligente, direta, alegre, obstinada e prática. Charles também tem uma personalidade incrível, um bom coração, é bem engraçado e algumas de suas cenas bêbado eram ótimas. Os diálogos entre os dois eram muito bons e ainda tinham aquelas alfinetadas que a gente adora acompanhar nos casais que gostam muito de brigar no estilo gato e rato.
Além disso, nesse volume tivemos a oportunidade de acompanhar alguns momentos de ação e tensão – permeados com diversão também, porque foi a proposta da autora. Adoro quando ela coloca essas características na trama, porque dá uma movimentação e nos faz ficar apreensivos a respeito de como tudo vai ser resolvido.
Apesar de Victoria, protagonista do primeiro volume da duologia, ser irmã mais velha de Ellie, não tivemos participações dela neste livro, apenas alguns comentários sobre como estava a sua vida. E acho que foi a primeira vez que isso aconteceu nos livros de alguma série da autora. Mas entendo que para o desenrolar da história ela não poderia estar presente. Ou seja, você não precisa ler o primeiro para ler o segundo e vice-versa, já que são bem independentes.
A escrita de Quinn está sensacional como sempre. A trama é bem desenvolvida, assim como o relacionamento do casal, que começa de forma inusitada e vai se desenrolando aos pouquinhos, de um jeito que conquista o leitor, passando pela amizade e confiança, assim como a atração física, antes de se tornar amor. E isso é sempre encantador de acompanhar.


Três Grandes Cavaleiros da Távola Redonda: Lancelot, Tristão e Percival - Cavaleiros da Távola Redonda #02 - Howard Pyle

Eu sempre amei os clássicos da Zahar, pois além de trazerem histórias maravilhosas, eles são publicados em edições incríveis, daquele tipo que me faz ficar louca só de olhar por conta de toda a parte gráfica bonita e bem trabalhada, além de ótima revisão e comentários interessantes. Posso falar com toda certeza que, como leitora e fã, esses livros conseguem mexer com a nossa cabeça e agradar a maioria. Com vários motivos para apreciá-los, eu tento intercalar um clássico em minha pilha de leituras sempre que possível, e o da vez foi “Três Grandes Cavaleiros da Távola Redonda: Lancelot, Tristão e Percival”, de Howard Pyle.
Nesse exemplar divido em 3 partes, conhecemos as aventuras de Sir Lancelot, Sir Tristão e Sir Percival, como podemos notar pelo título. É como se fossem três livros dentro de um. No primeiro, vemos as aventuras que levaram Lancelot a ser considerado um dos mais gloriosos cavaleiros, o episódio bastante famoso no qual ele imerge de um lago mágico de onde saiu para ser sagrado cavaleiro por Rei Arthur, e também conhecemos ainda mais ele e toda a sua bravura, sendo um dos homens mais fortes, impiedoso com os inimigos e bastante distinto com o uso das armas. Adorei conhecer um pouco mais sobre ele e me encantar com seu jeito de ser, suas façanhas e aventuras, sendo um verdadeiro nobre e campeão.

No segundo livro, no qual conhecemos Sir Tristão de Lyonesse, grande amigo de Lancelot, vemos que não poderia ser contada a história de um sem falar do outro, já que a vida de ambos foi entrelaçada em vários acontecimentos, e eles têm um laço mais forte do que o de sangue. Os dois se consideram como irmãos e têm uma enorme afeição um pelo outro, ainda que não sejam filhos dos mesmos pais. Sua história é um pouco mais triste, já que ele é odiado pelo tio, e sempre se sente dividido pelo amor e a honra.

Na primeira parte do seu livro, vemos o seu amor por Lady Isolda, a Bela (dama mais bela e gentil do mundo). Vemos como ele passou a sua juventude e como se tornou um cavaleiro da Cornualha, sagrado pelo Rei Mark. Na segunda parte, acompanhamos suas aventuras e sua relação com Sir Lamorack, também considerado um dos maiores cavaleiros daquele tempo, e como se tornaram irmãos de armas, depois a briga entre os dois e a reconciliação. Na terceira parte vemos como ele enlouqueceu, viveu várias aventuras e como voltou a ter sanidade.
E no terceiro e último livro conhecemos Sir Percival de Gales, que viveu uma vida corajosa, pura e honrada. Acompanhamos a sua primeira aventura, como ele conheceu a rainha Guinevere e como se apaixonou por uma donzela que encontrou no caminho. Acompanhamos também ele aprendendo a utilizar as armas e suas aventuras seguintes. Ele é um dos mais ingênuos dos cavaleiros e um dos que mais gostei de acompanhar.


Esse volume no geral traz histórias e aventuras de homens nobres, lições de vida e conduta dos três, e ainda temos um pouco de romance e aventuras de tirar o fôlego. Quando a jornada começou, eram rapazes inexperientes e inocentes, que entraram em novas aventuras sem saber muito e foram aprendendo pelo caminho. Precisaram enfrentar seus medos e os perigos que surgiam, tudo de forma admirável e sempre encontrando coragem dentro de si para seguir em frente, e também contando com suas próprias forças física e moral, que foram adquirindo aos poucos.


Mais Que Amigos - Love Unexpectedly #01 - Lauren Layne

Parker Blanton não tem do que reclamar na sua vida, afinal gosta do momento em que está vivendo, além de ter um ótimo namorado, bons amigos, pode se divertir sempre que tem vontade e ainda divide o apartamento com a melhor pessoa que poderia desejar, seu melhor amigo, Ben Olsen.
Eles são inseparáveis desde a adolescência e sempre estiveram ali um pelo outro, nos momentos bons e também nos péssimos, e nunca tiveram nenhum tipo de caso ou desejo pelo outro, nem sexual nem romântico, e estão muito bem com isso, obrigado. O que desafia aquela ideia de que homens e mulheres não podem construir uma amizade duradoura sem que o desejo seja mais forte ou atrapalhe tudo entre os dois.
Mas nem tudo são flores e o relacionamento amoroso dela está meio morno até que chega ao fim, deixando-a de coração partido. Com isso, Parker decide buscar algo diferente e quer a ajuda de ninguém menos do que Ben para encontrar uma diversão sem compromisso, afinal ela confia nele e pode conversar com ele, então será tudo bem simples e bom.
Porém, é claro que as coisas nunca são assim tão fáceis. E no meio da diversão os sentimentos podem surgir também. Mas será que Parker ou Ben estão dispostos a mudar a vida deles e a relação de amizade tão bonita que construíram até agora por algo mais sério que pode colocar tudo a perder?
Desde que vi a capa deste livro no site da Amazon, bem antes do seu lançamento oficial, sabia que precisava tê-lo na minha coleção. Primeiro porque a capa é realmente linda e chamou muito a minha intenção já que parecia um romance leve e divertido, um dos gêneros que mais gosto de ler. Segundo porque, depois de ler a sinopse, tive ainda mais certeza de que era tudo o que eu precisava naquele momento. Então, assim que estive com meu exemplar em mãos, embarquei na leitura e agora posso contar que adorei a experiência e já quero ler mais obras de Lauren Layne!
Neste primeiro volume de sua série de estreia em território nacional, “Love Unexpectedly”, conhecemos esses dois melhores amigos, que nunca tinham pensado em elevar o nível de amizade para o romance, e acabam de surpreendendo ao perceberem que na verdade foram feitos um para o outro.
A narrativa é em primeira pessoa intercalando capítulos narrados pelos dois personagens principais, ora um, ora o outro. Parker e Ben são dois protagonistas adoráveis e adorei poder conhecê-los melhor, seus pensamentos, sentimentos, e o que os levava a agir de certa maneira. Eles são jovens bem gente como a gente, então é muito fácil o leitor se identificar com algum deles, com suas vidas ou pelo menos com algo que sentiram ou pensaram, seja porque estão passando por algo semelhante agora ou já tenham vivenciado coisas parecidas em algum momento.
O que mais gostei nesta leitura foi a escrita da autora, Lauren Layne, que é deliciosa, leve e descontraída, daquele tipo que nos faz mergulhar nas páginas sem nem perceber o tempo passando. Fora que o livro é bem fininho (tem apenas duzentas e vinte e quatro páginas), então somando isso a uma narrativa fluida, pode ser lido em apenas algumas horas. Mas é claro que a vontade é enrolar para acompanhar esses personagens por mais tempo.
A obra se propõe a ser divertida, fofa e com uma pitada romântica e consegue entregar tudo isso muito bem. E também é bem previsível e repleta de clichês, então se você gosta deste tipo de leitura, pode embarcar nela sem receios porque vai adorar. Porém, se espera algo diferente, inovador ou que te faça ficar apreensiva, com o coração apertado ou deseja aquelas reviravoltas maravilhosas, sinto lhe informar que não vai encontrar nada disso aqui.


Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos - Pottermore Presents: Histórias de Hogwarts #01 - J. K. Rowling

Eu tenho o incrível talento de amar uma coisa e mesmo assim acabar falhando miseravelmente em ler tudo que sai sobre esta coisa, isto porque eu passei anos a fio fugindo das leituras digitais, resistindo até o dia em que eu queria mais livros e não tinha mais espaço. Aos poucos eu estou me adaptando ao kindle, e assim não podia deixar de finalmente ler Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos - Histórias de Hogwarts - Pottermore Presents # 1, escrito pela querida J. K. Rowling.
Neste pequeno livro estão reunidos textos escritos pela autora originalmente postados em seu site Pottermore. Estes pequenos textos pretendem explorar diversos aspectos do mundo bruxo, desde a estória de vida de alguns personagens, até reflexões sobre certas criaturas.
O primeiro texto é sobre a professora Minerva McGonagall, e isso me deixou muito feliz já que depois do Dumbledore ela é minha personagem favorita (se o Sirius não tivesse falecido talvez isso não fosse assim, mas...). Nele conhecemos a estória de sua família e de sua infância até o momento em que ela começa a dar aulas em Hogwarts, e ao contrário do que parece ela sofreu um pouco ao longo destes anos, mesmo assim sempre foi perseverante e justa. Foi um texto muito interessante de ler.
Na sequência temos um texto que explora os animagos, já que Minerva é uma. Explica em
detalhes o que é e como se tornar um através de um feitiço. Ler textos como este é mergulhar dentro do mundo bruxo, e por alguns instantes se imaginar neste mundo como bruxa.
Lupin é o próximo personagem explorado, e devo dizer que este moço sofreu muito desde muito pequeno pela sua condição de lobisomem, e mesmo assim sempre foi um homem bom que não descontou nas pessoas sua condição, ao contrário procurou poupá-las de qualquer transtorno. Uma pena que seu momento mais feliz tenha sido tão breve! Já que Lupin foi evocado, os lobisomens também foram no texto em sequência.
Rowling ainda no permite uma breve espiada na vida da professora Trelawney, que infelizmente continua a despertar meu total desprezo por ela rs! Nada muito além do que já é conhecido nos livros e dito, em geral ela é pouco confiável e útil!
Por fim o último texto é sobre Silvano Kettleburn, professor de Trato das Criaturas Mágicas que antecedeu Hagrid, e que parece ter um amor incondicional pelos animais como nosso amável gigante!


Leis da Tentação - Saints of Denver #02 - Jay Crownover

Avett é uma verdadeira “filhinha de papai”, já que tem tudo o que quer, é uma pessoa privilegiada e ainda possui uma família boa e um pai amoroso e incrível. Mas não consegue retribuir a vida boa que tem, sendo uma rebelde sem causa, fazendo as piores burradas e tomando decisões prejudiciais a si mesma e também a outras pessoas. Até que algo terrível acontece, que poderia fazer com que ela mudasse de comportamento para melhor, mas só faz com que ela afunde mais ainda na rebeldia.
Depois de escolher um namorado errado (que ela tinha plena consciência de que não valia nada) e traficante, ela acaba apanhando e passando por uma situação complicada, que a faz parecer cúmplice de um crime contra pessoas importantes para sua família e, com isso, vai parar atrás das grades. E é assim que ela conhece o delicioso e competente Quaid Jackson, advogado criminalista de sucesso que não tem escrúpulos ao defender criminosos e consegue livrar alguns bem ruins da prisão.
É claro que uma atração entre os dois logo surge, mas o caso que estão enfrentando juntos faz com que a relação seja apenas profissional. Porém, apesar de opostos em muitas coisas, eles também têm muito em comum. E conforme o tempo passa e podem se conhecer melhor, os sentimentos acabam surgindo nesta equação. Agora eles precisam lidar com seus próprios fantasmas pessoais antes de embarcarem numa relação. Mas, quando há disposição e força de vontade, duas pessoas podem encontrar uma forma de ficarem juntas. 
E mais uma vez mergulhei numa das obras de Crownover e fiquei encantada. Ainda que Avett não tenha sido uma personagem da qual eu tenha gostado, a autora conseguiu construir uma boa trama, um pano de fundo incrível, e um romance quente e envolvente. Sua narrativa é leve, direta, gostosa e bem desenvolvida, fazendo com que o leitor tenha facilidade em se prender nas páginas e aproveitar a experiência de forma bem agradável.
Antes de iniciar a leitura, a autora comentou na Introdução que a protagonista era mimada e irritante, e que ela só lhe deu uma história porque gostaria de vê-la virar sua vida de cabeça para baixo e se mostrar mais do que a princípio aparenta ser. Devo confessar que já fiquei com um pé atrás com essa informação, porque eu faço parte do grupo que não necessariamente gosta desse tipo de pessoa.
E Avett é realmente bem mimada, filhinha de papai, egoísta, uma rebelde sem causa, de classe média e privilegiada, que tem o amor e o apoio incondicional do pai, mesmo errando e fazendo besteira atrás de besteira somente porque quer (ela admite isso), que não tem motivo algum para ser como é, sabe que está sendo irresponsável, sem noção, etc. E, mesmo assim, não faz nada para mudar isso e nem tem costume de pagar pelos seus erros ou ações (o que foi ainda pior na minha opinião). Então isso foi meio chato e irritante. E mesmo entendendo um pouco do motivo de ela ter ficado pior, e de podermos ir vendo uma evolução do seu caráter quando a leitura vai avançando, infelizmente não consegui simpatizar muito com ela mesmo no final da leitura, o que é uma pena.
Gosto bastante da escrita de Jay Crownover, inclusive porque ela consegue nos apresentar uma protagonista desagradável e ao mesmo tempo faz com que a gente se encante com a leitura, mergulhe nas páginas querendo mais e ainda termine a obra gostando bastante do resultado. Isso só nos prova o quão boa ela é como autora e espero que continue nos entregando cada vez mais tramas apaixonantes.
Como já comentei antes aqui no blog, uma das características de que mais aprecio em suas histórias é o fato de nos apresentar personagens complexos e reais, que são muito mais do que aparentam mediante os preconceitos da sociedade de maneira geral. Eles têm defeitos, dificuldades, erram e pagam por isso. Depois aprendem, acertam, estão em constante evolução e mudanças, como qualquer um de nós.
Algo que gostei bastante de ver foi a evolução de Quaid. Ele é encantador, tem um passado difícil, deu a volta por cima e também é um indivíduo intrigante, porém tinha algumas atitudes nada bacanas e negativas, que podem acabar incomodando algumas pessoas (eu, inclusive), como, por exemplo, ajudar os piores criminosos a escapar da prisão sem pagar por seus crimes. Então vê-lo mudando e começando a crescer como um ser humano mais empático foi realmente algo gratificante.


Semana Especial - Liane Moriarty: Livros da Autora



Oii, gente! Como vocês estão? :D A Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros para fazer uma Semana Especial sobre a autora Liane Moriarty e nós estamos participando. No primeiro dia, postamos a resenha do seu lançamento aqui no Brasil, “O Que Alice Esqueceu”, que é maravilhoso. Para conferir nossas opiniões, CLIQUE AQUI.
Hoje é o segundo dia deste especial e viemos comentar um pouquinho sobre suas demais obras. Vem conferir porque só tem trama maravilhosa, envolvente e enigmática!
Pequenas Grandes Mentiras [Skoob]
Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre.
Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou? Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada.
Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline.
Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade.
Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida.
Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o fatídico dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada.
Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana.
>> Esse é o livro mais famoso da autora, inclusive porque foi adaptado para uma série de TV pelo canal HBO, chamada Big Little Lies (mesmo título do livro originalmente), que ganhou diversos prêmios e foi protagonizada por ninguém menos do que Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley, e ainda conta com um elenco de peso. Mas voltem aqui durante a semana porque teremos post sobre o assunto. A Intrínseca publicou essa obra com duas capas, a original e uma com o pôster do filme.


Semana Especial - Liane Moriarty: [RESENHA] O Que Alice Esqueceu


Assim que li a sinopse de “O Que Alice Esqueceu”, fiquei louca pela história. Adoro livros que retratam perda de memória, ainda mais quando se passam anos e a vida da pessoa já mudou totalmente. Sendo assim, não consegui contar os minutos para ter esse título em mãos e, assim que o tive, comecei essa leitura. Agora venho compartilhar com vocês tudo o que achei desse exemplar escrito por Liane Moriarty, publicado aqui no Brasil pela editora Intrínseca.
Nesse volume conhecemos Alice, uma mulher que se encontra estendida no chão da sua aula na academia, pois caiu enquanto fazia um exercício. Ela fica inconsciente e quando acorda pensa que está gravida do seu primeiro filho e com 29 anos, mas na realidade dez anos já se passaram e ela está prestes a fazer quarenta anos. Sem acreditar muito em nada, Alice pensa que quando o seu marido ou a sua irmã chegarem ao hospital, tudo não vai passar de uma brincadeira de mau gosto.
Até que descobre que essa na verdade é a sua realidade. A vida como imaginou é totalmente diferente do que planejava e sonhava. Agora ela tem uma casa linda, três filhos, está se divorciando do seu marido, além de ter se distanciado de sua mãe e irmã e também tem uma barriga incrivelmente chapada.
Ela não sabe como as coisas chegaram a esse ponto, até porque não era uma mulher sistemática, metódica e obcecada por organização, como aparentemente é agora. Para nossa protagonista, parece que outra pessoa viveu em seu lugar durante esses dez anos, já que não consegue nem mesmo se reconhecer.
A narrativa foi feita através de três perspectivas, a da nossa protagonista Alice em terceira pessoa, onde a vemos tentando entender melhor tudo ao seu redor, através do diário de Elizabeth, irmã mais velha de Alice, que por conselho do seu psiquiatra registra os seus pensamentos mais profundos, e através do blog de Frannie, a avó das duas.
Elizabeth, a irmã de Alice que era inseparável de nossa protagonista, ministra palestras sobre campanhas de marketing e é casada com Ben. Nunca conseguiu engravidar e esse aspecto acabou influenciando toda a sua vida. Para ela, ninguém conseguia entender tudo o que estava passando, e foi por conta disso que o seu terapeuta pediu que escrevesse em uma espécie de diário todos os seus sentimentos em relatos pessoais de sua vida. Sendo assim, conseguimos entender um pouco mais de como ela acabou se distanciando de sua irmã e um pouco mais de sua vida e angústias.
Também temos a Frannie, a avó postiça de Alice, que ajudou em sua criação e na de sua irmã. Ela é uma senhora divertida e moderna, que mora em um condomínio para idosos e criou um blog para falar coisas da vida. Encontramos vários comentários divertidos, e ela também apresenta a sua visão em temas mais sérios, como a eutanásia.
Esse volume traz uma história bem gostosa, na qual vemos a importância de as vezes nos distanciarmos de tudo para conseguirmos ter uma visão mais geral de nossa vida. No caso da nossa protagonista, ela nem conseguia se reconhecer, e a sua falta de memória acabou lhe dando uma oportunidade para rever todos os conceitos de sua vida, assim como suas atitudes.


Um Sedutor Sem Coração - Os Ravenels #01 - Lisa Kleypas

Devon Ravenel não tinha títulos e responsabilidades e estava extremamente satisfeito com sua vida seguindo um rumo sem preocupações e com muita diversão e libertinagem. Até que herda o título de Conde, dívidas imensas e uma propriedade caindo aos pedaços de tão maltratada que está, além de ter que lidar com as três irmãs mais novas e a viúva do primo, que morreu deixando-as com nada e sem teto.
É claro que Devon está determinado a se livrar de tudo o quanto antes. Porém, algumas coisas acabam surgindo em seu caminho, fazendo com que ele acabe refletindo um pouco mais antes de tomar qualquer decisão precipitada. E sua empatia, juntamente com sua vontade de vencer – que antes achava que eram inexistentes – acabam falando mais alto, fazendo com que ele resolva que talvez tenha chances de fazer alguma coisa antes que seja tarde demais.
Kathleen acabou se tornando viúva antes do que poderia imaginar e também se sente responsável pelas três cunhadas, que são mais jovens do que ela e não têm o que fazer para se manterem sozinhas. Mas sua inteligência, determinação e bondade lhe inspiram a buscar o melhor de si e de todos ao seu redor.
A atração entre Devon e Kathleen surge antes mesmo que eles possam perceber ou negar. E agora precisarão lidar com ela e as consequências de um possível envolvimento. Mas Kathleen sabe que ele não é alguém confiável, já que é um grande cafajeste. E Devon não quer se envolver com nenhuma mulher, muito menos a viúva de seu odiado primo. Agora os dois precisarão decidir se vale a pena lutar contra seus sentimentos ou se devem se deixar levar por eles, ainda que essa seja uma atitude nada racional. E será que tudo isso valerá realmente a pena?
Lisa Kleypas é uma das autoras de Romances de Época mais famosas no Brasil, e possui diversos títulos em seu currículo, sendo que onze deles mais um conto já foram publicados por aqui. Mesmo que este seja meu gênero preferido, por incrível que pareça ainda não tinha lido nenhuma de suas obras, mas não por falta de vontade. Então, quando a Editora Arqueiro anunciou a publicação de sua nova série, “Os Ravenels”, sabia que precisava começar por essa e iria ler o primeiro volume o quanto antes. E foi o que fiz. Mas devo dizer que fiquei um pouco decepcionada. Não com a autora, mas com seus protagonistas, e vou explicar mais abaixo. Porém, ainda assim, não perdi a vontade de continuar lendo livros escritos por ela e já quero as continuações dessa série para ontem!
Primeiramente devo dizer que o que mais me incomodou nessa leitura foi Kathleen! Que protagonista chata!! Com certeza ela está na liderança disparada de protagonistas chatas de livros, porque acho que não conheci tantos personagens como ela muitas vezes na minha vida. E também ganhou o topo da lista de piores protagonistas de romances de época. A moça reclama de absolutamente qualquer coisa. E quando eu digo isso quero dizer que ela sempre faz objeções ou comentários negativos sobre exatamente todo e qualquer assunto, ainda que o mesmo nem diga respeito a ela. Ela é controladora e narcisista e acha que todos devem seguir seus desejos e instruções em todos os assuntos. Mesmo que de vez em quando a mesma esteja certa, acho que é sempre válido ouvir o próximo primeiro antes de sair jogando sua opinião como se fosse a única que importasse e valesse. E também acredito que antes de reclamar de tudo, poderia, sim, ouvir motivos e argumentos alheios antes de emburrar a cara e sair de perto das pessoas porque lhe contrariaram.
Não posso dizer que Devon tenha ficado muito atrás no quesito chato, porque também não curti muito ele, não. Bem sem graça, grosso e por diversas vezes detestável, esse mocinho não me conquistou, mesmo que tenha sido mais agradável do que Kathleen em diversas situações. Fora que a química entre os dois simplesmente não existiu em nenhum momento. Ficava esperando meus suspiros ou pelo menos uma torcida pelo casal, meu coração acelerar ou um sorriso aparecer em meus lábios, mas tudo que eu senti foi um grande nada. E até agora não senti a transição de “pessoas que brigam por tudo e nem se suportam” para “estou querendo ou amando essa pessoa”. E olha que esse é meu tipo de casal preferido e adoro ver essa transição dos sentimentos, as provocações e todo aquele gostinho de “fiquem juntos logo!!”, mas não foi dessa vez, já que pisquei e eles já estavam curtindo a intimidade juntos.
O que eu realmente gostei neste livro foram os personagens secundários, já que adorei absolutamente todos eles, inclusive o valete Quincy. E, se não fossem por eles, talvez eu nem mesmo teria terminado essa leitura. West foi simplesmente sensacional, adorei ver a evolução deste rapaz com um coração grande, que só precisava de um empurrãozinho e um objetivo de vida para crescer como ser humano e virar alguém que agrade a si mesmo. As gêmeas Cassandra e Pandora também são adoráveis e adorava acompanhá-las. Suas cenas, comentários e diálogos eram os melhores e me diverti bastante com ambas.
A minha sorte é que Helen e Winterborne, protagonistas da sequência, “Uma Noiva Para Winterborne”, com previsão de publicação em território nacional para esse mês, também ganharam destaque nesta trama, sendo os responsáveis por diversas cenas, que inclusive acompanharam apenas as perspectivas dos dois, e foram encantadores. Mesmo que ele tenha o temperamento um pouco difícil, gostei do personagem. E não vejo a hora de ler a continuação para ver como eles se resolveram e como será a história de amor dos dois. Inclusive penso que a autora também não gostou tanto assim de Kathleen e Devon, por isso deu tantas páginas, cenas e importância para esses dois – primeira vez que vejo personagens secundários protagonizarem diversos capítulos em um livro, sendo que têm seu próprio exemplar contando a história deles.
A escrita de Kleypas é como imaginei que seria, viciante, gostosa, fluida e leve. E foram essas características que me fizeram ter vontade de continuar a leitura, mesmo sem gostar dos personagens principais. E é assim que conseguimos reconhecer bons autores, quando eles conseguem nos fazer apreciar uma leitura ainda que não todos os detalhes sobre ela. E, se não fosse por Kathleen, a probabilidade de eu gostar seria muito maior.
A trama foi construída muito bem, com detalhes visuais e da época bem vívidos. A narrativa, que foi apresentada em terceira pessoa com capítulos alternados entre os pontos de vista de Kathleen e Devon, é envolvente, bem divertida e se desenvolve de maneira agradável.


Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes - Elena Favilli & Francesca Cavallo


Não tinha pretensão alguma de ler o livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes - 100 fábulas sobre mulheres extraordinárias, das autoras Elena Favilli e Francesca Cavallo, publicado pela editora V&R, mas um dia peguei ele para o kindle, e resolvi só dar uma espiada para ver como era, de repente li todo o livro em menos de 24 horas!

Favilli e Cavallo apresentam em seu livro 100 histórias de vida de cem mulheres que se destacaram no mundo ao longo da história fazendo diferença onde passaram e mudando o pensamento dos que a conheceram. Estas mulheres tiveram as mais variadas profissões desde ativistas, escritoras até cientistas de diversas áreas, e nasceram em diversos locais no mundo. Achei interessante que neste aspecto o livro foi bastante democrático e não se focou apenas nos países mais conhecidos e esperados, ao contrário procurou evocar todo canto do mundo.
As histórias em si são breves, são narradas em terceira pessoa como se fossem uma fábula, e contam com apenas duas páginas. São muito breves para de fato transmitir algum conhecimento, mas conseguem transmitir a mensagem de perseverança que todas compartilham.

O destaque são as lindas ilustrações que cada uma destas personalidades ganharam juntamente a alguma frase dita por elas. São retratos lindos que facilmente poderiam ir parar em uma parede.

O livro é especialmente eficaz para crianças já que tem uma linguagem acessível e pretende ser breve e direto em sua narrativa. Mas peca um pouco no excesso do feminismo, o qual eu sou contra (e que fique claro que sou contra o machismo também, vejo pessoas como espíritos que não se limitam ao corpo que 'vestem'), isso porque alimenta este ponto de vista extremo onde mulheres precisam todo tempo provarem para si mesmas que podem fazer qualquer coisa. Acho que a mensagem deveria ser que qualquer um pode fazer qualquer coisa desde que deseje e se esforce para tanto, que o mundo na maioria das vezes não ajuda, não só mulheres mas muitos homens.

Estou um pouco cansada da quantidade de livros que têm saído nos últimos anos que trabalham a temática da mulher, quando acredito que a saída talvez seja também educar homens a conhecerem o universo feminino, porque sim somos diferentes, e isso não é problema, é ao contrário belo, ser igual é terrível, ser diferente é a graça. Todos somos diferentes, mesmo entre o mesmo sexo, cada um a seu jeito e com seus desejos somos capazes de coisas que desconhecemos.


Nada Escapa a Lady Whistledown - Lady Whistledown #01 - Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins & Mia Ryan

Quem acompanha as resenhas aqui no blog ou no nosso Instagram (@houseofchick) já deve ter notado o quanto amo Julia Quinn e suas obras. Ela, inclusive, já se tornou a minha autora favorita de Romances de Época e também uma das preferidas da vida. Então, sempre que uma de suas obras é publicada no Brasil eu já corro para adquirir meu exemplar e lê-lo o quanto antes. Afinal, são tramas deliciosas, bem construídas, divertidas e românticas, com personagens maravilhosos que logo se tornam nossos queridinhos. Tudo o que eu mais amo em uma leitura!
Por conta disso, assim que a Editora Arqueiro publicou o primeiro volume da duologia “Lady Whistledown”, eu corri para ler meu exemplar. Para quem não sabe, essa obra reúne quatro histórias mais curtas escritas por quatro autoras diferentes, que são: Julia Quinn, Suzanne Enoch, Karen Hawkins & Mia Ryan. Cada história possui seu enredo completo com início, meio e fim e seus próprios protagonistas.
Mas há três pontos em comum nelas. O primeiro é que todos possuem personagens que são citados nas colunas de fofocas da famosa cronista Lady Whistledown, que escrevia as novidades com os melhores comentários da época. Ela é uma personagem icônica da série mais famosa de Julia Quinn, “Os Bridgertons”. Até o quarto volume não sabíamos a verdadeira identidade dela, então esses contos aqui se passam nesse período, no começo do século XIX, na Inglaterra Regencial. Mas podem ficar tranquilos porque essa leitura é completamente independente da série “Os Bridgertons” e também do outro volume da duologia “Lady Whistledown”, que traz outras histórias com personagens diferentes.
O segundo ponto é que todas as tramas acontecem ao mesmo tempo e também nos mesmos locais. Então está havendo o inverno mais frio de Londres, com direito a um Tâmisa congelado, e uma temporada com bailes na Alta Sociedade, inclusive uma patinação no local.
O terceiro ponto em comum é que as tramas são interligadas de alguma forma. Ou seja, o protagonista de um faz uma pequena aparição na outra, e a cena em questão é citada de alguma maneira diferente, então temos a chance de conhecer uma nova perspectiva de um mesmo acontecimento. Considero isso bem divertido e interessante, afinal é assim que a vida acontece, cada pessoa vive sua própria vida, mas pode aparecer no background de outro indivíduo porque se esbarram, são assuntos de conversas paralelas, entre outros.
Na primeira história, “Um Amor Verdadeiro”, escrita por Suzanne Enoch, somos apresentados a Lady Anne Bishop e Maximilian Trent, marquês de Halfurst. Ela foi prometida em casamento a ele quando nasceu e ele ainda era uma criança. Mas os dois nunca tiveram qualquer tipo de envolvimento e ela morava em Londres enquanto ele em Yorkshire. Até que a jovem acaba de sair na coluna de Lady Whistledown por conta de uma cena que protagonizou no parque com outro homem. Fazendo com que ele saia de sua toca e venha conhecer sua noiva. Só que nem tudo sai como planejado, já que ela não vai ceder facilmente só porque eles são prometidos.
Esse conto é maravilhoso e muito divertido, com uma protagonista incrível que apronta umas situações para escapar de Maximilian que nos fazem rir. Assim como Anne, eu também não cederia facilmente a alguém que não tive contato a minha vida inteira só porque meus pais me prometeram em casamento, mas no fim acabaria me apaixonando porque ele é encantador.
Em seguida é a vez de Karen Hawkins com “Dois Corações”, onde conhecemos a Srta. Elizabeth Pritchard e Sir Royce Pemberley. Eles são amigos há muitos anos, mas nunca tiveram nenhum envolvimento além da amizade. Até que ela resolve que quer se casar e, como é uma mulher independente e decidida, que fez sua própria fortuna devido a sua inteligência e toma suas próprias decisões, segue em frente com seu plano. Mas Royce acaba se incomodando com isso, afinal ele quer continuar um solteirão convicto e acredita que ela deve seguir o mesmo caminho. Mas, quando nota que pode acabar perdendo-a, percebe que é hora de agir e deixar seus receios de lado.
A minha parte preferida dessa história foi a protagonista, que é forte e independente e faz o que quer quando quer, mesmo que todos falem dela ao seu redor, já que nunca se importa com a opinião alheia, afinal é dona de seu próprio nariz e fortuna. Ela também é um pouco excêntrica no modo de se vestir, o que adorei!
No terceiro conto temos a chance de acompanhar Lady Caroline Starling e o marquês de Darington, Terrance Greyson em “Uma Dúzia de Beijos”, de Mia Ryan. Há alguns anos, o marquês de Darington morreu, deixando o título para Terrance Greyson, que logo assumiu o novo lar, expulsando as moradoras do local, sendo que uma delas era ninguém menos do que Caroline. Então é claro que ela não gosta muito do homem. A questão, porém, é que ele logo se encanta por ela e vai fazer de tudo para mudar a opinião da moça a seu respeito, o que não será uma tarefa fácil.
Curti muito essa trama e conhecer melhor os personagens. Nem sempre a verdade é aquilo que sabemos e aqui podemos entender muito bem essa afirmação. Gostei de desvendar os segredos e ver os sentimentos dos protagonistas nascendo e se fortalecendo.
E para finalizar com chave de ouro, conhecemos a história da minha autora querida, Julia Quinn. Em “Trinta e Seis Cartões de Amor” somos apresentados a Susannah Ballister, que, quando debutou, foi a moça mais promissora da temporada. Tudo estava indo maravilhosamente bem com ela, indo a diversos bailes e vivendo um sonho com Clive Mann-Formsby. Todos tinham certeza de que um casamento seria anunciado em breve. E realmente foi, só que ela não era a noiva. Depois da rejeição e humilhação pública – afinal todos ficaram sabendo e ela foi destaque nas colunas de fofoca de Lady Whistledown –, Susannah passa um tempo no campo antes de retornar a Londres. O que ela não contava é que de repente surge um novo pretendente, alguém completamente inesperado, o irmão de Clive, David Mann-Formsby, o conde de Renminster. Será que ela vai vivenciar tudo aquilo novamente ou dessa vez o amor vai falar mais forte?
Nem preciso dizer que amei esse conto! Esse foi um casal surpreendente que funcionou maravilhosamente bem. Adorei as interações entre os dois, a forma como os sentimentos foram surgindo e o fato de Susannah ter dado a volta por cima, conquistando alguém muito melhor do que o canalha do Clive. Foi a perfeita vingança, ainda que ela não a tenha planejado.
O outro livro dessa duologia, chamado “Lady Whistledown Contra-Ataca”, foi publicado anteriormente aqui no Brasil, porém no exterior ele é o segundo livro. Como comentei antes, não é preciso ler em uma ordem porque cada história é completamente independente das demais, tanto do exemplar em questão quanto de sua “continuação”. Já li esta obra também e adorei! Então quem quiser pode conferir minha resenha com minhas opiniões clicando no título para ser redirecionado.
Das autoras presentes, eu conhecia todas somente por conta do primeiro livro da duologia que li. Porém, depois disso, também li uma obra completa de Suzanne Enoch, a qual me encantou completamente. Então já quero ler mais alguns de seus trabalhos, assim como das demais escritoras.
Eu realmente amei esse exemplar! É ainda melhor do que o outro que li anteriormente, e fiquei apaixonada por exatamente todas as histórias. Tanto que fiquei desejando por mais, uma pena que são só dois volumes. As escritas das autoras são maravilhosas, super sincronizadas e divertidas. As tramas são completas, apaixonantes e bem desenvolvidas. Seus personagens são donos de personalidades incríveis, bem construídos e adoráveis.  
Algo que achei bem interessante é que todas as crônicas de Lady Whistledown foram escritas pela própria Julia Quinn, a criadora da personagem e também a organizadora dessa antologia, o que deixou a personagem ainda mais genuína. Afinal ela sabe lhe dar o tom certo e faz os melhores comentários, fazendo com que pareça a mesma pessoa em todas essas histórias, assim como nos volumes de Os Bridgertons que ela apareceu. E ela teve que ler as tramas das outras escritoras para saber o que comentar, tornando tudo ainda mais “real”.
Mais uma vez, Julia Quinn consegue encantar o leitor com um romance de época delicioso e ainda vem acompanhada de três autoras maravilhosas, Suzanne Enoch, Karen Hawkins e Mia Ryan, que juntas nos apresentam histórias deliciosas, protagonistas muito cativantes, quatro romances apaixonantes e sorrisos gratuitos no decorrer das páginas.
Avaliação




A Irmã da Pérola - As Sete Irmãs #04 - Lucinda Riley

Como uma verdadeira fã de Lucinda Riley, gosto de ler suas histórias e sempre fico esperando pelos seus próximos lançamentos. Quando comecei a ler essa série, me encantei com os personagens, com a narrativa e com toda a ambientação da história. Por esse motivo, não pude deixar de incluir esse título na minha pilha de leituras e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Nesse volume vamos acompanhar Ceci D'Aplièse. Após a morte do seu pai adotivo, cada uma das irmãs recebeu pistas sobre o seu passado, para o caso de um dia quererem saber mais sobre as suas origens. Vimos que Ceci sempre foi muito agarrada a sua irmã Estrela, não somente pela pouca diferença de idade, mas também pelo fato de que Estrela tem dificuldades em se expressar, e como ela tem dislexia, o que a faz ter dificuldade na leitura e na escrita, era como se as duas se completassem. E assim foi por muitos anos, até que Estrela acabou encontrando o seu próprio caminho, além de um grande amor, o que fez com que nossa protagonista se sentisse sozinha e bem insegura.
Nossa protagonista, então, resolve ir atrás de suas origens, e para isso larga a faculdade de artes que estava fazendo na Inglaterra e vai para Austrália com as duas pistas que tem. Uma fotografia antiga em preto e branco e o nome Kitty Mercer, uma pioneira das pérolas que viveu na Austrália no passado. Antes de completar o seu destino, Ceci resolve ir para a Tailândia, local que já havia visitado com a sua irmã e passado bons momentos, e lá acaba conhecendo Ace, um homem misterioso que a hospeda em sua casa e que lhe faz companhia nesse período, fazendo com que ela viva um relacionamento temporário.
Quando Ceci chega ao seu destino final, acaba conhecendo Chrissie, uma nativa local, descente dos aborígenes australianos, que lhe ajuda com a sua história e, assim, nossa protagonista refaz os caminhos vividos por Kitty e encontra o seu verdadeiro lugar no mundo.
Nesse volume encontramos uma narrativa rápida e fluida, que vai intercalando entre o passado e o presente. No passado, conhecemos melhor Kitty McBride, uma garota escocesa que sonhava em ser professora, mas seu pai mandou-a para a Austrália para acompanhar a Sra. McCrombie, pois com uma família poderosa ela poderia ser apresentada a sociedade e conseguir um bom casamento. Lá viveu um grande romance, além de ter revolucionado o mercado de pérolas da época.
Podemos perceber como Lucinda fez uma boa pesquisa para nos trazer alguns fatos sobre a Austrália como a discriminação em relação a cor, principalmente entre crianças de raças mistas, que eram arrancadas de seus pais e entregues a orfanatos, a indústria da pérola, etc., deixando a história ainda mais rica e interessante, fazendo com que a gente não consiga parar de ler nem por um segundo.


A Assombração da Casa da Colina - Shirley Jackson

Nem sempre ao terminar um livro sou capaz de dizer se este é uma obra boa, as vezes saiu com a sensação de que preciso 'ruminar' um pouco suas páginas para chegar a alguma conclusão. Entretanto só de um livro ter este efeito já é algo digno de leitura, e A Assombração da Casa da Colina, da autora Shirley Jackson, publicado pela Suma de Letras é um caso assim.
Dr.Montague é um pesquisador de fenômenos paranormais, e para sua nova pesquisa ele convidou diversas pessoas que tenham histórico sobrenatural para passarem alguns dias com o mesmo em uma mansão assombrada. Apenas duas pessoas respondem ao seu pedido, e a família dona da mansão exige a presença de um integrante de sua família. Assim se forma um grupo de quatro pessoas que irão investigar o que se esconde nas paredes desta velha mansão, a Casa da Colina.
Jackson nos convida através de sua sinopse a um livro de fantasmas e suspense, mas sua narrativa realizada em terceira pessoa com especial foco em Eleonor e na casa em si não acaba cumprindo sua promessa inicial, já que senti que o livro se foca mais na loucura e na culpa do que em fantasmas propriamente ditos.
Theodora é um mulher de personalidade muito forte que fala o que vem a sua mente sem se importar em machucar quem a cerca. Tem necessidade de se mostrar independente e forte, mesmo quando está evidentemente com medo prefere sorrir, e fingir controle do que assumir seu estado. Tem uma relação de amor e ódio com Eleonor, na verdade ela morre de ciúmes da outra jovem, e fica entre ser amiga da mesma, e a diminuir.
Eleonor é uma jovem perturbada, acompanhamos a personagem desde o instante em que sai de casa até chegar a casa da colina, e o suspense envolvendo seu passado é constante. Desde o inicio sabemos que ela perdeu a mãe, mas as circunstâncias são desconhecidas, mas uma culpa é recorrente em seu discurso. Ela tem pensamentos recorrentes com medo de soar boba ou fraca para as pessoas da casa, e não sabe como agir em sociedade. Ela vai aos poucos se descobrindo sem a sombra da mãe, infelizmente para ela, ela se descobre inadequada a sociedade da época.
Luke é o futuro herdeiro da casa, e não parece acreditar que a mesma tenha algum tipo de espírito. É espirituoso e não desperta interesse das jovens como poderia ser esperado. A verdade é que seu personagem é um pouco perdido e pouco explorado, pois quase nada sabemos sobre ele.
Montague é quem reúne todos, e acredita ter controle de tudo que acontece. Quando as poucas coisas estranhas acontecem ele parece estar diante de qualquer evento ordinário, e isso soou um pouco sem graça, já que ele estava lá para isso. O grupo assim como ele parece todo tempo ocioso, sem ter o que fazer ou dizer. Por isso o caminho para loucura acaba aberto rapidamente. Na reta final do livro a esposa de Montague e um amigo surgem na casa, mas ambos são riquinhos e muito chatos, e sabe-se lá tudo acontece diferente na experiência deles na casa.
Os diálogos dos personagens parecem começar como qualquer outra conversa, e de repente a lógica se perde, e os personagens caem ou na brincadeira ou na loucura. As cenas também não seguem o tempo comum, de repente a ação muda e você tem que se relocar. O desfecho é inesperado, e não posso afirmar com toda certeza se minha conclusão foi certa. Algumas coisas não ficam ditas, tenho cá minhas teorias.


Paixão & Liberdade - Saints of Denver #01 - Jay Crownover

Sayer Cole é linda e uma advogada bem-sucedida, porém já passou por algumas questões que mexeram com seu psicológico, fazendo com que ela seja insegura e se considere uma pessoa fria e incapaz de ter um relacionamento amoroso que mexa com sua cabeça e seu coração. Quando descobriu que tinha um irmão e com uma vontade de ter uma família especial, coisa que antes não teve, ela decide mudar completamente sua vida, deixando tudo o que conhecia para trás e se mudando para Denver para ficar perto dele.
Porém, sua nova casa precisa de uma reforma e é aí que ela pede que Zeb Fuller assuma o projeto. Ele é maravilhoso no que faz e consegue mudar completamente os ambientes, transformando material bruto em sonhos. Com um passado obscuro e uma aparência intimidante, ele compartilha a informação de que já foi preso anteriormente, acreditando que ela iria tratá-lo como todos os outros quando sabem sobre isso, porém ela não tem nenhum preconceito ou lhe trata de modo diferente.
A atração dos dois é imediata e a química intensa. Eles começam a se aproximar e pode haver um futuro aí. Mas como a vida sempre traz reviravoltas que podem mudar tudo, com esses dois não foi diferente. Zeb acaba descobrindo uma novidade que faz com que ele precise dos serviços dela como advogada em uma situação que vai mexer com sua vida completamente. Então eles acabam precisando se afastar um pouco e deixam que os sentimentos fiquem guardados por um tempo. Sayer constrói cada vez mais barreiras entre os dois e o possível relacionamento entre eles, e é Zeb que precisará fazer com que ela confie no que sentem aos pouquinhos. Agora resta saber se o amor será capaz de fazer com que eles consigam finalmente serem felizes juntos.
Conheci Jay Crownover através da série “Homens Marcados”, também publicada no Brasil pela V&R Editoras. Apesar de serem seis volumes, todos publicados por aqui, eu só li os dois primeiros. Mas já foram o suficiente para me fazer ficar apaixonada por sua escrita e desejando mais oportunidades de ler suas obras. Então, quando vi que esses novos livros estavam sendo publicados, decidi voltar ao contato com a autora através dessa série mais recente. Até agora li os três primeiros livros, “Amor Aprisionado”, esse e “Leis da Tentação” (a resenha desse terceiro sai em breve) e já estou encantada.
Adoro esse tipo de personagem masculino que é grande, forte, todo tatuado (adoro!) e com um jeito ameaçador, mas que na verdade é uma pessoa maravilhosa, com um coração gigante e carinhoso. Essa quebra de estereótipos é o que eu mais gosto nas obras dessa autora, que constrói personagens bem diferentes do que a maioria das pessoas espera, comprovando, mais uma vez, que os seres humanos são complexos e muito mais do que suas aparências revelam.
O relacionamento do casal é apaixonante. Começa devagar, eles vão se conhecendo melhor, aprendendo mais um sobre o outro, descobrindo novas coisas e se encantando conforme passam mais tempo próximos. Os sentimentos vão surgindo depois de uma atração bem forte desde o primeiro encontro, fazendo com que comecem a desejar algo mais, porém, como têm que lidar com seus próprios problemas e questões, não ficam juntos logo de cara. Deixam tudo se desenrolar da melhor maneira possível e no seu próprio tempo, e isso faz com que a gente se delicie com os momentos que compartilham, desejando que possam ficar juntos logo. E quando finalmente ficam, é de tirar o fôlego!
A parte quente da trama está presente como costuma nas obras da autora, e dessa vez não foi diferente. Jay constrói cenas sensuais e quentes com uma pitada de romance que as deixa ainda melhores. Quem gosta dessas cenas, pode ficar feliz porque estão bem escritas. Quem não gosta, pode pulá-las porque não vai atrapalhar o enredo.


Amor Aprisionado - Saints of Denver #0.5 - Jay Crownover

Dominic Voss é um policial dedicado e responsável, que acaba sofrendo uma grave lesão e precisa ficar afastado de seu cargo. Em busca de um ótimo profissional da área de fisioterapia para ajudá-lo a enfrentar essa fase e auxiliá-lo no possível retorno ao seu trabalho, algo que muitos não acreditam ser viável, ele acaba conhecendo Orlando Frederick.
Orlando é um fisioterapeuta maravilhoso (em todos os sentidos da palavra) e decide aceitar o desafio de ajudar Dom a se recuperar. A atração entre os dois é imediata, porém o envolvimento não pode acontecer, primeiro porque eles precisam de um distanciamento profissional, segundo porque Lando tem suas próprias angústias e sombras do passado que o atormentam até hoje e não o deixam livres para viver um amor.
Nesse novo contato, um consegue melhorar o outro de alguma forma e eles acabam aprendendo e amadurecendo ao longo do caminho. Ao mesmo tempo em que começam a se abrir, os dois passam a se encontrar e aceitar o amor de uma forma bem bonita e admirável.
Já conhecia a escrita de Jay Crownover por conta de sua outra série já publicada completa aqui no Brasil, “Homens Marcados”, que eu gostei bastante, apesar de eu não ter lido todos os seis livros. Então é claro que quando vi que a V&R Editoras estava publicando essa nova série, eu sabia que precisava lê-la também. E já que a oportunidade surgiu rapidamente, mergulhei nessas obras e já fiquei encantada com o que encontrei.
Ambos os protagonistas desse volume são muito especiais. Eles são bem diferentes entre si, mas acabaram me conquistando com a mesma intensidade. Dom é bem determinado e forte, enquanto Lando tem uma grande dor dentro de si, que o faz ser inseguro e ter receio de se entregar. E eles combinam muito bem, já que um traz o melhor do outro à tona, além de sua vontade de buscar o melhor de si mesmo.
A trama é bem curtinha, visto que o exemplar tem menos de duzentas páginas, mas nem por isso é fraca ou mal desenvolvida. Pelo contrário, Crownover construiu muito bem o pano de fundo dos protagonistas, nos aproximando dos dois e fazendo com que o leitor tenha a chance de conhecê-los muito bem. Podemos saber coisas sobre suas vidas e o que os levaram a chegarem até ali e serem quem são. E também tudo o que pensam e o que sentem, e isso foi maravilhoso de acompanhar.
Além disso, o enredo traz uma carga emocional e uma pitada de drama e superação muito boa, e mostra que as pessoas têm capacidade de melhorar, tanto física quanto psicologicamente, se conseguir buscar uma forma de lidar com o que é necessário para isso acontecer.
A obra tem como foco o relacionamento de Dom e Lando e também na superação de ambos os personagens individualmente. Então quem tem vontade de começar essa leitura esperando mais ênfase no sexo, não vai encontrar isso. É claro que há cenas bem quentes e explícitas, mas elas são um complemento para a trama e para a relação entre os personagens, então é tudo mais sensual, romântico e quente, mas não o ponto principal do livro.


Pão Quente - Jessamyn Waldman Rodriguez


Como sempre comento aqui no blog, um dos tipos de exemplares que realmente me agradam e me deixam louca para adquirir sempre que posso são os livros de culinária. Dos mais variados assuntos e receitas, eles me encantam por me apresentarem a pratos inéditos ou novas formas de preparar aquela receita deliciosa que já conhecíamos antes. E é sempre maravilhoso ver como uma pessoa pode transformar simples ingredientes em verdadeiros (e deliciosos!) pratos!
Com tanto amor envolvido, eu sabia que precisava ter na minha coleção a obra “Pão Quente”, de Jessamyn Waldman Rodriguez e as padeiras da Hot Bread Kitchen. O que mais me chamou a atenção nesse exemplar, além de trazer receitas de Pães, obviamente, foi a história por traz do projeto que é a Hot Bread Kitchen. Essa padaria Nova-Iorquina sediada no East Harlem (conhecido também como El Barrio) contrata padeiras de todos os lugares do mundo, que trazem consigo suas experiências pessoais e tradição cultural culinária para o local. Essas mulheres são em sua maioria imigrantes de baixa renda que estão lá para serem treinadas, desenvolverem suas habilidades e se recolocarem no mercado de trabalho com mais chances de conseguir algo rentável, seja através de cargos gerenciais na área ou abrindo seus próprios negócios, por exemplo. E lá também há o programa HBK Incubates, uma incubadora que permite que pequenos empreendimentos virem realidade.
Então os pães ali vendidos são dos mais variados tipos (são mais de setenta opções), indo dos mais complexos aos mais simples. E os lucros das vendas de cada pão vão para esses treinamentos. Eu definitivamente vou querer visitá-la quando enfim tiver a oportunidade de ir a Nova York. Principalmente depois de conhecer sobre a criação dessa ideia e um pouco do processo que Jessamyn Waldman Rodriguez passou para finalmente conseguir realizar seu objetivo criando e tendo sucesso numa padaria social.
Nesta obra, temos a chance de conhecer muitas receitas, incluindo uma de Pão de Queijo, exclusiva da edição brasileira. São pães de variados locais do mundo, alguns mais comuns, outros elaborados e há até mesmo os exóticos, apresentados de forma simples e direta, com diversas técnicas e truques que permitem que os inexperientes ou aqueles que já tem habilidades na área consigam fazer sem dificuldades. E também há algumas dicas empresarias e o Perfil do Padeiro, que traz histórias inspiradoras e de sucesso.


Depois de uma Introdução maravilhosa, chegamos as Dicas Para Fazer Pães, que definitivamente é muito útil antes de começarmos a mergulhar nas receitas propriamente ditas, seguidas de Armazenando Pães e Notas Sobre Equipamentos e Ingredientes.
E, então, chegamos as receitas, que são divididas nos seguintes temas: Primordiais: Pães Sem Fermento, Levemente Inflados: Pães Chatos Fermentados, Masa y Más: Tortilhas e Companhia, Escuros e Crocantes: Pães Básicos, Chalá e Além: Tranças e Pães Enriquecidos, Massas Recheadas do Mundo Todo, Fáceis e Doces: Pães Rápidos e Festivos e Sem Desperdício: O Que Fazer Com as Sobras de Pão, que também traz receitas maravilhosas e criativas para serem feitas com as sobras dos pães e, assim, não haver desperdícios.
No começo de cada parte, há dicas e técnicas relacionadas com o tipo de pão que será relatado no capítulo em questão, e também comenta um pouquinho sobre esses pães. Todas as receitas possuem um pequeno texto da autora, comentando sobre o pão, dando dicas variadas, inclusive de acompanhamentos ou outras receitas do próprio livro que combinam com aquela, e/ou revelando alguma coisa que tenha a ver com o assunto, e até falando sobre sua relação ou uma memória a respeito daquela receita.