A Volta de Sherlock Holmes - Sherlock Holmes #06 - Sir Arthur Conan Doyle

Depois da suposta morte de Sherlock Holmes nas cataratas de Reichenbach por causa do embate com o Professor Moriarty, ele está de volta! E não vai sossegar até conseguir resolver todos os casos que surgem em seu caminho, mesmo que precise ficar horas sem comer, dormir, invadir residências ou esconder coisas das autoridades. E junto com John Watson vamos adentrar em sua mente e descobrir como ele faz para desvendar crimes e revelar segredos que pareciam até mesmo impossíveis de ter alguma solução.
Não me lembro qual foi a primeira vez em que ouvi falar sobre Sherlock Holmes ou desde quantos anos soube de sua existência, mas parece que esse consultor de detetives sempre esteve presente na minha vida. Seja através de jogos de tabuleiros ou adaptações, sempre admirei Sherlock Holmes e fui viciada no personagem (me lembro de quando era criança, quando eu e minha irmã acordávamos e íamos direto jogar o jogo Scotland Yard – pelo qual éramos apaixonadas e até mesmo viciadas!).
Mas, foi somente em 2014 que li um de seus livros pela primeira vez. Meu primeiro contato com uma obra original de Sir Arthur Conan Doyle nesse ano foi através da história que marcou a primeira aparição de Sherlock Holmes e também de Watson, em “Um Estudo em Vermelho” (inclusive também foi pela edição de Bolso de Luxo da Zahar), afinal foi ali que se conheceram e quando ele começou a escrever sobre as aventuras e casos de Holmes. Depois li mais uma de suas obras no mesmo ano, porém fiquei algum tempo sem embarcar em novas histórias desse tão amado personagem.


Agora, alguns anos depois, surgiu a oportunidade maravilhosa de voltar a mergulhar em seu mundo, justamente através do livro “A Volta de Sherlock Holmes”, o que acabou sendo uma grande e feliz coincidência. E devo dizer que, mais uma vez, fiquei completamente encantada com a obra, apaixonada pelos personagens principais e pelos casos que vivenciaram. Mal vejo a hora de ler todos os livros protagonizados por Holmes com a companhia do adorável Watson, o que pretendo fazer em breve.
Nesse exemplar, temos a oportunidade de vê-lo atuando em treze contos, e são eles: A Casa Vazia, O Construtor de Norwood, Os Dançarinos, O Ciclista Solitário, A Escola do Priorado, Black Peter, Charles Augustus Milverton, Os Seis Napoleões, Os Três Estudantes, O Pincenê de Ouro, O Atleta Desaparecido, A Granja da Abadia e A Segunda Mancha.
Todos foram publicados originalmente na Strand Magazine entre 1903 e 1904, aparecem aqui na sequência em que foram lançados, e compreendem tramas vivenciadas ou comentadas após seu desaparecimento e suposta morte nas Cataratas de Reichenbach, quando houve o embate com o professor Moriarty, o qual foi retratado no volume quatro de suas histórias, “As Memórias de Sherlock Holmes”, que já li e resenhei aqui no blog (clique no título para conferir minhas opiniões).


Particularmente, gostei muito de literalmente todos os contos. Mas alguns sempre acabam ganhando um pouco de destaque em relação aos demais no nosso coração. O primeiro dos que mais gostei foi, sem dúvidas, o que inaugura o volume, A Casa Vazia. Primeiro porque traz Sherlock do “mundo dos mortos”, e ele revela a Watson o que aconteceu naquele fatídico dia e o que andou fazendo nesse tempo todo em que ficou sumido. Além disto, o caso também é bem interessante. Também adorei como Holmes desvendou a verdade em O Construtor de Norwood. O código parecendo desenhos infantis em Os Dançarinos é bem bacana e foi ótimo ver Sherlock entendendo-o, porém fiquei triste com os rumos que essa história tomou, queria um final diferente.
Fui pega de surpresa em O Ciclista Solitário e gostei de ver o uso de bicicletas na época, principalmente porque uma mulher estava pedalando uma (com aquelas roupas da época! Fiquei imaginando o quão difícil era fazer isso). Charles Augustus Milverton foi surpreendente e curti o final. E com certeza A Granja da Abadia também me surpreendeu com uma faceta de Holmes e Watson que mostram que nem sempre o que é considerado correto é o melhor caminho a ser seguido, visto que tudo na vida tem mais de um lado e as ações de um homem podem estar numa das inúmeras nuances de cinza que existem.


A Pequena Dorrit - Charles Dickens

Adoro ler clássicos e, por esse motivo, sempre que é possível tento fazer a leitura de um livro do gênero que ainda não li. Por conta disso, resolvi que já estava na hora de ler Charles Dickens, um escritor tão reconhecido e que tem diversas obras publicadas, mas que eu ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer. Sendo assim, resolvi me aventurar em “A Pequena Dorrit”, uma das obras da maturidade do autor, e agora venho trazer para vocês as minhas opiniões a respeito desse título.
Nesse volume conhecemos Amy Dorrit, uma jovem que nasceu e cresceu na prisão dos devedores de Marshalsea, pois seu pai, William Dorrit, foi preso por conta de suas dívidas. Naquela época isso era comum, mas, como vemos no livro, não era uma prisão como as de hoje, já que parece uma grande vila, uma vez que famílias inteiras viviam nela. Sendo a filha mais nova, ela cresceu e se tornou uma moça educada e gentil, que trabalhava como costureira e ajudava a sua família com o pouco de dinheiro que ganhava. Seu pai, mesmo sendo um presidiário, era arrogante e prepotente, se considerando superior ao resto dos presos, por ser um cavalheiro culto.

A vida de nossa protagonista muda quando ela vai trabalhar para Mrs. Clennam, uma idosa rude e severa, que parece não ligar muito para o filho Arthur Clennam, mas que demostra alguma bondade pela jovem. Por conta do seu trabalho na casa dessa dama de Londres, nossa protagonista acaba por conhecer o filho dela, um cavalheiro bom e inconformado com as injustiças sociais, e que retornou para Inglaterra depois de alguns anos no exterior. Vendo que sua mãe contratou uma moça para costurar para ela, mesmo não sendo adepta a caridades, e percebendo a forma como a trata, ele começa a tentar descobrir qual a relação entre a família Clennam e a família Dorrit.
Muitas coisas são reveladas durante a trama e Dickens conseguiu nos surpreender com uma obra incrível. Amy e Arthur são dois personagens muito bem construídos, que nos conquistam com suas doçuras e bondades, fazendo com que a gente fique torcendo o tempo todo pelos dois. Ao longo de toda a história, ainda conhecemos diversas outras pessoas, as quais também foram muito bem construídas, e cada uma teve um papel de importância, seja pequeno ou grande, dentro do enredo.

O romance é lindo e foi se desenvolvendo aos pouquinhos, fazendo com que o leitor tenha a chance de apreciá-lo calmamente. O livro também traz várias críticas a sociedade da época, nos fazendo refletir em todos os momentos, uma vez que ele julga, avalia e debocha da sociedade de forma bem aberta. E fala sobre a riqueza e a pobreza, e as características das pessoas, entre outros pontos importantes, de uma maneira que consegue prender a nossa atenção em todos os instantes. A trama é realmente maravilhosa e repleta de reviravoltas.


Animais Fantásticos e Onde Habitam - O Roteiro Original - J. K. Rowling

Meu contato atualmente com o cinema e televisão é em sua grande maioria através de séries, eu raramente vou ao cinema graças aos preços salgados, e a falta de títulos que de fato me interessem. Entretanto quando o assunto é Rowling pago quanto for preciso, e procuro acompanhar tudo que esta mulher incrível faz. Animais Fantásticos e Onde Habitam, foi uma experiência incrível de acompanhar. E quando finalmente consegui o roteiro original do filme escrito pela J. K. Rowling, e publicado pela Rocco não me senti de outra forma na leitura.

Como no filme acompanhamos Newt Scamander em sua viagem para cidade de Nova Iorque, ao lado de sua inseparável mala e suas criaturas fantásticas ele se vê envolvido no resgate destes animais ao mesmo tempo em que uma estranha criatura está destruindo a cidade. Com companhias inusitadas ele busca pelas ruas da cidade seus tão queridos amigos.

Quem assistiu o filme vai encontrar neste volume o roteiro original exato das cenas, alguma cena ou detalhe não aparece nos escritos, mas a estrutura, cenas e diálogos estão todos aqui bem descritos, e na narrativa fluida e atraente de Rowling. Ela foi muito inteligente em criar uma estória que envolva diversas discussões do mundo mágico como a relação de bruxos e não bruxos, a pureza de sangue dos bruxos, e ainda o lugar que as criaturas mágicas tem nessa sociedade bruxa.

Quanto ao roteiro em si ele nos permite com riqueza de detalhes imaginar as cenas do filme, já que ele trabalha como é a personalidade, aparência e o humor dos personagens, assim como descreve os locais onde as cenas se passam. Ele é tão exato que permite as lembranças exatas de cada cena no filme.

Newt é uma cola muito peculiar para amarrar toda a trama. Ele tem uma personalidade muito diferente, ele consegue se relacionar melhor com animais do que com seres humanos. Isso inclusive fica muito mais explícito no segundo filme. Ele se destaca entre todos a sua volta não só por ser um estrangeiro, mas pelos seus trejeitos e modo de enxergar a vida. É um personagem tímido que ganha espaço e atenção a medida que vai se mostrando, e dificilmente não conquista quem o acompanha.

Jacob, o gordinho simpático e atrapalhado que quer abrir uma padaria é um ótimo parceiro para introduzir a realidade para Newt. As cenas de ambos dentro da mala estão entre as minhas favoritas, alias a ideia de que a mala seja um refúgio para as criaturas é tão fantástica a ponto de querer uma para mim. Mas cá entre nós o meu espaço ia para os livros!

Tina, a funcionária da Macusa, que acaba envolvida com a dupla, honestamente não me conquista. Tem um perfil de mocinha inteligente e que quer ser politicamente correta, mas até o momento parece esconder alguma informação de seu passado que justifique sua personalidade contida. Sua irmã, Queenie é mais espontânea e interessante, e torci muito para que ela tivesse um bom desfecho com Jacob, mas devo já deixar clara minha insatisfação quanto ao rumo que essa personagem tem (ops! segundo filme!).

Embora Grindewald seja o grande vilão, ele não aparece ainda como grande opositor dos bonzinhos. Os lados ainda estão misturados, e o foco maior é na criaturas e pouco nas ações nas sombras de Grindewald. E antes mesmo de saber quem era ele na trama, eu não gostei do Percival Graves que tinha o típico perfil e cara do cara malvado!

Durante a narrativa conhecemos em suas particularidades cada animal, já que eles são retratados e ainda com paralelos a outras animais para que a imaginação seja feita a partir de referências. Sou uma grande entusiasta desses seres, desde muito tempo atrás quando li o livro com o índice de cada uma delas, ou quando elas apareciam nos livros de Harry Potter. Simplesmente amo tronquilhos, pelúcios, occamis, seminvisos e etc!

Um espetáculo a parte está é essa edição em capa dura, o que é aquele pelúcio dourado na capa?! Apaixonante, para não derreter diante das inúmeras ilustrações do estúdio Minalima, que por sinal é de um brasileiro que faz toda parte gráfica dos filmes desde o primeiro Harry Potter. Vi pessoalmente a riqueza de detalhes destes artigos do filme, e ver cada um deles com calma requer algumas horas tamanha riqueza e quantidade de material.


Cranford - Elizabeth Gaskell

Em meados do século XIX, na Era Vitoriana, vamos adentrar em Cranford, cidadezinha interiorana da Inglaterra, para conhecer seus habitantes, suas vidas, acontecimentos e relações, através do olhar da adorável Mary Smith, que visita o local sempre que possível para se hospedar com suas amigas. A cidade é habitada predominantemente por mulheres, solteiras ou viúvas, que têm seu próprio jeito de viver o dia a dia, assim como possui suas próprias ditaduras (ou não) de moda e comportamento.
Ainda assim, podemos ver e entender como viviam as pessoas naquela época, quais os costumes que seguiam, como as fofocas eram transmitidas e vistas pelos outros, como novos habitantes eram tratados, etc. Os personagens mexem com a trama e com nossas emoções, e os que ganham maior destaque nessa história, além da protagonista, que conta tudo sob sua perspectiva em primeira pessoa, são a meiga Miss Matty e sua irmã autoritária Mrs. Jekins, Lady Glenmire, Mrs. Jamienson, Capitão Brown, e também um homem inesperado que aparece depois de anos sumido, trazendo alegria para pessoas com quem não tinha contato há anos.
Em meio a alegrias, tristezas e as mais diversas emoções, vamos acompanhar esses personagens vivendo suas vidas, apoiando uns aos outros, questionando acontecimentos e nos fazendo refletir sobre a sociedade da época e também a nossa.

“Cranford pertence às amazonas; todos os moradores das melhores casas são mulheres. [...] Para manter os belos jardins guarnecidos das mais variadas flores sem uma erva daninha sequer para estragá-las; [...] para decidir todas as questões de literatura e política sem se desgastarem com debates ou discussões desnecessárias [...] e apoiar umas as outras quando em apuros, as damas de Cranford se bastam. ‘Um homem’, como observou uma delas para mim certa vez, é um estorvo em casa!’”.


De alguns anos para cá, venho me interessando cada vez mais por clássicos, a ponto de sempre escolher pelo menos um para ler todo mês do ano. Alguns deles são mais famosos, outros nem tanto, mas igualmente maravilhosos. O escolhido da vez não é a obra mais famosa da autora, Elizabeth Gaskell, mas merece ser lido por todo mundo que adora mergulhar em páginas escritas em outra época para adentrar numa sociedade que já não existe mais e poder conhecer mais a fundo aquelas pessoas, cenários e comportamentos.
Já queria conhecer suas histórias há muito tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade, tanto por não ter todos os seus títulos na estante, quanto por falta de tempo, afinal minha edição de “Norte e Sul” tem mais de 700 páginas, então preciso dedicar um bom tempo a ela, afinal a escrita, apesar de tranquila, é também um pouco mais indireta, o que faz com que eu demore mais tempo lendo-a, inclusive para prestar bastante atenção a cada detalhe e apreciar cada passagem lida.
Então, decidi começar por um de seus romances menores e foi por isso que escolhi o adorável “Cranford”, que nos apresenta diversos tipos de personagens, com suas personalidades fortes e marcantes e bem diferentes entre si. Por serem de uma cidade pequena, todos sabem tudo de todo mundo e estão sempre trocando informações, comentários, conselhos e julgamentos sobre os demais cidadãos.
Gostei muito da escrita da autora, que é leve, envolvente e flui bem dentro do ritmo que clássicos geralmente têm. Há um tom cômico, outro melancólico e ainda um reflexivo em suas palavras, fazendo com que o leitor tenha diversos tipos de emoção conforme as páginas vão sendo avançadas. Ora sentimos alegria, ora alívio, ora tristeza ou indignação, entre outros, mesmo que a trama seja curta.
A obra é inteiramente passada na pequena cidade de Cranford, mas não segue uma linha do tempo direta, afinal a protagonista e narradora é Mary Smith, que na verdade reside numa cidade vizinha, e só nos conta os acontecimentos que passa em Cranford quando fica hospedada na casa de suas amigas que moram lá, o que ela faz com alguma frequência e passa períodos longos ou quando tem notícias do local.


Por conta disso, os anos vão se passando e temos a chance de ver diversas cenas diferentes em épocas distintas, então podemos acompanhar vários acontecimentos. O mais incrível é que o livro é pequeno e conta com pouco mais de duzentas páginas e a trama nunca fica realmente parada, ainda que as situações sejam em sua grande maioria simples.
Se você não reconheceu o nome, Elizabeth Gaskell é autora de “Norte e Sul”, também conhecido como Margaret Hale, que inclusive também foi adaptado pela BBC, e é considerado bem semelhante a Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, porém tem como cenário uma Inglaterra durante a Revolução Industrial. A escritora também foi uma amiga íntima de Charlotte Brontë, autora de Jane Eyre, e responsável por escrever a primeira biografia desta última, depois que a mesma deixou este mundo.


O Segredo da Caveira de Cristal - Livro II - Mallerey Cálgara

Eu honestamente não sei porque acabo dando chance para séries que já não funcionaram no primeiro livro comigo, em geral as pessoas tendem a melhorar quanto a escrita, mas mesmo assim eu preciso respeitar o meu próprio gosto. Quando li o primeiro livro O Segredo da Caveira de Cristal, publicado pela Mundo Uno e escrito pela autora Mallerey Cálgara tive diversos problemas, o livro II (esse é o nome) continuo não me agradando.
Sulco avança conquistando territórios e se declara imperador, sem medo de derrubar muito sangue e fazer o que for preciso, ele busca conquistar cada vez mais territórios e acabar com a rebelião. Os membros da Rebelião sobrevivem na floresta, e junto a eles Záyrha guarda dentro de si um grande poder que até ela mesma desconhece. O futuro dependerá das escolhas dessa jovem, o que ela fará quando o destino cobrar sua escolha?
Quando você decide criar uma série seja ela com dois livros ou dez é preciso ter em mente que é bem possível que seu leitor não vá ler seus livros um atrás do outro. Seja por ele não ter sido lançado, que foi meu caso, seja porque não conseguiu comprá-los todos juntos. Portanto, uma fantasia com essa característica precisa ou de um capítulo que recapitula sua estória, ou ao longo da narrativa regressões aos principais pontos da trama. Cálgara não fez isso, e me vi em meio a ação da estória sem me lembrar de quase nada do livro anterior, e até o fim fiquei sem lembrar alguns detalhes que poderiam ter sido relembrados.
A narrativa da autora foi feita em terceira pessoa, e segue uma linha estranha. Seu maior problema na minha opinião são as transições de tempo e cena. Estamos em uma cena, de repente o leitor é jogado em uma nova cena que não faz sentido, ou ainda o tempo passa, e você tem que correr atrás de compreender o que a passagem do tempo significa. Assim temos cortes abruptos que quebram o ritmo e a lógica da narrativa.
Os diálogos e transcrições são duras e engessada, e por diversas vezes não deixam claro quais são os objetivos daquelas cenas e conversas. Com isso muitas vezes me perguntava o que eu não estava entendendo, ou simplesmente não tendo o menor interesse pela sequência.
Diversos momentos exigiam explicações, e a autora não quis dar profundidade aos acontecimentos, essa brevidade encurtando cenas e diálogos contribui para que os personagens não desenvolvessem suas personalidades assim como empatia no leitor. Além de criar uma colcha de retalhos de ações que poderiam ir além. Fantasias pedem por descrições, por explicações e ritmo mais lento, e claro não é preciso sempre seguir a cartilha, mas nesse caso não segui-la descaracterizou o livro, não parecia uma fantasia.
Mongho é o mago que liga a trama do primeiro e do segundo livro, mas ele não aparece tanto neste volume, já que o foco é no poder escondido na jovem Záyrha. Ele é misterioso e não conta muito do que sabe até o fim. Záyrha tem um coração bom e é destemida, sem medo de buscar suas próprias respostas.


O Diabo Veste Armani - Cléo Luz


Quando li a sinopse de “O Diabo Veste Armani” pela primeira vez, fiquei bem interessada na história, que parecia trazer um romance delicioso. E foi lendo várias resenhas e comentários positivos a respeito desse volume, que resolvi que já estava mais do que na hora de eu conhecer essa trama escrita pela brasileira Cléo Luz.
Nessa obra conhecemos Mia Banks, uma jovem que se vê passando por maus bocados em sua vida, isso porque resolveu seguir seu caminho sem a ajuda da família. Agora seu aluguel está três meses atrasado e, por conta disso, está quase sendo despejada. Sua única esperança é conseguir um emprego, então acaba indo parar na Holding Salvatore, onde é contratada como assistente da secretária executiva da presidência.
Escutando dos outros funcionários que o seu chefe é um verdadeiro diabo, nossa protagonista esperava encontrar um senhor bem mal-humorado, mas, quando se depara com um lindo homem de olhos azuis, logo se sente atraída por ele. Porém, ela é muito pé no chão e sabe o que deve e não deve. O que Rico não poderia imaginar é que também estava atraído por sua secretária e, após receber vários nãos, estava realmente interessado nela. E, mesmo sendo um galinha assíduo que não gosta de compromissos, começou a ter sentimentos diferentes. Acompanhamos, então, esse jogo de sedução, que nos leva para uma história incrível. Nem tudo são flores e para eles ficarem juntos vão ter que passar por várias coisas, até porque Rico tem uma ex-namorada maluca e suas fãs também não dão mole.
Mia é uma mulher forte e decidida. Gostei bastante dela e do fato de ter suas convicções e segui-las. Bem pé no chão e madura, demostrou com suas atitudes ser uma mulher incrível e determinada. Lá para o final do livro, ela teve umas ações que não condiziam muito com o que sempre demostrou, mas isso não diminuiu a protagonista maravilhosa que é.
Rico Salvatore é aquele típico homem lindo que tem tudo aos seus pés. Dono de uma personalidade forte, conseguiu me conquistar aos pouquinhos. Ambos foram personagens muito bem construídos, e conseguiram me cativar em todos os momentos, cada um com o seu jeito de ser, fazendo com que eu ficasse torcendo o tempo todo pelos dois. Os personagens secundários também foram maravilhosos, fazendo com que a trama ficasse ainda mais gostosa.
O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Mia, o que foi bem legal, já que assim conseguimos entender melhor os seus sentimentos e tudo que estava passando. E também contém algumas partes narradas pelo ponto de vista do Rico, o que foi ótimo para conseguirmos entender um pouco melhor sobre sua visão.
A narrativa é rápida e muito fluida, fazendo com que a gente leia e nem perceba. Uma leitura clichê, com personagens incríveis, uma boa dose de romance e cenas hots na medida certa, esse volume conseguiu me conquistar em todos os momentos com uma história leve e divertida.
Recomendo essa obra para todo mundo que gostar de uma história bem envolvente, que consegue nos conquistar com personagens carismáticos, uma trama deliciosa e uma narrativa leve e fluida. Foi bem gostoso acompanhar esse casal, que acabou descobrindo o amor junto e nos apresentou a uma história linda.
Avaliação





Coração Ardente - Bloodlines #04- Richelle Mead

Quando um autor é bom não é preciso que o livro tenha uma grande estória, ou seja inovador. As vezes um dia a dia com os personagens, acompanhando seus dilemas é o suficiente para agradar. É um risco criar um livro assim, mas Richelle Mead conseguiu agradar no quarto volume da série Bloodlines, Coração Ardente, usando esta estratégia.

Equilibrar seus dias entre seu romance proibido com Adrian Ivashkov e a relação com sua irmã Zoe é um grande desafio para alquimista Sydney Sage. Correndo contra o tempo com medo da reeducação, Sage busca criar meios para evitar o controle dos alquimistas, ao mesmo tempo em que Adrian precisa controlar seu espírito e ajudar nas pesquisas contra os Strigoi. Se equilibrando em uma corda bamba o casal terá que descobrir como fazer suas obrigações e permanecer juntos.

Ao contrário dos volumes anteriores da série, esse livro tem a narrativa em primeira pessoa alternada a cada capítulo entre Sydney e Adrian. Essa dupla visão não só acaba trazendo maior riqueza e informações para trama, como também nos permite conhecer mais intimamente Adrian que no final das contas é um garoto sensível e está perdidamente apaixonado. Essa dupla visão também trás frescor a narrativa.

Esse volume não tem grandes cenas de ação, ele é muito focado na relação do casal, e nas descobertas dos mesmos nas duas linhas de pesquisa que ambos, que já estavam trabalhando no livro anterior. Ele combatendo os strigoi através dos regenerados (indivíduos que eram strigoi e voltaram a seu estado normal), e ela criando uma alternativa para inativar o controle dos alquimistas.

Embora possa soar desinteressante, a verdade é que Mead conseguiu costurar pequenas peças na estória geral, ao mesmo tempo em que trabalha com detalhes seus personagens que estão em pleno desenvolvimento. Inclusive a relação familiar de Sage tem foco no livro, e devo avisar que sua irmã Zoe é sem dúvida a personagem mais chata da série, para não dizer invejosa!

Sydney não está mais afinada com o propósito dos alquimistas, assim vestiu a camisa da bruxaria (uma pena que não tenha tanta magia quanto eu gostaria!), e pouco se importa com a raça de cada pessoa, desde é claro não seja um strigoi. Ao viver uma situação limite ela se entrega mais ainda a relação com Adrian, sem se importar com as consequências. Ela descobre o que é ser uma jovem, amar e ser amada.

Adrian chega ao seu limite com o espírito, e deve resolver se vai tomar remédios e domar o espírito, ou, ser consumido pelo mesmo. É o amor quem vai guiá-lo em suas escolhas, e quem conhece o Adrian de Academia de Vampiros, vai se surpreender com os pensamentos e ações deste vampiro!

Os coadjuvantes Jill, Sra.Terwilliger, Eddie, Trey, Neil e Angeline têm contribuições fundamentais ao longo da trama. Todos são carismáticos ao seu jeito. Todos contribuindo para que Sage alcance seus propósitos, seja contra os alquimistas, seja em sua missão de proteger Jill, e até para que o casal tenha um tempo juntos.



Tempo de Dançar - Patricia Beal

A primeira coisa que me chamou bastante atenção nesse título foi a capa. Só de olhá-la fiquei louca para saber mais sobre esse volume e, após ler a sinopse, tive certeza de que precisava lê-lo o quanto antes. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito dessa obra.
Em “Tempo de Dançar” conhecemos a história de Ana Brassfield, uma bailarina que já planejou em detalhes sua trajetória ao palco do Metropolitan Opera House, mas o que ela não poderia esperar é que o seu ex-namorado, Claus, com quem dez anos atrás tinha um relacionamento intenso, poderia voltar a sua vida. Isso tudo porque, quando estavam juntos, ele do nada deixou nossa protagonista e voltou para Alemanha, sua terra natal, e para a sua ex, sem dar nenhuma explicação para Ana.
Agora, ela está noiva de Peter Engberg, um arquiteto-paisagista maravilhoso que a faz feliz. Porém, o renomado bailarino alemão Claus Gert volta à Geórgia e será seu par na apresentação de Romeu e Julieta, e ela ainda se sente muito mexida por ele. Depois do ensaio para a apresentação, Ana coloca tudo a perder quando beija o seu ex, já que seu noivo estava na plateia, e, ao ver o beijo apaixonado que eles deram, termina o noivado.
Sem saber quais planos seguir já que não está mais noiva, Ana acaba aceitando ir com Claus para a Alemanha, onde tem a oportunidade de viver novamente o seu primeiro amor. E, nessa ida, ela tem que lidar com diversos sentimentos, como o fantasma da falecida esposa de Claus, o que ela sente pelo Peter, e a pressão para conquistar um lugar ao sol numa grande companhia de balé.
Confesso que não sou muito fã de triângulos amorosos, isso é uma coisa que atualmente me irrita muito. Esse livro tem uma narrativa ótima e fluida, mas foca bastante no triângulo entre Ana, Claus e Peter, então, talvez por esse fato, eu não tenha amado a obra, já que o relacionamento deles parece ser um tanto volátil.
Porém, de uma forma geral o livro me agradou bastante, principalmente quando sabemos mais sobre a vida de nossa protagonista, seu erros e acertos, conflitos, reflexões e sua busca por Deus. Também há vários flashbacks que nos ajudam a entender um pouco mais sobre o passado, e eu particularmente acho isso bem legal.


Leon - Angie Mello

Leon vivia um sonho. Sua família estava prestes a ganhar mais um membro, já que sua amada esposa estava grávida, o trabalho ia bem, morava num dos locais mais cobiçados do mundo, Nova York, e seus familiares podiam não ser os mais unidos, mas havia amor. E eles tinham um lindo futuro pela frente. Mas, como num piscar de olhos, tudo mudou. Durante um assalto, Melissa foi usada como escudo, sua pressão arterial subiu e ela foi levada às pressas para o hospital, onde fez um parto de emergência. Porém, ela não aguentou e seu filho teve o mesmo destino pouco depois.
Completamente perturbado, desorientado e arrasado, Leon não consegue mais enfrentar a vida e decide ir embora. Ele agora é um morto vivo e se transformou num ermitão, morando numa cabana afastada da civilização, sem energia elétrica, água encanada ou internet, e está completamente isolado do mundo. E passa três longos anos assim. Até que recebe uma carta da mãe, pedindo seu retorno, já que seu pai está bastante doente e com pouco tempo de vida.
Zayla é uma jovem independente e ambiciosa, que não tem interesse em relacionamentos sérios e nunca pensou em casar ou constituir uma família. Tudo o que ela quer é trabalhar, juntar dinheiro, conquistar uma brilhante carreira e construir seu próprio negócio. Um belo dia, ela é “atacada” por uma fofura em forma de cachorro quando está no Central Park e acaba conhecendo Leon.
A atração física entre eles é forte, e, num segundo encontro naquele mesmo dia por conta do destino, acabam ficando juntos. Até que Zayla descobre um segredo sobre ele. E agora precisa decidir se quer ir em frente com o que quer que seja que eles começaram. Enquanto Leon também precisa lidar com uma novidade que ela está vivendo para decidir se quer embarcar num relacionamento depois de tudo o que já viveu e sofreu na vida.
Em meio a muitas reviravoltas, intrigas, máscaras caindo, acontecimentos de abalar as estruturas, e muito mais, a relação entre Leon e Zayla vai se fortalecendo cada vez mais. Até que percebem que o que sentem pode ser mais forte do que esperavam. Mas será que o amor é suficiente para quebrar as barreiras que ambos trazem em seus corações? Ou o relacionamento está fadado ao fracasso, já que eles podem ainda não estar preparados para enfrentar o que estiver pelo caminho?
Confesso que eu ainda não conhecia a autora Angie Mello, porém, desde que eu vi este seu livro no catálogo da Rico Editora, fiquei completamente encantada pela obra e desejando ler tudo de sua autoria o quanto antes. A primeira oportunidade que tive foi com “Leon”, que, assim que tive em mãos, corri para ler, devorei e simplesmente me apaixonei! Com certeza essa autora já entrou na lista de escritores nacionais que eu definitivamente vou acompanhar!
Algo que realmente adorei foi o fato de Angie nos entregar respostas originais para os clichês. Afinal, hoje em dia não há como escrever um livro livre de clichês, pois tudo já foi escrito anteriormente, e alguns dos pontos acabam virando lugar comum e presença certa em histórias de gêneros iguais. Então eu gosto de clichês, porque são inevitáveis e também muitas vezes funcionam nos entregando aquilo que queremos. Porém, o mais bacana da autora é que, mesmo nessas situações clichês, ela acabou entregando uma reação um pouco diferente do esperado ou do que é mais comum em diversos momentos e isso me pegou de surpresa positivamente. Ou seja, juntou o útil ao agradável.
A narrativa é em terceira pessoa, porém em alguns momentos muda para a primeira pessoa para podermos adentrar os pensamentos dos protagonistas. Achei isso bem interessante, pois conseguimos ter uma visão ampla das cenas e, quando havia algo importante ou algum pensamento relevante, tínhamos a possibilidade de entrar em suas mentes para podermos entendê-los melhor e de forma mais próxima.
A escrita da autora é bem gostosa, envolvente e flui muito bem. Gostei bastante que temos a oportunidade de acompanhar diversas reviravoltas e muitos acontecimentos importantes – alguns deles inclusive me pegaram de surpresa, pois dessa forma a trama ficou bem movimentada e nada cansativa.
Adorei o Leon e a Zayla, e conhecê-los melhor foi maravilhoso. Suas personalidades são incríveis, eles não são daqueles tipos de pessoas que enrolam muito ou que escondem as coisas, pelo contrário, são sinceros, decididos, fortes e encaram os problemas de frente. Algo que gostei muito é que Angie Mello teve um cuidado especial com os discursos de todos os personagens, evitando comentários irritantes ou diálogos vergonhosos para os dias atuais, coisas que encontramos aos montes por aí.


Artemis Fowl - O Menino Prodígio do Crime - Artemis Fowl #01- Eoin Colfer

Desde que me tornei leitora assídua de livros, em especial de fantasias, eu quero ler a série Artemis Fowl, mas desde então ela nunca teve um valor acessível. Até que o kindle tornou esse livro acessível, e Artemis Fowl - O Menino Prodígio do Crime, escrito por Eoin Colfer e publicado pela Record foi finalmente lido!

Artemis Fowl tem apenas doze anos, e não é como nenhum outro menino de sua idade, dono de uma inteligência única acaba desenvolvendo uma mentalidade genial para o crime, tradição de sua família. Seu pai desapareceu, e o dinheiro da família não é mais o mesmo, depois de algumas pesquisas ele desenvolve um plano para reaver um pouco de dinheiro para fortuna da família, ele pretende sequestrar uma fada, e conseguir o famoso pote de ouro do fim do arco-íris, mas nem tudo será tão fácil como parece!

Este livro foi lançado em 2001, e depois de quase dezoito anos ele poderia facilmente não soar original com tantas publicações depois. Mas tanto tempo depois ele é ainda criativo e muito envolvente. A narrativa é feita em terceira pessoa através do olhar de um individuo do mundo das fadas que teve acesso a todo caso. Este ser é objetivo, com toques de humor negro e até faz alguns comentários sobre a estória ao longo da mesma.

O mundo das fadas abordado por Eoin tem muitas informações da mitologia clássica desses seres, mas aliada a um tecnologia de ponta desenvolvida pelos mesmos. Tem um toque de magia, mas é pequena, o foco mesmo é na tecnologia que trás a trama toda uma atmosfera de ação e clima de agentes secretos.

Juntar seres tão antigos quanto gnomos e fadas com tecnologia é inusitado, e pode parecer não ser um boa combinação, mas o autor foi capaz de criar uma boa harmonia entre as partes quando ao mesmo tempo que temos um centauro Potrus que é responsável por todo controle tecnológico, e também existe um livro que regula as leis e tradições deste povo quanto aos seus comportamentos e crenças, assim temos um equilíbrio entre as partes.

Fowl é um menino que não parece nada novo, o fato de logo cedo se ver sem o pai e com a mãe doente fez com que ele usasse sua inteligência de forma fria e calculista para alcançar seus objetivos. Ele demonstra sentimentos e afetos pela família, mas não permite que os mesmos impeçam que ele alcance seus objetivos. É muito focado e estudioso, pensando sempre em todos os aspectos de seu plano, e não sabendo lidar com seus raros fracassos.

A Capitã Holly Short, é uma fada que acaba presa a Fowl. É teimosa, e por seu ímpeto em fazer as coisas do seu jeito que acaba presa neste plano. Ao mesmo tempo em que quer sobreviver também mostra um lado muito humano e empático. O Comandante Julius Raiz é quem tenta arrumar toda a bagunça que esse sequestro gera, muito rabugento, ele é o mais sério do mundo subterrâneo.

Buttler é o mordomo de Artemis, é seguidor fiel do patrão mesmo quando não compreende os planos do garoto. É a força bruta que o jovem ainda não tem. E a irmã do mordomo, Juliet é seu ponto fraco.

As diversas criaturas que surgem do mundo das fadas são muito interessantes e repletas de personalidades únicas e envolventes. A pluralidade de seres e características ligadas a elas trás todo um colorido interessante a estória.