Black Hammer #03: Era Da Destruição - Parte 01 - Jeff Lemire, Dean Ormston, Dave Stewart & Todd Klein

Quando os Super-Heróis Abraham Slam, Menina de Ouro, Coronel Weird, Barbalien e Madame Libélula venceram a batalha contra o Antideus, foram enviados para uma cidade estranha onde nada é o que parece e eles precisaram construir novas identidades com histórias de vida manipuladas, escondendo seus poderes e origens. E ainda precisam conviver uns com os outros harmoniosamente, o que acaba sendo difícil devido a suas personalidades fortes e tão diferentes umas das outras. Dez anos se passam sem que eles tenham qualquer palpite do que pode ter acontecido e ainda sem nenhuma pista de como fazer para escaparem com vida deste lugar, que parece uma realidade paralela suspensa no tempo.
Quando Lucy consegue chegar ao local, uma nova esperança surge no ar. Até que ela desaparece novamente, deixando-os sem explicações mais uma vez. Porém, as coisas começam a se encaminhar do jeito que alguns deles gostariam e há uma aceitação de que aquela é uma boa realidade. Porém, como todo mundo já sabe, antes de qualquer tempestade sempre vem a calmaria...
Nesse terceiro volume da série em quadrinhos Black Hammer, já vemos as coisas ficarem muito mais balançadas. Até agora considero que este foi o volume onde encontramos mais respostas e algumas revelações bem importantes e surpreendentes acabaram surgindo com o desenrolar da trama, deixando os leitores ávidos por mais informações e querendo seriamente desvendar o que o futuro vai trazer.
Achei a trama bem bolada até agora e parece bem interessante para onde as coisas estão encaminhando. Estou bastante curiosa para saber mais e queria que os volumes fossem publicados mais rápido, porque a sequência deste só será lançada em novembro deste ano no exterior, ainda sem data para publicação nacional, mas acredito que a Intrínseca não deve demorar a trazê-lo para cá.


O Caso da Mansão Deboën - Edgar Cantero

Desde que me conheço por gente eu sempre assisti aos desenhos do Scooby-Doo, em todas as suas temporadas e traços, eu sempre fui fã e gostei das estórias de mistérios, algumas mais que outras, alguns personagens mais do que outros, mas é um companheiro constante na minha vida até hoje. Ao ler a sinopse e ver a capa do livro O Caso da Mansão Deboën, do autor Edgar Cantero, publicado pela Intrínseca, ficou muito óbvio que o livro era inspirado diretamente neste clássico animado, e minha animação para lê-lo foi imediata.

Mais de uma década depois de resolver seu último mistério os jovens detetives de Blyton Hills seguem cada um com sua vida, mas algo não os permite de seguirem sem pensar constantemente no caso, os pesadelos ainda são constantes, e algo ficou para trás. Andy não consegue encontrar seu lugar, Kerri embora formada não consegue ser uma boa profissional, e Nate passa seus dias em hospitais psiquiátricos junto do fantasma de Peter. Convencida que o caso da mansão Deboën não teve seu culpado preso, Andy reuni novamente o grupo para voltar a mansão e descobrir os reais mistérios que ela esconde, o que eles não esperam no entanto é o que encontram!

A narrativa de Cantero feita em terceira pessoa acompanha os passos de cada um dos integrantes deste quarteto, que além dos personagens já citados tem um cachorro, Tim. Muito de fato lembra aspectos do desenho Scooby- Doo, como personalidade dos personagens, Kerri é muito inteligente como a Velma, e temos um cachorro no grupo, mas Tim ao contrário do Scooby é destemido e muito corajoso, atacando mesmo quando pode morrer. Alguns relatos do caso na década de 70 são como estar vendo ao episódio com a famosa fala de "eu teria fugido com o dinheiro, se não fossem esses garotos intrometidos". Mas uma vez que o caso é reaberto treze anos depois as semelhanças começam a ficar para trás a medida que o caso também deixa de ser sobre um homem fantasiado.

O fato de a narrativa ganhar caminho próprio no entanto acaba também fazendo com que ela seguisse caminhos que resultam em resultados exagerados, assim existem aspectos que me agradaram como questões ocultistas, e outros que não me agradaram em nada como caminhos apocalípticos que soaram forçados em um livro breve, talvez se a estória se alongasse mais passaria, mas um caso que começou na investigação, e acaba em uma questão de sobrevivência do mundo não soou possível para mim.

O livro é repleto de referências ao mundo pop e embora lide com temas mais densos como magia negra e deuses antigos não tem um clima pesado, ao contrário os personagens diante da catástrofe seguem firme para fazer o que é preciso e salvar o dia. Além de querer trazer representatividade ao grupo que tem uma jovem lésbica, um garoto que vive em hospitais psiquiátricos, e uma bióloga com o famoso girl power.

Sem dúvidas Tim, o Weimaraner é meu personagem favorito, mesmo sem falar, ele consegue através de suas atitudes e a interpretação do autor do mesmo ser muito expressivo, e assim despertar total simpatia. Ainda mais quando ele está ao lado de seu amigo de plástico, o pinguim!

Kerri é formada em biologia, mas não consegue fazer sua carreira seguir, e acaba trabalhando em um bar. Considerada uma mulher ruiva bonita ela desperta a atenção de todos, inclusive de sua amiga Andy. Andy por sinal segue o famoso caminho de sou a diferente e ninguém me entende e me respeita. Mesmo assim mostra muita fibra e determinação para ajudar a resolver os problemas. Nate por ser assombrado pelo amigo Peter é o um elo frágil, embora com muito talento para temas do oculto, ele é facilmente abalado, e irritado pelo fantasma.


A Abadia de Northanger - Jane Austen

Catherine Morland vem de uma família grande (tem nove irmãos – sendo, portanto, um total de dez filhos) e respeitável, que tem boas condições de vida, apesar de não serem ricos e da alta sociedade. Mas todos vivem bem e tranquilos. Quando criança, ela fazia um estilo mais moleca para os padrões da época, curtindo atividades até então consideradas mais masculinas. Também era uma pessoa comum, sem grandes conquistas ou uma mente brilhante. Por isso, ninguém a consideraria como a protagonista de uma história. Porém, quando alcança a adolescência, aos quinze anos, decide mudar e começa a se interessar mais por moda e coisas “femininas”. Além disso, ela decide embarcar em diversas leituras para enriquecer a memória e o modo de agir.
Sem muitas esperanças de grandes acontecimentos ou de conhecer pessoas muito interessantes e diferentes das que está acostumada, Catherine fica imensamente feliz quando é convidada pela família vizinha, com quem seus pais têm uma ótima relação, a passar uma temporada de algumas semanas em Bath. Empolgadíssima com a mudança de ares, nossa protagonista começa a imaginar tudo que pode acontecer por lá, desde os perigos que podem espreitar pelo caminho quanto coisas diferentes que podem surgir nesse lugar novo para ela.
Primeiramente ela e sua companheira de viagem, Sra. Allen, vivem dias monótonos, pois não encontram conhecidos. Porém, as coisas estão prestes a mudar quando é apresentada ao Sr. Tilney, que é divertido e agradável, e depois uma antiga amiga de aulas da Sra. Allen a encontra e apresenta seus filhos, entre eles Isabella, que logo se torna amiga de Catherine, e John Thorpe, um rapaz bem enfadonho que se interessa por Catherine.
Divertindo-se bastante nos encontros sociais que vivencia com tão agradáveis companhias em Bath em diversas atividades e bailes, Catherine fica cada vez mais interessada no Sr. Tilney. Quando recebe um convite para visitar a residência da família, a Abadia de Northanger, nossa protagonista passa a imaginar uma maravilhosa aventura gótica que vai experienciar no local, com certeza cheia de intrigas e suspense. E começa a elaborar as mais variadas teorias a respeito do local e de seus moradores. Mas talvez sua imaginação esteja solta até demais...
Mesmo gostando muito mais da experiência de ler os livros antes de assistir as adaptações para séries ou filmes, acabei fazendo o contrário com essa história. O que acontece é que alguns anos atrás estava apaixonada por séries e filmes de romances clássicos, então assisti várias. Como Jane Austen é uma autora favorita, vi diversas de suas adaptações, inclusive o filme de 2007 desta obra. Lembro que adorei a história, mas deixei o livro para ler depois. Acabou que não consegui ler antes, mas finalmente tive a oportunidade. O ponto positivo disto é que eu só me lembrava de alguns detalhes e da essência da história, mas não da trama inteira, então é quase como se eu conhecesse o enredo pela primeira vez. E amei!!
Diferentemente de outros de seus títulos, considero que “A Abadia de Northanger” é uma história mais simples, com menos acontecimentos e reviravoltas, mas, como sempre, Jane consegue nos apresentar uma trama bem construída e ótimos personagens bem desenvolvidos, que nos mostram o ser humano e suas peculiaridades, e como os diferentes tipos de motivação das pessoas fazem com que suas ações sejam completamente distintas e, quase sempre, inesperadas. A impressão que tenho sempre que leio uma de suas obras é que Jane sempre se interessou pelo “estudo” da natureza humana e seu comportamento, e gostava de explorar muito isso com os personagens que criou.
Algo que ela também trabalha é o poder da imaginação e de como a mente humana pode pregar peças na própria pessoa. Quando alguém “tem certeza” de algo ou acredita firmemente em determinado assunto sem antes pesquisar, por exemplo, pode acabar se surpreendendo futuramente quando souber a verdade, que nada tinha a ver como o imaginado.
A trama é bem divertida com diversas ações e comentários cômicos tanto por parte da protagonista, Catherine, como de outros personagens secundários. Além disso, é uma paródia aos Romances Góticos, que estavam em voga na segunda metade do século XVIII na Inglaterra. Por conta disso, também tem um quê mais “sombrio”, remetendo a esse gênero dos romances, em especial “Os Mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe, porém de uma forma irônica e hilária.
Há críticas sobre o cenário da época, em especial o literário, que diminuía os romances (obras de ficção) e também os autores do gênero, como se fossem de segunda categoria ou pouco dignos de serem lidos. Refletindo sobre esse assunto, podemos notar que ainda hoje isso acontece, mesmo que numa escala um pouco menor já que existem muitos títulos do gênero e também diversos leitores. Mas sempre ouvimos comentários de como esse tipo de leitura é inferior ou coisas semelhantes. O que já era chato naquela época e continua sendo hoje.




Epifania - Colônia Espiritual nas Lidas da Desobsessão - Emerson Capelli pelo espírito Irmão Atanásio

Como já comentei aqui outras vezes eu frequento todos os anos o Mega Feirão de Livros Espiritualistas da cidade de Santo André, aqui em São Paulo. Eu faço questão de ir porque possui uma variedade muito grande de livros espíritas e espiritualistas com preços mais em conta do que no mercado tradicional, embora na edição deste ano esses preços tenham sido muito mais altos do que de costume. Nessa feira eu deixo minha intuição mandar e escolher o que comprar, já que a quantidade de livros é muito grande, e é impossível ler um por um para escolher. Foi deste modo que cheguei a Epifania - Colônia Espiritual na Lidas da Desobsessão, uma psicografia do autor Emerson Capelli, pelo espírito Irmão Atanásio, com publicação independente.
Neste volume acompanhamos o espírito Atanásio que habita a colônia extrafísica de Epifania, local com grupos especializados na lida da desobsessão - é um termo usado dentro do espiritismo onde se atua junto a pessoas que estejam recebendo interferências em suas vidas de cunho espiritual, o tratamento visa ajudar não só quem sofre, mas também o obsessor, ou seja, o espírito que está causando o mau. A cada capítulo acompanhamos diversos trabalhos exercidos por esse grupo, onde o líder é o espírito Bizoure.
O grande diferencial neste livro é a quantidade de informação que ele possui e abrange, onde o aproveitamento vai depender em alguma medida de informações já assimiladas pelo leitor anteriormente. Alguns aspectos são trabalhados, como por exemplo como é a atuação dos espíritos junto a pessoas que estejam sendo influenciadas por obsessores. Alguns casos são relatados, e embora na fala dos 'personagens' (trata-se de uma história real, mas vou chamá-los assim por falta de um termo melhor) o discurso cristão seja forte, muitos outros ângulos são trabalhados como a importância da astrologia, conhecimentos ocultistas e indianos, além da atuação de espíritos da natureza tanto no momento exato da reencarnação como na desobsessão.
A astrologia é um dos temas mais trabalhados durante o livro. É bastante frisado que é escolhido com antecedência qual o signo o sol estará no momento do nascimento, já que sua carta astral poderá tanto ajudar quanto atrapalhar o que o encarnante veio trabalhar na Terra. Alguns signos são mais explorados que outros, mas o discurso é muito voltado para aspectos mediúnicos e as responsabilidades de cada signo com eles. Quem já se deu ao trabalho de fazer um mapa astral mesmo que superficialmente vai compreender a vital importância da influência dos astros em nossa vida.
Quanto aos conhecimentos ocultistas desde Blavatsky, passando por chacras e conhecimentos indianos, Atanásio não se prende ao discurso comum dos livros espíritas, e diversos conhecimentos se juntam para dar explicações a suas indagações. Essa pluralidade cria um universalismo e uma riqueza que poucos livros ousam ter.
Por fim, o aspecto que mais me deleitou foi saber mais sobre o trabalho diário dos espíritos da natureza, conhecidos por gnomos, duendes, silfos, salamadras e etc. O livro explora a atuação deles junto ao dia a dia espiritual, que vai além de cuidar apenas da natureza. Eles são responsáveis, por exemplo, pela criação do corpo etérico do espírito que vai encarnar, ou por elementos usados no momento da desobsessão.


O Demônio do Meio-Dia - Uma Anatomia da Depressão - Andrew Solomon

A Depressão com certeza é a doença do século, e com certeza você conhece alguém que tenha ou que teve algum período no mínimo depressivo. A faculdade me permitiu ter contato com esse modo de existência, mas fazia tempo que não lia a respeito. Com tantas pessoas ao meu redor com humores suspeitos eu resolvi que precisava ler mais, e O Demônio da Meia Noite- Uma Anatomia da Depressão, do autor Andrew Solomon, publicado pela Companhia das Letras, foi meu companheiro por diversos dias, e através dessa obra pude acompanhar um pouco dessas nuvens trevosas.
Solomon a partir de sua própria batalha contra a depressão traça um quadro da doença que assola o mundo inteiro, sem escolher raça ou nível social, idade ou sexo, todos estão propensos, mas poucos assumem essa luta diária que requer coragem e muita resistência.
Com os objetivos em mente de despertar a empatia, e depois criar uma ordem baseada no empirismo, ele parte de sua própria história, desde como era sua vida na juventude até como de repente sua depressão surgiu. Passando por suas inúmeras lutas para encontrar o remédio adequado, seus colapsos que geraram três grandes crises e que o paralisaram por longos períodos, culminando no seu momento atual de controle, mas não de cura.
Após relatar sua jornada, ele busca capítulo a capítulo por temas relacionados, como os tratamentos que são os antidepressivos ou algumas terapias de choque, sessões cognitivo-comportamentais ou psicodinâmicas, e até alguns remédios alternativos. Solomon faz uma análise muito interessante da população acometida, e conclui que as mulheres parecem mais vulneráveis a se deprimir, especialmente após o parto, e que filhos de mães deprimidas têm tendência a ter depressões mais severas. Afim de levantar possíveis grupos de risco alguns estudos segmentados são comentados por ele.
Um capítulo é dedicado ao suicídio, e alguns aspectos interessantes são levantados. Como, por exemplo, a alimentação que é tida como saudável para o corpo - baixo colesterol e carboidratos- é geradora de depressão, já que diminui os neurotransmissores. Como o cérebro é um enigma algumas atitudes tomadas afim de arrumar a saúde podem colaborar para que o mesmo entre em desequilíbrio, um corpo saudável sem uma mente saudável também não consegue funcionar, ele facilmente entra em curto.
A pobreza também ganha sua atenção, já que trata-se de uma camada da população com maior dificuldade de diagnóstico. Isso porque essas pessoas que vivem sempre em dificuldade já têm comportamentos retraídos e resignados que são associados a sua condição de vida, e não a depressão. Eles também têm mais dificuldade de conseguir e manter o tratamento, visto que têm jornadas de trabalho e serviços domésticos que demandam mais tempo.
Alguns aspectos políticos são abordados, mas são focados na política americana da época em que livro foi elaborado. Não creio que tenha mudado muito, já que os Estados Unidos são conhecidos por problemas com a saúde, apenas alguns estados contam com saúde gratuita, e mesmo a população que conta com planos de saúde não tem acesso ao tratamento de forma completa, muitas vezes com limitação de consultas ou remédios. Batalhar para conseguir tratamento não é algo que um deprimido seja capaz de fazer como um doente de outra doença, a força ação dessas pessoas é quase nula.
Embora de importância inquestionável com a onda de medicações houve uma grande desvalorização das terapias, que foram deixadas de lado pelos remédios. E após isso até mesmo os remédios têm ganhado adeptos da antimedicação, listando argumentos contra o uso contínuo de antidepressivos. A verdade é que ainda não existe uma cura, uma vez que você tenha essa condição você precisa de constante controle e alerta, por isso tanto as terapias quanto os remédios precisam caminhar juntos a outras atividades que despertem a vida no paciente. É provado que falta de neurotransmissores nestas pessoas, mas corrigi-los também não tem sido o suficiente para sanar o problema. Isso gera a pergunta o comportamento depressivo gera essas alterações cerebrais, ou as alterações geram o comportamento? Eu sou do time que pensa que nossos atos e pensamentos somatizam no corpo.