A Rosa Selvagem – Família Davon #02 – Simone O. Marques

Rose O’Kelly é uma irlandesa que viu sua tribo ser dizimada pelo rival de seu pai. Sua mãe, pouco antes de encarar esse terrível destino, a preparou para fugir e se salvar antes que fosse tarde demais. Agora, sem família, local para morar ou segurança, ela ultrapassa as barreiras e vai parar na Inglaterra, sozinha, com poucos recursos e sem falar a língua.
Perdida e sem saber para onde ir, Rose é atacada por um homem misterioso enquanto tentava procurar um abrigo para se proteger de uma chuva, e quase morre enquanto tenta se esconder em um armazém depois deste acontecimento. Lá é encontrada pela pequena Madeleine, que junto com sua família acolhe Rose.
William é o barão Davon, depois de herdar o título que não era originalmente seu, ele acaba também ganhando uma fama irreal de que é violento com as mulheres. Por alguns motivos, ele acaba deixando que esse boato se espalhe como se fosse verdadeiro. No entanto, o Rei decide que está na hora de ele se casar e envia uma pretendente incômoda para sua casa, que tem seus próprios planos para realizar esse casamento às pressas.

Quando as vidas de Rose e William se unem por conta de uma ajuda do destino, eles percebem que ainda terão que enfrentar muitas dificuldades se realmente quiserem vivenciar esse amor. Será que o Rei da Inglaterra será capaz de permitir que o casamento de um de seus homens de confiança seja realizado justamente com uma irlandesa sem família, dinheiros ou propriedades?
Como Romance de Época é meu gênero favorito, já fico empolgada sempre que um novo título é publicado. Sendo uma autora nacional, fico muito feliz, pois gosto de prestigiar nossos talentos. Já queria ler essa série de Simone O. Marques desde que o primeiro volume, “A Noiva do Barão”, que foi publicado pela Ler Editorial em 2018. Porém, ainda não tiver a chance de lê-lo até agora.  Mas como tive a oportunidade de ler esse segundo livro, mergulhei nas páginas e fiquei encantada. Quem também não tiver lido o anterior, não tem problema começar por este, já que as tramas são totalmente independentes. O único ponto que é comentado neste segundo é o que está na sinopse do primeiro, então não há spoilers.
Li que a autora falou que essa série segue uma linha parecida com os Romances Históricos de banca que eram publicados aqui no Brasil e agora foram extinguidos. Então quem curte o estilo e está com saudade de novas obras do gênero, essa é uma ótima opção. E ainda melhor porque a edição é de romances comuns de livraria mesmo.





Contos Clássicos de Terror

Eu sempre pensei que antologia de contos são ótimos meios para conhecer novos autores, mas em Contos Clássicos de Terror elevou essa opinião muito acima, já que nessa reunião de contos feita pelo Julio Jeha, e publicado pela Companhia das Letras o contato não é com novos autores, mas com autores velhos e consagrados!

A coletânea pretende reunir o que existe de melhor dentro dos gêneros gótico, terror e horror, o livro é composto por dezenove contos onde os sentimentos despertam os mais diferentes afetos nos protagonistas que se veem nas mais variadas situações as vezes cotidianas, as vezes nunca antes imaginadas. Medo, loucura, imaginação, terror, repulsa, anormalidade e paranormalidade são alguns dos itens abordados por autores tidos como clássicos.

E ao contrário do que costuma acontecer muito não trata-se de um livro com autores somente brasileiros, ou só estrangeiros, já que Jeha se valeu de muitos brasileiros em sua seleção. E é notável a diferença entres os nacionais, que pendem para um estilo facilmente reconhecível. E para os fãs da diversidades temos tanto homens como mulheres.

O primeiro autor, por exemplo, é George Sand que na verdade é pseudônimo da baronesa Amandine Aurore Lucile Dupin, seu conto Espiridião, no entanto não chamou minha atenção. Já Morte na Sala de Aula, do autor Walt Whitman é simples e macabro, conseguindo extrair em poucas folhas o que a maldade nas salas de aula de antigamente poderia gerar.

Edgar Allan Poe não poderia ficar de fora já que está entre um dos mestres do gênero, seu conto O Barril do Amontillado, no entanto foi uma releitura, visto que já li em uma reunião de contos do autor, mas o conto não deixa de ser um ótimo registro de uma vingança a sangue frio!

Muito conhecido por suas obras A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro, R.L. Stevenson através do seu conto O Ladrão de Corpos narra exatamente o tipo de estória que esperamos para uma estória de terror, em um cotidiano de pessoas de índole duvidosa, mas onde a justiça busca através do sobrenatural ser realizada.  A Causa Secreta escrito por Machado de Assis, não aborda nenhum tema estranho, ao contrário é uma narrativa cotidiana sobre a natureza humana, natureza essa que Assis era intimo conhecedor!

Auguste Villiers de L'Isle-Adam com A Tortura pela Esperança não me agradou pela temática, a inquisição, não gosto de nada com esse tema de ignorância e intolerância. Já em Bárbara, da Casa de Grebe, com o autor Thomas Hardy, tudo soava como um romance de época até que um terrível acidente desperta a loucura! Está entre meus favoritos pelo modo sutil e pontual que abordou sua estória.

Dizer nessa altura que nunca tinha lido Bram Stoker é uma vergonha, então poder finalmente conhecer sua narrativa através de A Selvagem foi um prazer! Seu conto é muito simples, mas não sem certa complexidade nos detalhes que permite uma conexão tamanha que me fez pensar na estória muitas horas depois da leitura. Mesmo nesta pequena obra é possível perceber seu talento.

H.G. Wells é um dos meus autores do coração, Pollock e o Homem de Porroh foi uma releitura, e ela mostra como foi para os ocidentais difícil compreender e respeitar a cultura e a religião dos países africanos.  A Tapera segue com Henrique Coelho Neto, autor brasileiro fundador da cadeira número dois da Academia de Letras, e que eu nunca tinha ouvido falar. Em seu conto encontramos elementos da cultura da época da escravidão e do plantio de cana de açúcar, a sua narrativa é muito característica e consegue ter falas ora rebuscadas, ora simples e regionais.


Aventuras de Huckleberry Finn - Mark Twain


Quem conhece os Clássicos da Editora Zahar sabe que os livros sempre contam com uma edição lindíssima e de tirar o fôlego, muitas vezes ilustradas e comentadas, tornando o volume uma verdadeira obra de arte. Como sou viciada nessa junção de qualidade com beleza, sempre que é possível leio um dos clássicos publicados pela editora, pois assim conheço “novas” histórias maravilhosas.
Nesse volume, voltamos para o século XIX nos EUA, antes da Guerra Civil, em um período que a escravidão era livre. É nesse cenário que conhecemos Huckleberry Finn, um menino branco de mais ou menos treze anos, que é órfão de mãe, e que seu pai, um bêbado que lhe violentava fisicamente, não o deixava estudar e as vezes sumia da cidade, deixando o filho sozinho.
Uma viúva da cidade acaba adotando nosso protagonista, colocando-o na escola e lhe ensinando sobre religião, etc. Porém, seu pai retorna e consegue a sua custódia. Sem querer morar com o pai e também sem querer voltar para a vida regrada que estava tendo, nosso protagonista resolve fugir e narra para a gente as suas aventuras, de como conseguiu esse feito, navegando pelo rio Mississippi em uma canoa.
Em sua fuga, acaba encontrando Jim, um escravo fugitivo que, assim como ele, estava indo em busca de sua liberdade. Por conta disso, ambos se unem e fogem juntos. No início, vemos que Huck tinha certa resistência em ajudar Jim, porém ambos acabam criando uma amizade e vivendo grandes aventuras.


Durante a jornada, eles passam por diversas situações inusitadas, já que em cada cidade que passavam, encontravam situações típicas do local, como duelo de armas, vigaristas, superstições sobre espíritos, etc. Foram várias as aventuras em que se envolveram, já que conheceram diversos tipos de pessoas, boas e ruins, e foi muito interessante ver como se saíram de diversos acontecimentos.
A narrativa é em primeira pessoa, o que foi bem legal, já que assim conseguimos entender tudo o que nosso protagonista estava passando e sentindo, e também todos os dilemas que estava enfrentando por conta do que havia aprendido sobre o certo e o errado. Foi muito interessante ver esse conflito interno, pois trouxe ainda mais complexidade para a trama.





A Bússola de Ouro - Fronteiras do Universo #01 - Philip Pullman


Em 2007, antes do lançamento do filme eu li A Bússola de Ouro, do autor Philip Pullman, lançado na época pela editora Objetiva. Muitos anos se passaram, eu até cheguei a ler o segundo livro da série, mas a verdade é que já esqueci de muita coisa, especialmente do segundo volume. E em se tratando da Trilogia Fronteiras do Universo a fantasia é mais complexa. Então quando vi a capa do relançamento pela Suma de Letras eu tive certeza que havia chego o momento certo de reler e finalizar a série! Ainda mais agora que os livros viraram série na HBO!

Lyra Belacqua vive pela enorme universidade de Jordan em Oxford, sua vida entre os telhados e guerras infantis com outras crianças pela cidade são sua única preocupação, e ela não deseja mais nada além da vida simples que tem. Entretanto após participar sem querer de uma reunião dos catedráticos da universidade, e descobrir sobre o pó, ao mesmo tempo em que estranhos boatos sobre crianças desaparecendo em diversas cidades, ela acaba sendo convidada a ir para o norte por uma estranha mulher. Lyra parte para Londres, onde vai de repente se ver fugindo e ao mesmo tempo buscando por seu amigo Roger e Lorde Asriel. Uma aventura que tem onde começar, mas tem onde terminar.

Lyra tem apenas onze anos, mas tem um perfil de uma criança que frequenta muito as ruas, e sabe se defender. Convive muito com os meninos, logo não é uma criança chorona ou medrosa, ao contrário tem a língua maior que a boca e atitudes de sobra mesmo quando os ventos não estão a seu favor. Quando ela acaba com a Sra. Coulter em Londres ela começa a amadurecer, não apenas para se aproximar mais dos adultos, mas para compreender a lógica do mundo, no caso do mundo com elementos mágicos. Seu crescimento, portanto, é muito interessante, de menina respondona e que só fazia o que queria, até uma mentirosa e ardilosa é visível, mas ela não muda seu caráter, se ela mente é para se proteger. Sua luta é sempre pelo bem, ela quer ajudar que ama.

O que eu sempre achei interessante desde a primeira leitura da obra foi os elementos mágicos que o autor explora. O modo como ele os vê tem diversos paralelos com a física quântica, daí um pouco da complexidade da estória que diversas vezes tenta explicar o que é o pó por exemplo, que eu entendo como a energia que a tudo circula e está. Também surge o conceito de mundos paralelos que existem ao mesmo tempo que o nosso. Com essas possibilidades a partir da física a atmosfera do livro parece mais realista, embora não tanto quando pensamos nos daemons, os animais que cada ser humano possui desde o seu nascimento. Outros aspectos não tão real são as feiticeiras exploradas por ângulos interessantes, já que elas vivem ligadas aos elementos naturais, a natureza, e usam galhos para voar.

Pantalaimon é o daemon de Lyra - os daemons são como partes da alma personificadas em forma animais que só tem forma definitiva depois da puberdade.  Eles poderiam ser definidos como a sombra da alma, pensando em conceitos junguianos. Pan, como é chamado por Lyra sente tudo que sua dona sente e pensa, e ela o mesmo com ele, assim eles são como um corpo só dividido em duas partes. Uma simbiose perfeita que se apoia e precisa viver com o calor e amor um do outro, separá-los é causar sofrimento e muita dor!

A vilã Sra. Coulter, é uma criatura vil, sem amor e com um coração frio, embora pareça gostar de Lyra ela não se importa quem terá que sacrificar para alcançar seu objetivos. Pela estória de vida dela narrada, ela sempre foi assim, sem empatia pelos que a circundam, embora eu não goste nada dela, é do seu mico leão dourado que eu menos gosto, ele é cruel e sádico, gosta de maltratar os daemons dos outros. O estranho sobre ela ainda é que ela faz as coisas não por crença ou convicção, mas pelo poder, pelo puro poder, ela não demonstra nada além dessa sede desenfreada por ser dominadora.

Os gípcios são como ciganos, eles são fundamentais na fuga de Lyra e são eles quem contam a ela sua própria estória, ou diria a verdade sobre sua vida e futura missão. São um povo cheio de tradições, e percorrem canais pela Inglaterra com seu barcos. John Faa e Farder Coram são os dois principais, e fazem o papel dos mais sábios da trama.

Completando o clima diferente temos um urso de armadura, Iorek Byrnison, com personalidade de sobra e força sem igual, diferente dos ursos comuns tem polegares e facilidade para metalurgia. Além de toda uma cultura no seu lar, com uma estrutura monárquica inclusive.


Meu Antigo Cavalheiro - Amor Além dos Tempos #01 - Roberta Meschede

Alice Robinson é uma mulher forte, inteligente, independente e sabe o que quer da vida. Apaixonada por História, fatos e coisas do passado, ela é uma escritora e professora e possui mestrado em “Direitos da Mulher do Século XIX”, assunto que muito lhe interessa. Depois de vivenciar algo em seu passado, ela se afastou de relacionamentos e prefere manter distância das outras pessoas, se focando em sua carreira.
Quando seu pai era vivo, dedicou-se a um projeto bastante especial: uma Máquina do Tempo. Seu irmão, Max, assumiu e aperfeiçoou o trabalho do pai e agora precisa fazer uma viagem ao passado, pois fez uma promessa ao pai que precisa cumprir. Inicialmente, planeja tudo escondido de Alice, que descobre e o convence de levá-la com ele. Afinal, não poderia perder a chance de conhecer e vivenciar uma experiência real numa época tão importante para ela, o Século XIX.

O que Alice não poderia prever é que, juntamente com sua nova vida, totalmente diferente da que está acostumada (ainda que por apenas alguns meses), seu coração também seria afetado. Sir Richard Harrison é um Capitão da Marinha, que vivenciou coisas terríveis na guerra e teve sua personalidade afetada pela experiência, tornando-se alguém fechado e infeliz. Sem vontade de se casar, ele evita as solteiras que estão ávidas por uma chance com ele, que é muito cobiçado e um dos melhores partidos da temporada.
Mas Alice logo chama a sua atenção por sua personalidade diferente, língua afiada, opiniões fortes e ousada. Claro que um resiste ao outro por um tempo, mas sentimentos dificilmente podem ser controlados e eles acabam dominados. Porém, será que Alice conseguirá se adaptar bem a um século completamente diferente do seu, principalmente levando em conta a falta de direitos das mulheres? Richard conseguirá conviver com uma mulher tão à frente de seu tempo? Mais importante, conseguirão eles burlar o que pode ser um grande impedimento para qualquer relacionamento: a barreira do tempo?
Como já comentei diversas vezes aqui no blog, sou apaixonada por Romances de Época, que é meu gênero favorito. Então, sempre que vejo um lançamento sendo publicado, este já vai automaticamente para minha lista de desejados. Por ser de uma autora nacional, fiquei ainda mais curiosa, já que não tive a oportunidade de ler tantos títulos do gênero escrito por brasileiras quanto gostaria. Então, logo quando tive meu exemplar em mãos, fui mergulhando na leitura para conhecer essa protagonista feminina do Século XXI viajando para o XIX através de uma máquina do tempo.




Black Hammer #03: Era Da Destruição - Parte 01 - Jeff Lemire, Dean Ormston, Dave Stewart & Todd Klein

Quando os Super-Heróis Abraham Slam, Menina de Ouro, Coronel Weird, Barbalien e Madame Libélula venceram a batalha contra o Antideus, foram enviados para uma cidade estranha onde nada é o que parece e eles precisaram construir novas identidades com histórias de vida manipuladas, escondendo seus poderes e origens. E ainda precisam conviver uns com os outros harmoniosamente, o que acaba sendo difícil devido a suas personalidades fortes e tão diferentes umas das outras. Dez anos se passam sem que eles tenham qualquer palpite do que pode ter acontecido e ainda sem nenhuma pista de como fazer para escaparem com vida deste lugar, que parece uma realidade paralela suspensa no tempo.
Quando Lucy consegue chegar ao local, uma nova esperança surge no ar. Até que ela desaparece novamente, deixando-os sem explicações mais uma vez. Porém, as coisas começam a se encaminhar do jeito que alguns deles gostariam e há uma aceitação de que aquela é uma boa realidade. Porém, como todo mundo já sabe, antes de qualquer tempestade sempre vem a calmaria...
Nesse terceiro volume da série em quadrinhos Black Hammer, já vemos as coisas ficarem muito mais balançadas. Até agora considero que este foi o volume onde encontramos mais respostas e algumas revelações bem importantes e surpreendentes acabaram surgindo com o desenrolar da trama, deixando os leitores ávidos por mais informações e querendo seriamente desvendar o que o futuro vai trazer.
Achei a trama bem bolada até agora e parece bem interessante para onde as coisas estão encaminhando. Estou bastante curiosa para saber mais e queria que os volumes fossem publicados mais rápido, porque a sequência deste só será lançada em novembro deste ano no exterior, ainda sem data para publicação nacional, mas acredito que a Intrínseca não deve demorar a trazê-lo para cá.


O Caso da Mansão Deboën - Edgar Cantero

Desde que me conheço por gente eu sempre assisti aos desenhos do Scooby-Doo, em todas as suas temporadas e traços, eu sempre fui fã e gostei das estórias de mistérios, algumas mais que outras, alguns personagens mais do que outros, mas é um companheiro constante na minha vida até hoje. Ao ler a sinopse e ver a capa do livro O Caso da Mansão Deboën, do autor Edgar Cantero, publicado pela Intrínseca, ficou muito óbvio que o livro era inspirado diretamente neste clássico animado, e minha animação para lê-lo foi imediata.

Mais de uma década depois de resolver seu último mistério os jovens detetives de Blyton Hills seguem cada um com sua vida, mas algo não os permite de seguirem sem pensar constantemente no caso, os pesadelos ainda são constantes, e algo ficou para trás. Andy não consegue encontrar seu lugar, Kerri embora formada não consegue ser uma boa profissional, e Nate passa seus dias em hospitais psiquiátricos junto do fantasma de Peter. Convencida que o caso da mansão Deboën não teve seu culpado preso, Andy reuni novamente o grupo para voltar a mansão e descobrir os reais mistérios que ela esconde, o que eles não esperam no entanto é o que encontram!

A narrativa de Cantero feita em terceira pessoa acompanha os passos de cada um dos integrantes deste quarteto, que além dos personagens já citados tem um cachorro, Tim. Muito de fato lembra aspectos do desenho Scooby- Doo, como personalidade dos personagens, Kerri é muito inteligente como a Velma, e temos um cachorro no grupo, mas Tim ao contrário do Scooby é destemido e muito corajoso, atacando mesmo quando pode morrer. Alguns relatos do caso na década de 70 são como estar vendo ao episódio com a famosa fala de "eu teria fugido com o dinheiro, se não fossem esses garotos intrometidos". Mas uma vez que o caso é reaberto treze anos depois as semelhanças começam a ficar para trás a medida que o caso também deixa de ser sobre um homem fantasiado.

O fato de a narrativa ganhar caminho próprio no entanto acaba também fazendo com que ela seguisse caminhos que resultam em resultados exagerados, assim existem aspectos que me agradaram como questões ocultistas, e outros que não me agradaram em nada como caminhos apocalípticos que soaram forçados em um livro breve, talvez se a estória se alongasse mais passaria, mas um caso que começou na investigação, e acaba em uma questão de sobrevivência do mundo não soou possível para mim.

O livro é repleto de referências ao mundo pop e embora lide com temas mais densos como magia negra e deuses antigos não tem um clima pesado, ao contrário os personagens diante da catástrofe seguem firme para fazer o que é preciso e salvar o dia. Além de querer trazer representatividade ao grupo que tem uma jovem lésbica, um garoto que vive em hospitais psiquiátricos, e uma bióloga com o famoso girl power.



Sem dúvidas Tim, o Weimaraner é meu personagem favorito, mesmo sem falar, ele consegue através de suas atitudes e a interpretação do autor do mesmo ser muito expressivo, e assim despertar total simpatia. Ainda mais quando ele está ao lado de seu amigo de plástico, o pinguim!

Kerri é formada em biologia, mas não consegue fazer sua carreira seguir, e acaba trabalhando em um bar. Considerada uma mulher ruiva bonita ela desperta a atenção de todos, inclusive de sua amiga Andy. Andy por sinal segue o famoso caminho de sou a diferente e ninguém me entende e me respeita. Mesmo assim mostra muita fibra e determinação para ajudar a resolver os problemas. Nate por ser assombrado pelo amigo Peter é o um elo frágil, embora com muito talento para temas do oculto, ele é facilmente abalado, e irritado pelo fantasma.


A Abadia de Northanger - Jane Austen

Catherine Morland vem de uma família grande (tem nove irmãos – sendo, portanto, um total de dez filhos) e respeitável, que tem boas condições de vida, apesar de não serem ricos e da alta sociedade. Mas todos vivem bem e tranquilos. Quando criança, ela fazia um estilo mais moleca para os padrões da época, curtindo atividades até então consideradas mais masculinas. Também era uma pessoa comum, sem grandes conquistas ou uma mente brilhante. Por isso, ninguém a consideraria como a protagonista de uma história. Porém, quando alcança a adolescência, aos quinze anos, decide mudar e começa a se interessar mais por moda e coisas “femininas”. Além disso, ela decide embarcar em diversas leituras para enriquecer a memória e o modo de agir.
Sem muitas esperanças de grandes acontecimentos ou de conhecer pessoas muito interessantes e diferentes das que está acostumada, Catherine fica imensamente feliz quando é convidada pela família vizinha, com quem seus pais têm uma ótima relação, a passar uma temporada de algumas semanas em Bath. Empolgadíssima com a mudança de ares, nossa protagonista começa a imaginar tudo que pode acontecer por lá, desde os perigos que podem espreitar pelo caminho quanto coisas diferentes que podem surgir nesse lugar novo para ela.
Primeiramente ela e sua companheira de viagem, Sra. Allen, vivem dias monótonos, pois não encontram conhecidos. Porém, as coisas estão prestes a mudar quando é apresentada ao Sr. Tilney, que é divertido e agradável, e depois uma antiga amiga de aulas da Sra. Allen a encontra e apresenta seus filhos, entre eles Isabella, que logo se torna amiga de Catherine, e John Thorpe, um rapaz bem enfadonho que se interessa por Catherine.
Divertindo-se bastante nos encontros sociais que vivencia com tão agradáveis companhias em Bath em diversas atividades e bailes, Catherine fica cada vez mais interessada no Sr. Tilney. Quando recebe um convite para visitar a residência da família, a Abadia de Northanger, nossa protagonista passa a imaginar uma maravilhosa aventura gótica que vai experienciar no local, com certeza cheia de intrigas e suspense. E começa a elaborar as mais variadas teorias a respeito do local e de seus moradores. Mas talvez sua imaginação esteja solta até demais...
Mesmo gostando muito mais da experiência de ler os livros antes de assistir as adaptações para séries ou filmes, acabei fazendo o contrário com essa história. O que acontece é que alguns anos atrás estava apaixonada por séries e filmes de romances clássicos, então assisti várias. Como Jane Austen é uma autora favorita, vi diversas de suas adaptações, inclusive o filme de 2007 desta obra. Lembro que adorei a história, mas deixei o livro para ler depois. Acabou que não consegui ler antes, mas finalmente tive a oportunidade. O ponto positivo disto é que eu só me lembrava de alguns detalhes e da essência da história, mas não da trama inteira, então é quase como se eu conhecesse o enredo pela primeira vez. E amei!!
Diferentemente de outros de seus títulos, considero que “A Abadia de Northanger” é uma história mais simples, com menos acontecimentos e reviravoltas, mas, como sempre, Jane consegue nos apresentar uma trama bem construída e ótimos personagens bem desenvolvidos, que nos mostram o ser humano e suas peculiaridades, e como os diferentes tipos de motivação das pessoas fazem com que suas ações sejam completamente distintas e, quase sempre, inesperadas. A impressão que tenho sempre que leio uma de suas obras é que Jane sempre se interessou pelo “estudo” da natureza humana e seu comportamento, e gostava de explorar muito isso com os personagens que criou.
Algo que ela também trabalha é o poder da imaginação e de como a mente humana pode pregar peças na própria pessoa. Quando alguém “tem certeza” de algo ou acredita firmemente em determinado assunto sem antes pesquisar, por exemplo, pode acabar se surpreendendo futuramente quando souber a verdade, que nada tinha a ver como o imaginado.
A trama é bem divertida com diversas ações e comentários cômicos tanto por parte da protagonista, Catherine, como de outros personagens secundários. Além disso, é uma paródia aos Romances Góticos, que estavam em voga na segunda metade do século XVIII na Inglaterra. Por conta disso, também tem um quê mais “sombrio”, remetendo a esse gênero dos romances, em especial “Os Mistérios de Udolpho”, de Ann Radcliffe, porém de uma forma irônica e hilária.
Há críticas sobre o cenário da época, em especial o literário, que diminuía os romances (obras de ficção) e também os autores do gênero, como se fossem de segunda categoria ou pouco dignos de serem lidos. Refletindo sobre esse assunto, podemos notar que ainda hoje isso acontece, mesmo que numa escala um pouco menor já que existem muitos títulos do gênero e também diversos leitores. Mas sempre ouvimos comentários de como esse tipo de leitura é inferior ou coisas semelhantes. O que já era chato naquela época e continua sendo hoje.




Epifania - Colônia Espiritual nas Lidas da Desobsessão - Emerson Capelli pelo espírito Irmão Atanásio

Como já comentei aqui outras vezes eu frequento todos os anos o Mega Feirão de Livros Espiritualistas da cidade de Santo André, aqui em São Paulo. Eu faço questão de ir porque possui uma variedade muito grande de livros espíritas e espiritualistas com preços mais em conta do que no mercado tradicional, embora na edição deste ano esses preços tenham sido muito mais altos do que de costume. Nessa feira eu deixo minha intuição mandar e escolher o que comprar, já que a quantidade de livros é muito grande, e é impossível ler um por um para escolher. Foi deste modo que cheguei a Epifania - Colônia Espiritual na Lidas da Desobsessão, uma psicografia do autor Emerson Capelli, pelo espírito Irmão Atanásio, com publicação independente.
Neste volume acompanhamos o espírito Atanásio que habita a colônia extrafísica de Epifania, local com grupos especializados na lida da desobsessão - é um termo usado dentro do espiritismo onde se atua junto a pessoas que estejam recebendo interferências em suas vidas de cunho espiritual, o tratamento visa ajudar não só quem sofre, mas também o obsessor, ou seja, o espírito que está causando o mau. A cada capítulo acompanhamos diversos trabalhos exercidos por esse grupo, onde o líder é o espírito Bizoure.
O grande diferencial neste livro é a quantidade de informação que ele possui e abrange, onde o aproveitamento vai depender em alguma medida de informações já assimiladas pelo leitor anteriormente. Alguns aspectos são trabalhados, como por exemplo como é a atuação dos espíritos junto a pessoas que estejam sendo influenciadas por obsessores. Alguns casos são relatados, e embora na fala dos 'personagens' (trata-se de uma história real, mas vou chamá-los assim por falta de um termo melhor) o discurso cristão seja forte, muitos outros ângulos são trabalhados como a importância da astrologia, conhecimentos ocultistas e indianos, além da atuação de espíritos da natureza tanto no momento exato da reencarnação como na desobsessão.
A astrologia é um dos temas mais trabalhados durante o livro. É bastante frisado que é escolhido com antecedência qual o signo o sol estará no momento do nascimento, já que sua carta astral poderá tanto ajudar quanto atrapalhar o que o encarnante veio trabalhar na Terra. Alguns signos são mais explorados que outros, mas o discurso é muito voltado para aspectos mediúnicos e as responsabilidades de cada signo com eles. Quem já se deu ao trabalho de fazer um mapa astral mesmo que superficialmente vai compreender a vital importância da influência dos astros em nossa vida.
Quanto aos conhecimentos ocultistas desde Blavatsky, passando por chacras e conhecimentos indianos, Atanásio não se prende ao discurso comum dos livros espíritas, e diversos conhecimentos se juntam para dar explicações a suas indagações. Essa pluralidade cria um universalismo e uma riqueza que poucos livros ousam ter.
Por fim, o aspecto que mais me deleitou foi saber mais sobre o trabalho diário dos espíritos da natureza, conhecidos por gnomos, duendes, silfos, salamadras e etc. O livro explora a atuação deles junto ao dia a dia espiritual, que vai além de cuidar apenas da natureza. Eles são responsáveis, por exemplo, pela criação do corpo etérico do espírito que vai encarnar, ou por elementos usados no momento da desobsessão.


O Demônio do Meio-Dia - Uma Anatomia da Depressão - Andrew Solomon

A Depressão com certeza é a doença do século, e com certeza você conhece alguém que tenha ou que teve algum período no mínimo depressivo. A faculdade me permitiu ter contato com esse modo de existência, mas fazia tempo que não lia a respeito. Com tantas pessoas ao meu redor com humores suspeitos eu resolvi que precisava ler mais, e O Demônio da Meia Noite- Uma Anatomia da Depressão, do autor Andrew Solomon, publicado pela Companhia das Letras, foi meu companheiro por diversos dias, e através dessa obra pude acompanhar um pouco dessas nuvens trevosas.
Solomon a partir de sua própria batalha contra a depressão traça um quadro da doença que assola o mundo inteiro, sem escolher raça ou nível social, idade ou sexo, todos estão propensos, mas poucos assumem essa luta diária que requer coragem e muita resistência.
Com os objetivos em mente de despertar a empatia, e depois criar uma ordem baseada no empirismo, ele parte de sua própria história, desde como era sua vida na juventude até como de repente sua depressão surgiu. Passando por suas inúmeras lutas para encontrar o remédio adequado, seus colapsos que geraram três grandes crises e que o paralisaram por longos períodos, culminando no seu momento atual de controle, mas não de cura.
Após relatar sua jornada, ele busca capítulo a capítulo por temas relacionados, como os tratamentos que são os antidepressivos ou algumas terapias de choque, sessões cognitivo-comportamentais ou psicodinâmicas, e até alguns remédios alternativos. Solomon faz uma análise muito interessante da população acometida, e conclui que as mulheres parecem mais vulneráveis a se deprimir, especialmente após o parto, e que filhos de mães deprimidas têm tendência a ter depressões mais severas. Afim de levantar possíveis grupos de risco alguns estudos segmentados são comentados por ele.
Um capítulo é dedicado ao suicídio, e alguns aspectos interessantes são levantados. Como, por exemplo, a alimentação que é tida como saudável para o corpo - baixo colesterol e carboidratos- é geradora de depressão, já que diminui os neurotransmissores. Como o cérebro é um enigma algumas atitudes tomadas afim de arrumar a saúde podem colaborar para que o mesmo entre em desequilíbrio, um corpo saudável sem uma mente saudável também não consegue funcionar, ele facilmente entra em curto.
A pobreza também ganha sua atenção, já que trata-se de uma camada da população com maior dificuldade de diagnóstico. Isso porque essas pessoas que vivem sempre em dificuldade já têm comportamentos retraídos e resignados que são associados a sua condição de vida, e não a depressão. Eles também têm mais dificuldade de conseguir e manter o tratamento, visto que têm jornadas de trabalho e serviços domésticos que demandam mais tempo.
Alguns aspectos políticos são abordados, mas são focados na política americana da época em que livro foi elaborado. Não creio que tenha mudado muito, já que os Estados Unidos são conhecidos por problemas com a saúde, apenas alguns estados contam com saúde gratuita, e mesmo a população que conta com planos de saúde não tem acesso ao tratamento de forma completa, muitas vezes com limitação de consultas ou remédios. Batalhar para conseguir tratamento não é algo que um deprimido seja capaz de fazer como um doente de outra doença, a força ação dessas pessoas é quase nula.
Embora de importância inquestionável com a onda de medicações houve uma grande desvalorização das terapias, que foram deixadas de lado pelos remédios. E após isso até mesmo os remédios têm ganhado adeptos da antimedicação, listando argumentos contra o uso contínuo de antidepressivos. A verdade é que ainda não existe uma cura, uma vez que você tenha essa condição você precisa de constante controle e alerta, por isso tanto as terapias quanto os remédios precisam caminhar juntos a outras atividades que despertem a vida no paciente. É provado que falta de neurotransmissores nestas pessoas, mas corrigi-los também não tem sido o suficiente para sanar o problema. Isso gera a pergunta o comportamento depressivo gera essas alterações cerebrais, ou as alterações geram o comportamento? Eu sou do time que pensa que nossos atos e pensamentos somatizam no corpo.