Jung, O Místico - Gary Lachman


Jung sempre foi um pensador que me atraiu intelectualmente, antes de fazer faculdade suas frases já chamavam minha atenção, e durante a faculdade infelizmente não tive uma matéria sobre a Psicologia Analítica. Me restou a aprender o pouco que sei sobre sua teoria sozinha, e já estava tarde a leitura de uma biografia sobre o autor. Escolhi uma que abordasse sua vida com toques espiritualistas, Jung, O Místico - As dimensões esotéricas da vida e dos ensinamentos de C.G. Jung, do autor Gary Lachman, publicado pela Cultrix.

Lachman pretende nesta biografia narrar a vida de Jung dando enfoque aos acontecimentos ligados a espiritualidade e ocultismo na vida de Carl. Fatos estes que não faltaram ao longo de sua vida, mas que acabaram um pouco abafados em suas biografias para não comprometer sua validade como pensador científico.

Jung sempre foi dono de muita personalidade, tão grande que as vezes seu inconsciente bolava saídas para seus problemas que o prejudicava muito, mas determinado a conseguir o que queria ele mesmo foi seu terapeuta e conseguiu superar alguns problemas ainda na infância. E seu modo de os enfrentar gerou o princípio de suas teorias.

Se alguém que for ler esta biografia espera muitos fatos impressionantes de sua vida não vai encontrar, existem momentos que fica claro que Jung não era bom pai já que era ausente, era péssimo marido e chegou a ter duas esposas já que não abria mão da amante, além de que trabalhar com ele não era tarefa fácil

Em contra partida ele atraiu uma legião de mulheres que o seguiram e aprofundaram o que ele começou a criar. A psicologia Analítica nasceu com Jung, mas se ampliou e muito com os estudantes que estiveram com ele, já que muitos deles eram inclusive pesquisadores para Jung.

O livro permite uma visão de conjunto da vida de Carl, tanto de seu ambiente familiar, quanto seus pensamentos conscientes e inconscientes, além de acontecimentos a sua volta. Entretanto é quase ausente explicações sobre suas teorias ou conceitos, que poderiam não só informar o leitor sobre as mesmas, como explicar e ampliar mais ainda o entendimento sobre a personalidade do mesmo.

Fica muito claro, por exemplo, a fixação de Jung por alquimia, mas não foi dada nenhuma ênfase no tema. Ficou muito claro que Jung teve fases em que realizava mesas brancas para contato com espíritos, mas a real relação dele com os mesmos também não fica clara. Assim aparecem diversos relatos de temas e situações espiritualistas com Jung, mas senti falta de um pouco mais tanto do que o autor dizia sobre cada coisa, como breve explanações sobre algumas destas coisas.

Sem dúvida o que mais achei estranho foi a ausência de fotos, afinal é esperado pelo menos algumas páginas com imagens que ilustrem a vida do escolhido, mas a única imagem que temos é a da capa.

E a grande pergunta que não quer calar não acaba respondida, afinal Jung poderia ser considerado como místico? Talvez sim pelos seus seguidores que acatavam a tudo que ele dizia, mas não tanto do ponto de vista de quem acompanha de fora, já que era um homem repleto de problemas de relacionamento e mesmo da construção sobre seu saber.
Mas místico ou não o fato é que Jung é uma figura interessante suficiente para tornar sua biografia muito interessante, especialmente para quem gosta de Psicologia e inconsciente, mas também para quem gosta de personalidades fortes. Cada situação de sua vida gerou eventos posteriores, cada pessoa que conheceu também teve seus efeitos, e é muito intrigante quanto comum ele é em determinados momentos, e quanto genial também ele consegue ser.

O mais interessante ao final da leitura de uma biografia é perceber quanto podemos ser parecidos em questões existenciais, e até quanto podemos ainda dar certo mesmo que o tempo já tenha passado. Em uma sociedade que visa o instantâneo é muito bom lembrar que Jung desenvolveu suas teorias ao longo de sua vida, e não chegou a terminá-las, e que não precisamos ter pressa para fazer algo dar certo.

Jung, o Místico não apresenta tudo que se propõe do ponto de vista esotérico, mas sem dúvida é uma biografia que inspira o dia a dia. É leve e flui bem, e deixa que sua grande estrela brilhe sem sombras. Que venham mais biografias sobre Jung!



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A Menina que Semeava - Lou Aronica


Eu simplesmente adoro quando um livro abre possibilidade para mais de uma explicação quanto a sua proposta, já que nem sempre deixar tudo explicitamente é a melhor forma de criar uma estória, especialmente quando ela trabalha com conteúdos do inconsciente de pessoas machucadas. Em A Menina que Semeava, do autor americano Lou Aronica, publicado por aqui pela editora Novo Conceito, temos uma relação familiar bastante conturbada e que fala exatamente sobre aquilo que nunca é dito.

Becky é uma adolescente de quatorze anos, e fazem apenas quatro anos que um furacão passou em sua vida após a separação do pais. Após esse evento a relação que antes era muito próxima com o pai, passa a ser como a de dois estranhos que não sabem comunicar o que sentem. Após acidentalmente a jovem ir para o mundo criado na sua infância, ela e seu pai terão que correr contra o tempo para este mundo não morrer. O que eles não sabem é que a fantasia e a realidade estão  mais próximas do que nunca!

Narrado em terceira pessoa sob o ângulo de vários personagens, mas especialmente de Becky, seu pai Chris e a princesa Miea, essa trama parece simples ao se ler a sinopse, mas ela é tão cheia de camadas e significados que deixa o leitor investigando a qual linha a estória pretende seguir. Ela pode ser uma fantasia, onde mundos paralelos existem a partir da imaginação de um pai e uma filha, e isso é alimentado por um personagem que distribui dons, mas também pode ser um recurso do inconsciente de uma menina que está perdendo o controle de sua própria saúde, e pode soar como um escape mental.

Tamarisk, o reino criado pelo pai na infância de Becky quando ela enfrentava uma leucemia, é bastante diferenciado, embora siga com o modelo de monarquia, as semelhanças com outras fantasias para ai. Desde as denominações de lugares, alimentos e criaturas, até as regras do mundo são bastante únicas. Focada muito no reino vegetal e animal, atribuindo grande inteligências aos animais mas sem dar voz a estes, este lugar tem toda uma atmosfera criada por uma criança pequena e seu pai. Coisas como uma madeira que tem as cores do arco-íris, e um meio de transporte que é um pássaro de três metros são algumas delas.

Ao mesmo tempo que temos estas partes mais leves, quando uma doença assola o lugar, tanto a vida normal de Becky, quanto suas visitas a Tamarisk começam a ter uma forte carga emocional. A narrativa já começa assim, com Chris o pai sentindo falta de sua filha revendo videos antigos dela, e durante todo o livro essa separação só trouxe sofrimento a ele, a filha que sentiu que o pai se afastou dela sem maiores explicações, e a mãe que não soube lidar com a bela relação entre pai e filha.

Aos poucos pai e filha começam a estabelecer novamente pontes, mas a dor continua lá, o medo da perda e da passagem do tempo. A relação delicada entre os dois é bastante explorada, especialmente do lado do pai que não compreende como uma mãe quer privar sua filha de um pai dedicado. Somado a isso a avassaladora doença de Becky.

Um problema do livro é seu ritmo, ele demora muito a de fato acrescentar informações a estória e a acontecer algum evento significante. E mesmo nos momentos no outro mundo o autor não dá ênfase em apresentar com muita riqueza de detalhes este universo que veio do imaginário, já que o olhar de Becky e Chris conhece muito do que veem porque foram eles que criaram.

Alguns capítulos são encharcados de tristeza, de uma jovem que sabe que vai morrer, de pais que não sabem como lidar com os últimos dias, mas o que parece óbvio não foi o final. Achei o desfecho acalentador, e claro aberto a leituras, já que a interpretação do mesmo pode ser diferente para cada leitor.

A Menina que Semeava é um obra carregada de sentimentos e emoções do começo ao fim, sem perder por isso uma certa inocência de seus personagens. É muito realista quanto ao que acontece a um casal quando se separa, e a uma criança que vive entre eles, ao mesmo tempo que uma doença assombra a todos. É uma estória de amor em família com muita sensiblidade, afinal o amor é para sempre!



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A Máquina do Tempo - H. G. Wells

Como sempre falo, sou viciada nos Clássicos Zahar, pois eles trazem histórias maravilhosas em edições muito lindas! Sendo assim, sempre que possível leio uma das obras publicadas e mergulho nesses clássicos maravilhosos. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito de  “A Máquina do Tempo”.
Nesse volume, conhecemos a história de um cientista, a quem o autor deu o nome de “Viajante do Tempo”, que acabou construindo uma máquina capaz de realizar essas viagens. Sendo assim, ele reúne em sua casa um grupo de intelectuais para poder provar que realizou essas viagens.
O viajante, então, chega nessa reunião atrasado, esfomeado, sujo e junta todos os seus convidados na sala para contar sobre suas experiências no ano de 802.701. Ele então relata que em sua viagem se deparou com a raça humana totalmente diferente do que estamos acostumados, sendo que ela foi dividida em duas “espécies” diferentes de habitantes, os Elói e os Morlocks.
Os Elois são pessoas amigáveis e amáveis, que vivem em harmonia em uma comunidade sem guerra e sem doenças, e que não tem muita inteligência. São os habitantes da superfície, que não precisam se preocupar com nada, por isso são uma espécie que não pensa muito, tendo sua capacidade limitada. No passado, eles foram considerados a classe superior e deixaram a outra classe, denominada Morlocks, no subsolo, vivendo na escuridão. Esses últimos são seres magros, brancos e de olhos grandes, que são considerados sombrios e selvagens, porém são a classe que precisou “pensar” para sobreviver, e, com isso, possuem mais inteligência.
O livro fala um pouco sobre como o homem que se considerava “superior” acabou se tornando preguiçoso, e aqueles que eram “inferiores” continuaram a trabalhar e a desenvolver o intelecto, fazendo com que a outra classe tenha medo deles.
Narrado em primeira pessoa, conseguimos entender, através dos relatos do Viajante do Tempo, tudo o que ele passou. A obra as vezes é um pouco cansativa, porém também muito interessante e que nos faz refletir sobre muitos aspectos da sociedade. Uma coisa bem diferente é que os personagens desse livro não possuem nomes próprios, são chamados de o psicólogo, o prefeito, o médico, etc.


A Noiva Fantasma - Yangsze Choo

Eu fico bastante satisfeita em ver como a Darkside Books tem uma mão boa para escolher livros diferenciados, nem todos entram para os meus favoritos, mas ainda não li nenhum livro ruim da editora, e não foi diferente com A Noiva Fantasma, da autora Yangsze Choo.
Li Lan é uma jovem malaia que mora com seu pai, ela já está com dezessete anos e a pressão do casamento já é grande. Seu pai a informa que ela foi pedida em casamento, mas não por um vivo e sim por um jovem que morreu recentemente. Abalada pela proposta ela busca saber mais sobre a família Lim, e após uma visita a casa desta família ela passa a ter estranhos sonhos com este morto, e sua vida nunca mais será a mesma depois de tocar a morte!
Eu não sei se vocês compartilham da mesma impressão que eu, mas tudo que é livro, filme ou série que se passa no oriente ou tem alguma mitologia deste povo é mil vezes mais macabra do que a mesma estória no ocidente. Acho que eles têm estórias e costumes muito peculiares com a morte, por exemplo, e com isso uma atmosfera única e mórbida acaba se colocando facilmente em um livro que se passa por lá, no caso a Malásia.
A narrativa em primeira pessoa de Choo é através da protagonista Li Lan, uma jovem muito simples e inteligente que acabou criada por seu pai e sua Amah, com isso embora erudita na criação sofreu com a falta de alguns dotes femininos. É uma menina muito inocente e tímida que soa como uma colegial e não consegue conceber a maldade nas pessoas. Quando acaba envolvida nesta trama de morte com este jovem falecido ela toma atitudes drásticas para se livrar do espírito, e a reviravolta que o livro dá foi bem inesperada.
Este volume pode ser encarado sob diversos prismas, primeiro do ponto de vista cultural, a estória se passa em uma região que teve a imigração maciça de chineses, o que fez com que a cultura chinesa, Malaca, fosse também a deste local. A autora inclusive nas páginas finais explica alguns destes dados e sua origem de inspiração, e é muito claro a vasta pesquisa que ela fez, já que tudo é bem detalhado e explicado sobre todos estes costumes, desde comidas e roupas até e principalmente as crenças espiritualistas.

Falando em espiritualidade esta é um ponto central na trama já que Lin tem uma jornada espiritual, mostrando em detalhes as crenças e atitudes que esta população têm com os mortos, como por exemplo criar réplicas de objetos em papel e queimá-los para os mortos, assim estes recebem estes objetos no mundo dos mortos. Ela também explora supertições quanto a atitudes que dão sorte ou azar.

Por fim ainda temos um ângulo investigativo já que a jovem se vê diante de um possível assassinato, e ela para salvar a própria pele e resolver seus sentimentos precisa saber a verdade quanto esta morte. Claro que ela acaba por descobrir não só a verdade quanto a isso, mas também quanto ao passado de sua própria família.

A narrativa é envolvente, mas soa triste e opressiva, e pode deixar o leitor para baixo já que todo tempo trata da morte e da vida após a morte. Gostaria que a autora tivesse se demorado em algumas criaturas que ela diz existir no astral, ela apenas foca nos espíritos humanos, e acabei muito curiosa quanto aos demais, apenas Er Lang é um deste seres que não são humanos e que por sinal gostei muito dele!



Esposas & Filhas – Elizabeth Gaskell

Estamos em Hollingford, uma cidadezinha da Inglaterra no Século XIX, e temos a chance de conhecer e acompanhar o dia a dia de algumas pessoas bem diferentes entre si. Dentre eles, há Molly, filha única do viúvo Mr. Gibson, médico da região, que trabalha muito atendendo pacientes em suas residências e também ensinando aprendizes jovens que desejam seguir sua profissão. Por conta do seu cargo, ele também tem contato com diversas famílias da região, entre elas as solteironas Miss Brownings, que eram próximas de sua falecida esposa, o fazendeiro aristocrata Hamley, sua esposa e dois filhos, os nobres Lord e Lady Cumnor, que vivem em Towers, entre outros.
Como quase não fica em casa e tem dificuldade de saber como criar e educar uma jovem mulher, já que Molly está crescendo e começando a despertar o interesse dos rapazes, Mr. Gibson decide hospedar a menina na residência Hamley Hall com a intenção de aproximá-la de Mrs. Hamley enquanto os filhos do casal estão estudando fora. Molly rapidamente se torna amiga da família, sendo muito querida por todos. Quando os jovens visitam os pais, ela logo se encanta por Mr. Roger, com quem nutre uma amizade.
Enquanto isso, Mr. Gibson decide se casar novamente para conseguir uma madrasta para a menina e acaba escolhendo Miss Clare, ex-governanta de Towers, uma mulher autoritária e cheia de regras, que controla a vida da menina e tem fortes opiniões sobre tudo. Como se importa bastante com as aparências, sempre quer visitar a residência dos antigos patrões, com quem ainda mantém contato. Mas Molly nutre lembranças ruins de um acontecimento que vivenciou lá quando ainda era pequena e se sente desconfortável no local. Juntamente com a nova esposa de seu pai, Molly ganha uma nova irmã com quem logo faz amizade, Cynthia, uma jovem bela e coquete, que conquista todos os rapazes por onde passa.


Em meio a segredos, conflitos, traições, mortes, fofocas, reviravoltas e muitos acontecimentos, adentramos nas vidas dessas pessoas que são ao mesmo tempo simples e complexas, e conhecemos um pouco mais sobre a sociedade interiorana da época sob a fantástica e fascinante perspectiva de uma autora consagrada que viveu naquele século, Elizabeth Gaskell.
“Nem Lady Cumnor, nem suas filhas estavam livres da mesma provação, e, também, de um pouco da mesma fadiga. A fadiga que sempre acompanha os esforços conscientes de se comportar da melhor maneira para melhor satisfazer a sociedade em que se está inserido.”
A princípio, pensei que a trama deste livro iria focar mais na história de Molly com Mr. Roger, com os demais personagens transitando entre eles. Mas felizmente não foi como imaginei e o enredo ganha proporções muito maiores do que apenas girar em torno de um romance entre os dois jovens. Pelo contrário, temos a oportunidade de conhecer diversos personagens tão importantes quanto eles, que tiveram suas próprias histórias exploradas e desenvolvidas, assim como suas personalidades marcantes e bem apresentadas. Cada um tem sua própria evolução e todos merecem destaque, ainda que o papel desempenhado não seja tão grande.


E, mesmo que haja romance, esse também não é o foco do livro. Na verdade, como a própria autora considerava, essa é uma obra de história cotidiana, então vamos conhecer os personagens, suas personalidades, modo de pensar e agir, como interagem entre si e como vivem seu dia a dia. Há de tudo: amor, amizade, fofocas, intrigas, revoltas, carinho, personagens femininas fortes, personagens adoráveis, outros irritantes ou com atitudes ruins que acabam incomodando, entre muitos outros detalhes.
O mais interessante de tudo isso é que toda a trama é completamente interligada, então mesmo acontecimentos que não parecem importantes, acabam ganhando maior proporção mais para a frente. Desse modo que a gente se sente inserido dentro do livro de uma forma tão impactante que é como se fossemos um personagem onipresente em todos os lugares, não apenas como amigo de um dos protagonistas, mas como se fizéssemos parte do enredo juntamente com eles.
E olha que foi uma delícia poder mergulhar na sociedade rural da Inglaterra Vitoriana sob o ponto de vista de alguém que realmente viveu naquela época e ainda conseguiu transmitir em belas palavras tudo aquilo, o que torna tudo ainda mais real e especial sob meu ponto de vista. 




O Homem de Lata - Sarah Winman

Quando eu li a sinopse desse volume pela primeira vez, fiquei encantada com a premissa do enredo e sabia que eu precisava ler o quanto antes para saber um pouco mais sobre Ellis e Michael. Sendo assim, quando foi possível, comecei esse volume. E agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito dessa obra escrita por Sarah Winman e traduzida para o português pela Faro Editorial.
Nesse exemplar conhecemos a história de Ellis e MichaeL, dois jovens que se conheceram no final da década de sessenta e logo criaram uma grande amizade, uma vez que ambos tinham problemas em casa e não eram compreendidos pelos pais. Juntos, descobriram autores e livros, ensinaram um ao outro a nadar, e andavam pelas ruas de Oxford construindo sonhos, fazendo descobertas, etc.
Através das memorias de Ellis, vemos sua amizade com Michael se transformar em algo mais, em amor. Depois de uma década, vemos que Ellis agora é casado com Annie, e que Michael não faz mais parte de sua vida. E, no lugar dele, ficou aquela tristeza e melancolia das coisas que não pôde viver. Ele se tornou um adulto solitário e dedicado ao trabalho, e é um personagem totalmente humano com quem conseguimos nos identificar. São seus medos e falhas que nos aproximam ainda mais dele. E sabendo sobre seu ambiente familiar, conseguimos entender algumas de suas decisões, mesmo sem aceitá-las. Em todos os momentos, vamos descobrindo sobre o que aconteceu para esses dois terem os seus destinos separados e para entendermos como Anne surgiu na vida de nosso protagonista.
Também temos a parte da narrativa de Michael, um homem que viveu a sua vida ao máximo. Em sua parte, temos uma leitura mais leve, mais fluida. E também conseguimos entender o romance e a amizade entre os dois de forma mais clara, já que em sua parte as lacunas que ficaram em abertas são preenchidas. Foi nessa parte que precisei de um lenço – ou de um pacote inteiro.
Um enredo simples que consegue nos envolver com sua trama emocionante, melancólica e intensa, que fala sobre preconceito, amizade, amor verdadeiro, aceitação pessoal e coragem, que nos conta uma história de amor, que teve um rumo um pouco diferente por conta das escolhas da vida. Prepare o seu lenço nessa leitura, pois, apesar de não ser muito extenso (tem menos de duzentas páginas), esse volume é grande em questão de emoção.


Fogo & Sangue - Fogo & Sangue #01 - George R. R. Martin

Não poderia ter sido em melhor momento a leitura de Fogo & Sangue, do autor George R. R. Martin, lançado pela Suma de Letras, já que a última temporada de Game of Thrones está no ar, e acompanhar esse mundo em dois momentos distintos é muito interessante e complementar.
Trezentos anos antes da guerra dos tronos acontecer a família Targaryen conquistou os sete reinos através de Aegon, O Conquistador. Ele forjou o trono de ferro, e liderou gerações desta casa que lutou para manter no poder os únicos senhores capazes de serem cavaleiros de dragões. Através de diversos relatos de reis, e a trajetória dos dragões e seus humanos é narrada, algumas verdades são contadas, mentiras forjadas e dúvidas colocadas, mas verdade seja dita até o fim os Targaryen tem um único objetivo: estar no trono, alguns pela paz outros pelo sangue.
Este é meu primeiro contato com a narrativa de Martin, embora possua os livros das crônicas de gelo e fogo, ainda não havia as lido, apenas acompanho o seriado, que por sinal muito me agrada! Embora se passe trezentos anos do que é narrado nos livros de guerra dos tronos este livro é repleto de informações que vão de encontro com o que se passa em guerra dos tronos, isso porque todos os eventos narrados culminam no futuro. A narrativa é feita em terceira pessoa de forma universal, ou seja, acompanhamos ao mesmo tempo diversos personagens acessando seus pensamentos e emoções, e compartilhando diversos pontos de vista. Para construir seu relato este narrador utiliza como fonte relatos e livros de meistres e outros, chegando a apresentar até mais de uma possibilidade para o evento narrado.
Caso você não seja familiarizado com os territórios de Westeros e além, ou conheça as famílias que as habitam não é através deste volume que isso acontecerá, ele complementa o que já foi dito, mas não introduz. O foco é nos sucessivos governos e fatos familiares do clã Targaryen. Ou seja, ele destrincha em minúcias como era determinado rei, com quem casou, quem foram os filhos, os aliados, os inimigos, e etc.

Através destes detalhe é possível compreender a evolução comportamental destes senhores de dragões que sempre foram donos de muita personalidade, e aos poucos foram desenvolvendo características que chegaram até Daenerys no momento 'atual'. Características como o costume de casar seus integrantes entre parentes para manter a pureza de sangue explicam o comportamento estranho do irmão de Daenerys, por exemplo. A relação que eles estabelecem com os dragões também é amplamente explorada.

Embora de forma mais superficial comparado ao Targaryes, outras famílias também podem ser acompanhadas ao longo do tempo, os Stark sempre foram um povo isolado, desconfiado, mas sempre mostrando bom discernimento, enquanto os Lannisters sempre estiveram em busca de quem oferecesse mais dinheiro e poder. Dorne nunca se dobra, e os Greyjoys são pessoas de quem pode se esperar tudo.

Desde Aegon, o Conquistador até o fim do reinado de Aegon III, cada personagem é explorado em sua importância para os altos e baixos desta família, que ora está unida, ora está em guerra. A escrita de Martin não tem como objetivo ser um romance, os diálogos são breves, e o livro mais parece um livro de história. Isso pode para algumas pessoas ser cansativo, mas de modo algum o autor tem problemas narrativos. Mesmo assim não foi uma leitura rápida, já que o livro conta com quase seiscentas páginas e com uma diagramação bem apertada.

Cada capítulo contém um foco, e é repleto de ilustrações em preto e branco. Estas ilustrações são lindas e trazem riqueza a estória, já que transmite detalhes dos personagens e seus dragões. Com o toque já conhecido por todos que acompanham Martin, neste volume a morte é companheira, e muito sangue é derramado. Além de explicar a gênese de toda a conquista dos Targaryens que teve como objetivo reunir reinos que só estavam em guerra em um único reino de paz. O primeiro rei era fascinante e alguns de seus herdeiros também, enquanto outros eram melhor nunca terem saído do ovo!


O Verão Que Mudou Minha Vida - Verão #01 - Jenny Han

“O Verão Que Mudou A Minha Vida” conta a história de Belly, uma menina que está na fase de amadurecimento quando as garotas deixam de ser inocentes e começam a se transformar em mulheres. É quando os garotos começam a notá-las não apenas como uma amiga, mas, sim, com outros interesses.
Belly desde pequena passa todas as férias de verão com a mãe, Laurel, e seu irmão, Steven, na casa de veraneio da melhor amiga de sua mãe, Susannah, com ela e seus dois filhos, Jeremiah e Conrad, por quem sempre foi apaixonada.
Mas esse ano tudo parece diferente para Belly. Ambos começam a notá-la como algo mais do que apenas a irmãzinha de seu amigo. Além disso, ela conhece um outro garoto que acaba balançando seu coração também.
No meio de alguns acontecimentos, muita confusão e sentimentos à flor da pele, podemos vivenciar e relembrar alguns momentos da nossa própria vida, daquelas viagens de verão quando éramos mais novas e o mundo parecia algo bem diferente do que parece hoje.
É uma leitura leve, divertida e prazerosa, mas não foi marcante, além de ser monótona. Uma coisa incômoda nisso tudo é que eu estava com altas expectativas sobre esse livro porque amei a trilogia “Para Todos os Garotos Que Já Amei” (clique no título para ler as minhas três resenhas dessa obras) da autora com todo o meu coração. Porém, esse primeiro volume da Trilogia Verão não alcançou nenhuma delas. Então, mesmo tendo gostado da leitura, não adorei. Para mim ficou faltando um algo a mais na história, que não foi suprido em momento algum. Não estou dizendo que o livro é ruim, eu até apreciei a leitura, mas a mesma não se tornou apaixonante.
Achei alguns personagens bem fúteis, principalmente a Belly, que agora que cresceu e ficou “bonita” e acha que pode conseguir qualquer coisa, e, se não consegue, fica chateada. E meus personagens preferidos foram o Jeremiah e a mãe dele, Susannah, super alto astrais, mesmo no meio de diversos problemas, amigos de verdade e amorosos.
Outro ponto que achei bem legal foi que a autora intercalou os capítulos com passagens do presente e do passado, durante os vários verões que passaram naquela casa, e isso nos ajudou a entender mais algumas ações dos personagens.


Artemis Fowl - Código Eterno- Artemis Fowl #03 - Eoin Colfer

Eu não costumo seguir lendo uma série longa por muito tempo, isso porque eu gosto de variar a temática, o estilo de narrativa e até mesmo o gênero, mas vez ou outra eu dou sorte de conseguir vários da mesma série e não enjoar dos livros e seguir lendo, com Artemis Fowl está sendo assim, e o terceiro volume da série Código Eterno escrito pelo autor Eoin Colfer segue despertando atenção. Atenção contém spoilers de livros anteriores.

Artemis Fowl está com seus dias de crime contados já que seu pai está na reta final de recuperação e está esperando mudanças do filho, como uma último plano ousado ele cria um supercomputador com a tecnologia roubada das fadas, e espera conseguir com ele chantagear um empresário com ligação com a máfia, mas o plano brilhante do garoto prodígio não sai como esperado, e ele terá que lidar com perigos maiores do que o esperado.

É muito grande a mudança que o jovem Fowl teve desde as primeiras páginas do primeiro livro até este, de jovem imprudente e sem sentimentos, ele passa a um pré-adolescente que quer vingar o pai e tentar entrar na linha, mais do que isso ele se vê em uma situação de vida ou morte que abala suas certezas e o deixa muito vulnerável. Gostei da transformação que vem acontecendo no jovem, que não passa a ser exatamente o mocinho ainda, mas também não ocupa o cargo de vilão.

A capitã Holly também está cada vez mais ligada ao menino, embora ainda não totalmente assumida já o considera como amigo e nutre carinho pelo mesmo, mas as tradições de seu povo a impede de ter uma amizade propriamente dita com o mesmo. Embora soltem faíscas juntos a dupla Fowl e Holly funciona muito bem junto, já que ambos são destemidos e muito inteligentes.

Butler, o guarda-costas de Fowl tem aparição curta na trama, e é sua irmã Juliet que tem mais espaço. Não gosto muito dela, já que ela é um impulsiva demais e comete muitos erros pelo seu comportamento. Já o anão Palha é admirador de Artemis e estabelece uma relação um tanto inesperada de cumplicidade mútua, embora de índole duvidosa, já que ele não resiste ao roubo e a acumular ouro. O anão é um personagem interessante e engraçado que têm talentos peculiares e que muito ajudam na missão principal do livro.

O empresário americano acaba sendo um inimigo a altura de Fowl, e isso o faz ficar frente a um sentimento que não costuma ter ou lidar que é a falha e a frustração. Isso também acrescenta camadas na transformação do jovem que fica cada vez menos ambicioso.

O Mundo das fadas tem sua parcela na estória, mas mais através da tecnologia que possui do que de seus seres, como o foco é todo na missão de resgate, não existe quase nenhuma novidade quanto a novas criaturas ou costumes dos habitantes debaixo, e senti um pouco a falta da magia deste lado.



O Signo dos Quatro - Sherlock Holmes #02 - Sir Arthur Conan Doyle

Quem me conhece sabe o quanto gosto desse famoso detetive chamado Sherlock Holmes. Adoro os livros, filmes, séries e até mesmo jogos que trazem um pouco sobre a vida desse personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle. Com isso, sempre que é possível leio alguns dos seus livros e me encanto cada vez mais. Alguns de seus títulos trazem vários contos, enquanto outros são romances completos, que é o caso desse.
Dessa vez, vim falar para vocês as minhas opiniões sobre “O Signo dos Quatro”, que apresenta para o leitor um Holmes mais confiante do que nunca e que, junto com Watson, conquista a nossa atenção do início ao fim.
Quando a bela e jovem Mary Morstan aparece em sua casa munida de um bilhete misterioso que recebeu, vemos que nosso protagonista se anima com um novo caso, ainda mais porque ela fala que seu pai faleceu dez anos atrás e desde então ela recebe pérolas preciosas por correio. A jovem estava desconfiada de que a pessoa que envia as pérolas possa ser a mesma que escreveu esse bilhete. Holmes e Watson acompanham então Mary nesse encontro intrigante e lá ela é informada por Mr. Thaddeus Sholto que é dona de um tesouro tão grande que a deixa muito rica.
Acontece que seu pai, Mr. Morstan, e seu amigo, Major Sholto, eram donos desse grande tesouro. Porém, com a morte do pai da dama, o pai de Thaddeus acabou desfrutando de tudo sozinho. Agora, ambos estavam mortos e tudo estava com Thaddeus e seu irmão. Então, ele iria levar Mary até a casa do seu irmão gêmeo para pegar a sua parte do tesouro, porém, chegando lá, eles encontram o seu irmão morto e o tesouro desaparecido.
Sherlock fica sendo a peça principal para desvendar esses mistérios, devido ao seu grande e vasto conhecimento e também a toda a sua percepção. Então o vemos adentrar nesse caso e analisar o crime para prender os criminosos.
Como sempre, essa trama é incrível e mais uma vez me deixou impressionada em como Arthur Conan Doyle conseguiu escrever uma obra tão boa e com tantos detalhes que ainda eram desconhecidos ou pouco falados em uma época distante da nossa. É quase impossível conseguir largar essa obra antes de chegar ao fim.





Xeque-Mate da Rainha - Elizabeth Fremantle

Sempre gostei de estórias com princesas, reis e rainhas, mas depois da minha viagem para Londres eu virei fã de carteirinha da monarquia inglesa. Ver a monarquia atuante é o tipo de experiência que transforma, e surtiu uma grande conexão comigo. Desde então procuro conhecer a história pregressa dessa família, Xeque-Mate da Rainha, da autora Elizabeth Fremantle, publicado pela Paralela, foi uma chance de conhecer a vida de Katherine Parr a sexta e última esposa do rei Henrique VIII.

Henrique VIII está em busca de uma nova esposa, e Katherine Parr acaba de perder o marido muito doente, após uma visita a corte o rei passa a cortejá-la, e decide que ela será sua nova esposa. Katherine não pode dizer não mesmo quando seu coração já tem outro dono. Cercada por intrigas, traições e disputas de poder, ela terá que ser a rainha e ainda manter sua fé a prova da inquisição.

A primeira coisa que precisa ficar clara ao ter esse livro em mãos é que trata-se de um livro histórico, ou seja, por mais que tenha sido escrito em terceira pessoa em forma de romance, ora através da própria Kat ora através dos olhos de Dot. Os fatos narrados foram retratados em cima de muita pesquisa por parte da autora, ela inclusive lista ao final do livro uma lista bibliográfica de suas fontes de pesquisa. Suas maiores liberdades se deram com apenas dois personagens, Dot a criada pessoal da rainha e seu médico Huicke, já que embora ambos tenham existindo não existem dados aprofundados sobre os mesmos.

A narrativa é bem feita, mas não prende desde o início. Ela desperta sim curiosidade, mas não tem um ritmo rápido e pode demorar a desenrolar para algumas pessoas. Fica claro que o objetivo é fazer um relato histórico, e não romancear o que ocorreu.

Katherine foi uma mulher a frente do seu tempo, isso fica muito claro nas atitudes que têm. Primeiro mesmo depois de rainha ela não trata seus empregados ou qualquer outra pessoa abaixo dela (ou seja, todo mundo menos o rei) com superioridade, ao contrário, gosta de conhecer as pessoas e tratá-las com respeito. E de tão diferente que é de todas as damas ela tem que constantemente controlar suas opiniões e atos para no chamar atenção demais para si. A atenção do rei por ela inclusive foi despertada pela capacidade dela de ser autêntica e honesta.

Henrique VIII foi um homem de personalidade extremamente forte, demonstrando especialmente a todos seu lado genioso e agressivo, que faz o que quer e quando quer, não importando o que isso signifique para seu povo ou os que o cercam. Prova disso é que quando não estava satisfeito com seus casamentos ele dava um jeito de terminar com suas esposas seja com divórcio- que gerou sua separação da igreja católica romana- seja as enforcando ou cortando suas cabeças por supostas traições (não fica claro no livro se de fato foram verdade as traições). Um lado muito pequeno e breve de sua personalidade era interessado em agradar a esposa dando-lhe presentes diários, depois de noites de sexo agressivo.

Dot, a criada da rainha está com ela desde o casamento anterior de Kat. E Katherine a vê como uma filha, já que não consegue engravidar dos maridos. Dot embora venha de uma origem bastante humilde e não saiba nem ler e escrever, é muito esperta, gentil e prestativa, e viver tão próxima da realeza a fez aprender como agir, e descobrir as intrigas comentadas por todos, já que ninguém a via como uma pessoa, era como se não estivesse nos ambientes, e logo a mocinha acaba sabendo de tudo.

Existem diversos personagens secundários, como Meg, a enteada de Kat, garota gentil e tímida que sentiu demais a morte do pai, a ponto de nunca se recuperar; Will Parr irmão de Katherine, tem como objetivo galgar degraus para colocar sua família em lugares de destaque;  Anne Parr, irmã mais nova da rainha, já casada é uma das damas de companhia da irmã, e uma das poucas pessoas que pode contar.

Um traço forte e muito marcante na narrativa é a questão religiosa, por conta do rompimento do rei com a igreja romana a Inglaterra estava migrando para o protestantismo, mas indeciso quanto sua decisão o rei volta atrás e não rompe seus laços de vez com a igreja que tem dois representantes muito próximos de Henrique a influenciá-lo. Para não perder poder a igreja faz uma caça as bruxas de todos que estão de acordo com as ideias dessa nova fé, sem missas em latim ou itens como incenso e velas nas missas, um a um eles criam maneiras de pegar essas pessoas. O problema é que a rainha é uma delas, e todo momento ela tenta manobras para não ser descoberta.


Pôr do Sol No Central Park - Para Nova York, Com Amor #02 - Sarah Morgan

Depois de ler e me apaixonar por “Amor em Manhattan” (clique no título para ser redirecionado para minha resenha), fiquei viciada na escrita de Sarah Morgan e pelos personagens criados por ela. Como no primeiro volume dessa série conhecemos os protagonistas dos próximos livros, já criamos uma certa identificação com todos eles, o que acho bem legal. Quando vi que a Harlequin já havia lançado “Pôr do Sol No Central Park” aqui no Brasil, fiquei bem empolgada pela leitura e, assim que me foi possível, comecei a ler essa história. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito dessa obra.
Nesse volume, vemos que Frankie e suas duas amigas estão indo muito bem na empresa que abriram juntas. E estão cada vez mais com novos trabalhos, fazendo com que a vida profissional delas esteja indo muito bem. Já no amor, Frankie continua sendo uma negação, isso porque, quando era mais nova, seu pai traiu a mãe e acabou saindo de casa. No início, sua mãe ficou muito triste e chorava pelos cantos, mas, certo dia, resolveu dar um basta e começou a sair com vários homens, até mesmo um casado. A ilha que moravam era muito pequena, então nossa protagonista percebeu que todos os moradores falavam sobre ela, e passou por um mau bocado quando era mais nova por conta de um menino ridículo com quem resolveu sair, e que achou que ela estaria na mesma vibe que a mãe estava naquele momento.
Frankie, então, se mudou da ilha de Puffim assim que foi possível, e nunca mais retornou para aquele local. Ela queria ficar bem longe de todos ali e da sua antiga história. Tudo isso fez com se fechasse para o amor e não acreditasse mais em homem nenhum. Para ela, casamento é uma mentira e não existe final feliz. Ela construiu uma barreira em si e não deixa mais ninguém entrar.
Já Matt está cada vez mais está interessado em Frankie. Apesar de conhecê-la desde muito jovem, cada vez mais descobre algo novo sobre ela, fica ainda mais interessado, porém, nossa protagonista não confia em ninguém e diminuir as barreiras que ela criou é realmente bem difícil. Porém, ele tem seus planos para conseguir conquistar o coração e a confiança de nossa Frankie.
Quando precisa da ajuda dela em um dos seus projetos, ele tem a oportunidade de ficar mais perto e aos poucos ir ganhando sua confiança. A tensão sexual entre os dois é bem notável e, quando ele finalmente consegue beijá-la, tem a certeza de que é a mulher que ama. Mas Matt não quer assustá-la revelando os seus sentimentos, já que sabe que ela iria fugir. Mas será que alguém conseguiria ter um relacionamento sem muito compromisso quando sabe que realmente ama uma pessoa? Será que Frankie vai fugir quando ele revelar esse amor ou vai ser capaz de aceitar algo que sempre foi contra?
Esse exemplar traz uma história leve e divertida que consegue conquistar a gente em todos os momentos com personagens maravilhosos. É um romance fofo, um pouco clichê, mas, ainda assim, delicioso e viciante. Me peguei torcendo diversas vezes por Matt e querendo que ele conseguisse conquistar o coração de nossa protagonista o quanto antes.


A Maldição - As Aventuras do Caça Feitiço #02 - Joseph Delaney


Aproveitando a minha recente leitura do primeiro volume da série As Aventuras do Caça Feitiço, do autor Joseph Delaney, publicado pela Bertrand Brasil, segui para a leitura do segundo volume A Maldição, para que a leitura não caísse no esquecimento.

Tom continua seu treinamento para ser um caça feitiço, após a morte do irmão de seu mestre eles partem para uma cidade onde as trevas estão dominado através de uma criatura que habita as catacumbas, e o passado de Gregory ganha vida através de estórias que vem a tona. Ward terá que ir além de seu conhecimento e seus medos para salvar inocentes e esta grande ameaça que ganha força a cada dia!

Delaney segue com o mesmo estilo de escrita do primeiro livro da série, não melhorou e nem piorou do ponto de vista literário, apenas aprofundou a personalidade de seus personagens, especialmente sobre seus passados. Passamos a conhecer, por exemplo, o passado dos pais de Tom, e um pouco mais do passado de seu mestre. A história de seus pais, em especial sua mãe é interessante, mas ainda não está completa.

O livro já começa na ação com o jovem aprendiz lutando contra um ogro, e até o fim de suas páginas são poucos os momentos de tranquilidade na narrativa. Com voz mais ativa e frente a ameaças maiores Thomas tem menos tempo para aprender na teoria do que na prática, isto porque seu mestre está inicialmente se recuperando de uma doença, e depois se vê impossibilitado de lutar. Assim ele segue crescendo nas suas responsabilidades e atitudes, seguindo sua intuição.

Gregory, o mestre, não consegue seguir os caminhos que havia determinado para o jovem já que ele segue antes de mais nada aquilo que acredita ser certo, mesmo que para isso arrisque sua vida. A teimosia do aprendiz o desconcerta, mas ao mesmo tempo mostra o potencial que ele tem.

Alice, a jovem feiticeira que já acompanha Tom no primeiro livro é fundamental para o desenvolvimento da trama, ela representa com muita riqueza a famosa guerra interna entre fazer o certo e o errado, e no caso dela fazer o errado visando um resultado certo. Ela é uma personagem dúbia, mas que mostra ser fiel a quem ela gosta.


O Aprendiz - As Aventuras do Caça Feitiço #01 - Joseph Delaney


Aiai memória, têm momentos que ela deleta conteúdos sem ao menos perguntar se desejamos que aquele conteúdo se apagasse! Com isso lá se tinham ido minhas memórias de As Aventuras do Caça Feitiço - O Aprendiz, do autor Joseph Delaney, publicado pela Bertrand Brasil, e lá seguiu eu para releitura!

Sétimo filho de um sétimo filho, Thomas Ward, acabou como aprendiz do caça- feitiço. Assustado com um mundo que desconhece ele logo se depara com o sobrenatural, e acaba sendo testado a continuar em um emprego que deve permanecer mesmo quando tudo dá errado. Depois de um ato de inocência ele se vê diante de uma feiticeira, e com pouco conhecimento é obrigado a agir, e a conhecer seu novo lugar no mundo.

Uma das poucas coisas que me lembro da primeira leitura do livro foi que tinha adorado o livro, continuo com a mesma opinião sete anos depois. A narrativa em primeira pessoa de Delaney é muito envolvente já que é o jovem Thomas que conta suas experiências diante do desconhecido mundo de fantasmas, feiticeiras e ogros, seus sentimentos e emoções são muito vivas e espontâneas.

Thomas é um garoto muito jovem que se vê sem opção quanto a se tornar um aprendiz. É inocente e dono de um coração bom, que inclusive acaba por colocá-lo em situações ruins. Diante do perigo mesmo com poucos recursos ele segue tentando fazer o certo e combater as trevas, é muito determinado e protetor.

O caça feitiços, John Gregory, já ocupa a função faz muitos anos, e tem um passado marcado por uma luta constante contra as trevas, luta esta que fez com ele se tornasse um homem prático, objetivo e muitas vezes frio com as pessoas. Consegue perceber o talento do jovem Ward logo, mas sempre tenta fazê-lo aprender em todas as situações, com poucos ou raros elogios. Seu passado é repleto de eventos que Thomas aos poucos passa a conhecer.

Joseph utiliza para sua mitologia de criaturas uma referência mais clássica e bastante crua, como feiticeiras que usam ossos e sangue, ogros em diversos graus de violência e fantasmas que podem ser desde espíritos até apenas sombras. Gostei bastante do modo como ele escolheu para seus seres que são violentos, densos e das trevas, se diferenciando de livros atuais com abordagens mais simplistas ou leves.

Alice é um jovem de uma família de feiticeiras, e ao contrário do que possa parecer ela ainda não definiu a que lado ela pertence, e logo alterna atitudes boas e ruins. Esta personagem soa interessante já que aborda quanto um individuo pode receber influência do meio em que vive, mas ao final as escolhas que faz estão dentro delas, que podem ir além do que o ensinaram ou influenciaram.


Black Hammer #02: O Evento – Jeff Lemire, Dean Ormston, Dave Stewart & David Rubín

Depois que um grupo Super-Heróis composto pelos membros Menina de Ouro, Barbalien, Talky-Walky, Abraham Slam, Coronel Weird e Madame Libélula, salvou a metrópole Spiral City, acabaram ficando presos numa sinistra cidade que parece uma realidade paralela suspensa no tempo. Dez anos se passaram, mas eles ainda não sabem como ou porquê de isso ter acontecido, muito menos como encontrar uma maneira de escapar dessa cidade-prisão e voltarem para suas realidades.
Frustrados por terem que fingir viver existências normais, tediosas e forçadas, e sem entender como reverter a situação, há uma chama de esperança quando uma nova adição chega ao local. O problema é que ela ainda não sabe como foi parar ali exatamente, então como conseguiria ajudar aquelas outras pessoas? Será que assim eles conseguiram chegar mais perto da verdade ou esta é só mais uma maneira de ficarem mais confusos e desesperados?
Esse volume foi bastante interessante, e, para mim, ficou num nível semelhante ao primeiro. Há algumas revelações, mas nada muito esclarecedor. Pelo contrário, há uma complexidade em certas ações de algumas pessoas que nos fazem questionar mais coisas e desconfiar de outras, ainda que não tenham trazido respostas concretas ou esperançosas para nada. Porém, eu gostaria de mais explicações e também queria ter me sentido mais conectada ao que estava lendo. Então pensei que daria cinco casinhas de avaliação, mas se manteve em quatro mesmo, como o anterior.
Temos a chance de saber um pouco mais sobre os passados dos personagens e como eles foram parar ali. Gostei de conhecê-los ainda mais a fundo e sei que tenho minhas preferências, porém como eles ainda não foram completamente explorados, sinto que ainda posso me surpreender. 

Uma adição muito bem-vinda nesta continuação foi a Lucy, que é uma mulher maravilhosa, decidida e curiosa, que acaba explorando coisas que os outros não fizeram (ou pelo menos não soubemos se fizeram), nos fazendo questionar junto com ela sobre alguns pontos que vai desvendando. Mal posso esperar para ver como ela vai ser utilizada nas sequências, visto que agora terá um papel grandioso no time (o qual não vou comentar porque seria um spoiler imenso).
De qualquer forma, gostei de vê-la explorando a cidade e os detalhes que aconteciam ao seu redor, contando um pouquinho mais ao leitor sobre suas descobertas. Na minha opinião, principalmente por ela ter uma alma de jornalista é ainda mais bacana vê-la em ação.
Há um teor bem melancólico nessa trama, que muitas vezes também desperta tristeza em nós. Houve uma exploração maior de suas vidas, o que nos deixou mais próximos desses heróis como seres humanos, não pelos seus feitos em prol do bem da sociedade, mas as dificuldades ou alegrias que tinham em suas realidades sem uniforme e máscaras. Há temas importantes sendo explorados e gostei bastante de poder acompanhar esse lado. Só espero que todos encontrem um futuro melhor em suas vidas, de verdade.
O desfecho traz um grandioso cliffhanger, e a gente fica ansiosíssimo para saber o que vai acontecer em seguida e quais são as revelações que Lucy finalmente vai nos entregar. Quando me deparei com a última frase desta edição, quase tive um treco por saber que tenho que esperar até ter em mãos o próximo volume “Black Hammer #03: Era Da Destruição – Parte I”, que será publicado em maio por aqui. Sei que falta pouco, mas queria já tê-lo em mãos quando finalizei esse segundo exemplar. O pior é saber que a quarta obra só será publicada em novembro no exterior, ou seja, mesmo que chegue aqui no Brasil ainda este ano, vai demorar.


As Treze Relíquias - Michael Scott e Colette Freedman

Desde a primeira vez que vi a capa do livro As Treze Relíquias, dos autores Michael Scott e Colette Freedman, publicado pela editora Planeta, eu decidi que leria o livro, mas isso foi em 2013, e até esse ano eu não tinha o livro. A capa do livro, e até mesmo sua sinopse me fazia crer que o livro seria qualquer coisa menos a experiência que eu tive!

Na segunda guerra mundial algumas crianças foram enviadas para uma pequena cidade fugidas da guerra. Treze crianças de famílias e origens distintas compartilharam mais do que a lembrança depois que voltaram para suas casas, elas se tornaram treze guardiãs de artefatos poderosos e muito antigos. Muitas décadas depois os únicos a saberem dos artefatos eram eles, até que um a um eles começam a morrer de forma estranha e muito violenta. E a jovem Sarah Miller se vê envolvida nestas mortes e precisará correr contra o tempo não só para salvar estas pessoas como ao mundo!

Mesmo com minha sinopse mais honesta possível o livro ainda soa como uma fantasia onde o protagonista deve realizar alguma missão para salvar o mundo, e é muito normal imaginar isso, já que são inúmeros os livros que seguem esse esquema. Mas a narrativa destes autores é tudo menos épica! Desde o começo do livro até o fim dele é sangue e violência para todo o lado, as vezes eu me sentia em um filme trash, onde quanto mais vísceras aparecessem mais agradaria ao fã do gênero. O problema é que eu não esperava por essa minúcia de detalhes das mortes, da maldade dos que matavam, e a leitura foi uma experiência muito incômoda. E ouso dizer que parecia que os autores tinham prazer em narrar os requintes de crueldade dos personagens, e isso me enjoava, não soava apenas como descrição, mas como fascinação pelo ocorrido.

Narrado em terceira pessoa sob diversos pontos de vista o enfoque não é dado aos artefatos em si ou a mitologia que está por trás destes. Embora apareçam diversas explicações quanto a origem, inclusive de lembranças de quando elas foram criadas, o livro não se prende muito a elas, o que faz com que a fantasia seja mais limitada, e a trama seja muito realista e pesada.

Embora fale de situações passadas inicialmente com crianças não trata-se de um livro juvenil, são todos adultos que moram no Reino Unido, e boa parte da trama se passa em Londres e arredores.

Sarah Miller acaba envolvida nos crimes ao tentar ajudar uma das guardiãs, e é angustiante como uma série de acontecimentos na vida da jovem só a fazem ficar cada vez pior e cada vez mais suspeita. Não existe um momento de alivio, nem mesmo quando ela conhece o sobrinho da guardiã, Owen Walker, e eles passam a buscar juntos por uma solução.

Os vilões são divididos em dois grupos os matadores contratados pelo interessado nas relíquias, Skinner e Elliot que são pessoas asquerosas com um passado tão sujo quanto as mortes que realizam. E o casal que manipula magia e quer o poder que os artefatos possuem, outras pessoas das quais não tive prazer nenhum em conhecer!


Auggie & Eu - R. J. Palacio

Depois de me encantar com a história de Auggie, um menino de aparência incomum e de um enorme coração, resolvi ler esse novo livro da autora, pois traz a narrativa de Julian, Christopher e Charlotte, personagens da vida de Auggie, em três contos que relatam os encontros e desencontros com nosso querido extraordinário.
Esse volume não é uma continuação de “Extraordinário”, mas, sim, um livro que se passa no mesmo período, porém com outras narrativas. No primeiro conto, onde temos a visão de Julian, entendemos um pouco mais sobre o menino e sua família. Claro que nada justifica as atitudes que ele teve com o nosso protagonista, mas ao entendermos um pouco sobre sua história, vemos que a família tem uma grande parcela de culpa e que ele não é tão malvado como pensamos. Vemos também como ele aprendeu a lidar com as diferenças e conhecemos a história de sua avó durante o período nazista.
No segundo, encontramos a visão de Christopher, também conhecido como Plutão, melhor amigo de Auggie, que ele conheceu desde bebê. Nesse conto entendemos o motivo da separação dos dois amigos durante um tempo, sendo um enredo mais focado na amizade e nas dificuldades que a distância ocasionou. Vemos também um pouco sobre como Chris se sentia em relação ao nosso protagonista e a sua aparência.
No terceiro e último conto, temos a narrativa de Charlotte, uma das garotas que fez parte do grupo de boas-vindas a August Pullman. Ela é daquele tipo de menina que nunca fez nenhuma maldade com o nosso protagonista, sendo uma pessoa doce, porém também se mantém distante dele. Vemos também como ela queria fazer parte do grupo das populares, mas sempre se manteve fiel aos seus princípios. Através da sua narrativa, entendemos um pouco sobre como ela se sentiu ao ser deixada de lado. Esse conto não fala tanto de nosso protagonista extraordinário, mas, sim, sobre a importância da amizade e também aborda um pouco sobre essa questão da popularidade.
A escrita de R. J. Palacio continua deliciosa, nos prendendo em todos os momentos com muita suavidade e leveza. Essas são três histórias bem bacanas, que conseguem nos emocionar e conquistar, além de nos deixar vários ensinamentos.
Esses contos explicam um pouco sobre fatos importantes que tiveram que ficar de fora do livro “Extraordinário”, mas que a autora acha de suma importância todos ficarem sabendo, até para entendermos que toda história tem uma história por trás, e que as vezes nem tudo é o que aparenta ser.
Eu já sou uma grande fã de R. J. Palacio e fico triste em saber que ela não quer escrever uma continuação da trama de August Pullman, mas consigo entender perfeitamente bem os seus motivos, e acho bem bonito a sua explicação na entrevista que ela deu no início do livro, onde fala a respeito dessa decisão.