A Última Camélia - Sarah Jio


Eis aqui o exemplo de livro que a capa engana o leitor, A Última Camélia, da autora Sarah Jio, lançado pela editora Novo Conceito, parece ser um romance água com açúcar, mas não julgue o livro pela capa, porque não é sobre isso que essas páginas nos conta.

Flora, uma jovem americana sonha em trabalhar com as plantas, mas ela percebe que os negócios dos pais não vão bem, e decide aceitar uma proposta de trabalho na Inglaterra. O trabalho envolve trabalhar como babá na Mansão Livingston e descobrir onde está plantada uma camélia rara, muito cobiçada pelos comerciantes de flores. O que ela não esperava era se envolver com a família que perdeu recentemente sua matriarca. Sessenta anos depois Addison, uma paisagista vai parar com seu marido na mesma mansão, ele para se inspirar em seu romance novo, ela para fugir de seu passado que a persegue. Mas o que a estória de duas mulheres distantes tem em comum? O que esta Camélia rara vai fazer com a vida das duas nesta mansão tão repleta de tristeza e dor que esconde uma grande mistério?

A narrativa de Jio é feita em primeira pessoa com capítulos alternados entre Flora e Addison de forma muito emocional, já que ambas mulheres carregam uma forte carga emocional. Flora por deixar os pais nos EUA e estar traindo sua própria ética ao buscar a flor em uma casa com crianças que acabaram de perder a mãe, e Addison por sua adolescência marcada pela violência e morte que voltou a assombrá-la pelo homem que cometeu esses crimes.

Gostei especialmente de como a autora conseguiu narrar uma estória com um clima de mistério continuo. Todo mundo esconde algum acontecimento do passado que quer esquecer, e ao mesmo tempo seguir em frente. Até a última página ela consegue nos deixar presos a trama, sem entregar muito e ser previsível. Muito foi dito sobre os personagens, mas muito ainda poderia ser dito, e ao contrário do que poderia soar não fez falta, mas também não faria excesso, é uma narrativa equilibrada.

Flora é uma jovem muito doce e com muita empatia, quando conhece cada uma das crianças já decidiu em seu intimo seguir com a missão de ajudá-las e perde de vista a busca pela camélia. Ela consegue promover pequenas transformações nesta família, mas não consegue ficar em paz sem saber como estão seus pais do outro lado do oceano. Seu amor pelas plantas é uma das ligações com Addison no futuro.

Já Addison vive uma nova vida, com um novo nome, mas sem contar ao marido o que passou, assim ela vive todo tempo com medo do homem do passado que a ameaça, ao mesmo tempo em que quer se dedicar ao jardim da mansão. Seu maior problema é a falta de atitude, no passado sua passividade casou morte, no presente ameaça seu casamento.
O mistério central que perdura por todos estes anos que envolve a morte da matriarca, Lady Anna e a camélia rara é muito instigante e prende a atenção ao livro. Os links através do tempo são bem desenvolvidos, as vezes citados em um tempo e explicados em outro. Tudo transcorre de forma suave e pensada. O desfecho é muito bonito e trás uma mensagem de esperança.

Os personagens secundários como funcionários da mansão e as crianças, além do marido de Addison têm personalidades bem definidas e despertam atenção para suas características. Lady Anna é um mistério até o fim do livro, sua atmosfera misteriosa é presente, mesmo muito diferente das mulheres da sua época ela parece ter deixado a todos apaixonados por sua pessoa. A Sra. Dilloway é a governanta da casa e aparece nos dois tempos do livro, com muita culpa pelos atos cometidos ela pega como missão cuidar do jardim na ausência de Anna e também guardar seus segredos.

O lorde no passado e sua relação com o jardim e a camélia me lembrou um pouco do livro o Jardim Secreto, em ambos temos um homem amargurado e um jardim que marca sua tristeza, entretanto as semelhanças param por ai, já que as estórias caminham de maneira bem diferentes.

A Última Camélia é um livro breve, mas nem por isso menos impactante. Passado na época da segunda guerra consegue transmitir mistério, angústias e o terror que aquele momento teve ao mesmo tempo em que no presente trabalha com os fantasmas modernos. No fim sempre sabemos o que é certo, mas como a autora nos lembra o difícil é fazer, é transpor a teoria para a prática. O difícil é ter coragem de enfrentar os que nos oprimem e ameaçam, sejam com palavras ou atos. Mas uma vez que nos empoderemos de nós mesmos não há medo ou insegurança que irá perdurar!



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A Pequena Livraria dos Sonhos - Jenny Colgan

Existem livros que são compostos por ingredientes quase infalíveis, e para nós leitores arrisco dizer que um desses ingredientes são livros que falam sobre livros, sobre o amor que todos nós temos para com esses filhotes. Aliado a esse fato junta-se aos livros o Reino Unido, no caso Inglaterra e Escócia e temos A Pequena Livraria dos Sonhos que me conquistou antes mesmo do começo desta leitura! Escrito pela escocesa Jenny Colgan e publicado pela editora Arqueiro na sua nova coleção Romances de Hoje, este livrinho tinha tudo para me arrebatar!

Nina Redmond é feliz como bibliotecária, mas sua biblioteca vai fechar e seu emprego deixar de existir, sem saber como se adequar a nova demanda do mercado das poucas bibliotecas que restaram, após um treinamento ela parte em busca de realizar um sonho, e ter sua própria livraria. Um anúncio chama sua atenção e a ideia de uma livraria itinerante surge, mas a van que escolheu está na Escócia, nas Terras Altas, e uma viagem que era apenas para um compra muda completamente sua vida!

Eu gostaria de conseguir dizer em palavras o quanto foi gostoso e gratificante a leitura deste livro, mas talvez ele tenha me feito tão bem pelas diversas identificações que gerou em mim. A narrativa de Colgan é bastante fluida e cativante, ao mesmo tempo em que ela atribui adjetivos a lugares, pessoas e situações a autora não impede que a estória siga. Além de definitivamente saber o que é amor pelos livros elevado ao cubo, já que a protagonista Nina é obcecada por livros ao ponto de ser intimada pela sua companheira de casa a tirar os livros da casa com medo que o segundo andar da casa desabe de tantos livros!

Impossível não criar identificação com Nina, leitura assídua que se isolou do mundo e das pessoas para passar todo seu tempo livre lendo. Os livros são sua defesa, seu felicidade, e sempre eram resultado para tudo em sua vida. Quando ela se vê obrigada a interagir com as pessoas além da rotina da biblioteca, Nina também começa a se descobrir, saber do que gosta, o que sonha e espera de sua vida, o que antes era só rotina, depois se tornou uma aventura cheia de novas experiências.

Lennox o dono do celeiro que Nina aluga é o típico cara que passou por um tristeza, se fechou e ainda é rabugento e cheio de manias. Ele é presença constante nas cenas, e muitas vezes criador de grandes tensões na vida da livreira. Seu amor por seu animais é encantador, e sua dedicação para que a fazenda da família siga adiante também. A melhor amiga de Nina,  e sua companheira de casa em Birmingham, Surinder, é quem sempre tenta puxá-la para a realidade, para fora dos livros e da fantasia. É uma personagem divertida e sincera.

Boa parte da trama se passa em um vilarejo nas Terras Altas da Escócia, e imaginar aquele lugar lindo e cheio de tradição traz muita magia ao livro. Cada personagem é explorado para trazer toda a identidade do local, seus costumes desde os seus trabalhos em fazendas até festas e alimentação. Eu fui me apaixonando pela pequena vila junto da personagem que se deslumbra com as paisagens, seus animais, plantas e moradores.

Existe um pouco de romance na trama, sim, mas de uma forma um pouco diferenciada, já que os pretendentes mudam, e não seguem o padrão esperado de mocinhos. A situação em que Nina conhece o primeiro homem é bastante diferente e inesperada. O segundo já segue o padrão mais clichê, e alvo da minha única reclamação do livro, quando ela muda de pretendente as coisas se desenrolam um pouco rápidas demais, mesmo que o livro não tenha como foco principal a vida amorosa da moça um pouco mais de tempo seria bem vindo na relação.

Colgan ainda trabalha na trama com um dupla de crianças que moram no vilarejo e demonstram problemas familiares. É um núcleo triste e que fez com que Nina se envolvesse mais ainda com o lugar que passou a morar, e também mostrou a união das pessoas que moram neste local tão distante.

A Pequena Livraria dos Sonhos é uma estória para aquecer o coração, também é sobre mudanças e coragem. Sobre como refazer toda sua vida quando ela te dá uma rasteira, e como partir atrás de seus sonhos mesmo quando sucessivas quedas acontecem. Mas acima de tudo é uma estória sobre amor aos livros!

Acabou de sair o segundo livro da autora pela Arqueiro, A Padaria dos Finais Felizes, e mais uma vez ela vai me acertar em cheio quando escolheu comida para pano de fundo de sua trama!


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Era Uma vez Uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha - Liudmila Petruchévskaia


Acredito que conhecer um pouco sobre a vida e a origem dos autores dos livros muitas vezes ajuda muito a compreender as narrativas e intuitos destes autores. Saber que a autora Liudmila Petruchévskaia é russa e passou pelo regime soviético fez toda diferença para compreender seus contos em Era Uma vez Uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha, publicado pela Companhia das Letras.

O livro é composto por quatro partes, Canções dos Eslavos do Leste, Alegorias, Réquiens e Contos de Fadas, onde os vinte e um contos estão dispostos. Não fica muito claro porque dessa divisão, assim como muitas coisas na escrita de Liudmila que é crua, direta e que causa grande estranhamento na leitura.

Algumas características são comuns a quase todos os contos como começos impactantes que já revelam informações sem floreios do que veio tratar a estória, como, por exemplo, o conto O Milagre, que começa: " Uma Mulher tinha um filho que se enforcou", ou como em  A Casa da Fonte "Uma vez, uma menina foi morta, mas depois foi ressuscitada". Esse tipo de começo já causa grande desconforto e impacto na leitura onde você passa a esperar qualquer situação depois do início já azarado. E mesmo com uma revelação incomum logo na abertura muitas vezes a estória que se segue soa bastante comum, e o estranho sem mostra nos detalhes, ou até na última frase.

Outra característica bastante frequente foram as críticas ao regime soviético, explorado por diversos ângulos e através de diversas estórias diferentes, a  pobreza, as doenças e a fome estão praticamente em todos os relatos, como se fossem uma sina que ninguém e em parte alguma consegue escapar.

Por fim é preciso frisar que nenhum conto é de fácil assimilação, a dificuldade na compreensão do sentido dos contos é marca constante da narrativa de Petruchévskaia, e não foi uma, nem duas as vezes em que voltei a leitura para tentar compreender se não tinha perdido algum trecho que explicasse o que não compreendi. Talvez essa dificuldade venha pela tradução de uma língua tão diferente do português, talvez seja o modo que a autora escolheu escrever para dizer aquilo que não podia ser dito em seu país (o livro foi banido na União Soviética), ou talvez nenhuma das alternativas se mostrem válidas, e esse seja o estilo dela apenas.

Mas o fato é que eu compreendia as reflexões e críticas que a autora queria transmitir com sua estórias, mas não gostei da forma como ela escolheu realizar seu objetivo, afinal quando você cria uma comunicação é preciso que o receptor compreenda a mensagem, caso contrário ela fica perdida e sem sentido. Com isso não espero simplicidade ou pobreza na escrita, apenas mais acessibilidade, mesmo porque a autora é simples na escrita, não trabalha com metáforas ou frases de difícil compreensão, eu diria que seus contos até parecem escritos por adolescente, a dificuldade está no que não está explícito.

Embora os contos sejam vendidos como de terror aqui não são como de Poe ou Lovecraft que surgem e que muitos estão acostumados, são sim de terror no sentido de mostrar o pior do ser humano, o que eles fazem a si mesmos, seus lados sombrios diante das provações da vida. Os fantasmas são figuras constantes, mas não são evocados como figuras sobrenaturais, são como  qualquer outro integrante da trama, estão ali como uma árvore está no jardim, e fazem o que é esperado deles, sem surpresa.

Era Uma Vez uma Mulher que tentou Matar o Bebê da Vizinha, é uma experiência diferente da maioria do que existe no mercado, e embora tenha me feito querer parar muitas vezes e até me irritar de alguma forma também me acrescentou durante sua leitura. Foi uma leitura de extremos que em algum momento deve entrar nas suas leituras, porque embora tenha seus problemas também trabalha questões importantes em tempos como os nossos onde os indivíduos não se atentam a realidade dos lugares que desenvolveram modos de governar com ideias que pareciam boas, mas que acabaram com muitas vidas!


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Escritora de Romance e... Virgem – Meghan Quinn

Rosie Bloom viveu a infância e a adolescência basicamente em casa, onde estudava, devido aos pais conservadores. Ou seja, além de não ter tanto contato com o mundo exterior, eles não conversavam sobre coisas necessárias como sexo. Amante de livros de Romance (principalmente depois de conhecer os de banca que a mãe lia), ela decide escrever os seus próprios. Porém, as coisas não saem como esperado porque ela usa termos como Roseira Macia ou Jardim Mágico para descrever certas partes femininas.
Frustrada com a situação e depois de receber conselhos dos melhores amigos, ela decide embarcar em situações reais em busca de experiência. E também para perder a virgindade no processo e saber as sensações para escrever em seu livro. Por conta disso, decide sair em encontros com os mais diversos homens e passa por experiências no mínimo inusitadas e simplesmente HILÁRIAS!
Quando a @editoracharme anunciou a publicação desse livro dizendo que o leitor passaria vergonha de tanto rir, eu estava curiosa porque é difícil uma obra me fazer rir assim. Mas Meghan Quinn conseguiu! Foram vários os momentos em que me peguei gargalhando com a ingenuidade, os aprendizados e as situações estranhas que Rosie vivia. Se você quer uma obra para se divertir, definitivamente acabou de achar!
Rosie é maravilhosa! Adorei a personagem e seu jeitinho de ser. Também curti sua melhor amiga, os gatos doidos do local de trabalho e até mesmo alguns dos homens com quem ela saiu. O único ponto que não curti foi a construção do interesse amoroso de Rosie. Não gostei de Henry em diversos momentos e o final ainda trouxe um lado decepcionante. O bom é que o casal só foi desenvolvido no fim.






Respire Fundo – Camila Marciano

Quando li a sinopse desse livro pela primeira vez, fiquei bastante curiosa para conhecer um pouco mais da história, que parecia me trazer uma protagonista forte e determinada que conseguia enfrentar várias adversidades e ainda manter a cabeça erguida.
Quando comecei a ler a obra, vi que era exatamente o que eu estava esperando. Nossa protagonista Andréia construiu um grande patrimônio com a ajuda de seu pai e com muito trabalho duro, mas, após se casar, acaba perdendo tudo para o ex-marido no divórcio por conta de um detalhe no contrato. Então ela precisou começar do zero novamente e aceitava todos os trabalhos possíveis para conseguir sustentar sua filha. Com muitos percalços no caminho, Andréia trabalha em diversos lugares até conseguir o cargo de diretora executiva na Castro Arquitetura.
E é nesse novo emprego que ela conhece Bento, um arquiteto premiado, herdeiro da empresa do pai, que é um péssimo administrador. Com a chegada da nova diretora executiva, ele vê sua vida mudar completamente, não só no quesito profissional, mas também na vida pessoal, pois Andréia consegue mexer com ele de um jeito que ninguém nunca conseguiu.
Aos poucos vamos vendo a relação dos dois e como ele vai entendendo nossa protagonista, que, apesar de ter muitas cicatrizes por conta do seu relacionamento anterior, é uma mulher forte e determinada, que dá volta por cima. Amei acompanhar o desenvolvimento dos dois, e me peguei torcendo por ambos em vários momentos, individualmente e juntos.




Matilda - Roald Dahl


Existem alguns filmes da sessão da tarde que marcam, já que passamos tanto tempo os revendo diversas vezes, esse é o caso do filme Matilda, eu já vi tantas vezes e tenho um enorme carinho por ele. O que eu não sabia era que ele era baseado em um livro, e quando eu soube foi instantâneo querer lê-lo. Assim foi com muita satisfação que li Matilda, escrito por Roald Dahl, publicado pela Martins Fontes.

Matilda ainda era muito pequena quando aprendeu a ler sozinha e descobriu o mundo dos livros, e com eles sua inteligência se expandiu junto a muitos questionamentos. Ela percebe que os pais não são como o esperado, e na escola a diretora é terrível, para sobreviver a esses desafios ela age de forma corajosa com suas travessuras para dar lições aos adultos. Uma pequena menina, mas com grande talento, esta garotinha marca a todos que conhece!

Sempre me surpreendo como livros infanto-juvenis com simplicidade e criatividade tratam de temas tão importantes e profundos. A estória de Matilda poderia ser muito triste, na verdade é por muito tempo, mas Dahl consegue com muita perspicácia em sua narrativa em terceira pessoa mostrar como uma criança pequena com uma inteligência fora do comum consegue lidar com um meio ambiente tão opressivo, isso porque seus pais não gostam dela, a maltratam todo tempo, e depois na escola a diretora é cruel com as crianças, incluindo a garotinha.

Matilda tem apenas cinco anos na maior parte do livro, mas poderia ser dezoito anos ou mais pela maturidade que ela desenvolve diante de tanta leitura que ela faz, inclusive com diversas referências a autores e livros. Mesmo com tanta inteligência ela ainda tem a inocência da idade, sendo contra injustiças e maldades, e fazendo justiça com suas próprias mãos. As situações que ela trama para dar lições aos pais são excelentes!

Na escola ela faz amizade facilmente, e logo mostra todo seu talento chamando atenção de sua professora a Senhorita Mel, uma jovem docente que tenta ajudar a menina. É muito bonita e sutil a ligação desta dupla, e como uma relação de confiança se estabelece mesmo com a diferença de idade.

A Sra. Taurino é horrível! Eu passava nervoso com ela no filme, mas no livro ela parece pior ainda em suas falas! E mesmo sabendo qual seria o destino dela, eu torcia para que ele chegasse logo para vê-la tendo o que merece! Essa senhora é maldosa e além das coisas ruins que falava para as crianças ainda batia nelas (Hoje em dia os defensores do politicamente correto vetariam o livro, rs !).

O livro é repleto de ilustrações que ajudam a imaginar as cenas, mesmo para aqueles que já viram no filme. A Matilda do livro parece ser mais engraçadinha do que a do filme, mas a Sra. Taurino é idêntica no seu visual, e achei incrível como conseguiram reproduzir a personagem! Quanto ao filme, o livro está todo no filme, mas o filme têm mais cenas do que o livro, sendo  muito fiel quanto as personalidades dos personagens. O final é ligeiramente diferente, mas não compromete o sentido geral. Agora após a leitura eu acho o filme uma ótima adaptação, e me deu até vontade de vê-lo após a leitura para fazer um check.


Onde Mora o Coração – Jill Shalvis

Willa Davis teve uma infância e adolescência difíceis por conta da mãe alcoólatra e passagens por vários orfanatos e lares adotivos. Mesmo assim, conseguiu se erguer na vida, sempre conservando o bom humor e fazendo de tudo para ajudar o próximo. Além disso, ela é muito inteligente e sabe transformar oportunidades em negócios. É dona do Pet Shop Companhia do Latido, que tem uma clientela fiel, e ela adora o que faz. Só há uma coisa em sua vida que sente falta: o amor. E é por isso que sempre faz pedidos para uma fonte de desejos esperando encontrar alguém especial.

O que ela não esperava é que Keane Winters, responsável por partir seu coração na adolescência, fosse aparecer em sua loja para pedir que ela cuidasse de uma gata que a tia doente deixou sob seus cuidados. Willa fica abalada com a situação, mas ele nem mesmo se lembra da existência dela!

Mesmo sem desejar relacionamentos no momento, Keane acaba se interessando por Willa, mas percebe que há algo que ela está escondendo dele. E a química que eles têm solta faíscas. Quando passam a se conhecer melhor, Willa percebe que Keane é mais do que aquele adolescente que a fez sofrer. E o interesse mútuo começa. Porém, ambos não acreditam que estejam preparados para se envolver dessa maneira com alguém. Mas talvez o coração tenha mais razão do que a própria razão.

Ainda não conhecia a autora, mas adoro os livros que a Faro Editorial publica, então antes mesmo de ler a sinopse já o coloquei na minha lista de desejados. Depois de ler várias resenhas positivas e ter certeza de que era o tipo de obra que gosto, fiquei muito empolgada para lê-la o quanto antes e passei na frente na minha lista de leituras. E realmente adorei!






Lendário – Caraval #02 – Stephanie Garber

Esse é o segundo volume da série Caraval, publicada pela @novo_conceito, e começa na manhã seguinte em que o primeiro livro termina. Porém, diferentemente do volume anterior, que foi focado em Scarlett, a primeira das irmãs Dragna, nessa obra vamos acompanhar o ponto de vista de Donatella e suas aventuras.
O Caraval geralmente só acontece uma vez por ano, mas, uma semana após o término do último, foi anunciado que um novo jogo iria ser feito. E quando Tella recebe uma carta de um desconhecido que diz ter informações sobre sua mãe desaparecida, acaba fazendo um acordo para poder encontrá-la. Para isso, precisa descobrir o verdadeiro nome do Mestre Lenda, e, de acordo com algumas informações, esse vai ser o prêmio para quem vencer o jogo deste ano.

Tella então entra novamente no mundo do Caraval, só que dessa vez está correndo mais riscos do que antes. A sua vida e a segurança da sua irmã estão em jogo, e, mesmo fazendo barganhas para manter Scarlett e a si própria a salvo, se ela não conseguir vencer ambas estarão perdidas. Mesmo que ela já tenha enfrentado esse mundo mágico e sabendo que dessa vez precisará dar ainda mais de si para conseguir ser a vencedora no final, ela acaba entrando no caminho de alguém muito importante e isso pode custar muito caro.



O Construtor de Pontes - Markus Zusak

Diretamente da série "eu não imaginava que o livro era assim" veio a leitura do livro O Construtor de Pontes, do autor australiano Markus Zusak, publicado pela editora Intrínseca, já que o livro não foi nada o que eu esperava, ou sequer imaginava!



Após a morte da mãe, os irmãos Dunbar seguem suas vidas como uma matilha de lobos, com suas próprias regras e comportamentos. Um dia eles se veem diante daquele que gerou uma de suas maiores dores, e com um pedido de ajuda para construir uma ponte. A resposta a esse pedido gera desequilíbrio entre eles, e é para narrar o que aconteceu a eles que o primogênito, Matthew, resolve compartilhar suas memórias e a de seus pais.

Acho que pela experiência de leitura que tive com A menina que Roubava Livros eu tinha em mente que a narrativa desse livro seria de alguma forma próxima, mas Zusak não seguiu os mesmos caminhos que seu livro anterior. Narrado em primeira pessoa através do irmão mais velho Matthew que passa a ser um narrador onisciente, conhecemos em detalhes toda a saga da família Dunbar, que começa com Matthew mais velho, mas que alterna entre o passado de seus pais e o momento em que o pai deles aparece na casa dos filhos para pedir ajuda para construir uma ponte no local em que mora. O enfoque sempre tenta ser no irmão Clay que é tido como o mais diferente.

Os primeiros capítulos do livro é focado apenas nos irmãos, e tem bastante testosterona, com uma narrativa mais direta e agressiva, já que estes irmãos carecem de delicadeza e educação, sendo agressivos uns com os outros e com os que estão próximos. Essas primeiras páginas pareciam prerrogativa de um livro que não ia me agradar, mas aos poucos com o primeiro capítulo dedicado a mãe, Penélope, a narrativa vai ganhando sentimento e densidade, e saindo da crueza inicial.

Após se acostumar ao modo de ser dos irmãos o leitor começa a criar laços com os meninos que têm suas próprias características, Matthew parece ser o mais sério já que com apenas dezoito anos acabou com a responsabilidade de criar os irmãos mais novos, e o fez de maneira não muito tradicional. Rory é o mais rebelde desde muito pequeno, Henry têm maus bocados após suas bebedeiras, Clay é um jovem introvertido que tem um mundo gigante dentro de si, por fim Tommy o mais novo é quem me despertou mais afinidade com seus inúmeros animais que incluem uma cachorra, um gato, um pombo, um peixe e uma mula.

Penélope a mãe tem uma personalidade muito jovial, é uma estrangeira na Austrália, que estava determinada a vencer já que era um desejo de seu pai. Seu amor pelo piano é um fio condutor que manteve entre os filhos, e seu modo de agir com eles não era dos mais comuns. Michael o pai despertou muita empatia, mesmo quando ainda não tinha ficado clara sua culpa na trama, ele é um homem muito sensível que não sabe lidar com suas perdas.


O Fantasma da Ópera – Gaston Leroux

Na Ópera de Paris, o assunto mais abordado do momento é o Fantasma da Ópera, responsável por diversos acontecimentos estranhos e inexplicáveis, sendo alguns deles até mesmo fatais. Uma nova direção assume o cargo, mas não acredita em nenhum dos rumores que estão sendo espalhados. Até começarem a receber bilhetes assinados pelo próprio Fantasma e as mais diversas ameaças se concretizam quando ele é contrariado, trazendo graves consequências.
Enquanto o Fantasma, que habita os porões do local, continua arquitetando trotes para ter tudo o que quer, se encanta pela bela cantora Christine Daaé. Querendo torná-la sua, ele usa de muitos artifícios, inclusive seu próprio dom para a música, até mesmo sequestrando-a e a levando para seu mundo subterrâneo. Mas há alguém no mundo que a ama mais do que qualquer coisa, Raoul, o visconde de Chagny, que não vai desistir até encontrá-la, nem que isso custe a própria vida.

Esse Clássico não era a minha prioridade de leitura, mas com essa Edição Comentada da Coleção #ClassicosZahar, precisei passá-lo na frente. E adorei a experiência! Inicialmente, a narrativa é maçante (o que volta a ocorrer depois), mas, conforme adentramos mais as páginas e conhecemos melhor os acontecimentos relacionados ao Fantasma da Ópera, mais instigadas vamos ficando para descobrir quem está por trás de tudo aquilo, o que o levou a agir como tal, e a grande questão: como ele faz o que faz.





Grandes Homens do Meu Tempo - Winston S. Churchill

Nesta obra, Churchill apresenta pequenas biografias com suas impressões de homens contemporâneos de sua época, figuras de liderança do final do Século XIX e início do Século XX, os quais, em sua maioria, conheceu pessoalmente.
Ele escreveu esses trinta ensaios no final da década de 1920 e durante a década de 1930 (a 1ª edição trazia 21, e, devido ao sucesso, os demais foram escritos e posteriormente acrescentados na 2ª edição), antes mesmo de se tornar primeiro-ministro. E por meio deles podemos conhecer um pouco mais o modo de pensar de Churchill, que nos apresenta os perfis desses homens tão importantes, concordando ou discordando de suas ideias, ao mesmo tempo em que expõe seus próprios valores e crenças.
Alguns dos nomes presentes nesse exemplar eu já conhecia, como, por exemplo, Adolf Hitler, Rei George V, Leon Trótski, H.G. Wells, Charlie Chaplin e Rudyard Kipling, etc. Outros eu conhecia um pouco, mas não associava a história à pessoa por traz dela. Enquanto os demais eram inéditos para mim. Gostei bastante de ter acesso a esse material e entender um pouco mais sobre esses homens e também os cenários em que viveram, assim como o momento histórico.
Sir Winston S. Churchill foi o primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial e ganhou grande destaque no mundo, sendo eleito o maior britânico de todos os tempos. Vencedor do Nobel de Literatura pela obra “Memórias da Segunda Guerra Mundial”, ele é o único primeiro-ministro britânico a ter recebido o prêmio.





Ikigai - Os Segredos dos Japoneses para uma vida longa e feliz - Héctor García e Francesc Miralles

Desde muito pequena eu sempre tive muita afinidade com a cultura japonesa, e a medida que eu fui crescendo essa afinidade foi crescendo por pontos em comum que temos. Um dia espero poder conhecer esse lugar incrível que é o Japão, enquanto isso não acontece eu vou pesquisando pelas bordas o modo de ser desse povo que compartilha os olhos puxados comigo (os meus são da Lituânia =P!). Para tanto não resisti a leitura de Ikigai - Os Segredos dos Japoneses para uma vida longa e feliz, dos autores Héctor García e Francesc Miralles, pela editora Intrínseca.

Após um encontro em uma noite chuvosa em Tóquio entre os autores e posteriores conversas eles se pegaram questionando qual o sentido da vida? Por que existem pessoas que sabem qual são seus caminhos e os seguem felizes, enquanto outras vivem na confusão? No meio dessa reflexão o termo Ikigai surgiu, e uma jornada para uma ilha conhecida pela sua longevidade estava prestes a ter início.

Ikigai é um conceito japonês que pode ser definido como "a felicidade de estar sempre ocupado". Para os autores isso explica a extraordinária longevidade da população de Okinawa por exemplo, que está entre os locais considerados de zona azul, ou seja, com grande concentração de centenários.

Para explorar a fórmula utilizada por essa população García e Miralles exploraram diversos conceitos, técnicas e comportamentos que auxiliam tanto no aumento da expectativa de vida, quanto melhoram a qualidade de vida uma vez que você pode encontrar um sentido para vida que vá além de seguir o rebanho.

Sem sombra de dúvida manter a mente ativa torna seu corpo mais jovem, já que desafiar seu cérebro a novos aprendizados sempre o força a criar novas conexões cerebrais se revitalizando. Logo não tenha medo da ansiedade perante o novo e saia de sua zona de conforto sempre, seja lendo livros fora do costume, realizando atividades nunca feitas antes e etc.

E no lado oposto é fato afirmar que o maior vilão da vida longa é o estresse, isso porque o corpo reage ao estresse da mesma forma que reage a doenças, gerando uma resposta imunológica, o que gera danos em células saudáveis e resulta em envelhecimento precoce. Para melhorar as respostas ao estresse os autores enumeram diversas sugestões. Outros fatores também são explorados como dormir bem, atividades físicas e alimentação.

Uma parte muito interessante são alguns relatos de pessoas que passaram dos cem anos, e o que elas acreditam que fizeram para chegar tão longe. O bom humor certamente é um ingrediente nesta fórmula que pode parecer evidente, mas tem forte carga genética também, afinal uma das senhoras que morreu com 122 anos parou de fumar com 120 anos, e médico algum poderia explicar uma vida tão longa de vício!

A logoterapia é uma abordagem na psicologia que tem como objetivo buscar o sentido da vida, por isso ela ganha um capítulo inteiro onde é inclusive comparada a psicanálise. Particularmente achei a técnica interessante, mas não possível para todas as pessoas. Talvez fosse interessante depois de alguns anos de análise, já que a logoterapia não trabalha com traumas e questões do passado que não podem ser deixadas de lado em um tratamento.

Foi em Ogimi, uma aldeia de Okinawa que maior parte da pesquisa se ateve, depois de alguns dias acompanhando esses centenários no seu dia a dia, os autores analisam tradições e lemas desta população. É uma comunidade muito unida que têm diversos grupos em que todos participam e se ajudam, assim ninguém passa seus dias em casa contemplado o jornal, ao contrário, são pessoas que embora sua idade seja avançada se levantam cedo, cuidam de suas hortas, andam de bicicleta, participam de atividades variadas e não se limitam pela idade. Todos tem sua missão e objetivo.



E Se Fosse a Gente? - Becky Albertalli & Adam Silvera

E se o Universo der um empurrão para você conhecer alguém especial? Pode ser num dia qualquer quando menos espera, na porta dos Correios. Pelo menos foi o que houve com Arthur e Ben, que queria enviar uma caixa de término para o ex-namorado.
Eles se encontram numa agência e depois de conversar notam que têm química, mas um Flash Mob acontece e eles se separam sem trocar nomes ou contatos. Sem conseguir para de pensar um do outro, Arthur toma uma providência e ajuda o Universo.
Então eles embarcam em encontros com referências e bom humor. Mas será que ambos estão preparados para viver um amor ou a amizade pode falar mais alto?
Como já li todos os livros Becky Albertalli e Com Amor, Simon é um dos meus YA favoritos (tão fofo! ️), estava empolgada para ler essa obra, escrita em coautoria com Adam Silvera, que ainda não tinha tido a oportunidade de ler.
A narrativa em 1ª pessoa com capítulos alternados entre os 2 protagonistas dá a oportunidade de conhecer suas perspectivas da história, o desenvolvimento individual de cada um, e seus sentimentos. O mais bacana é que cada autor ficou responsável por um dos pontos de vista e dá para notar quem narra cada um.
Confesso que gostei MUITO mais do Arthur. Tanto por conta de sua personalidade ingênua e fofa quanto pela forma de ver a vida. Ben me incomodou em diversos momentos, principalmente por SEMPRE comparar Arthur ao ex-namorado (fez isso do começo ao fim!) e ser bem repetitivo. Também não curti suas atitudes no final.




Mister - E.L. James

Ainda não li “Cinquenta Tons de Cinza”, obra mais famosa dessa autora, mas sempre tive vontade de conhecer sua escrita. Por esse motivo, resolvi começar por Mister. Nessa história conhecemos Maxim Trevelyan, um inglês rico, bonito e mulherengo, que nunca precisou trabalhar. Sempre teve uma vida bem fácil, porém tudo muda quando seu irmão acaba morrendo repentinamente em um acidente, e, com isso, ele recebe de herança o título de duque, fortuna, propriedades da família e todas as reponsabilidades que vem junto com o título de nobreza, sendo um papel que ele não estava preparado para desempenhar.
Conhecemos também Alessia, uma jovem inteligente e misteriosa, que fugiu da Albânia para morar em Londres e trabalhar como diarista. Discreta e tímida, ela é muito sedutora e logo de início já encanta o nosso protagonista.
Duas pessoas totalmente diferentes, de classes e histórias de vida que são quase que opostos, mas que aos poucos vão se conhecendo e compartilhando um pouco do mundo de cada um. Quando Alessia percebe que o seu passado ainda está atrás dela, se sente em perigo o tempo todo, e nosso protagonista se sente obrigado a ajudar, mesmo sem saber sobre.
Esse livro tem aquelas cenas mais hots, porém também é romântico e cheio de reviravoltas que não deixam a trama ficar parada. A narrativa foi realizada de duas formas, em primeira e terceira pessoa, o que, no meu ponto de vista, foi bem legal, pois consegui entender melhor nosso protagonista e de uma forma mais ampla a história da Alessia. 






Para Toda Eternidade - Caitlin Doughty

Até o começo do século passado o lugar da morte na sociedade era dentro das casas e em família, com o passar do tempo e com o avanço dos hospitais ela passou a ser vista como contagiosa e a ser isolada das pessoas que passaram a cada dia lidar menos com a mesma. A morte é a única certeza em nossas vidas, e mesmo assim desperta surpresa quando acontece. Para Toda Eternidade, da querida Caitlin Doughty, publicado pela Darkside Books, trabalha com este tema espinhoso e com uma visão de como ele é tratado ao redor do globo.

Depois de trabalhar por alguns anos em um crematório, Caitlin abriu sua própria agência funerária, com uma visão própria sobre o processo ela é vista como alguém não grato para os grandes negócios da indústria da morte. E com o objetivo de mudar a compreensão sobre a morte Doughty viajou para diversas partes do mundo para testemunhar como a morte é tratada em outras culturas. Não existe um modo  já determinado de fazer e entender a morte. O objetivo foi ainda através de seus relatos ajudar as pessoas a resgatar o significado e a tradição das comunidades.

Nos Estados Unidos uma vez que o indivíduo morra existe um roteiro a ser seguido, um caixão a ser comprado, uma funerária a ser contratada e poucas opções a ser escolhida: cremado ou enterrado, embalsamado ou não. Qualquer coisa como cremação em uma pira ou preparação do corpo pela família foge as regras, e é praticamente proibido e mal visto, isso porque muito dinheiro é ganho com todos estes detalhes, e essa indústria não quer abrir mão deles.

Caitlin nunca concordou com esse ponto de vista e através de seus estudos percebeu que este comportamento é da sociedade moderna e que não é uma regra pelo mundo. Ela não citou, mas sinto que o Brasil embora siga muitas das etapas americanas ainda deixa seus mortos muito mais próximos de suas famílias em seus velórios, por exemplo. Partindo para locais onde a relação com os mortos é oposto, ou diria radicalmente diferente da americana, a autora conseguiu transmitir com riqueza de detalhes quanto é importante que a família vivencie seu luto com a mão na massa, e que não terceirize todo o processo, já que não estar presente pode criar uma ilusão de que a morte não aconteceu. A morte não é uma vergonha e não é algo que deva ser escondido, é sim parte inevitável e certa do ciclo da vida, e quanto mais o ser humano lidar com ela, melhor suas chances de ter uma vida boa!

Ainda que aberta para o que estava por vir, e conhecendo superficialmente a tradição, conhecer em detalhes a tradição da Indonésia, em Tana Toranja durante o ma'nene' é uma leitura impactante. Nunca se está preparado para ler que famílias inteiras desenterram seus mortos para passar seu tempo com eles, sim, eles a cada tempo escolhem seus familiares que cuidadosamente trocam de roupa, e chegam até a tirar fotos com eles. Como se isso não fosse estranho o suficiente existe o relato de um homem que passou anos de sua infância dividindo a cama com o avô morto. Isso que é lidar bem com a morte!

Já na Carolina do Norte uma universidade tem algo que podemos chamar de fazenda de ossos. Para estudos forenses eles deixam cadáveres 'jogados' pelas matas para que eles se decomponham de diversas formas que depois são investigadas, no mesmo local também estão sendo feitos testes de enterros naturais que visam que até os ossos se decomponham em curto período sendo assimilados totalmente pela terra. É um projeto muito interessante já que tanto enterros quanto cremações deixam resíduos tóxicos no ambiente.

No México o dia dos mortos já é bem conhecido pela proximidade que as famílias têm nos cemitérios onde seus parentes estão enterrados. Já na Espanha é permitido que as famílias passem dias inteiros com seus mortos desde que eles estejam locais como 'estuque de vidro', é muito similar aos velórios brasileiros, mas sem que ninguém toque no morto.

O Japão têm uma ritualística mais  profunda com a morte, na cremação, por exemplo, ao contrário do que acontece na América, o corpo não é queimado até restar quase nada, lá os ossos são deixados e depois separados pelas famílias. é um ritual que as mesmas realizam e ajudam na assimilação da morte. O país é o que mais crema seus mortos, e têm diversas inovações quanto ao modo de guardar o que resta deles, assim como de fazer velórios em locais que parecem hotéis.

Por fim, outra cultura que chamou atenção foi na Bolívia com suas ñanitas, que são cabeças sejam apenas no osso sejam cabeças mumificadas que alguns moradores têm e que podem realizar pedidos. Em novembro é realizada a fiesta de las Ñanitas, onde os donos podem exibir suas cabeças e até pedir benção de padres.

Caitlin tem uma maneira peculiar de ver a morte, quase tudo é normal e aceitável desde que tenha significado, mas ao mesmo tempo que ela parece aberta a tudo ela têm momentos engraçados quando é convidada a tirar fotos com um morto na Indonésia, afinal o limite de bizarrice existe. Não conheço alguém que ao mesmo tempo que respeite leve a morte com tanta naturalidade no seu manejo. Ela é engraçada e leve, é envolvida nos processos e quer transformar não só a indústria, mas o modo com as pessoas lidam com a morte.



Reinações de Monteiro Lobato: Uma Biografia - Marisa Lajolo & Lilia Moritz Schwarcz

A maioria dos brasileiros já ouviu falar sobre Monteiro Lobato e/ou uma de suas criações. Isso porque ele é o criador de alguns dos personagens literários mais famosos do Brasil: Emília, Narizinho, Tia Nastácia, Dona Benta, Visconde de Sabugosa, etc. Algumas pessoas leram essas histórias quando crianças, outras acompanharam as adaptações que passaram na TV, e há aquelas que apenas ouviram falar deles. Independente de que grupo você se encaixa, o famoso Sítio do Picapau Amarelo fez muito sucesso sendo parte do lar de milhares de brasileiros.
Agora é nossa vez de conhecer melhor a pessoa por trás das criações. E nessa biografia ilustrada escrita diretamente para o público infantil, temos a chance de saber sobre a vida e os pensamentos do autor narrados por ele mesmo!
Li algumas historinhas quando criança e acompanhei um pouco da adaptação que passava na TV, mas não conhecia muito sobre Lobato ou sua vida, então quis mergulhar nessas páginas para descobrir.
Um ponto que curti muito foi a forma de narrativa das autoras, que construíram o texto como se fosse o próprio Monteiro conversando com as crianças de hoje. Em 1ª pessoa, ele conta sobre a infância, juventude, a época que estudou direito, seu casamento, os filhos, viagens, como escreveu e suas opiniões sobre vários assuntos (ele achava que tinha sempre razão).





Daisy Jones & The Six - Taylor Jenkins Reid

Nos anos 1970 todos conheciam a banda de sucesso Daisy Jones & The Six. Sempre no topo das paradas, movia plateias enormes, lotava shows e conquistou inúmeros fãs. Todos os amavam e muitos queriam ser como eles. Mas em 12/07/79 tudo acabou. O que aconteceu e o que os levou ao fim?
Daisy Jones era um ícone, sempre quis escrever músicas e cantá-las tocando os ouvintes. Ela queria ser alguém e fazia o que queria para chegar ao topo. E inspirava uma geração de garotas descoladas. The Six surgiu pequena e confiante. O vocalista, Billy Dunne, sabia como queria gerir “sua banda”, deixando bem claro, e escrevia as músicas e cantava. Quando um produtor os uniu, um fenômeno foi formado movendo multidões.

Através de entrevistas com relatos, viajamos ao passado para o cenário do Rock regado a muitas drogas, bebidas e sexo e conhecemos a verdade por mais feia que fosse.
Curti como a obra foi apresentada, as entrevistas parecem reais e se encaixam perfeitamente, criando um cenário incrível. A trama é muito visual, as descrições, a forma como fala dos sentimentos, cenários, músicas, faz com que a gente “veja” tudo. O clima do cenário musical dos anos 1970 ficou bacana. Daria um ótimo filme.
A escrita tem um tom poético e reflexivo com passagens inteligentes, outras motivadoras e até umas questionadoras. Separei ótimos quotes! Gostei de todos os personagens, mas me incomodei com muitas atitudes. Em um momento eu amava, depois xingava. As personagens femininas são destaque, pois são fortes, decididas e fazem/são o que querem, independente de opiniões alheias.