Mapa dos Dias - O Lar da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares #04 - Ransom Riggs

Desde que comecei a ler essa série, me encantei com o universo peculiar criado por Ransom Riggs e estava ansiosa para ler esse quarto volume, que prometia trazer uma história fascinante e imperdível, como nos volumes anteriores. Como achava que a série já havia sido finalizada, estava bem curiosa para saber o que estava por vir. Sendo assim, quando tive a oportunidade de começar a ler essa obra, mergulhei nesse universo mágico e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito desse título publicado aqui no Brasil pela Editora Intrínseca.
Lembrando que esse é o quarto volume de uma série, então, caso você não tenha lido os anteriores, pode acabar pegando algum spoiler do que já aconteceu. E se quiser saber mais um pouco, não deixe de conferir as resenhas dos demais volumes (CLICANDO AQUI), pois todas já foram publicadas aqui no Blog.
Em “Mapa dos Dias”, vemos os personagens se ajustando a vida após vencer os Etéreos no Recanto do Demônio na batalha ocorrida em “Biblioteca de Almas”. Jacob retorna a Florida, mas não sabe conciliar a vida normal com tudo o que viveu, e sua família acredita que está louco, por isso querem levá-lo para uma instituição psiquiátrica. Porém, nosso protagonista é salvo pela Srta. Peregrine, Emma e todos os seus amigos.
Após a batalha vencida no livro antecessor, os seus amigos podem viver no presente, já que, com a destruição de uma fenda temporal, eles não precisam se preocupar com o envelhecimento acelerado. Mas, para isso acontecer sem nenhum problema, eles precisam da ajuda do nosso protagonista para aprenderem a se comportar como pessoas desse século e também para reconstruir e organizar o mundo peculiar.
Tudo estava indo bem até que eles descobrem um bunker subterrâneo secreto na casa onde o avô de Jacob morava, que está cheio de pistas sobre uma organização que caçava Etéreos. Com isso, a calmaria acaba e vemos nosso protagonista e sua turma entrar em uma nova missão em um mundo novo e cheio de perigos para resgatar uma peculiar em um território muito diferente do que estavam acostumados. Nessa aventura emocionante descobrimos outros peculiares com novos poderes e também conhecemos um pouco mais sobre a história de Abe.
Agora, nossos personagens estão mais maduros e vemos o reflexo desse fato nos diálogos entre eles. Com muitas reviravoltas, esse volume consegue nos conquistar em todos os momentos e acaba nos mostrando que vamos encontrar mais aventuras com novos perigos pela frente. O livro continua rápido e fluido, com uma linguagem leve e despretensiosa, cheio de diálogos divertidos e sarcástico. Foi muito gostoso acompanhar nosso protagonista nessa missão, até porque o mundo peculiar está cada vez mais complexo.


Objetos Cortantes - Gillian Flynn

Eu já havia lido “Garota Exemplar”, de Gillian Flynn, e amado muito a escrita dessa autora, já que ela tem uma narrativa que te prende em todos os momentos e te deixa viciado de muitas maneiras. Assim que a tive a oportunidade de ler “Objetos Cortantes”, mergulhei novamente no universo de Gillian e, agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões sobre esse título que recentemente ganhou uma adaptação em formato de minissérie na HBO, estrelada por Amy Adams.
Nesse volume, conhecemos Camille Preaker, uma jornalista de um jornal sem prestígio em Chicago, que acaba de ser enviada para sua cidade natal, a pequena Wind Gap, que fica no Missouri, para que possa escrever uma matéria sobre o desaparecimento de uma menina e o assassinato de outra. Recém-saída de um hospital psiquiátrico, onde foi internada para tratar uma tendência à automutilação, nossa protagonista é enviada sem recursos para sua antiga cidade, fazendo com que ela tenha que se hospedar na casa de sua família para conseguir realizar essa reportagem, uma vez que o jornal precisava de uma matéria que fosse muito boa para recuperar um pouco da decadência que estava enfrentando.
Logo no princípio, vemos que ela não tem interesse nenhum em voltar para a sua antiga cidade. Além de não ser próxima da sua mãe e ter uma meia-irmã praticamente desconhecida, ela se afastou desse local há oito anos e não pretendia ter que lidar com o seu passado agora. Porém, por conta da matéria do jornal, as coisas mudam e ela se vê de volta a sua antiga casa e tendo que enfrentar todo o seu passado.
A medida que vamos acompanhando nossa protagonista de volta a Wind Gap, vemos as suas investigações e seus reencontros com lugares e pessoas do passado. E vamos cada vez mais conhecendo a história de Camille, sua mãe neurótica e severa que com certeza é responsável por muitos dos problemas de nossa protagonista, sua meia-irmã perturbada e, ao mesmo tempo, uma completa desconhecida, que apesar de só ter treze anos já guarda muito rancor e ódio dentro de si, e várias outras pessoas importantes para o desenrolar da trama. Adentramos nesse universo criado por Gillian Flynn, que consegue nos prender em todos os momentos com várias reviravoltas e descobertas, e onde criamos muitas teorias para descobrir o que realmente aconteceu.
A narrativa desse livro é em primeira pessoa, o que foi bem legal, já que assim conseguimos entender um pouco mais a nossa protagonista, o que passa em sua cabeça, e os motivos para ela se automutilar, quando começou a fazer isso. Foi uma narrativa tensa, com uma linguagem envolvente que a gente não consegue largar nem por um minuto até descobrir quem é o verdadeiro assassino e finalizar essa história.


Muitas Águas - Uma Dobra no Tempo #04 - Madeleine L'Engle


Mesmo com minhas restrições, eu sempre acabo surpresa com os temas e questões que a autora Madeleine L'Engle escolhe em seus livros, o quarto livro da série Uma Dobra no Tempo, Muitas Águas, lançado por aqui pela Harper Collins Brasil é rico em física quântica e com temas muito atuais.

Sandy e Dennys, os gêmeos da família Murry, são os mais céticos da família, e também os mais 'normais'. Nunca passaram por nenhuma situação extraordinária, ou metafísica, até que em uma visita inocente ao laboratório do pais acabam se transportando para muitos anos atrás na história da Terra, e com isso os fazendo questionar suas crenças.

Eu fiquei bastante surpresa e satisfeita com as escolhas da autora neste volume, ao contrário Dos demais livros da série esse livro é bem mais acessível tanto do ponto de vista científico quanto em suas escolhas de nomes e diálogos. Assim é bem mais fácil de nos conectarmos a trama e as reflexões que ela propõe.

A narrativa segue em terceira pessoa, desta vez acompanhando os gêmeos com quinze anos (embora o terceiro livro eles estejam adultos já, aqui eles são adolescentes). Ao contrário de seus irmãos eles não acreditam em nada que não podem ver, então quando se veem na época de Nóe, eles demoram um pouco para acreditar no que aconteceu e nas criaturas que lá existiam.

Os unicórnios habitam juntamente a nefilins e serafins a estória. É bem interessante a escolha destas criaturas, já que existem algumas teorias sobre a raça humana provir de criaturas com esses nomes, que seriam civilizações extraterrestres. Essas teorias por sinal estão bastante em voga hoje, por isso o livro consegue ser bastante atual.

Uma questão marcante é do crer para existir. Quando eles chamam os unicórnios e acreditam neles, eles aparecem, quando deixam de acreditar eles desaparecem. Existem experiências nesse sentindo, dizendo que o átomo muda seu trajeto quando existe um observador o olhando, é o experimento da dupla fenda, assim outra teoria atual é abordada pela autora em 1986, data da publicação do livro.

Junto a tudo isso o tempo abordado é o da época de Nóe, ou seja, pessoas tinham estaturas diferentes (eram muito pequenos), crenças diferentes, e até chegavam a idades mais avançadas. Sem que tenha um tom bíblico, a autora consegue utilizar da clássica história do dilúvio para abordar os temas que citei, além do paradoxo do tempo de não alterar nada no passado para não alterar o futuro que já aconteceu.

Com sutileza a autora deixou claro que não agrada a ideia de que na bíblia, e na história do dilúvio as personagens femininas não tinham cara nem nome. Assim em seu livro elas não só tem nomes, como personalidades marcantes.

Dennys e Sandy são personagens muito similares, por serem gêmeos fazem tudo junto e tendem a se completar. Mas nesta estória acabam um tempo separados o que favoreceu um pouco o autoconhecimento de cada um sem o gêmeo ao lado, ao mesmo tempo que despertam para interesses femininos.

Todos os personagens do passado que são da família de Nóe são agradáveis e simplórios pela época que vivem, salvo o avô Lameque que já tem tanta idade e se comunica com El (Deus), e assim desenvolveu sabedoria e conhecimentos que o diferenciam dos demais.

Gostei muito dos animais de estimação deles que eram mamutes pequenos no tamanho de cachorros, eles trazem leveza a trama. E da ideia de tanto nefelins quanto serafins habitarem animais quando não estão na forma angelical.



O Quebra-Nozes - Alexandre Dumas & E. T. A. Hoffmann

Na véspera de Natal, Marie e Fritz ganharam muitos presentes que desejavam e estavam exultantes com isso. Mas foi um pequeno boneco um pouco peculiar que mais atraiu a atenção da pequena Marie: um Quebra-Nozes, que estava lindamente vestido, mas possuía também um feioso casaco de madeira e um gorrozinho de montanhês. Ela ficou empolgadíssima com ele e com sua simpatia e logo colocou-o para trabalhar, quebrando nozes. Até que seu irmão, Fritz, ouviu o barulho e quis participar, colocando as maiores nozes na boca do boneco até, enfim, quebrá-lo.
Revoltada com ele, Marie, acaba ganhando a missão de cuidar do Quebra-Nozes e de seus ferimentos, o que faz com muito carinho. E, quando todos vão dormir, ela ainda permanece na sala fazendo os últimos ajustes até que escuta estranhos ruídos, e depois se vê de frente a um enorme exército de camundongos, comandado por um rei de sete cabeças! Uma batalha está prestes a acontecer e os brinquedos começam a sair de seus lugares para enfrentar os inimigos, com ninguém menos do que o próprio Quebra-Nozes a frente desse exército. Ela então começa a assistir a todo o embate e tenta fazer o que pode para ajudar o tão querido Quebra-Nozes.
Num misto de sonho com realidade, vemos que Marie passa a conhecer a verdade por trás dessa história e fica cada vez mais próxima desse boneco, que pode ser mais real do que ela imaginava a princípio. Mas será que o mundo da fantasia em algum momento vai se fundir com o mundo real ou tudo aquilo não passa de sua imaginação?
De um tempo para cá, venho lendo mais clássicos, já que notei que me agradam bastante e eu adoro poder viajar para outro o século e conhecer um pouco mais sobre os comportamentos e costumes da época. E nada melhor do que um livro para viajar para lugares distantes na linha do tempo. Como referência, muitas vezes escolho títulos publicado pelo selo Clássicos Zahar. Primeiro porque me identifico bastante com as obras que publicam, segundo porque amo as edições lindas e de capa dura, muitas vezes ilustradas, e terceiro porque eu adoro a Introdução e as Notas (essa última quando é a edição comentada).
Então, dessa vez escolhi um dos mais recentes lançamentos, “O Quebra-Nozes”, já que era época do Natal e eu queria ler algo que tivesse um clima um pouco Natalino. E, afinal, essa história é passada justamente nessa época. Ou seja, escolha perfeita. Porém, infelizmente eu fui com muita sede ao pote e não fiquei apaixonada pela leitura. Mas sei bem o que aconteceu que resultou isso: eu não consegui trazer minha criança interior para apreciar a leitura da forma como deveria. Porque acredito que se eu ainda fosse criança, teria me encantado ainda mais pela leitura e aquelas aventuras inusitadas.
Confesso que não sabia absolutamente nada sobre a trama quando comecei a lê-la. A única informação que eu tinha era que se passava no Natal, o que não ajuda, visto que não revela absolutamente nada do enredo. E minha mãe, quando criança, havia interpretado uma bailarina numa encenação da peça em um curso de teatro que fez, mas ela também não se lembra da trama. E, como eu queria começar na surpresa, mergulhei na leitura sem maiores informações.
A história começou bem interessante, já que conhecemos um pouco sobre os personagens principais e suas personalidades, depois temos a chance de acompanhar a fofa da Marie com todo o seu cuidado e dedicação com o bonequinho, por quem se afeiçoou rapidamente. Também achei bem bacana o fato de os brinquedos ganharem vida e entrarem numa batalha por conta de um acontecimento anterior àquela cena – que também temos a oportunidade de conhecer depois.


O Método Bullet Journal - Ryder Carroll

Muito mais do que uma mera explicação de como fazer listas, anotações e tarefas, o método Bullet Journal tem como objetivo nos auxiliar a registrar o passado, organizar o presente e planejar o futuro. Sendo um guia para quem quer mudar de vida, ter maior controle, foco e organização do cotidiano e de sua vida pessoal e profissional, e ainda obter um aumento da produtividade, diminuindo a ansiedade, removendo as distrações e focando seu tempo e energia em atividades que realmente trazem resultado.
Foi no início de 2018 (ou talvez no final de 2017) que eu ouvi pela primeira vez sobre a existência do método Bullet Journal. Sempre quis manter agendas ou cadernos com planejamentos, mas nunca consegui fazer isso. Então, pela primeira vez na minha vida, acreditei que ia conseguir e realmente tenho feito desde que comecei. Ainda não sou completamente organizada ou faço tudo certinho, mas com meu BuJo (apelido carinhoso), consegui melhorar muito. E o mais bacana é que eu faço o meu num caderno comum e adoro preenchê-lo e enfeitá-lo do meu jeito.
Quando a Companhia das Letras, pelo selo Fontanar, anunciou a publicação do livro “O Método Bullet Journal”, que nada mais é do que um manual sobre o BuJo escrito por ninguém menos do que seu criador Ryder Carroll, eu sabia que precisava lê-lo. E foi o que fiz. E simplesmente adorei! Se você tem interesse no assunto, realmente recomendo essa leitura.
Logo na introdução, temos a chance de saber um pouco mais sobre o Ryder, que tem Distúrbio de Déficit de Atenção (DDA), e, por conta disso, não conseguia se concentrar nas coisas por muito tempo, sendo facilmente distraído por algo. Depois, ele começou a transferir diversos de seus pensamentos, agendas, ilustrações, listas, etc. para um caderno, que era como colocar sua mente num papel, mantendo-se assim um pouco mais organizado e concentrado.
Depois, ele acabou comentando sobre seu método para uma amiga, já que ela estava planejando seu casamento e estava toda atrapalhada, e ele queria retribuir sua bondade de tê-lo indicado para seu emprego. Ela simplesmente adorou a ideia e lhe encorajou a ensinar essa técnica para mais pessoas. Com isso, ele formalizou o sistema, encontrou uma forma mais fácil e prática de explicá-lo, lhe deu o nome de Bullet Journal (BuJo) e começou a compartilhá-lo, inicialmente num site com tutoriais interativos e vídeos, e assim conseguia ajudar várias pessoas. Seu site depois foi divulgado por outros sites, que trouxe diversas novas visitas, grupos foram surgindo, o projeto foi ganhando grande proporção, e, consequentemente, mais fama, chegando a grande notoriedade que tem hoje e inspirando milhares de pessoas.
O exemplar foi separado em Cinco Partes, facilitando tanto a explicação quanto o entendimento do leitor. Na Primeira delas, encontramos tópicos iniciais e muito importantes, como, por exemplo, informações sobre o BuJo, motivos para começá-lo, o porquê de escrever à mão, entre outros. Na Segunda Parte, temos a chance de aprender o Sistema, com ideias do que escrever, como fazer registros rápidos, notas, anotações, Símbolos e marcadores personalizados, Registro diários, mensais e futuros, etc.
Depois, na Terceira Parte, adentramos a Prática, com dicas e ideias de como realmente fazer acontecer, tirar tudo o que queremos da nossa mente e colocar no papel. Em seguida, há a Parte Quatro, que é sobre a Arte, e traz tópicos bem interessantes, como, dentre outros, Adaptação, Listas, Design, no qual ele fala que ainda que há muitos BuJos na internet com ilustrações e designs elaborados, letras maravilhosas, etc., mas você não precisa fazer/ter nada disso para fazer o seu próprio Bullet Journal, basta saber fazer linhas retas e ter vontade de organizar a sua vida de uma forma fácil e interessante. Essas partes lindas e muito bem produzidas poder ser apenas um extra e não o são o foco principal do projeto, que tem como objetivo ser funcional. Para finalizar o exemplar, há o capítulo Cinco, que traz a Conclusão com O jeito certo de usar o Bullet Journal, Considerações finais, Perguntas frequentes, entre outros.
Mesmo já conhecendo um pouco sobre o Bullet Journal, afinal eu li um pouco sobre o assunto desde que ouvi sobre ele, e também já faço o meu há quase um ano, me surpreendi com o quão completo esse livro de Ryder Carroll é. Ele me entregou muitas ideias novas, dicas e técnicas que eu não sabia/não tinha me tocado de fazer, que com certeza vou aplicar no meu BuJo este ano.

Gostei bastante da linguagem simples, direta e inspiradora do autor, que além de nos explicar como funciona seu método, nos impulsiona a fazê-lo e nos deixa aptos para tirar o melhor de nossas experiências, traz ainda exemplos práticos aplicáveis para o dia a dia e também para coisas mais elaboradas, frases inspiradoras, experiências dele e de outros indivíduos, ensina exercícios, e muito mais. E, algo que achei realmente bem bacana é que o autor quis que a edição do Brasil trouxesse exemplos de páginas de BuJo de brasileiros que utilizam o método.