Um Amor de Sete Vidas - Sérgio Chimatti

Desde muito pequena eu nunca consegui ver desenhos ou filmes onde animais eram protagonistas e sofriam, seja pela morte de um personagem, seja pelas situações da narrativa. Com isso nunca assisti ao Rei Leão, por exemplo, ou aqueles filmes de sessão da tarde com cachorros. O tempo passou e eu continuei assim, evitando livros com animais, até que resolvi ceder ao que eu imaginava ser um livro com um gato protagonista. Um Amor de Sete Vidas, escrito Sérgio Chimatti, e publicado pelo selo Academia parece mas não esse tipo de estória.

Cristiana é uma gótica apaixonada por gatos, ela e seu primo compartilham esse amor e adotam mais gatos do que podem cuidar. Diego no entanto é alcoólatra e não tem conseguido contribuir para cuidar de seus bichinhos. Ambos compartilham uma estória, não sabem quem são seus pais, e nem como morreu a mãe de Diego. Mas a vida destes dois jovens não é o que parece, e está para mudar radicalmente quando a morte aparece muito de perto.

Estou muito familiarizada com romances espíritas, e gosto de uma linha eu diria mais densa e direta, sem romance ou atenuantes. Chimatti realizou sua narrativa em terceira pessoa com as mesmas características de uma romance espírita, mas sem um espírito narrando (mas imagino que com certeza inspirando) ou que seguisse um destes extremos comuns, nem temos uma estória açucarada como uma Zíbia Gasparetto, nem chegamos ao umbral de muitas obras do Robson Pinheiro. Na verdade a mistura que ele criou neste volume é extremamente interessante e acessível.

Desde como atuam os mentores espirituais aqui chamados de anjos, até como estão os espíritos que não partiram para colônias ou até zonas umbralinas, passando por capacidades psíquicas do ser humano e de animais. É possível encontrar referências da umbanda, kardecismo e até viagens astrais na narrativa. Essa mistura cria uma visão muito rica e completa do que pode ser visto e vivido no astral e na realidade de quem perde alguém ou passa a estudar a espiritualidade.

A protagonista Cristiana é uma gótica com 27 anos que trabalha com o um site de vendas de artigos góticos e esotéricos, mas que passa a maior parte do sue tempo cuidando de seus mais de cinquenta gatos. Achei extremamente interessante Chimatti atribuir esta cultura a personagem, e mas que ela mesmo mais velha e sofrendo preconceitos por conta de sua escolha persistisse nela, não cedendo a sociedade. Minha única objeção quanto a personagem é que ela tem um discurso muito infantilizado e feliz, soando muitas vezes artificial e forçado. Talvez alguém conheça alguém como ela, mas eu não achei autêntico. Isso também acontece com alguns outros personagens, e me causou desconforto.

Cristiana tem uma personalidade revoltada por não saber quem é o pai, e não compreender como a mãe que é lésbica conseguiu engravidar. Por mais que questione a mãe ou a avó elas nunca dão as respostas, e isso muda quando alguém muito próximo morre. Esta morte gera uma busca e uma profunda transformação na vida da jovem. E todos que a conhecem também se modificam.

São sucessivos eventos que ligam os diversos personagens vivos e mortos. E mostram com clareza como pode funcionar a reencarnação. Também é interessante as explicações de como funciona a atuação dos vampiros com relação aos vícios e como eles interagem com os adictos, e se utilizam dessa energia.

Como o nome do livro destaca o foco é no quanto a energia dos animais, em especial dos gatos, e mais especialmente o gato preto Café na trama, pode auxiliar seus donos ou pessoas na proteção de seu lar, por exemplo. Gatos têm uma energia tão forte que repelem determinados padrões de energia afastando obsessores.

No entanto, ao fim os gatos são secundários e não protagonistas, e aqui a estória se foca em estórias de vidas. Como a raiva e o rancor podem provacar uma avalanche de acontecimentos que nos seguem até depois da morte, e como isso pode ser modificado tanto em vida, como posteriormente.

Um amor de Sete Vidas é um romance espiritualista, que não pretende doutrinar, apenas narrar fatos para alertar sobre comportamentos nocivos a nós mesmos e aos que nos cercam, ao mesmo tempo que nos permite reflexão e dicas de estudo.


Avaliação


 



Magia de Papel - Magia de Papel #01 - Charlie N. Holmberg


É sempre bom ver novas editoras nascerem e lançarem livros interessantes. Quando vi a primeira vez o livro Magia de Papel, da autora Charlie N. Holmberg, também tive conhecimento do nascimento da editora Passaporte. Mais uma editora para trazer livros para o mercado, o que é sempre bom já que quanto mais opções melhor para todos!

Ceony Twill é uma aprendiz, seu maior sonho era poder enfeitiçar o metal, mas o destino quis que ela acabasse como dobradora de papel. Inconsolável ela segue para casa do Mago Emery Thane, seu futuro tutor. Thane é tudo o que ela não esperava jovem e esquisito, além de muito bondoso. Quando já estava se acostumando com as magias com o papel uma visita inesperada coloca a vida do mago em risco, e sua jovem aprendiz parte determinada em salvar a vida do mago.

Eu não tinha exatamente expectativas com relação a este livro, mas por tratar-se de um livro que envolve magia eu esperava alguns clichês dentro do tema. Mas nada disso aconteceu, o sistema mágico que a autora criou é diferente de tudo que eu li até hoje. Sua narrativa em terceira pessoa é toda focada nas ações e pontos de vista de Ceony. Logo o desenvolvimento acaba focado na ação, não temos uma estória introdutória cheia de explicações de como este mundo funciona.

O que é explicado é que existem magos que se especializam em determinados materiais como vidro, papel, plástico, aço, etc, qualquer material que tenha sido criado pelo homem. E para tornar-se mago você frequenta uma escola, Instituto Tagis Praff de Vocações Mágicas, e posteriormente passa por um estágio com um mago da área que quer se afiliar, área essa que não pode mudar posteriormente. Infelizmente foge ao livro como é a relações dos magos com a sociedade, no caso a estória se passa na Londres do século XIX. Também não é dito se todas as pessoas tem vocações mágicas ou não. A única coisa muito clara é que os magos de papel são pouquíssimos e não são muito bem visto, já que aparentemente a magia de papel parece desinteressante.

Ceony começa o livro muito chata já que está extremante emburrada em não se filiar ao elemento que desejava, acha que sua vida com o papel será extremamente desinteressante. Aos poucos ela vai aprendendo algumas magias, e quando parte na missão de resgate para salvar o mago Thane ela compreende a dimensão da magia em que está envolvida. Assim como também acaba descobrindo coisas a cerca de si mesma e de seu próprio passado.

Thane é um homem interessante com um passado desconhecido que acaba descortinado em detalhes na missão de Ceony. Nesta jornada a aprendiz acaba presa em um local onde conhece muitas estórias de vida do mago. Devo dizer que este trecho toma muito tempo do livro, é interessante, mas me cansou um pouco, acho que deveria ter sido um pouco mais dinâmico, não que a autora se demore em descrições ou detalhes, mas o tempo se estendeu além da conta neste local.

A vilã da trama é bastante cruel e está envolvida com um tipo de magia proibida, ela é uma excisora, ou seja, usa carne humana para realizar magias. Não demonstra sentimento ou empatia com ninguém, mas não ficou muito claro porque ela acaba fazendo esta escolha para sua vida, uma vez que era envolvida com uma pessoa boa em seu passado.



Sol da Meia-Noite – Crepúsculo #05 – Stephenie Meyer


Na época em que Crepúsculo saiu nas livrarias eu quis imediatamente ler, pelo simples fato que sou fã de vampiros e de Anne Rice. Confesso que na época o primeiro livro mexeu comigo, mas o segundo volume foi ódio mortal, mesmo assim segui até o fim meio de saco cheio de tanto drama e alguns absurdos hehehe. Não fazia ideia que Sol da Meia Noite iria sair até que me deparei com ele, e pense porque não? Afinal quem vai narrar é um vampiro, vai ser mais true não? É não exatamente não Sra. Stephenie Meyer?!
Em Sol da Meia Noite conhecemos a mesma estória de Crepúsculo, mas sob a ótica do vampiro Edward, desde o seu primeiro encontro, passando por momentos que sabemos que aconteceram, mas não como aconteceram. A narrativa é feita em primeira pessoa, e devo dizer que se achava que a Bella era lamúrias sem fim é porque não conhecia a mente do Edward! Simplesmente não comprei a ideia que Meyer vendeu de que uma vez vampiro e sua personalidade não evolue, visto que a mente e o corpo seguem percursos próprios. Depois de cem anos duvido que alguém continue nos mesmos erros e personalidade. Sim alguns vampiros se tornam mais letais e abandonam qualquer traço de humanidade, outros passam disso para quase humanos, entre tudo isso eles aprendem e mudam, mas o Sr. Cullen? É como um adolescente e desculpa isso não cola!
Outro aspecto que em Crepúsculo já me incomodava e nesse só piorou foi a perseguição de Edward a Bella, chega um determinado ponto da trama que ele ou está com ela, ou vigiando ela através da mente dos outros. Não é isso que chamam de relação tóxica? Ele não consegue respeitar as decisões dela porque ela é uma humana e é frágil, não aceita os sentimentos dela porque ele é um monstro indigno de amor e quer impor todo relacionamento em cima da ideia que ele não é capaz de ser homem ( isso porque me desculpe com Carlisle como exemplo ele devia ser muito diferente).
O livro têm 736 páginas que até caminham bem, mas que trazem páginas e mais páginas de "vou embora", "sou um monstro e vou matar ela" e "o cheiro dela é incrível", é repetição, atrás de repetição. Eu esperava por uma mente mais perturbada no sentido vampírico, como os vampiros mais tradicionais (oi Lestat?!), mas são breves as cenas que eu me via pensando "ah sim ele é um vampiro", a maior parte do tempo ele parece um ser humano imortal um bocado burro. Mesmo a mudança dele de parar de atacar ela e passar a namorar ela foi muito fraca.
Minha impressão sobre Meyer e os vampiros é que ela gosta deles, mas desde que eles não sejam maus, e eu aceito isso, o seriado True Blood, por exemplo, explorou isso muito bem. Me parece que a autora não conseguiu dimensionar a natureza real dessas criaturas, seus dilemas e experiências. Ela sempre fala do ponto de vista de uma humana e nunca senti ela vestido a camisa dos vampiros.


Cozinha Vegetariana do Mediterrâneo – Malu Simões e Alberto Musacchio

Já comentei algumas vezes por aqui como somos apaixonadas por livros de culinária. Sempre que vemos um exemplar do gênero, principalmente em edições bonitas, já queremos colocá-lo na nossa estante e testar as receitas. A escolha da vez foi essa obra maravilhosa, que nos apresenta a Culinária Italiana através de receitas que revelam os segredos da cozinha do Hotel-Fazenda Montali. Então vamos aprender pratos bem variados como massas, obviamente, saladas, sopas, doces, pães, café da manhã, etc.
Mesmo que o título e as receitas sejam Vegetarianas, não necessariamente são restritas para o público alvo. E pessoas com os mais variados paladares vão se encantar com diferentes receitas. Há pratos bem fáceis de serem preparados e também alguns mais elaborados. Há legendas com o nível de dificuldade dividido em três níveis: Fácil, Médio e Difícil. Eu fiquei bem empolgada para experimentar tudo! Já até escolhi a primeira delícia que vou preparar: Gateau di Patate, petiscos individuais de batata com queijo provolone (confira na segunda foto).

O livro foi dividido em quatro partes, correspondentes aos pratos do típico jantar do restaurante: Entradas, Primeiros Pratos, Segundos Pratos e Sobremesas. Há molhos e cremes no capítulo de Noções Básicas. Também há opções veganas ou sem glúten em algumas receitas. Além disso, há várias técnicas, dicas e explicações bem bacanas, que ajudam na hora da preparação. E as receitas e as fotos nos inspiram a buscar os melhores ingredientes para preparar os pratos deliciosos.


Além de tudo isso, há diversos textos com fotos que trazem informações, trechos de História, curiosidades, etc. tanto sobre pontos da Itália e Brasil quanto de ingredientes, flores, arquitetura, tradições, negócios e outros. Fazendo com que o exemplar seja bem completo e interessante, já que ultrapassa a barreira das receitas e nos faz viajar sem sair do lugar.
A edição está lindíssima. Com 28,2 cm x 21,4 cm, Capa Dura, miolo em folha de papel couché (estilo folha de revista, porém bem grossa), belas fotografias, tudo muito colorido, alta qualidade de impressão e diagramação bem confortável para a leitura, assim como para um entendimento fácil do conteúdo.





Esqueceram de Mim – Kim Smith


Quem foi criança nos anos 1990 deve lembrar do famoso filme “Esqueceram de Mim”, protagonizado por Macaulay Culkin, que depois até ganhou uma sequência. Nele, conhecemos o arteiro Kevin McCallister, um menino de 8 anos que aprontava todas. Em uma dessas situações, ele fica bem chateado com a mãe e deseja que sua família desapareça.
Quando acorda no dia seguinte, ele percebe que desejo se realizou. Sozinho em casa na véspera de Natal, Kevin faz tudo o que sempre quis, e percebe que precisa aprender outras coisas também. Até que descobre que dois ladrões planejam assaltar sua casa e bola vários planos malucos para impedi-los de fazer isso, usando várias artimanhas infantis bem divertidas para se defender. E percebe que a solidão não é o que ele realmente queria.
A resenha de hoje é uma dica incrível para quem tem crianças em casa ou por perto para presentear. A Intrínseca resolveu trazer um projeto bem bacana com uma pitada de nostalgia para os leitores brasileiros: a Coleção Pipoquinha. Filmes Clássicos infantis que marcaram época e eram reprisados na Sessão da Tarde, ganharam uma versão em livro ilustrado e com capa dura.



Além de trazer esse clima nostálgico para quem conhece as histórias e também apresentá-las aos novos leitores, as tramas são leves, divertidas e deliciosas, do tipo que as crianças adoram. O mais bacana é que depois de ler, vocês podem fazer uma Sessão de Cinema em casa e assistir aos filmes.



Esse livro foi baseado no filme clássico do diretor Chris Columbus, com roteiro de John Hughes. As ilustrações belíssimas ficaram a cargo de Kim Smith. E estou completamente apaixonada por seu trabalho! Já quero todos os outros volumes dessa coleção na minha estante. No Brasil, a Intrínseca também publicou “De Volta Para o Futuro” e “E.T – O Extraterrestre”, e assim que eu adquiri-los, volto aqui para indicar para vocês.