Caraval - Caraval #01 - Stephanie Garber

Quem acompanha instagrans literários do exterior deve ter reparado que o livro mais postado é Caraval, da autora Stephanie Garber que vai ser publicado aqui no Brasil em junho pela editora Novo Conceito. E de tanto ver esse livro eu fiquei curiosa para lê-lo, e para tanto me obriguei a ler pela segunda vez na vida (sim!!) o livro através do kindle, e assim além de matar minha curiosidade também tentar novamente a me acostumar com um ebook.

Scarlett é filha do governador de uma pequena ilha de Dragna onde mora com a irmã Donatella. Desde muito nova ela sonha conhecer o Caraval, um espetáculo itinerante criado por Lenda. Para tanto por anos seguidos ela escreve para Lenda pedindo para que ele viesse a sua ilha, mas nunca obteve resposta, até que no ano em que vai se casar ela escreve sua última carta com esperança que diante da notícia do casamento Lenda a respondesse. Para surpresa de Scarlett ele responde enviando três ingressos., ao mesmo tempo em que sua irmã se envolve com uma marinheiro e tem um conflito com o pai na presença de Scarlett.

Depois do conflito com o pai Donatella quer mais do que nunca ir para o Caraval, mas Scarlett tem apenas alguns dias para ir e voltar antes de se casar. Diante de sua indecisão o que ela não sabe é que sua irmã já fez planos para seus próximos dias, e de repente ela se vê dentro do Caraval, e com um jogo em suas mãos que depende a vida de sua irmã!

Escrever uma sinopse que abarque o plote do livro é um certo desafio já que temos uma estória e uma narrativa extremamente onírica e pouco delimitada. Durante todo o livro não sabemos o que é verdade e realidade, o que é criação do jogo. O que de fato vai acontecer e o que vai deixar de existir quando o jogo acabar. Com isso fica muitas vezes difícil torcer pela protagonista que vê tudo ao seu redor como verdade, mesmo sendo constantemente avisada que não deve levar o jogo muito a sério.

O Caraval fica em uma ilha isolada, e nesse universo tudo é como o país das maravilhas de Alice, com regras sem pé nem cabeça. O jogo ocorre apenas de noite porque a magia se alimenta da energia noturna, além do fato que é no escuro que as verdadeiras facetas das pessoas surge. O fato é que a magia é pouco explicada, não sabemos em qual fundamento ela se baseia, apenas nos é dito que quem controla tudo é Lenda, uma figura que está constantemente nas páginas.

Por muitos momentos acreditei que a estória trabalhava com a ideia de transformar pessoas, de colocá-las diante de situações mais extremas e assim fazê-las se conhecer, e de fato isso acontece um pouco com Scarlett, mas dizer que isso é o foco do jogo não é uma verdade. Não fica claro qual é a afinal o objetivo do Caraval para seu criador, apenas do ponto de vista da protagonista que quer encontrar sua irmã e voltar para sua ilha para casar-se.

Scarlett é uma jovem que sofreu muito depois da perda da mãe já que seu pai é um homem cruel. Para sair de sua ilha até aceitou se casar com um conde que não conhece, imaginando que assim estaria longe das maldades do pai. A inocência é sua principal característica e também defeito, já que ela acredita em tudo que lhe é dito e feito, sem muito critério ou crítica. Sua maior preocupação é proteger a irmã, porque quem é capaz de fazer qualquer coisa, até morrer!. Quando ela percebe que também tem vontades e que as vezes sua irmã não estão entre elas, ela entra em choque e grande conflito.

Julian é o acompanhante de Scarlett, dizer que ele é mocinho é errado, porque não sabemos quem ele é até o fim do livro. A relação dos dois começa na base da ironia e evolui para outros sentimentos, mas assim como tudo no livro é baseada em névoa e mentira. Mesmo assim torci muito por ele, já que Scarlett merece ser amada e cuidada. Gostaria que ele fosse mais explorado, assim como Donatella, a irmã de Scarlett. Ela aparece brevemente no começo e no fim do livro, é uma personagem mais livre e destemida. Não tem muito a perder no fim das contas.


Inesquecível - Unremembered #01 - Jessica Brody

Eu já acompanhava a autora Jessica Brody há alguns anos, inclusive tenho o seu autógrafo no meu exemplar de Karma Club da vez em que veio ao Brasil. Quando vi que ela iria lançar um livro pela Rocco, fiquei imensamente feliz. Gosto muito quando algum autor que curto publica mais títulos e, melhor ainda, quando eles são traduzidos no Brasil. Quando li a sinopse desta obra, fiquei encantada com a premissa da história e logo o passei na frente de outros títulos na minha pilha de leituras.
Neste volume conhecemos Violet, uma menina de dezesseis anos (idade que estipularam para ela), que foi encontrada ilesa e sem memória em meio aos destroços de um acidente de avião no oceano pacífico, do qual ela foi a única sobrevivente. Ela não se lembra de absolutamente nada sobre a sua vida, nem sua idade ou seu nome, e nem de onde veio. A única coisa que se lembra é do ano de 1609, e também não se recorda de coisas como escovar os dentes, lembrar do gosto da comida ou saber o que é uma televisão.
Violet é um grande mistério, já que, além de não saber nada sobre si, as investigações apontam que ela não estava na lista de passageiros do avião e também não aparece em nenhum sistema do governo. Era como se ela não existisse. Junto ao fato de ter uma beleza estonteante e diferente, já que tem lindos e belos olhos na cor violeta. Seu rosto passa a estampar todos os jornais e a menina vira a sensação da mídia.
Ela começa a descobrir coisas sobre si mesma, como falar perfeitamente outras línguas e resolver equações matemáticas consideradas bem difíceis, etc. Um menino que diz lhe conhecer aparece na vida de Violet, falando que seu nome na verdade é Seraphina, e que a mesma não deve confiar em ninguém já que está correndo um grande perigo. Ele menciona um medalhão, mas sempre some antes de dar mais respostas, fazendo com que nossa protagonista fique ainda mais cheia de perguntas.
Após o hospital fazer vários testes e constatar que ela não tinha nada, o governo resolve designá-la a uma família adotiva temporária. Sendo enviada para morar em uma cidadezinha com sua nova família, nossa protagonista começa a achar que pode ter uma vida normal, mesmo sem saber sobre o seu passado. E é Cody, o filho o casal para quem ela foi designada, que a ajuda a tentar descobrir mais sobre si mesma. Entramos, então, junto com nossa protagonista, em uma grande aventura em busca de respostas sobre tudo o que está ocorrendo em sua vida.
O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista de Violet, o que foi bem legal, já que assim conseguimos acompanhar tudo o que ela estava passando e sentindo, deixando a história ainda mais próxima do leitor. Gostei bastante desse tipo de narrativa, pois acho que combinou com o estilo da história, uma vez que vamos descobrindo tudo junto com Violet.


Conquistada por Um Visconde - As Irmãs Cynster - Nova Geração #01 - Stephanie Laurens

Heather Cynster estava decidida a encontrar um marido adequado que a arrebatasse e com quem pudesse ter uma vida agradável, ainda mais levando em consideração que ela já tinha vinte e cinco anos e já havia passado por algumas temporadas. Para isso, criou um novo plano em sua cabeça e foi, decidida, a um sarau da alta sociedade um pouco diferente dos que estava acostumada, frequentado por mulheres mais velhas e homens que poderiam até mesmo ser ideais, mas não queriam nada sério no momento, apenas diversão.
Só que seus planos foram por água abaixo quando ninguém menos do que o Visconde de Breckenridge, seu arqui-inimigo, a viu no local e a tirou de lá o mais rápido possível. Humilhada, ela decidiu voltar sozinha para seu coche, enquanto ele a observava, de longe, voltar para a segurança. Só que isso nunca aconteceu, já que, antes mesmo de alcançar o coche de sua família, outro chegou muito rápido e sorrateiro, de onde saíram homens que a capturaram e levaram imediatamente para longe.
Para conter o sequestro, Breckenridge correu para a carruagem dela e os seguiu, porém a uma certa distância, visto que não conseguiu alcançá-los tão rápido. Com um plano em mente, ele conseguiu dar ordens aos empregados para avisar a alguém, enquanto ia ele mesmo atrás de Heather. Mas será que conseguirá salvá-la das garras de quem quer que seja? E existe a possibilidade de o herói que Heather tanto quis encontrar estivesse o tempo todo mais perto do que ela poderia um dia imaginar?
Como uma apaixonada por romances de época de carteirinha, quero ler/ter todos os publicados no Brasil (porque se eu falasse no mundo não conseguiria ler tudo e iria ficar muito frustrada hahaha). Então faço coleções de livros do gênero e estou sempre incluindo um título na minha pilha de leituras, variando com outras, porque, caso o contrário, só leria isso todos os dias. Quando uma editora anuncia novas obras do estilo, já vou correndo conferir a sinopse e coloco na minha lista de desejados.
Então fiquei muito contente quando soube que a Harper Collins iria publicar essa trilogia da autora Stephanie Laurens, que vi muita gente falando super bem. Assim que tive a chance, peguei meu exemplar para começar a leitura, e agora, depois de lido, posso afirmar que foi uma experiência incrível que quero repetir mais vezes!
O que eu mais gostei deste livro é que o enredo é bem original, pelo menos para mim, que nunca antes havia lido algo semelhante em romances de época. Afinal, a mocinha é sequestrada por alguém que ninguém sabe quem é, nem o motivo de tê-lo feito com exatidão até a trama estar bem avançada e, mesmo assim, até o momento ainda não tivemos grandes informações. E a autora não fez isso de uma forma enrolada, pelo contrário, ela soube conduzir a trama de uma maneira que a gente ficasse ansiosa por respostas, mas também pela liberdade de Heather e pela sua chance de felicidade com Breckenridge. Como ela iria conseguir escapar de tudo aquilo? Seu plano daria certo no final? E eles conseguiriam se livrar do perigo de uma vez por todas?
Acho que os protagonistas se comportaram muito bem diante da situação que vivenciaram, apesar de Heather me irritar um pouquinho em alguns momentos por conta de sua grandiosa teimosia e orgulho. Sei que ela tinha boas intenções, ainda assim devo confessar que fiquei receosa de suas atitudes terem consequências terríveis e irreversíveis.
Mas Breckenridge não ficou atrás neste quesito por ter uma personalidade bastante similar à dela, e foi bem gostoso ter que acompanhar os dois nos papos escondidos, tentando decidir quais das opções era melhor e tendo que ceder um ao outro (com relação a maneira que deveriam agir) quando havia necessidade disto.
Porém, também devo admitir que, mais para o final da leitura, as atitudes dela foram muito semelhantes às que eu mesma teria se passasse por situação parecida com relação à Breckenridge. Acho que ela foi certa em não correr para os braços dele na primeira oportunidade, sendo que o próprio não admitia nem para si mesmo o que nutria por ela. Se fosse diferente e Heather ficasse igual uma louca apaixonada e ele, não, eu ficaria muito decepcionada com tudo. Então fico contente da maneira que foi. E ainda acho que ele deveria ter agido primeiro.
Gostei do desenvolvimento do romance, já que os protagonistas se conheciam há um tempo, mas não tinham pensado tanto em ter nada um com o outro (apesar de ela ter sentido algo por ele antes, mas nada tão sério ou que tenha sido correspondido), e foram começando a nutrir algo novo com o passar das páginas, aos pouquinhos. Era fofo vê-los descobrindo esses novos sentimentos e sabendo esperar o momento certo para fazer algo com relação a isso. E melhor ainda quando se acertaram e puderam viver aquele sentimento maravilhoso que tanto tinham receio de admitir.


Mitologia Nórdica - Neil Gaiman

Como uma amante dos livros de Neil Gaiman, sempre que um novo volume do autor é publicado no Brasil, eu saio correndo para conseguir ler. Isso porque ele é um dos meus autores favoritos e um dos maiores escritores de fantasia dos últimos tempos, trazendo sempre histórias encantadoras, que nos prendem do início ao fim. Quando vi que ele iria lançar “Mitologia Nórdica”, fiquei empolgada por esta leitura, uma vez que esse volume é inspirado pela mitologia antiga e o exemplar impresso tem um trabalho gráfico perfeito. Quando peguei esse título em mãos, fiquei impressionada com tamanha qualidade e capricho que a editora teve com o mesmo. Agora, depois de ter passado ele na frente em minha pilha de leituras, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões.
Neste volume somos apresentados a quinze contos que narram, em ordem cronológica, desde a origem do mundo até ao Ragnarök, o chamado apocalipse dos deuses que irá levar ao fim do mundo. Lemos esses contos que trazem personagens como Thor, Odin, Loki, Balder, entre outros, e nos prendemos na forma de escrita de Gaiman, que consegue, com o seu jeito único, nos conquistar e surpreender em todos os momentos trazendo as características desses deuses de forma crua. Ou seja, ele nos mostra suas características como quer, trazendo até mesmo as que são menos citadas, como Thor com sua força imbatível, mas com sua inteligência um pouco desfavorecida, e  também sobre as ideias de Loki, e como as mesmas irritavam todos os Deuses, assim como descobrimos o porquê dos terremotos existirem, entre outras coisas que durante toda a leitura vão contribuindo para os leitores irem aprendendo um pouquinho mais.
“Mitologia Nórdica” nos desperta diversos tipos de sentimentos, como amor e ódio pelo mesmo personagem, fazendo com que a gente não consiga parar de ler nem por um segundo, já que, apesar de serem contos que podem ser lidos separados, juntos eles trazem uma grande história. Então, quando acabamos um, logo estamos loucos para ler o outro. Com uma narrativa rápida e fluida, acompanhamos os personagens centrais em uma trama repleta de traição, que conta com o humor ácido e natural do autor, que romantiza a trama de sua maneira.
Neil também consegue arrancar diversas gargalhadas, com cenas muito bem descritas e algumas até cômicas, e nesse volume encontramos muita ação, principalmente com Thor e seu martelo, nos trazendo uma leitura impossível de largar. Gostei bastante de como ele apresentou todos os personagens, cada um com o seu jeito de ser, deixando tudo ainda mais gostoso. Muitos dos personagens apresentados aqui eu já conhecia, mesmo que pouco, mas encontrei alguns novos, o que achei bem legal.


Só Garotos - Patti Smith

Há quase um ano atrás eu conhecia Patti Smith, e me apaixonaria por sua personalidade peculiar por motivos que a maioria que gostam dela talvez não se atenham, mas o fato é que eu adoro o modo como ela escreve e consegue falar a cerca de si mesma, fato que conheci através do seu livro mais recente Linha M, mas depois desta leitura descobri que seu livro mais conhecido é Só Garotos, publicado por aqui pela Companhia das Letras.

Neste livro Smith se propõe a contar sua história com Robert Mapplethorpe, fotógrafo e artista que ela conheceu da maneira mais inesperada quando ela resolve tentar a vida em New York deixando em New Jersey sua faculdade e família. Ao chegar na cidade ela procura por amigos, e ao chegar ao apartamento de um deles descobre que este se mudou, mas um jovem a leva em seu atual endereço.

Mais tarde este mesmo jovem a salva de uma situação arriscada, e depois disso foram mais de vinte anos de amor e amizade entre Patti e Robert. E quando falo em amor é daqueles verdadeiros e inspiradores! Com apenas vinte anos ela era muito aberta as possibilidades que a vida lhe davam, mas foi Robert quem a inspirou a ser ela mesma sempre, foi ele quem cultivou nelas as sementes que mais tarde renderiam árvores. E foi ela quem deu apoio condicional a ele para que sua obra prima nascesse. Arrisco dizer que nenhum dos dois seria o mesmo, e seria quem foi sem o outro!

O final dos anos 60 e começo dos anos 70 é o pano de fundo destas narrativas em primeira pessoa, e digo nunca mais aquela loucura vai ser vista como foi! Um hotel que hospedasse tantos indivíduos criativos e problemáticos como foi o hotel Chelsea, local onde o casal morou por um período. Jimi Hendrix e Janis Joplin foram alguns dos que surgiram nestas memórias. mas muitos outros músicos, poetas, artistas e etc são citados e personagens das situações narradas.

De aspirante a artista através de desenhos, passando por seu crescimento poético até chegar a cantora tudo está escrito nestas páginas. E não foram tempos fáceis, já que até dormir na rua e passar fome Smith foi capaz para alcançar seus sonhos, e tudo com resiliência de que dias melhorem viriam desde que Robert estivesse com ela. E isso durou mesmo quando eles não eram mais um casal. A ligação que eles tinham era muito estável e era como uma âncora que permitia que eles dessem mergulhos fundos sem medo.

Nesta época de sua história podemos conhecer alguns de seus primeiros contatos com o que seriam algumas de suas maiores características, como o café, a polaroid e os túmulos. E também com a incrível capacidade desta mulher de ser ela mesma, mesmo que as vezes fosse encarada como mais parecida com um homem do que uma mulher, ou que fizesse combinações de roupa suspeitas. Ela sempre bancou suas escolhas, sejam elas de vida ou atitude, e de tão autêntica e espontânea, sempre despertou carinho em que a conheceu.