A Adorável Loja de Chocolates de Paris - Jenny Colgan


Conheci Jenny Colgan através de A Pequena Livraria dos Sonhos, livro que me apaixonei. Depois não pude resistir ler os demais livros da autora, embora nenhum tenha tido o mesmo efeito do primeiro. A Adorável Loja de Chocolates de Paris acabou de sair, e já corri ler sabendo que seria uma leitura reconfortante no meio da bagunça que estamos todos vivendo. Por aqui ele foi publicado pela editora Arqueiro que tem seguido firme com a série de livros Romances de Hoje.

Anna Trent tem um emprego que soa delicioso, ela é supervisora em uma famosa fábrica de chocolates em uma pequena cidade inglesa, mas depois de um acidente ela se vê sem emprego e com sequelas que não pode contornar. Após semanas internada com sua antiga professora de francês, Anna se vê onde menos esperava: em Paris trabalhando em uma pequena loja de chocolates. Seu paladar jamais será o mesmo, assim como sua vida!

Acho que a pior coisa que pode acontecer com um autor é você ler logo de cara seu melhor livro (na verdade eu não sei se é o caso, mas por enquanto é rs!) e depois ler seus demais livros e nenhum conseguir alcançar seu coração da mesma forma. No caso talvez o fato de o livro bom ser mais recente que os demais explique o fato, ou a temática, o fato é que a loja de chocolates não consegue competir com a van de livros!

Trent é uma mulher de 30 anos que vivia seus dias sem muita ambição ou perspectivas, ela já tinha aceitado que não podia esperar muito de sua vida na cidade que vivia que parecia parada e mofada no tempo. Quando ela inesperadamente aceita ir para Paris ela pressupõe que será expulsa logo, mas o que consegue é não só seu lugar ao sol como descobrir que é dona de talento e poder de fazer aquilo que desejar, desde que saiba o que queira. Assim a jornada da jovem é de auto descobrimento junto a aceitar sua nova condição física, que é provavelmente feia de ver, mas que não limita seus atos como ela acreditava.
Ao mesmo tempo em que acompanhamos a estória no presente de Anna também temos a linha do tempo no passado de Claire, sua professora de francês. Claire também acaba em Paris muito jovem, ela não sabia nada sobre a vida já que era reprimida pelo pai que era reverendo. Ao descobrir uma cidade completamente oposta a sua, ela também se vê como alguém desejável, e sai da cidade luz com uma grande paixão. Sua linha chega até o momento atual quando está enfrentando um câncer terminal.

Thierry é o dono da loja de chocolates, é um chocolatier talentoso, mas é alienado na vida. Perdeu seu grande amor, e se agarra ao chocolates e as comidas para passar seu tempo. Tem uma personalidade vibrante e interessante, mas que poderia ter sido mais explorada já que ele protagonizou cenas divertidas no livro.

Claire foi de garota inocente e ingênua para um mulher que luta pelas suas vontades. Ela se enxerga em Anna, por isso quer proporcionar a mesma oportunidade que teve ao ir para Paris. Seu maior desejo é rever seu grande amor, já que não houve um dia que não tenha se lembrado de Thierry. O amor deles se manteve mesmo diante da distância e do tempo.
O mocinho da trama é fraco, não aparece o suficiente para despertar empatia, e diria que é chatinho, a ponto de não conseguir torcer pelo casal que não me convenceu muito. O romance neste volume acaba secundário, e não um foco importante.

A narrativa é realizada em primeira pessoa através de Anna, o que nos permite ter uma noção forte sobre como ela se sente e como atravessa seu acidente. Os capítulos de Claire são em terceira pessoa. Ao final do livro a autora compartilha diversas receitas com chocolate, receitas que espero em breve testar, afinal quem não gosta de uma receita chocolatuda?

A autora trabalha bastante as diferenças sociais e culturais de ingleses e franceses, e a impressão quanto aos franceses não ficou muito boa! Não sei dizer até que ponto foi uma impressão da mesma ao morar lá, até que ponto é uma verdade. O fato é que não fiquei com vontade de ir a Paris por conta do livro, coisa que aconteceu em seus outros dois livros em outros locais.

A Adorável Loja de Chocolates em Paris é um romance leve através do tempo, nos lembrando o que é importante quando tudo mais parece perdido. São nossas relações que ficam quando o pior acontece, quando o tempo passa e a paisagem não é mais a mesma. A pergunta que fica é se estamos fazendo nosso melhor para alimentá-las, ou se vivemos sonhando com o que já temos e acreditamos ainda estar por vir, em algum lugar do mundo.



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O Silêncio da Cidade Branca - Eva García Sáenz de Urturi


Nesses dias de confinamento em casa uma das coisas que eu mais tenho feito é assistir a seriados policiais, desde os mais clichês até os mais desconhecidos, alias sou uma grande fã de seriados do gênero que sejam de origem escandinava =D! Então foi muito natural que minha última leitura também acompanhasse esse gênero. O Silêncio da Cidade Branca, Eva García Sáenz de Urturi, publicado pela editora Intrínseca foi essa leitura.

Em Vitoria no país Basco após duas décadas de uma série de crimes bizarros, o assassino parece ter voltado a ativa justamente quando Tasio Ortiz de Zárate, o homem quem foi atribuídos os crimes anteriores está prestes a sair da prisão. Unai López de Ayala é chamado para resolver os crimes, com um passado marcado pela tristeza, é também obcecado pelos crimes desde jovem. Seguindo seus instintos e determinado a proteger sua cidade este policial vai descobrir os segredos que estão escondidos na cidade.

Fiquei bastante satisfeita com a leitura desse livro uma vez que a narrativa de Urturi é bastante rica e fluída, conseguindo encadear fatos a cada nova descoberta até culminar na resolução do caso que se dá apenas nos capítulos finais. Alternando capítulos em primeira pessoa na voz do agente Unai no presente, e capítulos em segunda pessoa na década de 70, a autora entrega todas as ferramentas para junto de Unai descobrirmos não só quem é o assassino, como quais foram as motivações do crime.

Mais do que narrar crimes, a autora foi muito fiel a cultura basca nos apresentando detalhes dos vilarejos, os costumes tanto de sua mitologia antiga quanto da religiosa cristã, passando por costumes até de alimentação. Assim é possível uma imersão na cultura basca com bastante profundidade, o que até nos faz as vezes esquecer que trata-se de um livro policial, porque ele vai mais fundo. Além disso ela também se ocupa bastante dos personagens, de suas características psicológicas e de suas histórias de vida.

Unai López é um policial jovem que já tem uma carga emotiva muito alta, pois perdeu a esposa grávida dos filhos de forma brutal e a tristeza pela perda ainda é muito presente. Inclusive sua escolha de se transformar em um perfilador criminal vem desse evento. É muito ligado a família, e determinado, o que faz dele um homem inquieto e em constante movimento. Sua inquietação é que o move para além do que é visível, e o ajuda encontrar respostas.

Sua parceira Esti é também sua melhor amiga. Ela já conhece Unai e seus métodos de trabalho, assim sempre o ajuda acobertando seus comportamento não tão bem vistos na corporação. Também tem um passado triste junto de seu irmão. Alba Salvatierra é a subdelegada que ora atrapalha, ora ajuda a dupla, com uma personalidade um pouco duvidosa acaba se alinhando a Unai.

Os gêmeos Ortiz são personagens marcantes na trama, uma vez que um é o acusado dos crimes e o outro o policial que prendeu o próprio irmão. Mas o passado da dupla é quem marca seus caminhos, até o fim a dúvida permeia o comportamento dos dois, e a ligação deles chega a ser doente, já que se vêem como uma entidade única em dois corpos.

Ao final não só descobrimos quem mata, como também existe uma jornada que os personagens desenvolvem que flerta com algo poético. Diferente dos demais romances policias que já li, aqui o leitor se sente também em uma jornada de auto descobrimento dos protagonistas.

Recentemente a Netflix adaptou o livro a um filme, e infelizmente foi uma adaptação muito rasa que não consegue transmitir a riqueza do livro. Tudo se passa de forma muito rápida e sem maiores explicações, fazendo com que o crime se desvende de forma muito fácil quando na verdade Unai sofre cada dia para descobrir alguma coisa. Entendo que um filme não consegue adaptar um livro, mas não concordei com as escolhas feitas no filme que mesmo sem a referência do livro não me agradaria pela superficialidade.

O Silêncio da Cidade Branca é parte de uma trilogia, a Trilogia da Cidade Branca, os demais livros Os ritos da água e Os senhores do tempo completam a série, mas ainda não foram publicados por aqui. Espero que sejam já que Eva tem uma escrita que precisa ser mais conhecida por aqui!



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A Garota do Lago - Charlie Donlea


Existem autores que conseguem criar uma força de atração em suas páginas tamanha que ao terminar um capítulo ao invés de você ir dormir você sente a necessidade de prosseguir para saber o que acontece, e isso não seria problema se o próximo capítulo não lhe despertasse o mesmo problema! O autor Charlie Donlea é muito bom nisso, em A Garota do Lago, publicado pela Faro Editorial, mais uma vez ele mostrou que não brinca em serviço!

Summit Lake é uma pequena cidade entre as montanhas e a beira de um lago, um lugar onde famílias procuram para relaxar ou morar sem perigo, nunca houve um homicídio até que Becca Eckersley é encontrada quase morta em sua palafita. Para investigar a morte da jovem, a repórter Kelsey Castle é enviada diretamente de Miami para este refúgio. Mas o que parecia um simples caso se desdobra em uma trama muito mais profunda, que exigirá muito mais de Castle do que uma investigação, ela terá que resolver a tempestade que ainda paira em sua cabeça, superar um trauma para quem sabe descobrir o que aconteceu com esta jovem estudante.

Conhecia a narrativa em terceira pessoa de Donlea com A Garota deixada de Lado, livro que por sinal amei, e por isso vim a ler seu primeiro livro publicado, A Garota do Lago. Nesta primeira publicação seu esquema de escrita já existe, mas é um pouco mais sucinto e direto, embora tenha cenas fortes ele é mais brando e menos aprofundado, sem que isso comprometa o entendimento ou o desenvolvimento da estória. Um ou outro detalhe traria mais emoção a estória, mas não tê-los não chega a ser uma falha.

O capítulos alternam a visão no passado de Becca, com a visão de Castle no presente em sua investigação. A alternância é excelente porque ora um capítulo evoca uma dúvida, ora um capítulo a responde, com uma costura extremamente interessante que prende o leitor a querer saber o que aconteceu. O desfecho em si surpreendeu em partes, devo dizer que acertei o culpado, mas sua apresentação não se deu como esperado. E ao fim tudo que posso dizer é que é triste, muito triste!

Becca é uma jovem estudante de direto que provêm de uma família rica, ela soa como uma pessoa que parece flertar com os homens sem se dar conta que está fazendo isso. Isso porque suas relações culminam em problemas com os homens, mas não porque ela tenha atitudes de fato nesse sentido. Ela é uma personagem um pouco vaga e misteriosa, embora tenhamos capítulos com ela seguimos por muito tempo no escuro do que esperar de seus comportamentos. Ela não despertou muito minha empatia.

Já Kelsey já tem sua estória e personalidade mais marcante, e fica evidente desde as primeiras páginas que ela sofreu algum trauma que ela não conseguiu superar, sequer lidar de frente. Ironicamente o crime em questão a faz se colocar frente a frente com o que viveu, e ela se vê obrigada a lidar de alguma forma com isso. Mesmo diante de um motivo que poderia paralisá-la, ela segue porque sente que precisa ajudar Becca, porque se identifica com a jovem morta.

Duas pessoas são fundamentais na estada de Kelsey na cidade, Rae a gerente do café local, e Peter um médico do hospital. Ambos acabam de conhecê-la, mas acreditam no propósito da repórter de trazer a luz o caso do jovem, já que alguém está impedindo que a verdade venha a tona. Gostei de ambos, mesmo que não apareçam tanto.

Brad e Jack , são colegas de Becca da faculdade, junto a Gail são um quarteto inseparável. Brad e Jack são mais explorados e tem importância no andamento da trama, mas Gail aparece apenas como figurante. Devo confessar que nenhum destes jovens me agradou muito, tirando Jack, todos ricos e querendo apenas serem os melhores e ter dinheiro, e claro com certo conflito com suas famílias.

Facilmente o livro daria um ótimo seriado, tudo nele lembra muito os seriados policiais de suspense e investigação abundantes na Netflix. Se for bem explorado pode até superar o livro!

A Garota do Lago é o primeiro livro que mostrou o potencial do autor que mais tarde aparece em seu próximo livro. O autor teve um livro lançado por aqui, seu terceiro, Não Confie em Ninguém, e que quero logo ler e descobrir se sua narrativa continua evoluindo. Enquanto isso embarque para esta cidade perto do lago e descubra porque uma jovem que tinha o mundo aos seus pés acaba de forma tão triste, vale a leitura!



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Do Nosso Jeito: Mulheres, Liderança e Sucesso – Maureen Chiquet

Sempre gostei bastante de conhecer histórias de empreendedorismo, principalmente de mulheres de sucesso que nos inspiram por terem chegado tão longe. Em um mundo onde as principais lideranças são masculinas e temos que batalhar muito para alcançar os mesmos méritos, é gratificante ler sobre as mulheres que conseguem. Sendo assim, resolvi começar a ler essa obra e conhecer um pouco mais a história de Maureen Chiquet.
Nesse volume, a Ex-CEO mundial da Chanel descreve a sua trajetória de uma Bacharel em Artes com Especialização em Literatura até chegar ao cargo de liderança de uma das maiores marcas de luxo do mundo, passando por cargos importantes como estagiária de marketing na L’Oréal em Paris, a ascensão dos níveis hierárquicos da Gap e da Old Navy, e o período em que foi presidente da Banana Republic. Com uma linguagem simples e deliciosa, Maureen deseja inspirar uma nova geração de mulheres a cultivar sua própria maneira de viver e liderar, desejando reconsiderar o que significa ser mulher, mentora, esposa e mãe.

Logo no início da leitura, ela fala que não existe fórmula correta para perguntas como alcançar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ou como ser promovida, que ninguém tem essas respostas. Porém, que ela conhece a atitude e a sensibilidade, as perguntas e curiosidades que a conduzirão a caminhos de autodescobertas além dos limites.





Um Casamento Conveniente – Girl Meets Duke #01 – Tessa Dare

A vida do Duque de Ashbury mudou completamente desde a guerra que deixou sua aparência desfigurada, com cicatrizes no corpo e no rosto. Mas não foi apenas seu exterior que ficou marcado. Além de ter mexido bastante com seu psicológico, a reação e o desprezo das pessoas com quem encontrava, inclusive sua própria noiva, o abalaram profundamente.
Porém, por conta do título ele precisa de um herdeiro e está pronto para encontrar uma mulher com quem casar. Mas sabe que esse matrimônio precisará ser por conveniência, já que acredita que nenhuma gostaria de se deitar com ele sem algo em troca. Então ele cria regras e busca quem vai aceitá-las.
E é aí que surge Emma Gladstone, uma jovem costureira que lhe faz uma visita para cobrar uma dívida. Tendo enfrentado coisas ruins, muita dificuldade na vida e percebendo que Ash é mais do que a aparência de monstro que ele quer construir, ela aceita o acordo porque também tem planos que precisam de uma solução. O casamento pode ter começado de fachada, mas será que os sentimentos também permanecerão iguais depois de passarem tempos juntos e se conhecerem melhor?
Adoro releituras de obras que amo, então fiquei muito feliz quando soube que Tessa Dare tinha escrito um Romance de Época, meu gênero favorito, com elementos de A Bela e a Fera, meu Conto de Fadas preferido. E eu simplesmente AMEI o resultado.
Gostei bastante de acompanhar a jornada desse casal vivenciando um casamento de conveniência, depois o surgimento dos sentimentos e evoluindo para uma relação apaixonada. Suspirei em diversos momentos. Foi bacana vê-los se envolvendo e como passaram a admirar um ao outro e também auxiliar na evolução do parceiro com apoio e boas intenções.
A leitura é leve e envolvente, perfeita para passar um tempo em ótima companhia, sorrir enquanto conhece os personagens mais a fundo e terminar com um quentinho no coração. A escrita de Tessa é gostosa, muitos diálogos são sarcásticos e nos fazem rir. E tem uma pegada mais sexy, então há diversas cenas mais explícitas



Gostei bastante de ambos os protagonistas, que são carismáticos, incríveis e combinam juntos. Adorei a construção deles e do romance. Curti ver o desenvolvimento de personalidade de Ashbury e o quão ele precisou entender muitas coisas e aceitar a si mesmo (ainda que o processo tenha sido longo e difícil) e como Emma foi essencial nas etapas. E ver o amadurecimento dela, superando traumas do passado, e entender como é forte, guerreira e maravilhosa, também foi bem bacana e inspirador.


Anne de Avonlea – Anne de Green Gables #02 – L. M. Montgomery

Assim que terminei de ler o 1º volume, fui correndo conferir a 2ª obra dessa série que me encantou tanto. Para quem ainda não leu as minhas opiniões sobre Anne de Green Gables, não deixe de conferir no Feed.
Nessa continuação, Anne tem 16 anos e continua sendo uma menina madura, inteligente, sonhadora, alegre e gentil. Ela resolveu desistir do curso superior para ficar com sua mãe adotiva em Avonlea, se tornando a nova professora da escola da vila, e participando também de projetos para melhoria da comunidade.
Vamos acompanhando nossa protagonista em sua nova jornada, sendo mais madura, porém não menos sonhadora. Ela leciona para crianças entre 7 a 11 anos e aprende a lidar com brigas, perguntas, histórias bem diferentes, etc. Entre os seus alunos está Paul, um menino muito amoroso que é como a sua versão masculina, sonhador que faz muitas perguntas e com uma forma única de ver o mundo, e com isso vemos como Anne se torna uma pessoa muito importante em sua vida.
Com ideias bem à frente do seu tempo, Anne não concorda que o castigo físico é a solução para tornar os seus alunos melhores, acreditando que com o diálogo poderia alcançar bons resultados. Isso faz com que ela tenha vários embates com outros professores, mas a nossa cabeça dura não deixa de demostrar a sua opinião.
Eu realmente gosto muito de acompanhar essa série, que traz uma leveza em sua narrativa rápida e cativante e nos deixa com o coração aquecido. Nesse livro conhecemos outras crianças incríveis como Davy e Dora, além de outros personagens marcantes que tornam todos os momentos envolventes e encantadores. Confesso que senti falta de um pouco mais de interação de nossa protagonista com Gilbert porque estava com ótimas expectativas, mas tenho certeza de que em breve isso deve mudar.



O final acaba de um jeito que eu realmente quero muito ler o próximo para acompanhar a nova fase de nossa Anne, quem sabe até com um romance. Ainda não assisti a série de televisão, então não posso apontar o que é parecido ou não, mas espero assistir em breve já que várias pessoas estão me indicando.


Anne de Green Gables – Anne de Green Gables #01 – L. M. Montgomery

Os irmãos Marilla e Matthew Cuthbert decidem adotar um menino para ajudar nos serviços da propriedade, já que as coisas não são como antes. Porém, ao chegar ao local de encontro é uma menina ruiva quem espera para ser levada para o novo lar. A princípio a órfã Anne Shirley não teria lugar naquela família, mas logo conquista os membros, que se apegam facilmente a seu jeito com todo falatório e imaginação.
Vamos acompanhar suas peripécias na nova casa e na comunidade, fazendo amigos, desafiando várias questões, ganhando destaque e até participando de uma competição que ela própria cria em sua cabeça. E logo conquista não só os donos de Green Gables como também toda a cidade de Avonlea e os leitores.
Anne é ingênua, bastante otimista e igualmente dramática. Também é sonhadora, muitíssimo distraída e dona de uma personalidade forte e extremamente falante. O elenco de personagens é incrível, cada qual com sua personalidade marcante e diferente entre si. Destaque para Marilla, dura e doce ao mesmo tempo e importante no crescimento de Anne, e Diana, cuja amizade é essencial para a protagonista.
Mesmo gostando de todos, meu preferido foi, de longe, Matthew. Com uma personalidade mais fechada e sendo calado, retraído e até solitário, ele tem um coração enorme e sempre quer fazer tudo, mesmo sem saber como, para ajudar Anne e deixá-la feliz. Ele é a definição de pessoa fofa e bondosa.

Essa é uma leitura mais calma, com diversos momentos de monotonia, como acontece geralmente em cidades do interior. Então tem todo esse clima gostoso. A escrita flui bem e a trama é leve. De modo geral, curti a leitura e pude entender o motivo de conquistar tantos leitores. Mas também me senti bem triste com acontecimentos do final deste volume.
Uma característica da narrativa da autora é que ela nos deixa ávidos por alguma cena ou acontecimento de tanto que Anne fala sobre o assunto, inclusive de maneira bem empolgada, mas nem sempre nos mostra a cena de fato acontecendo. Só temos a possibilidade de saber como foi depois, através de relatos, principalmente da própria Anne. Confesso que fiquei um pouco frustrada com isso em determinadas ocasiões.


A edição que li foi da Nova Fronteira, que está simplesmente LINDA! Com capa acolchoada e cheia de purpurina, miolo todo ilustrado e enfeitado, páginas em papel couché com alta qualidade de impressão e texto bem diagramado.


Bad Things – Tristan & Danika #01 – R.K. Lilley


Amo romances contemporâneos e sempre tento colocar um livro desse estilo na minha lista de leituras. Quando li a sinopse de “Bad Things” sabia que iria encontrar nessa história um enredo que iria me encantar, e por isso comecei assim que me foi possível.
Nesse volume conhecemos Danika, uma jovem que teve uma vida difícil e que sempre acaba se apaixonando por bad boys. Quando conhece Tristan, sabia que se cedesse a tentação entraria em um grande problema. Porém, a medida que vai conhecendo ele, a tensão sexual entre os dois vai crescendo cada vez mais.
Nossa protagonista consegue nos encantar com sua personalidade de fácil convivência. É como se a gente imaginasse uma amiga no lugar dela. E Tristan, mesmo sendo aquele típico bad boy que já sofreu bastante em relacionamentos e não pensa em entrar em outro novamente, é um ótimo amigo e um cara realmente gente boa. Danika sempre muito apegada ao passado e aprendeu com ele a viver o presente. E com isso vemos como o relacionamento deles foi se formando e como, após se apaixonar profundamente, sua queda nessa história de amor acaba sendo dolorosa.
Com dramas, romance e cenas de sexo, esse volume consegue nos conquistar com uma narrativa fluida e cativante. Foi maravilhoso poder acompanhar os protagonistas se conhecendo, virando amigos, e depois vendo os sentimentos evoluindo a partir daí. Com um romance intenso, somos apresentados a diversos tipos de sentimentos e não conseguimos parar de ler até chegar ao fim.



Todos os Pássaros no Céu- Charlie Jane Anders


Faz algum tempo que não leio um livro que me desperta tantos sentimentos ambíguos ao mesmo tempo, Todos os Pássaros no Céu, da autora Charlie Jane Anders publicado pela Morro Branco até agora não me fez um sentimento definitivo por ele.

Patrícia e Laurence são duas crianças que enxergavam o mundo de forma diferente, mas que mesmo assim tinham um lugar em comum para compartilhar, ela embora com poderes mágicos e ele com talento para ciência não eram bem aceitos pelos que os rodeavam. Ninguém os tolerava e a exclusão social os uniu. Mesmo depois de anos de separação a vida volta os unir, e cada um em seu lugar terão que unir forças para o bem comum.

A narrativa é dividida em quatro livros que são passagens no tempo, a primeira e a segunda parte foram partes muito incômodas para mim, foi terrível ver como os pais destas crianças eram egoístas e ruins para os dois, os pais de Patrícia são péssimos, boicotam a filha de todas as maneiras possíveis e despertam muita raiva (o que pensar de um casal que deixa a filha trancada no quarto uma semana passando comida por de baixo da porta?!!). Tinha vontade de parar a leitura e ir brigar com eles, e olha esse sentimento é raro. Os pais de Lau não ficam para trás, mas parecem mais perdidos do que de fato ruins como os de Patrícia.

Quanto ao estilo de escrita de Anders é fluído e ágil, o livro assim passa rápido e não demorou a correr, mesmo que eu me sentisse perdida em diversos momentos. Charlie tem um jeito próprio de criar sua sequência de fatos que não segue o comum. As passagens de tempo são quebradas e não avisadas, e as vezes o leitor pode se pegar perdido no pedaço que foi subtraído.

Patrícia é uma garota sensível e pura que desde muito pequena consegue falar com os animais e descobre através de um pássaro que era uma bruxa. Este fato a marcou profundamente e desde então tudo que ela quer é desenvolver a magia e encontrar seu lugar ao mundo, já que na escola sofre bullying, e quando digo isso é dos pesados que envolvem inclusive sua irmã. O modo como seus colegas a tratam cortou meu coração, e a passividade da mesma é de se admirar! Com a passagem do tempo, depois que ela vai estudar magia ela passa a ter mais segurança e certeza de seus talentos, mas mesmo assim vive no medo porque de alguma forma ela parece ter poderes que nem seus professores sabem bem como lidar. E sua vontade de salvar a todos é mal interpretada pelos demais bruxos.

Laurence é muito inteligente e não tem dificuldades em criar instrumentos tecnológicos, e isto é tão forte que chega a assustar seus pais. Como todo nerd de estória ele também sofre na mão dos colegas de escola, e assim como Patrícia também não os enfrenta. Essa passividade e conformidade acaba por unir os dois que ora se ajudam, ora se repelem, já que em certos momentos Laurence pensa que se afastar de Patrícia pode melhorar sua reputação.

Junto a esses problemas escolares surge um homem que faz parte de um grupo de assassinos e quer matá-los, ele é a pá de cal para acabar com a vida dos dois que tem suas vidas viradas de cabeça para baixo aos treze anos. Estes trechos da trama não me agradavam em nada, já que ele era um assassino frio e sem muita explicação.

Quando chegamos a fase adulta dos dois jovens fica mais clara a dualidade que a autora quer trabalhar, ciência versus magia. E essa mensagem parece ser uma das que mais marca toda a trama. Mas eu acho que o que mais me marcou é a tentativa desesperada destes seres humanos de encontrar um lugar para existir, para serem eles mesmos sem crítica e sem precisar da aprovação dos que o cercam. Ambos parecem viver todo o tempo no medo, sob pressão, e sem saber o que é ser feliz.

Agora pensando em alguns problemas do livro, o primeiro que me vem é o fato de as pessoas chamarem esse livro de ficção científica, não sou especialista no gênero, mas ele é bem diferente de todos os ditos clássicos do estilo, e eu não o chamaria assim, menos ainda o chamaria de fantasia, talvez possamos colocá-lo em fantasia urbana em um futuro próximo? Outro ponto é que acho dispensável as inúmeras páginas que a autora usou da infância dos personagens, acho que se ela usasse o recurso de lembranças de ambos durante a estória no momento presente o livro seria mais dinâmico, e menos cruel também.

Por tratar-se de um livro ganhador de dois prêmios eu esperava muito mais dele. Se a autora queria ter um universo de fantasia e magia dentro de um tempo futuro com tecnologia ela deveria ter se demorado em explicar estes mundos, e suas regras, parece que o mundo é um iceberg cheio de pessoas loucas e cruéis, e que os protagonistas são os dois únicos que tem sentimentos. Me senti desamparada junto a eles durante a leitura.

Todos os pássaros no Céu ainda me perturba, e honestamente ainda não terminei de escolher o lugar dele em minha mente. Como muitos elementos diferentes é uma colcha de retalhos que pretende passar uma mensagem, só ainda não estou tão certa que ele consegue ser claro nela.



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Ordem Vermelha - Filhos da Degradação - Felipe Castilho

Livros são para mim um momento de escape do meu dia. Quando eu estou no meu dia a dia normal eu consigo ler quase todo gênero de literatura sem me afetar, mas quando o mundo está de ponta cabeça como nesse momento da nossa história, eu estou procurando por leituras mais leves, mas desta vez eu me vi com um livro que não me proporcionou um momento de tranquilidade, ao contrário. Em Ordem Vermelha, Filhos da Degradação, do autor Felipe Castilho, publicado pela editora Intrínseca, a leitura foi tudo menos tranquila, não pela sua qualidade, mas pela sua temática.

Untherak é um lugar dominado por uma deusa de seis faces, onde o vermelho é uma cor proibida e todos os moradores servem a deusa de sol a sol. Aelian é um órfão humano que passa seus dias no Poleiro sonhando com o dia que terá sua semi-liberdade, o que ele não esperava é que seu sonho fosse lhe custar tão caro. Após conhecer a Aparição ele acaba junto de companheiros inesperados que junto a ele irão começar uma rebelião.

O universo criado por Castilho é bastante peculiar, sem referências muito explícitas de suas origens. O autor diz nos agradecimentos sobre referências a seus livros anteriores e o folclore brasileiro, mas ao contrário do que é comum acontecer aqui é tudo muito original, e essas alusões são sutis. É tão diferenciado que chega a muitas vezes a ser difícil de compreender certos aspectos, como a moeda utilizada.

Aelian é um jovem que perdeu os pais cedo e se viu sozinho trabalhando de forma dura no Poleiro, local onde falcões enviam encomendas. Quando não está trabalhando ele fica em uma pequena cela. Sempre que pode ele foge pelos telhados, então quando vê a oportunidade de mudar o sistema do local ele agarra a oportunidade. É destemido e leal aos novos colegas.

Ziggy, é um sinfo, uma criatura assexuada com uma sensibilidade diferenciada com uma forte ligação com a natureza. É o integrante do grupo menos letal e mais leve, com uma capacidade de trazer luz nos momentos mais escuros. Harun, é um anão que é um Autoridade (trabalha para deusa), tem uma índole duvidosa já que seu objetivo não é um bem maior, mas o resgate da herança cultural de sua família. Dono de grande força física, é também dono de um humor explosivo.

Raazi, uma kaorsh, tem a capacidade de mudar a cor da própria pele. É uma grande guerreira e luta desde as primeiras páginas pela liberdade de todos. Ela sabe de alguns segredos e mentiras da deusa e planeja que eles venham a tona abalando a lealdade do povo. Venoma é uma mestiça de kaorsh e humano, é letal e desconfiada. Ela junto da aparição fazem muitos estragos pelo Miolo antes de se juntar aos demais.



Todos os personagens tem uma personalidade muito bem delineada e cada raça têm suas características exploradas. Infelizmente por todos eles estarem em uma situação limite acabam tendo suas culturas e costumes perdidos ou abafados, o que é uma pena, pois limita a graça de todas as raças.



Bruce Dickinson: Uma Autobiografia - Bruce Dickinson


Eu não me lembro se em alguma resenha anterior eu citei que sou headbanger, ou seja, ouço metal em diversas vertentes e sou adepta ao estilo de quem curte esse gênero. Para quem nunca esteve entre nós pode soar como baboseira, mas só quem já foi em um show de metal e esteve entre os fãs sabe quanto é incrível ter pessoas com quem você têm diversas coisas em comum. Nesse sentido foi muito natural escolher ler uma biografia de um dos maiores vocalistas de uma das maiores bandas de metal, o Iron Maiden. E aproveitando que a quarentena tem mexido com minhas ansiedades ler Bruce Dickinson: Uma Biografia, escrito pelo próprio Bruce, e publicado pela editora Intrínseca, foi uma companhia excelente para esquecer um pouco o que está ao redor.

Já li algumas biografias, e em geral elas seguem um padrão de nascimento, estudos, relacionamentos e etc. Aqui Dickinson começou sim pela sua infância, mas o modo como ele conduziu sua própria história não seguiu o que eu esperava. Assim que ele começa a estudar não sabemos mais praticamente nada sobre sua família, seus relacionamentos amorosos e amigos. O foco dele é nas disciplinas que ao longo da vida ele estuda, as oportunidades e trabalhos que ele executa e sua relação com a música. Apenas nas páginas finais que ele aborda o câncer que teve e foi a parte mais pessoal sem dúvida que ele abordou. No posfácio ele explica que escolheu tirar a parte sobre relacionamentos porque o livro seria muito grande e que assim ninguém o leria (acho que ele não sabe do que um bookaholic é capaz!!rs)

Com isso talvez pareça que a biografia fique desinteressante, mas não se engane, mesmo sem o que soaria como fofoca, a história de vida deste homem é muito interessante! Isso porque ele é uma pessoa que se arrisca como ninguém a fazer qualquer coisa que alguém ofereça a ele, e veja bem se com isso parece que ele faz o estilo drogas e rock'n'roll, esqueça porque ele faz bem mais o estilo lobo solitário que bebe quieto lendo seus livros. Então se você procura algo mais voltado para esse mundo louco do rock sugiro que você assista o filme do motley crue, porque as vezes eu até esquecia que quem estava escrevendo era o Bruce do Iron Maiden.

Para fãs do Iron Maiden é um livro obrigatório que apresenta o vocalista como ele é em sua essência. Sem dúvida eu jamais imaginaria, por exemplo, que seu primeiro contato com o rock seria através de shows de rock dentro de seu colégio interno que era um tanto estranho eu diria. E menos ainda que ele havia começado a cantar de forma tão espontânea e nada esperada, isso porque ele queria ser baterista, mas sem uma bateria e na falta de um vocalista ele acabou achando que o padre da sua infância que tinha o alertado de sua boa voz seria a validação necessária para se arriscar.






Depois de Você - Como Eu Era Antes de Você #02 - Jojo Moyes


Como Eu Era Antes de Você acabou com meu coraçãozinho quando o li, jamais pensei que me sentiria assim na leitura, mas ele mexeu muito comigo! Ao saber que a continuação, Depois de Você, da autora Jojo Moyes tinha sido lançado pela editora Intrínseca eu me perguntei se teria a mesma reação. Atenção por tratar-se de um segundo volume contém spoilers do livro anterior.

Louisa voltou da Europa depois de tentar superar o luto pela perda de Will, e falhou severamente em apenas viver como tinha sido pedido a ela fazer. Tentando começar de novo ela mora sozinha em Londres e trabalha em um pub, mas sua vida não consegue andar, as memórias não a abandonam, e a tristeza ainda é muito grande. Depois de uma crise ela sofre um acidente ao se assustar no telhado de seu apartamento, um novo homem surge em sua vida, e uma visita inesperada junto com um grupo de ajuda ao luto farão com que ela comece a enxergar luz no fim do túnel.

A narrativa de Moyes continua como em seu livro anterior, realizada em primeira pessoa de forma descontraída e dinâmica, sempre com Lou na narrativa, salvo um único capítulo narrado em terceira pessoa sob o ângulo de Lily. E o único problema que este volume tem, e que seu anterior não tinha, é que em determinado ponto da estória a autora passou tempo demais em lugar nenhum. Muitas páginas poderiam ter sido subtraídas, já que não acrescentam nada a trama, ao contrário acabam cansando o leitor.

A estratégia usada pela autora para retomar a estória de Lou é muito boa, primeiro porque podemos acompanhar uma estória muito realista, onde o final não foi um felizes para sempre, embora Lou tenha acabado de voltar de Paris, tenha um apartamento seu em um dos melhores locais de Londres, ela não consegue superar a perda de Will e mais que isso carrega uma culpa por acreditar que poderia de alguma forma o ter convencido a ficar. Segundo porque a nova personagem Lily surge com um problema que é capaz de criar tensão e gerar movimento para transformação de Louisa, é uma reviravolta inesperada!

Sam, o paramédico, também foi marcado pelo luto e a perda, mas teve outro modo de encarar a vida a partir disto. Ele tenta transmitir isto a Lou, que embora saiba racionalmente não consegue sentir assim em seu coração. Infelizmente o pretendente de Lou embora seja um homem muito interessante não teve destaque suficiente, assim como Lou não conseguia se entregar a ele, a autora parece ter também tido dificuldades de desenvolver o romance dos dois que muito tinham a conversar mas que pouco de fato o fizeram. O desfecho dos dois também não me agradou muito.

Lily, é uma nova personagem que não posso revelar sua origem, é uma adolescente muito chata! Não só porque é revoltada com a vida que tem e pelo que não tem, mas porque é do tipo que gosta de atacar verbalmente as pessoas a troco de nada. Faz uma verdadeira bagunça na vida Lou, mesmo quando ela se dispõe a ajudar, e demora muito a entrar nos eixos. O capítulo que é narrado exclusivamente sobre ela explica um pouco de seu comportamento desviante, e deveria ter sido revelado antes para atenuar a chatice da mesma!

O livro é marcado fortemente pela mensagem de superação de luto, no sentido de que seguir a vida não significa esquecer, deixar de amar, ou ainda amar menos. Significa seguir, viver porque é para isso que nascemos, para viver intensamente cada dia. Neste aspecto o livro aborda de forma muito sincera e honesta, especialmente nos encontros na Igreja que Lou passa a frequentar. Os membros deste grupo são ótimos, e são muito importantes para Louisa rever seu papel diante da morte de Will.

A personalidade viva e maluquinha de Louisa continua presente, mesmo deprimida ela tem ótimas falas e atitudes, é uma protagonista que desperta empatia, e vontade de ter por perto. Ela devo acrescentar acaba vivendo situações muito inusitadas que não a deixam ter qualquer rotina!  Página a página ela nos faz torcer por ela. E fica muito evidente que sua personalidade veio de seus pais que neste volume acabam tendo um conflito que trás humor e leveza ao livro. A família de Lou é tão doida como ela, e simplesmente os adoro!

Depois de Você foi uma leitura agradável, teve seus pontos de emoção, mas não chegou perto de seu precursor. Vale sua leitura porque nos desperta para diversos pensamentos, e Moyes sabe como prender a atenção. Mas leia tendo em mente que algumas pedras surgem no caminho, mas nada que um coração aberto não possa superar!

O terceiro livro da série, Ainda Sou Eu, já foi publicado e claro estou na expectativa que ela finalmente possa ter seu felizes para sempre!



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O Filósofo e o Lobo - Mark Rowlands


De vez em quando surgem oportunidades de leituras inusitadas, livros que eu jamais compraria mas que acabam em minhas mãos, e inevitavelmente deixam uma mensagem. O Filósofo e o Lobo, do filósofo Mark Rowlands, publicado pela Objetiva está entre eles, na verdade eu nem sequer sabia da sua existência, e mesmo quando soube o que eu esperava deste livro não foi o que eu li. Surpresas que a vida trás.

Mark era um jovem professor universitário quando se deparou com um anúncio de venda de filhotes de lobo, o que era para ser uma visita descompromissada acabou com um filhote, Brenin, um lobo destruidor de lares que transformou para sempre a vida deste filósofo, a ponto de obras nascerem, e um novo homem surgir. A partir desta relação Rowlands narra sua estória com inserções da filosofia de uma relação que de normal não teve nada, mas que muito tem a ensinar!

Mark era um jovem comum que dava aulas em uma universidade, participava do time de rugbi e de festas com muita bebida e mulheres. Sua vida muda quando ele resolve comprar Brenin, este lobo puro dono de uma personalidade única, isto porque ele não podia ficar sozinho em casa, já que tinha uma tendência a destruir tudo (logo em seu primeiro dia em casa ele comeu a tubulação do ar condicionado). Com isto ele estava em todos os locais que Mark ia, como os jogos do time de rugbi, as aulas na universidade e inúmeras corridas, corridas estas que os dois faziam em grande cumplicidade.

Ao mesmo tempo que o lobo se tornava civilizado, o homem se tornava lobo. Isto porque com o tempo Mark se isolou mais e mais do mundo, a ponto de sair da universidade e se isolar com seus cachorros e Brenin, e só escrever. A relação que ele estabeleceu com o lobo foi muito peculiar, e é narrada em detalhes em primeira pessoa pelo autor, que inicialmente soa um pouco chato, mas a medida que consegue expor seus sentimentos e detalhes da convivência de ambos nos cativa.

"As vezes é necessário deixar que o lobo dentro de nós se manifeste, silenciar a tagarelice incessante do primata." (pg. 17)

O livro é conduzido pelo que Rowlands aprendeu na sua vida com Brenin, organizado em torno das lições que aprendeu, enfocando os acontecimentos relacionados com os pensamentos que o autor queria desenvolver. Inicialmente seu foco se dá muito na diferenciação de lobos e de cachorros, ele explica em detalhes porque embora da mesma linhagem eles sejam distintos em comportamento, e confesso que esta parte me cansou um pouco. Mas uma vez que ele se fez claro, e ele focou na relação dos dois, e trouxe conceitos da filosofia para ilustrar suas conclusões a narrativa ganha graça, e profundidade. Sem que a filosofia canse, já que ele não se demora muito nela.

O conceito que mais me despertou atenção foi o de que os homens são seres temporais que vivem o presente lembrando do passado que já não existe e projetando o futuro que ainda não aconteceu, logo podemos dizer com segurança que raramente de fato vive o presente. O passado que recordamos e o futuro que ainda não aconteceu molda de forma decisiva o aqui e agora. Enquanto que o lobo é um ser do momento, ele não tem passado ou expectativas do futuro, ele vive o momento presente intensamente, e são momentos assim que são para os homens lembrados como momentos bons, mesmo que quando vividos sejam experienciados como ruins.

Para se referir aos seres humanos o autor usa o termo primata, e esta alma símia é gananciosa, pois o importante é ter, já que valoriza em termos do que possui, já para o lobo o mais importante não é possuir, ou quantas coisas ele tem, mas sim ser certo tipo de lobo. Esse discurso do que importa é ser e não ter já é um pouco batido, mas ele o aborda sobre outro enfoque quando evoca o ponto de vista do lobo.

Ao fim do livro é no mínimo interessante perceber quanto o autor se deu conta de que suas lembranças quando vivia apenas com o lobo e suas cachorras tinha um ângulo de matilha, ele praticamente não se lembra dele como indivíduo, apenas como membro desta matilha que o tocou profundamente. E como tudo que transforma o fez sofrer, mas também crescer. Hoje ele é um homem bem sucedido do ângulo capitalista, não bebe mais como antes, e tem uma família, mas carrega dentro de si o que aprendeu, e foi o que compartilhou nas páginas de seu livro, que ora soava como um livro de filosofia, ora como um livro de memórias de um bêbado andarilho.

"Às vezes tenho uma sensação das mais estranhas: eu era um lobo, e agora sou apenas um labrador bobo. Brenin representa para mim uma parte da minha vida que já não existe. É uma sensação ambígua. Fico triste por já não ser o lobo que era. E fico feliz por já não ser o lobo que fui. O mais importante porém é que fui um lobo." (pg. 208)

O filósofo e o Lobo é um relato de uma estória de amor verdadeiro entre um lobo e um homem, onde a troca era genuína e desinteressada, são lições de como viver uma vida mais verdadeira e consciente. É inspirador para transformar, e nos trazer para o presente, não no passado, nem o futuro, o simples presente sem preocupações, apenas com a brisa do dia, um bom prato de comida ou uma corrida sem hora para voltar!




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A Poção Secreta - Diário de uma Garota Alquimista #01 - Amy Alward


Quando o assunto são livros eu gosto de quebrar a cara e ser surpreendida. Porque eu achava que sabia o que esperar do livro A Poção Secreta, escrito pela inglesa Amy Alward, publicado pelo selo Jangada, já que suas primeiras páginas seguiam o padrão infanto-juvenil de fantasia, mas eis que tudo toma um rumo diferente e eis que ele não é o que eu esperava,  pronto essa é a diversão de um bom livro!

Samantha Kemi é uma aprendiz de alquimista que é surpreendida por um pedido inusitado: participar de uma caçada para encontrar uma poção- antídoto que curasse a princesa do Reino de Nova que acidentalmente tomou uma poção do amor e apaixonou-se por si mesma. Ela vê na Caçada Selvagem uma oportunidade para reerguer a loja de poções da família além de orgulhar seus ancestrais. Para fazer sua poção ela terá que enfrentar perigos além das fronteiras de Nova em zonas selvagens, além de uma corporação tecnológica que produz poções sintéticas. Mas seu pior inimigo talvez seja algo que ela jamais imaginou, seu próprio coração, ela será capaz de resistir a ele?

Alward escreveu sua narrativa em primeira pessoa nos capítulos narrados por Samantha, alternados por outros escritos em terceira pessoa sob a ótica da princesa Evelyn. O trabalho gráfico da editora é lindo, as texturas da capa e a diagramação transmitem a doçura do livro. E eis um pequeno engano que isso trás, eu achei que o clima do livro seria assim fofinho e leve, mas eis que existe muita aventura e ação ao longo da narrativa. Muitos lugares são visitados, diversas criaturas surgem como sereias e unicórnios, e tudo menos o óbvio estão entres os parágrafos.

O mundo construído pela autora parece seguir o padrão medieval quando a realeza é evocada, mas não se engane, ao mesmo tempo que tradições que rementem a essa época são narradas temos também a tecnologia com celulares e computadores, mesclados ainda com magia. O que pode até soar bagunçado, mas não é, a autora soube juntar todos estes elementos de forma a parecerem que sempre existiram juntos. Embora ela tenha uma crítica a tecnologia já que esta fez com que poções sintéticas existissem e deixassem de ser orgânicas. Este aspecto é trabalhado através da família Kemi que ainda persiste em sua pequena loja em fabricar estas poções de forma tradicional, e com isso sofre com falta de clientes por ficar para trás.

Zain Aster é o melhor amigo da princesa, e também herdeiro da corporação Zoroaster. E por boa parte da trama não conseguimos saber para que 'lado' ele trabalha, se tem de fato um bom coração que não concorda com os feitos do pai, ou se apenas esta simulando para ganhar a caçada. Esta resposta surge apenas nas páginas finais.

Sam sonha estudar na universidade, mas como única herdeira do conhecimento alquímico do avó, e diante do pouco dinheiro da família, ela aceita ficar trabalhando na loja enquanto todo investimento fica na sua irmã, que é uma talentosa, ou seja, possui magia. Quando a caçada surge ela vê a oportunidade de ganhar dinheiro e ajudar a família, mas mais que isso de sair da loja e conhecer o mundo que tanto anseia. É muito inteligente e inocente, seu pensamento rápido aliado ao conhecimento salvam tanto sua própria pele quanto das que a cercam.

A família Kemi é bem interessante, o avô tem um forte ranço do passado com os criadores das poções sintéticas, fato este que depois Sam deve explorar para conseguir vencer; a irmã é uma jovem muito doce que embora sempre protegida é capaz de coisas que nem ela sabe; já os pais apoiam tudo que a filha decide fazer, e acreditam cegamente em seu talento.

Kirsty é uma coletora, ou seja, ela coleta os ingredientes necessários para as poções. Ela é quem leva Sam para o mundo atrás dos possíveis ingredientes para o antídoto. É destemida, não tem medo do perigo ou da dor. Acredita sem dúvidas que Sam é capaz, alias que é a única capaz de fazer esta poção. Já Anita é a melhor amiga de Sam e também está na caçada, embora seja uma concorrente coloca sua amizade acima de tudo.

Existe um pequeno romance, e é ele quem vai de fato auxiliar Sam com a poção, afinal como fazer um antídoto para uma poção do amor sem nunca ter se apaixonado? É muito delicado como cada ingrediente encontrado é remetido a um item do amor.

A Poção Secreta é uma aventura por lugares mágicos e sentimentos verdadeiros, é sim uma fantasia, mas também é um leve crítica sobre a tecnologia acima das tradições e natureza. É sutil, delicado e envolvente, como uma poção do amor, a leitura vai nos envolvendo, e quando terminamos estamos nada mais do que apaixonados por esta estória neste mundo que porque não poderia ser o nosso?!

Esta série ainda conta com mais dois livros, A Poção Perdida e A Poção Mortal, todos publicados aqui no Brasil.

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