Magia de Papel - Magia de Papel #01 - Charlie N. Holmberg


É sempre bom ver novas editoras nascerem e lançarem livros interessantes. Quando vi a primeira vez o livro Magia de Papel, da autora Charlie N. Holmberg, também tive conhecimento do nascimento da editora Passaporte. Mais uma editora para trazer livros para o mercado, o que é sempre bom já que quanto mais opções melhor para todos!

Ceony Twill é uma aprendiz, seu maior sonho era poder enfeitiçar o metal, mas o destino quis que ela acabasse como dobradora de papel. Inconsolável ela segue para casa do Mago Emery Thane, seu futuro tutor. Thane é tudo o que ela não esperava jovem e esquisito, além de muito bondoso. Quando já estava se acostumando com as magias com o papel uma visita inesperada coloca a vida do mago em risco, e sua jovem aprendiz parte determinada em salvar a vida do mago.

Eu não tinha exatamente expectativas com relação a este livro, mas por tratar-se de um livro que envolve magia eu esperava alguns clichês dentro do tema. Mas nada disso aconteceu, o sistema mágico que a autora criou é diferente de tudo que eu li até hoje. Sua narrativa em terceira pessoa é toda focada nas ações e pontos de vista de Ceony. Logo o desenvolvimento acaba focado na ação, não temos uma estória introdutória cheia de explicações de como este mundo funciona.

O que é explicado é que existem magos que se especializam em determinados materiais como vidro, papel, plástico, aço, etc, qualquer material que tenha sido criado pelo homem. E para tornar-se mago você frequenta uma escola, Instituto Tagis Praff de Vocações Mágicas, e posteriormente passa por um estágio com um mago da área que quer se afiliar, área essa que não pode mudar posteriormente. Infelizmente foge ao livro como é a relações dos magos com a sociedade, no caso a estória se passa na Londres do século XIX. Também não é dito se todas as pessoas tem vocações mágicas ou não. A única coisa muito clara é que os magos de papel são pouquíssimos e não são muito bem visto, já que aparentemente a magia de papel parece desinteressante.

Ceony começa o livro muito chata já que está extremante emburrada em não se filiar ao elemento que desejava, acha que sua vida com o papel será extremamente desinteressante. Aos poucos ela vai aprendendo algumas magias, e quando parte na missão de resgate para salvar o mago Thane ela compreende a dimensão da magia em que está envolvida. Assim como também acaba descobrindo coisas a cerca de si mesma e de seu próprio passado.

Thane é um homem interessante com um passado desconhecido que acaba descortinado em detalhes na missão de Ceony. Nesta jornada a aprendiz acaba presa em um local onde conhece muitas estórias de vida do mago. Devo dizer que este trecho toma muito tempo do livro, é interessante, mas me cansou um pouco, acho que deveria ter sido um pouco mais dinâmico, não que a autora se demore em descrições ou detalhes, mas o tempo se estendeu além da conta neste local.

A vilã da trama é bastante cruel e está envolvida com um tipo de magia proibida, ela é uma excisora, ou seja, usa carne humana para realizar magias. Não demonstra sentimento ou empatia com ninguém, mas não ficou muito claro porque ela acaba fazendo esta escolha para sua vida, uma vez que era envolvida com uma pessoa boa em seu passado.



Coraline – Neil Gaiman & Chris Riddell


Boa Noite, gente! Tudo bem? Hoje vim falar sobre um livro muito bacana que li recentemente do Neil Gaiman e gostei bastante. Sempre fui fã do autor e amo as suas obras, por esse motivo, sempre que é possível gosto de ler algo de sua autoria. Apesar de já conhecer esse título, ainda não havia tido a oportunidade de lê-lo. Quando vi a belíssima edição da Intrínseca com Capa Dura, miolo todo ilustrado e até fitinha para marcar, tudo seguindo o padrão de cores e tons (clique na próxima foto para ver como ficou por dentro), sabia que não podia esperar mais para conhecer essa história.
Nesse volume conhecemos Coraline, uma jovem que se muda para um apartamento em um casarão antigo com os seus pais. Filha única, às vezes ela se sente muito sozinha, pois seus pais trabalham muito e acabam não dando tanta atenção para a menina. Muito inteligente, nossa protagonista começa a explorar ao seu redor e conhece tudo o que podia, além de visitar os seus vizinhos excêntricos. Quando ela resolve explorar o interior da sua casa, descobre uma porta que dá para uma parede de tijolos. 

Depois de um dia, quando nossa protagonista reabre essa porta, descobre um portal para um outro mundo, onde seus outros pais são criaturas muito pálidas, com botões negros no lugar dos olhos, que lhe dão atenção, amor, carinho, comidas gostosas e mostram diversas brincadeiras, fazendo com que nossa protagonista se sinta mais em casa nesse mundo mágico, onde ela acaba também conhecendo um gato falante com um humor bem ácido.
Com o passar do tempo, vemos que Coraline, sendo uma menina muito esperta, logo repara que tem alguma coisa errada, fazendo com que ela perceba que deve ser corajosa para salvar a si mesma e as pessoas que ama. E com ajuda ela vai viver uma grande aventura.



Com Amor, Creekwood – Becky Albertalli

Depois de ler e me apaixonar por “Com Amor, Simon”, fiquei desejando que a autora escrevesse mais livros sobre o casal formado no livro. Então quando ela finalmente anunciou (depois de muitos fãs pedirem – ou seja, não fui a única que desejei hahaha) o lançamento deste pequeno exemplar, fiquei bem feliz.

Apesar de simples e curto (tem apenas 144 páginas), já deu para matar saudades dos personagens que tanto amamos. Através de e-mails vamos acompanhar o que aconteceu com Simon, Blue, Leah e Abby depois de sair de Creekwood para começar a vida universitária.

A minha parte preferida dessa leitura foi rever Simon e Blue e ver como o relacionamento deles está no momento. E é bem fofo, realmente do jeito que eles eram no 1º livro. É também aquele tipo de relacionamento bem meloso, que chega a escorrer mel pelas páginas. Como estão namorando à distância, já que começaram a estudar em faculdades em locais diferentes a 189,1 quilômetros, vamos ver como estão lidando com o fato de não poderem se ver todos os dias (apesar de se visitarem com certa frequência) e como é difícil a situação.

Além de rever esse casal incrível, também temos a oportunidade de acompanhar outro: Leah e Abby, que diferentemente dos primeiros, estão vivendo um ótimo momento juntas, já que dividem o quarto na faculdade e não se desgrudam mais. Até quando assistem suas aulas em locais diferentes, afinal são cursos distintos, elas conseguem uma forma de se comunicar. E estão chegando naquele momento precioso da primeira troca da palavra que começa com “a”.

Já li todos os livros de Becky que foram publicados no Brasil e o do Simon é meu preferido com muita distância, então esse daqui entrou logo atrás na lista de queridinhos dela. Confesso que apesar de não ter amado nenhum dos outros como eles, queria que a autora também tivesse trazido cenas deles para esse exemplar. Mas fico feliz por termos tido a oportunidade de saber um pouco mais sobre alguns outros personagens que passaram pela vida deles.



Alguém Para Amar – Westcott 01 – Mary Balogh

Quando o Conde de Riverdale morre, deixando uma fortuna para a família, as coisas poderiam seguir um rumo tranquilo. Porém, ele também deixou um segredo: Anna Snow, sua filha do primeiro casamento, a qual ninguém sabia da existência.

Anna vê sua vida mudar completamente, já que foi criada num orfanato e não tinha qualquer informação sobre sua família ou origens, nem mesmo possuía qualquer bem valioso. Quando é levada para a alta sociedade para receber um tratamento como lady Anastasia – seu verdadeiro nome e posição social, ela se vê num mundo novo, rico, onde as pessoas se importam com a opinião alheia mais do que deveriam e onde é rejeitada prontamente por várias pessoas, incluindo membros da própria família recém descoberta.

Avery Archer, o duque de Netherby sempre manteve todo mundo à distância e guardava seus próprios segredos. Quando conhece Anna, vê mais nela do que em qualquer pessoa e isso o atrai. E quanto mais tempo passam juntos, mais certo parece que algo seja feito a esse respeito.

Amei o enredo. Já li vááários Romances de Época, afinal é meu gênero favorito, e nunca tinha lido nada parecido. Curti as explicações e justificativas. Adoro como Mary trata o comportamento humano e traz revelações que as pessoas não deixam transparecer. Só achei que faltou emoção e cenas de perder o fôlego, então demorei lendo. Conhecemos os protagonistas dos próximos volumes da série e mal vejo a hora de ler as continuações.

Adorei que o protagonista masculino se libertou da ideia de que os homens devem ser fortes, grandes, etc. para poder exalar masculinidade. Gosto que Avery pode parecer mais frágil ou até com feições mais delicadas, e ainda tem respeito (conquistado) e é bem resolvido. Ele tem realmente um ar de Duque: arrogante, nariz em pé e extravagante, mas também é envolto em mistério e é dono de um autocontrole invejável.

Gostei do fato de ele ter feito artes marciais. Acho que combinou muito com o personagem, além de ser algo que não é muito explorado nos Romances de Época. Também achei importante que a autora tenha abordado o passado de Avery, a intimidação que sofreu, e como os garotos são tratados só porque precisam representar uma imagem de força e sem sentimentos.

Curti bastante Anna, conhecer seu caráter e seu modo de agir. E ver como ela lidou com maturidade com sua nova vida, ainda que tenha vivenciado um giro de 180°. Adorei sua visão, o modo como ela é segura e sempre diz que não é melhor nem pior que ninguém.

Eu gosto das obras escritas por Mary Balogh, acho que são bem construídas, e os personagens e suas próprias histórias são bem desenvolvidos. Porém, não consigo ver a química entre os protagonistas. Ainda que eu torça para eles como um casal, não sinto aquela paixão, aquele palpitar no coração, e falta um sorriso involuntário se formando nos meus lábios. Os relacionamentos são mais tranquilos e maduros, do tipo que eles decidem ficar juntos porque querem e porque é melhor (até há atração física), mas não porque sentem algo forte.