Inversos - Clichê #02 - Carol Dias

Carter Manning é tudo o que se poderia esperar dele; irresponsável, mulherengo, esbanjador, arrogante e não liga para muita coisa além de si próprio e sua música. Ele é um ótimo e famoso cantor, que está nos topos das paradas e usa sua fama muito bem. E é Bruna, sua assistente pessoal, que sempre tem que lidar com tudo o que envolve ele, livrando-o, muitas vezes, dos problemas que arranja.
Mas parece que o universo acha que está na hora de fazê-lo mudar de vida. Quando menos espera, duas crianças pequenas são deixadas em sua casa com uma carta dizendo que são suas filhas e que está na hora de Carter cuidar delas e se tornar um pai. Primeiramente, ele não sabe muito como agir e continua sendo o mesmo inconsequente de sempre.
Mas as pequenas Sam e Soph, juntamente com Bruna, vão mostrar para Carter que ele pode ser muito mais do que acredita e vão ajudá-lo a mudar e amadurecer. E ele passa a perceber que talvez seja muito mais do que apenas seu grande ego. E se no meio de caminho ele também perceber que seu coração é de uma certa pessoa, terá coragem de seguir em frente e fazer de tudo para conquistá-la, mesmo depois de ter errado tantas vezes?
A escritora nacional, Carol Dias, está de parabéns por esse livro adorável e sua narrativa envolvente e fluida. Com certeza vou querer ler mais obras de sua autoria e já estou torcendo para que a Ler Editorial publique mais trabalhos dela. Quem sabe mais volumes para esta série? Adoro quando tenho a oportunidade de prestigiar talentos brasileiros.
Gostei muito mesmo da Bruna, que é uma mulher forte, independente, divertida, decidida, amorosa e inteligente. Pudemos conhecer essa história sob seu ponto de vista em primeira pessoa, e adorei conhecê-la e ver que tinha muita paciência para lidar com alguém tão difícil quanto Carter muito bem. E curti mais ainda ver que ela tentou pelo menos esperar um pouco antes de lhe dar uma nova chance, sem aceitá-lo no mesmo segundo em que ele pediu uma nova oportunidade. Isso me fez admirar ainda mais a personagem, já que não são todas que conseguem resistir a um homem tão bonito, sexy e charmoso. Pontos positivos para nossa protagonista.
Na verdade, até a metade do livro eu não suportava o Carter. Ele era mulherengo e ia para cama com todas as babás, e isso me irritava muito, MUITO mesmo. Parecia uma criança mimada que não consegue receber um aviso para não fazer algo que fica querendo desafiar a pessoa e faz mesmo. Fora a falta de respeito que tinha com as próprias filhas, duas crianças pequenas de três anos de idade, que eram mais responsáveis que ele. Ele é adulto e tinha duas garotinhas sob sua responsabilidade, que, inclusive estavam sob o mesmo teto – as vezes apenas no quarto ao lado dentro do ônibus de turnê, e podiam flagrá-lo fazendo sexo com uma mulher a cada dia, ainda mais sendo as próprias babás delas! Isso era extremamente difícil de aceitar. Que pelo menos arrumasse uma mulher de fora, longe daquele espaço! Só de me lembrar dessas situações me vejo com raiva.
Depois que ele melhorou, até passei a gostar mais do personagem, mas ainda não pude ficar completamente apaixonada pelo mesmo por conta dessas coisas que fazia antes. Porém, não podemos negar a sintonia que ele e Bruna possuem entre si, já que estão sempre se ajudando, se apoiando e brincando um com o outro. Além disso, a química é evidente e nos faz desejar que fiquem juntos o quanto antes.
Também achei ótima as interações dos dois e como Bruna conseguia impulsioná-lo a tentar ser e agir de uma forma diferente e ganhar mais responsabilidades. E como ele se importava com ela e queria sempre o seu bem. O casal foi fofo e a construção do romance aconteceu aos poucos, do jeito que gosto. Quando o Carter deixou de ser aquele ser irritante e amadureceu, se tornou um doce, além de romântico e carinhoso. O relacionamento dos dois acabou se tornando bem fofo.


As Cores do Amor - Camila Moreira

Quando tive a oportunidade de ler a prova antecipada deste livro da Camila Moreira, fiquei muito feliz, pois, ao ler a sinopse, sabia que o mesmo tinha tudo a ver comigo e com o tipo de leitura que me interessa bastante. Sendo assim, não poderia deixar de ler uma obra de uma brasileira que prometia trazer tudo aquilo que eu curto, e ainda ter a chance de ler antes mesmo de seu lançamento. Lógico que não pensei duas vezes, passei-o na frente de alguns títulos na minha pilha de leituras e venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito deste volume.
Em “As Cores do Amor” conhecemos a história de Henrique Montolvani, um homem que é o único filho de Enzo Montolvani, um barão da soja, e que foi criado para assumir o lugar do pai e se tornar um poderoso barão. Ele cresceu tentado agradar seu pai, mas, após fazer de tudo e ainda assim não fazer nenhuma diferença, sendo todo o seu esforço insignificante aos olhos de Enzo, Henrique passou a repudiar tudo o que o coronel gostava. Ele cresceu e se tornou um cara mulherengo, um verdadeiro cafajeste, até mesmo o maior da região. Os seus amigos, que acompanhavam a farra junto com nosso protagonista, foram encontrando o amor, e, de um em um, foram abondando essa vida, deixando Henrique sozinho.
Neste volume conhecemos também Sílvia, uma jovem negra que sempre sofreu muito preconceito por sua cor. Órfã de pai, abandonada pela mãe e sendo a responsável pela sua irmã mais nova, ela é uma mulher batalhadora que nunca deixou que o ódio das pessoas afetasse a sua vida e sempre correu atrás dos seus sonhos. Quando a sua melhor amiga se casa, ela é a madrinha do casamento e lá conhece Henrique, o melhor amigo do noivo. Eles acabam se encantando um com o outro, e, depois de várias trocas de olhares, acaba rolando um beijo.
Quando nosso protagonista beija essa bela negra no casamento de seu melhor amigo, algo dentro dele se modifica, ela não é só mais uma conquista para a sua grande lista e realmente mexeu com ele. Porém, por ela ser negra, Henrique nunca poderia apresentar a mesma para o seu pai. Sendo assim, quando a encontrou no dia seguinte no posto de gasolina quando estava na presença dele, fingiu que não conhecia a bela moça, mesmo que ela tenha ido falar com ele. Sabendo que o que fez foi muito errado, Henrique faz de tudo para achá-la para que possa se desculpar por seu comportamento e seguir o seu coração para tomar as rédeas de sua própria vida.
Com uma escrita envolvente, Camila conseguiu nos entregar uma história gostosa e cativante, que faz com que a gente nem perceba quando chegamos ao final. Ela aborda temas como o racismo, o que foi bem interessante, pois também mostrou que o amor está acima de todas as coisas. Achei um pouco exagerado a forma como Sílvia era tratada por todas as pessoas, já que onde quer que ela fosse tinha sempre alguém para fazer comentários, olhares, etc., então senti falta de pessoas mais empáticas, que não vissem uma coisa tão pequena como a cor da pele de uma pessoa como um motivo para maltratar a menina. Porém, entendo que a autora fez isso por ser de uma época diferente, mas achei que ela poderia ter nos apresentado um pouco mais do outro lado também.


O Menino no Alto da Montanha - John Boyne

Entre os psicólogos e educadores muito se discute o que influencia afinal no comportamento e formação dos indivíduos. Algumas coisas são atribuídas a genética, mas a grande maioria é modelada pela influência ambiental. No livro O Menino no Alto da Montanha, do irlandês John Boyne, publicado pelo selo Seguinte, conseguimos perceber o quanto o entorno pode mudar radicalmente uma vida!

Pierrot é apenas uma criança quando sua mãe morre, sem parentes por perto ele acaba partindo da cidade de Paris, onde mora, para morar com a tia Beatrix nas montanhas alemãs. Na proximidade da explosão da segunda guerra mundial o casarão onde sua tia é governanta não é um lugar qualquer, é nada menos do que a casa onde Adolf Hitler se refugia do mundo, Berghof. Conhecer este homem e suas ideias nazistas acaba por mudar a vida de Pierrot, tanto quanto mudou o mundo, e talvez ele nunca mais consiga escapar desta mudança.

A narrativa do autor foi como todo livro de Boyne é, encantadora! A ponto de vezes me esquecer que o personagem que estava a minha frente era ninguém menos do que Hitler! Seu estilo de escrita em terceira pessoa conta em minúcias grandes eventos da época as vésperas da guerra até o seu término de um ângulo muito criativo, o de um menino que começa o livro com apenas sete anos, e termina já bem mais velho muito tempo depois da guerra terminar (1936 até 1945). Ver os acontecimentos sob o ângulo de uma criança suavizou muitos fatos fortes como o preconceito/crimes contra os judeus e a violência do próprio Adolf que se mostra uma pessoa ora muito ponderada, ora fanática pelos seus próprias ideias.

Um artifício que o autor usa, e que é genial, são as mudanças de nome do personagem que nasce como Pierrot, torna-se Pieter quando vai para Alemanha e depois ganha títulos em alemão de acordo com os graus do reich. Com isso fica claro as mudanças do menino, que de fato foram radicais.

Pierrot tinha verdadeira adoração pelo pai, que fora soldado na primeira guerra mundial. Entretanto a guerra o mudou a ponto de não conseguir seguir sua vida sem beber ou ter pesadelos. Com o vício ele abandona a família, e posteriormente morre, não sem antes ter marcado profundamente a mente do filho com ideias de raça pura e proteção da hegemonia alemã. Logo quando o menino conhece Hilter vê nele o pai que perdeu com as mesmas ideia, e Hitler por sua vez vê no menino a chance de modelar um mini ditador, que inclusive protege sem querer mandá-lo para guerra. De garoto inocente e doce para um nazista vemos o garoto crescendo e perdendo o rumo a ponto de trair a própria família. O que ele demora a perceber é quem estava certo na guerra, e que as coisas que ele fez nunca mais irão abandoná-lo.

O Hitler criado aqui pelo autor segue uma personalidade que acredito deva ser semelhante ao original, pelo menos ao que eu sei do mesmo. Como seu amor pelos animais (ironicamente Hitler tinha adoração pelos animais), gosto pela arte e sua certeza de que os seus ideais eram o melhor para Alemanha e o mundo.

Beatrix, a tia do menino esconde um segredo que o sobrinho acaba por descobrir. É uma moça gentil e com ideias próprias que só quis proteger o menino quando o levou para seu trabalho. Infelizmente o tiro saiu pela culatra, e acabei por sentir todos os tipos de sentimento por Pierrot, desde de dó e empatia quando ele fica orfã até raiva e desprezo quando ele assume a juventude hitleriana. Cheguei ao ponto que nosso protagonista tivesse um fim ruim, e eu diria que seu fim foi ruim, já que viver com as memórias que fez é um pesadelo acordado!



O Erro - Amores Improváveis #02 - Elle Kennedy

John Logan tem uma ótima vida, sendo um talentoso jogador de hóquei e também um dos mais importantes do time da Universidade Briar, tem amigos incríveis, vive frequentando festas e saindo com as mais variadas mulheres. Mas as aparências enganam e alguma coisa está incomodando-o ultimamente, e ele sente falta de algo que nem sabe o que é de verdade. Além do mais, Logan possui alguns segredos de família que estão lhe atormentando e deixando o futuro ser uma perspectiva triste e angustiante para ele, que não vê outra saída a não ser aceitar o que está por vir. Não que ele esteja contente com isso.
Para piorar sua situação, Logan ainda se vê apaixonado pela namorada do melhor amigo e não consegue ficar próximo aos dois por mais do que alguns minutos sem se sentir incomodado e mais interessado nela, então prefere se afastar, se isolando e encontrando escape em mulheres que nem mesmo se lembra direito.
Até que um dia, por conta do destino, talvez, Logan conhece Grace Ivers, uma garota certinha, que gosta de estudar, não é muito fã de festas, apesar de frequentar algumas de vez em quando, e é virgem. Ela o intriga de uma forma que nenhuma outra conseguiu até então, despertando o interesse dele com suas características contraditórias: doce e forte, tímida e cheia de vida, misteriosa e decifrável, e ainda mexe com seu ego, fazendo com que sua curiosidade aumente ainda mais. Tudo parece estar indo bem entre eles, até que John percebe que pode não ser justo com ela e comete um erro.
Agora, este erro pode ter destruído o relacionamento em potencial dos dois para sempre. Mas talvez John Logan não esteja pronto para desistir ainda. E se tiver que provar que merece uma nova chance, ele fará isso, não importa como tenha que fazer. Será que ele conseguirá o suficiente para reconquistar Grace ou tudo não passa de uma grande perda de tempo?
A narrativa de Elle Kennedy é realmente muito gostosa, descontraída e flui muito bem. Quando a gente inicia uma de suas obras, nem vê o tempo passar de tanto que conseguimos aproveitar cada momento e virada de página. E, ainda que a autora use alguns assuntos pesados e/ou intensos como pano de fundo, nos apresenta tudo com leveza, fazendo com que não fique uma leitura maçante, mesmo que seja completa, bem trabalhada e interessante.
Gostei muito de Grace, principalmente pelo fato de que ela não cede ao Logan só porque ele é bonito e todas as garotas têm uma queda por ele, como teria acontecido com outra personagem feminina, como ocorreu com a maioria dos outros livros de romances que já li. Então admirei mais a personagem e ela ganhou muitos pontos comigo.
Fora que essas recusas dela fizeram com que Logan tivesse que correr atrás de algo que queria, o que foi ótimo de ver, ainda mais levando em conta que rendeu ótimas cenas, algumas até bem engraçadas. E Logan é realmente apaixonante! Já gostava do personagem antes, mas foi ótimo poder conhecê-lo mais a fundo e vê-lo se esforçando pelas coisas em sua vida, e fazendo o que tinha que ser feito, mesmo que não fosse de sua vontade. Com certeza queria um desses para mim. hahaha
Só que senti como se o romance tivesse sido amor instantâneo, apesar de não falarem sobre sentimentos logo de cara, porque Logan era muito mulherengo e, do nada, fica encantado pela menina e não tem mais nem olhos para ninguém. Só que ele não tinha conhecido ela tão bem assim para uma atitude tão radical. Não que eu esteja dizendo que apoio homens que ficam com todas e tem uma ótima fama por isso, mas acho extremamente difícil de acreditar que de um minuto para o outro, sem nem conhecer direito uma pessoa a fundo, ele mude completamente o seu jeito de ser, transformando-se no seu total oposto.
Para quem leu o volume anterior e até mesmo o começo deste aqui, sabe que Logan se diz apaixonado pela namorada de seu melhor amigo, que no caso é a Hannah, protagonista feminina de “O Acordo”. Até aí tudo bem, inclusive porque a gente facilmente vê isso acontecendo, mas a forma como ele finalmente se “desliga” desses sentimentos para mim soou forçada e rápida demais. Hannah só falou algo para ele e, no mesmo instante, ele percebeu que ela tinha razão, sem nem passar um tempo questionando isso para aceitar como a verdade.


Tash e Tolstói – Kathryn Ormsbee

Natasha Zelenka é apaixonada por Liev Tolstói a ponto de ter pôster com sua foto na parede, além de citações do mesmo espalhadas pelo local e sendo usadas em sua vida, e desejar que ele ainda estivesse vivo para poder ser seu namorado. Então é claro que quando decide gravar uma websérie para o YouTube, escolhe uma de suas obras clássicas para servir de base. E é então que Tash, junto com sua melhor amiga, Jack, escreve um roteiro de uma adaptação moderna de Anna Kariênina, chamada Famílias Infelizes.
“Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”
Além do roteiro, elas escolheram o elenco, produzem as cenas, fazem as gravações, edições, divulgações, etc. O canal tem alguns seguidores fieis, mas mesmo depois de vários capítulos ainda está longe de ser famoso. Até que o inesperado acontece e uma Youtuber popular indica a websérie delas para seus seguidores com muita empolgação, fazendo com que a produção viralize da noite para o dia. E a fama rápida traz consigo milhares de seguidores, comentários e até uma indicação para o Tuba Dourada, o Oscar das webséries, sonho de Tash. Mas também traz seus haters, com comentários ruins e críticas negativas, e elas terão que lidar com tudo o que vem com a fama.
Enquanto isso, Tash planeja ir ao evento do Tuba Dourada e, claro, conhecer Thom, um youtuber de quem gosta e com quem troca mensagens há alguns meses. E aquela expectativa fica no ar: será que eles poderão ser mais do que apenas amigos? Só que ela também quer criar coragem para contar para ele que é uma assexual romântica, ou seja, se interessa por garotos romanticamente, mas não tem atração sexual por ninguém. No meio de tantas coisas acontecendo em sua vida, Tash talvez só não perceba que a felicidade esteja mais perto do que ela imagina.
Se tem algo que eu adoro são webséries. Não assisti a tantas ainda, mas todas as que vi me deixaram viciada. Então, uma das coisas que mais me interessou nesta obra foi justamente o fato de Tash produzir uma websérie adaptada de um clássico, que no caso foi Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói. Por quem Tash, inclusive, é apaixonada.
Devo dizer que amo coisas “por trás da câmeras”, então simplesmente a-d-o-r-e-i ver Tash e Jack produzindo e gravando Famílias Infelizes junto com os atores. Todo aquele processo, preparação, clima, me encanta. Por isso, adorei o pano de fundo escolhido pela autora. Já tinha vontade de gravar minha própria websérie e agora esse desejo ficou ainda maior. Uma pena que não tenho orçamento para tal, visto que no Brasil eu teria que pagar os atores provavelmente um bom valor, o que está fora de cogitação para mim, infelizmente.
Esse é o primeiro livro que leio com uma personagem assexual, pelo que me lembre, e gostei bastante desta experiência. Uma pena que essa parte da obra não tenha sido tão explorada assim, mas acho ótimo pelo menos ter sido citada e trabalhada, então estou torcendo para que novos atores continuem escrevendo com esses personagens que não aparecem tanto nas obras literárias que leio, mas que deveriam ganhar mais destaque.
Foi interessante ver que Tash tem suas dúvidas e inseguranças, mas, mesmo assim, sabe lidar com elas muito bem. Então a considero uma pessoa bem resolvida e achei essa uma ótima qualidade na personagem. Espero que ela tenha conseguido ajudar outras pessoas do mundo real que passam por situações semelhantes com relação a si mesmos, a se aceitarem como são, porque cada indivíduo é especial de sua maneira, independente de seus gostos, orientações ou forma de agir.
Outros personagens que ganharam destaque foram Jack e Paul, melhores amigos de Tash e apoiadores da mesma. Dentre os dois, preferi Paul, que é amável, fofo, carismático e um ótimo amigo. Os participantes da websérie são legais em sua maioria, mas não os conhecemos muito a fundo, apenas algumas coisas em relação a alguns deles, e apenas pelo ponto de vista da própria Tash, que é a narradora da história em primeira pessoa.


Marca do Caos - Marked #03 - Sylvia Day

Desde que li o primeiro volume desta série, me encantei pela história e pela forma de narrativa de Sylvia Day, que consegue nos prender do início ao fim com uma leitura cativante e bem gotosa. Como virei uma viciada em “Marked”, assim que pego um novo exemplar da série em mãos, tento ler rapidamente, e, sempre que chego ao fim, fico com um gostinho de quero mais. Vou tentar não dar nenhum spoiler, mas por esse volume ser mais avançado, pode ser que tenha algo dos livros anteriores.
Para conferir o que achei de “Marca da Escuridão” e “Marca da Destruição”, primeiro e segundo volumes da série, clique nos títulos e será redirecionado para as respectivas resenhas.
Neste terceiro livro, vemos que Evangeline ainda tenta conciliar a sua vida de marcada com a sua vida normal, mas ainda está bem difícil, mesmo tendo passado três meses desde que ela descobriu esse novo mundo. Para completar as coisas, Abel e Caim ainda estão desejando fortemente Eva, mas agora eles não são os únicos, já que ela conseguiu chamar a atenção do Satanás, deixando as coisas ainda mais perigosas. Para completar, os pais de Caim e Abel resolvem vir visitar a Terra, até mesmo para a ajudar Caim a lidar com as mudanças que ele está passando no momento, e isso acaba trazendo mais mistérios à tona e muita confusão.
Com um prêmio pela cabeça de Evangeline, o inferno inteiro está à procura de nossa protagonista, até porque todos os demônios querem agradar a chefia, fazendo com que ela não tenha uma vida fácil, já que toda hora tem que lutar sem descanso contra os demônios e ainda precisa tentar se focar em sua indecisão. Esse volume está com bastante ação, fazendo com que a trama não fique parada nem por um segundo, até porque toda hora nossa protagonista entra em algum tipo de conflito, trazendo uma aventura completa e cheia de lutas.
A autora conseguiu misturar passagens bíblicas na história, trazendo a versão de Caim e Abel que lemos nas bíblias, fazendo com que o enredo fique ainda mais interessante, já que mistura fatos. Gosto bastante quando um autor consegue fazer isso, já que demonstra o trabalho que teve em fazer pesquisas para trazer um livro bem escrito e com muito cuidado para nós, leitores, ao trazer essa questão mitológica.
Com uma narrativa leve, fluida e descontraída, temos momentos bem sensuais, além de muitos segredos, mistérios e mentiras, deixando a trama cada vez mais envolvente, fazendo com que a gente não consiga parar e ler nem por um segundo.


Cada Um é o Que é - Meire Campezzi Marques

“Cada Um é o Que é” é uma obra mediúnica pelo Espírito Thomas e psicografada pela autora nacional Meire Campezzi Marques, de quem eu ainda não tinha lido nenhuma obra, apesar da curiosidade. Gostei muito da experiência de leitura pela forma com que ela nos transmite uma mensagem de coragem e de fé, e nos mostra como uma pessoa pode sair da escuridão em que vive e, com a ajuda de pessoas do bem, se reerguer e ter uma vida melhor.
Este livro também retrata a situação hipócrita de um homem machista e homofóbico e o que é capaz de fazer contra mulheres e homossexuais. Me senti muito envergonhada e triste por saber que existem seres humanos, ou seja, que no papel seriam como eu, mas que na realidade é meu oposto, que ajam desta forma. E mesmo esta sendo ficção, histórias assim existem na realidade também, e criam uma revolta muito grande no meu coração. O conforto desse livro, porém, vem através de suas páginas, que mostram, tanto no plano terreno como no plano espiritual, o que vai acontecendo ao longo dos anos com pessoas como estas, que fazem, mas também pagam pelos seus atos. São forças que a doutrina espírita nos faz acreditar e nela confiar. É saber que o espírito é eterno e que Deus nunca desampara seus filhos. Tudo o que passamos tem um porquê. Apagamos da memória quando vestimos outro corpo e este fica aqui na Terra e só o espírito vai de encontro com suas dívidas, suas necessidades, sua vida além, mostrando que somos eternos e que para Nosso Senhor, nada foge dos Seus olhos.
A história é passada no estado do Espírito Santo (me identifiquei muito, pois meu pai era de lá e teve grande carinho por uma cidade da região), num pequeno povoado de pescadores, próximo a uma cidade não muito grande. Na parte da aldeia, mora uma família de pescadores que, claro, vive da pesca. Sua filha, Marta, é policial, e seu irmão é pescador junto com o pai. São pais maravilhosos e muito amorosos.
Já na cidade vive nossa protagonista, Paula, que é casada com Humberto, o homem preconceituoso que citei no começo da resenha. Paula sofre muito e fica calada com os maus tratos de seu marido, que muitas vezes a espanca e também sempre ameaça quem ela ama. E, para completar, ele tem amantes na oficina o tempo todo e a cidade inteira sabe e comenta. Só que ela, com medo, não fala nada e nem dá queixa na polícia, e também porque nunca teve o apoio de sua mãe, que não acreditava nela e, sim, no que o genro falava, pois ele se fazia de santo. Para ela (a mãe), uma mulher deve ser sempre submissa ao marido. E Paula tinha medo de tudo.
Paula tem um irmão, Igor, que vive com seus pais, sendo que sua mãe é extremamente rígida e preconceituosa. Ele é gay, mas ainda não tinha assumido perante a família, e como o Humberto sabia disso, o espancou até quase matá-lo, pois afirmava que ele era afeminado e não aceitava isso, fazendo com que o jovem acabasse indo parar no hospital. No mesmo dia, ele espanca o cunhado e a esposa. Foi aí que surgiu Marta, que tendo conhecimento de que Humberto tinha espancado o Igor, foi até a casa de Paula, que era sua amiga de infância, prendê-lo. E com sua sensibilidade mediúnica sentiu que sua amiga também precisava de ajuda e a descobriu espancada no chão, levando-a para o hospital também.
A partir deste momento, e com a ajuda de seu mentor espiritual, João Pedro, Marta fica na vida de Paula como se fosse um anjo, fazendo de tudo para ajudá-la. Então, depois de Paula receber alta do hospital, Marta a leva para sua casa para apoiá-la com sua determinação e coragem e faz com que a mesma encontre seu caminho, ajudando-a a melhorar a sua autoestima, ensinando-a a ter respeito por si própria e não voltar mais para junto daquele monstro. Foi fundamental a participação da mãe de Marta, Helena, pois com toda a falta de amor que teve de sua própria mãe, ganhou nesta uma verdadeira figura materna, passando a morar na casa dela.
Muita coisa acontece nessa maravilhosa história, a lição que nos mostra em suas linhas é impressionante e muito real. Coisas do nosso cotidiano que nos leva a crer no espírito que é eterno, que é passado através de uma leitura fluida e muito bem escrita. A gente se sente fazendo parte da trama, porque todos nós, uma hora ou outra, passamos por situações tão ruins quanto estas, e estamos aqui para evoluirmos, e é essa chance que nos é dada. Se erramos novamente, voltamos, quantas vezes forem necessárias para melhorar. O amor, a recíproca, o respeito e o carinho devem acompanhar nossas vidas sempre, pois estamos aqui para evoluir.


Ligações - Rainbow Rowell

Eu vivo dizendo por aí que vou ler certos livros que não fazem meu gênero para conhecer a narrativa dos autores. Assim encontro pela minha estante livros que geralmente não compraria, mas que depois de muitos comentários positivos merecem uma chance. A autora Rainbow Rowell é um destes casos. Foram muitas resenhas positivas de seus livro, até que o livro Ligações acabou nas minhas mãos, publicado pela editora Novo Século.

Georgie McCool é uma comediante que desde a faculdade sonha em ter um programa seu com seu melhor amigo. Essa chance finalmente chegou, mas em uma hora delicada, é a semana que antecede o Natal e ela prometeu viajar com a família. Mesmo com o seu casamento em uma fase ruim ela decide ficar para trabalhar, e assim seu marido e filhas vão para Omaha, um lugar longe e frio. Com saudades e perturbada pela sua escolha, ela liga para o marido de um antigo telefone amarelo no seu antigo quarto na casa da mãe, mas a pessoa que atende do outro lado não é bem a pessoa que ela esperava, ou diria no tempo esperado!

Rowell realizou sua narrativa em terceira pessoa em um tom coloquial, que faz seus diálogos serem um pouco pobres, mas talvez justificados pela origem de seus personagens. A ideia central do livro, a existência de um telefone que pode falar com o passado, é ótima, mas honestamente pouco e rasamente explorada. Para contar sua estória ela usa o momento atual intercalado com memórias de Georgie da época em que conhecer seu marido Neal, mesclando ainda conversas da Georgia no tempo atual com o Neal do passado.

O que mais incomodou é que Georgie sabe desde o momento que tomou a decisão de não viajar que fez besteira, e passa dias seguidos sofrendo com isso de maneira infantil. Ela demora a perceber que não consegue trabalhar e que precisa de sua família. Logo seus pensamentos e atitudes são chatas, porque ela passa muito tempo se lamentando, sem saber se foi abandonada ou apenas se o marido partiu triste mais ainda casado. Também achei forçado que em nenhum momento ela tenha conseguido falar com ele no telefone, acho até que se ela conseguisse falar com os dois Neals na linha do tempo traria questões mais interessantes, que a protagonista até chegou a especular, mas que não foi aprofundada.

Seth é o seu melhor amigo desde a época da faculdade, mas é um personagem muito chato! Arrogante, e inconveniente ele só pensa em si mesmo, embora perceba que a amiga está sofrendo não é capaz de libertá-la do fardo do trabalho que impõe a ela. Ele rendeu muitos trechos em que eu simplesmente queria passar logo para não lidar com alguém tão sem noção! Ele facilmente atrapalhou o andamento do casamento de Georgie, claro que por esta permitir.

Neal, o marido, é muito paciente e encantado com Georgie, assim ele abre mão dos sonhos que nem chegou a descobrir para ser a sombra da esposa. Ele parece ser um homem fofo, mas totalmente apagado pelo sonho da mulher. Quando jovem no telefone, ou nas memórias é mais interessante, tem mais personalidade do que o atual Neal.

A família de Georgie é um pequeno núcleo desengonçado, mas que é levemente divertido. Sua mãe insiste que a filha perdeu o marido, sua irmã escondeu um segredo, ao mesmo tempo em que tenta usar a irmã como exemplo de como deve seguir com suas relações. Sem contar o casal de pugs da mãe que dão um toque na família.



Semana Especial: O Amor nos Tempos do Ouro – A História de Malikah


Oii, gente! Tudo bem? Para finalizar nossa participação nesta “Semana Especial: O Amor nos Tempos do Ouro”, viemos falar sobre o lançamento do momento: “A História de Malikah”, segundo volume desta série de romances históricos nacionais de Marina Carvalho.
E essa capa maravilhosa?! Adorei! E a sinopse é ainda melhor. Já estou ansiosa para conferir a história desta personagem, então estou contando os dias para ter meu exemplar em mãos. E vocês, o que acharam?
Confiram nossos demais posts neste especial:
A História de Malikah - O Amor Nos Tempos de Ouro #02 - Marina Carvalho (Skoob)
Malikah conheceu muito cedo toda a crueldade de que o ser humano é capaz. Escravizada e trazida ainda criança da África ao Brasil, sofreu as mais diversas formas de violência, especialmente depois de ter engravidado de Henrique, o filho do dono da fazenda onde trabalhava. Mesmo sendo resultado de uma relação de amor, estar grávida de um de seus senhores era uma afronta aos homens da casa-grande, por isso Malikah foi duramente castigada e quase morta.
Malikah e seu bebê, Hasan, só conseguiram escapar com a ajuda de Cécile e Fernão, que lhes deram abrigo na Quinta Dona Regina, um lugar novo onde todos, brancos e negros, poderiam viver em liberdade. Porém, mesmo com a relutância de Malikah, Henrique continua por perto, arrependido por não ter protegido sua amada e tentando se aproximar de Hasan.
Mas como um homem que foi ensinado a cometer tantas atrocidades poderá dar a uma criança o amor incondicional? Apesar de Malikah ainda sentir algo por ele, é possível perdoar alguém que representa para ela tantos anos de injustiça e sofrimento?


Semana Especial: O Amor nos Tempos do Ouro – Melhores Quotes


Oii, gente! Como vocês estão? :D A Globo Alt convidou os blogs parceiros para uma semana especial sobre “O Amor nos Tempos do Ouro”, de Marina Carvalho, em comemoração ao lançamento do segundo volume da série, “A História de Malikah”.
A série de romances históricos nacional é maravilhosa e já conta com dois volumes, o primeiro é homônimo ao título da série e o segundo está sendo lançado agora. Apesar de ser uma continuação, as obras são independentes, pois contam com protagonistas diferentes e suas próprias histórias. Então vocês podem ler em qualquer ordem, mas é sempre melhor ler na sequência.
Na segunda-feira postamos a resenha do primeiro volume, que vocês podem conferir CLICANDO AQUI. Hoje, trouxemos alguns quotes lindos do livro um. E na sexta voltaremos para falar sobre o lançamento do livro dois, voltem para conferir! <3
“Há sentimentos que não precisam ser externados para provar que são sentidos.”
“Sabia que seria impossível simplesmente se conformar com que a vida andava tramando contra ela. Por outro lado, o que o futuro lhe guardava era desconhecido. E se ela ainda fosse merecedora de receber algo de bom do destino?”
“Percebo que nem os grilhões e correntes, grades e açoites são suficientes para calar a voz e a necessidade de liberdade daquela gente. São fortes, dentro de suas possibilidades.”
“Observo-te enquanto dormes e tu não calculas o sacrifício que faço para não me aconchegar a ti e confessar o que não tenho coragem de dizer.”
“Quando os inimigos interiores são combatidos, os inimigos de fora nada podem contra ti.”
"O verbo afeiçoar não traduz com exatidão minhas emoções em relação àquele homem. Melhor confessar que estou arrebatada, embora esteja a lutar arduamente contra esse sentimento.”