Salva Por Um Cavalheiro - As Irmãs Cynster - Nova Geração #02 - Stephanie Laurens

Depois de uma primeira tentativa frustrada, um certo homem escocês misterioso decide tentar sequestrar a segunda das irmãs Cynster para completar seu plano e salvar diversas pessoas. Para isso, decide contratar um homem que tem fama de sempre cumprir com seus trabalhos e nunca falhar. E é assim que Eliza Cynster acaba sendo levada durante o baile de noivado de sua irmã e acorda somente dias depois a caminho de Edimburgo num coche estranho com pessoas desconhecidas.
Até que decide apostar todas as suas fichas num homem que dirigia uma charrete e passava na mesma estrada, e, desesperada, grita por socorro para ele antes de ser presa e afastada das janelas. Naquele momento, ela não sabia que o homem em questão era Jeremy Carling, um erudito que não tinha muito interesse em nada além de seus estudos, mas que estava começando a sentir vontade de conhecer uma moça com quem pudesse se casar. A princípio, ele não a reconhece, até que se lembra de que foi apresentado a ela muito brevemente uma vez, e estava na casa de amigos na Escócia quando soube do sequestro da irmã dela, Heather.
Sabendo que Eliza com certeza também está em perigo, Jeremy decide bolar um plano infalível para resgatá-la das garras de seus sequestradores. E, para isso, precisará pensar em tudo nos mínimos detalhes, além de contar com a ajuda de amigos próximos. Só que ele não é o que poderia ser chamado de aventureiro ou herói, afinal sempre viveu com seu rosto enterrado em pergaminhos de hieróglifos. Então, depois de resgatá-la, precisará ter todo o cuidado para conseguir seguir em frente com a moça, e novos planos provavelmente terão que ser feitos durante o caminho. Mas será ele capaz de protegê-la de todos os perigos que os perseguem? Aquelas faíscas que eles passam a sentir poderá se transformar em amor? E, mais importante, estarão eles prontos para esse sentimento tão grandioso?
Uma coisa que achei muito bacana é que a autora conseguiu fazer uma trama até diferente do primeiro volume, mesmo que a ideia do enredo tenha sido igual, já que ambas as protagonistas foram sequestradas e resgatadas no caminho, fugindo a pé com seu salvador pela Escócia, se apaixonando pelo caminho e aproveitando o tempo com muita luxúria. Só que tudo foi apresentado de forma distinta do anterior, desde o modo do sequestro, passando pelo estilo de herói e até as dificuldades que foram enfrentadas. Claro que a gente começa a leitura sabendo o desfecho da mesma, visto que faz parte de uma trilogia, então sabemos que a conclusão só virá mesmo no último livro, mas, ainda assim, foi bacana poder acompanhar o meio do caminho.
Mas confesso que esperava um pouco mais deste volume. Uma das coisas que mais me incomodou foi o fato de que o mandante do sequestro (sobre quem ainda não tivemos muitas informações a respeito) simplesmente desiste do mesmo e passa a querer proteger sua vítima só porque ela foi salva por outro homem. Achei isso bem forçado só para poder nos levar ao terceiro livro, afinal, se ele queria tanto sequestrá-la para alcançar seus objetivos (não posso comentar sobre, pois pode ser spoiler), por que desistir tão facilmente, deixando a cargo apenas da última opção? Acho que tinha muito em jogo para ele abandonar o plano com tamanho facilidade, sendo que, de longe, ele nem mesmo poderia prever se o que tinha em mente (Elisa e Jeremy encontrando o amor E desejando um casamento, que iria com certeza se realizado) iria de fato ser concretizado. Realmente me incomodou demais essa situação. Preferia que ele tivesse apenas perdido o rastro ou tivesse sido enganado ou um casamento ocorrido antes do esperado e, aí sim, ele poderia renunciar essa ideia e partir para a próxima.
E teve umas cenas relacionadas com cavalos no plano de Jeremy que deram errado, mas que também não achei muito aceitáveis, principalmente porque tinham outras opções em jogo (por exemplo, os dois montarem um mesmo cavalo juntos – até eu que não sei andar nada a cavalo poderia passear com alguém que sabe junto comigo). E alguns detalhes dos planos deles que poderiam ser modificados facilmente e eles teriam se livrado de muitas etapas.
Devo dizer que algo que gostei muito deste casal em comparação com o primeiro foi o modo como os sentimentos dos dois surgiram e amadureceram muito mais rápido do que no anterior. E eles não ficaram escondendo o que queriam ou fingindo coisas para o outro o tempo todo, nem fazendo dramas desnecessários a respeito disso. Foram mais rápidos e diretos (apesar de demorar um pouquinho), então gostei bastante.
E também adorei ver o desenvolvimento individual de cada um, como amadureceram durante este caminho e como encaravam as novas experiências, descobrindo novas coisas a respeito de si próprios, que antes nenhum dos dois tinha dado chance para desvendar porque estavam muito focados e fechados em seus próprios mundinhos e gostos pessoais.
Porém, achei as cenas sensuais meio chatas e forçadas. Primeiro porque achei que ocorreram em horas totalmente inapropriadas (não no sentido da sociedade, mas do timing mesmo) e não imagino que isso seria algo que aconteceria na vida real (caso todo o resto se concretizasse, o que também não seria muito provável), então eu lia aquilo (ou pulava uma boa parte das cenas de sexo) e não sentia o amor dos dois surgindo ali no meio. Parece que elas só foram introduzidas naquele momento para poder dizer que teve romance ou sexo no livro, e não como consequência de nada.
A minha parte preferida foi, definitivamente o final. Aconteceram algumas cenas tensas e complicadas, que nos deixam ávidos por virar as páginas para saber o que aconteceu e depois desesperados para ler o desfecho por conta de algo que ficou sem resposta. É claro que já sabemos o que vai acontecer, mas quero saber como será concretizado, então estou empolgada e com grandes expectativas.
Só acho que por vezes a narrativa acabou soando um pouco cansativa e demasiada longa, então acredito que se a autora tivesse reduzido um pouco o número de páginas teria tido um efeito melhor e mais fluido. Por conta disso e de alguns acontecimentos que acabaram sendo um pouco chatos de acompanhar, eu daria 3.5 de nota na minha avaliação final, porém, como não damos casas decimais aqui no blog, arredondei para 3.
A capa é bem bonita, mas acho que a modelo ruiva (na imagem digital parece que o cabelo dela é castanho escuro, só que na edição impressa é vermelho) deveria ter sido utilizada no livro três, cuja protagonista tem os cabelos desta cor (ou semelhante). Eliza é loira, como foi citado em diversas ocasiões. Gosto que os projetos gráficos das obras sejam parecidos, só que cada um com uma cor em destaque, que neste caso é rosa. A diagramação está confortável para a leitura e as páginas são amarelas.
Este volume é o segundo da trilogia “As Irmãs Cynster - Nova Geração”, que faz parte de uma série bem maior, “Cynster”, que engloba um total de vinte e sete livros. O que acontece é que todas as obras trazem como protagonistas membros de várias gerações de uma família enorme, então é como se fossem pequenas séries independentes dentro de uma série maior, que têm em comum apenas pertencerem a uma mesma família (não necessariamente graus próximos de parentesco). A maioria dos personagens não participa de muitos exemplares, apenas do que fazem parte da série menor, podendo ter pequenas aparições ou menções nos demais. Ou seja, não é necessário ler todos e nem na ordem para entender uma história.
Aqui no Brasil, somente estes três foram publicados, que correspondem aos volumes #16, #17 e #18 da série maior, todos pela Harper Collins Brasil. E, apesar de ser independente de todos os demais, contar com seus próprios casais de protagonistas, e trama com começo, meio e fim, recomendo que sejam lidos na ordem de publicação da trilogia, “Conquistada por Um Visconde”, que já foi lido e resenhado aqui no blog (clique no título para conferir minhas opiniões), “Salva Por Um Cavalheiro” (este da resenha) e “Raptada Por Um Conde”, que será resenhado em breve. Digo isso porque, mesmo sendo protagonizado por cada uma das três irmãs e seus heróis, há uma ponta do enredo que é comum nos três livros, que fez parte da premissa da história lá no livro um, sendo utilizada também no dois e encontrará seu desfecho no três. Ou seja, você vai ter histórias completas com suas mocinhas e mocinhos encontrando a felicidade e se livrando no que aparece em seus caminhos, mas vai ficar curiosa sobre um detalhe que permanecerá oculto até o fim da trilogia.
“Salva Por Um Cavalheiro” é uma ponte entre o terceiro e o último volumes da trilogia As Irmãs Cynster - Nova Geração. Pode não ter tido uma trama completamente original, mas a autora soube seguir por um caminho novo, interessante e com nuances diferentes do percorrido anteriormente, prendendo nossa atenção para descobrir mais sobre o sequestrador e seus motivos, e também como Eliza ia conseguir escapar dos planos dele. Indico a leitura para todos que gostaram do livro anterior e/ou para quem curte romances de época deliciosos e envolventes.
Avaliação 



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