Todas as Coisas Belas - Matthew Quick

Eu já havia lido “O Lado Bom da Vida”, de Matthew Quick, e me encantado com a história e a forma de narrativa desse autor. Sempre tive vontade de ler novamente um dos seus títulos, mas as vezes vamos deixando algo para depois e acabamos nos esquecendo. Quando eu vi que a Intrínseca iria lançar esse novo volume, resolvi que não queria mais para deixar para depois, e que eu iria ler uma nova obra de Matthew agora. Foi assim que comecei a ler “Todas as Coisas Belas” e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Nesse volume conhecemos Nanette O'Hare, uma jovem que é a típica boa menina que consegue agradar a todos, mas não a si mesma. Ela tem dezoito anos e nunca sentiu como se realmente fizesse parte de algum grupo, se sentindo um pouco deslocada e até mesmo sufocada pelas pessoas ao seu redor. Até que o seu professor preferido lhe dá um livro de presente, O Ceifador de Chicletes, fazendo com que nossa protagonista logo se identifique com os personagens e sentimentos abordados naquele exemplar.
Nanette fica viciada nessa história a ponto de ficar falando sobre ela, sendo assim, seu professor resolve apresentá-la para o autor do livro e os dois passam a ser amigos. E é a partir dessa amizade que conhece outros jovens que também gostam desse mesmo romance e, entre eles, acaba conhecendo Alex, um jovem poeta. Agora, ela acaba encontrando o apoio necessário para descobrir mais sobre si mesma, indo em busca dos seus reais interesses e conhecendo uma nova forma de viver.
Nossa protagonista então começa a tomar decisões diferentes das que eram esperadas que ela tivesse e, impulsionada por todas as novidades que está vivendo, vemos que acaba amadurecendo bastante, descobrindo o primeiro amor e se questionando muito sobre a vida, sobre o seu papel nela, sobre o mundo e a sociedade em que vivemos. Porém, toda essa mudança e essa liberdade que conquistou, acabam cobrando um preço.
Uma narrativa leve que traz inúmeras reflexões e que faz a gente se questionar o tempo todo sobre nossa vida, sobre liberdade e sobre nossas escolhas. Foi um volume encantador com personagens maravilhosos, cada um com o seu jeito de ser, além de profundos e muito bem descritos.


Como Num Filme - Recomeços #0.5 - Lauren Layne

Eu já havia lido os dois livros dessa autora que foram publicados anteriormente aqui no Brasil pela Paralela, e, apesar de não ter gostado muito do primeiro livro dessa série, “Em Pedaços”, gostei bastante do outro título que foi escrito por ela, “Mais Que Amigos”. Então, resolvi dar uma chance a essa série novamente, começando a ler o volume #0.5. Agora, venho compartilhar com vocês tudo que achei desse livro, escrito por Lauren Layne e publicado aqui no Brasil também pela Editora Paralela.
Nesse volume vamos conhecer melhor Stephanie e Ethan (já que antes só vimos participações), dois jovens que não têm nada em comum a não ser o curso de cinema na Universidade de Nova York. Ela se inscreveu para fazer o curso de verão para não ter que ir para casa, uma vez que, depois da morte de sua mãe, seu pai se casou novamente apenas seis meses depois. Com isso, ela evita ao máximo ter que voltar para visitá-los. Já ele se inscreveu no curso para fugir de casa e do estágio na empresa que irá herdar do seu pai. E é durante esse curso que ambos acabam se conhecendo e tendo que trabalhar juntos para desenvolver um roteiro baseado em alguns clássicos.
Vemos, então, que Ethan acaba tendo uma grande ideia para deixar essa experiência ainda mais real, e pede para que Stephanie seja a sua namorada de mentirinha por alguns dias. Como ela está precisando de um lugar para morar temporariamente, já que todo o alojamento da faculdade está sendo reformado, acaba aceitando a proposta. Sendo assim, eles fazem um trato: ela vira a namorada de mentirinha de Ethan e o ajuda a afastar a sua ex-namorada de qualquer situação que possa reaproximá-lo dela, e ele deixa Stephanie utilizar o seu apartamento durante todo o verão.
Então nossa protagonista passa por uma mudança no visual, deixando de lado as suas roupas góticas e seus coturnos surrados para usar roupas em tons pasteis e viver uma vida no mundo dos ricos. E começa a fazer o papel de mulher discreta, arrumadinha e completamente apaixonada, assim como a personagem do filme que estão criando.
Porém, o que Ethan nunca poderia imaginar é que à medida que eles vão se aproximando, ele acaba se apaixonando por Stephanie, essa garota toda misteriosa. O que resta saber agora é se ele se apaixonou de verdade pela nossa protagonista ou apenas pela versão do papel que eles criaram para ela interpretar.
A história é bem gostosa, tendo uma narrativa rápida e fluida, que consegue prender a gente do início ao fim. Os diálogos de ambos os protagonistas são repletos de sarcasmo, além de dar para notar uma tensão sexual muito grande entre os dois.
Gostei bastante de como a autora conseguiu conduzir essa trama, que também é cheia de referências, através de uma linguagem leve e descontraída. Além disso, mesmo que o romance seja clichê, também é muito fofo e faz a gente torcer pelo casal.


Um Amor Para Lady Ruth - Os Preston #2.5 - Lucy Vargas

Ruth Wright é uma jovem dama certinha que nunca faz nada para chamar a atenção, não gosta de provocar as outras pessoas, não arruma confusão ou se comporta de maneira absurda para a época. Pelo contrário, ela é uma moça admirável, quieta, tímida e que sempre tenta obedecer ao pai, que é superprotetor, não deixando que ela faça nada de realmente interessante. Até que ele decide se casar novamente e a nova madrasta, que gosta bastante de Ruth, decide ajudá-la a encontrar um marido. Para isso sempre planeja eventos ou vai com ela a locais onde pode conhecer pretendentes.
Com o seu novo grupo de amigos, Ruth acaba conhecendo Graham Courtin, o Conde de Huntley, que tem o título desde jovem por conta da perda de seu pai, o que o fez amadurecer rápido e também criar muita responsabilidade para cuidar de tudo que vinha com o título. Por conta de sua beleza, educação, título e fortuna, ele é um dos mais desejados partidos de todas as temporadas. Mas é por Ruth que ele logo nutre sentimentos.
Depois de um encontro na Caça ao Tesouros, eles acabam protagonizando um escândalo e quase precisam se casar por obrigação. Mas Ruth não quer isso para si e acaba conseguindo fazer com que o segredo seja abafado e ninguém mais comente sobre o assunto. Mas, no meio de tudo isso, a amizade e o relacionamento que os dois estavam começando a fortalecer também acaba mudando completamente.
Porém ambos continuam nutrindo sentimentos um pelo outro e a cada reencontro precisam lutar contra si mesmos para se manterem afastados. Alguns anos passam e eles amadurecem, mas o que sentem continua ali, espreitando. Com vários acontecimentos, Ruth e Graham acabam se reaproximando, mas ainda receosos com um possível futuro juntos. Resta saber se por fim vão conseguir quebrar as barreiras que os impedem de viver esse amor e se vão conseguir lutar para ficarem juntos finalmente.
Antes de começar a falar minhas opiniões sobre essa obra, gostaria de situar o leitor no período em que ela acontece na série, como a própria Lucy comenta no final do exemplar no texto “Nota da Autora”. Quando lemos o segundo volume, “Uma Dama Imperfeita”, temos a oportunidade de acompanhar esse grupo de jovens amigos numa Caça ao Tesouro. E lá eles vivem algumas aventuras e dois casais acabam dando um passo importante, ainda que não definitivo. Um deles foi Bertha e Eric, protagonistas no livro supracitado, e o outro foi Ruth e Graham, protagonistas daqui. Lá tivemos o desenrolar do primeiro, mas esse segundo ainda não tinha ganhado seu próprio espaço.
E é esse romance delicioso que Vargas nos entrega agora. Então na linha do tempo da série, o volume #02 e o #2.5 ocorrem simultaneamente em diversos pontos. Tecnicamente eles podem ser lidos de forma individual, sem problemas. Afinal, são protagonizados por personagens diferentes e cada um tem sua própria bagagem emocional, sua personalidade e também uma história para contar. Porém, há alguns detalhes que funcionam muito melhor se forem lidos na ordem e em um período de tempo curto entre um e outro. Pelo menos teria sido melhor para mim, já que minha memória não é assim tão boa, e quase dois anos entre as leituras fizeram com que eu esquecesse muito do que li lá, então em alguns momentos me senti meio perdida, como vou explicar mais abaixo.
Gostei bastante desse livro como um todo. Os personagens são adoráveis, o romance é fofo e nos deixa ansiosos para ver o casal deixar de bobeira, sentar para conversar, se resolver, admitir o que sentem e ficar logo juntos. A cumplicidade entre os dois é linda e eles combinam muito um com o outro.
Adorei conhecer melhor tanto Ruth quanto Graham, tanto quando estão juntos quanto individualmente, suas personalidades são incríveis e eles são divertidos e interessantes. Só acho que faltou um pouco de maturidade em alguns momentos para dialogarem melhor e confessarem o que gostariam de dividir um com o outro. Mas entendo isso porque se não fosse assim nem haveria história. E foi ótimo poder ver o amadurecimento deles no processo.


Leah Fora de Sintonia - Creekwood #02 - Becky Albertalli

Leah odeia muitas coisas: clichês, diversão, demonstrações públicas de afeto, muitas pessoas, entre elas o namorado bondoso da mãe, que a faz feliz, pessoas felizes, etc. E fala tudo o que vem na sua cabeça, doa a quem doer. E se você disser algo que a incomoda, ela vai fazer uma cena e deixar você saber disso.
Em seu último ano do colégio, Leah sabe que sua vida como sempre conheceu está prestes a mudar completamente, afinal tudo como é vai terminar. Para completar, sua mente anda muito ocupada pensando o tempo todo (e de uma maneira incontrolável) numa certa pessoa que mexe com seus sentimentos, sem espaço para qualquer outro tipo de pensamento.
Agora ela precisa enfrentar toda a pressão desse momento de sua vida enquanto tenta lidar com essa paixão secreta. E também decide vivenciar algumas experiências que não acreditava que viveria, como o baile de formatura. Resta saber se Leah conseguirá passar por tudo isso e se tornar mais madura, enquanto enfrenta seus anseios e vai em busca de seu final feliz.
Confesso que já não curtia tanto assim a Leah desde que a conheci em “Com Amor, Simon”, primeiro volume dessa série. A considero uma personagem chata e acho que reclama demais. Ainda assim, resolvi dar uma chance a esse livro que seria protagonizado por ela para ver se conseguiria despertar mais minha empatia, pois isso já aconteceu antes com outros personagens que não gostava tanto e depois passei a adorar. Porém, isso infelizmente não aconteceu. Leah só estava ainda mais chata e reclamava de cada vez mais coisas, fora que ela é bem grossa em diversos momentos. Sorte dela que consegue ter tantos ótimos amigos assim, porque sinceramente ela é bem difícil.
A parte positiva dessa obra é a escrita da autora. Becky sabe como escrever para o público jovem, com uma narrativa leve, envolvente, direta e fluida, e com uma linguagem simples. E ainda aborda temas pertinentes da idade, fazendo com que o público alvo consiga se identificar com alguns personagens ou situações que eles estão vivenciando ou já vivenciaram. E isso é sempre interessante de se ver em livros jovens adultos.
Outro ponto que eu gostei muito foi rever alguns personagens queridos que já tinham aparecido no volume anterior. Suas participações foram grandes e de fundamental importância para o desenrolar desta trama e amei isso. Admito que estava com muitas saudades de Simon e sua turma, então amei acompanhá-los vivendo o depois daquele final.
Algo que realmente adoro em Albertalli é que ela traz personagens bem gente como a gente, e também muita representatividade, e os que infelizmente muitas vezes são considerados “diferentes” por pessoas mais conservadoras ou simplesmente ridículas, e trata todos como devem ser tratados: de forma normal. Claro que na vida real muita gente enfrenta problemas com esse tipo de indivíduo que não aceita que todos somos mesmo diferentes, mas de um jeito normal, e temos os mesmos direitos e devemos ser tratados da mesma forma. Mas vê-la abordando esses assuntos dessa forma dá esperança e um conforto no coração. E também inspira pessoas a serem melhores, com certeza.
Há um clima de despedida e saudosismo nessa leitura, já que os personagens estão se formando no ensino médio e se preparando para se mudar para a faculdade em outras cidades/estados. Então vemos como está sendo essa preparação para eles, seus sentimentos e como estão lidando com essa etapa de suma importância da vida.
Mesmo com pontos positivos, não posso dizer que gostei muito desse livro, na verdade o considero mediano. Primeiro por causa da protagonista, que não é alguém com quem eu teria um relacionamento de amizade na vida real, já que não consigo me identificar com seu jeito de agir. Segundo porque acho que quando a obra estava se aproximando do desfecho, Becky deixou pontos que eram importantes meio que em aberto, dando uma finalização rápida ou nem comentando nada (e ainda forçou casais secundários). E terceiro porque achei o romance muito, muito, MUITO morno, sem graça e sem emoção. Daquele tipo que eu não ficava torcendo pelo casal ou esperando cenas delas juntas, etc.
Na verdade, até achei bem forçado para entregar uma ideia que a autora teve e quis desenvolvê-la aqui. As relações que foram surgindo e também se deteriorando conforme a leitura ia seguindo seu ritmo pareceram muito roteirizadas para caber no enredo, não soou natural ou interessante ao meu ponto de vista.
Gostava muito mais da outra ponta do triângulo amoroso, que inclusive era alguém com quem rolava um clima no volume anterior, e acho que no final a autora simplesmente deixou esse triângulo para lá e não lhe deu uma finalização digna. E se eu tivesse que escolher outra ponta do triângulo, em vez da que foi (com quem ela de fato ficou no fim), colocaria a Taylor no lugar. Acho que ficaria muito mais intrigante porque Leah e Taylor são bem diferentes, ia ser bem bacana vê-las sentindo algo uma pela outra e se relacionando, na minha opinião.
De qualquer forma, essa é uma leitura válida para os fãs de Becky Albertalli, para quem deseja conhecer seu trabalho, e também para quem nunca leu nada dela, mas busca uma obra jovem adulto leve, envolvente, com uma pitada divertida, personagens secundários adoráveis e um pano de fundo bem trabalhado e desenvolvido.
Avaliação




Conversando com as Fadas - Paulina Cassidy


Tenho algumas paixões na minha vida que carrego desde criança, uma delas sem dúvida é meu encanto por fadas e gnomos. E desde pequena eu tentava ter tudo que saia do tema, mas nem sempre foi e é fácil conseguir. Com o tempo eu passei a estudar estes seres incríveis, e querer claro todos os livros sobre eles. Infelizmente a literatura sobre o tema é mínima, mas desde que vi Conversando com as Fadas, da ilustradora Paulina Cassidy, publicado pela editora Pensamento, eu o quis.

Paulina é uma ilustradora e sensitiva que traduz em seus desenhos as inspirações e mensagens do reino feérico. Segundo ela "A fonte da minha criatividade é uma mistura de todas as coisas reais, fantásticas, emocionais e espirituais, e extrai energia de tudo ao meu redor...".

Embora sejam vistas por muitos como criaturas que habitam apenas o imaginário popular, estes seres são reais tanto quanto eu e você, mas habitam outras dimensões de energia. São responsáveis pela manutenção da vida na Terra, em especial dos reinos vegetal, mineral e animal. Com o aumento das cidades os contatos com os elementais ficou cada vez mais restrito a sensitivos, mas ao conviver com pessoas de cidades do interior você pode encontrar lendas e relatos que se enquadram nesta categoria de ser. Uma vez que o contato seja realizado percebemos que as fadas, por exemplo, são seres de luz muito sensíveis e estão envolvidas no progresso da mente, do corpo e do espírito de cada ser.

Cassidy se considera uma mensageira visual ao retratar em seus desenhos as mensagens que estas guias brincalhonas e astutas a transmitem. Ao realizar o livro a autora propõe que o leitor se conecte também com as fadas através de seus desenhos e mensagens. O livro tem ainda a proposta de ser usado como oráculo, assim você deve mentalizar a pergunta de forma mais objetiva possível e abrir em uma página. Cada ilustração tem uma linda fada relacionada a um tema (como amizade, intuição, paixão, refúgio, e etc) um breve texto sobre o tema, e posteriormente uma reflexão.

Ele também pode ser usado como ferramenta de auto conhecimento, onde você pode ler os temas e refletir consigo mesma a cerca de cada um deles. Como uma maneira de entrar em contato consigo mesmo e quanto a como estão os assuntos citados dentro de você. O ponto chave da evolução e da sabedoria é o famoso conheça a ti mesmo., descobrindo potenciais ilimitados que todos temos, mas desconhecemos.



O Reino de Zália - Luly Trigo

Assim que li a sinopse desse volume, fiquei bastante interessada na leitura, que parecia trazer uma história incrível. Por conta disso, solicitei a prova desse título para poder ler o quanto antes e conhecer melhor Zália, essa protagonista que já havia me conquistado somente com o pequeno resumo da obra. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito desse livro, escrito pela brasileira Luiza Trigo e publicado pela editora Seguinte.
Em “O Reino de Zália” conhecemos a personagem que empresta seu nome ao título, uma princesa de apenas dezessete anos, que, por ser a segunda filha, não vive no reino e sim em um colégio interno, já que foi afastada das burocracias quando o seu irmão tomou a regência do palácio. Foi no colégio interno que ela conheceu os seus melhores amigos e descobriu a paixão pela fotografia.
Zália está no terceiro ano e, como uma jovem comum, espera se formar e seguir os seus sonhos de virar uma fotógrafa. Porém, sua vida muda completamente quando o seu irmão, Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. E logo ela se vê no lugar do irmão, tendo que assumir o trono de Galdino sem nem ter tempo de se recuperar após a perda dele, já que o seu pai, por motivos de saúde, não poderia assumir o reino.
Reinar Galdino não vai ser nada fácil, até porque o local está sofrendo grandes problemas como revoltas populares, além de todas as intrigas dentro da corte. Agora, nossa protagonista está tentando se inteirar dos problemas, e quanto mais se aproxima do povo, mais começa a entender as reivindicações contra a forma que os últimos reis governaram o País, e também conhece a resistência, um grupo que luta por melhorias.
Com a ajuda de pessoas de sua confiança, ela resolve então investigar mais a fundo tudo o que está se passando, querendo saber o que exatamente a resistência está pedindo, e tentando entender tudo, sem ser apenas o que falam para ela. Vemos que a Zália acaba descobrindo as verdades escondidas por trás das leis criadas por sua família e muito mais do que poderia imaginar, já que a situação de Galdino está bem preocupante, a corrupção faz com que o dinheiro seja desviado, deixando a saúde e a educação precárias, e até mesmo as crianças estão sem merenda. Determinada a acabar com a corrupção, nossa protagonista se vê enfrentando grandes problemas, já que suas ações levam a consequências.
Nossa protagonista, apesar da pouca idade, se viu forçada a amadurecer, e conseguiu com o seu jeito doce tomar as melhores decisões, lutando sempre pelo que julga ser certo, sendo uma jovem determinada e bastante destemida.
Esse é o enredo dessa história, mas, se você está pensando que não tem nada de romance, se enganou. Acompanhamos Zália em seus casos amorosos, uma vez que seu primeiro amor sempre foi o Enzo, mas quando ele afirma que não há mais nada entre os dois, tem o Antônio, que se aproxima cada vez mais dela, nos deixando bem divididas.
A escrita de Luly Trigo é gostosa, leve e envolvente. Mesmo com o cenário político de pano de fundo, ela mantém uma linguagem simples e acessível, permitindo, assim, que o leitor mais jovem, público alvo da trama, consiga acompanhar tudo sem problemas e de maneira fluida.


Não Confie Em Ninguém - Charlie Donlea

Adoro livros de suspense e mistérios, pois fazem a gente ficar pensando sobre o que realmente pode ter acontecido e nos prende na leitura, fazendo com que a gente não consiga parar de ler. Quando me deparei com a sinopse de “Não Confie Em Ninguém” sabia que esse título seria um desses volume para mim, então precisava urgentemente mergulhar nas suas páginas para desvendar todos os mistérios. Foi assim que comecei essa obra maravilhosa e agora venho compartilhar com vocês todos os detalhes do que achei desse volume escrito por Charlie Donlea e publicado aqui no Brasil pela Faro Editorial.
Nessa trama conhecemos a cineasta Sidney Ryan, uma mulher que dirige documentários de crimes que foram julgados de maneira errada, prendendo pessoas inocentes ao invés do verdadeiro culpado. Quando ela se depara com o caso de Grace Sebold, uma jovem que foi condenada dez anos atrás por ter assassinado o seu namorado e ainda ter jogado o seu corpo de um penhasco durante uma viagem para a ilha do Caribe, resolve pesquisar mais sobre esse caso para o seu próximo documentário.
Durante a investigação a gente vai acompanhando suas descobertas e também vamos conhecendo um pouco mais sobre a vida de Grace antes desse fatídico ocorrido e também após ele, e vemos que sua vida mudou completamente. Então temos uma visão mais ampla sobre os fatos de tudo o que ocorreu e está acontecendo para que a gente vá elaborando nossas próprias opiniões e conclusões.
A medida que Sidney vai investigando e vai atrás de pistas, como os motivos que fizeram a polícia acreditar que a Grace era a culpada, ela acaba encontrando novas informações com as quais o futuro de Grace possa mudar totalmente. Todo o documentário é gravado em tempo real, ou seja, A Garota de Sugar Beach (nome do documentário) é colocado no ar à medida que Sidney descobre novas evidências, sendo que ninguém sabe qual vai ser a proporção disso tudo, uma vez que o público vai desvendando a verdade junto com o documentário e ninguém sabe quem é o verdadeiro culpado.
O livro é narrado em terceira pessoa, nos dando uma melhor visão de tudo que está ocorrendo na história, já que assim conseguimos entender de forma mais extensa todos os detalhes. A narrativa tem como foco a Sidney, porém em alguns momentos também temos a perspectiva de alguns personagens secundários e também trechos do roteiro da série que mostra o que aconteceu. O livro tem uma linguagem rápida e fluida, além de uma trama complexa e bem articulada com um ritmo muito frenético.


Bem Safado - Big Rock #03 - Lauren Blakely

Wyatt Hammer é um empreiteiro que sabe muito bem como usar suas ferramentas e sempre deixa clientes querendo mais. Bem-sucedido, bem-dotado, bem bonito e de bem com a vida, ele poderia ser perfeito se não fosse péssimo em administração. E por confiar em mulheres bem erradas.
Para conseguir lidar com a alta demanda e também poder pegar novos trabalhos e crescer com sua empresa, ele decide contratar Natalie como assistente. E foi a melhor decisão que já tomou, afinal ela é extremamente bem organizada, inteligente, o salva quando precisa, é uma ótima companhia e também um colírio para os olhos.
É claro que nada pode acontecer entre os dois, primeiro porque ele não acha nada correto dar em cima de pessoas com quem trabalha, segundo porque não saberia como viver sem ela para manter sua empresa em ordem e terceiro porque ele já confiou em mulheres antes que tentaram lhe dar golpes, quase levando tudo o que ele tinha conquistado.
Porém, quando surge uma oportunidade incrível para trabalharem num projeto em Las Vegas que pode ajudá-los muito financeiramente, eles partem numa viagem para lá e decidem aproveitar tudo o que a cidade tem a oferecer. Afinal, tudo que acontece em Vegas, fica em Vegas, certo?! Errado! E agora, Wyatt e Natalie precisarão enfrentar uma montanha-russa de emoções e decidir se devem embarcar num relacionamento que pode ter consequências inesperadas. Resta saber se Wyatt está preparado para confiar em uma mulher com quem trabalha novamente.
Gosto muito do estilo de narrativa de Lauren Blakely, que é leve, divertida, dinâmica e gostosa. A gente mergulha nas páginas e nem percebe o tempo passar já que a trama nos prende de uma forma envolvente e deliciosa. Os personagens são bem construídos, assim como todo o pano de fundo. E é sempre maravilhoso poder conhecê-los mais a fundo.
E o diferencial de suas obras dessa série é que todas são narradas em primeira pessoa pelo protagonista masculino, recurso que dificilmente encontramos nos romances (a menos que seja dividido com a protagonista feminina em capítulos alternados). E todos os personagens masculinos que ganharam seus próprios livros são divertidíssimos.
Algo que gostei bastante nesse exemplar foi a personalidade de Wyatt. Ele logo diz que não gosta de tratar as mulheres como objetos e acha péssimo esses homens que ficam dando em cima de todas e em qualquer situação, menos ainda em ambiente de trabalho. Principalmente aqueles que se acham os poderosos como se todas as pessoas do sexo feminino quisessem ir para a cama com eles. Então ele fala sobre respeitá-las em diversos momentos e gostei realmente de conhecer um personagem assim – principalmente porque isso não ocorre com frequência.
Natalie também é ótima, não se sente menos ou se rebaixa porque é uma mulher (sim, tem várias protagonistas – e mulheres da vida real – que infelizmente fazem isso com mais frequência do que gostaríamos), ela trata e é tratada por Wyatt em pé de igualdade. E não tem problema nenhum em dizer do que gosta no sexo, de fazer o que tem vontade, de ser quem é e autêntica.
Como já dá para notar por conta da capa e do título, esse é um romance erótico, então é claro que vamos encontrar cenas sensuais e explícitas nesse volume. Para quem gosta desse tipo de leitura, pode ficar contente porque Lauren sabe o que faz e recheia as páginas com várias cenas do estilo. Para quem não gosta muito, pode ler mesmo assim, porque a trama é completa e bem desenvolvida e as partes de sexo podem ser facilmente puladas sem que haja qualquer perda de enredo, afinal elas servem mais para complementar o relacionamento do casal e não são a parte mais importante do mesmo.
Algo que curto muito é que a autora traz personagens bem reais e alcançáveis, digamos assim. Digo isto porque a grande maioria dos livros do gênero traz um dos dois protagonistas bem ricos e poderosos, donos de grandes empresas ou herdeiros de algo (geralmente os homens). Mas Lauren nos apresenta personagens mais gente como a gente. Eles levam vidas mais “normais”, com um emprego comum, podendo ter alguma complicação financeira, vivem em apartamentos normais, nada daqueles luxos desenfreados que a maioria de nós não pode pagar. E eu gosto bastante disso, já que me sinto mais próxima deles e de suas realidades.
Na minha opinião, Lauren está melhorando cada vez mais sua escrita e sua narrativa conforme a série vai evoluindo. Os livros três e quatro em minha opinião são melhores do que o primeiro e o segundo. Mais românticos, mais fofos e com personagens incríveis também. Gostei bastante desse casal que ficou entre os meus preferidos juntamente com Chase e Josie.


Poder, Política e Poltergeists Petulantes - Pottermore Presents: Histórias de Hogwarts #02 - J.K. Rowling

Fora da ordem, mas consegui colocar em dia minha leitura dos ebooks do Pottermore! O último foi Poder, Política e Poltergeists Petulantes - Pottermore Presents: Histórias de Hogwarts #02, escrito claro pela querida J. K. Rowling, foi o último.

Nesse ebook o objetivo foi reunir textos publicados anteriormente no site Pottermore com a temática de poder e política, e um último para quebrar sobre um certo poltergeist rs! Com uma varinha nas mãos um bruxo tem mais poder do que se possa imaginar, e poder é sempre perigoso já que trás com ele responsabilidades, mas nem sempre ele está em mãos certas, e quando o ele sobe a cabeça, e no caso para as varinhas o desastre nunca é pequeno!

O primeiro capítulo conta a estória de ninguém menos do que Dolores Umbridge, a personagem mais repugnante da série, me lembro das aparições dela no quinto livro que me despertaram raiva como poucas vezes na vida! O interessante sobre está bruxa má foi saber que ao contrário do que ela possa ter transmitido ela não é sequer uma puro sangue, ou seja, desprezava os mestiços, mesmo ela sendo um deles! Desde muito jovem ela já era sádica e preconceituosa, inclusive desprezava os pais! Nem o fato de colecionar os pratos de gatinhos amenizou sua reputação, desprezível sempre! Na sequência Rowling explica onde buscou inspiração para criação da personagem, assim como se deu a escolha de seu nome.

No segundo capítulo conhecemos um pouco sobre Os Ministros da Magia e Azkaban. Foi muito interessante saber como se dá a escolha e a lista dos ministros da magia, assim como é a relação dos mesmos com o primeiro ministro britânico trouxa. Eu andava me perguntando como seria essa estrutura, a pergunta que ficou foi, se eles tem um primeiro ministro bruxo, teriam também uma rainha bruxa? ou a rainha é única embora não seja bruxa?

Seguimos com o perfil de Horácio Slughorn, aquele professor que tinha o ego maior que si, e acabou ensinando Voldemort a criar Horcruxes. É um relato detalhado de sua vida e carreira, desde quando passou a informação para você sabe quem até a sua volta a Hogwarts, e participação na batalha final, o que gerou um retrato permanente na sala comunal da Sonserina. Breves textos sobre poções e a poção Polissuco também são trabalhados, aparentemente trouxas mesmo em posse dos ingredientes de uma poção não conseguem reproduzi-la, é preciso talento de um bruxo com sua varinha para que ela funcione, e isso explica muita coisa não é?! rs

Quirino Quirrell é a próxima vítima, e parece que não tem nada de muito interessante para compartilhar, como é bem retratado nas páginas do primeiro livro- a pedra filosofal. Embora tenha sido inteligente e viajado pelo mundo, seu humor nervoso criou sérios problemas a sua personalidade. Ingênuo e arrogante parte em busca de Voldemort, e acaba com ele preso dentro de si. O resto nós já conhecemos...

O livro se encerra narrando a estória de Pirraça, o poltergeist. Ao longo dos anos ele tem importunado todos os zeladores, inclusive um deles tentou tirá-lo a força de Hogwarts, gerando uma reprimenda tamanha que o castelo teve que ser evacuado. Depois de um acordo e alguns direitos o poltergeist permanece no castelo respeitando as aulas e poucas pessoas.



Uma Coisa Absolutamente Fantástica - Hank Green

Como fã do John Green, li quase todos os seus títulos publicados, pois amo sua forma de narrativa e gosto bastante de como ele consegue nos conquistar com personagens incríveis e pano de fundo maravilhosos. Ele e seu irmão, Hank Green, são bem próximos e demostram para o público essa proximidade e o amor por coisas nerds. Sendo assim, desde que eu comecei a assistir os vídeos de John com o seu irmão, venho tendo uma curiosidade e interesse em saber mais sobre o Hank. E a oportunidade surgiu quando ele decidiu escrever a própria obra literária.
Nesse seu volume de estreia conhecemos April May, uma jovem que, quando estava voltando para casa após uma longa jornada de trabalho, acabou esbarrando em uma grande escultura, uma espécie de robô de três metros de altura que surgiu naquele local do nada. Sendo assim, April resolveu ligar para o seu amigo Andy para gravar um vídeo sobre a aparição dessa escultura e postar no Youtube.
O que nossa protagonista não esperava é que no dia seguinte, quando ela acordou, o seu vídeo já tinha viralizado, e que haviam esculturas idênticas àquela em diversos lugares do mundo, e que ninguém sabia de onde elas tinham surgido. E por conta do vídeo de nossa protagonista ter sido o primeiro registro deste acontecimento, ela se vê nos holofotes da mídia mundial, virando uma celebridade da noite para o dia.
Agora April tem que conseguir lidar com tudo de novo que está acontecendo em sua vida, e vemos como ela está lidando com essa fama repentina e como isso influenciou em seus relacionamentos, enquanto tenta descobrir o que são essas esculturas. Uma história cheia de ação, que fala sobre a sociedade de uma forma geral, dando uma ênfase na influência das mídias em nossas vidas.
O livro é bem divertido e envolvente, e apresenta cenas sarcásticas e também reflexões sobre nossas vidas. Hank tem uma pegada próxima a do irmão nesse fato, pois ele também consegue misturar questões importantes e que nos fazem refletir com uma linguagem mais leve e fluida. Achei bem interessante que nesse volume ele destacou assuntos muito importantes nos dias atuais, como intolerância, discurso de ódio, como as pessoas reagem ao diferente (em muitos casos de maneira bem desagradável), entre outros assuntos que são temas bem expressivos tanto no Brasil, como no resto mundo.


Teoria do Amor - Halice FRS

A primeira coisa que chamou bastante minha atenção nesse volume foi a capa, que na minha opinião é super fofa. E, claro, depois li a sinopse, que também me agradou bastante. Então vi que precisava ler o quanto antes esse título escrito pela brasileira Halice FRS, e conferir tudo o que aqueles personagens iam passar. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito dessa obra.
Em “Teoria do Amor” conhecemos Maya, uma veterinária de vinte e seis anos que sai de férias com William, seu amigo de infância, e vão de São Paulo para o Sul do país. Ela nutre uma paixão escondida por ele, mas pretende revelar tudo nessa viagem.
Porém, a viagem romântica que nossa protagonista esperava, não aconteceu. Isso porque, depois de ver William interessado em outra garota, Maya resolve pegar a moto e seguir viagem sozinha no meio da noite até outra cidade. Como o destino gosta de pregar peças, ela acaba sofrendo um acidente, e, sozinha no meio do nada com tudo escuro, Maya acaba tendo que sair andando machucada até achar uma casa isolada, onde ela pede socorro.
Conhecemos então Alex, um homem grande, barbudo e com um aspecto meio de sujo. Mesmo não estando muito feliz com a situação, ele abriga Maya. Como na casa não tem telefone, internet ou mesmo luz elétrica, nossa protagonista tem que ficar hospedada lá até a segunda-feira, dia que um conhecido do Alex passava na casa para levar comida e dar carona quando fosse preciso. Uma vez que não tinha como usar a moto e o tempo estava horrível, nossa protagonista não viu outra saída.
É assim que Maya descobre que Alex tem trinta e nove anos, é vegano, enfermeiro, e que depois de um banho ele até que tem as suas qualidades. E, após descobrir que ele não entende o amor, e nem como alguém pode se tornar afetivamente dependente de outra pessoa, ela resolve lhe ajudar. Como deveria ser muito triste viver sem acreditar no amor, Maya coloca em sua cabeça que deve mostrar um pouco desse mundo para ele, já que, assim, um dia ele poderia perceber que estava errado e que poderia viver muito bem e feliz com alguém que amasse.
A narrativa é rápida e fluida e segue alternando entre o ponto de vista de Maya e de Alex, o que foi bem legal, já que assim conseguimos acompanhar a história de forma mais ampla, fazendo com que a gente consiga entender melhor cada um dos personagens individualmente e suas visões.
Com um pano de fundo maravilhoso e uma narrativa divertida e envolvente, esse volume conseguiu me conquistar com uma história leve e despretensiosa, que faz com que a gente vá lendo sem nem perceber. Gostei bastante dos personagens, e cada um com o seu jeito de ser conseguiu me agradar bastante. Confesso que Maya conseguiu me conquistar logo no início, e que o Alex demorou um pouquinho.


O País dos Cegos e Outras Histórias - H. G. Wells


É extremamente gratificante ler um segundo livro de um autor que você gostou e continuar gostando dele, já que não tem nada mais chato do que se decepcionar com alguém, mesmo que seja um autor. H. G. Wells não se tornou um autor clássico do fantástico e da ficção científica a toa, em seu livro de contos O país dos Cegos e outras histórias, publicado pela Alfaguara, o autor mostra que seu talento não se limita a uma única obra.

O volume em questão possui dezoito contos do autor publicado ao longo de sua carreira, muitas vezes em revistas e jornais, o que era comum na época, e cá entre nós podia voltar a ser comum, seria bem melhor do que boa parte do que é publicado hoje me dia! Todos os contos estão dentro do gênero fantástico ou da ficção científica. Alguns eu gostei muito, outros a temática não chamou muito a minha atenção, mas do ponto de vista da narrativa e da criatividade o autor é genial.

Primeiro suas ideias são muito criativas, a partir de uma estória simples e cotidiana ele consegue desenvolver um conto que envolve. No prefácio descobrimos que Wells tinha como intenção quando criava contos seu objetivo que estes fossem lidos rapidamente, em no máximo cinquenta minutos, e ele foi feliz em seu objetivo. O conto mais longo O País dos Cegos que é o maior não ultrapassa esse tempo, e é o maior destaque do livro.

Nele acompanhamos um explorador que acaba depois de um acidente em um vale onde todos os moradores são cegos. Vendo que era o único que enxergava ele viu a oportunidade de ser o líder, já que para ele quem enxerga em terra de cego é rei. O que ele não fazia ideia é que essa frase nunca esteve mais longe da verdade. Sem muitas alegorias, com fatos diretos o conto é repleto de reflexões e pensamentos a cerca da natureza humana e da construção de crença e sociedade humana. E é fácil fazer paralelos com nosso atual momento político de tão contemporânea que soa a estória. Alias é muito interessante como o autor é familiarizado com a natureza humana a ponto de chegar ser até profético em diversos de seus contos.

Em A Estrela ele narra de forma desinteressada o que aconteceria se de repente descobrissem que uma colisão de planetas resultasse em danos para Terra. E o grande destaque aqui é no fim quando descobrimos do ponto de vista de quem a narrativa acontece. E quanto em nossa vida nos colocamos no lugar do expectador que não compreende a dimensão do problema do outro, quantas vezes minimizamos o problema alheio.

Outro que despertou atenção foi A História do Falecido Sr. Elvesham, onde um jovem recebe o convite para se tornar o herdeiro de um filósofo rico que já está muito doente. É triste e angustiante quando aos poucos fica muito claro onde o conto vai terminar, a narrativa segue o estilo Amazing Stories (um antigo seriado de estórias do gênero que passava nas madrugadas da globo). A Loja Mágica é outro que segue esse estilo, é um conto simples e lúdico em uma loja em uma rua em Londres que só abre suas portas para crianças merecedoras.

Explorando a teoria darwinista O Império das Formigas narra o que aconteceria se as formigas dessem um passo a diante na evolução, e passassem a ser mais inteligentes. Já O Ovo de Cristal é uma narrativa inusitada de um ovo de cristal que liga dois lugares diferentes, e outro lugar é que a grande surpresa! Muito criativa eu jamais pensaria em algo como ele estruturou!

Mesmo sem conhecer sobre o que seria a física quântica de hoje Wells foi capaz de um conto, O Estranho Caso dos Olhos de Davidson, onde trabalhou com outras dimensões, mas ainda na própria Terra. Quem lê pensa que ele sabia de tudo que hoje é teorizado pela física! A História de Plattner também segue nesse estilo quando um professor depois de uma explosão na aula de química desaparece. Ele vai parar em outra dimensão, mas diferente do anterior, aqui ele tem encontro com criaturas similares a fantasmas humanos. Neste conto é muito evidente uma característica do autor de contar suas estórias com um tom jornalístico, de alguém que soube através de alguém da estória e não a viveu.



Nova Parceria: Rico Editora


Olá, pessoas lindas! Como estão? Hoje trouxemos mais uma novidade super bacana: O House of Chick agora é parceiro da adorada Rico Editora! Estamos bem felizes porque o catálogo deles é recheado de títulos incríveis e que estamos loucas para conferir. Vem saber um pouco mais sobre o trabalho deles!
SOBRE A EDITORA
Criada em 2017, já lançou grandes nomes. Tem como missão produzir arte com qualidade e tornar a arte nacional acessível para todos. E possui total respeito aos artistas, colaboradores e clientes. Compromisso, ética, dedicação, confiabilidade e inovação.
ALGUNS TÍTULOS DO CATÁLOGO

Indulto ao Corso - Roxane Norris (Skoob)
Rose Anne perdeu sua mãe cedo e foi criada pelo pai – um dos conselheiros da Rainha Vitória , cuja costumeira ausência construiu em sua filha um espírito livre e rebelde. Temendo que na fase adulta a jovem se perdesse de vez, seu pai a enviou às colônias para viver com sua tia. Uma viúva de posses, que certamente daria mais atenção a Rose e, se tivesse alguma sorte, juízo. Contudo, um espírito que nasce livre está longe de ser domado, e Rose se vê numa intrigante rede de tráfico de informações que envolve não somente seu noivo, como também um corsário temido naquelas águas, Scar. Um homem que fará qualquer coisa para provar sua inocência, ainda que isso signifique dispor de Rose.

Os Quitutes de Santa Sé - Roxane Norris (Skoob)
Filha de um abastado Barão do Café no Vale do Paraíba, Joana possuía uma vida tranquila, repleta de alegria e inocência, na fazenda da família. Entre as lições de boas maneiras e as estripulias que aprontava com o primo, a jovem achava que a felicidade era algo que duraria para sempre.
Seu mundo de ilusões, no entanto, começa a se desfazer quando descobre que o pai a deu em casamento a um homem mais velho, em troca de uma dívida de jogo. Apavorada com o que o futuro lhe reserva nas mãos do odioso marido, Joana foge de casa, deixando tudo que lhe é caro para trás.
O que ela não sabia é que o destino é uma força poderosa, capaz de nos impor grandes mudanças, ou, até mesmo, alimentar as nossas paixões com uma intensidade que nunca imaginamos. Ele conduzirá Joana até a pequena e interiorana Santa Sé, onde um arranjo ainda mais inusitado que o de seu pai lhe está reservado. Determinada a não se render, Joana precisará enfrentar a maior batalha da sua vida… Aquela que colocará o seu coração em risco. Será que ela será capaz de abandonar tudo, até mesmo a liberdade que conquistou, em troca de um grande amor?
Roxane Norris mais uma vez nos leva em uma emocionante viagem através do tempo, no cerne de personagens complexos, guiados pelos sentimentos que dominam as próprias vontades.”
Um Doce de Confeiteiro -  Janaina Rico (Skoob)
Uma jornalista obstinada, em busca de novos horizontes na carreira. Um confeiteiro premiado, que prefere a reclusão de sua cozinha.
Renata acreditava que aquele seria seu último dia de trabalho na redação atual e então ela poderia seguir para o emprego dos sonhos, em Londres. Bastava entrevistar o confeiteiro Braga, recém ganhador da premiação "Melhor Cupcake das Américas". Um profissional que zelava pela discrição e que nunca havia exibido seu semblante na mídia.
A caminho do Braga’s Cake Design uma batida de carro a faz conhecer um bonitão, que a atrai imediatamente, mesmo que ele tenha machucado o seu possante.
Ao chegar no local da entrevista, ela descobre que o confeiteiro e o moço bonito são a mesma pessoa e, em meio a tantas guloseimas, a atração entre eles se torna ainda mais irresistível. Só que a jornalista está de partida para a Inglaterra e agora precisa tomar uma decisão. O que vale mais? O emprego de ouro ou uma paixão avassaladora?
Com muito açúcar, chocolate e merengue, este romance é uma receita de sensações intensas e avassaladoras, ingredientes que irão lhe deixar com água na boca e com vontade de experimentar o gosto de se apaixonar por um confeiteiro.


A Princesa Prometida - William Goldman

Buttercup é linda. Tão linda que arrebata todos os homens que a veem e deslumbra a todos por onde passa. Por ser uma jovem camponesa sem muitos recursos, não conhece muito do mundo. Porém, quando o jovem e humilde Westley vai morar na fazenda dos seus pais, ela começa a maltratá-lo e lhe manda fazer tudo o que quer só para poder chamar a atenção dele. A relação dos dois começa assim, com ela mandando e ele obedecendo com poucas palavras. Até que decidem confessar o que sentem um pelo outro. Inspirado por esse sentimento grandioso, ele decide ir embora para enriquecer e ser alguém na vida para depois voltar para ela e os dois poderem se casar e viver esse amor.
Durante essa jornada longe, eles continuam trocando juras de amor e promessas através de cartas. Porém, o pior acontece e o navio em que ele estava acaba sendo surpreendido e invadido por piratas, sendo um deles um temível homem que nunca deixa sobreviventes. Devastada pela perda do seu amor, Buttercup desiste de tudo e decide que nunca mais vai amar ninguém.
Cada vez mais bonita, ela acaba chamando a atenção de algumas pessoas e o sádico príncipe Humperdinck então decide que a quer como sua esposa para poder lhe dar herdeiros. Ela acaba aceitando, sabendo que nunca vai amá-lo. Porém, perto do casamento, a jovem é sequestrada e quem aparece para salvá-la é justamente o amor de sua vida, o destemido Westley.
É claro que ele vai fazer de tudo para ficarem juntos logo, porém o destino não quer que isso aconteça tão cedo, afinal eles precisam enfrentar diversos perigos pelo caminho. Entre eles, gigantes poderosos, um dos melhores espadachins do mundo, um homem muito inteligente, um príncipe cruel e desumano que é ótimo em caçadas, e muitas outras coisas aparecem para atrapalhá-los. Mas quando o amor é verdadeiro, tudo pode ser superado. Ou pelo menos é isso que se espera.
Primeiramente gostaria de começar essa resenha dizendo que eu nunca assisti ao filme homônimo que foi originado a partir dessa obra e fez bastante sucesso na década de 1990, principalmente por causa da Sessão da Tarde. Quero dizer, acredito que eu nunca tenha assistido, mas é claro que não posso ter certeza já que não me lembro de tudo que vivi naquela época, já que eu era bem novinha, porém se isso aconteceu não foi algo marcante, já que não me lembro de absolutamente nada. Então eu não comecei essa leitura como muitas outras pessoas, com aquele sentimento gostoso de nostalgia que nos acompanha em situações como essa (se fosse “A História Sem Fim”, isso tudo mudaria de figura).
Por isso, minhas expectativas estavam boas, mas não era nada extraordinário. Porém, vi muitas pessoas elogiando essa obra, dizendo ser uma aventura épica bem divertida e emocionante e com uma história de amor deliciosa. E devo dizer que eu realmente sou fã de histórias de amor.  Então é claro que fiquei empolgada esperando encontrar algo digno de ser semelhante a “Robin Hood”, que por sinal eu amei.
E no começo estava realmente achando tudo bem interessante e divertido, e estava adorando passar aquele tempo em companhia desse livro. Porém, conforme as páginas foram avançando eu comecei a ficar entediada e achei a leitura meio maçante e também muito cortada, fazendo com que eu não conseguisse criar vínculos fortes com nada que ia acontecendo e nem desesperada para chegar logo ao final para ver como tudo ia ser resolvido – ou talvez estivesse, mas só porque eu queria acabar logo com aquilo.
Algo que achei bem interessante é esse pano de fundo com diversas coisas acontecendo, muitas situações inusitadas, diversas aventuras e perigos que os personagens iam enfrentando pelo caminho. Gostei bastante do fato de que há umas reviravoltas maravilhosas, que nos fazem acompanhar coisas diferentes e fantasiosas, dando um ar bem bacana e divertido para a trama.
Também curti o fato de o autor conversar com o leitor em diversos momentos, no meio da leitura, fazendo comentários ora interessantes ora explicativos sobre alguma cena que aconteceu ou ia acontecer ou mesmo sua relação com aquele ponto do enredo. Por falar nisso, desde o começo do exemplar, temos a oportunidade de conhecer melhor a relação de William Goldman com essa história, que ele diz que na verdade foi uma adaptação por sua parte de uma já existente, a qual editou e deixou somente as partes boas – as que ele acreditava serem boas.
Ele também fala sobre como conheceu esse livro quando ainda era um menino e ficou doente e passava horas com seu pai semianalfabeto lhe contando partes dele todos os dias para ajudar a passar o tempo mais rápido. Essa relação é bem bonita e gostei de acompanhá-la. Depois ele também fala sobre como foi transmitir a história para o filho e a adaptação, etc. Algo que me incomodou nesse papo com o autor é que nós também temos a oportunidade de conhecer um pouco de sua personalidade, e ele fez determinados comentários que realmente, realmente me chatearam e me decepcionaram.
Na quarta capa do exemplar há um texto que diz que essa é “uma história fictícia baseada num livro fictício sobre supostos fatos históricos passados numa cidade que nunca existiu”. E as únicas informações que encontrei sobre o “verdadeiro” autor, S. Morgenstern, é que ele deve ser fictício. Então não tenho certeza se essas experiências e lembranças de Goldman são reais (mesmo que com relação a outro título) ou apenas parte do imaginário que ele utilizou para construir a obra “A Princesa Prometida”.


O Segredo de Helena - Lucinda Riley

Como uma verdadeira fã dos livros de Lucinda Riley, tento sempre colocar alguma de suas obras em minhas leituras, pois sei que a história com certeza vai me agradar bastante. Sendo assim, foi a vez de começar a leitura de “O Segredo de Helena”, publicado aqui no Brasil recentemente pela Editora Arqueiro, sendo um título que a sinopse me chamou bastante atenção e que parecia trazer uma história incrível, cheia de segredos e revelações, como já esperado da autora. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito dessa obra.
Esse volume começa com Alex, o filho mais velho de Helena, no ano de 2016, quando ele encontra o seu diário e relembra a história do verão em que mudou tudo. Com isso, voltamos para o ano de 2006, onde conhecemos Helena, uma mulher forte e determinada que acabou de herdar a casa do seu padrinho, no Chipre, que foi batizada de Pandora, local onde ela passou um verão mágico quando tinha apenas 15 anos.
Como ela herdou a casa, resolveu levar a família inteira para passar as férias. Vemos que ela é uma ex-bailarina, e que por muitas vezes é um pouco fria, já que criou uma barreira para o mundo e guarda vários segredos. E é nesse verão que a sua vida muda totalmente, já que o retorno a essa casa vai abrir muitas feridas ainda não cicatrizadas.
Alex é um menino muito inteligente. Com apenas treze anos, ele sonha em saber a verdadeira identidade do seu pai, que até então é desconhecida por ele. Sendo muito maduro para a idade, ele rouba a cena em vários momentos com o seu jeito quieto e observador. O garoto não tem a melhor relação com o padrasto, já que o mesmo quer lhe mandar para uma escola longe e ele acha que essa é apenas uma forma de se livrar dele. Vemos que começa a questionar as coisas que acontecem, como um menino de treze anos faz, e começa ao mesmo tempo a descobrir o amor. Determinado, ele começa uma busca para descobrir quem é o seu pai biológico.
Conforme o verão vai passando, pessoas do passado de nossa protagonista voltam a aparecer, e seus segredos passam a querer vir à tona. A vida dessa família muda totalmente de rumo, e esse verão com certeza muda todos eles.
Esse livro fala muito sobre relacionamentos familiares, e nos mostra que segredos não podem ser guardados por muito tempo, já que um dia eles acabam vindo à tona. E eles sempre trazem consequências em nossas vidas. Mesmo quando guardamos alguma informação por acharmos que podemos proteger alguém, a verdade sempre prevalece e acaba sendo a melhor opção.  
Foi ótimo conhecer um pouco mais sobre a Helena, essa mulher forte e determinada que me encantou em vários momentos com o seu jeito de ser. Vimos o seu crescimento e foi muito gratificante ver que ela conseguiu tirar todo o peso e angústia que a acompanhavam durante anos.


Cores de Outono - Trilogia Cores #01- Keila Gon


Nem sempre eu sei como começar uma resenha, algumas vezes eu receio pegar pesado demais, outras vezes de não conseguir transmitir a dimensão do que é trabalhado, enfim em todos estes anos já aconteceu de tudo um pouco nas leituras e resenhas de livros. Com Cores de Outono, primeiro volume da Trilogia Cores, da autora Keila Gon, publicado pela Mundo Uno, eu me encontro incomodada em como o livro foi realizado.

Após a morte da mãe e do padrasto a jovem Melissa se muda com a irmã de cinco anos para o interior paulista para casa do avô. É um novo recomeço, e ela se sente responsável pela vida da irmã. O que ela não esperava é que um homem misterioso, Vincent, fosse cruzar seu caminho e mudar o seu destino radicalmente. De repente seu mundo real muda, seu coração se apaixona e sua irmã não é quem ela achava, mas Melissa está determinada em cumprir sua promessa e cuidar de sua irmã mesmo que para isso tenha que enfrentar as sombras.

Acho que todos leitores já leram ou esbarram com a saga Crepúsculo não é mesmo? Então se você se lembrar bem da estrutura da estória vai conseguir perceber o quanto Cores de Outono é muito, eu digo muito parecido com o primeiro livro desta saga. Se foi proposital, inconsciente, ou sequer foi pensado eu não sei, mas que é tudo igual, ah isso é! Então vamos aos paralelos, primeiro temos uma personagem desastrada, tanto Melissa quanto Bella seguem a linha sou capaz de me matar sozinha com facilidade, depois temos o vampiro Edward versus nosso protagonista Vicent que não é um vampiro, mas também é um criatura das trevas que não se acha digna do amor da mocinha.

Ah você se lembra que o casal de crepúsculo passa páginas infinita brigando, fazendo as pazes e voltando a arrumar pelo em ovo. Então Melissa e Vincent é assim. Mas Gon bateu um recorde, ela levou mais de 230 para revelar quem era Vincent, e eu já estava desistindo de saber, cansada de esperar! O mistério se alongou além do necessário, e fez com que a parte interessante da estória ficasse espremida em menos da metade do livro.

Voltando aos paralelos temos o avô que não aceita o casal. Temos uma família misteriosa que não é bem família, não são vampiros, mas são estranhos e não socializam com a comunidade. Temos também um vilão que surge do nada, como foi o casal de vampiros em twilight. E temos até o mocinho salvando a mocinha inúmeras vezes. Até um Jacob temos nesta trama, no caso um menino comum chamado Arthur que conseguiu despertar minha antipatia como o lobisomem! Talvez tenham mais coisas iguais que eu tenha me esquecido, mas acho que já deixei claro quantas são não? Tudo isto junto ao fato da autora não explorar o local onde se passa, deixou a sensação de que a trama era em outro país, eu me esqueci completamente que era no Brasil e em São Paulo.

Então eu pergunto como gostar de um livro que tem a estrutura quase idêntica com a de outro? Eu me senti muito incomodada, devo dizer que Keila escreve bem, mas deveria ter criado as coisas ao seu modo, e jamais copiar os defeitos como essa eterna tensão do casal que faz apenas um efeito: a vontade gigante de bater a cabeça dos dois na parede! A narrativa é feita em primeira pessoa, e Melissa é uma mocinha um tanto non sense, já que diante do óbvio ainda fica hesitante.

O diferencial do livro é que aqui o que é trabalhado é um universo com magos e criaturas mágicas, no caso apenas apareceu os elfos, mas ela deixou claro que existem outras criaturas. E a protagonista tem uma irmã criança que aparece com frequência e é uma coisa fofa! Mas o sistema mágico não é muito explorado, menos ainda o mundo mágico. Não parece que seja o foco, o foco é o casal.