Leah Fora de Sintonia - Creekwood #02 - Becky Albertalli

Leah odeia muitas coisas: clichês, diversão, demonstrações públicas de afeto, muitas pessoas, entre elas o namorado bondoso da mãe, que a faz feliz, pessoas felizes, etc. E fala tudo o que vem na sua cabeça, doa a quem doer. E se você disser algo que a incomoda, ela vai fazer uma cena e deixar você saber disso.
Em seu último ano do colégio, Leah sabe que sua vida como sempre conheceu está prestes a mudar completamente, afinal tudo como é vai terminar. Para completar, sua mente anda muito ocupada pensando o tempo todo (e de uma maneira incontrolável) numa certa pessoa que mexe com seus sentimentos, sem espaço para qualquer outro tipo de pensamento.
Agora ela precisa enfrentar toda a pressão desse momento de sua vida enquanto tenta lidar com essa paixão secreta. E também decide vivenciar algumas experiências que não acreditava que viveria, como o baile de formatura. Resta saber se Leah conseguirá passar por tudo isso e se tornar mais madura, enquanto enfrenta seus anseios e vai em busca de seu final feliz.
Confesso que já não curtia tanto assim a Leah desde que a conheci em “Com Amor, Simon”, primeiro volume dessa série. A considero uma personagem chata e acho que reclama demais. Ainda assim, resolvi dar uma chance a esse livro que seria protagonizado por ela para ver se conseguiria despertar mais minha empatia, pois isso já aconteceu antes com outros personagens que não gostava tanto e depois passei a adorar. Porém, isso infelizmente não aconteceu. Leah só estava ainda mais chata e reclamava de cada vez mais coisas, fora que ela é bem grossa em diversos momentos. Sorte dela que consegue ter tantos ótimos amigos assim, porque sinceramente ela é bem difícil.
A parte positiva dessa obra é a escrita da autora. Becky sabe como escrever para o público jovem, com uma narrativa leve, envolvente, direta e fluida, e com uma linguagem simples. E ainda aborda temas pertinentes da idade, fazendo com que o público alvo consiga se identificar com alguns personagens ou situações que eles estão vivenciando ou já vivenciaram. E isso é sempre interessante de se ver em livros jovens adultos.
Outro ponto que eu gostei muito foi rever alguns personagens queridos que já tinham aparecido no volume anterior. Suas participações foram grandes e de fundamental importância para o desenrolar desta trama e amei isso. Admito que estava com muitas saudades de Simon e sua turma, então amei acompanhá-los vivendo o depois daquele final.
Algo que realmente adoro em Albertalli é que ela traz personagens bem gente como a gente, e também muita representatividade, e os que infelizmente muitas vezes são considerados “diferentes” por pessoas mais conservadoras ou simplesmente ridículas, e trata todos como devem ser tratados: de forma normal. Claro que na vida real muita gente enfrenta problemas com esse tipo de indivíduo que não aceita que todos somos mesmo diferentes, mas de um jeito normal, e temos os mesmos direitos e devemos ser tratados da mesma forma. Mas vê-la abordando esses assuntos dessa forma dá esperança e um conforto no coração. E também inspira pessoas a serem melhores, com certeza.
Há um clima de despedida e saudosismo nessa leitura, já que os personagens estão se formando no ensino médio e se preparando para se mudar para a faculdade em outras cidades/estados. Então vemos como está sendo essa preparação para eles, seus sentimentos e como estão lidando com essa etapa de suma importância da vida.
Mesmo com pontos positivos, não posso dizer que gostei muito desse livro, na verdade o considero mediano. Primeiro por causa da protagonista, que não é alguém com quem eu teria um relacionamento de amizade na vida real, já que não consigo me identificar com seu jeito de agir. Segundo porque acho que quando a obra estava se aproximando do desfecho, Becky deixou pontos que eram importantes meio que em aberto, dando uma finalização rápida ou nem comentando nada (e ainda forçou casais secundários). E terceiro porque achei o romance muito, muito, MUITO morno, sem graça e sem emoção. Daquele tipo que eu não ficava torcendo pelo casal ou esperando cenas delas juntas, etc.
Na verdade, até achei bem forçado para entregar uma ideia que a autora teve e quis desenvolvê-la aqui. As relações que foram surgindo e também se deteriorando conforme a leitura ia seguindo seu ritmo pareceram muito roteirizadas para caber no enredo, não soou natural ou interessante ao meu ponto de vista.
Gostava muito mais da outra ponta do triângulo amoroso, que inclusive era alguém com quem rolava um clima no volume anterior, e acho que no final a autora simplesmente deixou esse triângulo para lá e não lhe deu uma finalização digna. E se eu tivesse que escolher outra ponta do triângulo, em vez da que foi (com quem ela de fato ficou no fim), colocaria a Taylor no lugar. Acho que ficaria muito mais intrigante porque Leah e Taylor são bem diferentes, ia ser bem bacana vê-las sentindo algo uma pela outra e se relacionando, na minha opinião.
De qualquer forma, essa é uma leitura válida para os fãs de Becky Albertalli, para quem deseja conhecer seu trabalho, e também para quem nunca leu nada dela, mas busca uma obra jovem adulto leve, envolvente, com uma pitada divertida, personagens secundários adoráveis e um pano de fundo bem trabalhado e desenvolvido.
Avaliação




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