Anne de Green Gables – Anne de Green Gables #01 – L. M. Montgomery

Os irmãos Marilla e Matthew Cuthbert decidem adotar um menino para ajudar nos serviços da propriedade, já que as coisas não são como antes. Porém, ao chegar ao local de encontro é uma menina ruiva quem espera para ser levada para o novo lar. A princípio a órfã Anne Shirley não teria lugar naquela família, mas logo conquista os membros, que se apegam facilmente a seu jeito com todo falatório e imaginação.
Vamos acompanhar suas peripécias na nova casa e na comunidade, fazendo amigos, desafiando várias questões, ganhando destaque e até participando de uma competição que ela própria cria em sua cabeça. E logo conquista não só os donos de Green Gables como também toda a cidade de Avonlea e os leitores.
Anne é ingênua, bastante otimista e igualmente dramática. Também é sonhadora, muitíssimo distraída e dona de uma personalidade forte e extremamente falante. O elenco de personagens é incrível, cada qual com sua personalidade marcante e diferente entre si. Destaque para Marilla, dura e doce ao mesmo tempo e importante no crescimento de Anne, e Diana, cuja amizade é essencial para a protagonista.
Mesmo gostando de todos, meu preferido foi, de longe, Matthew. Com uma personalidade mais fechada e sendo calado, retraído e até solitário, ele tem um coração enorme e sempre quer fazer tudo, mesmo sem saber como, para ajudar Anne e deixá-la feliz. Ele é a definição de pessoa fofa e bondosa.

Essa é uma leitura mais calma, com diversos momentos de monotonia, como acontece geralmente em cidades do interior. Então tem todo esse clima gostoso. A escrita flui bem e a trama é leve. De modo geral, curti a leitura e pude entender o motivo de conquistar tantos leitores. Mas também me senti bem triste com acontecimentos do final deste volume.
Uma característica da narrativa da autora é que ela nos deixa ávidos por alguma cena ou acontecimento de tanto que Anne fala sobre o assunto, inclusive de maneira bem empolgada, mas nem sempre nos mostra a cena de fato acontecendo. Só temos a possibilidade de saber como foi depois, através de relatos, principalmente da própria Anne. Confesso que fiquei um pouco frustrada com isso em determinadas ocasiões.


A edição que li foi da Nova Fronteira, que está simplesmente LINDA! Com capa acolchoada e cheia de purpurina, miolo todo ilustrado e enfeitado, páginas em papel couché com alta qualidade de impressão e texto bem diagramado.


Bad Things – Tristan & Danika #01 – R.K. Lilley


Amo romances contemporâneos e sempre tento colocar um livro desse estilo na minha lista de leituras. Quando li a sinopse de “Bad Things” sabia que iria encontrar nessa história um enredo que iria me encantar, e por isso comecei assim que me foi possível.
Nesse volume conhecemos Danika, uma jovem que teve uma vida difícil e que sempre acaba se apaixonando por bad boys. Quando conhece Tristan, sabia que se cedesse a tentação entraria em um grande problema. Porém, a medida que vai conhecendo ele, a tensão sexual entre os dois vai crescendo cada vez mais.
Nossa protagonista consegue nos encantar com sua personalidade de fácil convivência. É como se a gente imaginasse uma amiga no lugar dela. E Tristan, mesmo sendo aquele típico bad boy que já sofreu bastante em relacionamentos e não pensa em entrar em outro novamente, é um ótimo amigo e um cara realmente gente boa. Danika sempre muito apegada ao passado e aprendeu com ele a viver o presente. E com isso vemos como o relacionamento deles foi se formando e como, após se apaixonar profundamente, sua queda nessa história de amor acaba sendo dolorosa.
Com dramas, romance e cenas de sexo, esse volume consegue nos conquistar com uma narrativa fluida e cativante. Foi maravilhoso poder acompanhar os protagonistas se conhecendo, virando amigos, e depois vendo os sentimentos evoluindo a partir daí. Com um romance intenso, somos apresentados a diversos tipos de sentimentos e não conseguimos parar de ler até chegar ao fim.



Todos os Pássaros no Céu- Charlie Jane Anders


Faz algum tempo que não leio um livro que me desperta tantos sentimentos ambíguos ao mesmo tempo, Todos os Pássaros no Céu, da autora Charlie Jane Anders publicado pela Morro Branco até agora não me fez um sentimento definitivo por ele.

Patrícia e Laurence são duas crianças que enxergavam o mundo de forma diferente, mas que mesmo assim tinham um lugar em comum para compartilhar, ela embora com poderes mágicos e ele com talento para ciência não eram bem aceitos pelos que os rodeavam. Ninguém os tolerava e a exclusão social os uniu. Mesmo depois de anos de separação a vida volta os unir, e cada um em seu lugar terão que unir forças para o bem comum.

A narrativa é dividida em quatro livros que são passagens no tempo, a primeira e a segunda parte foram partes muito incômodas para mim, foi terrível ver como os pais destas crianças eram egoístas e ruins para os dois, os pais de Patrícia são péssimos, boicotam a filha de todas as maneiras possíveis e despertam muita raiva (o que pensar de um casal que deixa a filha trancada no quarto uma semana passando comida por de baixo da porta?!!). Tinha vontade de parar a leitura e ir brigar com eles, e olha esse sentimento é raro. Os pais de Lau não ficam para trás, mas parecem mais perdidos do que de fato ruins como os de Patrícia.

Quanto ao estilo de escrita de Anders é fluído e ágil, o livro assim passa rápido e não demorou a correr, mesmo que eu me sentisse perdida em diversos momentos. Charlie tem um jeito próprio de criar sua sequência de fatos que não segue o comum. As passagens de tempo são quebradas e não avisadas, e as vezes o leitor pode se pegar perdido no pedaço que foi subtraído.

Patrícia é uma garota sensível e pura que desde muito pequena consegue falar com os animais e descobre através de um pássaro que era uma bruxa. Este fato a marcou profundamente e desde então tudo que ela quer é desenvolver a magia e encontrar seu lugar ao mundo, já que na escola sofre bullying, e quando digo isso é dos pesados que envolvem inclusive sua irmã. O modo como seus colegas a tratam cortou meu coração, e a passividade da mesma é de se admirar! Com a passagem do tempo, depois que ela vai estudar magia ela passa a ter mais segurança e certeza de seus talentos, mas mesmo assim vive no medo porque de alguma forma ela parece ter poderes que nem seus professores sabem bem como lidar. E sua vontade de salvar a todos é mal interpretada pelos demais bruxos.

Laurence é muito inteligente e não tem dificuldades em criar instrumentos tecnológicos, e isto é tão forte que chega a assustar seus pais. Como todo nerd de estória ele também sofre na mão dos colegas de escola, e assim como Patrícia também não os enfrenta. Essa passividade e conformidade acaba por unir os dois que ora se ajudam, ora se repelem, já que em certos momentos Laurence pensa que se afastar de Patrícia pode melhorar sua reputação.

Junto a esses problemas escolares surge um homem que faz parte de um grupo de assassinos e quer matá-los, ele é a pá de cal para acabar com a vida dos dois que tem suas vidas viradas de cabeça para baixo aos treze anos. Estes trechos da trama não me agradavam em nada, já que ele era um assassino frio e sem muita explicação.

Quando chegamos a fase adulta dos dois jovens fica mais clara a dualidade que a autora quer trabalhar, ciência versus magia. E essa mensagem parece ser uma das que mais marca toda a trama. Mas eu acho que o que mais me marcou é a tentativa desesperada destes seres humanos de encontrar um lugar para existir, para serem eles mesmos sem crítica e sem precisar da aprovação dos que o cercam. Ambos parecem viver todo o tempo no medo, sob pressão, e sem saber o que é ser feliz.

Agora pensando em alguns problemas do livro, o primeiro que me vem é o fato de as pessoas chamarem esse livro de ficção científica, não sou especialista no gênero, mas ele é bem diferente de todos os ditos clássicos do estilo, e eu não o chamaria assim, menos ainda o chamaria de fantasia, talvez possamos colocá-lo em fantasia urbana em um futuro próximo? Outro ponto é que acho dispensável as inúmeras páginas que a autora usou da infância dos personagens, acho que se ela usasse o recurso de lembranças de ambos durante a estória no momento presente o livro seria mais dinâmico, e menos cruel também.

Por tratar-se de um livro ganhador de dois prêmios eu esperava muito mais dele. Se a autora queria ter um universo de fantasia e magia dentro de um tempo futuro com tecnologia ela deveria ter se demorado em explicar estes mundos, e suas regras, parece que o mundo é um iceberg cheio de pessoas loucas e cruéis, e que os protagonistas são os dois únicos que tem sentimentos. Me senti desamparada junto a eles durante a leitura.

Todos os pássaros no Céu ainda me perturba, e honestamente ainda não terminei de escolher o lugar dele em minha mente. Como muitos elementos diferentes é uma colcha de retalhos que pretende passar uma mensagem, só ainda não estou tão certa que ele consegue ser claro nela.



Avaliação











Ordem Vermelha - Filhos da Degradação - Felipe Castilho

Livros são para mim um momento de escape do meu dia. Quando eu estou no meu dia a dia normal eu consigo ler quase todo gênero de literatura sem me afetar, mas quando o mundo está de ponta cabeça como nesse momento da nossa história, eu estou procurando por leituras mais leves, mas desta vez eu me vi com um livro que não me proporcionou um momento de tranquilidade, ao contrário. Em Ordem Vermelha, Filhos da Degradação, do autor Felipe Castilho, publicado pela editora Intrínseca, a leitura foi tudo menos tranquila, não pela sua qualidade, mas pela sua temática.

Untherak é um lugar dominado por uma deusa de seis faces, onde o vermelho é uma cor proibida e todos os moradores servem a deusa de sol a sol. Aelian é um órfão humano que passa seus dias no Poleiro sonhando com o dia que terá sua semi-liberdade, o que ele não esperava é que seu sonho fosse lhe custar tão caro. Após conhecer a Aparição ele acaba junto de companheiros inesperados que junto a ele irão começar uma rebelião.

O universo criado por Castilho é bastante peculiar, sem referências muito explícitas de suas origens. O autor diz nos agradecimentos sobre referências a seus livros anteriores e o folclore brasileiro, mas ao contrário do que é comum acontecer aqui é tudo muito original, e essas alusões são sutis. É tão diferenciado que chega a muitas vezes a ser difícil de compreender certos aspectos, como a moeda utilizada.

Aelian é um jovem que perdeu os pais cedo e se viu sozinho trabalhando de forma dura no Poleiro, local onde falcões enviam encomendas. Quando não está trabalhando ele fica em uma pequena cela. Sempre que pode ele foge pelos telhados, então quando vê a oportunidade de mudar o sistema do local ele agarra a oportunidade. É destemido e leal aos novos colegas.

Ziggy, é um sinfo, uma criatura assexuada com uma sensibilidade diferenciada com uma forte ligação com a natureza. É o integrante do grupo menos letal e mais leve, com uma capacidade de trazer luz nos momentos mais escuros. Harun, é um anão que é um Autoridade (trabalha para deusa), tem uma índole duvidosa já que seu objetivo não é um bem maior, mas o resgate da herança cultural de sua família. Dono de grande força física, é também dono de um humor explosivo.

Raazi, uma kaorsh, tem a capacidade de mudar a cor da própria pele. É uma grande guerreira e luta desde as primeiras páginas pela liberdade de todos. Ela sabe de alguns segredos e mentiras da deusa e planeja que eles venham a tona abalando a lealdade do povo. Venoma é uma mestiça de kaorsh e humano, é letal e desconfiada. Ela junto da aparição fazem muitos estragos pelo Miolo antes de se juntar aos demais.



Todos os personagens tem uma personalidade muito bem delineada e cada raça têm suas características exploradas. Infelizmente por todos eles estarem em uma situação limite acabam tendo suas culturas e costumes perdidos ou abafados, o que é uma pena, pois limita a graça de todas as raças.