Uma Proposta e Nada Mais - Clube dos Sobreviventes #01 - Mary Balogh

Lady Muir, Gwendoline, se tornou viúva bem cedo e, por ter tido um casamento não muito agradável, decidiu seguir com sua vida tranquila sem ter vontade de se casar novamente. No entanto, agora se sente solitária e decide arranjar um marido agradável, calmo e inteligente.  Em um passeio solitário quando estava viajando para confortar uma conhecida que ficou viúva recentemente, ela acaba se machucando e, por conta de sua perna que já era manca, fica sem ter como agir. Até que conhece Hugo Emes, o lorde Trentham, que ganhou o título por conta de uma missão suicida que liderou, da qual saiu vivo na guerra. Ele lhe ajuda e eles começam a ficar mais próximos.
Hugo também quer um casamento porque seu pai faleceu deixando-o com uma grande riqueza e muitas responsabilidades, incluindo cuidar de sua irmã mais nova e de sua madrasta. Como ele é fechado e carrancudo, não sabe como agir e decide encontrar uma esposa boa para lhe ajudar a enfrentar determinadas obrigações. Porém, ele tem um pouco de preconceito com pessoas da aristocracia e, mesmo antes de conhecer Gwendoline muito bem, a julga superficial e mimada.
Mas como nem tudo acontece da maneira ideal que planejamos para nós mesmos, um acaba se sentindo cada vez mais atraído pelo outro, tanto física como psicologicamente, e agora eles precisarão decidir se isso basta para um casamento satisfatório, agradável e duradouro.
A autora, Mary Balogh, já havia sido publicada anteriormente no Brasil, também pela Editora Arqueiro, só que com a série de seis livros “Os Bedwyns”, que inclusive já teve diversos volumes resenhados aqui no blog (clique no título para conferir nossas opiniões). E dessa vez a editora escolheu uma de suas séries mais recentes, “Clube dos Sobreviventes”, cuja obra inicial é esta, “Uma Proposta e Nada Mais”. Como Romance de Época é meu gênero favorito, e eu ainda não tinha lido nada escrito por Mary e queria conhecer sua narrativa, resolvi me aventurar nela.
Com tantas opiniões muito positivas a respeito da autora e de sua escrita, eu estava esperando uma história maravilhosa de fazer suspirar. Então minhas expectativas estavam realmente bem altas. Mas confesso que não curti tanto assim. Achei o casal protagonista bem sem graça. Eles não tinham química e nem senti qualquer tipo de ligação, muito menos uma tão profunda que resultasse em amor. Não consegui senti-los se apaixonando e nem nenhuma emoção vinda de qualquer um dos dois e isso foi realmente a parte mais frustrante da leitura. Não é um livro ruim, porém também não foi empolgante ou que fez meu coração se animar ou se apaixonar. Só me senti normal lendo, nem odiando nem adorando qualquer coisa.
Por outro lado, gostei da escrita da autora, que é interessante e bem desenvolvida. Uma das minhas partes preferidas é que ela construiu muito bem a personalidade e o pano de fundo da vida de cada um dos protagonistas, trazendo profundidade e realidade à trama. Ou seja, nós temos a oportunidade de conhecer a fundo os personagens, seus passados, suas motivações e pensamentos.
E também pudemos conhecer o lado ruim de cada um, seus traumas, sequelas emocionais e dificuldades em superar determinadas questões. Afinal, o ser humano é complexo e sempre tem que trabalhar questões dentro de si, e ver que a autora soube transmitir isso tão bem em palavras, fazendo com que nos aproximássemos dos personagens, foi realmente muito gratificante.
Porém, algo que me incomodou também é que os protagonistas quase nunca conversavam! Praticamente em quase nenhum encontro eles tinham uma conversa mais duradoura. Geralmente um ficava ao lado do outro sem querer falar alguma coisa ou sem saber o que dizer, então só ficavam quietos. Inúmeras vezes a autora usava esses argumentos, fazendo com que eu sentisse muita falta de interação entre os dois. E até agora não sei quando o amor começou.
Quero dizer, nós, leitores, pudemos conhecer ambos muito bem. Inclusive porque eles não estavam falando um com o outro, mas estavam pensando bastante. Então tivemos a oportunidade de ouvir aquilo que eles não tinham coragem de dizer em voz alta. Claro que em determinados momentos um falava um discurso enorme para o outro, revelando algo de seu coração ou de sua vida, ou até contando algo de seu passado. Mas, quando algo assim acontecia, na maioria das vezes o outro só ficava ali ouvindo, sem comentar ou acrescentar nada na conversa, quase como se o outro estivesse fazendo apenas um monólogo, e depois mudava de assunto ou eles se separavam.
A obra tem um ritmo constante, mas é repleta de sentimentos, emoções afloradas (com relação aos personagens em si e seus passados) e muita sensibilidade. Com certeza consegue tocar o leitor em diversos momentos. Além disso, o texto é bem descritivo, fazendo com que tenhamos facilidade em mergulhar no enredo e também na época em que a trama se passa, como se realmente estivéssemos fazendo parte daquele cenário e naquele período e isso é muito agradável.


A Sombra do Vento - Cemitério dos Livros Esquecidos #01- Carlos Ruiz Zafón

Conheci Zafón através do livro Marina, e demorei muitos anos para finalmente ler A Sombra do Vento, primeiro volume da série Cemitério dos Livros Esquecidos, publicado pela Suma de Letras. Ele estava na estante me encarando todo esse tempo, e chegou o momento de ler o livro que fez o autor ser conhecido e reverenciado!

Após uma madrugada inusitada com uma visita inesperada Daniel Sempere tem em suas mãos um livro raro, A Sombra do Vento. Algumas horas depois o livro está lido, e o garoto tem apenas um objetivo: saber quem é o autor e onde encontrar seus demais livros. Uma busca que começa inocente, e atravessa o tempo se transforma em uma perigosa estória que coloca em risco que é mais importante para ele, ao mesmo tempo em que verdades guardadas a sete chaves vem a tona.

Zafón tem uma narrativa em primeira pessoa muito peculiar e única dele, ao mesmo tempo que soa simples e direta, evoca em suas ações críticas, especialmente políticas dentro da Espanha. Suas peculiaridades trazem uma atmosfera que beira sempre a fantasia, sem de fato se adentrar nela, com um toque gótico sutil. Você se imagina nas ruas de Barcelona na chuva perdido junto a Daniel tentando compreender quem é Julian Carax, esse autor que escreveu livros que foram queimados e não deixou rastro de sua existência, e mais do que no lugar de Daniel o autor desperta a curiosidade de saber o que aconteceu com Carax e seus livros.

A estória é desenvolvida em uma linha do tempo linear do ponto de vista de Daniel, mas não linear quando os diversos personagens contam suas vivências com Julian. É através desses relatos e descobertas que Sempere costura a estória de vida de Julian e termina na descoberta de sua verdadeira vida, e devo dizer é triste e é surpreendente!

Embora agradável o livro não permite um ritmo muito rápido de leitura, e isso porque o autor as vezes exagera um pouco em certos pontos da estória, e algumas páginas ao meu ver poderiam ter sido tiradas, já que não acrescentam muito a trama. Este ritmo ora lento, ora fluído pode desestimular a leitura para algumas pessoas acostumadas a narrativas mais acessíveis.

Daniel é um jovem determinado a descobrir a estória de Carax, mesmo que isso coloque em risco sua vida ou a de seu pai, com isso ele pode ter ações exageradas e destemidas. No fundo tudo é inocência, ele não consegue perceber a maldade das pessoas, e sempre tende a acreditar nelas. Ao mesmo tempo tem uma grande identificação com o autor.

O pai de Daniel é muito dedicado ao filho, e respeita o espaço do mesmo sem sufocá-lo, é uma relação bonita de acompanhar. Fermín Romero de Torres é um homem que Sempere tira das ruas para trabalhar com ele e o pai em sua livraria, dono de uma personalidade marcante, este homem se torna melhor amigo de Daniel, e embora carregue uma estória de vida muito triste é fonte de humor e leveza a narrativa.

Julian Carax é um jovem perturbado que é levado a caminhos estranhos na vida, sem se dar conta de quem está por de trás deles. Seus amigos de escola, Míquel Moliner companheiro até o fim de seus dias, e Jorge Aldaya não aparecem por muito tempo na narrativa, mas têm papéis fundamentais no andamento da trama.

Os demais personagens que surgem são muito variados e interessantes, Clara uma jovem cega e seu tio livreiro e boêmio, Fumero um policial sem qualquer ética e moral, Nuria uma mulher de caráter duvidoso, Beatriz a jovem que desperta o amor em Daniel, além dos vizinhos como o catedrático dramático e o relojoeiro que gosta de se vestir de mulher. Todos bem caracterizados e bem encaixados nessa estória repleta de detalhes e enigmas.


Quando Escolheram por Mim - Lauren Miller

A primeira coisa que chamou bastante minha atenção nesse título foi a sinopse, que parecia trazer uma história incrível que com certeza eu iria amar. Além disso, a capa também despertou bastante meu interesse. E fazia muito tempo que eu não lia nenhuma distopia, e, como gosto muito do gênero, já estava na hora de ler algo desse estilo novamente. Sendo assim, logo que tive uma oportunidade, comecei a ler essa obra. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões sobre esse volume escrito por Lauren Miller e publicada pelo selo Pavana.
Nessa obra conhecemos Rory Vaughn, uma menina de dezesseis anos que vive em um mundo onde ela não precisa tomar decisões, uma vez que a tecnologia é tão avançada que as pessoas utilizam um aplicativo chamado Lux, o qual diz para cada indivíduo o que deve comer, qual rota tomar, até mesmo como tomar várias decisões, das mais bobas até as mais importantes. Rory tem um futuro promissor, uma vez que acabou de ser aceita em Noveden, uma escola preparatória voltada para as melhores universidades do mundo, e a qual todos os seus ex-alunos têm carreiras promissoras e são bem-sucedidos.
Pela primeira vez, Rory se sentia bem em um lugar, onde realmente poderia ser ela mesma, uma menina inteligente e estudiosa, que deixa o Lux tomar as suas decisões e vive uma vida tranquila. Sua mãe, quando era viva, também havia estudado nessa escola, e isso a fazia se sentir mais próxima dela.
A vida de nossa protagonista estava indo bem, até que ela começou a escutar com cada vez mais frequência a Dúvida, uma voz interior que as pessoas chamam de “doença” e que deveria ser calada com remédios. Porém, o seu medo por escutar é grande e ela finge que não a escuta, até porque não quer ser expulsa da academia.
Acompanhamos o dia a dia de Rory e todo o ambiente da escola, e vemos quando conhece North, um morador das redondezas que é totalmente anti-Lux e que desperta sentimentos que ela nunca teve. Nesse cenário, vemos nossa protagonista fazer grandes descobertas, entrar para uma sociedade secreta e ver a sua vida dando um giro de 180°. E tudo o que ela pensava ser verdade era uma mentira, e ela acaba descobrindo mais sobre si mesma e também sobre seu passado.
Entramos, então, em uma grande aventura que consegue nos prender do início ao fim, com várias reviravoltas e cenas que vão fazer você não conseguir parar de ler nem por um segundo. Os personagens são ótimos, cada um com o seu jeito de ser, nos conquistando em todos os momentos com suas personalidades e modos de agir, deixando a trama ainda mais envolvente e gostosa.


O Irresistível Café de Cupcakes - Mary Simses


Eu tenho alguns pontos fracos quando se trata de temática de livros, além dos temas óbvios dentro da fantasia e da espiritualidade, eu amo livros com comida, em suas diversas possibilidades. Foi por conta disso que escolhi O Irresistível Café de Cupcakes, da autora Mary Simses, publicado pelo selo Paralela, para ler. Embora no fim as comidas não aparecessem como eu achava que apareceriam.

Ellen é uma bem sucedida advogada em New York, seu casamento será em breve e ela acredita não precisar de mais nada pare ser feliz. Mas o inesperado acontece e sua avó morre, não sem antes fazer um pedido a ela: que ela vá até a cidade onde nasceu e entregue a um homem uma carta. Assim Beacon surge na vida de Ellen e mais do que entregar uma carta, ela irá desvendar uma parte da vida da avó que desconhecia, ao mesmo tempo em que se redescobre.

Eu não me lembro até o momento presente porque eu cismei de ler esse livro, além das óbvias referências a comida,  já que é um livro nada comentado e nem tem nota alta no skoob, mas eu costumo acreditar que os livros vem até mim no momento certo. E mesmo sem as comidinhas, acrescentam um pouco em mim.

A narrativa em primeira pessoa através de Ellen é dinâmica e se foca no dia a dia da busca desta mulher pela estória de sua avó, primeiro tentando entregar a carta ao homem que sua avó namorava quando jovem, e depois buscando a escola onde ela estudava e a casa que ela morava. Essa busca claro não trás apenas coisas boas, mas algumas atitudes da avó  que até o fim do livro carecem de explicação.

Ao resgatar a história da avó, Ellen sofre uma transformação irreversível, e ela começa a se perguntar se a vida que vive que até então era perfeita é a vida que deseja. Isso porque além de suas descobertas ela conhece Roy que logo nas primeiras páginas a salva de um afogamento em Beacon.

Roy é um homem charmoso do interior, mas que foge aos estereótipos de homem de cidade pequena, embora pareça um, ele esconde algumas características que aos poucos mexem com Ellen. A relação de ambos se desenvolve paralelamente a trama principal, e não tem muito enfoque, o que é muito bom, mas mesmo assim o livro tem aquele clima de sessão da tarde, já que a moça fresca de Manhattan acaba no meio do mato sonhando com blueberries.

Ellen começa o livro muito chata, preocupada com a pousada simples que está, com as calorias que come, a típica moça que se casa com um homem de família importante, que é o caso de seu noivo. Sua transformação é rápida, mas ao mesmo tempo acaba sendo explicada com o encontro com a avó adolescente. A moça aos poucos passa a comer comidas de verdade e as descreve como uma verdadeira apreciadora de comida. Achei um pouco forçada algumas situações do início da trama logo após seu afogamento e no pub da cidade, já que trata-se de uma mulher educada e recatada.



Extraordinário - R. J. Palacio

Desde que soube da existência deste volume e li a sinopse, fiquei encantada com o que a trama prometia trazer e louca para começar a lê-la, porém, por algum motivo que não consigo entender, acabei adiando essa leitura, o que me arrependo bastante de ter feito, pois essa é uma história incrível. Então venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito desse volume, que me encantou e entrou na minha lista de melhores do ano.
Em “Extraordinário” conhecemos August Pullman, também conhecido como Auggie, um menino de dez anos que nasceu com a síndrome de Treacher Collins, que faz com que ele tenha uma deformidade facial, e, por isso, mesmo muito pequeno já fez diversas cirurgias e passou por muitas complicações médicas. Por conta de tudo isso, nosso protagonista nunca frequentou uma escola e foi educado em casa pela sua mãe.
Agora que já não precisa mais de tantos cuidados médicos, sua família resolve que está na hora de ele começar a frequentar uma escola e o matricula em um colégio particular perto de sua residência, para que ele possa começar a ter uma vida normal como os outros garotos de sua idade. E assim vemos nosso protagonista nessa nova etapa da sua vida, na qual faz novas amizades, tem professores preferidos e vive toda essa experiência. Mas, infelizmente, também sofre muito bullying por conta de sua aparência, e tem que enfrentar todos esses problemas de uma sociedade que não é muito preparada para o “diferente”, que é preconceituosa e infelizmente tem muito que amadurecer.
A história desse livro em si já traz uma mensagem linda, que nos faz refletir e acompanhar a vida desse jovem e doce menino, que mostra que é uma criança normal, com os seus sonhos e desejos, e que mesmo sendo “diferente” por fora é igual a todas as crianças por dentro.
Esse é daquele tipo de livro que desperta diversos tipos de sentimentos no leitor. Em vários momentos me vi chorando com algo que o Auggie estava passando e querendo entrar no livro para tentar fazer alguma coisa, em outras vezes estava sorrindo, e assim sucessivamente, e isso é ótimo, pois conseguimos ver o quanto a obra consegue mexer com a gente. Esse é um volume que fala de amizade, solidariedade, amor, empatia, família, e, acima de tudo, respeito, abordando temas mais sérios de forma leve.
A obra é narrada por diferentes personagens, que trazem os seus pontos de vista, mostrando as suas experiências com o nosso protagonista e nos dando perspectivas de diferentes visões sobre um pouco da vida de Auggie e de como ele é um menino totalmente agradável e normal. Uma das narrativas que mais me encantei foi com a da Via, irmã mais velha de nosso menino. Em sua visão vemos como ama muito o irmão e entende que os seus problemas são muito menores do que os dele e, mesmo que ela queria uma vida onde possa andar sem ninguém falar sobre, ou mais atenção dos seus pais, também entende que o seu irmão precisa de apoio.


Em Pedaços - Recomeços #01 - Lauren Layne

Olivia Middleton é filha de um dos casais mais ricos e influentes da sociedade nova yorkina atual e está prestes a se formar na faculdade. Porém, depois de ter passado por uma situação, quer se afastar de tudo para lidar com seus sentimentos em segredo. E é por isso que acaba conseguindo um trabalho como cuidadora de um ex-soldado da guerra no Afeganistão, que possui diversas cicatrizes físicas e psicológicas.
Lá ela acaba se surpreendendo ao perceber que o homem de quem vai cuidar é um jovem um pouco mais velho do que ela, totalmente lindo. Porém, ele é completamente amargurado, além de ser enigmático e não querer sua presença ali e fazer de tudo para demonstrar isso abertamente. Mas, por conta de uma questão pessoal, ele acaba entrando em um acordo com o pai – tão rico quanto os pais de Olivia –, para permanecer no local e continuar recebendo sua mesada semanal, ele só precisará aturar a nova cuidadora por três meses sem expulsá-la de casa.
Então eles passam a conviver no mesmo teto, enquanto Olivia tenta lidar com a culpa e superar seu passado e Paul quer que o tempo passe rapidamente para poder se livrar dela e voltar para sua vida solitária e amarga. Porém, por mais que ele deseje isso, não consegue resistir a garota e, mesmo tentando afastá-la de perto de todos os jeitos possíveis, acaba cedendo. Mas será que o amor será mais forte do que tudo o que ele passou? Será possível que Olivia pode funcionar como uma cura e fazer com que toda a sua dor seja superada?
Quem acompanha minhas resenhas aqui no blog já deve ter reparado que eu amo romances. Então, sempre que um título do gênero é publicado, eu fico com muita vontade de lê-lo. Se parecer uma trama divertida e gostosa fico ainda mais interessada. E tem alguns livros que nos deixam ainda mais empolgados do que outros, e esse foi o meu caso com “Em Pedaços”. Primeiro porque é uma releitura (adoro!) de A Bela e a Fera, o meu Conto de Fadas preferido. Segundo porque prometia trazer personagens com uma carga emocional bem intensa que iam encontrar a saída para suas questões pessoais e encontrar a felicidade. E terceiro porque li há pouco tempo outra obra de Lauren Layne, “Mais Que Amigos”, e até resenhei aqui no blog (clique no título para ser redirecionado a resenha), então já sabia que a escrita da autora seria bem gostosa.
Até determinado momento da leitura eu estava gostando bastante da mesma, me divertindo e torcendo para ver os protagonistas superando suas questões pessoais. Porém, com o desenrolar da trama, algumas atitudes dos personagens me incomodaram muito, o que ficou ainda mais agravante no final da obra, fazendo com que eu não conseguisse gostar do resultado final tanto assim.
Uma das primeiras coisas que me incomodou foi que Olivia mal tinha chegado na casa para trabalhar como cuidadora de Paul e logo cedeu a uma atitude dele. Até onde sei, antes de qualquer atração física, a gente primeiro quer respeitar nosso trabalho, principalmente quando começamos um novo. Então não entendo o motivo de ela ter se deixado levar pela aproximação física dele e ter cedido ao seu contato, passando para níveis íntimos sem que mal se conhecessem e ela estivesse ali apenas para trabalhar. E isso se repetiu várias vezes, já que ela nunca teve nenhuma vontade de usar a palavra não quando estava em seu horário de trabalho servindo seu chefe em algo que não era para ser carnal.
Outro ponto que eu considero péssimo foi a forma como Paul tratava Olivia. E, sim, era terrível. Ele fazia os piores comentários e agia da maneira mais ridícula possível quando se tratava dela. E aqui entra uma questão muito pessoal minha, mas eu detesto – com ênfase neste sentimento – quando um homem maltrata uma mulher, seja física ou verbalmente (neste caso foi mais da segunda forma, isso sem levarmos em consideração como a agarrava e a beijava, mesmo sem conhecê-la e saber o que ela queria). Eu sei que Paul tinha ido para a guerra (porque quis) e enfrentado coisas terríveis, como era de se esperar porque era uma guerra, e ficado com inúmeras questões físicas e, principalmente, psicológicas para lidar, mas não acho que justifique fazer comentários baixos e pesados direcionados somente para ela e com total intenção de feri-la profundamente, o que ele fazia continuamente. Com sinceridade, não entendo como uma garota como Olivia conseguiu, ainda assim, se apaixonar por ele, mas enfim. Até planos ridículos para magoá-la só porque ele se sentiu chateado com uma coisa (bem fútil por sinal!), ele colocou em prática para machucá-la, e agiu como uma criança mimada que é, e ela simplesmente deixou passar. E depois ainda ficou com ele de novo. Não dá para mim!


A Travessia - Camila Torrano


Sou uma grande fã de história em quadrinhos, sejam as em modo ocidental, sejam os mangás orientais, mas infelizmente em detrimento dos livros acabo por comprar e ler muito menos do que gostaria deles. Mas em um intervalo entre livros corri conhecer uma graphic novel: A Travessia, escrito e desenhado pela brasileira Camila Torrano e publicado pela editora Escrita Fina.

A Travessia é um conto sobre um casal de irlandeses que em 1847 para fugir da fome resolve partir para os Estados Unidos, New York em um coffin ship (navio antigo que era conhecido por fazer viagens à America), mesmo conhecendo as lendas a respeito de criaturas que surgem ao longo desta travessia.

Sarah e Henry não são muito explorados do ponto de vista das características de personalidade, já que a narrativa começa e termina na ação e se dá de forma direta. Mas conseguimos perceber que diante das dificuldades que estavam atravessando em seu país entrar escondido em um navio que poderia nunca chegar a seu destino era melhor do que ficar. Embora tivessem medo dos rumores que ouviam não acreditavam que tais criaturas existiam.

Henry é um pouco arrogante visto que é um médico, e tenta a todo custo ser melhor tratado no navio, o que talvez tenha dificultado de forma mais rápida sua vida. Um velho cruza o caminho do casal, e é ele quem alerta eles do perigo que correm. Sarah até começa a ficar com medo, mas Henry com seu pensamento científico não muda sua opinião.

Os quadrinhos têm um traço marcante e forte, e flertam com um estilo gótico. Particularmente achei linda a forma como o quadrinho é iniciado e terminado com quadros que lembram muito o estilo usado em tatuagens. Tem um tamanho maior do que o convencional, com papel couche e acabamento bem feito.

O final é bem ao estilo de um bom conto de terror, surpreendente! Você não sabe do que se trata até que a ação de fato se desenrole. Um quadrinho ótimo baseada em um conto de qualidade, e que deve estar nas prateleiras de todos que gostam de arte.





Avaliação








Mais Que Amigos - Love Unexpectedly #01 - Lauren Layne

Parker Blanton não tem do que reclamar na sua vida, afinal gosta do momento em que está vivendo, além de ter um ótimo namorado, bons amigos, pode se divertir sempre que tem vontade e ainda divide o apartamento com a melhor pessoa que poderia desejar, seu melhor amigo, Ben Olsen.
Eles são inseparáveis desde a adolescência e sempre estiveram ali um pelo outro, nos momentos bons e também nos péssimos, e nunca tiveram nenhum tipo de caso ou desejo pelo outro, nem sexual nem romântico, e estão muito bem com isso, obrigado. O que desafia aquela ideia de que homens e mulheres não podem construir uma amizade duradoura sem que o desejo seja mais forte ou atrapalhe tudo entre os dois.
Mas nem tudo são flores e o relacionamento amoroso dela está meio morno até que chega ao fim, deixando-a de coração partido. Com isso, Parker decide buscar algo diferente e quer a ajuda de ninguém menos do que Ben para encontrar uma diversão sem compromisso, afinal ela confia nele e pode conversar com ele, então será tudo bem simples e bom.
Porém, é claro que as coisas nunca são assim tão fáceis. E no meio da diversão os sentimentos podem surgir também. Mas será que Parker ou Ben estão dispostos a mudar a vida deles e a relação de amizade tão bonita que construíram até agora por algo mais sério que pode colocar tudo a perder?
Desde que vi a capa deste livro no site da Amazon, bem antes do seu lançamento oficial, sabia que precisava tê-lo na minha coleção. Primeiro porque a capa é realmente linda e chamou muito a minha intenção já que parecia um romance leve e divertido, um dos gêneros que mais gosto de ler. Segundo porque, depois de ler a sinopse, tive ainda mais certeza de que era tudo o que eu precisava naquele momento. Então, assim que estive com meu exemplar em mãos, embarquei na leitura e agora posso contar que adorei a experiência e já quero ler mais obras de Lauren Layne!
Neste primeiro volume de sua série de estreia em território nacional, “Love Unexpectedly”, conhecemos esses dois melhores amigos, que nunca tinham pensado em elevar o nível de amizade para o romance, e acabam de surpreendendo ao perceberem que na verdade foram feitos um para o outro.
A narrativa é em primeira pessoa intercalando capítulos narrados pelos dois personagens principais, ora um, ora o outro. Parker e Ben são dois protagonistas adoráveis e adorei poder conhecê-los melhor, seus pensamentos, sentimentos, e o que os levava a agir de certa maneira. Eles são jovens bem gente como a gente, então é muito fácil o leitor se identificar com algum deles, com suas vidas ou pelo menos com algo que sentiram ou pensaram, seja porque estão passando por algo semelhante agora ou já tenham vivenciado coisas parecidas em algum momento.
O que mais gostei nesta leitura foi a escrita da autora, Lauren Layne, que é deliciosa, leve e descontraída, daquele tipo que nos faz mergulhar nas páginas sem nem perceber o tempo passando. Fora que o livro é bem fininho (tem apenas duzentas e vinte e quatro páginas), então somando isso a uma narrativa fluida, pode ser lido em apenas algumas horas. Mas é claro que a vontade é enrolar para acompanhar esses personagens por mais tempo.
A obra se propõe a ser divertida, fofa e com uma pitada romântica e consegue entregar tudo isso muito bem. E também é bem previsível e repleta de clichês, então se você gosta deste tipo de leitura, pode embarcar nela sem receios porque vai adorar. Porém, se espera algo diferente, inovador ou que te faça ficar apreensiva, com o coração apertado ou deseja aquelas reviravoltas maravilhosas, sinto lhe informar que não vai encontrar nada disso aqui.


Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos - Pottermore Presents: Histórias de Hogwarts #01 - J. K. Rowling

Eu tenho o incrível talento de amar uma coisa e mesmo assim acabar falhando miseravelmente em ler tudo que sai sobre esta coisa, isto porque eu passei anos a fio fugindo das leituras digitais, resistindo até o dia em que eu queria mais livros e não tinha mais espaço. Aos poucos eu estou me adaptando ao kindle, e assim não podia deixar de finalmente ler Proezas, Percalços e Passatempos Perigosos - Histórias de Hogwarts - Pottermore Presents # 1, escrito pela querida J. K. Rowling.
Neste pequeno livro estão reunidos textos escritos pela autora originalmente postados em seu site Pottermore. Estes pequenos textos pretendem explorar diversos aspectos do mundo bruxo, desde a estória de vida de alguns personagens, até reflexões sobre certas criaturas.
O primeiro texto é sobre a professora Minerva McGonagall, e isso me deixou muito feliz já que depois do Dumbledore ela é minha personagem favorita (se o Sirius não tivesse falecido talvez isso não fosse assim, mas...). Nele conhecemos a estória de sua família e de sua infância até o momento em que ela começa a dar aulas em Hogwarts, e ao contrário do que parece ela sofreu um pouco ao longo destes anos, mesmo assim sempre foi perseverante e justa. Foi um texto muito interessante de ler.
Na sequência temos um texto que explora os animagos, já que Minerva é uma. Explica em
detalhes o que é e como se tornar um através de um feitiço. Ler textos como este é mergulhar dentro do mundo bruxo, e por alguns instantes se imaginar neste mundo como bruxa.
Lupin é o próximo personagem explorado, e devo dizer que este moço sofreu muito desde muito pequeno pela sua condição de lobisomem, e mesmo assim sempre foi um homem bom que não descontou nas pessoas sua condição, ao contrário procurou poupá-las de qualquer transtorno. Uma pena que seu momento mais feliz tenha sido tão breve! Já que Lupin foi evocado, os lobisomens também foram no texto em sequência.
Rowling ainda no permite uma breve espiada na vida da professora Trelawney, que infelizmente continua a despertar meu total desprezo por ela rs! Nada muito além do que já é conhecido nos livros e dito, em geral ela é pouco confiável e útil!
Por fim o último texto é sobre Silvano Kettleburn, professor de Trato das Criaturas Mágicas que antecedeu Hagrid, e que parece ter um amor incondicional pelos animais como nosso amável gigante!


Semana Especial - Liane Moriarty: Livros da Autora



Oii, gente! Como vocês estão? :D A Editora Intrínseca convidou os blogs parceiros para fazer uma Semana Especial sobre a autora Liane Moriarty e nós estamos participando. No primeiro dia, postamos a resenha do seu lançamento aqui no Brasil, “O Que Alice Esqueceu”, que é maravilhoso. Para conferir nossas opiniões, CLIQUE AQUI.
Hoje é o segundo dia deste especial e viemos comentar um pouquinho sobre suas demais obras. Vem conferir porque só tem trama maravilhosa, envolvente e enigmática!
Pequenas Grandes Mentiras [Skoob]
Com muita bebida e pouca comida, o encontro de pais dos alunos da Escola Pirriwee tem tudo para dar errado. Fantasiados de Audrey Hepburn e Elvis, os adultos começam a discutir já no portão de entrada, e, da varanda onde um pequeno grupo se juntou, alguém cai e morre.
Quem morreu? Foi acidente? Se foi homicídio, quem matou? Pequenas grandes mentiras conta a história de três mulheres, cada uma delas diante de uma encruzilhada.
Madeline é forte e decidida. No segundo casamento, está muito chateada porque a filha do primeiro relacionamento quer morar com o pai e a jovem madrasta. Não bastasse isso, Skye, a filha do ex-marido com a nova mulher, está matriculada no mesmo jardim de infância da caçula de Madeline.
Celeste, mãe dos gêmeos Max e Josh, é uma mulher invejável. É magra, rica e bonita, e seu casamento com Perry parece perfeito demais para ser verdade.
Celeste e Madeleine ficam amigas de Jane, a jovem mãe solteira que se mudou para a cidade com o filho, Ziggy, fruto de uma noite malsucedida.
Quando Ziggy é acusado de bullying, as opiniões dos pais se dividem. As tensões nos pequenos grupos de mães vão aumentando até o fatídico dia em que alguém cai da varanda da escola e morre. Pais e professores têm impressões frequentemente contraditórias e a verdade fica difícil de ser alcançada.
Ao colocar em cena ex-maridos e segundas esposas, mãe e filhas, violência e escândalos familiares, Liane Moriarty escreveu um livro viciante, inteligente e bem-humorado, com observações perspicazes sobre a natureza humana.
>> Esse é o livro mais famoso da autora, inclusive porque foi adaptado para uma série de TV pelo canal HBO, chamada Big Little Lies (mesmo título do livro originalmente), que ganhou diversos prêmios e foi protagonizada por ninguém menos do que Reese Witherspoon, Nicole Kidman e Shailene Woodley, e ainda conta com um elenco de peso. Mas voltem aqui durante a semana porque teremos post sobre o assunto. A Intrínseca publicou essa obra com duas capas, a original e uma com o pôster do filme.


Semana Especial - Liane Moriarty: [RESENHA] O Que Alice Esqueceu


Assim que li a sinopse de “O Que Alice Esqueceu”, fiquei louca pela história. Adoro livros que retratam perda de memória, ainda mais quando se passam anos e a vida da pessoa já mudou totalmente. Sendo assim, não consegui contar os minutos para ter esse título em mãos e, assim que o tive, comecei essa leitura. Agora venho compartilhar com vocês tudo o que achei desse exemplar escrito por Liane Moriarty, publicado aqui no Brasil pela editora Intrínseca.
Nesse volume conhecemos Alice, uma mulher que se encontra estendida no chão da sua aula na academia, pois caiu enquanto fazia um exercício. Ela fica inconsciente e quando acorda pensa que está gravida do seu primeiro filho e com 29 anos, mas na realidade dez anos já se passaram e ela está prestes a fazer quarenta anos. Sem acreditar muito em nada, Alice pensa que quando o seu marido ou a sua irmã chegarem ao hospital, tudo não vai passar de uma brincadeira de mau gosto.
Até que descobre que essa na verdade é a sua realidade. A vida como imaginou é totalmente diferente do que planejava e sonhava. Agora ela tem uma casa linda, três filhos, está se divorciando do seu marido, além de ter se distanciado de sua mãe e irmã e também tem uma barriga incrivelmente chapada.
Ela não sabe como as coisas chegaram a esse ponto, até porque não era uma mulher sistemática, metódica e obcecada por organização, como aparentemente é agora. Para nossa protagonista, parece que outra pessoa viveu em seu lugar durante esses dez anos, já que não consegue nem mesmo se reconhecer.
A narrativa foi feita através de três perspectivas, a da nossa protagonista Alice em terceira pessoa, onde a vemos tentando entender melhor tudo ao seu redor, através do diário de Elizabeth, irmã mais velha de Alice, que por conselho do seu psiquiatra registra os seus pensamentos mais profundos, e através do blog de Frannie, a avó das duas.
Elizabeth, a irmã de Alice que era inseparável de nossa protagonista, ministra palestras sobre campanhas de marketing e é casada com Ben. Nunca conseguiu engravidar e esse aspecto acabou influenciando toda a sua vida. Para ela, ninguém conseguia entender tudo o que estava passando, e foi por conta disso que o seu terapeuta pediu que escrevesse em uma espécie de diário todos os seus sentimentos em relatos pessoais de sua vida. Sendo assim, conseguimos entender um pouco mais de como ela acabou se distanciando de sua irmã e um pouco mais de sua vida e angústias.
Também temos a Frannie, a avó postiça de Alice, que ajudou em sua criação e na de sua irmã. Ela é uma senhora divertida e moderna, que mora em um condomínio para idosos e criou um blog para falar coisas da vida. Encontramos vários comentários divertidos, e ela também apresenta a sua visão em temas mais sérios, como a eutanásia.
Esse volume traz uma história bem gostosa, na qual vemos a importância de as vezes nos distanciarmos de tudo para conseguirmos ter uma visão mais geral de nossa vida. No caso da nossa protagonista, ela nem conseguia se reconhecer, e a sua falta de memória acabou lhe dando uma oportunidade para rever todos os conceitos de sua vida, assim como suas atitudes.


Um Sedutor Sem Coração - Os Ravenels #01 - Lisa Kleypas

Devon Ravenel não tinha títulos e responsabilidades e estava extremamente satisfeito com sua vida seguindo um rumo sem preocupações e com muita diversão e libertinagem. Até que herda o título de Conde, dívidas imensas e uma propriedade caindo aos pedaços de tão maltratada que está, além de ter que lidar com as três irmãs mais novas e a viúva do primo, que morreu deixando-as com nada e sem teto.
É claro que Devon está determinado a se livrar de tudo o quanto antes. Porém, algumas coisas acabam surgindo em seu caminho, fazendo com que ele acabe refletindo um pouco mais antes de tomar qualquer decisão precipitada. E sua empatia, juntamente com sua vontade de vencer – que antes achava que eram inexistentes – acabam falando mais alto, fazendo com que ele resolva que talvez tenha chances de fazer alguma coisa antes que seja tarde demais.
Kathleen acabou se tornando viúva antes do que poderia imaginar e também se sente responsável pelas três cunhadas, que são mais jovens do que ela e não têm o que fazer para se manterem sozinhas. Mas sua inteligência, determinação e bondade lhe inspiram a buscar o melhor de si e de todos ao seu redor.
A atração entre Devon e Kathleen surge antes mesmo que eles possam perceber ou negar. E agora precisarão lidar com ela e as consequências de um possível envolvimento. Mas Kathleen sabe que ele não é alguém confiável, já que é um grande cafajeste. E Devon não quer se envolver com nenhuma mulher, muito menos a viúva de seu odiado primo. Agora os dois precisarão decidir se vale a pena lutar contra seus sentimentos ou se devem se deixar levar por eles, ainda que essa seja uma atitude nada racional. E será que tudo isso valerá realmente a pena?
Lisa Kleypas é uma das autoras de Romances de Época mais famosas no Brasil, e possui diversos títulos em seu currículo, sendo que onze deles mais um conto já foram publicados por aqui. Mesmo que este seja meu gênero preferido, por incrível que pareça ainda não tinha lido nenhuma de suas obras, mas não por falta de vontade. Então, quando a Editora Arqueiro anunciou a publicação de sua nova série, “Os Ravenels”, sabia que precisava começar por essa e iria ler o primeiro volume o quanto antes. E foi o que fiz. Mas devo dizer que fiquei um pouco decepcionada. Não com a autora, mas com seus protagonistas, e vou explicar mais abaixo. Porém, ainda assim, não perdi a vontade de continuar lendo livros escritos por ela e já quero as continuações dessa série para ontem!
Primeiramente devo dizer que o que mais me incomodou nessa leitura foi Kathleen! Que protagonista chata!! Com certeza ela está na liderança disparada de protagonistas chatas de livros, porque acho que não conheci tantos personagens como ela muitas vezes na minha vida. E também ganhou o topo da lista de piores protagonistas de romances de época. A moça reclama de absolutamente qualquer coisa. E quando eu digo isso quero dizer que ela sempre faz objeções ou comentários negativos sobre exatamente todo e qualquer assunto, ainda que o mesmo nem diga respeito a ela. Ela é controladora e narcisista e acha que todos devem seguir seus desejos e instruções em todos os assuntos. Mesmo que de vez em quando a mesma esteja certa, acho que é sempre válido ouvir o próximo primeiro antes de sair jogando sua opinião como se fosse a única que importasse e valesse. E também acredito que antes de reclamar de tudo, poderia, sim, ouvir motivos e argumentos alheios antes de emburrar a cara e sair de perto das pessoas porque lhe contrariaram.
Não posso dizer que Devon tenha ficado muito atrás no quesito chato, porque também não curti muito ele, não. Bem sem graça, grosso e por diversas vezes detestável, esse mocinho não me conquistou, mesmo que tenha sido mais agradável do que Kathleen em diversas situações. Fora que a química entre os dois simplesmente não existiu em nenhum momento. Ficava esperando meus suspiros ou pelo menos uma torcida pelo casal, meu coração acelerar ou um sorriso aparecer em meus lábios, mas tudo que eu senti foi um grande nada. E até agora não senti a transição de “pessoas que brigam por tudo e nem se suportam” para “estou querendo ou amando essa pessoa”. E olha que esse é meu tipo de casal preferido e adoro ver essa transição dos sentimentos, as provocações e todo aquele gostinho de “fiquem juntos logo!!”, mas não foi dessa vez, já que pisquei e eles já estavam curtindo a intimidade juntos.
O que eu realmente gostei neste livro foram os personagens secundários, já que adorei absolutamente todos eles, inclusive o valete Quincy. E, se não fossem por eles, talvez eu nem mesmo teria terminado essa leitura. West foi simplesmente sensacional, adorei ver a evolução deste rapaz com um coração grande, que só precisava de um empurrãozinho e um objetivo de vida para crescer como ser humano e virar alguém que agrade a si mesmo. As gêmeas Cassandra e Pandora também são adoráveis e adorava acompanhá-las. Suas cenas, comentários e diálogos eram os melhores e me diverti bastante com ambas.
A minha sorte é que Helen e Winterborne, protagonistas da sequência, “Uma Noiva Para Winterborne”, com previsão de publicação em território nacional para esse mês, também ganharam destaque nesta trama, sendo os responsáveis por diversas cenas, que inclusive acompanharam apenas as perspectivas dos dois, e foram encantadores. Mesmo que ele tenha o temperamento um pouco difícil, gostei do personagem. E não vejo a hora de ler a continuação para ver como eles se resolveram e como será a história de amor dos dois. Inclusive penso que a autora também não gostou tanto assim de Kathleen e Devon, por isso deu tantas páginas, cenas e importância para esses dois – primeira vez que vejo personagens secundários protagonizarem diversos capítulos em um livro, sendo que têm seu próprio exemplar contando a história deles.
A escrita de Kleypas é como imaginei que seria, viciante, gostosa, fluida e leve. E foram essas características que me fizeram ter vontade de continuar a leitura, mesmo sem gostar dos personagens principais. E é assim que conseguimos reconhecer bons autores, quando eles conseguem nos fazer apreciar uma leitura ainda que não todos os detalhes sobre ela. E, se não fosse por Kathleen, a probabilidade de eu gostar seria muito maior.
A trama foi construída muito bem, com detalhes visuais e da época bem vívidos. A narrativa, que foi apresentada em terceira pessoa com capítulos alternados entre os pontos de vista de Kathleen e Devon, é envolvente, bem divertida e se desenvolve de maneira agradável.


Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes - Elena Favilli & Francesca Cavallo


Não tinha pretensão alguma de ler o livro Histórias de Ninar para Garotas Rebeldes - 100 fábulas sobre mulheres extraordinárias, das autoras Elena Favilli e Francesca Cavallo, publicado pela editora V&R, mas um dia peguei ele para o kindle, e resolvi só dar uma espiada para ver como era, de repente li todo o livro em menos de 24 horas!

Favilli e Cavallo apresentam em seu livro 100 histórias de vida de cem mulheres que se destacaram no mundo ao longo da história fazendo diferença onde passaram e mudando o pensamento dos que a conheceram. Estas mulheres tiveram as mais variadas profissões desde ativistas, escritoras até cientistas de diversas áreas, e nasceram em diversos locais no mundo. Achei interessante que neste aspecto o livro foi bastante democrático e não se focou apenas nos países mais conhecidos e esperados, ao contrário procurou evocar todo canto do mundo.
As histórias em si são breves, são narradas em terceira pessoa como se fossem uma fábula, e contam com apenas duas páginas. São muito breves para de fato transmitir algum conhecimento, mas conseguem transmitir a mensagem de perseverança que todas compartilham.

O destaque são as lindas ilustrações que cada uma destas personalidades ganharam juntamente a alguma frase dita por elas. São retratos lindos que facilmente poderiam ir parar em uma parede.

O livro é especialmente eficaz para crianças já que tem uma linguagem acessível e pretende ser breve e direto em sua narrativa. Mas peca um pouco no excesso do feminismo, o qual eu sou contra (e que fique claro que sou contra o machismo também, vejo pessoas como espíritos que não se limitam ao corpo que 'vestem'), isso porque alimenta este ponto de vista extremo onde mulheres precisam todo tempo provarem para si mesmas que podem fazer qualquer coisa. Acho que a mensagem deveria ser que qualquer um pode fazer qualquer coisa desde que deseje e se esforce para tanto, que o mundo na maioria das vezes não ajuda, não só mulheres mas muitos homens.

Estou um pouco cansada da quantidade de livros que têm saído nos últimos anos que trabalham a temática da mulher, quando acredito que a saída talvez seja também educar homens a conhecerem o universo feminino, porque sim somos diferentes, e isso não é problema, é ao contrário belo, ser igual é terrível, ser diferente é a graça. Todos somos diferentes, mesmo entre o mesmo sexo, cada um a seu jeito e com seus desejos somos capazes de coisas que desconhecemos.


A Irmã da Pérola - As Sete Irmãs #04 - Lucinda Riley

Como uma verdadeira fã de Lucinda Riley, gosto de ler suas histórias e sempre fico esperando pelos seus próximos lançamentos. Quando comecei a ler essa série, me encantei com os personagens, com a narrativa e com toda a ambientação da história. Por esse motivo, não pude deixar de incluir esse título na minha pilha de leituras e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Nesse volume vamos acompanhar Ceci D'Aplièse. Após a morte do seu pai adotivo, cada uma das irmãs recebeu pistas sobre o seu passado, para o caso de um dia quererem saber mais sobre as suas origens. Vimos que Ceci sempre foi muito agarrada a sua irmã Estrela, não somente pela pouca diferença de idade, mas também pelo fato de que Estrela tem dificuldades em se expressar, e como ela tem dislexia, o que a faz ter dificuldade na leitura e na escrita, era como se as duas se completassem. E assim foi por muitos anos, até que Estrela acabou encontrando o seu próprio caminho, além de um grande amor, o que fez com que nossa protagonista se sentisse sozinha e bem insegura.
Nossa protagonista, então, resolve ir atrás de suas origens, e para isso larga a faculdade de artes que estava fazendo na Inglaterra e vai para Austrália com as duas pistas que tem. Uma fotografia antiga em preto e branco e o nome Kitty Mercer, uma pioneira das pérolas que viveu na Austrália no passado. Antes de completar o seu destino, Ceci resolve ir para a Tailândia, local que já havia visitado com a sua irmã e passado bons momentos, e lá acaba conhecendo Ace, um homem misterioso que a hospeda em sua casa e que lhe faz companhia nesse período, fazendo com que ela viva um relacionamento temporário.
Quando Ceci chega ao seu destino final, acaba conhecendo Chrissie, uma nativa local, descente dos aborígenes australianos, que lhe ajuda com a sua história e, assim, nossa protagonista refaz os caminhos vividos por Kitty e encontra o seu verdadeiro lugar no mundo.
Nesse volume encontramos uma narrativa rápida e fluida, que vai intercalando entre o passado e o presente. No passado, conhecemos melhor Kitty McBride, uma garota escocesa que sonhava em ser professora, mas seu pai mandou-a para a Austrália para acompanhar a Sra. McCrombie, pois com uma família poderosa ela poderia ser apresentada a sociedade e conseguir um bom casamento. Lá viveu um grande romance, além de ter revolucionado o mercado de pérolas da época.
Podemos perceber como Lucinda fez uma boa pesquisa para nos trazer alguns fatos sobre a Austrália como a discriminação em relação a cor, principalmente entre crianças de raças mistas, que eram arrancadas de seus pais e entregues a orfanatos, a indústria da pérola, etc., deixando a história ainda mais rica e interessante, fazendo com que a gente não consiga parar de ler nem por um segundo.


A Assombração da Casa da Colina - Shirley Jackson

Nem sempre ao terminar um livro sou capaz de dizer se este é uma obra boa, as vezes saiu com a sensação de que preciso 'ruminar' um pouco suas páginas para chegar a alguma conclusão. Entretanto só de um livro ter este efeito já é algo digno de leitura, e A Assombração da Casa da Colina, da autora Shirley Jackson, publicado pela Suma de Letras é um caso assim.
Dr.Montague é um pesquisador de fenômenos paranormais, e para sua nova pesquisa ele convidou diversas pessoas que tenham histórico sobrenatural para passarem alguns dias com o mesmo em uma mansão assombrada. Apenas duas pessoas respondem ao seu pedido, e a família dona da mansão exige a presença de um integrante de sua família. Assim se forma um grupo de quatro pessoas que irão investigar o que se esconde nas paredes desta velha mansão, a Casa da Colina.
Jackson nos convida através de sua sinopse a um livro de fantasmas e suspense, mas sua narrativa realizada em terceira pessoa com especial foco em Eleonor e na casa em si não acaba cumprindo sua promessa inicial, já que senti que o livro se foca mais na loucura e na culpa do que em fantasmas propriamente ditos.
Theodora é um mulher de personalidade muito forte que fala o que vem a sua mente sem se importar em machucar quem a cerca. Tem necessidade de se mostrar independente e forte, mesmo quando está evidentemente com medo prefere sorrir, e fingir controle do que assumir seu estado. Tem uma relação de amor e ódio com Eleonor, na verdade ela morre de ciúmes da outra jovem, e fica entre ser amiga da mesma, e a diminuir.
Eleonor é uma jovem perturbada, acompanhamos a personagem desde o instante em que sai de casa até chegar a casa da colina, e o suspense envolvendo seu passado é constante. Desde o inicio sabemos que ela perdeu a mãe, mas as circunstâncias são desconhecidas, mas uma culpa é recorrente em seu discurso. Ela tem pensamentos recorrentes com medo de soar boba ou fraca para as pessoas da casa, e não sabe como agir em sociedade. Ela vai aos poucos se descobrindo sem a sombra da mãe, infelizmente para ela, ela se descobre inadequada a sociedade da época.
Luke é o futuro herdeiro da casa, e não parece acreditar que a mesma tenha algum tipo de espírito. É espirituoso e não desperta interesse das jovens como poderia ser esperado. A verdade é que seu personagem é um pouco perdido e pouco explorado, pois quase nada sabemos sobre ele.
Montague é quem reúne todos, e acredita ter controle de tudo que acontece. Quando as poucas coisas estranhas acontecem ele parece estar diante de qualquer evento ordinário, e isso soou um pouco sem graça, já que ele estava lá para isso. O grupo assim como ele parece todo tempo ocioso, sem ter o que fazer ou dizer. Por isso o caminho para loucura acaba aberto rapidamente. Na reta final do livro a esposa de Montague e um amigo surgem na casa, mas ambos são riquinhos e muito chatos, e sabe-se lá tudo acontece diferente na experiência deles na casa.
Os diálogos dos personagens parecem começar como qualquer outra conversa, e de repente a lógica se perde, e os personagens caem ou na brincadeira ou na loucura. As cenas também não seguem o tempo comum, de repente a ação muda e você tem que se relocar. O desfecho é inesperado, e não posso afirmar com toda certeza se minha conclusão foi certa. Algumas coisas não ficam ditas, tenho cá minhas teorias.


Horizonte Vertical - Ana Beatriz Barbosa Silva e Andréa Duarte

Sabe-se lá porque eu as vezes crio na minha mente como um livro irá ser, as vezes é simplesmente a ideia de que será bom ou ruim, outras vezes que será fácil ou difícil. O fato é que raramente esses pensamentos dão certo, salvo quando são de autores já conhecidos. Horizonte Vertical, das autoras brasileiras Ana Beatriz Barbosa Silva e Andréa Duarte, publicado pela Globo Livros, tinha uma carinha de livro que não ia ser rápido de ler, mas no fim ele só tinha a carinha, porque a complexidade não existiu!

Sophia é uma jovem médica que tem um passado repleto de mistérios. O segredo não é apenas dela mas de algumas gerações de sua família que tem origem indígena, e o segredo ainda não se relaciona apenas com ela em si, mas com o mundo que está passando por transformações, onde ela tem um papel fundamental no que esta por vir. Mas para entender o futuro é preciso resgatar o passado, e conhecer sua própria história que fico perdida em sua própria mente.

Volta e meia acontece, e acho que não fazem tantas resenhas assim de eu reclamar de sinopses né? Pois é, eis eu aqui novamente reclamando dela novamente. Eu criei uma sinopse dentro do que eu acredito ser o ponto mais importante, mas se você ler a sinopse que está no livro ela promete muito mais do que de fato vai entregar. Isso porque o tema transição planetária é abordado juntamente com o xamanismo, e são temas que tenho familiaridade, logo não consegui aceitar qualquer coisa que foi dita.

Mas vamos por partes, primeiro ponto que me incomodou muito no livro foi a linha do tempo, não é linear, e até ai tudo bem, mas perdemos muito tempo no passado sem grandes informações, para depois dar um grande salto no tempo que acaba desenvolvendo a estória de forma corrida em relação as demais partes. Isso porque a estória da avó de Sophia é contada, assim como de sua mãe. E eu estava gostando até que tudo ficou muito prolixo sem chegar a local algum!

Quando o livro se estabelece no futuro, 2028, já estava cansada de nadar e não chegar a local algum, sem compreender o que de fato era o enredo da trama. Juntamente a linha do tempo de Sophia e família, temos também a linha do tempo de um pesquisador inglês Peter Foley que se embrenha na serra do roncador em busca de uma civilização perdida que habitaria o interior da Terra.

A ideia de utilizar a transição planetária é ótima, assim como também de explorar esta civilização que habitaria a Terra, mas tudo morreu na praia, porque as autoras não souberam o que desenvolver. O xamanismo também aparece já que a avó de Sophia é índia, mas ficou evidente que as autoras sabiam muito pouco sobre o assunto, pelo menos no que é mostrado no livro. Agora quando a narrativa citava conceitos da medicina elas como médicas detalhavam tudo minuciosamente.

Houve pesquisa no livro, mas estes dados não se amarraram. É uma ficção então não tem teoricamente compromisso com a verdade, e poderia criar qualquer coisa dentro dos temas, mas o livro ficou entre um realismo (no estilo Dan Brown) e uma fantasia, sem definir por onde caminhar. É possível dividir o livro em duas partes distintas, do passado e futuro, onde ambas se propõe a estilos diferentes de gênero.

Um erro muito impactante é encontrado nas primeiras páginas do livro, onde Fowley está de partida em sua expedição. A narração se perde nos tempos verbais, e fiquei com medo que o resto do livro também fosse assim. Ainda bem não foi, e a narrativa feita em terceira pessoa teve um ritmo adequado.


Contra Todas as Probabilidades do Amor - Rebekah Crane

A primeira coisa que me chamou bastante atenção em “Contra Todas as Probabilidades do Amor” foi a capa, que possui uma ilustração lindíssima, e o título, que está em uma fonte perfeita, e que, juntos, conseguiram despertar a minha atenção em uma das minhas visitas à livraria. Talvez por conta da cor ou pela fonte, não sei bem o que me atraiu primeiro, mas, quando dei por mim, estava lendo a sinopse. Por este motivo, quis começar esta leitura e agora venho compartilhar com vocês as minhas opiniões.
Nesse volume conhecemos Zander, uma jovem que é enviada pelos pais contra a sua vontade para o acampamento Pádua, um retiro para adolescentes com problemas emocionais, que passam o verão nesse local para encontrar ajuda para lidar com suas questões, com acompanhamento de uma equipe do local, assim como atividades e terapia. Em Pádua, nossa protagonista acaba criando amizade com outros jovens, são eles: Cassie, uma menina que tem anorexia, sendo agressiva por fora, sem papas na língua, que fala o que pensa, tudo para tentar esconder a sua grande vulnerabilidade interior, Alex, um mentiroso compulsivo, e Grover um garoto que tem muito medo de acabar sendo esquizofrênico assim como o seu pai, e que, ao conhecer nossa protagonista, passa a anotar tudo sobre a mesma em um bloquinho, pois fica achando que ela não é real e cria uma certa obsessão.
Com esse grupo de amigos, Zander começa a aceitar melhor o acampamento, o que ajuda bastante em sua jornada de autoconhecimento, e, com isso, começa a frequentar as atividades planejadas. E assim vemos a sua maior aproximação com Cassie, e como é bonita a amizade que as duas constroem, então percebemos como isso ajudou de fato ambas, uma vez que Cassie achava que ninguém se importava com ela. Tiveram várias cenas emocionantes, que com certeza mexem com os nossos sentimentos, e achei que a forma que a autora conseguiu abordar isso bem interessante.
A diferença entre esses quatro amigos é grande, porém eles criam uma amizade bem bacana que os torna cada vez mais fortes para enfrentar os dias. E são nos diálogos desses amigos que vamos conhecendo um pouquinho mais de cada um deles e da importância que um criou na vida do outro. Há momentos engraçados, leves e divertidos, mas também encontramos cenas carregadas de sentimentos, nas quais é quase impossível não derramar uma lágrima.
A obra é narrada em primeira pessoa pela nossa protagonista, o que achei bem legal, pois desta forma conseguimos entender melhor o que ela estava passando, assim como os seus sentimentos, os quais ela queria deixar escondidos. Aos poucos vamos entendendo o motivo que fizeram os seus pais inscreverem a jovem nesse acampamento, e vemos como esse ambiente a ajuda de inúmeras maneiras.
Esse é um livro recheado de sentimentos, medos, anseios, lutas, e de bastante esperança, amizade e amor. E mesmo trazendo temas mais pesados, a autora conseguiu abordar tudo de forma leve e que nos faz refletir em diversas ocasiões.


Diário de Uma Garota Normal - Phoebe Gloeckner

Quando li a sinopse desse livro, fiquei interessada pela leitura. Por este motivo, coloquei-o na minha pilha de exemplares para ler. Agora, depois de ter finalizado essa história escrita por Phoebe Gloeckner, que foi publicada aqui no Brasil pela Faro Editorial, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito desse título que virou filme.
Em “Diário de Uma Garota Normal” voltamos para o ano de 1970, quando conhecemos Minnie, uma adolescente de 15 anos que mora com sua mãe e sua irmã em São Francisco, e está em uma fase de descobertas, cheia de medos, dúvidas e descobrindo a sua sexualidade. Sua mãe é uma mulher que vive na farra, sai com vários homens diferentes, além de beber e se drogar na frente das filhas.
Certo dia, Monroe, namorado da mãe, a deixa beber vinho e começa a assediar nossa protagonista. Primeiramente ela acha ofensivo, mas depois de alguns dias e mais bebedeiras, ele a assedia novamente, e ela resolve deixar claro a sua intenção de ir para cama com o mesmo. Quando isso acontece, Minnie se sente mais madura e autoconfiante para o mundo, e, com isso, começa a ver tudo com outros olhos e se abre para novas aventuras. Como não pode estar com Monroe, por quem acabou se apaixonando, o tempo todo, acaba ficando e indo para a cama com outros garotos e começa a ter pensamentos conflitantes, além de começar a se envolver com pessoas não tão legais e entrar em uma vida de festas regada a bebidas e drogas, e vemos sua vida guinar por períodos de extremas euforias e de extremas tristezas.
Algumas das atitudes de Minnie me incomodaram bastante, e, apesar de entender o apelo da história, não consegui criar uma certa afinidade ou compreender os seus motivos. Eu aceito que ela é diferente de mim, mas não consigo entender algumas de suas atitudes.
Essa é uma leitura forte, que não serve para qualquer um, pois a gente tem que estar preparada psicologicamente. A autora quis relatar a realidade de muitas meninas que acham que já têm o mundo aos seus pés e que sabem de tudo, e por conta disso muitas vezes tomam decisões erradas por serem muito novas e ingênuas.
Esse título aborda problemas complexos, muitas vezes ignorados pela maioria, como o uso de drogas, bebidas, e o relacionamento físico de adultos com adolescentes, nos fazendo refletir o tempo todo sobre os problemas da sociedade, e de como um apoio familiar faz falta na vida das pessoas que são muito jovens.
Essa é uma triste história, que mostra a necessidade de nossa protagonista de ser amada, e a realidade do texto faz com que a sua angústia e desespero pareçam palpáveis. É uma leitura rápida e reflexiva, que mexe com a gente e aborda temas importantes como sexualidade, amor, drogas, bebidas, família, assédio, adolescência, entre outros.