O País dos Cegos e Outras Histórias - H. G. Wells


É extremamente gratificante ler um segundo livro de um autor que você gostou e continuar gostando dele, já que não tem nada mais chato do que se decepcionar com alguém, mesmo que seja um autor. H. G. Wells não se tornou um autor clássico do fantástico e da ficção científica a toa, em seu livro de contos O país dos Cegos e outras histórias, publicado pela Alfaguara, o autor mostra que seu talento não se limita a uma única obra.

O volume em questão possui dezoito contos do autor publicado ao longo de sua carreira, muitas vezes em revistas e jornais, o que era comum na época, e cá entre nós podia voltar a ser comum, seria bem melhor do que boa parte do que é publicado hoje me dia! Todos os contos estão dentro do gênero fantástico ou da ficção científica. Alguns eu gostei muito, outros a temática não chamou muito a minha atenção, mas do ponto de vista da narrativa e da criatividade o autor é genial.

Primeiro suas ideias são muito criativas, a partir de uma estória simples e cotidiana ele consegue desenvolver um conto que envolve. No prefácio descobrimos que Wells tinha como intenção quando criava contos seu objetivo que estes fossem lidos rapidamente, em no máximo cinquenta minutos, e ele foi feliz em seu objetivo. O conto mais longo O País dos Cegos que é o maior não ultrapassa esse tempo, e é o maior destaque do livro.

Nele acompanhamos um explorador que acaba depois de um acidente em um vale onde todos os moradores são cegos. Vendo que era o único que enxergava ele viu a oportunidade de ser o líder, já que para ele quem enxerga em terra de cego é rei. O que ele não fazia ideia é que essa frase nunca esteve mais longe da verdade. Sem muitas alegorias, com fatos diretos o conto é repleto de reflexões e pensamentos a cerca da natureza humana e da construção de crença e sociedade humana. E é fácil fazer paralelos com nosso atual momento político de tão contemporânea que soa a estória. Alias é muito interessante como o autor é familiarizado com a natureza humana a ponto de chegar ser até profético em diversos de seus contos.

Em A Estrela ele narra de forma desinteressada o que aconteceria se de repente descobrissem que uma colisão de planetas resultasse em danos para Terra. E o grande destaque aqui é no fim quando descobrimos do ponto de vista de quem a narrativa acontece. E quanto em nossa vida nos colocamos no lugar do expectador que não compreende a dimensão do problema do outro, quantas vezes minimizamos o problema alheio.

Outro que despertou atenção foi A História do Falecido Sr. Elvesham, onde um jovem recebe o convite para se tornar o herdeiro de um filósofo rico que já está muito doente. É triste e angustiante quando aos poucos fica muito claro onde o conto vai terminar, a narrativa segue o estilo Amazing Stories (um antigo seriado de estórias do gênero que passava nas madrugadas da globo). A Loja Mágica é outro que segue esse estilo, é um conto simples e lúdico em uma loja em uma rua em Londres que só abre suas portas para crianças merecedoras.

Explorando a teoria darwinista O Império das Formigas narra o que aconteceria se as formigas dessem um passo a diante na evolução, e passassem a ser mais inteligentes. Já O Ovo de Cristal é uma narrativa inusitada de um ovo de cristal que liga dois lugares diferentes, e outro lugar é que a grande surpresa! Muito criativa eu jamais pensaria em algo como ele estruturou!

Mesmo sem conhecer sobre o que seria a física quântica de hoje Wells foi capaz de um conto, O Estranho Caso dos Olhos de Davidson, onde trabalhou com outras dimensões, mas ainda na própria Terra. Quem lê pensa que ele sabia de tudo que hoje é teorizado pela física! A História de Plattner também segue nesse estilo quando um professor depois de uma explosão na aula de química desaparece. Ele vai parar em outra dimensão, mas diferente do anterior, aqui ele tem encontro com criaturas similares a fantasmas humanos. Neste conto é muito evidente uma característica do autor de contar suas estórias com um tom jornalístico, de alguém que soube através de alguém da estória e não a viveu.



A Princesa Prometida - William Goldman

Buttercup é linda. Tão linda que arrebata todos os homens que a veem e deslumbra a todos por onde passa. Por ser uma jovem camponesa sem muitos recursos, não conhece muito do mundo. Porém, quando o jovem e humilde Westley vai morar na fazenda dos seus pais, ela começa a maltratá-lo e lhe manda fazer tudo o que quer só para poder chamar a atenção dele. A relação dos dois começa assim, com ela mandando e ele obedecendo com poucas palavras. Até que decidem confessar o que sentem um pelo outro. Inspirado por esse sentimento grandioso, ele decide ir embora para enriquecer e ser alguém na vida para depois voltar para ela e os dois poderem se casar e viver esse amor.
Durante essa jornada longe, eles continuam trocando juras de amor e promessas através de cartas. Porém, o pior acontece e o navio em que ele estava acaba sendo surpreendido e invadido por piratas, sendo um deles um temível homem que nunca deixa sobreviventes. Devastada pela perda do seu amor, Buttercup desiste de tudo e decide que nunca mais vai amar ninguém.
Cada vez mais bonita, ela acaba chamando a atenção de algumas pessoas e o sádico príncipe Humperdinck então decide que a quer como sua esposa para poder lhe dar herdeiros. Ela acaba aceitando, sabendo que nunca vai amá-lo. Porém, perto do casamento, a jovem é sequestrada e quem aparece para salvá-la é justamente o amor de sua vida, o destemido Westley.
É claro que ele vai fazer de tudo para ficarem juntos logo, porém o destino não quer que isso aconteça tão cedo, afinal eles precisam enfrentar diversos perigos pelo caminho. Entre eles, gigantes poderosos, um dos melhores espadachins do mundo, um homem muito inteligente, um príncipe cruel e desumano que é ótimo em caçadas, e muitas outras coisas aparecem para atrapalhá-los. Mas quando o amor é verdadeiro, tudo pode ser superado. Ou pelo menos é isso que se espera.
Primeiramente gostaria de começar essa resenha dizendo que eu nunca assisti ao filme homônimo que foi originado a partir dessa obra e fez bastante sucesso na década de 1990, principalmente por causa da Sessão da Tarde. Quero dizer, acredito que eu nunca tenha assistido, mas é claro que não posso ter certeza já que não me lembro de tudo que vivi naquela época, já que eu era bem novinha, porém se isso aconteceu não foi algo marcante, já que não me lembro de absolutamente nada. Então eu não comecei essa leitura como muitas outras pessoas, com aquele sentimento gostoso de nostalgia que nos acompanha em situações como essa (se fosse “A História Sem Fim”, isso tudo mudaria de figura).
Por isso, minhas expectativas estavam boas, mas não era nada extraordinário. Porém, vi muitas pessoas elogiando essa obra, dizendo ser uma aventura épica bem divertida e emocionante e com uma história de amor deliciosa. E devo dizer que eu realmente sou fã de histórias de amor.  Então é claro que fiquei empolgada esperando encontrar algo digno de ser semelhante a “Robin Hood”, que por sinal eu amei.
E no começo estava realmente achando tudo bem interessante e divertido, e estava adorando passar aquele tempo em companhia desse livro. Porém, conforme as páginas foram avançando eu comecei a ficar entediada e achei a leitura meio maçante e também muito cortada, fazendo com que eu não conseguisse criar vínculos fortes com nada que ia acontecendo e nem desesperada para chegar logo ao final para ver como tudo ia ser resolvido – ou talvez estivesse, mas só porque eu queria acabar logo com aquilo.
Algo que achei bem interessante é esse pano de fundo com diversas coisas acontecendo, muitas situações inusitadas, diversas aventuras e perigos que os personagens iam enfrentando pelo caminho. Gostei bastante do fato de que há umas reviravoltas maravilhosas, que nos fazem acompanhar coisas diferentes e fantasiosas, dando um ar bem bacana e divertido para a trama.
Também curti o fato de o autor conversar com o leitor em diversos momentos, no meio da leitura, fazendo comentários ora interessantes ora explicativos sobre alguma cena que aconteceu ou ia acontecer ou mesmo sua relação com aquele ponto do enredo. Por falar nisso, desde o começo do exemplar, temos a oportunidade de conhecer melhor a relação de William Goldman com essa história, que ele diz que na verdade foi uma adaptação por sua parte de uma já existente, a qual editou e deixou somente as partes boas – as que ele acreditava serem boas.
Ele também fala sobre como conheceu esse livro quando ainda era um menino e ficou doente e passava horas com seu pai semianalfabeto lhe contando partes dele todos os dias para ajudar a passar o tempo mais rápido. Essa relação é bem bonita e gostei de acompanhá-la. Depois ele também fala sobre como foi transmitir a história para o filho e a adaptação, etc. Algo que me incomodou nesse papo com o autor é que nós também temos a oportunidade de conhecer um pouco de sua personalidade, e ele fez determinados comentários que realmente, realmente me chatearam e me decepcionaram.
Na quarta capa do exemplar há um texto que diz que essa é “uma história fictícia baseada num livro fictício sobre supostos fatos históricos passados numa cidade que nunca existiu”. E as únicas informações que encontrei sobre o “verdadeiro” autor, S. Morgenstern, é que ele deve ser fictício. Então não tenho certeza se essas experiências e lembranças de Goldman são reais (mesmo que com relação a outro título) ou apenas parte do imaginário que ele utilizou para construir a obra “A Princesa Prometida”.


O Segredo de Helena - Lucinda Riley

Como uma verdadeira fã dos livros de Lucinda Riley, tento sempre colocar alguma de suas obras em minhas leituras, pois sei que a história com certeza vai me agradar bastante. Sendo assim, foi a vez de começar a leitura de “O Segredo de Helena”, publicado aqui no Brasil recentemente pela Editora Arqueiro, sendo um título que a sinopse me chamou bastante atenção e que parecia trazer uma história incrível, cheia de segredos e revelações, como já esperado da autora. Agora, venho compartilhar com vocês todas as minhas opiniões a respeito dessa obra.
Esse volume começa com Alex, o filho mais velho de Helena, no ano de 2016, quando ele encontra o seu diário e relembra a história do verão em que mudou tudo. Com isso, voltamos para o ano de 2006, onde conhecemos Helena, uma mulher forte e determinada que acabou de herdar a casa do seu padrinho, no Chipre, que foi batizada de Pandora, local onde ela passou um verão mágico quando tinha apenas 15 anos.
Como ela herdou a casa, resolveu levar a família inteira para passar as férias. Vemos que ela é uma ex-bailarina, e que por muitas vezes é um pouco fria, já que criou uma barreira para o mundo e guarda vários segredos. E é nesse verão que a sua vida muda totalmente, já que o retorno a essa casa vai abrir muitas feridas ainda não cicatrizadas.
Alex é um menino muito inteligente. Com apenas treze anos, ele sonha em saber a verdadeira identidade do seu pai, que até então é desconhecida por ele. Sendo muito maduro para a idade, ele rouba a cena em vários momentos com o seu jeito quieto e observador. O garoto não tem a melhor relação com o padrasto, já que o mesmo quer lhe mandar para uma escola longe e ele acha que essa é apenas uma forma de se livrar dele. Vemos que começa a questionar as coisas que acontecem, como um menino de treze anos faz, e começa ao mesmo tempo a descobrir o amor. Determinado, ele começa uma busca para descobrir quem é o seu pai biológico.
Conforme o verão vai passando, pessoas do passado de nossa protagonista voltam a aparecer, e seus segredos passam a querer vir à tona. A vida dessa família muda totalmente de rumo, e esse verão com certeza muda todos eles.
Esse livro fala muito sobre relacionamentos familiares, e nos mostra que segredos não podem ser guardados por muito tempo, já que um dia eles acabam vindo à tona. E eles sempre trazem consequências em nossas vidas. Mesmo quando guardamos alguma informação por acharmos que podemos proteger alguém, a verdade sempre prevalece e acaba sendo a melhor opção.  
Foi ótimo conhecer um pouco mais sobre a Helena, essa mulher forte e determinada que me encantou em vários momentos com o seu jeito de ser. Vimos o seu crescimento e foi muito gratificante ver que ela conseguiu tirar todo o peso e angústia que a acompanhavam durante anos.


Cores de Outono - Trilogia Cores #01- Keila Gon


Nem sempre eu sei como começar uma resenha, algumas vezes eu receio pegar pesado demais, outras vezes de não conseguir transmitir a dimensão do que é trabalhado, enfim em todos estes anos já aconteceu de tudo um pouco nas leituras e resenhas de livros. Com Cores de Outono, primeiro volume da Trilogia Cores, da autora Keila Gon, publicado pela Mundo Uno, eu me encontro incomodada em como o livro foi realizado.

Após a morte da mãe e do padrasto a jovem Melissa se muda com a irmã de cinco anos para o interior paulista para casa do avô. É um novo recomeço, e ela se sente responsável pela vida da irmã. O que ela não esperava é que um homem misterioso, Vincent, fosse cruzar seu caminho e mudar o seu destino radicalmente. De repente seu mundo real muda, seu coração se apaixona e sua irmã não é quem ela achava, mas Melissa está determinada em cumprir sua promessa e cuidar de sua irmã mesmo que para isso tenha que enfrentar as sombras.

Acho que todos leitores já leram ou esbarram com a saga Crepúsculo não é mesmo? Então se você se lembrar bem da estrutura da estória vai conseguir perceber o quanto Cores de Outono é muito, eu digo muito parecido com o primeiro livro desta saga. Se foi proposital, inconsciente, ou sequer foi pensado eu não sei, mas que é tudo igual, ah isso é! Então vamos aos paralelos, primeiro temos uma personagem desastrada, tanto Melissa quanto Bella seguem a linha sou capaz de me matar sozinha com facilidade, depois temos o vampiro Edward versus nosso protagonista Vicent que não é um vampiro, mas também é um criatura das trevas que não se acha digna do amor da mocinha.

Ah você se lembra que o casal de crepúsculo passa páginas infinita brigando, fazendo as pazes e voltando a arrumar pelo em ovo. Então Melissa e Vincent é assim. Mas Gon bateu um recorde, ela levou mais de 230 para revelar quem era Vincent, e eu já estava desistindo de saber, cansada de esperar! O mistério se alongou além do necessário, e fez com que a parte interessante da estória ficasse espremida em menos da metade do livro.

Voltando aos paralelos temos o avô que não aceita o casal. Temos uma família misteriosa que não é bem família, não são vampiros, mas são estranhos e não socializam com a comunidade. Temos também um vilão que surge do nada, como foi o casal de vampiros em twilight. E temos até o mocinho salvando a mocinha inúmeras vezes. Até um Jacob temos nesta trama, no caso um menino comum chamado Arthur que conseguiu despertar minha antipatia como o lobisomem! Talvez tenham mais coisas iguais que eu tenha me esquecido, mas acho que já deixei claro quantas são não? Tudo isto junto ao fato da autora não explorar o local onde se passa, deixou a sensação de que a trama era em outro país, eu me esqueci completamente que era no Brasil e em São Paulo.

Então eu pergunto como gostar de um livro que tem a estrutura quase idêntica com a de outro? Eu me senti muito incomodada, devo dizer que Keila escreve bem, mas deveria ter criado as coisas ao seu modo, e jamais copiar os defeitos como essa eterna tensão do casal que faz apenas um efeito: a vontade gigante de bater a cabeça dos dois na parede! A narrativa é feita em primeira pessoa, e Melissa é uma mocinha um tanto non sense, já que diante do óbvio ainda fica hesitante.

O diferencial do livro é que aqui o que é trabalhado é um universo com magos e criaturas mágicas, no caso apenas apareceu os elfos, mas ela deixou claro que existem outras criaturas. E a protagonista tem uma irmã criança que aparece com frequência e é uma coisa fofa! Mas o sistema mágico não é muito explorado, menos ainda o mundo mágico. Não parece que seja o foco, o foco é o casal.


Egomaníaco - Vi Keeland


Drew Jagger é um advogado de divórcios que não acredita no amor e nem no casamento por conta de uma experiência ruim que vivenciou em seu passado com uma mulher que quase destruiu o seu mundo. E por conta de todos os seus clientes com casamentos mais do que fracassados. Depois de uma viagem de férias, ele retorna ao seu local de trabalho para encontrar uma jovem bonita que por acaso acaba acusando-o de invadir o seu próprio escritório na cobiçadíssima – e cara – Park Avenue.
Depois de ouvir algumas palavras ríspidas e ser ameaçado, ela ainda tentou atacá-lo com um golpe de Krav Maga, que não deu muito certo. O problema é que a moça realmente acreditava que ele estava invadindo o espaço que ela havia alugado, porém acabou descobrindo que na realidade caiu num golpe e ainda perdeu 10 mil dólares por conta de sua ingenuidade.
Emerie Rose é uma mulher alto astral, que acredita no amor e por isso seguiu como profissão ser psicóloga de casais. Ela coloca muito amor nas suas consultas, ajudando casais a perceberem o que precisa ser mudado/adaptado nas relações conturbadas a fim de fazer seus clientes se unirem novamente e voltarem a ter um relacionamento bom e saudável.
Depois dessa grande confusão e do golpe que sofreu, Drew acaba oferecendo ajuda para ir até a polícia fazer uma denúncia contra o verdadeiro culpado. Com isso, ele fica com pena dela e acaba oferecendo uma proposta: ela pode ficar com uma sala do escritório dele por um tempo, já que sua secretária está de licença médica e ele ainda não encontrou ninguém para substitui-la. Então Emerie utiliza o espaço para atender seus pacientes enquanto também atende as ligações e agenda compromissos para Drew até a verdadeira secretária retornar.
Dividindo o espaço, eles percebem que não têm quase nada em comum. Na verdade, são até mesmo bastante opostos. Porém, quando um passa a conhecer melhor o outro, também começa a perceber que o diferente pode ser muito bom. No meio de inocentes disputas verbais, a atração física e o interesse pela personalidade do outro ficam cada vez mais fortes. Resta saber se Drew conseguirá confiar novamente em uma mulher ou essa relação nunca poderá se tornar algo realmente verdadeiro.
Como já comentei algumas vezes aqui no blog, Vi Keeland é uma das minhas autoras favoritas. Se eu quero encontrar um delicioso romance contemporâneo, já sei que posso pegar qualquer um de seus livros, pois com certeza vou me apaixonar. Pelo menos isso aconteceu até o momento e eu já tive o prazer de ler sete de seus títulos (quase todos que foram publicados no Brasil até o momento). Então dessa vez não foi diferente e fiquei encantada pela história de Drew e Emerie, e adorei conhecer mais esses personagens criados por ela.
A parte que mais me agrada na escritora é que, ainda que utilize clichês de obras literárias e histórias de amor (o que hoje é quase impossível de não acontecer, visto que há muita variedade no mercado e parece que tudo já foi trabalhado em algum lugar e/ou de alguma maneira), ela ainda consegue sair um pouco do lugar comum e trazer coisas novas e inovar em alguns aspectos. Então é uma boa mistura que funciona muito bem.
Tudo isso ainda somado ao fato de que seus personagens são adoravelmente encantadores, a trama é deliciosa e há uma pitada de diversão que eu simplesmente amo demais. Além do mais, temos a chance de conhecer um pouco mais dos passados deles, principalmente do de Drew, que o fez não acreditar em casamentos e mulheres. Então há uma pitadinha de drama que faz com que as coisas fiquem ainda melhor trabalhadas e mais interessantes.
O romance é do jeito que eu gosto, os personagens se conhecem, se interessam um pelo outro fisicamente, mas não se envolvem logo de cara. Eles passam um tempo juntos, aprendendo mais sobre a outra pessoa, descobrindo novas coisas e características, para depois os sentimentos irem surgindo e passando a ficar mais fortes, e só então o envolvimento romântico acontece. Eu adoro quando o casal passa por todas essas fases porque eu consigo sentir junto com eles todas aquelas emoções enquanto torço para que fiquem juntos.


Encontro com Livreiros Editora Arqueiro/ Sextante - 2º Semestre 2018

Nesta última quinta feira quente de primavera aconteceu o Encontro de Livreiros do 2º Semestre das Editoras Arqueiro e Sextante. Depois do café de manhã já tradicional do encontro as apresentações deram início com a grande aposta da Arqueiro: Vox, uma distopia que se passa em um futuro próximo onde mulheres só podem falar cem palavras por dia. As mulheres da editora estavam com camisetas do livro, assim como a ecobag do kit brinde também era do livro. Não despertou qualquer atenção em mim, já que não aguento mais distopias, mas mais que isso o modo como essas camisetas/ ecobags foram realizadas pareciam campanha política. Talvez em um outro momento da história do país não me incomodasse, mas neste em que nos encontramos não me deixou nada confortável. Além que se o livro é uma grande aposta da editora uma prova do mesmo poderia ter sido distribuída não? O lançamento já é em outubro.

Eu perdi o Rumo foi o próximo e também o livro brinde, da autora já conhecida Gayle Forman, narra o encontro de três jovens em um dia em que se encontram perdidos em que rumo tomar em suas vidas. A Grande Solidão é um romance da autora Kristin Hannah que se passa na década de 70 e no Alaska, nunca li nada da autora e confesso que tenho certa curiosidade. Kate Morton agora foi relançada com seu livro mais reconhecido O Jardim Esquecido, lançado anteriormente pela Rocco agora tem uma nova edição pela Arqueiro.

O livro que colocou Ken Follett na fama, O Buraco da Agulha é lançado por aqui em uma edição comemorativa de 40 anos. Conhecido por seus romances históricos, este livro narra a saga de um espião que se vê apaixonado em plena na segunda guerra mundial. Talvez o livro que mais me chamou atenção, e única fantasia apresentada, foi Princesa das Cinzas da autora Laura Sebastian, e será lançado em outubro.

Em novembro a editora segue lançando a série da autora Lucinda Riley, As Setes Irmãs, com o livro A Irmã da Lua. Assim como o último livro da trilogia da autora Nora Roberts, Ilha de Vidro, da série Os Guardiões. A Justiça a Qualquer preço será o primeiro livro do autor John Grisham pela editora, trata-se de um autor de suspense com temática legal, ou seja, jurídica.

No dia 16 de outubro acontece o lançamento mundial do novo livro do Nicholas Sparks, Almas Gêmeas. E em novembro chega o livro quatro de Outlander com a capa da série, em uma edição única de 880 páginas!

Pela editora Sextante saiu A Magia do Silêncio da monja francesa Kankyo Tannier, com a proposta de exercícios possíveis no dia a dia para meditação. Uma pena que não tenha sido brinde como foi no Rio de Janeiro, parece ser um ótimo livro para ter na estante. Assim como Porque o Budismo Funciona que chega em outubro, e é escrito por um repórter que pretende fazer um diálogo entre neurociência, psicologia e budismo.

Da coleção School of Life sairá em novembro Grandes Pensadores, uma coletânea que destaca os principais produtores de conhecimentos e o que eles produziram de relevante e praticável no dia a dia. Utopia para realistas visa proposta de ações para melhorar o mundo, ideias estas que soam loucas, mas que são possíveis. Emocionário é um livro infantil construído como um pequeno dicionário, nele algumas emoções são explicadas e trabalhadas. Achei um ótimo livro para trabalhar com crianças pequenas.

Amor Sustentável da psicanalista Lígia Guerra, promete trazer orientações para melhorar relacionamentos amorosos, e chega em outubro. E em novembro Dúvida Cruel, um apanhado de 80 respostas para perguntas cabeludas do canal manual do mundo. Ainda em novembro também o livro do chef francês Claude Troisgos é lançado, algumas de suas páginas foram mostradas e parece ter um ótimo trabalho gráfico!


Hogwarts - Um Guia Imperfeito e Impreciso - Pottermore Presents: Histórias de Hogwarts #03 - J.K. Rowling


Colocando a vida 'potteriana' em dia finalmente consegui ler Hogwarts- Um Guia Imperfeito e Impreciso, publicado em ebook pela Pottermore Publishing, escrito pela querida J.K. Rowling. Neste pequeno ebook acompanhamos diversos textos breves publicados anteriormente no site Pottermore e que foram organizados por temas em cada um de seus seis capítulos. Cada texto tem um pequeno texto e depois uma reflexão da Rowling.

O primeiro capítulo intitulado A Jornada para Hogwarts explora a plataforma 9 3/4, como foi a ideia e a concepção da mesma, e como foi feito o expresso para Hogwarts. Eu acho incrível saber um pouco sobre o processo de criação das estórias em geral, quando trata-se de uma tão criativa é mais encantador ainda, já que entender como as ideias se encadearam e acabaram como na estória final é como estar na mente do autor.

Em seguida o próximo capítulo trabalha a seleção, como a origem do chapéu seletor e o que é um empata chapéu. Na sequência O Castelo e as Terras são o alvo dos textos, a sala comunal da Lufa-lufa é o primeiro texto, e devo dizer que fiquei bastante satisfeita em conhecer um canto inexplorado nos livros. Tanto lufa-lufa quanto Corvinal são casas apáticas nas tramas de Harry Potter, mas não por isso sem estórias para compartilhar. O mapa do Maroto e o grande lago completam as explicações. E cada vez que um lugar é explorado mais curiosidade sobre cada um destas coisas é despertada!

As aulas em Hogwarts estão no capítulo quatro, as matérias e o vira-tempo são evocados. Em seguida os residentes do Castelo são explorados, como os fantasmas, já que cada casa tem o seu. Tanto a estória de vida de cada um, quanto aspectos gerais dos fantasmas são narrados. A balada de Nick quase em cabeça, cortada do rascunho da Câmera Secreta aparece na integra. Os retratos e o perfil de Sir. Cadogan completam as páginas.

Por fim no último capítulo, os Segredos do Castelo, explicações mais detalhas de objetos e locais como o espelho de ojesed,  penseira, a pedra filosofal, a espada de gryffindor e a câmara secreta são feitas.

Todos estes textos complementam a estória central do universo Harry Potter, assim como do universo expandido criado por Rowling. Para fãs é leitura obrigatória, para os que nunca leram os livros, mas assistiram aos filmes também podem ter proveito com a leitura. Como sempre acontece todo texto feito por J.K. dentro deste universo mágico é como um buraco negro que suga a atenção, e encanta seja qual assunto escolhe abordar.

Eu me acho suspeita em comentar qualquer coisa sobre Harry Potter (embora eu honestamente não tenha gostado de A Criança Amaldiçoada), já que gosto de tudo como a potterhead que sou, mesmo assim minha única reclamação é que gostaria que os textos fossem mais longos e aprofundassem mais ainda os temas.


Xeque-Mate da Rainha - Elizabeth Fremantle

A primeira coisa que chamou bastante minha atenção foi a capa maravilhosa dessa edição. Quando a avistei de longe em uma das minhas idas a livraria, ela despertou o meu interesse e fui correndo ler a sinopse. Assim que o fiz, vi que precisava ter esse romance histórico o quanto antes. Outra coisa bem legal é que em oito anos de existência do House of Chick e com quase duas mil resenhas já publicadas, a gente ainda não tinha resenhado nenhum livro com cujo título iniciasse com a letra X, e isso está acontecendo agora!!
Em “Xeque-Mate da Rainha” conhecemos Katherine Parr, também conhecida como Kit, a sexta esposa do rei Henrique VIII, um homem de temperamento forte e um emocional bem instável, que já guilhotinou duas esposas, se divorciou de outras duas e assistiu uma morrer durante o parto.
O livro começa contando os últimos dias de Lord Latymer, segundo marido de nossa protagonista Katherine. Ele estava muito doente e preocupado em como poderia ajudar a sua esposa sempre presente e carinhosa. Porém, como ela poderia viver confortavelmente com a herança, ele estava um pouco mais tranquilo, já que ela seria uma mulher de poses consideráveis.
Após a morte de seu marido, nossa protagonista foi convidada pela Lady Mary, filha de Henrique VIII, para um batizado na corte. Como Kit sabe que não deve recusar um convite feito por membros da realeza, acaba indo. E é lá que conhece Thomas Seymour, um homem sedutor e com ambições políticas, que acaba atraindo o interesse de Kit. Só que Henrique VIII ouviu falar que Katherine era super dedicada ao seu antigo marido. E, com isso, passou a ter interesse nela tornando-a a sua sexta esposa.
Em seu novo casamento, vemos que Kit finge ser submissa ao rei, e que ela exerce grande influência em seu reinado, tudo de forma bem cautelosa para que ele jamais perceba as suas intenções. Sendo assim, ela consegue sobreviver as intrigas da corte e todo o jogo de poder existente na mesma. Katherine também precisa esconder a sua paixão proibida, pois qualquer passo em falso faria com que tivesse o mesmo destino de algumas das ex-esposas do seu atual marido.
No início a trama é um pouco lenta, já que somos apresentadas a vários detalhes da corte, mas, à medida que vamos lendo, o texto ganha forma e a história vai fluindo de uma maneira que consegue nos conquistar e nos prender em vários momentos.
Achei o enredo muito interessante, pois esse volume retrata como nossa protagonista era inteligente e astuta, sendo uma mulher de personalidade forte, que conseguiu governar reuniões e sair de problemas mesmo em um ambiente nada propício. Isso mostra que mesmo em uma época tão difícil, existiam mulheres capazes de ser à frente de seu tempo, que conseguiram conquistar o seu espaço. O romance não é o foco deste título, mas sim como nossa protagonista era uma mulher forte e determinada e, por isso, conseguiu driblar essa corte cheia de intrigas e conspirações.
A autora entrelaçou fatos históricos reais com ficção de maneira magnífica, eficiente e interessante. A gente se sente inserido naquela época e naquele contexto de uma forma realística e verossímil, fazendo com que a leitura seja ainda mais prazerosa.


O Ladrão do Tempo - John Boyne


Nem sempre o primeiro livro de um autor já releva todo seu talento, a grande maioria deles mostra seu potencial de crescimento. Não estou surpresa em dizer que John Boyne é genial desde seu primeiro livro O Ladrão do Tempo, publicado pela editora Companhia das Letras.

Matthieu Zéla é um jovem francês que se viu sozinho em Paris com seu meio-irmão pequeno, após perder sua mãe brutalmente morta pelo padrasto, ele parte para Inglaterra em busca de uma nova vida. No navio ele conhece outra jovem órfã, Dominique Sauvet, e juntos eles começam uma nova vida em Dover. Essa estória soaria normal se no final do século XVIII, Zéla não tivesse parado de envelhecer com apenas cinquenta anos. Mais de duzentos anos depois ele narra sua trajetória repleta de amores, perdas, e desventuras com algumas figuras ilustres da história do mundo.

Que premissa ótima para um livro senhor Boyne! Conseguir narrar sua estória em primeira pessoa através de Matthieu no tempo, sem que para o ser centenário seja um vampiro, mas sim um simples homem! Poderia dar errado, mas não deu, é envolvente, criativo e realista, muito realista. Salvo o fato do protagonista não envelhecer, todo o resto é muito real!

Durante o livro acompanhamos duas linhas do tempo, uma fixa que se inicia quando a mãe de Zéla falece através das mãos do padrasto e ele se vê com a obrigação de cuidar do irmão de cinco anos mesmo tendo apenas quinze anos, e segue com seu envolvimento com Dominique em diante. E outra linha que se passa no ano de 1999, onde ele é investidor de uma emissora de televisão, e acaba envolvido em uma trama sem querer, além de arcar com os problemas do sobrinho famoso. No meio destas linhas do tempo, Matthieu intercala diversas estórias em diversos momentos dos séculos, como quando se tornou amigo de Chaplin, ou funcionário do Papa Pio IX, ou acompanhou a quebra da bolsa de NY, e em diversas partes do mundo.

A maior característica de toda a sua vida é a morte, seja diretamente, seja sem sequer estar perto o fato é que Zéla perde sucessivas esposas (ele teve 19 se não estiver errada) e sobrinhos (durantes todos estes anos um Tommy sempre está presente e nos cuidados do mesmo). Estes sobrinhos nunca chegam a ficar velhos, sempre morrem jovens e deixam seus filhos. Desta trama cheia de mortes começam a nascer as teorias de porque Zéla não envelhece, e esta é uma das graças do livro.

Matthieu é um homem prático desde o início, embora tenha sofrido desde a morte do pai e depois da mãe, foi pontual em traçar um plano de vida para cuidar do irmão, não para sua vida para lamentar. Os fatos acontecem sucessivamente em sua vida e ele sempre busca oportunidades de crescimento, portanto logo ele se vê rico, e tentando sempre multiplicar seu dinheiro. É fiel a sua família, que no caso sempre se resume ao sobrinho, que em sua grande maioria trata-se de um jovem inconsequente e sem juízo.

Por já ter vivido por tanto tempo ele não tem medo de nada, e ao contrário do que a maioria dos personagens muito velhos costumam narrar, ele é feliz e satisfeito com a vida. Ele gosta de poder viver mais e mais. E tem certa sorte em atrair mulheres, mas não em mantê-las!

Embora com 561 páginas o livro flui bem, já que sempre temos novas estórias para envolver o leitor. Nunca é cansativo, pois Zéla tem uma vida muito variada e interessante ao longo de sua linha do tempo. Vivendo em diversos locais, executando diversos serviços e envolvido em variados problemas, não existe espaço para tédio.

Além de que cada trecho desta imensa narrativa nos propõe reflexões, afinal alguém que atravessou alguns séculos tem perspectivas muito diferentes daqueles que tem o tempo de vida contado, algumas coisas ele já conhece o final.


Estúpida, Eu? - Camila Coutinho

Sempre gostei de ler livros sobre as pessoas e marcas que construíram uma carreira de sucesso e como foi que elas chegaram lá. O por trás das histórias que poucas pessoas conhecem. E, por conta disso, quando vi que a Intrínseca iria lançar “Estúpida, Eu?”, a história da blogueira de sucesso Camila Coutinho, fiquei super interessada em conhecer a obra e saber um pouco mais sobre ela.
Nesse volume somos apresentados a vida da Camila e como ela começou, sabemos sobre suas experiências, sobre como é importante o networking, etc. E ela nos conta a sua trajetória com uma linguagem rápida e deliciosa. Foi bem interessante saber sobre o seu começo de carreira e como o Garotas Estúpidas ganhou uma grande proporção, deixando de ser um hobby e virando um business.
Camila relata algumas histórias que a gente não conhecia e como a sua vida teve bastante ralação até chegar aonde chegou. Com uma visão apurada para negócios e bastante cara de pau, ela conseguiu conquistar o mundo da moda com o seu jeito brasileiro e sua expertise para o business, criando várias ideias para sempre estar um passo à frente.
Nesse volume somos apresentados a vários conselhos sobre o empreendedorismo, dicas, e um pouco de outras informações sobre esse mundo das influencers, que conquistou cada vez mais espaço na vida de todos e que mudou o mundo dos negócios, já que essas pessoas conseguem alcançar uma grande fatia do mercado e levar empresas a criar segmentos específicos para cada coisa. Ou seja, agora vemos empresas investindo em determinados nichos que antes não tinham tanto espaço.
O valor gasto em moda e maquiagem pelo consumidor também aumentou muito com a chegada das influencers, já que agora as pessoas sabem como utilizar tal produto, não precisam mais de um maquiador profissional para entender sobre tal maquiagem, podem fazer determinado tipo de penteado em casa com o auxílio de tal produto, etc.
O mundo mudou e continua mudando por conta da internet, mas Coutinho acha que ainda existe espaço para todo mundo nesse grande universo digital e que a concorrência é sempre um ótimo negócio, pois ela te inspira a sempre querer se esforçar mais para dar o seu melhor. Vemos também um pouco da Camila Coutinho como pessoa além do seu blog Garotas Estúpidas, e de como o seu nome também precisou de branding pessoal.
Esse volume é bem interessante e uma ótima leitura para todo mundo que gosta de livros sobre histórias de sucessos e dicas de como chegar lá. Esse título me agradou bastante e amei conhecer mais sobre a Camila, sendo uma mulher visionária, inteligente e determinada, que sempre corre atrás do que quer.


A Duquesa Feia - Contos de Fadas #03 - Eloisa James


Theodora Saxby é rica e tem um grande potencial de arranjar um marido importante e com títulos por conta disso. Porém, é bem feia e dizem que até mesmo se parece com um homem, dificultando suas chances de encontrar o amor verdadeiro numa sociedade que presa pela beleza seguindo rígidos padrões.
James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, é seu melhor amigo. Lindo, com uma alma gentil, e um grande potencial para encontrar uma das melhores e mais bonitas noivas da sociedade, ele acaba escolhendo o patinho feio que é Theo. É claro que todos ficam espantadíssimos com isso, e ela rapidamente ganha o apelido de Duquesa Feia.
Mesmo assim, Theo sente em seu coração que ele, que nunca antes demonstrara nenhum sentimento por ela, se apaixonou perdidamente e que vão ficar juntos. Até que descobre uma verdade que a magoa profundamente, fazendo com que essa relação acabe antes de ser realmente vivida. E é claro que colocam a culpa nela quando eles se separam, afinal é óbvio que aquele relacionamento estava fadado ao fracasso desde o começo, já que a beleza dela não chegava aos pés da dele ou do que ele poderia arrumar.
Então James vai embora e Theo fica sozinha tendo que lidar com as consequências e também precisa aprender a dar a volta por cima. E vai fazer isso enquanto ele vive diversas aventuras inusitadas pelo mundo, inclusive se tornando um pirata, antes que o tão esperado reencontro possa vir a acontecer anos mais tarde e eles possam finalmente voltar a ficar juntos e viver aquele amor.
Com esse livro eu me despeço dessa série da autora, que ainda tem mais dois livros e quatro contos inéditos por aqui (a Arqueiro já anunciou a publicação dos dois livros, sendo que um deles sai ainda esse ano em outubro). Não amei nenhum dos três volumes que já foram publicados no Brasil, mas esse conseguiu se superar e realmente não funcionou para mim. Até os pontos positivos que existem no enredo acabaram ficando encobertos pelos negativos em minha opinião, então não consegui me apegar a nada, muito menos aos protagonistas. Não sei nem como cheguei ao final da leitura, que na minha opinião nem parece ter sido escrita por uma autora renomada.
Vou explicar melhor para vocês tudo o que achei. Primeiramente devo dizer que achei que a obra parecia promissora, inclusive comecei a leitura gostando da mesma e acreditando que este poderia ser o melhor livro de sua autoria, com uma história de melhores amigos que ficam juntos por conta de alguma circunstância e acabam admitindo os sentimentos que sempre nutriram um pelo outro. E, como sempre se deram tão bem, veríamos a química aflorar e como eles se encaixariam perfeitamente.
Além do mais, gosto bastante dessa ideia de ela adaptar uma obra que não vemos com frequência ganhando novas versões por aí, que é a do Patinho Feio. Então queria ver como a moça lidava com o fato de que não se encaixava exatamente nos padrões que a sociedade ditava, e, mesmo assim, conseguia ser feliz, não ligar para os outros e ainda viver um lindo amor.
Então estava bem empolgada. Inclusive, achei a personalidade de Theo bem interessante, divertida e adorável quando comecei a ler as páginas, o que me encantou. James não estava parecendo alguém tão maravilhoso assim, mas queria conhecê-lo melhor para descobrir suas nuances.
Porém, em primeiro lugar achei o enredo realmente bem esparso e esse deveria ser um dos pontos mais importante de um livro, então queria algo melhor desenvolvido e explorado. Mas não foi bem assim, pelo contrário, tudo ficou bem solto, nada tinha continuidade, e parece que a autora ficava sem vontade de continuar desenrolando algo e simplesmente colocava um pulo no tempo para depois fazer um breve resumo – ou não – do que aconteceu naquele período e seguia adiante.
Logo no início da leitura já vemos as coisas acontecendo rápido demais, então numa hora vemos Theo com um outro pretendente, sem conseguir nem mesmo olhar para os lados com interesse, e um James que não quer de jeito nenhum se casar com ela justamente para não magoar a amiga quando a mesma descobrir a verdade sobre a mentira que deverá contar para ficarem juntos.


A História de Kullervo - J. R. R. Tolkien


Não é novidade para quem acompanha o blog meu amor por Tolkien não é? Mas já não me lembro mais quantas vezes e se eu citei que tenho também um amor enorme pela terra do Papai Noel, a Finlândia. O fato é que gostar de um lugar tão distante e gelado dificulta e muito o acesso a cultura daquelas terras. Ao ler a sinopse de A História de Kullervo, do mestre J. R. R. Tolkien, publicado pela editora Martins Fontes, e assim descobrir que neste livro Finlândia e Tolkien estariam juntos nele, foi emoção em dose dupla!

O Infeliz Kullervo é o primeiro herói de Tolkien, um personagem órfão que nasceu em meio a uma guerra entre irmãos, e que para vingar a morte do pai se envolve em diversas desventuras, sem conseguir encontrar um lugar para si ou um momento de felicidade, mesmo tendo em suas mãos um poder mágico.

O autor se propõe a recontar a partir de sua visão um episódio da saga finlandesa, o Kalevala. O Kalevala é a epopeia nacional da Finlândia, escrita/copilada por Elias Lönnrot. Lönnrot não foi o único a coletar estes cantos, mas foi a ele que ocorreu fazer uma seleção de forma vagamente conexa. Foi ele quem deu o nome de Terra dos Heróis, ou Kalevala, de Kaleva, o ancestral mitológico de todos heróis. Publicada inicialmente com 25 cantos ou runos em 1835, teve seu tamanho dobrado a partir de um novo material coletado, sua nova publicação data de 1849.

O conto é notável porque consegue antecipar os estilos narrativos do futuro conjunto da obra de Tolkien. Ao mesmo tempo em que é um conto, é uma tragédia, um mito, uma mescla de poesia e prosa. Entretanto trata-se de uma obra não finalizada, com trechos inclusive com palavras faltando, essa falha é 'arrumada' por Verlyn Flieger, que é quem edita o livro. Ela é responsável pela introdução do livro, pelas notas e comentários tanto sobre o conto, quanto sobre as palestras e o Kalevala, seus apontamentos são fundamentas para compreender o conto e tudo que o envolve.

O material sobre a escrita de Tolkien é maior do que o conto que tem apenas 40 páginas. Neste volume além do conto temos ainda o esboço de sinopses do enredo, uma lista de nomes, além de dois ensaios de Tolkien discorrendo sobre o Kalevala. Estes ensaios são muito interessantes porque além de saber mais sobre o épico também é possível saber um pouco mais sobre a cultura finlandesa e o envolvimento do autor com a mesma. O livro ainda conta com uma ilustração feita por Tolkien e algumas fotos de seus escritos.

O artigo final de Flieger amarra Tolkien, o Kalevala e outras obras de Tolkien, especialmente ao explicar que A história de Kullervo foi o primeiro conto feito por Tolkien, e que foi progressivamente caminhando para outros contos até chegar ao Simarillion.


Segunda Chance para o Amor - Second Chance #01 - L.P. Dover


Korinne Anders estava vivendo uma vida dos sonhos com um emprego que adora e no qual é realmente talentosa, uma casa aconchegante e um marido que é médico e incrível, com quem tem um relacionamento maravilhoso. Até que ela vê seu mundo desabar quando o perde em um acidente. Fechada para o mundo, ela vive com seus pais por seis meses sem conseguir fazer nada da sua vida e acreditando que nunca mais vai viver algo tão bom quanto foi seu casamento.
Quando percebe que já está na hora de retornar com a sua vida, Korinne decide voltar à sua cidade, para criar uma nova rotina e seguir em frente, ainda que as coisas continuem muito difíceis para ela. Sua melhor amiga, Jenna, não aguenta mais vê-la sofrer e decide intermediar isso, unindo nossa protagonista a um ex-namorado por quem ela foi completamente apaixonada e vivenciou um namoro dos sonhos quando estava na faculdade. Tudo tinha terminado muito bem, mas ela quis se mudar e eles acabaram perdendo o contato.
Quando ela e Galen se reencontram, percebem que aqueles fortes sentimentos sempre estiveram presentes, ainda que eles estivessem separados vivendo suas vidas bem longe um do outro. Ele só quer ficar próximo dela e ajudá-la a enfrentar o momento difícil que vive, então vai fazer de tudo para auxiliá-la no conserto de seu coração enquanto começa a preenchê-lo novamente com todo o amor que pode lhe dar. E é nesse clima de segundas chances que vemos o amor entre eles voltar a aflorar.
Quando a Editora Charme anunciou que iria publicar essa série, fiquei empolgadíssima pela sinopse e esperando o momento de o livro finalmente chegar em território nacional traduzido para poder conferi-lo. No começo de maio, a editora também publicou um vídeo da autora comentando um pouco sobre sua obra e eu fiquei ainda mais animada para lê-la, afinal ela é muito simpática e fofa! Então, assim que pude, peguei meu exemplar e mergulhei nas suas páginas.
Algo que notei é que a escrita de L.P. Dover flui maravilhosamente bem, a trama é rápida, direta e bem movimentada e ainda tem a capacidade de nos prender de uma maneira muito gostosa. Muitos acontecimentos ocorrem o tempo todo, fazendo com que tudo aconteça de forma ágil e interessante e, quando notamos, já estamos prestes a finalizar a leitura.
Os personagens são adoráveis e fofos. Aliás, o romance é daquele tipo que a gente deseja vivenciar um igual na vida real de tão bacana e alto astral que é. Os protagonistas possuem muita química e cumplicidade e se encaixam perfeitamente bem em termos de personalidade, parecem daquele tipo que foram feitos um para o outro.
Como vários acontecimentos ocorrem na trama, a mesma nunca fica parada ou entediante, o que é um ponto muito positivo. Também gostei que há momentos de alegria, diversão, tristeza, drama, apreensão, etc. Então sentimos um misto de sensações conforme as páginas vão sendo avançadas.
E, mesmo com tudo isso, a narrativa é predominantemente leve e divertida. Mesmo nas partes mais sérias ou dramáticas há sempre um ponto mais alegre ou positivo, e como eu adoro livros assim, curti muito que este seja desta maneira. Ainda mais porque achei os personagens bem otimistas, então a gente podia acreditar que tudo ia dar certo, mesmo quando tudo parecia perdido ou estava ruim.
Porém, achei algumas situações rasas. Como comentei antes, há muitos acontecimentos, o que é realmente muito bom, só que as coisas iam surgindo e acabavam logo já que a autora não desenvolveu muitos detalhes na maioria dos casos, nem nos apresentou tudo de maneira mais aprofundada. E tudo aconteceu rápido. Numa hora ela não queria se envolver com ninguém porque estava de luto, logo em seguida já estava num novo relacionamento e depois até passou para uma etapa ainda mais séria. Então em alguns momentos não consegui sentir as emoções dos personagens.


Tudo Que Acontece Aqui Dentro - Júlio Hermann

Essa obra é uma seleção de cartas que o autor escreveu quando seus sentimentos estavam transbordando do peito e precisavam encontrar um escape, então ele transferiu tudo o que sentia para o papel e agora essas emoções foram compartilhadas com nós, leitores, através de textos bonitos que nos fazem refletir.
Aqui o foco é o amor em diversos estágios, sobre como cada situação que experienciamos na vida tem a capacidade de nos moldar, como pode fazer a gente pensar e agir diferente, afinal todos somos a soma de experiências, vivências, contatos com outras pessoas, trocas de sentimentos e momentos, tudo resultando em maneiras diversas de aprendermos coisas diferentes.
Confesso que estava esperando por uma leitura mais leve do tipo fofinha, com declarações de amor e amor correspondido, mas a maioria dos textos tem um tom mais melancólico e de amor unilateral, porque é do passado ou porque nunca chegou a acontecer de fato (pode ser só impressão, mas como só temos a chance de “ouvir” um lado do “relacionamento”, esse é o sentimento que tive). Não que isso seja algo ruim, só é diferente do que achei que seria.
Os textos são realmente muito bonitos, inspiradores e/ou reflexivos. Gostei bastante de ter a oportunidade de lê-los e, de quebra, conhecer um pouco mais de Júlio Hermann, afinal ele dá um toque bem pessoal a cada uma de suas palavras e isso é algo realmente bem bacana.
Cada carta tem a capacidade de mexer bastante com nossos sentimentos. Em alguns momentos a gente se emociona, em outros sorrimos, há aqueles que despertam nossa memória para bons e memoráveis instantes que já vivenciamos, outras nos fazem relembrar sentimentos não tão agradáveis, e assim por diante. Também é muito fácil se identificar com alguns dos textos, seja porque você mesmo já viveu algo semelhante ou porque conhece alguma pessoa que passou por uma situação parecida.
As crônicas são curtas, fluidas, bem escritas, leves ao mesmo tempo em que carregam emoção, diretas e também reflexivas. E o tema central é o amor, com situações vividas, outras imaginadas, lembranças gostosas, outras tristes, uma esperança ou uma despedida, e assim sucessivamente, e também tem bastante foco na saudade.
E há um tom bastante melancólico, como comentei no início dessa resenha. Em diversos momentos ele fala sobre suas inseguranças, reflete muito sobre o que deveria/gostaria de ter feito ou dito para alguém, sobre o tempo que não vai voltar ou sobre como o mesmo passa rápido, sobre vários arrependimentos, coisas que gostaria de ter feito de outra maneira, sobre perdas, dores, “fracassos”, etc.
Gostei bastante dos textos e das palavras e frases que o autor utilizou para expressar seus sentimentos. Curti mais ainda que ele me fez pensar de forma diferente em algumas questões e também me fez refletir sobre outros tópicos. Ainda que eu não concorde com tudo o que li, é sempre bom poder conferir uma visão diferente sobre o mesmo tema.


Uma Noiva Para Winterborne - Os Ravenels #02 - Lisa Kleypas

Rhys Winterborne é ambicioso, inteligente e sagaz. E, por conta disso, conseguiu se erguer na vida, deixando de ser o filho de um comerciante para se tornar o dono de um império com uma fortuna incalculável, já que se tornou o dono de uma grandiosíssima loja de departamentos e se envolve com diversos investimentos que geram cada vez mais lucros. Tendo quase tudo o que desejava, ele só não tinha um título ou qualquer envolvimento com a alta sociedade londrina.
Então, quando surge a chance de se casar com a aristocrata lady Helen Ravenel, ele agarra essa oportunidade com mãos e lábios. Porém, ela é realmente muito tímida e acaba se assuntando inicialmente. Depois, no entanto, essa moça angelical acaba desabrochando, assim como as flores pelas quais tem tanto carinho, e decide procurá-lo para reverter uma situação mal-entendida.
Como um já começa a nutrir sentimentos pelo outro, vão correr atrás da felicidade e decidem ficar juntos. Mas nem tudo são flores. Enquanto Rhys possui um inimigo em especial que vai acabar fazendo parte da vida deles, Helen tem um segredo que pode destruir tudo de bonito que estão construindo. Resta saber se o que sentem será suficiente para enfrentar qualquer possível barreira.
Amo Romance de Época, meu gênero favorito atualmente (como já comentei algumas vezes aqui no blog), então sempre que um novo livro do estilo é publicado, já o coloco na minha pilha de desejados e leio assim que posso. Mesmo assim, algumas autoras eu ainda não conheço ou conhecia seu trabalho até recentemente. E esse é o caso de Lisa Kleypas. Mesmo que ela já tenha duas séries completas publicadas aqui no Brasil, somando um total de dez exemplares, todos lançados pela Editora Arqueiro, foi somente agora, com essa nova série, que pude conhecê-la mais profundamente.
Então, meu primeiro contato foi com “Um Sedutor sem Coração” (clique no título para ser redirecionado para minha resenha), primeiro volume da série Os Ravenels. E, como comentei na resenha da obra, não gostei muito assim deste início com a autora, não porque sua escrita tenha sido ruim, pelo contrário eu amei sua forma de narrativa, que é leve e envolvente, porém não gostei tanto dos protagonistas, que são chatos (principalmente ela), na minha opinião.
No entanto, naquela primeira obra já conhecemos os protagonistas dessa continuação, lady Helen Ravenel e Rhys Winterborne. E as cenas deles lá foram maravilhosas e também instigantes, afinal algumas coisas bem importantes aconteceram e a gente fica repleta de curiosidade para saber como vai ser o desenrolar e o desfecho daquilo tudo. Fora que, mesmo não gostando dos protagonistas em si naquele livro, amei todos os secundários, o cenário, o pano de fundo e a narrativa de Kleypas, então não via a hora de ter essa sequência em mãos.
Minhas expectativas estavam bem altas e o sentimento de que elas foram superadas é bem satisfatório. Primeiramente, amei, amei, amei Rhys Winterborne! Claro que um homem maravilhoso desses não poderia existir na vida real, então a gente só se contenta com personagens masculinos incríveis assim nos livros. Helen também não fica para trás e realmente amei a personagem.
O romance foi se desenvolvendo aos poucos, desde que eles começaram a se envolver no primeiro volume da série, e foi ficando cada vez mais intenso e bonito de se ver. Gostei muito de acompanhar esses dois, suas cenas juntos eram espetaculares, a maneira como se preocupavam com o bem-estar do outro, como queriam compartilhar carinho, ainda que ambos não tivessem isso em suas vidas anteriormente – foi algo lindo de se ver. E também foi quente. Quem gosta de cenas desse estilo, vai curtir que há algumas delas na obra, quem não gosta pode pulá-las, já que não acrescenta nada importante ao enredo.
Como costume nos livros do gênero, temos a oportunidade de acompanhar cada protagonista individualmente através de capítulos intercalados com a perspectiva de cada um em terceira pessoa. Gosto bastante desse tipo de narrativa, já que nos aproxima bastante de ambos os personagens ao mesmo tempo em que nos apresenta uma visão mais ampla de detalhes e acontecimentos.
Amo diversos personagens criados por Kleypas. A tímida Helen, que se mostrou uma moça bem ingênua e ousada ao mesmo tempo, que tem sua independência e toma atitudes para correr atrás do que quer, seguindo suas próprias decisões e lidando com as consequências da mesma da melhor maneira. E Rhys, com sua personalidade forte, dono de um coração maravilhoso, grande inteligência, tino para negócios, uma ótima intuição, forte, grande, bonito, rico, decidido, esforçado, justo, admirável, que quer sempre fazer o melhor para o próximo, principalmente aqueles que trabalham para ele, inclusive dando cargos de responsabilidade e/ou importância a mulheres (o que ainda não era tão comum na época).


Um Sedutor sem Coração - The Ravenels #01- Lisa Kleypas


É muito estranho quando um autor que você gosta muito soa repetitivo em um livro, é como se ele traísse sua confiança e carinho dedicado a ele. Em Um Sedutor sem Coração ( primeiro volume da série The Ravenels), da autora Lisa Kleypas, publicado pela editora Arqueiro, eu me senti assim, um pouco chateada por uma autora favorita soar tão repetitiva.

Devon Ravenel acaba de se tonar Conde após a morte de um primo nada querido, e suas novas terras estão repletas de problemas e caindo aos pedaços, não resta a ele fazer outra coisa que não vender tudo. Mas ao conhecer a viúva de seu primo, Kathleen uma faísca surge entre os dois. Um dilema nasce no coração deles, ele deve tentar restaurar seu território e seguir seus sentimentos? E ela deve dar a chance para um homem conhecido por ser um libertino?

Devo dizer que a narrativa de Lisa Kleypas sempre me agrada, a forma como ela narra em terceira pessoa a vida de seus personagens é sempre interessante, mas esse livro acabou seguindo a fórmula (homem com personalidade duvidosa, mocinha em apuros, desastre que aproxima o casal e mudança radical de personalidades) por ela criada, e seguida em sua série The Hathaways (que por sinal amo!), o que me deixou um pouco cansada, já que eu já sabia o que esperar.

Kathleen é uma viúva que só engana a si própria fingindo que está de luto, mas que na verdade está louca para seguir com sua vida. Embora com muita personalidade e persistência cede rápido aos encantos de Devon, e as dificuldades que impõe a relação deles apenas a deixa chata! Ao mesmo tempo em que é inocente, ganha malícia com uma rapidez surpreendente!

Sua vida foi marcada pelo abandono, já que os pais a deram para uma condessa criá-la, já que viajavam muito e nunca estavam em casa. Por conta disto ela tem dificuldades em mostrar seus sentimentos e até de chorar.

Devon é o típico bad boy que arranca suspiros por onde passa, não quer se casar, não quer responsabilidades até conhecer Kath. Ele rapidamente se torna o homem que havia decidido não ser, e isso é legal, se todos os outros homens de Kleypas não fossem assim! Mesmo assim torci bastante pelo casal.

Alternando cenas da luta pela melhora de seu condado, com cenas de amor tórrido de Devon com Kath, a autora explora um pouco os demais personagens em algumas cenas. West é o irmão de Devon, dono de um humor livre, é como o irmão sem apego a nada, mas logo se identifica com o trabalho na terra e muda sua opinião sobre tudo.

Já as irmãs Ravenel, são três, a mais velha Hellen é tida como a moça perfeita, dona de uma beleza feérica, e que desperta encanto em todos. Já as gêmeas Cassandra e Pandora, embora já tenham 18 anos soam como pré-adolescentes inconsequentes, visto que passaram a vida toda no campo. Me lembraram muito Bea da série The Hathways, logo conquistaram me coração com sua espontaneidade e vivacidade.


Pacote Completo - Big Rock #04 - Lauren Blakely

Chase precisa de um lugar para morar, mas acaba de perder um apartamento que acreditou que conseguiria alugar. Isso porque em Nova York é bem difícil encontrar lugares decentes e precisa ter jogo de cintura e sorte para conseguir fechar o negócio. Enquanto isso, Josie está em busca de uma colega de quarto agora que está morando sozinha e precisa de alguém para dividir as contas. Então eles logo percebem que a solução para seus problemas está no outro. Porém, viver sob o mesmo teto com o melhor amigo por quem se sente muito atraído pode não ser uma opção muito boa, afinal ambos querem preservar a bela amizade e têm medo de que algo possa vir a estragar o bom relacionamento que estão construindo há anos.
Mas, ainda assim, decidem mergulhar nessa experiência criando algumas regras e decidindo que, não importa o que aconteça, as coisas devem ser separadas. E mesmo que avancem um pouco no sinal, precisam saber quando é hora de parar para não ser tarde demais e colocar tudo o que construíram a perder.
Eles sempre se deram muito bem e agora que moram juntos tudo está ainda melhor. Um fica cada vez mais empolgado para ver e estar com o outro, passam a compartilhar suas vidas, seus segredos, suas rotinas. E acabam se envolvendo fisicamente também. E tudo anda maravilhosamente bem. Só que percebem que está na hora de mudar o foco e voltar ao que eram antes para não correr o risco de estragar nada. Mas, agora que outro tipo de sentimento entrou na equação e eles tiveram a chance de experimentar como era estar com o outro, será que conseguem voltar ao ponto antes de tudo isso, sem ficar complicado? 
Esse já é o quarto volume da série Big Rock, de Lauren Blakely, publicada no Brasil pela Faro Editorial, e o terceiro que leio – li este antes do livro três, “Bem Safado”. As obras da autora são narradas em primeira pessoa pelo protagonista masculino, o que é maravilhoso. São muito divertidas, leves, envolventes e bem quentes. Gosto muito dessa soma de elementos (exceto pelo último que não me incomoda se não estiver presente), então é claro que sempre quero ler mais e mais títulos dela.
Gostei muito de ambos os protagonistas. Inclusive, dos três homens criados por Lauren que já conheci – Spencer (Big Rock), Nick (Mister O) e Chase –, este é o meu preferido com muita vantagem. Ele é um fofo, adorável e amigo do peito (literalmente às vezes haha). Eu certamente gostaria de um desses na minha vida. E Josie não fica atrás, adorei sua personalidade e o fato de ela ser uma garota normal, que tem um corpo normal e não liga para isso, afinal adora ser confeiteira (queria uma amiga dessas! Hahaha) e provar seus deliciosos quitutes (que aliás, preciso! Chase faz parecer tudo tão apetitoso que eu queria entrar no livro para experimentar também! Doces, minha perdição! hahaha).
O mais bacana dessa série é que os personagens de um livro são ligados de alguma forma com os de outro volume, seja porque são irmãos, amigos, etc. Então temos a chance de acompanhar todo um núcleo familiar e/ou de amizade muito bacana, e já conhecemos um pouco o protagonista da próxima obra ou revemos os das anteriores em cada exemplar.
A narrativa flui maravilhosamente bem, de um jeito bem especial que nos deixa presos nas páginas de forma interessante e leve. A trama é simples e muito envolvente e os personagens são tão cativantes que a gente sente vontade de fazer parte daquele grupo de amigos de verdade.
Como toda história típica de melhores amigos que começam a se relacionar romanticamente, nós vamos ver ambos os personagens relutantes e com medo de que aquela nova relação possa afetar a amizade entre eles. E aqui não foi diferente. Foi fofo ver essa transição e eles se adaptando a tudo o que estava acontecendo. Porém, Chase e Josie acabam guardando os sentimentos dentro do peito por muito tempo em vez de expô-los ao outro, e acaba demorando demais para isso acontecer na minha opinião, que queria logo os dois juntos. Fiquei desejando mais diálogos entre eles nesse sentido. Não que tenha sido ruim, só que fiquei ansiosa.
Esse título parece remeter a alguma coisa mais, digamos assim, safada. Porém, tem uma explicação para ele que não necessariamente segue essa ideia, e eu gostei bastante. Também quero um Pacote Completo na minha vida, mas, diferente dos livros, a vida real é bem mais difícil e esse tipo de homem já está quase extinto, infelizmente.