Um Amor Incômodo - Elena Ferrante

Já faz algum tempo que Elena Ferrante estava na minha lista de must-read, não tinha me decidido por onde começar, mas quando Um Amor Incômodo foi lançado pela Intrínseca, me decidi por começar por ele, afinal esse foi o primeiro romance lançado pela autora em 1992.

Quando Delia acredita ter se libertado de seu passado em Nápoles, na Itália, sua mãe falece de forma misteriosa em uma praia onde foi encontrada afogada, e vestindo apenas um sutiã caro que jamais teve. Para o enterro de sua mãe Delia volta a sua cidade natal, mas ao retornar ela descobre que terá que fazer bem mais do que enterrar a mãe para que suas feridas cicatrizem. Confrontada pelas memórias do passado ela irá descobrir quem era sua mãe e quem ela mesma se tornou.

Explicar a narrativa de Ferrante em termos comuns é limitante, recentemente ouvi uma opinião a respeito deste livro sobre ele ser psicanalítico, e concordo, a sensação é que a protagonista está sentada diante de um psicanalista, e que conta sua própria história de maneira desordenada e estranha, colocando muita fantasia e traumas não resolvidos. A proposta não é contar uma estória de forma tradicional e linear, assim em alguns momentos acabamos nos perdendo no que e real e o que é lembrança ou visão de Delia. Tudo de forma muito brusca e direta não nos poupando de causar repulsa e asco, ela não suaviza as sensações em momento algum.

Outro aspecto importante de salientar é que temos aqui também uma estrutura de romance policial no sentido que ela tenta compreender a morte da mãe, já que esta foi encontrada afogada em uma praia onde na infância de Delia a família havia passado férias. O mistério que ninguém sabe é se ela se foi morta, se foi um acidente ou se foi suicídio, a filha tenta compreender a partir de um quebra cabeças qual a resposta para este enigma, se é que de fato existe uma resposta.

Delia é uma mulher que precisaria de severos anos de terapia, sua infância a marcou de forma profunda e definitiva, a ponto de ela direcionar a sua vida não para as coisas que deseja, mas para as que mais se afastam do que ela acredita ser sua mãe. Ela parece não nutrir respeito e amor pela mesma, já que acredita que na infância sua mãe traiu seu pai, e este fato mudou o rumo da família de Delia.

Tio Fillipo, irmão da mãe de Delia é conhecido por não guarda para si suas opiniões, com a idade um pouco avançada mistura sua tendência aos palavrões com um pouco de senilidade. Alterna momentos de carinho e agressividade com a sobrinha. Caserta, é o suposto amante da mãe, uma figura estranha com atitudes mais estranhas ainda que vem nos confundir sobre quem era Amalia e sua ligação com ela.


Três Coroas Negras - Três Coroas Negras #01 - Kendare Blake

Eu sempre gostei bastante de livros que conseguem misturar magia com aventura de uma forma que nos prende em todos os momentos. Quando li a sinopse deste título, fiquei encantada com a proposta do livro, que me parecia trazer tudo que eu gosto e muito mais. Sendo assim, coloquei-o na minha pilha de leituras, e, logo que foi possível, passei na frente de outros e comecei a lê-lo. Agora, venho compartilhar com vocês as minhas opiniões a respeito desta obra.
Em “Três Coroas Negras” conhecemos as três irmãs herdeiras da coroa, que nasceram para reinar, sendo que somente uma delas pode fazer isso. Ou seja, elas foram criadas para batalhar entre si, e apenas uma irá vencer e se tornará a herdeira da coroa. Para isso, elas são criadas sem misericórdia, sendo totalmente letais, e cada uma tem um poder mágico especial para ajudá-las nesta luta. São elas: Mirabella, uma elemental que é capaz de produzir chamas e tempestades tão facilmente como um estalar de dedos; Katharine, uma envenenadora que tem o poder de manipular os venenos mais mortais, e, mesmo se ingeridos, eles não a afetam; e Arsinoe, uma naturalista, que pode fazer florescer a rosa mais vermelha assim como pode controlar o mais feroz dos leões.
Desde pequena, elas foram preparadas para a batalha, que começa na noite em que completam dezesseis anos. Para isso, cada uma tem o seu grupo de pessoas que as ajudam, e assim conhecemos mais sobre as três, como estavam lidando com tudo o que estava ocorrendo, sobre as preparações para a batalha, assim como suas personalidades e o alcance dos seus poderes. Conhecemos tudo em relação a essas rainhas, suas opiniões, suas culturas, sobre a ilha onde vivem, as tramas políticas por trás de todos os acontecimentos, etc. Elas são trigêmeas que foram separadas na infância e criadas por três famílias diferentes para que uma mate as outras, até restar apenas uma, que será a dona da coroa.
Essa tradição é justificada por uma crença religiosa, a qual não vemos questionamentos nem empatia pelas meninas. Elas são criadas para serem letais e vemos que o povo gosta disso, sempre apostando em que deve ganhar, na que elas acham a mais forte e inteligente.
Nesse livro repleto de magia, vemos também um pouco de romance, que nos mostra que, apesar de serem criadas com um objetivo funesto, essas meninas também podem amar, e, conhecendo-as melhor, vemos que esse é um destino cruel, o qual elas não gostariam de ter.
Este volume tem uma característica mais introdutória, já que, por se tratar de uma série, primeiramente somos apresentados ao enredo para entendê-lo mais a fundo antes de irmos a fundo nos acontecimentos mais importantes. Isso geralmente acontece em livros com sequência, e, como estou acostumada, não chega a me atrapalhar, mas sei que tem pessoas que se incomodam com esse tipo de leitura. Mais para o final da obra, começamos a ver a ação realmente acontecer, e esse exemplar acaba de um jeito que precisamos desesperadamente começar o próximo, já que ficamos cheia de perguntas na cabeça.
Com uma história inovadora, muita adrenalina e personagens maravilhosos, este título nos conquista do início ao fim, nos mostrando uma história diferente, e onde vemos que as mulheres são mais fortes que os homens, e que também possuem mais responsabilidades. Com uma crítica a sociedade que ainda vivemos embutida na leitura, ficamos em todos os momentos refletindo sobre as protagonistas e sobre tudo o que estão passando.


O Escravo de Capela - Marcos DeBrito

Quando eu estava no colegial eu tive o privilégio de ler o livro Casa Grande Senzala inteirinho, com isso pude ver a escravidão além das poucas linhas que os livros de História descrevem, e ir além do lugar comum. Com este background a leitura de O Escravo de Capela, do autor Marcos DeBrito, publicado pela Faro Editorial, foi como ver a história ganhando ares fantásticos!

No Brasil Colônia, a fazenda de Capela recebe um novo lote de escravos, e entre eles Sabola, um jovem que não compreendia a língua de seus senhores e o prazer dos mesmos em fazer sofrer seus semelhantes. Depois de uma reprimenda Sabola decide que vai fugir, e conta com a ajuda de um velho escravo da fazenda. Mas nem tudo sai como o esperado, e com sua morte prematura outros forças desconhecidas pelos brasileiros vai nascer, e com ela uma lenda que vai permanecer.

DeBrito narra sua estória em terceira pessoa sob diversos pontos de vistas, ora de Sabola no início da trama, ora de algum dos filhos do dono da fazenda, ora de alguns de seus funcionários, nos permitindo assim uma visão completa e de conjunto de todos os aspectos e personagens envolvidos na narrativa. Tudo é muito bem amarrado tanto na linha do tempo, quanto nas explicações dos fatos.

A proposta do autor era criar uma estória crível, o mais próxima de uma realidade que fosse a origem da lenda do saci- pererê, utilizando todas as suas características e referências originais, e seu objetivo foi alcançado com sucesso, pois de fato encontramos todas as principais características no livro, desde a crina dos cavalos trançados, até o seu famoso cachimbo. Tudo de uma maneira natural, sem que seja necessário abrir mão da realidade.

Sabola é o nosso protagonista que veio da África como escravo, embora seja inocente não aceita viver como escravo, e nem sequer consegue compreender essa concepção de vida. Muito impulsivo ele não quer aguardar um dia sequer para alcançar a liberdade, e é extremista em suas ações para alcançar seu objetivo. Quando renasce como morto-vivo perde todos os traços de sua antiga vida, e suas ações não são decididas por sua vontade.

Akili é um antigo escravo que não sai da senzala depois de um episódio com Antônio, um dos herdeiros da fazenda. Tem uma atmosfera de mistério sob si, e parece esconder mais do que aparenta. Sua ajuda é fundamental na tentativa de fuga de Sabola, mas sua importância só explicada no fim da trama.

Inácio é o herdeiro mais jovem, médico formado em Portugal está na fazenda apenas enquanto não se transfere para Londres, onde quer estabelecer sua nova vida. É o oposto de seu irmão, e seu pensamento quanto aos escravos é diferente de todos os homens a sua volta. Assim ele é mal compreendido, e entra em conflito com o pai e o irmão constantemente. Sua sensibilidade para com a vida é ainda um pensamento novo nas terras brasileiras, e ele não possui o machismo dominante na região.

Quando comento sobre machismo, não o falo sobre o ponto de vista de colocar a mulher como sexo inferior (embora até deva ser o pensamento da época, mas ele não é explorado), mas sim do pensamento que homens devem agir de determinadas maneiras, e ter determinados pensamentos e sentimentos (falta deles), que no caso são de aplicar punições aos escravos que não agirem como esperado não os vendo como humanos mais sim como animais;  herdar o trabalho da família; aliviar suas tensões com uma escrava comprada para isso; beber e agir de modo agressivo, enfim manter o status quo da época marcada pela ignorância.

Batista é o pai dos jovens. Principal responsável pela manutenção do modo agressivo do filho mais velho, embora ame seus filhos age de modo antiquado em suas relações. Até tenta compreender os pensamentos novos de Inácio, mas quando um escravo sai da linha defende o castigo, e só não permite muitas mortes porque também geram perdas de dinheiro. É orgulhoso e prepotente, e é incapaz de acreditar no que está acontecendo na sua fazenda, e quando acredita já é tarde demais.

Antônio, o filho mais velho é aquele personagem que causa repulsa já que ele é agressivo com seu irmão mais novo, com seus funcionários, e cruel com os escravos pelo simples prazer de os ver sofrer. Em nenhum momento desperta empatia, e devo dizer que acabamos por querer seu sofrimento!


Contos dos Irmãos Grimm – Dra. Clarissa Pinkola Estés

Já fazia um tempo que eu estava namorando esta edição nacional de “Contos dos Irmãos Grimm”, publicada pela Editora Rocco, porque além de trazer os contos em suas versões originais (quando digo originais, quero dizer a versão escrita dos irmãos Grimm, pois a maioria deles já existia de forma oral), traz ilustrações simplesmente maravilhosas em cada um deles. Então, quando tive a oportunidade de tê-lo em mãos, fiquei muito feliz e logo comecei minha leitura.
Como muitos de vocês já sabem, os contos de fadas que conhecemos em versões Disney e também em livros infantis mais populares do nosso tempo, são bem mais amenas do que as versões originais dos mesmos, tanto as que foram escritas por autores famosos como os Irmãos Grimm pela primeira vez, quanto as versões que só existiam oralmente antes que eles as pusessem no papel. E a autora deste exemplar, Dra. Clarissa Pinkola Estés, resolveu apresentá-las aos leitores desta forma, mais crua e cruel.
Não posso afirmar que sou a maior fã ou uma grande entusiasta da maioria das versões dos contos encontradas neste volume, inclusive porque muitas delas me dão uma dor no peito, uma tristeza grande ou então aversão. Sei que os povos tinham costumes diferentes dos nossos e aceito isso, mas também não consigo concordar com o modo que tratavam as pessoas devido a determinadas ações ou as lições que algumas destas histórias trazem.
Por outro lado, é sempre maravilhoso poder estudar uma cultura diferente da nossa e também um período distinto. Nos faz entender um pouco a mente humana e também o desenvolvimento da sociedade ao longo dos anos. Então acho super válida a leitura desta obra, que nos mostra uma realidade bem diferente da que estamos acostumados na maior parte do tempo, sem deixar de ter sua importância, tanto para a época em que os contos foram criados e depois escritos, quanto para o agora e depois para o futuro também.
A obra reúne mais de cinquenta contos, sendo que alguns deles são bem conhecidos hoje em dia, como “Branca de Neve”, "Rapunzel", “A Gata Borralheira” (Cinderela), “João e Maria”, “Chapeuzinho Vermelho”, entre outros, e também alguns dos quais eu nunca tinha ouvido falar, como “O Campônico”, “As Três Penas”, “A Árvore Narigueira”, e vários outros. Há ainda aqueles conhecidos por mim e muitas outras pessoas, mas que não são tão populares quanto os primeiros citados, como “Rumpelstiltskin”, “As Viagens Pequeno Polegar” e “Os Músicos de Bremen”.
Nem todas as histórias possuem finais felizes, apesar de algumas terem, e muitas vezes o mocinho se dá mal, mas em diversas outras é o vilão que tem um final terrível, então há uma grande variedade de resoluções, sendo algumas até tristes e outras alegres. E também temos a oportunidade de conhecer alguns desfechos extras que ficaram de fora dos finais de obras mais populares do nosso tempo, como o real final que a Rainha Má teve em “Branca de Neve”, ou o que aconteceu de ruim com as irmãs más de “A Gata Borralheira”, e por aí vai.
O importante nestes contos é a lição de moral que deixa no final, fazendo com que o leitor reflita sobre o ponto central e também sobre algumas nuances dentro de cada história. Conseguimos tirar lições para os dias atuais, mesmo que os contos sejam bem antigos, o que é sempre bem interessante, mas também há algumas delas mais adaptáveis para a época em que foram escritos do que para agora.
A única coisa que prefiro deixar como um tipo de informação que considero importante é que, apesar de a linguagem destes contos serem simples e fáceis, com uma narrativa ágil e sem desenvolvimentos espetaculares, não os considero para crianças. Eu, por exemplo, não leria para uma, visto que há muita brutalidade em diversos desses contos, e cenas que poderiam ser interpretadas erroneamente nos dias atuais por aqueles que ainda são pequenos para entender as lições por trás de palavras e gestos tão negativos e/ou pesados.


Ninguém Nasce Herói - Eric Novello

Quando tive a oportunidade de receber a prova antecipada de “Ninguém Nasce Herói”, fiquei muito feliz, pois pela sinopse a história parecia incrível e original, já que temos o nosso Brasil em um futuro em que ele é liderado por um fundamentalista religioso. Outro fato que me levou a ficar bem empolgada com esta leitura foi o autor, Eric Novello, que é brasileiro, e que, como falei acima, a trama é passada em nosso país, trazendo um pouco de familiaridade aos leitores, mesmo com os locais que alguns de nós nunca tenhamos ido visitar ainda.
Neste volume vemos que o Brasil não é mais um país como a gente conhece, o presidente é um fundamentalista religioso denominado O Escolhido, e vivemos em uma ditadura, onde ser diferente é ruim. Ser gay é um pecado tão grande que é cabível de morte, distribuir livros é considerado rebeldia, e são banidos também as músicas e os filmes por motivos ridículos. E, para piorar tudo, existem também as milícias urbanas, incentivadas pelo governo, como a guarda branca, que oprime as minorias até mesmo com o uso de força.
É nesse cenário que conhecemos Chuvisco e a sua turma de amigos formados por Pedro, Cael, Gabi e Amanda. Eles são como uma grande família, sendo um grupo divertido e alegre, onde uns apoiam os outros. Como esses amigos querem muito acabar com a opressão e viver em um país livre, distribuem exemplares de livros proibidos pelo governo para quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, como forma de expressar as suas opiniões contra tudo o que se passa no Brasil.
Para completar, Chuvisco, nosso protagonista, tem catarses criativas, ou seja, a sua imaginação fica tão fértil que ele delira e interage com elementos fantásticos, como se os mesmos estivessem no nosso mundo real, e muitas vezes ele mesmo não tem controle disso. Quando vê um garoto sendo agredido pela guarda branca na rua Augusta sem ter como se defender, Chuvisco entra em uma catarse e faz o que pode para salvá-lo, como se fosse um verdadeiro super-herói, e isso não acaba tão bem, fazendo com que o nosso protagonista seja levado para o hospital.


Quando o Amor Triunfa - Giseti Marques

Este é um romance mediúnico, narrado no século XVIII em plena Revolução Francesa, que começa com a história do duque Cédric, oficial do exército francês, que era casado com uma jovem de vinte anos, de nome Geneviève Bonnet, que tinha longos cabelos castanhos claros e pequenos olhos verdes, e era uma das mais belas da corte. Estava prestes a dar à luz, sendo que, antes desta gravidez, tivera três abortos espontâneos. Infelizmente este último não foi tão diferente dos anteriores, pois, mesmo com os médicos fazendo de tudo, não conseguiram salvar ela ou o bebê. Isso ocorreu uma semana após a história que vamos acompanhar de nossa protagonista.
Voltamos então a Dijon, uma cidadezinha no interior da França, onde a baronesa Giulia Laforet, acabara de dar à luz seu terceiro filho, que nascera com problemas congênitos. Não aguentando a dor e a hemorragia, veio a falecer. Ela possuía três filhos, sendo dois meninos e uma menina, Hugo, de 12 anos, Henry que acabara de nascer, e Charlotte, de quinze anos, que é a protagonista dessa história, que vem a ser uma jovem muito sensível e bem-humorada, que ficou cuidando dos irmãos, principalmente do Henry, com muito carinho e amor.
Com o passar dos anos, apesar de Cédric ter se tornado mais fechado, também se tornou mais determinado ao apoio que dava ao povo, fazendo melhoras em sua fazenda. E fazendo com que, dentro de sua propriedade, providenciasse melhores condições para os camponeses, além de não manter escravos. Em uma de suas visitas a seus amigos, conheceu Charlotte, que já contava com seus vinte e um anos, acompanhada de seus irmãos na casa dos tios. Charlotte sempre estava com seu irmão mais novo, Henry, pois com a deficiência que ele tinha em suas pernas, tinha dificuldades em andar. E é a partir deste momento que a vida de ambos, Charlotte e Cédric, começa a se interligar e mudar.
Como podemos notar, esta obra trata-se de um romance de época unido a ensinamentos espirituais, que nos fazem refletir e entender melhor o processo da vida. É um livro que indico para quem gosta e/ou acredita no espiritismo e na encarnação, pois se não a pessoa não vai aproveitar a leitura como deveria.
Como em todo romance mediúnico, vamos encontrar dentro da história intrigas, invejas, medos, superações, determinações e consciência de que a vida não para por aqui. E aqui não é a nossa primeira e nem a última morada, pois a casa de Deus tem várias moradas. A vida segue seu curso, tanto no físico quanto no espiritual, e é lá que escolhemos nosso retorno e já aceitamos e tentamos melhorar. Esquecemos, mas combinamos que voltamos para nosso melhoramento, e para seguirmos adiante.
Me emocionou muito o jovem Henry, que ao nascer perdeu a mãe, e, mesmo a sua doença não lhe impediu de ser um espírito de muita luz. E o pouco que ficou na Terra, conseguiu transmitir apenas coisas boas e compreensão a todos que se aproximavam. Seu desencarne foi doloroso para nossos olhos, mas, para ele, foi cumprida mais uma etapa para sua evolução.
 “Tenhamos fé em Deus, minha irmã. Ele nunca deixa seus filhos à mercê da própria sorte, a não ser se procurarmos por isso”


Supergirl na Super Hero High - DC Super Hero Girls #02 - Lisa Yee

Alguns minutos antes de Krypton ser completamente destruído, Kara Zor-El é enviada pelos pais para o planeta Terra em uma nave individual, salvando, assim, a menina de um fim terrível, e ainda conseguindo manter seu planeta a salvo através dela. Por conta de complicações pelo caminho, ela acaba chegando ao nosso planeta mais de vinte anos após seu primo, o Superman, que já se tornou um grande e importante super-herói. Tio Jonathan e Tia Martha logo a acolhem e sempre fazem o melhor que podem para ajudá-la, mas está na hora de Supergirl encontrar um lugar para auxiliá-la a lidar com seus superpoderes e onde ela possa se sentir melhor consigo mesma.
Para isso, acaba indo parar na Super Hero High, não que nossa protagonista esteja realmente certa de ter escolhido o lugar correto, afinal, mesmo sendo a garota mais forte de toda a galáxia, ela é bem desajeitada, e a Wonder Woman, pessoa que Kara admira muito e de quem já virou fã, parece saber fazer tudo e lidar com qualquer coisa muito bem. Mas ela começa a se sentir bem acolhida com seus novos amigos e novas atividades para aprender a lidar com as coisas, mesmo que ainda tenha dificuldade para controlar seus próprios poderes.
Quando alguns invasores surgem na escola, na cidade de Metropolis e no mundo, Supergirl terá que se esforçar muito mais para aprender a confiar em si mesma e no seu potencial, deixando de lado sua insegurança e todos os sentimentos tristes que as vezes a dominam se quiser ajudar a salvar a todos. Mas será que ela está preparada?
Esse livro começa bem depois do final do anterior, inclusive há cenas semelhantes aqui e lá. Confesso que, apesar de ter gostado da leitura, esperava mais da mesma. Depois de ter acompanhado a Wonder Woman como protagonista do primeiro volume, acho que a Supergirl deixou um pouco a desejar, e não me senti tão conectada com ela. A trama segue um padrão semelhante com a do anterior, com nada muito grandioso acontecendo, apesar de ter alguns pontos interessantes, e a autora foca mais na parte interna dos personagens principais, que, neste caso é a Kara Zor-El.
Podemos vê-la enfrentar seus fantasmas, ao mesmo tempo em que tenta superar a grande perda que teve em sua vida, se adaptar à nova realidade que enfrenta, assim como ao novo planeta. E também vemos que Kara precisa aprender a se acostumar aos seus poderes e também ao fato de ser tão estabanada. Ela vai se esforçar para fazer novos amigos e tentar agradá-los, fazendo tudo que está ao seu alcance para ajudar o próximo, mesmo que muitas vezes acabe se precipitando e fazendo tudo errado. Gosto dessa característica da autora de nos aproximar mais dos personagens como pessoas, mas acaba tirando um pouco da parte heroica de suas jornadas, visto que não há tantas cenas assim no estilo.
Também queria que tivesse tido mais espaço para a exploração dos poderes de Supergirl de uma forma que ela não ficasse errando, sendo desajeitada e machucando os amigos. Começar assim, eu entendo, continuar com essa característica até o final, também. O que me incomoda é que isso se tornou a parte principal dela, do começo até o fim, superando até tudo de bom que ela é capaz de fazer.
Algo que adoro nessa série é o fato de encontrarmos diversos personagens dos mundos da DC em suas páginas. Grande parte dos super-heróis são alunos da Super Hero High, assim como alguns vilões, como a Harley Quinn e a Poison Ivy. Mas alguns outros são professores, como o Gorila Grodd, a diretora do colégio é ninguém menos do que Amanda Waller, entre outros professores. Além de encontrarmos referências a alguns mais velhos, como Superman.


Os Olhos do Dragão - Stephen King

Acho que um excelente modo de saber quando um indivíduo é um bom escritor é ler livros dele muito diversos, não só sob o ponto de vista do tema, mas até da narrativa, e achar que todos eles são bons. Encontrar alguém com uma diversidade tão grande é raro, pelo menos eu ainda não conheço muitos, mas Stephen King com certeza é um destes autores. E com Os Olhos do Dragão, publicado pela Suma de Letras, ele mostrou sua faceta de contos de fadas.

Era uma vez um reino chamado Delain, onde o rei Roland vivia com seus dois filhos, Thomas e Peter. Roland não era um rei que podia ser chamado de bom, pois sua preguiça e falta de inteligência não o permitiam, mas nos limites de sua capacidade ele se esforçava para deixar boas memórias em seu povo. Como conselheiro do reino Flagg, um feiticeiro, conseguia influenciar o rei. Almejando trazer o caos para Delain ele mexe suas peças para eliminar Roland e tirar o futuro rei Peter de cena. Mas Flagg, muito egocêntrico, acaba por não levar a sério seus inimigos, e não perceber que Peter tem planos para se vingar!

King nos brinda com uma narrativa feita de forma muito particular, é um contador de estórias quem nos dá detalhes de toda a trama, e que ao mesmo tempo em que fala desta estória em uma época medieval também trás paralelos (poucas vezes) com o nosso mundo e tempo. Outro ponto atípico é que ele dá spoilers do que vai acontecer, e volta no momento do acontecimento para explicar de forma detalhada como se deu o evento em questão. Logo as surpresas durante o livro são poucas, a graça está em como se deu estes eventos, e a construção dos personagens.

O livro flerta muito com o estilo dos contos de fadas, e inclusive me lembrou trechos de outros livros/contos. King buscou a repetição, a temática e conformidade dos personagens destes contos. Nestes tipos de contos, por exemplo, o protagonista se vê diante do maior sofrimento de sua vida, ele sofre, mas aceita o fardo que precisar para se libertar, ou seja, não passa seu tempo se lamentando pela sua falta de sorte, ou sobre algo sobrenatural que não deveria acontecer, ele arregaça suas mangas e parte para a ação. Esta ação se deu de forma muito prática e vezes poética.

Peter, o herdeiro do trono, é um jovem bondoso que é o preferido do pai. Embora seja nobre seu melhor amigo é um plebeu, e desde muito jovem luta pelo certo, mesmo que para isso esteja contra o que o Rei deseja. Por sua lealdade ao certo é que desperta o ódio de Flagg, e por causa do feiticeiro que acaba preso. É muito inteligente, e consegue usar a seu favor sua linhagem.

Thomas, o irmão mais novo sempre viveu nas sombras do irmão. E quando se vê como rei acredita que vai ter finalmente seu lugar ao sol, mas desejar não é o mesmo que ter, e quem nasceu para viver nas sombras está fadado a continuar nelas. Atormentando pelo que viu antes da prisão do irmão ele passa de um pré-adolescente para uma sombra de rei. Sem força de vontade ou amor próprio é incapaz de lutar pelo irmão. É invejoso e carente.


Lançamentos de Julho da Harlequin


Oii, gente! Como vocês estão? :D Hoje é dia de falar dos lançamentos do mês da Harlequin! São apenas cinco títulos, mas já quero ler todos! E vocês, o que acharam?
Coleção Belas e Feras #04 - Diana Hamilton & Miranda Lee
Troca de Aliança – Diana Hamilton
O arrogante playboy Paolo Venini precisa se casar, e a tímida Lily Frome será a perfeita noiva de conveniência. Enquanto ela se esforça para se adaptar ao glamouroso mundo de Paolo, ele prepara uma viagem surpresa à bela costa italiana de Amalfi para a noite de núpcias. Para a surpresa de Lily, Paolo espera dela mais do que um casamento de aparências: quando os dois responderem “sim”, o sedutor italiano quer que sua noiva seja dele também entre quatro paredes.
Dois Amores, Uma Vida – Miranda Lee
Adrian Palmer, um arquiteto de sucesso, sempre tem lindas mulheres em sua cama, e a bela viúva Sharni Johnson parece perfeita para ele. Após uma noite de amor irresistível, que deixa Adrian enfeitiçado, ele está disposto a tudo para tê-la novamente, mesmo que Sharni não se deixe levar por encontros casuais. O único problema é que Adrian é parecido demais com o seu falecido marido.
Amor & Honra - Emilie Rose & Elizabeth Bevarly
O Preço da Honra - Emilie Rose
Os segredos os separam!
O aristocrata e bilionário Xavier Alexandre tinha quase tudo: fortuna, fama e o amor da bela Megan Sutherland. O problema é que Xavier tem um segredo — um erro que sua honra o obriga a tentar corrigir. Megan também tem o que esconder, mas seus planos para o futuro não são páreo para o dever de Alexandre. Quando ele revela o que precisa fazer para proteger o nome da família, Megan percebe que terão que se separar, a não ser que Xavier possa reconquistá-la. E, para fazer isso, ele precisa sacrificar tudo o que mais estima.
Um Lar Para o Amor – Elizabeth Bevarly
Um romance de mentira?
Gavin Mason construiu seu império do nada, com trabalho pesado e uma determinação férrea. Mas, de repente, toda a sua reputação é posta em xeque depois do lançamento do livro de Violet Tandy, em que um personagem é muito parecido com Gavin... Considerando que ele nunca a viu na vida, a autora precisa se explicar — e muito. A bela está em dívida com ele, que está aproveitando para fingir que Violet é sua namorada. O problema é que, aos poucos, essa aproximação pode colocar em risco uma outra reputação de Gavin: a de solteirão.


Lançamento - O Escravo de Capela

Suilad!!

Hoje venho contar para vocês sobre o novo livro do autor parceiro Marcos DeBrito (confira aqui a resenha do seu primeiro livro À Sombra da Lua ) o livro O Escravo de Capela.

Sinopse:

Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore.
Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em O Escravo de Capela, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos.
Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte.
Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

“Cada página é como um golpe cruel de chicote. E sai muito sangue!”
RAPHAEL MONTES — Autor de Dias Perfeitos e Jantar Secreto Secreto



Já estou lendo o livro e em breve venho contar um pouquinho sobre ele, enquanto isso vocês podem conferir um trecho do livro.

Sobre o autor: Cineasta premiado, Marcos DeBrito vem sendo considerado a grande renovação na produção de filmes de suspense e terror no Brasil. Começou a escrever histórias que lhe vinham a cabeça apenas para lidar com seus próprios medos, na esperança de esconjurar seus próprios demônios, e calar as vozes que não o deixavam em paz.
Diretor, roteirista e escritor. O Escravo de Capela é seu terceiro livro publicado. Condado Macabro seu primeiro longa-metragem foi lançado em salas comercias em 2015. Para 2017 seu segmento apóstolos integra o longa-metragem antologia 13 histórias Estranhas II.

Para conhecer mais espiem a entrevista que fiz com o autor Aqui.

Canais para se comunicar com o autor e saber mais do autor:




A Busca Sofrida de Martha Perdida - Caroline Wallace

Curto bastante livros que trazem uma história fofa e leve, pois sempre que leio obras mais intensas e pesadas, gosto de intercalar com uma leitura mais fluida, alegre, amena, que me deixe feliz e animada quando eu chego ao fim. “A Busca Sofrida de Martha Perdida” traz uma sinopse que me prometeu tudo isso em uma leitura cheia de mistérios, um verdadeiro conto de fadas para adultos, como prometido no subtítulo.
Nesse volume conhecemos Martha, uma menina de apenas dezesseis anos bastante ingênua que vive na loja de achados e perdidos da estação Lime Street, em Liverpool. Desde que ela se lembra, sempre morou lá, já que foi achada quando bebê em uma mala e não sabe de nada a respeito de suas origens. Proibida de deixar a estação sob a ameaça de uma maldição que diz que se colocasse o pé para fora da estação, a mesma desmoronaria, destruindo tudo e colocando a vida de todos que ela ama em risco, vemos que nossa protagonista passa os seus dias esperando que alguém apareça para buscá-la. A mulher que a adotou, e quem Martha chama de mãe, uma senhora religiosa, mal-humorada e bastante rígida, que a obriga a trabalhar em sua loja de achados e perdidos, se acha no direito de explorá-la, e até mesmo bater na menina, já bateu.
Os únicos amigos de nossa protagonista são William, um sem-teto que sobreviveu à Segunda Guerra, Elisabeth, que é uma grande amiga e muito protetora, sendo mais mãe de nossa protagonista do que a mulher que a adotou, e um soldado romano. Vemos que a amizade dessa jovem é verdadeira e eles a ajudam em todos os momentos.
Sendo uma menina ingênua e acreditando em tudo o que sua mãe lhe conta, nossa protagonista, como quase toda adolescente, sonha em conhecer mais do mundo e também em saber mais sobre as suas origens. Para isso, ela deseja mais do que tudo se livrar dessa maldição que a persegue. Criada sem carinho e atenção, vemos que tudo o que Martha mais quer da vida é ser amada, e mesmo sendo avisada pelos seus amigos que nem tudo o que sua mãe fala é verdade, ela acaba não acreditando neles.
Martha também tem um grande carinho pelos seus livros, que encontrou na estação, e mesmo sem entender como alguém consegue deixar algo tão bom para trás, é através desses livros que ela consegue viajar para outros lugares e conhecer mais sobre o mundo. Por morar dentro da estação, conhece todos os segredos do local e acaba se envolvendo em alguns mistérios, porém, o maior de todos é quando ela passa a receber livros com cartas de um desconhecido que parece saber tudo sobre a sua vida.


Lançamentos de Julho – Faro Editorial


Oii, gente! Como vocês estão? :D Hoje vim falar dos dois títulos que serão publicados pela Faro Editorial este mês. Estou bastante curiosa a respeito de “F*ck Love - Louco Amor”, de Tarryn Fisher. E vocês, o que acharam?
F*ck Love - Louco Amor - Tarryn Fisher (Skoob)
Algumas vezes, o seu pior inimigo, será você. Outras, alguém para quem você abriu o coração.
Helena Conway se apaixonou. Contra sua vontade. Perdidamente. Mas não sem motivo. Kit Isley é o oposto dela – desencanado, espontâneo, alguém diferente de todos os homens que conheceu. Ele parece o seu complemento. E mesmo tão diferentes, parece que Kit consegue enxergar nela o que muitas vezes nem Helena vê.
Poderia ser tão perfeito... se Kit não fosse o namorado da sua melhor amiga. Helena deve desafiar seu coração, fazer a coisa certa e pensar nos outros. Mas quem manda no coração, e o que é o certo afinal?
Tentar se afastar da pessoa amada é como tentar se afogar. Você decide fugir da vida, pulando na água, mas vai contra a natureza não buscar o ar. Seu corpo clama por oxigênio sua mente insiste que você precisa de ar. Então você acaba subindo à superfície, arfando, incapaz de negar a si mesma essa necessidade básica de ar. De amor. De desejo ardente.
Você pode pensar que já viu histórias parecidas, mas nunca tão genuínas como essa. Tarryn, a escritora apaixonada por personagens reais, heroínas imperfeitas, mais uma vez entrega algo forte, pulsante, que nos faz sofrer, mas também nos vicia. Depois dela, todas as outras histórias começam a parecer como contos de fadas. Se você não quer se viciar, não leia a primeira página.
>> A Faro Editorial lança em julho “Fuck Love”, quarto romance da autora Best-seller do New York Times, Tarryn Fisher, no Brasil. Conhecida e amada pelos leitores por criar personagens reais, com falhas, medos, inseguranças, egoísmos e que poderiam ser qualquer um de nós, Tarryn cria o enredo de um romance possível, sem rodeios, sem fantasia. Porque na vida real, se apaixonar pode ser a pior e a melhor coisa que te acontece.
Helena sabia que era errado desejar Kit. Helena sabia que a amizade de infância com Della era mais importante. Helena sabia que existem outros homens. Sim, ela sabia, mas que droga, como você controla o que sente? Tentando sufocar os sentimentos, aprendendo a se valorizar e se descobrir, Helena entra de cabeça numa história complicada, que pode deixar um rastro de mágoas, mas que também pode ser a melhor coisa que já aconteceu na vida dela. Algumas vezes o amor é isso, caos e alegria. Só basta saber qual será a escolha dela... Um livro forte, pulsante que nos faz pensar, e acreditar que esse sim é um romance real. E depois dessa história, todas as outras vão parecer simples contos de fadas.