A Rosa e a Adaga - A Fúria e a Aurora #02 - Renée Ahdieh

Depois de enfrentar situações perigosas e ter ficado à beira da morte, Sherazade descobre os segredos por trás das terríveis atitudes de Khalid, o califa de Khorasan, e percebe que ele não é o monstro que sempre achou que era. Porém, ele realmente foi o responsável pela morte de sua melhor amiga, Shiva, então ela precisou lutar internamente consigo mesma para decidir o certo e o errado, se sua vingança deveria ir até o fim, e se seu coração estava correto em se apaixonar por este menino-homem.
Só que uma grande mudança ocorre na cidade com uma tempestade destruidora, fazendo com que Shazi precise ir embora com Tariq, seu primeiro amor. Vivendo no deserto com sua família e algumas das pessoas mais importantes de sua antiga vida, Shazi sabe que corre perigo, assim como Khalid e todo o seu povo. Por isso, ela precisa tomar muito cuidado enquanto bola um plano para salvar a todos de uma guerra iminente.
Com a ajuda de um tapete mágico e de um garoto muito poderoso, porém rebelde, Sherazade vai descobrir que seu plano precisa de aperfeiçoamento e de mais ajuda do que ela gostaria. Mas ela não vai desistir de encontrar uma forma de quebrar a maldição para salvar vidas, libertar Khalid de seus tormentos, evitar a guerra e viver seu amor. Só que precisa ter cuidado em quem deseja colocar sua confiança, afinal, a traição pode estar a apenas um passo de distância, ainda mais se magia negra e poder estão em jogo.
Quando a Globo Alt publicou o livro “A Fúria e a Aurora”, fiquei bastante empolgada para lê-lo, principalmente por se tratar de uma releitura de “As Mil e Uma Noites”, que eu já conhecia, mas não a fundo, e por trazer uma cultura e um tempo diferentes dos nossos. Minhas expectativas, então, estavam altas, e Renée Ahdieh conseguiu superá-las, trazendo uma obra completa, com ação, magia, uma protagonista feminina forte, destemida e determinada, elementos de fantasia e romance. Fiquei completamente apaixonada por tudo e precisava ler a continuação o quanto antes para saber o desfecho. E, como esta é uma duologia, não precisei esperar muito para descobrir o fim.
Nem preciso dizer que fiquei muito ansiosa para começar minha leitura de “A Rosa e a Adaga” o quanto antes e, assim que consegui meu exemplar (os Correios fizeram o favor de extraviar meu pacote, então fiquei mais de um mês depois do lançamento vendo as pessoas recebendo e eu, não), mergulhei nessa obra tão bem narrada pela autora. E não é que ela fechou a trama com chave de ouro, me deixando ainda mais apaixonada por todo o universo que criou? Já quero mais livros escritos por Ahdieh para ontem!
Quem leu o primeiro volume e/ou minha resenha de “A Fúria e a Aurora” (clique no título para conferi-la), sabe que Sherazade é uma protagonista forte e uma figura feminina admirável. Eu adoro quando as escritoras nos apresentam alguém tão destemida e importante como personagem principal. Neste volume ela continua de cabeça erguida e não se deixa abalar por nada, por mais que tudo esteja difícil e ela passe por inúmeras coisas terríveis, continua lutando e sendo resistente e impressionante.
Além de Shazi, também tivemos a oportunidade de conhecer mais a fundo outras personagens femininas fortes, que tiveram seus momentos de importância, valentia e inteligência, e só posso dizer que fiquei muito contente de vê-las aqui. Uma das que teve bastante (e bem-vindo) destaque nesta continuação é a irmã de Shazi, Irsa, que, mesmo sendo bem jovem, teve que passar por diversas coisas ruins e conseguiu superá-las e se destacar na trama. Ela foi de suma importância em momentos cruciais e gostei de ver seu crescimento e desenvolvimento. E também curti que ela tenha tido a chance de experimentar o primeiro amor neste volume, que rendeu algumas cenas para lá de fofas.
A autora trabalha bastante com amor, não apenas de modo romântico, como também entre amigos e familiares, a força e importância deste sentimento, a lealdade que ele desenvolve nas pessoas, fazendo com que elas sejam mais destemidas e façam mais por quem amam. E nesse volume também tivemos a oportunidade de acompanhar fortes amizades, que enchem nosso coração de alegria e conforto. E Ahdieh ainda nos mostrou a redenção de um personagem muito importante num momento valioso, que mudou completamente os rumos das coisas. Ou seja, muitos sentimentos à flor da pele com o desenrolar do enredo.
Para quem espera um livro cheio de ação e aventura, já devo avisar que não vai encontrar isso neste exemplar. Na verdade, toda a trama é até bem calma, com mais planejamentos do que ação de fato, apesar de termos bastante movimento em alguns momentos. Porém, eu gostei disso, já que o primeiro volume seguiu algo semelhante, e também acho que combinou com a história.

Também achei interessante a exploração da magia feita por Renée, que optou por um uso bem maior da mesma neste segundo volume, sendo manipulada por diversos personagens diferentes, e com utilização de suma importância para o desenrolar dos fatos e também como “chave” para algumas das resoluções de coisas que iam ocorrendo. A magia, inclusive, foi vital para a trama ocorrer da forma como aconteceu, e eu adorei isso.
O romance também está presente nesta continuação e posso afirmar que continua sendo fofo, mesmo não sendo meloso, e nos faz suspirar profundamente. Adoro esse casal, que se tornou um dos meus literários favoritos. A química e a cumplicidade dos dois é evidente, de uma forma que nos faz perceber que eles são perfeitos um para o outro, e eu adorei toda e qualquer cena de interação entre Shazi e Khalid.
Devo confessar que a autora conseguiu me pegar desprevenida numa ocasião que deixou meu coração na boca, ávida por virar páginas para saber se aquela cena terrível teria de fato se realizado. Eu cheguei a pensar que, sim, ela seria malvada a esse ponto (já vi autoras fazerem isso e foi horrível), então já estava preparada para odiar o final do livro. E eu ficava pensando: depois de tudo indo tão bem, de eu ter adorado cada página, ia odiar tudo no fim?! Mas, por sorte (e bom senso hahaha), ela encheu meu coração de alegria de volta e consegui amar o final – apesar de ter desejado que uma morte não tivesse acontecido, o que seria melhor sob meu ponto de vista.
Só acho que ela apelou um pouquinho com esta morte importante existente neste exemplar. É claro que eu não gostei disso, porque era um personagem que eu realmente adorava e não queria que tivesse tido esse final, porém não foi apenas esse fato que me desagradou. Acho que a cena foi bem fraca e sem graça, e deu uma impressão de que a autora só incluiu essa morte para poder dizer que elas são inevitáveis, ainda mais em uma “guerra”. Não senti muita emoção vinda de ninguém, e não acho que a cena teve um bom desenvolvimento e facilmente poderia ter sido evitada da maneira como foi (gente, tinha pessoas com magia naquele recinto! E pessoas com muitas habilidades de luta e outras coisas mais!), nem senti aquele peso dramático ou triste que deveria ter vindo com ela, nem com as consequências da mesma (e acho que ela foi meio que esquecida muito facilmente). Então fiquei com a impressão de que a cena ficou meio forçada só para ter uma morte importante, mas acabou saindo sem muito sentimentalismo, mesmo que tenha sido de fato com alguém significativo que merecia mais sentimentos alheios.  
Gostei muito deste volume, apesar de ainda ter preferido o primeiro. Se eu desse casas decimais de nota na minha avaliação, teria dado 4,5. Porém, como só damos valores inteiros, acho que se aproxima mais do quatro do que do cinco, já que a construção da trama é maravilhosa, o desenvolvimento do enredo também, os personagens são ainda melhores, e o cenário e a cultura casaram muito bem com tudo, rendendo um ótimo pano de fundo para a história. Só que eu odiei a morte e a falta de importância que ela teve na trama, além de realmente achá-la desnecessária.
A capa segue um padrão com a do primeiro, sendo que neste volume a cor predominante é o vermelho e no anterior era o azul. Adorei as ilustrações, tanto quanto as do anterior. A diagramação é simples e muito confortável para uma leitura fácil e rápida, e as páginas são amarelas.
“A Rosa e a Adaga” é um desfecho maravilhoso para uma duologia que começou com chave de ouro. Recomendo ambas as leituras para quem curte obras de fantasia com romance, aventura, magia, personagens dignos de palmas e um pano de fundo espetacular. Leiam, leiam, leiam!

Avaliação




Comente com o Facebook:

Nenhum comentário:

Postar um comentário