O Diário de Bridget Jones - Bridget Jones #01 - Helen Fielding

Bridget Jones é uma mulher comum, com quase trinta anos, solteira e que vive em luta com a balança, com as bebidas e os cigarros que consome, e sem saber como lidar com seus pais, que estão passando por uma fase diferente. Vivendo em meio a situações embaraçosas, conversas hilárias com os amigos, marcando presença em jantares e festas familiares ou de amigos dos pais, e num emprego que não a desafia, Bridget vai divertir os mais diversos leitores.
Agora que percebe que seu caso com o chefe pode não passar para um nível mais sério, que aquele homem arrogante que conheceu na casa de um amigo da família pode ser mais interessante do que esperava, e que conseguiu um novo emprego, talvez sua vida vá tomar um rumo melhor. Ou talvez não. Resta ler seus diários para embarcar na vida perfeitamente imperfeita de uma das protagonistas femininas mais famosas da literatura.
Se não me engano, “O Diário de Bridget Jones” foi o primeiro chick-lit que li na vida. E isso já faz quase dez anos! Me lembro que eu tinha amado a obra e considerado uma das minhas melhores leituras, entrando, inclusive para o hall de favoritas. Mas, naquela época, eu estava começando a me viciar em livros, porque, por mais que eu tenha lido bastante desde que aprendi a ler (e ainda antes, só que eu só ouvia as historinhas que minha mãe lia para mim), foi desde este período que eles realmente começaram a fazer uma grande parte da minha vida, do meu dia a dia, das minhas prateleiras e da minha casa.
Sempre que alguém pedia indicação de um título para nos fazer dar gargalhadas, um bom chick-lit, uma leitura leve e divertida, eu sempre indicava este. Só que eu não tinha um exemplar na minha estante, porque ele era sempre muito caro. Até que, este ano, a Paralela, selo da Companhia das Letras, divulgou que iria publicar uma nova edição dos três primeiros volumes e mais o lançamento, “O Bebê de Bridget Jones”, que acompanha o filme homônimo que chegou aos cinemas no final de 2016.
Com o lançamento das novas edições, com novas traduções e capas lindas em soft touch (aveludadas), coloridas e ilustradas (as anteriores eram beeeem feias), eu sabia que precisava tê-las na minha estante e refazer as leituras dos dois primeiros volumes e a do novo (o terceiro livro eu não tenho a mínima vontade de ler, então provavelmente não vou fazer isso nunca), então logo que eles foram lançados, corri para ler.
Agora, depois de todos esses anos e mais de quinhentos livros lidos, posso dizer que não foi tão maravilhoso quanto eu me lembrava. No entanto, ainda é uma leitura ótima, divertida e alto astral. Bridget é uma personagem engraçada, que se mete nas maiores enroscadas e o Darcy é completamente apaixonante, isso não podemos negar. Mas não considero mais tudo aquilo que eu considerava antes. Acho que faltou algo e sobrou Daniel Cleaver, porque ele é bem chato e irritante, e não sei como Bridget demorou tanto tempo para cair em si com um homem destes!
Talvez eu não estivesse num ótimo momento para a leitura, talvez eu tenha lido muitos livros tão melhores neste meio tempo que, em um comparativo, este tenha caído um pouco na minha lista de preferências. Ou talvez eu simplesmente tenha amadurecido de forma diferente, fazendo com que eu goste mais de outro tipo de leitura atualmente. Mas o que importa no final de tudo é que, mesmo não tendo amado a leitura, eu adorei-a novamente. E, sim, vou continuar lendo os demais volumes, e venho comentar com vocês a respeito deles em breve.
Bridget Jones é uma personagem carismática e divertida, que tem péssimas ideias e amigos ótimos (sorte a dela, porque é cada situação em que se mete!). Duas coisas que me incomodam na personagem são seu vício por bebidas e cigarros (ela não consegue parar com nenhuma das duas coisas) e em Daniel, e demora muito para se livrar dessa cisma que tem com ele.
Algo que acho muito interessante é que, apesar de este livro ter sido publicado originalmente há vinte anos, ainda traz bastante coisa atual, principalmente em se tratando de ser uma mulher solteira com quase trinta anos. Eu sei que a sociedade atual já está um pouco melhor e mais evoluída, mas ainda há bastante destas questões a serem trabalhadas e muitas das opiniões que aparecem no livro acontecem na vida real ainda hoje. E acho ótimo que Bridget saiba lidar com todas essas coisas da melhor maneira possível.
Também é maravilhoso ver o quão crível e identificável é essa história, visto que muitas de nós passamos por situações semelhantes em nosso dia a dia, seja por finais de relacionamentos nada agradáveis, relacionamentos com os pais cheios de altos e baixos, busca por uma carreira diferente e muita diversão com os amigos, entre outros. Claro que eu torço para ninguém passar tantas situações constrangedoras quanto Bridget, mas todas passamos por algumas delas ao longo da vida, então a melhor maneira de lidar com tudo é divertindo-se no caminho.
É claro que não poderia deixar de ter um bom romance, e o deste volume é fofo. Pelo menos quando pensamos em Darcy (que infelizmente ainda não aparece tanto assim), porque, quando há a outra ponta do triângulo amoroso, Daniel, fica meio irritante. Ainda mais levando em consideração que esta é uma versão moderna um pouco inspirada em “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, então não tem nem como amar o Mr. Darcy daqui também.
E, mesmo sendo tão diferente deste clássico, ainda dá para notarmos muitas semelhanças sutis no decorrer da trama, mesmo que alguns dos acontecimentos ocorram com pessoas diferentes do que na história original, como, por exemplo, a fuga da irmã, que aqui é vivenciada pela mãe.
Como o próprio título já revela, este livro é como se fosse um diário pessoal de Bridget, onde ela conta sobre as situações que enfrenta em seu dia a dia. Então vamos acompanhar a trama em primeira pessoa sob o ponto de vista dela, com capítulos iniciados com a data e um pequeno trecho onde ela comenta sobre seu peso atual (acho que fez alguns dramas desnecessários, já que se acha gorda com menos de 60 kg), calorias, seus hábitos alimentares, unidades alcoólicas e cigarros consumidos aqueles dia, e é dividido por horários.
Adoro os filmes com Renée Zellweger e Colin Firth no elenco, e acho que o primeiro (o segundo eu ainda tenho que rever depois da minha releitura) é bastante fiel ao livro. Mesmo que ainda há algumas diferenças, porque estas sempre existem, e que algumas situações tenham sido modificadas um pouco (algumas ficaram ainda melhor na adaptação cinematográfica), acho que vale a pena a experiência, então indico que todos leiam primeiro e assistam o filme depois, até para não estragar a leitura com spoilers. E façam ambas as coisas, porque é muito gostoso.
“O Diário de Bridget Jones” é uma obra leve, divertida e descontraída que merece ser lida por todos que curtem histórias do gênero chick-lit ou aqueles que querem para passar bons e engraçados momentos na companhia de um livro. Mesmo depois de 20 anos da publicação original, este título continua sendo atual, e você com certeza vai se identificar com a personagem ou uma das situações que ela vive, seja porque você vivenciou ou apenas conhece alguém que tenha passado por algo semelhante. Recomendadíssimo!
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