Razão e Sensibilidade - Jane Austen

Continuando no clima inglês sem querer querendo, finalmente li Jane Austen, comecei com Razão e Sensibilidade, publicado pelo selo Peguin Companhia.

Elinor e Marianne Dashwood acabam de se mudar para um novo lar, repletas de esperança de que dias melhores virão elas estão animadas para o que a vida preparou a elas. Elinor acredita que já tem seu destino amoroso quase certo, enquanto que Marianne é surpreendida por uma paixão repentina. Mas nesta sociedade da alta aristocracia, onde dinheiro e classe social é o que mais importa, estas mulheres irão descobrir da pior forma que o amor está atrás de qualquer de outro interesse, e terão que aprender a equilibrar a razão e a sensibilidade!

Eu adoro um bom romance de época, na verdade eu amo Lisa Kleypas, e acreditava que tudo que era escrito neste gênero partia de Jane Austen. De certa forma sim, o gérmen está na narrativa em terceira pessoa que explora estas duas irmãs na sociedade inglesa, assim como as atuais autoras do gênero. Mas depois de ler estas contemporâneas eu esperava algo como elas, e Austen é muito mais cadenciada,  seu ritmo de escrita é lento, e demoram a acontecer os eventos. Seu foco é nos personagens e em seu dia a dia psicológico, com pouco ou quase nada de descrição do ambiente ou qualquer item que fuja ao já mencionado.

Senti muita falta de descrições do ambiente, e de uma narrativa que explorasse um pouco o pano de fundo. Ela cita lugares, e até endereços, mas é só isso. Se você pretende imaginar onde os personagens estão não existe elementos suficientes para isto. Logo uma das coisas que mais gosto em livros foi falha, embora eu me sinta até mal em falar algo de ruim de uma autora tão consagrada rs!

A família Dashwood é muito unida e amorosa entre si, e tem um ponto em comum: a inocência a ponto de conversar e flertes se transformarem em noivado, e um bom coração a que mesmo diante dos atos ruins que outros cometem contra elas, estas encontrarem justificativas para os atos destas pessoas. Isto me surpreendeu, porque embora eu compreenda que as relações de homens e mulheres sejam cheias de etiqueta eu não consegui imaginar como alguém se acha noivo de alguém sem de fato falar sobre isto. Ou diante de uma verdade tão clara elas ainda tentarem justificar o que não tinha uma justificativa.

O título do livro se refere a cada uma das irmãs, Elinor é a razão, embora seja repleta de sentimento ela não o demonstra, é muito racional. Diante de problemas ou situações que gerem emoção ela consegue se manter equilibrada, enganando até mesmo sua família quanto ao que sente e até sabe. É muito dedicada a sua irmã, e a sua própria palavra.

A Sensibilidade é Mariane, que acreditava nunca encontraria um homem que se encaixasse na sua lista de exigências até encontrar com Willoughby que a arrebata completamente, e posteriormente a faz cair em uma espiral de loucura. Ela não consegue ser racional, é muito intensa e honesta, ao mesmo tempo em que não mede suas palavras quando acredita estar certa.

John Dashwood é o pretendente de Elinor, mas sua verdadeira natureza só se mostra mais a frente na estória, ele tem uma personalidade fútil e fraca, o que o leva a sua falência. O casal Middleton é dono do chalé que a família Dashwood aluga, são muito festeiros e não conseguem ficar sozinhos nunca! Sir John é um sem noção quanto a ser inconveniente.

Mrs. Jennings é a mãe de Lady Middleton, e acaba se aproximando muito das irmãs, ela adora arrumar casamentos para suas conhecidas, e é responsável pela temporada das duas em Londres. Embora tenha uma língua maior que a boca, tem boas intenções e se sente responsável por elas. Já o Coronel Brandon, amigo da família Middleton acaba por se mostrar um amigo fiel a todos que se aproxima.

Outros personagens ainda surgem, a variedade é grande, mas os que mais tem espaço são os citados acima. A partir de seus diálogos e atitudes conseguimos delinear cada um deles. No fundo todos tem em comum as regras da sociedade, alguns a segue fielmente, outros conseguem passar por cima de algumas em nome do bem estar dos que amam.

O Livro conta com um prefácio de Ros Ballaster e uma introdução de Tony Tanner, mas deixei ambos para o fim do livro já que logo de cara é avisado que estes contam detalhes do enredo. Este volume conta ainda com notas, cronologia e indicação de outras leituras relacionadas.

Razão e Sensibilidade foi publicado em três livros em 1811, e foi o primeiro livro da autora. Por isso espero mais de suas outras obras, já que primeiros livros nem sempre mostram todo o potencial dos mesmos. É um romance íntimo, e nos convida a viver próximo, muito próximo destas mulheres que procuravam um bom casamento ao mesmo tempo que despertavam para o amor.

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