A Verdade Sobre Amores e Duques - Querida Conselheira Amorosa... #01 - Laura Lee Guhrke

Henry Cavanaugh é o duque de Torquil e leva muito a sério todas as suas responsabilidades, tanto com o título como com o fato de ser chefe de sua família, e sempre faz de tudo para proteger aqueles que ama. Ele é uma pessoa tranquila que busca um casamento calmo e ideal, e uma vida organizada, com tudo seguindo conforme deve ser, sem complicações pelo caminho. E o amor não é algo que busque ou espere encontrar. Mas é claro que essa vida está bem longe de ser conquistada, afinal sua família, composta por duas irmãs solteiras, um irmão mais novo sem dinheiro, um cunhado acomodado e dois sobrinhos endiabrados, além de sua mãe que até ontem era a mais sensata de todas, está sempre fazendo algo que o deixa de cabelo em pé.
Mas ninguém ainda tinha tido a audácia de sua mãe: uma viúva que decide se casar com um homem estrangeiro, sem títulos, com quem está envolvida num escândalo perante a sociedade, só porque ela recebeu este conselho de uma anônima conselheira do jornal, que assina suas dicas como lady Truelove. E, para piorar, ela sai de casa sem nem avisar a ninguém que iria embora, nem para onde, somente que tinha intenções de casar com aquele homem, que nada mais é do que um tremendo interesseiro. Porém, é claro que Henry não pode deixar isso passar sem tomar uma atitude, e faz de tudo para que ela mude de ideia, inclusive faz questão de conhecer essa tal de lady Truelove com o intuito de que ela lhe ajude dizendo onde sua mãe se encontra e também mude seu péssimo conselho, fazendo com o nome de sua família possa ser salvo desse escândalo que está prestes a tomar proporções irreparáveis.
E é por isso que ele conhece Irene Deverill, mulher forte, com uma personalidade bem à frente de seu tempo, que batalha todos os dias pelos direitos femininos e também para manter sua família de pé, com dinheiro e um pouco de dignidade que sobrou depois que sua mãe se foi, seu irmão mudou de país e seu pai se afundou nas bebidas, deixando as filhas sem quaisquer perspectivas boas. Por conta disso, ela tomou a frente nos negócios da família, que nada mais é do que um jornal de sucesso, onde agora ela trabalha comandando-o e conseguiu trazer o prestígio que antes tinha, além de mantê-lo a salvo e rendendo lucro para sustentar sua família.
Tudo está seguindo normalmente, até que o duque de Torquil entra em seu escritório, exigindo coisas que ela não vai fazer, principalmente porque sabe muito bem como essas pessoas que possuem título agem, como se fossem os donos de tudo. Ela já teve experiências ruins com indivíduos da alta sociedade e vai fazer o que for para evitar muito contato com eles, exceto pelas partes em seu jornal que falam justamente sobre eles. Mas é claro que Henry não vai deixar barato sua recusa em ajudá-lo e vai conseguir um acordo com o pai dela usando, claro, seu dinheiro e fama, fazendo com que ela acabe tendo que ceder um pouco para não se prejudicar e também a sua irmã. E é nesse novo contato aproximado entre os dois que ambos percebem que talvez julgar uma pessoa premeditadamente não seja a melhor opção. E quando sentimentos entram em jogo eles terão que escolher entre o que é mais importante: sua vida e sua felicidade própria ou ceder para se encaixar na vida de outra pessoa só por causa do amor.
Quando eu era mais nova, tinha decidido que não gostava muito de romances de época, ainda que nunca tenha parado para dar uma chance para algum deles já que pensava que não ia gostar. Sim, eu estava erradíssima, afinal hoje amo o gênero com todo o meu coração. Mas quando somos adolescentes nem sempre pensamos da maneira mais correta. Depois de ter escutado diversas pessoas falando sobre como essas histórias geralmente são divertidíssimas e com casais maravilhosos, decidi que deveria dar uma chance ao gênero. E foi justamente Laura Lee Guhrke a minha escolha como primeira autora para conhecer esse universo de damas e cavalheiros no Século XIX. Então, quando soube que seu segundo livro (sim, só existia um único livro da autora publicado no Brasil) seria lançado por aqui, de sua nova série, sabia que precisava lê-lo e estava ansiosíssima para começar, afinal foi graças a ela que mergulhei no gênero, me apaixonei e logo fui procurar mais livros, já que tinha amado tanto sua história.
Mesmo depois de anos sem ler títulos da autora e tendo no currículo de leituras do gênero diversos exemplares das mais variadas escritoras, devo dizer que Laura continua sendo uma das melhores. Suas tramas são maravilhosas, encantadoras, apaixonantes e divertidas! E nos deixam com um gostinho de quero mais delicioso ao fecharmos a última página do exemplar. Espero que a Harlequin continue publicando-a, tanto essa série quanto outras que já escreveu.
De todas as obras de romance de época que já li até hoje (e, sim, foram muitas, levando em consideração que este é meu gênero favorito), Irene Deverill é a protagonista feminina mais feminista e independente, levando suas atitudes para níveis muito maiores do que as lutas verbais e pequenas ações para a liberdade da mulher e a igualdade do sexo. Ela trabalha em seu próprio jornal como chefe, e toma decisões muito importantes, participa de eventos, reuniões, entre outros. E, assim como outras mulheres, faz de tudo para buscar um lugar melhor no mundo para o sexo feminino, e também batalha para conseguir melhorar os direitos de todas, inclusive faz parte de movimentos para que possam votar. E ela sempre tem um discurso preparado para apoiar a causa e sempre tenta mostrar a todos a maneira ideal de pensar e agir em relação aos direitos iguais.
Gostei muito do duque de Torquil, sua personalidade e sua atitude com relação a querer ajudar e proteger sua família. E, principalmente, adorei ver a evolução da maneira de pensar e agir dele depois que percebeu que só porque viveu aprendendo algo a vida inteira, não torna aquilo uma verdade absoluta. E que, sim, o mundo tem muito mais possibilidades e nuances e nada é apenas preto ou branco. Fora que seu passado revelou alguém bem diferente do que ele demonstra e faz parecer por fora, muito mais interessante e que aprende com seus próprios erros para melhorar e até mesmo aceitar o amor novamente, ainda que de forma distinta.
Algo bem bacana que a autora trabalhou nesta trama e que também serve para os dias atuais, mesmo que os detalhes sejam diferentes, é como o amor, mesmo que grande, não deve interferir na vida da pessoa e o que ela busca para sua felicidade individual, o que quer da vida e quais são os seus sonhos pessoais. Você provavelmente não vai ser inteiramente feliz se basear sua felicidade no que faz seu companheiro feliz, naquilo que ele vive ou no que está envolvido, deixando de lado quaisquer coisas que te agradem ou que goste de fazer só para acompanhá-lo em algo porque ele ou pessoas de fora consideram que seja mais importante do que o que você faz. Isso tudo só resultaria em frustração e ressentimento no futuro e possivelmente uma pessoa amargurada. O ideal seria encontrar um ponto de equilíbrio entre tudo, resta saber se todos somos evoluídos o bastante para isso e se Irene e Henry conseguiram.
Como geralmente acontece com obras do estilo, a série Querida Conselheira Amorosa... é independente e cada volume possui seu próprio casal de protagonistas, sendo que alguns deles fazem participações em outro livro, com história completa, com começo, meio e fim e romance de tirar o fôlego. Então eles podem ser lidos de maneira independente e fora de ordem. Mas é sempre melhor ler na sequência. A continuação, “The Trouble with True Love”, que conta a história da irmã de Irene, Clara Deverill, que conhecemos bem pouco até o momento, foi publicada em janeiro deste ano lá fora e já estou contando os dias para que a Harlequin traga para os leitores brasileiros.
E essa capa?! A-M-E-I! É, provavelmente, a minha preferida de todos os Romances de Época já publicados no Brasil. Espero que as continuações ganhem capas tão bonitas quanto esta. A diagramação é confortável para a leitura com texto bem espaçado e fonte em bom tamanho, além de contar com páginas amarelas, o que sempre ajuda.
“A Verdade Sobre Amores e Duques” é um delicioso romance de época, leve, envolvente e descontraído, com uma protagonista feminina forte, independente e admirável, que busca o que é certo e faz de tudo para propagar um pensamento evoluído e moderno em todos que conhece, um mocinho apaixonante e equilibrado e diversos outros personagens adoráveis. Recomendo até de olhos fechados!
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