Promoção – Adeus Ano Velho, Feliz Livro Novo – Versão 4.0

Oii, gente linda! Tudo bem com vocês? O post de hoje é para finalizar o ano com chave de ouro: um sorteio novo valendo livros incríveis! :D :D :D Essa é a versão 4.0 da promoção Adeus Ano Velho, Feliz Livro Novo, pois já virou tradição aqui do blog, então todo final de ano fazemos uma nova! Esperamos que gostem e participem bastante!
Aproveito para desejar a todos vocês um FELIZ ANO NOVO!! Que 2014 seja um ano incrível, cheio de realizações, muita saúde, amor, amizade, companheirismo, fé, paz, e MUITA felicidade! Que suas vidas sejam marcadas positivamente e que o ano de vocês, seus familiares e seus amigos, seja muito bom e memorável. Nos vemos no próximo ano!
Ah, também quero aproveitar para dar um recadinho sobre os prêmios das promoções passadas que alguns leitores ainda não receberam. Fomos aos Correios levando os pacotes de quem deu os dados para envio, mas a moça de lá falou que se não fosse urgente era melhor deixarmos para o começo de 2014, já que nessa época muitas correspondências se perdem no caminho. O medo foi maior, então adiei o envio para o começo de janeiro, mas podem ficar tranquilos porque todos vão receber seus prêmios lindos muito em breve! :D
Agora vamos conhecer a promoção da vez! Serão 6 ganhadores e cada um vai levar um kit com 3 livros (alguns ainda incluem brindes e marcadores). Confiram as regras e participem!
Sabemos que muitos de vocês adoram sorteios via Rafflecopter, mas existem alguns que não curtem muito esse método, pensando nisso resolvemos agradar os dois públicos e faremos um sorteio entre os comentaristas desse post e os outros pelo Rafflecopter.
Prêmios

>> A Seleção, de Kiera Cass;
>> Dois livros “Entre o agora e o nunca”, de J.A. Redmerski;
>> Atormentada, de Jeannine Garsee;
>> Amber House, de Kelly Moore, Tucker Reed, Larkin Reed;
>> Midnighters, de Scott Westerfeld;
>> A Proposta, de Katie Ashley (Quem escolher esse tem que levar O Pedido também);
>> O Pedido, de Katie Ashley (Quem escolher esse tem que levar A Proposta também);
>> À Sombra da Lua, de Marcos DeBrito;
>> Meu amor, Meu bem, Meu querido, de Deb Caletti;
>> Laços Inseparáveis, de Emily Giffin;
>> A Vida sem graça de Charllynho Peruca, de Gustavo Piqueira + Bloquinho + Marcadores;
>> Gigantes, Cuidado!, de Rafael Rosado e Jorge Aguirre + Kit V&R;
>> Reflexões diárias 3, de Zibia Gaspareto;
>> Kit com: Ousadia, de Tawny Weber + Correndo Risco, de Lori Foster + Fronteira do Desejo, de Blythe Gifford;
>> A oração de São Francisco, de Anderson Cavalcante e Gabriel Perissé;
>> Luiza Brunet, de Laura Malin;
>> Escolha sua vida, de Paula Abreu.
Regras
>> O primeiro ganhador será escolhido através de um sorteio entre os comentaristas desse post. Para participar, basta deixar um comentário com conteúdo (não apenas “Participando!”) com meio de contato.

>> Os comentários do Facebook vão receber números após os comentários do blogger, de acordo com a data de publicação. Ou seja, se existirem 10 comentários no blogger, o primeiro publicado no Facebook receberá o número 11, e assim por diante.
>> Todos os outros cinco ganhadores serão sorteados pelo Rafflecopter. As regras estão no próprio aplicativo. Confiram! Quem tiver alguma dúvida, pode perguntar.
>> Cada ganhador, na ordem do sorteio, sendo o primeiro entre os comentaristas e os outros no Rafflecopter, poderá escolher os livros de sua preferência. Lembrando que o último sorteado leva os três livros que sobrarem.

Esperamos que tenham gostado! Participem bastante, e boa sorte!! <3


In Our Living Room - Marcos DeBrito





Na Coluna In Our Living Room de hoje conhecemos um pouco mais sobre o escritor Marcos DeBrito, autor do livro A Sombra da Lua, publicado pela editora Rocco.

Sobre o Autor: Nascido em Florianópolis (SC) mudou-se para São Paulo em 1998 para estudar Cinema. Desde o ano de 2001 trabalha com cinema como diretor e roterista com diversos curta-metragens premiados, entre eles seu primeiro longa-metragem "Condado Macabro". 

Canais para se comunicar com o autor e saber mais do autor:

A literatura é como uma semente, uma vez semeada não faz outra coisa a não ser crescer, expandir e dar frutos. Quem foi na sua vida que plantou esta semente em você? Como foram seus primeiros contatos com a literatura?

Lembro que desde sempre gostava de escrever. E não eram sobre eventos cotidianos ou “minhas férias” como os professores insistiam em pedir. De alguma maneira eu sempre encontrava um jeito de distorcer a realidade para trazer o mórbido ou o sobrenatural às redações, mesmo na infância. Gostaria de dizer que a Escola quem plantara essa semente, mas não. Foi algo além da minha compreensão. Eu não escrevia por gostar de ler. Eu escrevia por querer tirar algo de mim que eu não entendia. Não lembro meu primeiro contato com a literatura, mas o primeiro livro que me pegou foi “Noite na Taverna”, do Álvares de Azevedo.

O que lemos ao longo de nossa história fica guardado em nós como referências positivas (autores que amamos e que queremos ter/ser) e negativas (o que não gostamos, ou simplesmente não nos identificamos). Quais são os autores que fazem parte da sua história literária?

Não acredito ter influências negativas de autor nenhum por assumir muito bem qual a minha preferência literária. Porém, positivas, ou que tiveram alguma culpa por eu querer publicar algo, além do Álvares de Azevedo posso apontar: Edgar Allan Poe, Goethe, Bram Stoker, Mary Shelley e Saramago. Deste último mais especificamente o livro “Intermitências da Morte”.

Livros são ótimos amigos, os livros favoritos então são como melhores amigos. Pensando em tudo que você leu qual seria o livro que você tem como obrigatória a leitura? Porque ele é tão importante para você?

Considero dois textos como leitura obrigatória. Seriam, em igual importância, o conto “O Corvo” do Edgar Allan Poe, e o livro “Macário” do Álvares de Azevedo. Em ambos, a maneira poética como as palavras são encadeadas transcende o mero sentido da trama. Essas histórias foram importantes para mim porque criaram a minha fixação pela Segunda Fase do Romantismo e me mostraram que quando uma história é escrita com tamanha devoção e cuidado ela pode ir além da imersão para tornar-se parte da personalidade de quem a ler.

O mercado editorial brasileiro é pobre em espaço e investimento em autores nacionais, são poucos que conseguem publicar seus livros, e mais raros ainda em editoras grandes como é seu caso com a Rocco. Como foi o processo de publicação do seu livro, quais foram as dificuldades?

Como eu não tinha experiência, ou qualquer tipo de contato no ramo literário, resolvi pesquisar as maneiras de como enviar um original às editoras e segui à risca as diretrizes. Lembro bem que eu havia colocado a Rocco como inatingível; isso por razão das ótimas escolhas de publicação que fizeram ao longo dos anos. Estar na mesma prateleira que a Anne Rice parecia uma pretensão que não me cabia, mas hoje encontro o “À Sombra da Lua” ao lado do “A Dádiva do Lobo” em algumas livrarias.
Mas para chegar até aí foram alguns anos de trabalho. Após terminar o livro passei por duas revisões literárias e reescrevi o texto algumas vezes. Só encaminhei para a Rocco quando estava seguro de que era aquela a história que eu queria ter publicada. Depois, dentro da editora, fomos trabalhando para o texto ficar ainda melhor. A Rocco fez um novo trabalho de revisão, deu algumas sugestões e fomos adequando o livro final.

Em seu livro À Sombra da Lua você trabalha com um ser fantástico ainda não muito popular e trabalhado na literatura fantástica. Porque entre tantos seres que existem você escolheu os lobisomens? Alguma afinidade pessoal com eles?

A dualidade da licantropia sempre me interessou muito por ser uma oportunidade para criar uma história cheia de ramificações. O verdadeiro sentido da maldição do homem que se transforma em criatura é o de apresentar a Besta que habita na alma humana. Enquanto um homem comum precisa respeitar determinadas normas de comportamento, quando transformado, ele segue seus instintos primários ignorando a ética e moral. Isso me trazia uma gama de ideias onde eu poderia discutir algumas questões filosóficas e expor um conhecimento folclórico, mitológico e religioso pouco conhecidos para a maioria das pessoas.

Seu livro é repleto de referências bíblicas, mitológicas e históricas, quais são as fontes que utilizou para criar a mitologia lupina de seus lobisomens? Algum autor que tenha lhe inspirado?

Os autores que eu tive como referência estão, inclusive, citados no próprio “À Sombra da Lua”. Não me baseei em ficção, mas sim em relatos tidos como reais para criar a história que se passa em Vila Socorro. A Enciclopédia de História Natural do filósofo romano Plínio, O Velho, morto na erupção do Vesúvio, foi um alicerce para afirmar que os cynocephali (cabeças de cachorro) existiram em determinado momento da nossa História. E as ilustrações nos também citados Saltérios de Kiev e Teodoro legitimam essa afirmação. Mas a base mais importante foi a lenda grega do rei Licáon, que gerou a terminologia “licantropia”. Todo conhecimento do personagem Valêncio foi retirado de livros reais.

Na minha opinião é difícil adaptar os seres fantásticos ao cenário brasileiro sem causar um ser estranhamento, eles acabam soando como uma adaptação do que existe no mercado internacional, e não como uma produção autêntica. Entretanto À Sombra da Lua não sofre desse problema, a história brasileira aparece na medida certa no desenrolar dos fatos. Qual foi seu critério no momento de escolher quais momentos da história utilizar e como fazê-lo?

Para ambientar uma criatura proveniente da Europa em nossa geografia, escolhi o final do século XIX por ser um momento onde a imigração italiana para o interior paulista estava no auge. Sempre tive uma preocupação latente em tornar a história verossímil. Ao escrever literatura Fantástica um autor precisa entender que o leitor tem um limite para aceitar as quebras de realidade. Busquei respeitar isso trazendo uma situação improvável, porém ambientada num mundo conhecido e real, respeitando, inclusive, o calendário lunar da época.
Acho que algumas das vantagens do livro para deixá-lo autêntico foi ter mesclado histórias do nosso folclore com relatos europeus da época da Inquisição e discutir racionalidade e fé com embasamento em textos bíblicos reais e livros apócrifos que consegui ter acesso.

Além de escritor você também é cineasta, pensando no cinema o que tem achado das adaptações literárias de livros para os cinemas? Você gostaria de em algum momento transformar seu livro em um filme?

Eu sou cineasta por formação e a tenho como profissão principal. Talvez por isso eu acredite que é errado comparar uma obra com a outra. Na literatura você entra nos pensamentos dos personagens e os conhece mais a fundo, enquanto no cinema você apenas os vê e os ouve. Ouço bastante a máxima “o livro é melhor do que o filme”, mas considero uma comparação injusta. São mídias distintas. Em uma você tem o artifício de descrever o sentimento, enquanto na outra você precisa transmiti-lo através de enquadramentos de câmera, dramaticidade de luz, velocidade de corte e ações e olhares dos atores.
O “À Sombra da Lua” foi escrito primeiramente como roteiro cinematográfico chamado “Vila Socorro”, mas como era um projeto muito caro e longo, resolvi adaptá-lo para romance antes de filmar porque a realidade do cinema no Brasil é ainda mais difícil que a do mercado editorial. Eu gostava tanto da história que não queria correr o risco de ela não existir, por isso adaptei. Mas sim, transformá-lo em filme está na minha lista de projetos.

À Sombra da Lua termina com um gancho para um próximo livro (vampiros eu entendi correto rs?! a Bruna pula de alegria! rs!) haverá continuação das pesquisas de Valêncio na Romênia? Quais são seus futuros trabalhos literários? (fique a vontade também para divulgar suas produções cinematográficas).

Rs... É... Não dá pra esconder que eu direcionei o final do livro para isso, né? Já estou rascunhando duas continuações. Na próxima o Valêncio estará mais presente na ação da trama, que se passará parte em algum país do leste Europeu e parte na Vila Esperança. Voltarei com alguns personagens e trarei novas surpresas sobre seus destinos. A trama já está traçada, faltando apenas desenvolvê-la.
No entanto, estou com trabalhos em andamento que preciso finalizar antes de começar a escrever o próximo. No começo de 2014 devo entregar à Rocco a primeira versão de “O Escravo de Capela”. Como em “À Sombra da Lua”, busquei outro personagem folclórico, desta vez o Saci, e recriei sua lenda de maneira visceral, repaginando-a a um estilo mais denso. A trama se desenvolve no Brasil Colônia, final do século XVIII, em uma fazenda de cana. É um trabalho que estou gostando muito do resultado. Consegui abordar uma crueldade diferente, ainda mais vingativa.
Além disso, ano que vem deve estrear comercialmente meu primeiro longa-metragem “Condado Macabro”, que dirigi com meu amigo André de Campos Mello. Esse é um filme slasher que segue o estilo “Massacre da Serra Elétrica”, com bastante sangue e humor. Para quem quiser conhecer mais sobre ele, só entrar no site www.condadomacabro.com.br ou curtir a página de Facebook (www.facebook.com/condadomacabro). Lá tem fotos, teasers e um pouco sobre o elenco e equipe.

Em nome do House of Chick agradecemos seu contato e a entrevista, fique a vontade para adicionar qualquer informação que queira compartilhar conosco!

Eu quem agradeço o espaço e simpatia. Para atiçar a curiosidade, estou deixando uma das ilustrações do Saltério de Kiev para ilustrar a entrevista.


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Strawberry Fields Forever – Richard Zimler

Em “Strawberry Fields Forever” conhecemos a jovem Teresa, uma menina de 15 anos que se mudou com os pais e o irmão mais novo de Lisboa para Nova York e que, além de ter sua vida virada totalmente de cabeça para baixo, não consegue se adaptar muito bem ao novo ambiente em que passa a viver. Ela tem dificuldades com a língua, e não consegue exprimir o que deseja em inglês, é tímida, não se enturma e não tem muitos amigos, apenas Angel, um brasileiro de 16 anos bem bonito, que é gay, adora John Lennon e sua música, e também não é popular no colégio.
A vida de Teresa não era lá essas coisas, mas a morte do pai, que acaba deixando-a sozinha com o irmão mais novo e com a mãe que não se importa com os filhos, só a faz ficar ainda pior. É quando a menina começa a procurar refúgio na bebida e toma uma decisão que vai mudar tudo para sempre.
Só que, quando ela e Angel saem em um passeio ao Memorial Strawberry Fields Forever no Central Park, no dia 8 de Dezembro de 2009 - aniversário da morte de John Lennon – uma coisa muito ruim acontece, mudando os planos e a vida de Teresa de uma forma que ela não poderia prever, mas que acaba sendo positivo em longo prazo.
Confesso que não sou uma dessas pessoas que precisam de música para viver e, portanto, não conheço todas as músicas dos Beatles, apesar de gostar das que já ouvi. Então o que me fez ter vontade de ler esse livro não foi a referência a uma das maiores bandas de todos os tempos, foi a sinopse que achei interessante, e ter alguma relação com a música famosa pode não ter sido o que me fez decidir ler o livro, mas com certeza fez com que despertasse a minha curiosidade.
Só não sei por qual razão que pensei que a história tinha um teor mais leve e menos dramático do que teve, sem tantos momentos ruins e tristes, mas é o contrário do que imaginei. O meu problema com essa leitura não é porque o livro seja ruim, porque ele não é, mas particularmente eu não gosto de livros de drama e nem consigo apreciar da maneira correta, simplesmente porque não fazem meu estilo de leitura, então afetou o quanto eu gostei ou não do que estava lendo. Quem gosta de livros do gênero com certeza vai apreciar muito mais do que eu.
A protagonista, Teresa no começo é bem chatinha, inclusive trata sem irmão mais novo não muito bem, busca ajuda nas bebidas para resolver seus problemas, e acaba tomando decisões que eu nunca concordaria. Mas conforme as páginas vão avançando e ela trata melhor o pequeno Pedro, que é um personagem fofo e carente do qual gostei muito, e começa a ver a vida com outros olhos, comecei a gostar mais dela. Não é uma personagem das minhas favoritas, mas também não é uma das quais eu desgostei tanto.
Esse é um livro desses que nos faz pensar e refletir, principalmente a respeito do ser humano, do quanto alguns deles podem ser realmente cruéis com os outros por coisas tão pequenas, bobagens que acabam afetando negativamente a vida dos que sofrem, e que podem levá-los a fins terríveis. Também nos faz perceber que a vida é feita de momentos e um deles pode mudar tudo de uma hora para outra, de um jeito bom ou ruim.
O desenvolvimento da narrativa é meio chato e complicado porque a protagonista muda de assunto o tempo inteiro, em um parágrafo fala de algo, no seguinte muda, no próximo está falando de uma coisa nova e depois volta para o assunto do primeiro e assim vai. Portanto, a leitura acabou não fluindo, principalmente se levar em conta que essa obra apresenta capítulos enormes, apenas oito em um livro de 270 páginas, o que eu definitivamente não curto.
Gostei muito do final. Para mim foi a melhor parte de toda a leitura. É quando as coisas começam a melhorar, quando a esperança volta a surgir, quando os problemas são vistos através de novos olhos, e quando percebemos que não devemos desistir.
Li que essa história é como a vida do autor, só que ao contrário porque ele também começou a viver em um novo país e teve que se adaptar, sofrendo com o choque cultural e a língua, tão diferentes do que estava acostumado. Isso aconteceu porque ele nasceu nos EUA e se mudou para Portugal, agora possui dupla nacionalidade.
A diagramação está muito bem feita, com fonte e tamanho confortáveis para a leitura, além das páginas amarelas. Gosto bastante dessa capa e fico contente que, das opções, a Galera Record tenha escolhido essa para publicar no Brasil.

Infelizmente estava esperando uma história mais leve e descontraída e não foi isso o que encontrei e, por isso, não consegui gostar tanto assim de “Strawberry Fields Forever”. Mas volto a afirmar que o livro é bom, então se você curte livros mais tristes e reais, mostrando a dureza da vida como ela é, indico a leitura.
Avaliação



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Eva - Eva #01 - Anna Carey

Em um futuro não tão distante o mundo passou por um período horrível quando um vírus matou a maior parte da população e muitos jovens, agora órfãos, foram separados entre meninas e meninos, cada grupo para fazer sua parte na reconstrução do mundo, sem poderem conviver com o sexo oposto.
As garotas são enviadas para colégios para estudar, aprender a ler, serem cultas, e aprenderem um ofício, enquanto os garotos são enviados para campos de trabalho forçado para a construírem locais, entre outras atividades físicas intensas, como se fossem escravos.
Eva é uma garota muito inteligente, que sempre tira as melhores notas e se dá bem em tudo o que faz, por isso é a melhor aluna na classe e está bem feliz com a vida que leva apesar das circunstâncias. Prestes a se formar, no entanto, ela acaba descobrindo que a verdade não é bem aquilo que imaginava e que seu futuro está longe de ser perfeito, pelo contrário, será um verdadeiro terror. É por isso que ela resolve fugir antes do amanhecer, o dia em que sua vida iria mudar de uma maneira ou de outra, em busca de melhores condições de vida, e mais importante, de sobrevivência.
Como vocês que acompanham minhas resenhas sabem, adoro distopias. Sempre que uma distopia dentro do gênero jovem adulto é lançada já fico com desejos e corro para poder ler o quanto antes a história e, geralmente, não me decepciono. Foi exatamente isso o que aconteceu com Eva. Admito que pensei que entraria para os meus favoritos, e ainda acho que os próximos volumes tenham possibilidade de entrar, mas mesmo não estando nessa lista, esse primeiro livro já me conquistou bastante e vou explicar melhor os motivos abaixo, então continuem lendo essa resenha.
Como primeiro número de uma trilogia, esse livro é bem introdutório. Conhecemos um pouco da distopia, mas nada aprofundado. Sabemos como está o mundo atualmente, que todos passaram por uma fase horrível e muitas pessoas morreram e muitas outras sofrem as consequências.  Mas o maior foco desse volume é a jornada de Eva.
E por falar em sua jornada, o que achei legal é que Eva descobre a realidade como ela é logo no início do livro, pouco depois de procurar a verdade, o que ocorre mesmo tendo confiado muito no que viveu até o momento, então não há muita enrolação nessa parte da história, o que achei ótimo! E ela logo sai fugindo do futuro horrível que a aguarda. Gostei que a protagonista mostrou atitude logo no começo e continuou forte e decidida até o último instante da leitura.
Só depois de terminar a última página e quando fiquei refletindo sobre todos os acontecimentos que foram surgindo no livro é que percebi uma coisa, Eva é meio egoísta. Se você observar bem, vai perceber que todas as suas ações foram feitas mais para benefício próprio do que para ajudar ao próximo, apesar de às vezes (quase nunca) fazê-lo também, e, no final isso fica ainda mais evidente. Não esperava essa atitude quando cheguei a esse momento da leitura, pouco antes de fechar o livro, e não gostei do que aconteceu no fim, apesar de abrir várias possibilidades para o que vem a seguir.
Apesar disso, gostei bastante de Eva, ela é uma ótima protagonista, não fica reclamando ou fazendo drama das coisas que acontecem com ela, também admirei sua força e determinação, sua inteligência e coragem, e ainda seu lado ingênuo e curioso. Ela á uma protagonista mais real, não é perfeita e busca encontrar um meio de sobreviver a tudo o que enfrenta nas condições em que está. Gostei que Eva também não se esqueceu de seu passado e suas amigas que ficaram para trás e ainda lembra-se delas, mas não fica se lamentando o tempo inteiro. Ela segue em frente com um objetivo e vai até o final em busca dele.
Achei interessante – e meio cômico também – utilizarem todos os homens como os elementos ruins da vida das mulheres, como se eles fossem realmente os vilões. Para a explicação houve uma soma de argumentos clichês pelos quais todas já passamos alguma vez em nossos relacionamentos amorosos, com demonstrações históricas de mulheres que sofreram por amor utilizando bastante alguns livros clássicos da literatura americana para exemplificar isso, como se nenhum homem prestasse e todos fossem iguais. É como algumas mulheres realmente se sentem atualmente, mas ali sobe a um outro patamar, como se acreditar nisso fosse um tipo de regra comprovada e que todas devem temê-los e tomar cuidado para não cair em suas lábias e sofrer igual a suas antepassadas.
Eva sempre foi fã de conhecimento, então ela pergunta a maioria das coisas que parecem fora do seu comum para as pessoas ao seu redor, por exemplo, como eles sabem fazer tal atividade. E achei isso interessante porque sabemos que ela não sabe sobre muita coisa, aprendeu a maioria nos livros sem vê-las ao vivo, e outras informações armazenadas em sua cabeça nem verdadeiras são, então é legal vê-la interessada em aprender mais, inclusive porque são coisas banais para nós hoje em dia, mas que para ela eram diferentes.
Mesmo assim, ainda acho que alguns questionamentos desses ficaram sem resposta porque ela resolveu esperar para saber mais e eu fiquei me perguntando se essas explicações virão nos próximos livros, porque certas coisas foram utilizadas pelos personagens que não deveriam saber ou fazer tais elementos, e quero saber como isso foi possível, quero conhecer mais seus passados.
Essa história se passa em um mundo onde as pessoas estão vivendo num período pós-apocalíptico, então vamos acompanhar uma ambientação feia, com cenários, cidades, casas, carros, tudo destruído, os personagens precisam enfrentar inúmeras coisas ruins e passam por muita dificuldade em busca de sobrevivência, mas tendo que presenciar diversas mortes, de pessoas queridas e de desconhecidos, também há cenas nojentas de caçadas, porque eles precisam conseguir seus alimentos dessa forma. Quem curte esse tipo de cenário vai encontrar um prato cheio nesse livro.
A leitura também consegue proporcionar diversos tipos de sentimentos. Devido às diversas cenas de ação o leitor fica tenso em muitos momentos, também consegue suspirar nas partes românticas que acabam sendo fofas, principalmente porque existe amor mesmo que o mundo e o momento não sejam favoráveis, e isso é lindo! Há muito sofrimento e momentos comoventes, e ficamos torcendo para que coisas boas aconteçam. Tem até ocasiões divertidas, mesmo no meio de todo o caos. Nossa, teve momentos que fiquei com bastante raiva do que estava acontecendo, principalmente por conta de uma coisa mal pensada que Eva fez.
Os personagens que tiveram maior destaque, além de Eva, foram Caleb e Arden, apesar de ter tido alguns outros que me conquistaram bastante e alguns que me fizeram passar raiva. Arden foi alguém que gostei bastante de conhecer, mas que demorou um pouco para gostar dela. Ela é rebelde e não gosta de demonstrar sentimentos, e primeiramente também é bem grossa, mas com o passar do tempo vamos conhecendo-a melhor junto com Eva, e ela vira a dona de umas tiradas muito boas, e a amizade entre as duas vai crescendo e se desenvolvendo de uma forma bem legal.
Mas curti mesmo o Caleb, um jovem moreno, forte e com dreadlocks, que é muito gentil e inteligente, e ajuda Eva em muitos momentos, inclusive a conhecer mais sobre muitas coisas das quais ela não sabia, e cuida bem dela sem nunca pedir nada em troca, é um fofo e conquistou a confiança de Eva aos poucos. A construção do romance foi maravilhosa, acontecendo gradativamente, e fazendo com que a gente torça para o casal.
Nunca li nada da autora, mas duas obras suas, “As Irmãs Sloane” e sua sequência, já foram publicadas pela Galera Record, mas são mais voltados para o público juvenil e mais são leves.
Amo a capa desse volume e fico feliz que a editora tenha mantido, mas a menina é meio ruiva ali, e no livro Eva tem cabelos castanhos. A diagramação está bem feita, com fonte e espaçamento em bom tamanho para leitura e as páginas são amarelas.

Com capítulos curtos, essa é uma leitura rápida e fluida, envolvente e prazerosa. Focou menos na distopia e mais na jornada de Eva e na descoberta do amor e da confiança, e talvez por isso mesmo que tenha sido tão gostosa de ler. Estou bem curiosa para ler os próximos volumes, principalmente pelo final cliffhanger que este apresentou, então não vejo a hora de serem lançados no Brasil. Super recomendo a todos!
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Deixe a Neve Cair - Maureen Johnson, John Green, Lauren Myracle

Oii, gente linda! Como vocês estão? A resenha de hoje é em homenagem a esse dia tão especial, o Natal! Nada melhor do que um texto sobre as histórias natalinas de três autores super talentosos, com aquele clima delicioso que essa época do ano nos proporciona. Eu amo o Natal, acho que é meu feriado favorito no ano! Então, antes de mais nada, gostaria de desejar a todos vocês, leitores queridos e amados, um Feliz Natal, cheio de amor e felicidade e estou torcendo para que comemorem essa data tão bonita com as pessoas que amam, tem coisa melhor? Beijos e muitos abraços em todos vocês! :D
“Deixe a Neve Cair” é um lançamento da Editora Rocco Jovens Leitores que trás três contos que passam nessa época do ano, mais precisamente no Natal. Cada conto foi escrito por um autor, e todos foram ótimas leituras, bem fofos, com personagens incríveis e narrativas deliciosas, deixando aquele gostinho de quero mais.
Dos três autores eu só conhecia o trabalho de John Green, que é um escritor que eu gosto muito, e coincidentemente, li três livros dele esse ano (primeira vez que li algo dele foi em 2013 também), já conhecia as outras duas, Maureen Johnson e Lauren Myracle, e tenho títulos publicados por elas, mas ainda não li nenhum deles, estou bem curiosa e minha vontade de lê-los só aumentou ainda mais depois de terminar essa obra.
As três histórias, narradas em primeira pessoa por protagonistas diferentes, acontecem quando uma grande tempestade de neve muda o destino de alguns jovens e faz com que Gracetown, uma pequena cidade norte-americana, seja palco para aventuras diversas e encontros românticos no Natal.
Adorei que os três contos são interligados uns com os outros, direta ou indiretamente, isso acontece porque todos passam na mesma cidade, com personagens que se conhecem ou que pelo menos sabem quem são os outros (das outras tramas), e há participações de alguns deles, sendo principais ou coadjuvantes nos outros. O que também ocorre é que as histórias são passadas em ordem, ou seja, o que acontece na segunda é depois do final da primeira, e o que se passa na terceira é depois do ocorrido na segunda. Inclusive, podemos conhecer certas cenas que não foram exploradas nos outros contos, mas que são importantes para eles, e ainda podemos saber o que ocorreu depois do final das histórias anteriores. Essas ligações foram feitas com maestria e de uma forma muito legal.
Acho que é a primeira vez que eu leio um livro de contos que eu adoro todos eles! Posso confessar que gostei um pouquinho mais de “O Expresso Jubileu”, mas todos os três me encantaram profundamente, cada um de sua maneira. Vou falar um pouquinho sobre cada um deles separados abaixo.
O primeiro conto do livro, que é o do meio em número de páginas, e também o que mais gostei, é o “O Expresso Jubileu”, de Maureen Johnson. Nessa história conhecemos Jubileu (pensei que seria um menino narrando com esse nome), uma garota que tem um namorado popular com quem está prestes a completar um ano de namoro e vai comemorar a data no natal de sua família. Mas acontece que seus pais acabam passando por uma confusão e são presos, modificando os planos da protagonista, que é mandada para a Califórnia de trem sozinha na véspera do natal. Porém, no meio do caminho, uma tempestade de neve impede os planos de chegar ao seu destino e o trem acaba batendo em um banco de neve perto de Gracetown, local que vai acabar mudando a vida de Jubileu de uma forma que ela não esperava.
Jubileu é uma personagem adorável, assim como Stuart, o garoto que ela acaba conhecendo, e com quem vai passar essa data. Ela acaba percebendo algumas coisas erradas em sua vida, enxerga uma verdade que antes não queria ver, e aprende com ele que ela tem que buscar ser feliz e não aceitar menos do que isso. Também gostei demais da irmã e, principalmente da mãe de Stuart, que teve grande importância para o final fofo que acabou acontecendo. A narrativa de Maureen é ótima e fluida, e as páginas são avançadas rapidamente sem nem nos darmos conta disso.
O segundo conto do livro e o menos extenso deles foi o de John Green, “O Milagre da Torcida de Natal”. Além de ter menos páginas, a leitura é a mais rápida por conta da quantidade de acontecimentos que acompanhamos durante uma aventura que surge de um passeio de carro do protagonista, Tobin e seus amigos, Duke, uma menina não tão feminina, e JP. Acho que John Green realmente curte aventuras dentro de carros, porque a maioria dos seus livros tem isso.
Foi muito divertido acompanhar os três amigos em uma competição tentando chegar à Waffle House, local onde um grupo extenso de líderes de torcida vai passar a noite por causa do trem que bateu ali perto, e querem jogar twister. Ficar preso com um bando de líderes de torcida é a fantasia de diversos garotos, incluindo Tobin e JP, o que faz com que os jovens enfrentem a nevasca, passando por dificuldades e até quase morrendo só para chegar ao local antes dos outros “competidores”.  Até que Tobin finalmente percebe que beleza não é tudo e o que ele sente por Duke pode ser mais do que apenas amizade. Foi o segundo conto de que mais gostei, ri em diversos momentos, tanto com as ações quanto com os comentários dos personagens e achei o final bem fofinho.
Para finalizar, o último conto é “O Santo Padroeiro dos Porcos”, o maior de todos, que foi escrito por Lauren Myracle, e o que menos gostei. Dessa vez conhecemos Addie, uma garota que tem um namorado incrível, mas que pôs sua relação em perigo quando fez uma coisa muito ruim porque se sentia insegura em seu relacionamento. Até entendi os motivos de ela ter se sentido assim pelo namorado, mas não concordo com a atitude que ela teve.  Agora ela mandou um e-mail para Jeb, seu namorado, pedindo para lhe encontrar para conversarem na Starbucks, mas depois de horas ele não apareceu e ela entrou em um tipo de depressão e autopiedade, convidando suas duas melhores amigas, Tegan e Dorrie, para ajudá-la a passar por esse péssimo momento.
É o único conto que tem aquele clima do personagem buscar ser uma pessoa melhor no natal, uma história típica dessa época do ano. Addie passa mais tempo lamentando e reclamando do que outra coisa. Mas muitos personagens apareceram dando conselhos e a ajudando a se enxergar de uma maneira diferente, e ela acaba aprendendo a deixar de ser tão dramática e olhar para os lados ao invés de só pensar em si mesma.
Há uma maior quantidade de personagens do que nos textos anteriores, os que ajudaram a protagonista a se tocar consigo mesma foram ótimos, gostei de todos. Inclusive existe uma maior participação dos principais das outras histórias, tem até uma cena que remete ao conto de Jubileu que eu ri bastante.
Só senti falta de um final melhor, apesar de ter sido legal, queria mais do encontro entre Addie e Jeb, porque o conhecemos nos outros dois contos, e vemos pelo que ele passou para chegar até ali (Achei o Jeb meio banana)  e isso nem mesmo foi citado nesse conto, que focou mais no que Addie sentia, entre raiva, culpa, ressentimento, tristeza e, enfim, felicidade.
A escrita da autora é muito boa, mas confesso que não gostei da protagonista logo de cara, demorou um pouco para que a achasse legal. Apesar disso, eu gostei bastante do conto, a narrativa é deliciosa e a gente acaba ficando apegado e torcendo pelo final feliz. E também morrendo de fofura e amores pelo porquinho Gabriel.
A parte gráfica do livro está linda! A parte de trás da capa é em um tom de azul com flocos de neve em branco, antes de cada conto há uma pequena dedicatória de cada autor, e em cada começo de conto e início de capítulos também há flocos de neve, dessa vez em cinza. A fonte não está muito grande, mas não me incomodou, e o espaçamento está ótimo, mas as páginas são brancas, o que acaba sendo ruim para alguns leitores.

Todos os três contos são bem fofinhos, as partes românticas são bem importantes em todas as histórias, e aquele clima de natal com final feliz também está sempre presente. Se você não gosta do natal, de ler coisas mais leves e alegres com o espírito natalino, então não são histórias que você vai gostar de ler. Caso você esteja procurando exatamente isso para sua leitura do momento, comédias românticas descontraídas e agradáveis com personagens maravilhosos, corre para adquirir seu exemplar porque com certeza absoluta “Deixe a Neve Cair” vale muito a pena. Estou até agora suspirando pelas histórias. Super recomendado!
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Tempo em Fúria – Hourglass #02 – Myra McEntire

Tempo em Fúria é o segundo livro da trilogia Hourglass, mas essa resenha não possui nenhum tipo de spoiler, nem do primeiro volume, Amor Contra o Tempo, que também já foi resenhado aqui no blog (para conferir clique no título).
Nessa história, algumas pessoas possuem genes que lhes dão habilidades especiais em algumas áreas específicas, como viajar no tempo, encontrar objetos através de mapas, e poder sentir todos os sentimentos que as outras pessoas têm. Esse último é o poder de Kaleb Ballard, o jovem que é filho de Liam, criador da Hourglass, uma organização para pessoas que possuem esses genes. As habilidades dele se limitam a isso, mas no momento ele e outras pessoas (que também não podiam), estão conseguindo visualizar dobras no tempo, sejam elas do passado ou do futuro.
Agora, um homem misterioso aparece para Kaleb e os amigos e mostra que não tem problema em ferir as pessoas e os ameaça a alterar a linha do tempo de modo a estragar a vida dos envolvidos caso não consiga o que quer: Jack Landers, que é um assassino que busca o poder e consegue manipular o tempo, modificando as vidas de pessoas próximas a Kaleb para benefício próprio, mas que está desaparecido.
Os membros da Hourglass entendem que alguns dos acontecimentos do presente que estão vivendo não poderiam ter se desenrolado, e as consequências de modificar o passado para evitar futuras conclusões negativas podem ser ainda piores se fizerem ou mexerem com algo errado. Em busca de novas soluções para seus problemas e com um prazo determinado para encontrarem e entregarem Landers, vamos mergulhar nessa incrível história com ação, habilidades especiais e dobras no tempo.
 Eu já tinha gostado muito de “Amor contra o tempo”, primeiro livro da trilogia, mas “Tempo em fúria” conseguiu me conquistar ainda mais. A narrativa também é em primeira pessoa, mas dessa vez o protagonista é Kaleb Ballard, diferentemente do primeiro que era a Emerson Cole. E acho que a mudança foi muito bem-vinda porque assim podemos conhecer a fundo outro personagem muito importante para a trama e também temos a chance de suspirar por outro romance, já que no primeiro volume essa parte já ficou resolvida com o outro casal.
Admito que primeiramente fiquei meio receosa de que a autora não conseguisse trabalhar com um novo narrador em um livro de continuação, mas felizmente não fiquei perdida com essa modificação, Myra soube explorar um novo ponto de vista muito bem, mantendo o ritmo e o interesse do leitor, que passa a acompanhar os acontecimentos após a finalização do volume anterior, não deixando nada sendo esquecido ou mal explicado e ainda soube nos situar ao que aconteceu anteriormente.
Também temi que a história de Emerson ficasse de lado já que agora íamos acompanhar tudo através da visão de Kaleb, mas há participações de todos os personagens já conhecidos pelo leitor, inclusive do casal Em e Michael. Claro que eles e mais alguns tiveram menos destaque, enquanto outros apareceram com maior frequência, porém acredito que essa mudança tenha feito uma adição à leitura da trilogia.
Como já comentei antes, adoro livros relacionados à viagem no tempo, principalmente porque cada autor pensa diferente e desenvolve teorias bem distintas para explicar esse fato, gosto que nada é igual e ainda assim poderia ser real de tão plausível.
Nesse caso, as explicações sobre dobras do tempo e outros poderes encontrados no livro são sempre bem feitas por McEntire, que optou por ir ao caminho inverso da complexidade, então o faz de forma simples e com bastante sentido, como se essas coisas realmente existissem, e logo da primeira vez que ela nos conta sobre eles entendemos sem problemas, inclusive as adições que vão surgindo quando vamos aprendendo mais sobre o assunto.
Aqui conhecemos mais sobre a Hourglass e sobre outra organização que também tem relação com viagem no tempo e outras coisas. E uma nova descoberta pode mudar totalmente o rumo de tudo, já que algumas pessoas estão buscando o poder e nas mãos erradas algo muito terrível pode acontecer.
Gostei muito de conhecer melhor o Kaleb, podemos acompanhar o crescimento do personagem e entendemos melhor o motivo de agir como age. Ele tem aquela aparência de bad boy e é mulherengo, se sente deixado de lado pelo pai e sente falta da mãe, e se afoga nas bebidas para esquecer os problemas, mas tem um ótimo coração. Kaleb aprende mais como usar seus poderes e não deixa de querer ajudar ao próximo mesmo que isso seja ruim para ele, pois mesmo que possa tirar a dor e o sofrimento alheio, ele os toma para si, e os sente com bastante intensidade, chegando a causar dor física.
Senti um pouco de falta de ver a amizade entre Kaleb e Michael, pois eles eram melhores amigos antes e agora parecem meio afastados, mostrando que Kaleb tem ressentimentos por causa do tratamento que o pai tem com Michael e porque foi ele quem ficou com Em. Por outro lado, houve uma maior exploração da relação e dos sentimentos de Kaleb com seu pai, Liam, Emerson, a garota de quem ele gosta (um quase triângulo amoroso, que para a felicidade de muitos acabou não indo para frente), e sabemos mais sobre a relação que tinha com sua mãe.
A outra personagem mais explorada nesse volume é a Lily, e, como comentei na resenha do livro anterior, imaginei que teria um grande potencial nos próximos volumes e já podemos ver isso sendo bem explorado, já que conhecemos o que ela pode fazer e ela foi bem relevante em algumas das partes mais importantes, e dá para perceber que suas habilidades ainda serão exploradas no último livro.
O romance foi ótimo, já torcia para Kaleb e Lily desde o volume anterior porque achei que eles combinariam, e o relacionamento deles não aconteceu de forma corrida. Os personagens foram se conectando com o passar das páginas, conforme passavam mais tempo juntos e se conhecendo. Começaram não gostando um do outro e a implicância se transformou em algo diferente. Além de amor, há exploração do desejo, o que achei legal já que gostei muito da química entre os dois.
Eu até gosto dessa capa, mas não entendo o motivo de ter sido escolhida para esse livro porque não tem absolutamente NADA a ver com o conteúdo. Prefiro as capas originais, que são lindas. A diagramação está simples, mas bem feita, a fonte está pequena, mas não tive problemas na hora da leitura, o espaçamento está bom e as páginas são amarelas, facilitando o ato de ler.
O final foi bem fofo e fiquei muito contente em como a autora resolveu fechar esse exemplar, espero que essa mudança seja mantida daqui para a frente. Também há uma finalização para uma das propostas desse volume, deixando outras pontas soltas para serem desenvolvidas no último livro da série. E posso afirmar que estou muito ansiosa para o fechamento da trilogia.
Mexer com o tempo, viagens para o passado e o futuro, poder modificar consequências, são coisas muito fascinantes sob meu ponto de vista. Juntando com uma narrativa muito fluida, feita através de capítulos pequenos, com ação, ficção científica, romance, personagens cativantes e bem construídos e um pitada de diversão, duvido que você também não vá ficar vidrado na leitura.

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A Garota que tinha Medo - Breno Melo

"Alguém programou minhas esperanças no 'modo negativo', em vez de programá-las no 'modo positivo'. Eu receio o que acontecerá no minuto seguinte. Me preocupo facilmente, tento colocar cada coisa em seu lugar para evitar imprevistos, odeio novidades ou situações que fujam do meu controle. Tenho medo de tudo, especialmente do desconhecido. Sou ansiosa e sofro antecipadamente. Me contrate como operária para construir um prédio e eu estarei erguendo o segundo andar antes de ter concluído o primeiro" (Pág. 9)

A sociedade contemporânea é um palco pronto para alimentar o vazio inerente ao ser humano, vivemos em um lugar onde a performance é mais importante do que o conteúdo, e ser diferente do que é considerado normal é prato cheio para a ignorância. Com um cenário assim sem perspectivas uma síndrome nasceu, cresceu e tornou-se uma das possíveis respostas a esse modo doente que temos: a síndrome de pânico.

A síndrome do pânico é um transtorno de ansiedade onde uma angústia nasce e se funde de tal forma que o indivíduo não vê saída para seus sintomas: dor no peito, palpitações, sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrealização), medo de morrer, entre outros que variam em grau e quantidade para cada um. Em outra palavras um conteúdo que foi recalcado (mandado para o inconsciente) volta a consciência mas na forma de um sintoma: uma angústia que gera estes sintomas secundários. É uma resposta que o indivíduo encontra para se defender do ambiente que o cerca dentro do mundo de possibilidades internas.

É dentro deste universo que o livro A Garota que tinha Medo, do autor Breno Melo, publicado pela editora Schoba se pavimenta. Marina é uma adolescente paraguaia que está nos momentos finais de estudo para o vestibular. Tem uma vida ligeiramente normal dentro do que sua mãe exigente permite, e ela não vê a hora de entrar na universidade e poder respirar. Até que um dia sem aviso ela tem sua primeira crise e não compreende o que está acontecendo.

"O que estava havendo? Meu coração batia cada vez rapidamente e minha respiração acelerava. Minhas mãos e pés passaram a formigar e então experimentei a pior sensação da minha vida! Meu peito agora inflava, senti dificuldade em respirar e minha visão escureceu. Acreditei que morreria e tive medo. Um medo inexplicável da morte enquanto esperava desmaiar a qualquer momento. Tinha certeza que morreria assim que fechasse os olhos" (Pág.37)

Narrado em primeira pessoa através de Marina de forma simples e acessível, a narrativa tem seus altos e baixos: altos porque caracteriza em detalhes  o processo de descoberta e tratamento dela, além de detalhar as reações da família, amigos e namorado diante das crises. Ainda conta com os pensamentos de Marina que aos poucos explicam o porque de ela sofrer da síndrome. Logo do ponto de vista psicológico a obra é excelente tanto para o conhecimento do quadro clínico quanto como obra de ficção. Entretanto quando Marina se desembesta a falar de religião a coisa muda de figura.

Católica de carteirinha a religião tem papel importante na vida da personagem, e é aceitável que ela comente seus pensamentos a cerca de suas leituras bíblicas e suas relações com a Igreja que sentimentos de culpa e consequentemente ansiedade, mas quando o autor se propõe a contar detalhes da história da Igreja (especialmente defendendo-a) e da Bíblia ele perde a mão, já que a narrativa se quebra, perde o ritmo, e foge completamente do tema, voltando depois como se o assunto estivesse coerente, o que nem sempre foi possível. Isso também aconteceu com menos frequência com outros conhecimentos que o autor parecer querer mostrar possuir, como a história do Paraguai.

A obra se divide em sete partes, desde a primeira crise, o período de negação do problema, a descoberta da síndrome, passando pelo tratamento, recaída e alta de Marina. O tratamento psicológico não aparece de maneira detalhada mas é de cunho cognitivo-comportamental, orientação indicada em casos que requerem mais urgência de resultados. Se Marina enfrentasse uma boa análise freudiana ou lacaniana com certeza encontraria as respostas que tanto busca em sua vida.

Os personagens que circulam em sua vida são seu namorado Julio, garotinho estúpido e preconceituoso que não merece nada além de uns bons tapas rs! Os pais de Marina que tardam a entender que a filha precisa de ajuda, assim como também resistem em ajudá-la no tratamento. Sua amiga de infância Péqui é uma fofa e a única a ficar o tempo todo ao seu lado. As colegas de faculdade, Joana e Maitê que mais a atrapalham do que ajudam, mas de alguma forma são presenças constantes.

A Menina que tinha medo tem como tema mais importante e abordado o medo, e confesso que tive uma identificação direta, pois ele também é paralisante para mim, não a ponto de atrapalhar meu dia a dia, mas sim de tomar decisões maiores que de fato mudam minha vida. Acredito que de alguma maneira todo mundo vai se identificar em alguma medida com o medo de Marina, e aprender com ela que não podemos ter medo de viver, pois a vida está ai para ser vivida em todas as suas nuances boas e ruins!

Então se você quer conhecer mais a respeito da síndrome, rever seus medos junto com Marina ou apenas ter um bom momento de leitura indico A Menina que tinha Medo. Mas se você é daqueles que tem medo de se arriscar na leitura, sair da zona de conforto e do mundo da ficção de fantasia a leitura deste livro passa a ser obrigatória para soltar todos os seus fantasmas!

A editora Schoba está de parabéns pela diagramação, capa e detalhes do livro, e agradeço em nome do House of Chick pelo exemplar e pela oportunidade de ler uma obra tão diferenciada do que está no mercado atual.


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Vídeo Resenha - Pretty Little Liars: Livro Maldosas x Série

Oii, gente! Tudo bem? Hoje tem vídeo aqui no House of Chick! Tem um tempinho que não postamos nenhum por pura falta de tempo, já temos até alguns gravados, mas ainda não conseguimos editá-los para postar, o que faremos em breve, continuem acompanhando!
Hoje tem a primeira resenha em vídeo aqui do blog, e é do livro Maldosas, primeiro volume da série Pretty Little Liars, publicada no Brasil pela Rocco Jovens Leitores. Ainda no vídeo há uma comparação com o primeiro capítulo da série da ABC Family, que a maioria de vocês já deve ter ouvido falar, e muitos acompanham. Se vocês gostarem do primeiro vídeo, vamos continuar gravando sobre os próximos livros da série. :D Ah, e a resenha escrita também vai ao ar em breve, então voltem para conferir!
Esperamos que gostem! Se tiverem alguma sugestão ou desejarem que a gente grave algum vídeo para o canal, podem falar com a gente aqui pelos comentários, pelas redes sociais ou pelo e-mail do blog houseofchick@gmail.com



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Perspicácia- O Aprendiz e a Vida - Marco Antonio Rodrigues

Pensando sobre mim mesma eu não me lembro de ser diferente do que sou hoje, desde que tenho consciência do meu comportamento sou extremamente crítica e reflexiva, não sei olhar o mundo de outra forma, e meu curso na faculdade só fez com que essas características se firmassem mais fundo, então quando recebi  gentilmente do autor Marco Antonio Rodrigues um exemplar de seu livro: Perspicácia- O Aprendiz e a Vida, pela editora LP-Books foi como um encontro com a minha consciência revoltada (ow mais alguém pensa como eu!).

O livro reúne 77 textos diversificados com temas variados que visam trazer toques consequenciais, ou seja, fazer com que quem os leia repense sua posição na vida, sua opinião a cerca de assuntos importantes e até mesmo qual é seu papel diante do todo.  Todos são narrados em primeira pessoa, sob a perspectiva do autor, que transmite suas experiências de vida e a leitura que fez delas.

Os textos são breves, têm em sua maioria uma página frente e verso e fluem de maneira bem rápida, mas com um vocabulário mais elaborado que nem por isso atrapalha, apenas refina a narrativa. A forma como eles se estruturam seguem o esquema de um pensamento, o assunto é apresentado, seguido do comportamento humano diante dele, e depois do que poderíamos fazer a respeito. Mas não pense que se trata de um livro de auto-ajuda (essa definição esta na catalogação do livro), pois não se trata, visto que ele te leva a um pensamento, e não simplesmente te dá dicas listadas de como ser feliz, é muito mais uma obra filosófica, sem um ponto final.

'Excesso de presença pede ausência, excesso de ausência pede presença. '- Calorosa Despedida - pg. 13

O texto que mais gostei chama-se 'Célula Doente', e fala sobre a destruição de nosso planeta através de metáforas muito pontuais e de fácil compreensão, mas não por isso menos profundas. Eu tenho extrema afinidade com as pessoas que percebem o quanto o que temos de mais importante na Terra é a natureza.

Algumas posições do autor aparecem de maneira sutil, como sua crença espiritual - o texto 'Perdido' é um exemplo, ele aborda o questionamento de porque as coisas são como são, e nossa relação com o todo, o que viemos fazer aqui.; assim como seu posicionamento contra a destruição na natureza que aparece mais de uma vez em seus textos e de maneira direta no texto 'Amazônia'.

A diagramação é simples, cada fim de texto tem uma dica para o leitor, como: Procure- Creia- Mire e etc. A capa é bonita, e reflete bem a atmosfera do livro: as pequenas coisas do dia a dia mudam tudo. Seu comportamento muda sua vida, e afeta a todos ao seu redor como uma onda. A natureza que te cerca é sua amiga e não sua inimiga, se integre e aprenda com ela.  

Este é um livro que não deve ser lido e esquecido, vale a releitura dos textos ao longo do tempo para refrescar a memória e rever sua vida diante do assunto abordado. Você não precisa ler todos os textos na sequência, eles não se ligam, assim ele pode ser uma fonte inspiradora diária para os momentos de confusão em nossa vida caótica.

Recomendo o livro a todos que gostam de pensar, sair do lugar comum, mudar o mundo, ser diferente e não caminhar com a massa. Ou ainda a você que não pensou em nada disso, mas que quer parar, pensar e transformar um pouco do seu dia a dia em algo produtivo, além do acordar, comer e dormir. Estamos aqui por alguma razão, encontre o seu porque, a sua verdade, vá além do cercadinho e aprenda a viver com o vazio inerente ao ser humano sem medo. Seja perspicaz, aprenda com a vida, tire o melhor dela e não espere pelo grande momento, porque ele pode ser a leitura de um livro e você não perceber! (viu eu disse que sou assim, toda reflexiva, obrigada Marco Antonio pela oportunidade de pensar mais um pouco!).


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