Como salvar uma vida – Sara Zarr


Em “Como salvar uma vida”, conhecemos duas vidas se entrelaçando por causa do nascimento de um bebê. De um lado temos Jill, que perdeu o pai, a pessoa que mais ama e mais admira, de uma forma trágica e inesperada, o que acabou afetando não apenas sua vida e sua rotina, mas também seu jeito de ser e, consequentemente, as relações que tinha com seus amigos, namorado e até com sua mãe.
Do outro lado temos Mandy, uma garota que teve uma vida difícil até o momento, sem ninguém em quem pudesse realmente confiar, que nunca teve amigos, e sendo maltratada por sua única família, a mãe, e, por isso, depois de grávida resolve que precisa dar uma chance de felicidade à seu bebê, e o melhor caminho para isso é a adoção, já que assim seu filho poderá ter tudo o que ela não teve e que não pode dar.
A vida das duas se unem quando a mãe de Jill, Robin, decide que quer adotar um neném e coloca um anúncio em um site, que é respondido por Mandy. Jill logo fica contra essa decisão da mãe, mas sabe que ela é bem teimosa e que não desistirá da ideia, porém isso não a impede de desconfiar da menina e tentar fazer com que a mãe mude de opinião. Mesmo assim, Mandy se muda para a casa delas enquanto esperam pelo nascimento.
Sara Zarr sabe como construir personagens, e ela fez isso com maestria. Tanto Mandy quanto Jill e todos os personagens secundários, mesmo os que apareceram poucas vezes, têm suas características bem desenvolvidas e podemos ir conhecendo-as de acordo com o passar da história, nada apressado, mas feito na hora certa e da melhor maneira possível.
No começo, eu gostei da Jill de cara, e a Mandy, não é que eu não tenha gostado, mas achava algumas de suas atitudes meio esquisitas. Conforme as páginas vão passando, e eu fui conhecendo melhor as personagens, acabei gostando mais de Mandy do que da Jill, talvez pelo fato de saber o que ela pensava e, portanto, entender o motivo de agir como agia, enquanto a Jill não parecia evoluir, por mais que quisesse tentar, não conseguia se abrir para novas possibilidades e acabava sendo meio arrogante, e as vezes era uma pena que ela não pudesse/quisesse conhecer a Mandy de verdade, sem pré-julgamentos, como ela sempre fazia. Até entendo que o leitor tem a possibilidade de saber os pensamentos de Mandy enquanto Jill não tem essa chance, já que Mandy sempre foi bem fechada e eu também desconfiaria dela se fosse a Jill. Mas gostei bastante de ambas as personagens e no final as duas ficaram empatadas e agora não consigo escolher uma que goste mais.
Outros três personagens que merecem destaque são Robin, que é uma mulher incrível e admirável, além de ser uma pessoa de ótimo coração, Dylan, namorado de Jill e uma pessoa maravilhosa, que está sempre ali para ajudar quem precisa, e Ravi, um garoto que consegue fazer com que Jill se abra para o mundo novamente, com a possibilidade de ser alguém melhor.
“É assim que a vida parece pra mim. Todo mundo está fazendo; todo mundo sabe como. Viver e ser quem são e achar um lugar, achar um momento. Eu ainda estou esperando.”
Eu acho essa capa linda, apesar de passar uma ideia bem triste e solitária, e, por isso, não tinha tanta vontade de ler esse título. Até que um dia estava na livraria e o vi ao vivo, então resolvi dar uma chance à sinopse e me apaixonei pelo enredo e claro que senti que precisava desse livro. Não me arrependi nem por um segundo, essa é uma história com um pano de fundo triste, não a ponto de me fazer chorar, já que é escrita de maneira leve e sutil, mas também é muito bonita, comovente e o final é muito fofo e termina positivamente, o que é ótimo e eu adorei.
A diagramação é simples, mas bem feita. Os capítulos são intercalados entre as duas protagonistas e os da Jill são escritos com uma fonte diferente dos da Mandy. Como eu mencionei antes, a capa está linda e há verniz localizado no banco, na menina sentada, e na logo da editora. A lombada também está linda e fica incrível na estante.
O final não é surpreendente porque dá para perceber que as situações estão fazendo com que o rumo acabe sendo esse, mas isso não deixa de ter me feito adorá-lo. Não acho que poderia ter tido um fechamento melhor e fiquei super satisfeita que a autora tenha escolhido ir mesmo por esse caminho. Claro que deixa algumas coisas para nossa imaginação finalizar e eu preferia que não fizesse isso, mas até que nesse caso ficou legal.
“ – Mas vou continuar amando você, sempre. E nas pedras-papéis-e-tesouras da vida, o amor é pedra. Medo, raiva, todo o resto... não têm chance de competir.”
Recomendo bastante essa leitura, principalmente se você gosta de livro jovem adulto, com drama, uma história tocante e, ainda assim, um final feliz. Se busca algo que vá te encantar e personagens que vão fazer você se apaixonar, então “Como salvar uma vida” definitivamente vale um lugar na sua estante.
Avaliação



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10 comentários:

  1. Amei a capa *-* Nunca tinha ouvido falar nesse livro e achei a historia diferente de tudo que eu já li!!Um drama emocionante onde envolve adoção que é um tema super importante!!Parece se bem envolvente!!Gostei muito da resenha espero ler em breve Bj

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  2. Lendo o que vc escreveu, acho que é pouco que tem na história, poderia ser mais desenvolvida e estruturada.. Achei a capa legal.

    abraços,
    Luciana M.

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  3. Nem sempre estou no clima pra ler livros mais tristes, com estórias mais dramáticas.. não sei bem se é o caso desse, uma vez que, pelo que você disse, as coisas parecem se desenrolar de forma leve, no momento certo e com um final legal… então, acho que isso ameniza a parte triste da estória! Mesmo sendo o estilo de livro que tem um final esperado, sem reviravoltas, pareceu ser um livro que vale a pena ler, pela sensação de ‘crescimento pessoal’ que deve envolver os personagens, de intensidade entre os laços familiares.. acho legal essa leitura, mas há momentos para ela, como disse antes, nem sempre estou no clima! Mas, é um livro interessante, quem sabe algum dia eu resolva lê-lo!
    Bjs!

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  4. Não é meu estilo preferido os livros mais comoventes e tristes. Preciso estar muito inspirada para ler. Mas esse parece que não é só um livro triste: tem também uma bela história, com conteúdo e a avaliação foi cinco casinhas então acho que merece uma chance mesmo!

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  5. Adoro livro com final feliz, mesmo que seja previsível, o que importa pra mim é o desenvolvimento da história. Porém preciso estar num bom momento pra ler enredos tristes e dramáticos.
    Obrigada pela dica.

    Beijos
    Leituras da Paty

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  6. Esse é o tipo de livro que pula a lista de espera, é o livro que me chama, me envolve e me toca. Sou sentimental e quando falam de família, traumas de perda, recomeço e amor não tem como não me encantar. Já imagino o desenrolar da história, mas nem por isso vou deixar de lê-lo e de me apaixonar. Adorei a capa, e compraria apenas por ela! Mas é claro que o conteúdo tbm me cativou.
    Não sei vcs, mas eu sempre estou pronta prum drama hahaha =D
    bjs!

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  7. Adoro personagens que fazem a gente se apaixonar e torcer por um final feliz!!! Eu adoro um drama, mas depois do sofrimento gosto de ver a recompensa da personagem. Acho que vou gostar mais da Mandy, pela questão dela evoluir mais... mas é claro que posso acabar mudando de ideia... hehe...

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  8. Eu conheci o livro essa semana, vendo uma resenha sobre ele em um blog. E agora adorei ficar sabendo um pouco mais sobre ele aqui no blog. Eu acho que o livro faz bem o meu estilo literário. Só não gostei de saber que o final é um pouco previsível, eu gosto de livros que me surpreendam no final. haha. Mas adicionarei com certeza a minha listinha. A capa está bela demais.
    beijos

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  9. Menina adorei essa resenhaaaaaaa!!!

    Nao tinha visto esse livro ainda, mas eu adorei tudo o q vc escreveu e tu nao tem noção da vontade q eu fiquei de ler agora...
    Achei a capa meio solitaria demais e eu ADORO livros assim, que tem esse poder de comover a gente...
    Nossa, to com muita vontade de ler agora!!
    Gosto quando os personagens passam por situações nao tao boas e q no final tudo da certo!

    Preciso desse livro!

    Bjinhos

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  10. A capa é linda e a história é bem interessante, complexa, profunda e parece ser muito multifacetada. É uma daquelas situações em que cada personagem tem a sua opinião e nenhuma das opiniões deixa de estar certa.

    Fiquei bem curiosa, quero ler.

    Thais Vianna
    @dathais

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