Um Acordo e Nada Mais - Clube dos Sobreviventes #02 - Mary Balogh

Vincent, o Visconde de Darleigh, é um jovem ex-soldado, que viveu o pior período de sua vida quando ficou cego e surdo na guerra por uma atitude que ele mesmo tomou. Depois disso, ele acabou ficando meio traumatizado e quase não teve um futuro, porém o Duque de Stanbrook lhe estendeu a mão e cuidou dele para que conseguisse superar seus traumas. Sua audição felizmente voltou, mas o mesmo não pode ser dito de sua visão. No entanto, agora Vincent vive uma vida normal, tem ótimos amigos, o Clube dos Sobreviventes, pessoas que vivenciaram coisas terríveis por conta da Guerra, uma família amorosa, um título novo e uma casa ainda melhor.
Sua família é bem unida e se preocupa com ele e seu futuro, então querem que ele arranje uma esposa. Por conta disso, arrumam uma pretendente nada bacana, o que faz com que Vincent decida fugir para não ficar preso num relacionamento horrível e ainda arrastar a moça consigo.  E é assim que ele se junta ao seu criado e foge para a casa de campo onde cresceu.
Nesse local, ele acaba ganhando bastante fama já que agora é um Visconde, então várias famílias de moças solteiras querem fazer com que ele se case com uma delas. Depois de sofrer uma nova emboscada e quase vivenciar uma situação “escandalosa” com uma delas, ele fica muito grato por ser salvo pela Srta. Sophia Fry, uma jovem desprezada e invisível, quase como um ratinho.
Por ter ajudado ele, Sophia acaba sendo expulsa da casa de seus tios com quem vivia por não ter pais, e se viu sem dinheiro, roupas, outros familiares ou um futuro. Ela não tem nada na vida e está bem desesperada, mas eis que surge Vincent com uma proposta tentadora: se casar com ele. Primeiramente, ela não quer aceitar, mas acaba sendo convencida de que essa é a melhor solução para o seu problema, enquanto ele vai se sentir aliviado porque foi indiretamente por sua culpa que ela acabou sem lar, e também porque pode tirar vantagens dessa união.
Com o passar do tempo, uma amizade vai surgindo e Sophia e Vincent acabam percebendo que pode haver mais sentimentos do que eles imaginariam. Mas será que vale a pena ter um relacionamento além do casamento ou eles devem seguir com seus sonhos pessoais de viverem felizes e sozinhos?
Mary Balogh vem sendo publicada há um tempo pela Editora Arqueiro. Até agora já foram lançados oito livros de sua autoria aqui no Brasil, sendo seis deles da sua série anterior (que já está completa), Os Bedwyns (tem resenha dos volumes aqui no blog, clique no título para ser redirecionado), e dois dessa nova, Clube dos Sobreviventes. Não li a primeira série da escritora, mas sempre ouvi tantas críticas positivas que queria conferir seu trabalho, afinal amo Romances de Época com todo o meu coração.
Então me aventurei nessas obras, nas quais cada história é protagonizada por um dos membros do “Clube dos Sobreviventes”, que se tornaram grandes amigos por terem sofrido muito com as consequências da guerra. Eles se reúnem quase todos os anos e possuem uma forte amizade, sendo que um sempre apoia o outro não importa o que aconteça. A premissa é bem bacana, mas até agora não fui conquistada por nenhuma das duas tramas. Mas acho que isso é algo bem pessoal meu, que gosto de histórias com um pouco mais do romance trabalhado, o que não aconteceu até o momento.
É química entre os protagonistas que você quer? Então aconselho que procure outro livro, porque infelizmente isso faltou aqui. O casal não tem nada de especial ou que tenha me feito suspirar, e nem combina. Pelo contrário, achei tudo tão morno que até demorei muito lendo o livro.
Acho que os dois têm personalidades muito semelhantes, o que poderia funcionar em alguns casos, mas aqui não funcionou para mim. Ambos eram muito calmos, muito contidos, não faziam o que queriam, não diziam o que pensavam, não tinham personalidades fortes ou ativas. Eles apenas estavam ali, apenas existiam e não se incomodavam com isso. Acho bacana quando há um personagem assim, mas acho que tanto um quanto o outro combinaria melhor com alguém complementar, alguém que o impulsionasse, que puxasse o melhor do outro e fizesse uma diferença significativa na outra vida. Fora que, por conta dessa apatia de ambos, rolava uma falta de diálogos relevantes entre os dois. Eles conversavam mais coisas banais do que assuntos interessantes, o que acabou sendo chato.
Por outro lado, a construção dos personagens é maravilhosa. A autora trabalhou muito bem com o passado dos protagonistas, com o que eles tiveram que lidar para chegarem aonde estão, o que fez com que eles sofressem tanto antes, que agora precisem lidar com os assombros e consequências do período anterior, etc.
Fora que tudo é bem realista em relação as personalidades deles. Eles sofrem e têm que lidar com sequelas emocionais resultantes de seus passados. Vincent tem ataques de pânico porque agora é cego, porque já viu a cor e as coisas com seus próprios olhos anteriormente, mas agora não tem mais oportunidade, ele sofre em alguns momentos quando percebe que tudo ao seu redor é preto e vai continuar sendo. Foi bem emocionante e também deu para sentir seu terror, suas emoções, quando ele vivenciava esses ataques e esses pensamentos aterrorizantes.
Enquanto Sophia (que até agora eu não tenho certeza se na verdade se chama Sophie, porque havia uma variação dos dois nomes o tempo inteiro) perdeu ambos os pais quando jovem, e foi morar com uma tia que a negligenciava, até que esta morreu e foi enviada para outra que fazia o mesmo e assim por diante. Ela nunca foi querida em lugar nenhum e sua primeira paixão também não foi nada bacana, já que o rapaz, que era seu familiar, fez com que ela se sentisse péssima, feia e sem graça, como se nunca pudesse ter a chance de alguém gostar dela. Então ela sofre com bullying e memórias do passado até hoje, fazendo com que sempre fique escondida e quase invisível.
A narrativa da autora é leve, mas também tem pontos dramáticos intensos e uma carga emocional bem trabalhada, como comentei acima. Porém, o pano de fundo do casamento e da aceitação de um Visconde, que a princípio nem mesmo queria se casar e depois escolheu uma garota aleatória sem paixão, amizade, família influente ou dinheiro para contrair matrimônio bem rapidamente, por seus amigos e familiares, foi sem sentido, meio fantasioso e apressado demais na minha opinião.
Além do mais, tive a sensação de que toda a trama girou em torno desse ponto central, que se arrastou por muitas páginas – mais do que a metade da leitura. E parecia que nada diferente acontecia, mesmo que as folhas tivessem ficando para trás. Então senti como se eu apenas estivesse perdendo meu tempo sem absorver grandes coisas daquele enredo.
Algo que me incomodou bastante é que tive a impressão de que Balogh se preocupa muito com aparência física e o que é ser belo, já que foram inúmeros os comentários a respeito desse assunto, diminuindo as pessoas porque não eram do padrão desejado, etc. Em um trecho ela até fala que o Conde de Berwick, um dos membros do Clube dos Sobreviventes, seria charmoso se não fosse a cicatriz que tinha no rosto. Achei ofensivo e totalmente desnecessário.
Se você não leu o outro livro da série e está com receio de saber quem são os membros do Clube dos Sobreviventes ou o que esse clube é, o que representa ou algo mais, não precisa se preocupar. A autora relembra e/ou comenta sobre o assunto tantas vezes que até ficou repetitivo.
“Um Acordo e Nada Mais” é um Romance de Época interessante, com protagonistas bem construídos, que trabalha com traumas e superações muito bem, traz um casal de pessoas bem semelhantes e nos deixa com um quentinho no coração por conta de tantos amigos maravilhosos e fiéis. A leitura como um todo não funcionou tão bem para mim, mas aconselho que leia, pois você pode acabar se apaixonando.


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