O Duque e Eu - Os Bridgertons #01- Julia Quinn

Aqui entre nós eu sofro da ideia de que éramos mais felizes antigamente debaixo daquelas enormes camadas de saias, quando estudo e educação eram valorizados e a paisagem menos poluída. Talvez eu diga isso apenas por possuir uma visão romântica, sem experiência de uma vida sem conforto e tecnologia, mas ao ler romances de época ou assistir aos filmes queria me transportar alguns dias para estes tempos. Ainda bem que livros como O Duque e Eu - 1º Volume da série Os Bridgertons, da autora Julia Quinn, e publicado pela editora Arqueiro nos possibilitam essa viagem no tempo.

É temporada de bailes em Londres, Daphne Bridgerton está novamente em busca de alguém que mais do que uma marido seja alguém que compartilhe uma vida com ela e uma nova família, e é em um destes bailes que tentando fugir de um pretendente persistente ela esbarra em ninguém menos do que o Duque Simon Basset, que retorna a cidade depois de anos viajando.

Alguns minutos de conversa foram suficientes para que uma cumplicidade nasça e depois um plano para fugir das garras de mães interesseiras e pretendentes velhos, o Duque finge cortejar a moça, e ela seu interesse nele, mas a convivência mostra a eles que talvez o fingimento possa não dar certo. Daphne será capaz de não se apaixonar pelos olhos cheios de desejo de Simon, e este vai conseguir manter sua promessa de nunca se casar?

Ah que livro fofinho rs! É bastante relaxante a leitura deste livro, a narrativa em terceira pessoa de Quinn é dinâmica e ágil, com pitadas de humor e sarcasmo já que os personagens a todo tempo fazem piadas das regras sociais. Prova disto é que o começo de cada capítulo traz um trecho de um jornal que tem uma sessão de fofocas, e neles descreve alguns passos das principais famílias da sociedade, como quem está cortejando quem e etc. Essa suposta informante, Lady Whistledown, não tem a identidade revelada, mas influência de algum modo alguns dos passos dos personagens. Espero que ao fim da série ela se revele, já que tenho minhas suspeitas.

Daphne foge um pouco as regras da moça direita, quarta filha de uma família de oito irmãos, está acostumada a conviver com os homens, o que a faz diferente no tato com estes, e talvez acabe a complicando também já que os jovens a veem como uma boa amiga e não uma mulher desejada. Ela tem ambições pequenas, apenas casar-se e ter filhos, mas não se engane ela não faz o tipo moça recatada e certinha, ela ao contrário é dona de uma personalidade forte e com uma forte capacidade de empatia. Não tem medo dos homens e de quebrar regras se for necessário.

Simon é o personagem mais rico da trama, sua história de vida desde o berço até a vida adulta é narrada em detalhes, e seu modo de ver e viver a vida é um tanto interessante, já que seu maior objetivo é contrariar o pai mesmo que este já esteja morto. É uma criança em corpo de homem, e um grande desafio para mente de Daphne que tenta sempre compreender suas ações. É dono de uma libido alta, além de muitas portas abertas por conta de seu título que por sinal ele despreza!

Anthony é o irmão mais velho de Daphne e tem sangue quente, já aprontou muito em sua juventude, e é melhor amigo de Simon, por isso se assusta muito quando vê os dois prôximos. Dono de reações explosivas ele é capaz de tudo para proteger a irmã. Collin é outro irmão da moça, mas antes de regras, certo ou errado, ele quer ver a irmã feliz, e a ajuda sempre, é muito compreensivo e dono de um humor repleto de auto estima.

Violet é a mãe de Daphne, segue os padrões da mãe que quer um bom partido para filha, mas nas horas decisivas mostra que mais do que títulos ela realmente ama a filha e quer o seu bem, já que foi muito apaixonada pelo falecido marido. Outros personagens surgem brevemente, como a governanta do castelo dos Basset que conta a história de Simon.

Os traumas e os complexos que Simon desenvolveu pela relação tumultuada com o pai são bem explorados, e são o ponto de partida para todos os problemas do casal. E esta é a parte densa do livro, o restante paira em uma história leve e sem muita profundidade, mas não se engane porque foi divertido estar entre esta sociedade no passado.

O problema do livro é que eu já li todos os volumes da série The Hathaways, da Lisa Kleypas, e me apaixonei por eles. E O Duque e Eu lembra muito diversos aspectos dos livros de Kleypas, com a diferença que achei o livro de Quinn bem mais raso. E as comparações são inevitáveis.

O Duque e Eu é uma leitura leve para um fim de tarde quando você precisa de um livro para desanuviar os pensamentos e dar algumas risadas. Mais que isso é uma viagem no tempo para nos sentirmos em outro país em uma época em que marido era caçado no laço rs!

Avaliação






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