A Casa dos Novos Começos -Lucy Diamond


Não sou o tipo de pessoa que gosta de chick-lit, já tentei alguns e em geral os acho superficiais demais para o meu gosto. E sempre que escolho alguns livro fora da minha zona de conforto da fantasia, eu me pergunto se não vou acabar me deparando com algum chick-lit. Essa pergunta me rondou durante a leitura de A Casa dos Novos Começos, da autora Lucy Diamond, publicado pela editora Arqueiro, na coleção Romances de Hoje.

Na cidade inglesa litorânea de Brighton três mulheres com diferentes estórias se mudaram para o mesmo apartamento elegante. Nenhuma delas se conhece, mas todas estão no mesmo processo de recomeçar, seja por relacionamentos perdidos, seja por um emprego do namorado ou por um luto. Todas elas estão perdidas quanto seus lugares no mundo, mas quando suas jornadas convergem seus lugares ao sol começam a ser trilhados.

Rosa já é bem sucedida em Londres e estava em um relacionamento que a satisfazia até esbarrar em um segredo que a faz mudar não só de cidade como de carreira. Seu segredo no entanto embora demore a ser dito com todas as letras logo fica claro para quem lê, e sua mudança de carreira foi o modo como ela conseguiu se sentir útil ao mundo e sublimar o que aconteceu. Seus trechos no restaurante são terríveis já que ela possui um péssimo chefe, e senti falta de maior descrição dos alimentos que rondam a personagem. Normalmente quando um protagonista se envolve com comida a fome é despertada, não foi esse o caso.

Georgie é uma jovem que mora com o namorado até que ele resolve passar seis meses no Sul para um projeto de arquitetura. Meio que sem convite ela segue junto com o namorado, e se vê sem emprego ou dinheiro em um lugar que não conhece ninguém. Um pouco impulsiva ela parte em busca de um trabalho que sonhava em ter, escrever para uma revista, e para tanto acaba sendo desleal com quem ama. Não me entrou na cabeça como ela teve tantas falhas com o namorado! Eu só pensava: "não fala com ele, isso vai terminar mal!".

Por fim conhecemos Charlotte que marcada por um tragédia tenta recomeçar. Seus capítulos são os mais tristes, mas ao mesmo tempo alguns dos trechos mais legais por conta de sua vizinha idosa Margoth que com um espírito aventureiro e despojado guia Charlotte para caminhos que jamais imaginou.

A narrativa em terceira pessoa alterna capítulos focados em cada uma das personagens, até o ponto em que elas se conhecem e passam a aparecer nos capítulos uma das outras. A estória se desenrola de forma rápida, mas muito previsível, não tem surpresa em momento algum. A autora não tem um jeito envolvente de escrever, embora até diga como um lugar é, não o faz de forma a envolver e nos fazer querer conhecer o lugar.

Quando um personagem surge fica logo evidente seu papel e como ele termina na trama. Isso foi um pouco frustrante, e acabou com qualquer possibilidade de densidade. Isso porque o livro tem uma atmosfera marcante de chick-lit mesmo com temas mais densos, e estes temas nunca se aprofundam o suficiente para serem dramas, ou ainda trazerem algum mistério para prender. Tudo é como esperado.

A amizade das três mulheres é pouco explorada, e tudo se torna flores muito rápido. Elas demoram a se conhecer, e quando o fazem tudo está caindo, mas de repente tudo se resolve, e todo mundo se adora. Isso soou um pouco forçado, e fez falta um pouco de desenvolvimento. Uma amizade se constrói aos poucos, e poderia ter começado logo nas primeiras páginas do livro.

A Casa dos Novos Começos é sobre novos começos, mas para quem já é leitora assíduo pode soar como casa dos clichês, onde todos terminam felizes para sempre após as dificuldades da vida.



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