O Quebra-Nozes - Alexandre Dumas & E. T. A. Hoffmann

Na véspera de Natal, Marie e Fritz ganharam muitos presentes que desejavam e estavam exultantes com isso. Mas foi um pequeno boneco um pouco peculiar que mais atraiu a atenção da pequena Marie: um Quebra-Nozes, que estava lindamente vestido, mas possuía também um feioso casaco de madeira e um gorrozinho de montanhês. Ela ficou empolgadíssima com ele e com sua simpatia e logo colocou-o para trabalhar, quebrando nozes. Até que seu irmão, Fritz, ouviu o barulho e quis participar, colocando as maiores nozes na boca do boneco até, enfim, quebrá-lo.
Revoltada com ele, Marie, acaba ganhando a missão de cuidar do Quebra-Nozes e de seus ferimentos, o que faz com muito carinho. E, quando todos vão dormir, ela ainda permanece na sala fazendo os últimos ajustes até que escuta estranhos ruídos, e depois se vê de frente a um enorme exército de camundongos, comandado por um rei de sete cabeças! Uma batalha está prestes a acontecer e os brinquedos começam a sair de seus lugares para enfrentar os inimigos, com ninguém menos do que o próprio Quebra-Nozes a frente desse exército. Ela então começa a assistir a todo o embate e tenta fazer o que pode para ajudar o tão querido Quebra-Nozes.
Num misto de sonho com realidade, vemos que Marie passa a conhecer a verdade por trás dessa história e fica cada vez mais próxima desse boneco, que pode ser mais real do que ela imaginava a princípio. Mas será que o mundo da fantasia em algum momento vai se fundir com o mundo real ou tudo aquilo não passa de sua imaginação?
De um tempo para cá, venho lendo mais clássicos, já que notei que me agradam bastante e eu adoro poder viajar para outro o século e conhecer um pouco mais sobre os comportamentos e costumes da época. E nada melhor do que um livro para viajar para lugares distantes na linha do tempo. Como referência, muitas vezes escolho títulos publicado pelo selo Clássicos Zahar. Primeiro porque me identifico bastante com as obras que publicam, segundo porque amo as edições lindas e de capa dura, muitas vezes ilustradas, e terceiro porque eu adoro a Introdução e as Notas (essa última quando é a edição comentada).
Então, dessa vez escolhi um dos mais recentes lançamentos, “O Quebra-Nozes”, já que era época do Natal e eu queria ler algo que tivesse um clima um pouco Natalino. E, afinal, essa história é passada justamente nessa época. Ou seja, escolha perfeita. Porém, infelizmente eu fui com muita sede ao pote e não fiquei apaixonada pela leitura. Mas sei bem o que aconteceu que resultou isso: eu não consegui trazer minha criança interior para apreciar a leitura da forma como deveria. Porque acredito que se eu ainda fosse criança, teria me encantado ainda mais pela leitura e aquelas aventuras inusitadas.
Confesso que não sabia absolutamente nada sobre a trama quando comecei a lê-la. A única informação que eu tinha era que se passava no Natal, o que não ajuda, visto que não revela absolutamente nada do enredo. E minha mãe, quando criança, havia interpretado uma bailarina numa encenação da peça em um curso de teatro que fez, mas ela também não se lembra da trama. E, como eu queria começar na surpresa, mergulhei na leitura sem maiores informações.
A história começou bem interessante, já que conhecemos um pouco sobre os personagens principais e suas personalidades, depois temos a chance de acompanhar a fofa da Marie com todo o seu cuidado e dedicação com o bonequinho, por quem se afeiçoou rapidamente. Também achei bem bacana o fato de os brinquedos ganharem vida e entrarem numa batalha por conta de um acontecimento anterior àquela cena – que também temos a oportunidade de conhecer depois.
Porém, essa motivação para a guerra foi meio chata para mim, porque os motivos que fizeram a inimizade entre “humanos” e ratos começar foi meio forçada (aliás, a “amizade” anterior também), e também como as coisas foram resolvidas e desenvolvidas desde a batalha até o final. Realmente fiquei um pouco entediada, salvo por um ou outro detalhe, então acabei terminando o exemplar um pouco desanimada.
Mas acho que a pior parte de todas, para mim, foi um certo casamento que ocorre no final da leitura, justamente porque Marie era nada mais, nada menos do que uma criança!! E uma criança bem novinha ainda por cima, de sete anos e meio!!!! Então não consegui sentir nem um pouco de apreço por isso, pelo contrário, me senti até mesmo revoltada com a situação em si. Podiam ter se passado alguns anos antes que ela encontrasse o noivo e decidisse casar, mas naquela idade, não dá para mim.
Essa edição, publicada pela Coleção Clássicos Zahar na versão Bolso de Luxo, está maravilhosa. Primeiro porque temos a oportunidade de conhecer as duas versões da mesma história: a original, escrita pelo alemão E. T. A. Hoffmann (que é a segunda no livro), e a clássica, do francês Alexandre Dumas, que se popularizou e serviu de inspiração para o famoso balé de Tchaikovsky.
As duas são incrivelmente semelhantes, exceto por alguns detalhes, o que acaba soando um pouco cansativo, já que estamos lendo praticamente a mesma coisa pouco tempo depois. Então eu li a primeira e algumas páginas da segunda até parar um pouco, deixar meu exemplar de lado, ler outro título e depois voltar para ler a segunda. Particularmente, gostei um pouco mais da primeira por conta do narrador.
Além do mais, a edição conta com mais de 230 ilustrações da época, todas originais de Bertall, feitas para a edição de 1845 de Histoire d’un Casse-Noisette, de Dumas. Gostei bastante do trabalho desse artista e fiquei encantada com a beleza dos detalhes que ele colocou no papel. E ainda temos a oportunidade de ler a maravilhosa introdução de Priscila Mana Vaz, que fez toda a diferença na leitura.
Ainda não tive a oportunidade de assistir ao balé, que, na minha opinião, deve ser mais interessante de acompanhar por conta de toda a movimentação e beleza no palco. Mas infelizmente a história da obra deixou a desejar para mim. De qualquer forma, ainda recomendo a leitura, principalmente para os leitores bem mais jovens e as crianças pequenas, porque podem apreciar ainda mais as aventuras desses personagens bem construídos. E também para aqueles que conhecem esse balé tão famoso e querem conhecer o livro que o originou. 
Avaliação





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2 comentários:

  1. Deve ser estranho ler duas histórias muito parecidas assim em seguida, fica parecendo que vc está lendo a mesma coisa...rsrs
    Achei a capa muito bonita e confesso que não conheço direito essa história do Quebra nozes

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  2. Olá! O Quebra-Nozes eu lembro da história do desenho animado, linda a capa desse livro, gosto muito dessas história que se passam no Natal.
    Bjs

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