Insurgente – Divergente #02 – Veronica Roth

Insurgente é a sequência de Divergente (clique no título para ler a resenha) e o segundo volume da trilogia. Essa resenha não apresenta nenhum tipo de spoiler.
Nesse volume podemos continuar acompanhando a jornada de Tris Prior exatamente do ponto em que o volume anterior termina. Ela e todos os outros jovens com idade suficiente para mudar de facção participaram de uma cerimônia para decidir se gostariam de continuar na facção onde nasceram ou preferiam mudar para uma que se encaixasse melhor com sua personalidade. Tris resolve deixar a abnegação e, com essa decisão, sua família também fica para trás. Agora o que importa são as pessoas do novo grupo a que ela pertence, o passado fica para trás.
Depois de um tempo em que os iniciados passam por testes em suas novas facções (ou nas antigas se assim escolheram), tudo deveria se resumir a comemorações, mas não é exatamente isso o que acontece. Depois de um período de intenso terror e muitas mortes dolorosas, um conflito entre facções cresce e uma guerra se aproxima. Todos os membros de todas as facções precisam decidir o seu lado nessa batalha iminente, mas essa escolha pode ser fatal.
Tris passou por muitas coisas, e carrega consigo sentimentos muito fortes, entre eles a raiva, a mágoa e, principalmente, a culpa. Ela precisa lidar com eles a cada momento e a cada decisão que toma, temendo qual será o próximo passo e, consequentemente, o resultado de suas escolhas.
Divergente serviu como ótima introdução. Insurgente conseguiu desempenhar magnificamente seu papel de continuação e livro do meio. O ritmo melhora, as ações são mais exploradas, há um final para uma parte da história, mas outras questões são criadas, despertando ainda mais vontade no leitor de querer ler o próximo livro para saber como tudo vai terminar.
A trama continua muito movimentada, e o ritmo está ainda mais frenético do que no anterior. É de tirar o fôlego, eu ficava imaginando e ansiando pelo que aconteceria em seguida. Muita coisa acontece, muita luta, muito sangue, muita morte (admito que odiei algumas mortes e desejei outras), e tudo escrito no seu tempo certo, sem pressa, mas também sem enrolação. Nada do que acontece ou do que foi citado é em vão, tudo é importante e acaba sendo interligado de alguma maneira, em algum ponto da história, o que eu acho incrível e muito bem feito.
A escrita da autora é muito gostosa e fácil de ser acompanhada. Mesmo com as suas mais de quinhentas páginas, a leitura flui rapidamente e o livro logo chega ao fim. A história é forte no sentido de haver muita violência e mortes, então se você não curte alguma dessas coisas, não aconselho que leia.
Fui surpreendida mais de uma vez pelos personagens, todos muito bem construídos, suas ambições e suas justificativas. Algumas delas foram para algo bom, outras foram totalmente decepcionantes, mas isso só fez a obra ficar ainda mais engrandecida. Mostra como o ser humano pode ser ruim, e isso realmente acontece na vida real, o que é triste e decepcionante, mas é a realidade.
A narrativa em primeira pessoa é minha preferida, e a autora sabe utilizá-la muito bem, já que temos a impressão de que quase podemos sentir o que Tris está sentindo, tamanha a realidade transmitida nas páginas.
Acho muito interessante o poder que a autora tem para explorar sentimentos, tanto nos personagens, quanto no leitor. Não existe ninguém bonzinho e sem defeitos, e também não existem aqueles só malvados. Todos apresentam os dois lados, como na vida real, como com os seres humanos são, com suas características positivas, mas também muitas negativas, que podem fazer mal ou bem ao próximo e a si mesmo.
No volume anterior, Divergente, conhecemos brevemente as cinco facções, sendo que algumas tiveram grande importância, então pudemos conhecê-las mais a fundo, mas algumas ficaram sem muito aprofundamento. Em Insurgente, as facções mal citadas no livro anterior foram bastante utilizadas nesse. E agora, depois de ter lido mais sobre todas, posso afirmar que gostei muito de conhecer esse modo de separação de sociedade que a autora criou e explicou, e afirmo que ela o fez muito bem, com suas características bem definidas, e as ações e os acontecimentos relacionados a cada uma delas foram muito bem desenvolvidos. Palmas para Veronica Roth.
Também acho muito bem feita a forma como a autora nos introduz ao cenário, dá para imaginar exatamente como é cada lugar por onde os personagens passam, sem ficar muito descritivo ou chato.
Tris é uma excelente protagonista (apesar de me irritar às vezes) e utiliza seu papel com maestria. E, apesar de ter caído um pouco no meu gosto, ainda admiro muito sua força e, mesmo em seus momentos de dúvidas ou incertezas, podemos ver sua coragem e seu altruísmo falando mais alto, e ela não fica melancólica e nem chata quando tem alguma dúvida, ou na hora de tomar decisões e isso é muito importante em um protagonista.
A única coisa que me incomodou um pouco é que Tris é imprudente até demais, ninguém normal é assim, e mesmo que fosse não teria tanta sorte quanto ela tem, ou seja, ela pode fazer as maiores loucuras, isso simplesmente porque quer e não porque é obrigada, e caminhar até a morte sem nem pensar duas vezes, mas é SEMPRE salva, em uma história que há muitas mortes isso é mais do que sorte, é ser protagonista, já que ela não poderia morrer se a história precisa continuar.
Posso dizer que Quatro conseguiu me conquistar ainda mais nesse livro? Não achei que seria possível a personalidade dele ficar ainda melhor, mas me enganei. Ele é apaixonante! Eu quero um Quatro para mim, onde encontro? Hahaha
Falando no casal, o romance não é o foco, mas ele não fica de lado nem é esquecido. E eu gosto demais da construção do sentimento e do relacionamento dos dois, com suas dúvidas, incertezas e às vezes não confiar plenamente um no outro, já que eles não se conhecem tão bem assim, e no momento em que estão vivendo um pouco de desconfiança é sempre bom.
Achei o final sensacional. Admito que não estava esperando por isso, apesar de lembrar outras obras mais antigas (quem leu provavelmente sabe do que estou falando, só não vou citar porque seria um spoiler e o leitor com certeza já saberia como termina e eu não quero isso), e não vejo a hora de ter em mãos “Allegiant”, terceiro e último volume da trilogia, que só será lançado em outubro lá fora, sem previsão ainda no Brasil.
Assim como o título Divergente tem um significado importante para a trama, Insurgente não fica atrás, e nesse volume podemos entender o que é ser uma pessoa Insurgente e gostei da forma como a explicação é introduzida.
Eu gosto muito de todas as capas da trilogia, mas acho que essa é a minha preferida (mesmo que eu não seja assim tão fã da cor verde). Também curto muito que elas tenham muito a ver com o conteúdo do livro, já que a facção ali representada tem grande importância no volume em questão. A diagramação segue o padrão da anterior, é simples, mas bem feita, com páginas amareladas e fonte em tamanho confortável para leitura.
Eu adoro distopias e já li diversas com os mais variados desenvolvimentos, mas posso afirmar que essa série é uma das melhores. Com uma trama recheada de suspense, ação, realidade e sentimentos muito bem explorados, recomendo demais para quem busca algo assim no gênero jovem adulto.
Avaliação



Free Four – Divergente #1.5 – Veronica Roth
Quem já leu Divergente, aconselho que leia o conto Free Four antes de começar a leitura de Insurgente porque tem algo que Quatro admite lá que depois é citado aqui, então não perde a graça.
Esse conto é pequeno, tem apenas doze páginas e é só para conhecermos a visão do Quatro do capítulo treze de Divergente. Sabemos um pouco mais sobre o que ele sente, o que pensa a respeito de sua facção e da Tris, e conhecemos um pouco de seu passado e de sua iniciação.
Eu só posso dizer que adoro quando posso ter outra visão da mesma história, principalmente escrita em primeira pessoa, então é claro que eu adorei ter a oportunidade de ler, principalmente porque é narrado por ele.

A Rocco disponibilizou o conto traduzido em PDF para download gratuito. Quem quiser baixar, é só clicar AQUI. Não vai ter versão impressa.
Avaliação






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10 comentários:

  1. Eu to doida pra ler esta série, a Geeh não para de falar sobre ela, e eu to super curiosa!

    Adorei a resenha, realmente não há nenhum spoiler, vou baixar este Free Four, assim que eu tiver o primeiro, leio ele em seguida!

    bjo^^

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  2. Adorei a resenha,assim como a ANA vou baixar esse 'Free Four' e assim que eu tiver o primeiro, leio ele em seguida! *-*

    Beijos eboa semana! da uma passadinha lá no blog! *-* http://des-conversando.blogspot.com.br/

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  3. Fiquei interessada na série, principalmente por fugir do estilo de livro que estou acostumada a ler; é exatamente o que estou procurando para ler no momento! :D Vou dar uma olhada nos preços, pois já que é da Rocco não deve ser assim tão convidativo! :~
    Em relação a série, gostei das características dos personagens, como você mesma descreveu, serem bem reais, mostrando que os dois lados (bem/mal) estão presentes em todos. Também gostei da parte do romance! ;)

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  4. Amei a resenha!!
    Estou muito curiosa para ler o livro, principalmente pelo filme, vi a foto e comentários dos fãs e fiquei muito curiosa!!!
    Estou querendo saber o q o Four tem para ter tantas fãs.....
    Que legal a editora liberar o 1.5!!!

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  5. Quero ler essa saga, só leio crítica positiva.
    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  6. To looooouca pra ler Insurgente! Li Divergente esse ano e adoro o fato de que nessa série o romance não é foco, e finais surpreendentes e mocinhos perfeitos? Tem coisa mais amor que isso? Adoreei! :D

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  7. Tenho bastante curiosidade sobre a série apesar de ser bem forte em algumas partes!!
    Eu sou bem eclética e costumo dizer que sou de momento e as vezes estou no momento de boas distopias, e como todas as resenhas que venho lendo são só elogios espero conseguir ler em breve!!
    A historia parece bem emocionante e cheia de conflitos!!
    Amei a resenha!!
    Beijão

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  8. Eu estou gostando dos livros deste gênero, e esta série é mais uma que eu quero ler.
    Bjs, Rose.

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  9. lendo e quero chegar ao final, ai que desespero! Tá boa a coisa, Jesus, é bom! *-*

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