O Circo da Noite - Erin Morgenstern

" Ladies and Gentlemen,
Welcome to the Freakshow!" - Mysteria - Edguy

Leitores e Leitoras do House of Chick sejam bem vindos ao Le Cirque des Rêves, mais conhecido como O Circo da Noite, da autora Erin Morgenstern pela editora Intrínseca. Uma viagem mágica por um universo preto e branco com pequenas pitadas de um vermelho escarlate!

No final do século 19 dois magos rivais resolvem mais uma vez se enfrentar, colocando seus aprendizes para duelar. O palco para a competição? Um circo, mas não qualquer circo. O Circo da Noite abre apenas durante a noite, tem como suas cores o preto e o branco, suas atrações são as mais variadas e diferentes possíveis, e o que sustenta tudo isso é um mistério que nos envolve em uma bolha de magia.

Fazer uma sinopse para esse livro é o primeiro desafio que esse livro me apresenta, afinal a sinopse criada pela editora sem dúvida não faz juz ao que o livro é. Embora o duelo tenha como resultado o circo, ele na verdade é apenas um pano de fundo da trama. Se você espera ver um duelo frente e frente, com disputas sangrentas ou até fortes não é o que você vai encontrar.

O livro é muito mais metafórico, filosófico e subjetivo do que costumam ser os livros de hoje. Não é um livro para qualquer um, mas uma vez que você aceita o convite para entrar nestas tendas elas te tragam como um buraco negro para um universo peculiar e único. A narrativa é em terceira pessoa, mas tem duas linhas, em algumas páginas encontramos o narrador incluindo o leitor na trama, como se você estivesse no circo, e nos demais capítulos a narrativa acompanha os diversos personagens, focando-se em Celia e Marco, os magos. E também a história que acontece em um futuro próximo de Bailey, que se junta a história de Celia e Marco no final da trama.

É muito rico o modo como a autora trabalha a formação do circo, todos os detalhes dele depois de pronto e seu funcionamento. Os detalhes são tantos que foi fácil me imaginar lá, entres as atrações como o Jardim de Gelo. O pé na literatura fantástica é gigante, embora ele penda para o maravilhoso, e de fato seja um livro maravilhoso, em muitos trechos da obra ficamos em dúvida do que é real e do que é trabalho de Celia e Marco, visto que a tecnologia disponível da época é também trabalhada com o relógio do circo por exemplo.

Celia é a ilusionista do circo, aceitou o fardo posto por seu pai mesmo sem compreender as regras do jogo. É sensível ao mundo e tem a marca da morte prematura da mãe como sombra, fruto do amor impossível pelo pai. Viveu sua vida toda confinada em teatros e treinando para o duelo, tem dificuldade de lidar com a vida real fora do circo.

Marco é o ajudante do produtor teatral Chandresh Christophe Lefèvre, acaba por aceitar o que lhe é oferecido porque não tinha nada mais em sua vida, e entre ser alguém e continuar no orfanato ele agarra a proposta do homem de terno cinza. Seu sim culmina com ele já crescido e trabalhando para Chandresh. É um personagem encantador, sedutor, mas não no sentido normal da palavra, é uma coisa mais sutil.

Bailey surge em trechos da história que se passam no futuro como já comentei, é um menino que tem uma vontade de ser mais do que um fazendeiro de maçãs que seu pai deseja, mas ainda não sabe o que quer ser. Quando encontra o Circo da Noite sua vida muda, e nunca é mais a mesma.

Os demais personagens como os irmãos gêmeos Poppet e Widget  que nascem no momento da abertura do circo; Herr Friedrick Stefan Thiessen relojoeiro que cria o grupo dos rêveurs: seguidores e adoradores do circo; Tsukiko a contorcionista; Isobel e seu tarot entre outros completam a história de maneira adorável. Amei acompanhar a história de cada um deles, como a criação do grupo de rêveurs.

Existem boatos da adaptação do livro para o cinema, mas não encontrei nada oficial a respeito. O fato é que se o livro for bem adaptado vai se transformar em um filme único!

Rêveur de carteirinha eu receio não ter conseguido fazer uma resenha a altura do livro, ele é tão surreal que é difícil colocá-lo de forma linear sem que para isso spoilers surjam. Abra seu coração, sente com uma caneca de chá em mãos, e esqueça do tempo, pois O Circo da Noite é um livro único que vai lhe apresentar um amor único, a magia que transcende a matéria e um sonho que onde nada é impossível.


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Cisne - Eleonor Hertzog

Quando eu vi a capa deste título pela primeira vez, logo fiquei encantada com os seus detalhes, pois além de ter golfinhos super fofos pulando no mar, o navio que está na imagem representa um deles, e isso me deixou bastante intrigada para saber mais detalhes sobre essa história, fazendo com que eu corresse para procurar a sinopse. Após a minha leitura do pequeno resumo do livro, fiquei ainda mais empolgada com esse título e doida para começar a ler esta obra. Agora, depois de ter lido as mais de oitocentas páginas, venho contar para vocês o que achei da leitura.
Em Cisne somos apresentados à família Melbourne, que, diferente das outras famílias, vive em um grande barco científico em um futuro não tão distante, com os seus vários integrantes. Conhecemos também a Escola de Champ – Bleux , um colégio avançado que forma os melhores alunos na área cientifica, sendo que somente duzentos e cinquenta de milhares de alunos são aprovados. Os critérios de avaliação deles são extremamente rigorosos.
Poucas pessoas tem a autorização de entrar no Cisne, um barco que encanta a todos que o veem, e é nele que nossa história se passa, com vários integrantes dentro deste barco. Viajamos junto com esses passageiros (não vou falar um por um, pois são diversos) e vemos quando eles têm que abrir as portas para abrigar alguns estagiários e um repórter, e, por este motivo, eles sempre têm que tomar cuidado, já que o repórter tariliano, também conhecido por Giles, adora distorcer as histórias e inventar coisas, a fim de ganhar destaque.

Não vou explicar muito da história, pois ela é bastante complexa e cheia de detalhes, e acho que se eu tentar entrar um pouco mais nela posso acabar confundindo vocês, e como o livro é tão incrível e a autora consegue entrelaçar tudo, fazendo com que a fique perfeito, recomendo que você vá descobrindo conforme for lendo, já que você se sente inserida dentro do contexto, como se fizesse parte daquilo.
Achei muito legal tudo que a autora criou. No início pode até parecer um pouco confuso, com todas as informações sobre os outros planetas, mas à medida que vamos lendo e entendendo melhor a história, conseguimos acompanhar de maneira bem fácil e, com isso, aproveitar essas explicações sem problema nenhum.

A narrativa é rápida e fluida, tendo sempre novos acontecimentos na trama, o que não a deixa ficar parada nem monótona. Os personagens são incríveis e logo nos cativamos com todos eles. Muito bem construídos, cada um deles tem uma característica específica que deixa a história mais empolgante. Além de tudo, eles ainda proporcionam ótimas risadas e deixam a obra ainda mais gostosa de ler.

A capa é muito bonita e, apesar de eu ter sentido falta da orelha do livro, achei seu trabalho gráfico incrível. A diagramação está muito boa, com um bom espaçamento entre as letras e a fonte está em tamanho confortável para a leitura. As páginas são amarelas e no começo de cada capítulo há uma ilustração com o mesmo barco da capa.
O final foi tipo maravilhoso e que ainda deixa a história com um gostinho de quero mais. Estou contando os dias para poder ter em mãos a continuação desta série maravilhosa escrita com maestria por Eleonor, uma autora brasileira que está dando muito orgulho para nós, leitores.

Recomendo este livro para todas as pessoas que gostam de uma história cheia de segredos e mistérios, com bases espaciais, outros planetas, personagens surpreendentes e fofos e uma narrativa incrível, além de ser bem cativante e não deixar a gente largar o livro até chegar ao fim.
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Uma porta para um quarto escuro – Antonio Cestaro

Em “Uma porta para um quarto escuro”, do autor Antonio Cestaro, nos apresenta textos magníficos e sutis sobre o cotidiano e a condição humana através de uma linguagem leve e descontraída, que mexe com nossos sentimentos, ora nos deixando alegres, ora tristes.
Alguns textos foram narrados em primeira pessoa, mas também há aqueles narrados em terceira pessoa, e a impressão que tenho é que cada capítulo retrata uma fase da vida do autor, talvez misturando o real com a ficção.
As crônicas são curtas e falam do cotidiano, e apresentam personagens que parecem pessoas reais (e talvez sejam mesmo), então muitos leitores vão acabar se identificando com um ou mais textos presentes nessa obra.
O modo como o autor as selecionou, sendo que todas foram escritas em épocas bem distintas (e algumas estavam até engavetadas), nos fazem refletir sobre uma questão que aflige a toda a população, com mais intensidade para alguns e menos para outras: a passagem do tempo.

Com o passar das páginas, podemos ver o crescimento do autor, ao despir suas lembranças, de forma literal, metafórica e estilisticamente. Suas palavras nos atingem em cheio com tamanha sinceridade e simplicidade, conquistando o leitor facilmente.

Para terminar de falar sobre o livro “Uma porta para um quarto escuro”, gostaria de falar sobre o trabalho gráfico. A capa, que é dura e muito bonita, é uma porta em madeira com detalhes em alto relevo, dando a impressão que é de verdade, sem nem uma palavra escrita. É na lombada que encontraremos as informações sobre o livro: título, nome do autor e editora.

Para dar mais ênfase ao título, quando abrimos o livro, encontramos todas as páginas na cor preta, e a palavras são todas em branco, esse contraste é maravilhoso e funciona muito bem, eu pelo menos gostei bastante desse recurso. As páginas foram impressas em papel Eurobulk, que é de ótima qualidade e lembra folhas de revista, só que bem grossas.

Cada crônica tem um título, que está com um bom espaçamento do texto em si, e a fonte também está em tamanho ideal para leitura sem cansar. Também há várias ilustrações em todo o livro, feitas por Amanda Rodrigues Cestaro, filha do autor do livro, Antonio Cestaro, e elas dão uma certa leveza ao texto, já que são coloridas e fazem bastante contraste com as páginas e palavras.

Recomendo a obra para todos que gostem de crônicas (de acordo com o dicionário: “Histórias que expõem os fatos em narração simples e segundo a ordem em que eles se vão dando”), muito bem escritas, que nos falam, metaforicamente, como “uma chave para o quarto escuro da alma”.
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A Gata Borralheira – Toni Brandão

Nessa história super fofa (um dos meus contos de fadas preferido, o outro é A Bela e a Fera), conhecemos a protagonista, carinhosamente chamada de Gata, e horrivelmente de Borralheira por causa do borralho, sujeira que sai da lareira, já que ela está sempre suja assim.
Gata perdeu a mãe ainda novinha e o pai se casou novamente, pensando que daria uma família a ela, até que morreu e a deixou com a madrasta (e bota má nisso!) e sua duas filhas feiosas, Joélica e Narilda, que são um trio infernal e vivem maltratando Gata, fazendo-a trabalhar mais do que um ser humano poderia aguentar, fazendo as piores coisas, como limpar os pinicos super sujos das irmãs.
O Rei King, cheio de dívidas e querendo dar um jeito no Príncipe Alexandre, que só pensa em farrear, resolve fazer um baile convidando todas as moças ricas e solteiras para encontrar a pretendente ideal para se casar com o Príncipe.

Com a ajuda da Fada Madrinha, seus três amigos ratinhos, uma abóbora e muitos retalhos, Gata ganha a aparência de uma verdadeira princesa com seus novos sapatinhos de cristal, mas só tem até meia-noite para aproveitar a festa antes que o feitiço acabe.
Para quem não sabe (mas acredito que todos já devem saber), Gata Borralheira é um outro nome dado a história da Cinderela, e essa versão super fofa foi escrita pelo autor nacional Toni Brandão e ilustrada pela talentosa Ana Raquel.

Com uma linguagem bem jovem, leve, descontraída e recheada de diálogos, essa história que flui muito bem, foi narrada em terceira pessoa e acompanha vários personagens, inclusive os três ratinhos super fofos, Zeca, Juca e Kiko, mas a protagonista é a Gata Borralheira.

Não há muito o que comentar a respeito dessa obra, já que todo mundo conhece o conto, mas há uma algumas pequenas mudanças nessa versão de Brandão, como, por exemplo, o lugar e o modo como Gata e Príncipe Alexandre se conheceram, que funcionaram muito bem.

O que faz a maior diferença, além das mudanças sutis, é a parte gráfica, que está muito bem feita. O livro está em um formato maior do que o padrão, o que chama a atenção, as folhas são em papel couché, aquele que parece de revista, só que grosso, todas as páginas estão na cor lilás, exceto as de ilustrações, que estão lindas e parecem quadros, e ocupam a página inteira e possuem margens de cores diferentes. A capa está lindinha, dá a impressão de livro antigo de contos de fadas mesmo, e há verniz localizado no título e no nome do escritor. A parte de trás das capas é laranja e só há uma orelha, na qual há uma mini biografia do autor e da ilustradora.

Recomendo essa edição desse clássico infantil para todos aqueles que gostam de contos de fadas, para relembrar os bons momentos da infância, ou tem vontade de presentear alguém com um livro especial.
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O Rosto que precede o Sonho – Mauricio Gomyde

"O Rosto que precede o Sonho" conta sobre a história de Tomas Ventura, morador de um veleiro oceânico de 36 pés que flutua sobre o lago de Brasília, ancorado na Marina Norte. É um homem solitário e procurava por isso. Depois da morte de seus pais, ele sempre se culpou, pois tinha sinais de coisas que iam acontecendo, só não conseguia entender, e foi ele que falou para seus pais irem à viagem que causaria seus óbitos. Com o tempo isso foi melhorando, apesar de não deixar de ser algo importante em sua vida.
Como é um compositor de trilhas, seu violão, sua vitrola e seus discos sempre o acompanham. Conheceu uma jovem chamada Aurora, com os olhos cor de mel que o encantou muito. Ela era fotógrafa do National Geographic em Washington, e a matéria que a levou à Brasília foi “Borboletas do Cerrado Brasileiro”, sugestão dela já que seu pai morava lá. O encontro dos dois, a convivência, foi algo mágico. Acho que muitas mulheres gostariam que fosse assim com elas, um encontro de almas, afinidades, afins.
“Não passe a vida esperando por seu grande amor. A hora sempre chega. Quando você menos imaginar, lá estará ele exatamente dentro de seus próprios olhos.”
Quando começo a ler um livro tento logo entrar na história, como se fizesse parte dela, só assim entendo melhor e me coloco muitas vezes no lugar de um personagem. Não precisei ir muito longe com “O Rosto que precede o Sonho”, pois tudo foi se encaixando perfeitamente no decorrer da leitura, e fiquei extasiada e feliz por participar, mesmo que por fora, apenas com o papel de observadora, desse incrível romance.

Logo no começo somos apresentados a um segredo, mas é só bem para o final que vamos saber que segredo é esse, visto que ele guardou a caixa com papéis que o revelavam e disse que não a abriria mais. Então vamos esquecer também, pois segredos são segredos, quem não os tem?
Tudo se encaixa muito bem e logo “descobrimos”, com as deixas que o autor solta com o passar das páginas, como vai se desenrolar e terminar a história, mesmo deixando uma dúvida em nossa cabeça. Mas teve um momento que eu não queria acreditar no que lia, apesar de estar ali nas entrelinhas, bem explicado para um bom entendedor.
“– Acho que borboleta mesmo. Não importa que não esteja no topo da cadeia alimentar. Olha só, no Japão elas significam Espíritos Viajantes; no Vietnã, Longa Vida; pros egípcios antigos, a forma da alma como a pessoa morria; e, nas culturas mexicanas antigas, a representação do amor.”

Que história sensacional e muito bem escrita! Adorei o protagonista, que é um homem sensível, romântico, inteligente, vibrante, bem sucedido, e por causa dos diálogos e das cenas vivenciadas por ele, me senti bem próxima. Também gostei muito de Aurora, já que me identifiquei com ela, também a achei bem sensível e carismática, e acho que ela formou um par perfeito com Tomas. Além dos dois protagonistas, curti todos os outros personagens, mesmo que eles tenham aparecido pouco, como Benjamin, seu melhor amigo, e outros amigos, que foram bem importantes na trajetória do personagem principal.
O livro é curto, tem apenas 174 páginas, a leitura é fluida e não cansa, a narrativa é rápida, inclusive porque há muitos diálogos, o que eu achei bem legal porque deixa o livro mais dinâmico, e ainda é bem envolvente.
Vários trechos são letras de músicas e, como são em inglês, sempre vem com a tradução. Acho isso muito importante porque tem leitor que não sabe a língua e muitos livros de diversos autores não apresentam tradução.
Não sei se mudaria o final, pois tudo se encaixou perfeitamente conforme o livro, mas eu esperava ter visto uma reviravolta, inclusive porque o autor passou uma sensação de que isso aconteceria, e porque eu, particularmente, prefiro finais mais felizes.

“Quero ser de forma completa esse em quem me transformei. Ou no que me transformarei a cada novo instante. Porque não sou mais o que era há alguns minutos antes de começar a escrever. Somos fruto das nossas escolhas, e o que se apresenta é resultado de cada decisão que tomei ao longo da minha trajetória.”
A capa, mesmo simples, é bonita e passa a mensagem do livro, mas eu não gostei do rosto da mulher atrás do cenário, acho que ficou poluído e teria ficado mais bonito se fosse apenas a cena com o barco. O nome também tem bastante a ver com o conteúdo.
A diagramação está ótima, com fonte e espaçamento muito bons para a leitura fluir melhor. Em cada capítulo, ou mesmo na passagem da história para outros diálogos ou momentos, há uma nota musical, que achei fofa. E na última folha há uma caricatura do rosto do autor, que adorei.

Uma frase muito bonita de Gomyde, antes mesmo de começar a história deste livro que acho legal citar para vocês: “Meus livros não são sobre minha vida. Minha vida, sim, que é toda feita pelos meus livros.”
Essa é uma história muito bonita, poderia até dizer, maravilhosa. Vida e morte, tudo entrelaçado, em suas páginas, junto com um enredo marcante, uma narrativa emocionante e gostosa de se acompanhar, com personagens ótimos e carismáticos. Tenho certeza que os fãs de Nicholas Sparks vão se apaixonar por Mauricio Gomyde e sua deliciosa escrita, e mesmo os que não são fãs, e gostam de um lindo romance, muito bom e gostosinho de ler, recomendo essa leitura.
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Pobre não tem sorte #02 – Leila Rego

Essa resenha é sobre a continuação de "Pobre não tem sorte" (para ler a resenha, basta clicar no título), mas não apresenta nenhum tipo de spoiler, nem do primeiro volume.
Com o subtítulo “Alguma coisa acontece no meu coração”, podemos continuar acompanhando a saga e as loucuras (no bom sentido da palavra) da protagonista Mariana Louveira, uma mulher super estilosa, que não sai de casa sem estar bem arrumada e com make completa, mas que, atrás de toda sua aparência de patricinha metida e sua antiga atitude arrogante e que se acha superior aos demais, tem um bom coração.
O que acontece é que Mariana era uma pessoa ótima até que ficou noiva de Edu, bonito, rico, educado, médico, fofo, e todas as qualidades que se pode imaginar, e de repente seu ego começou a subir e ela passou a tratar todos de uma forma diferente, além de ficar bem fútil (no sentido bem ruim da palavra) e ter atitudes que até mesmo ela se envergonha de lembrar agora. Até que uma coisa terrível aconteceu com ela, que passou a se olhar com outros olhos e começou a mudar e a crescer como ser humano.
Agora ela está se mudando de Presidente Prudente para São Paulo junto com sua amiga Clara, em busca de seus sonhos e de uma melhora de vida e de personalidade. Mas já para começo de conversa, em sua lista de prioridades, procurar emprego está em último lugar, primeiro ela precisa visitar os shoppings e escolher seu preferido, conhecer famosos, fazer umas comprinhas, frequentar lugares caros e badalados... espera, então Mari não mudou tanto assim.


Pois é, ela não poderia prever que a vida em Sampa seria mais difícil, mais competitiva e com um ritmo totalmente diferente do que estava acostumada. Longe de sua família e de Edu, e sem muitos amigos, ela vai precisar se desdobrar enquanto segue em sua busca por um emprego, afinal agora já está vivendo na reserva e com empréstimos da amiga. É a partir desse momento que Mariana vai realmente conseguir mudar suas atitudes e vai perceber que para ser uma garota descolada ela não precisa apenas se vestir bem e frequentar lugares badalados, e começa a olhar para si mesma e para o passado, e enxerga sua vida com outros olhos, passando a ver que existem coisas mais importantes e que precisa mudar suas prioridades.
Como já comentei em algumas resenhas minhas (quem acompanha já deve ter lido em alguma), eu gosto muito de ler livros onde o protagonista começa de um jeito não muito legal, passa por um crescimento, e no final termina mais maduro, me conquistando nesse processo e me fazendo torcer por ele. E foi o que aconteceu com “Pobre não tem sorte”, no primeiro volume Mari começou uma pessoa bem desagradável e, ao terminar de ler o segundo (mesmo que ela já tenha tido uma melhora significativa no primeiro), podemos ver a diferença do antes para o agora, e eu a adoro.
Como esse livro é um chick lit, já dá para imaginar que a história será recheada de humor e a personagem principal vai passar por diversas situações bem engraçadas e algumas absurdas, levando o leitor a dar muitas risadas. Mari também tem um quê de Becky Bloom, a consumista mais conhecida e adorável da literatura, inclusive há uma citação sobre ela nesse livro, o que eu adorei.


Achei muito legal que a Mari fez um blog de moda e textos, e nós pudemos conhecê-lo um pouquinho, inclusive eu amei a história de Duda e João Sabiá criada por ela, que mesmo bem curtinha me conquistou totalmente! Queria poder ler mais sobre eles, se Leila escrevesse esse livro, tenho certeza de que eu o leria.
Eu adoro todos os personagens criados pela autora, mesmo aqueles que quase não aparecem na história, mas que têm grande importância na vida da protagonista, e também os que vira e mexe estão participando de sua rotina, como seus pais, sua irmã mais nova, sua amiga Clara e seu novo namorado, um novo amigo super gracinha que surge em meados da história, todos foram bem construídos e adorei acompanhá-los.
Tem um capítulo narrado por Edu, que eu sinceramente adorei e fiquei querendo mais. Falando no personagem, gosto muito dele desde o primeiro livro e sempre torci para que eles ficassem juntos, mas não gostei das atitudes dele ao longo desse volume, então o resto acabou perdendo um pouco da importância e da magia para mim, o que foi uma pena.


Gosto muito da narrativa de Leila Rego, acho que ela é uma ótima autora e está no patamar das grandes. Ela consegue entreter o leitor de uma maneira ótima, que nos deixa super encantados com a história em si e com tudo o que está acontecendo, além de criar personagens incríveis e situações bem divertidas. Só não achei que ela situou bem o leitor em relação ao livro anterior, e como eu o li há bastante tempo, teve coisas que eu não lembrei e ficou por isso mesmo.
Sobre a parte gráfica, eu até gosto dessa capa e acho fofinha, mas acredito que se fosse melhor trabalhada conquistaria muito mais leitores. As fontes utilizadas estão em tamanho pequeno, o que pode incomodar algumas pessoas na hora da leitura e as páginas são brancas. Cada início de capítulo há um trecho de uma música nacional ou da Shakira, e eu adorei as escolhas, elas têm tudo a ver com o capítulo em questão. O nome dos capítulos, escrito de forma extensa, vem acompanhado de dois coraçõezinhos, iguais ao que foi utilizado na divisão dentro dos capítulos. E no final há algumas páginas com diagramação diferente, por causa do blog da Mari, o que eu curti bastante.
Só acho que a revisão poderia ter sido melhor, já que encontrei diversos erros de português, isso não costuma me incomodar quando aparece em pouca quantidade, mas nesse caso teve bastante.



Não gostei que os tamanhos dos livros são diferentes, o primeiro volume teve uma nova edição e, mesmo assim, ele continuou em tamanho menor do que o segundo, não entendo o motivo e acho que fica horrível na estante, inclusive porque eu tenho que separá-los por esse motivo e não gosto disso.
Se você busca um ótimo chick-lit nacional, com uma narrativa rápida e fluida, que vai te divertir, fazer com que você torça pela protagonista, para que ela possa alcançar tudo o que almeja, adora torcer por um casal, se gosta de personagens, inclusive os secundários, bem cativantes e que te conquistam facilmente, então não deixe de ler os dois livros sobre a vida de Mari Louveira, Pobre não tem sorte 1 e 2, Alguma coisa acontece no meu coração.


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In Our Living Room – Paula Ottoni



Na coluna In Our Living Room de hoje trouxemos uma convidada super fofa, a Paula Ottoni, que já lançou dois livros, de forma independente, e que espera o lançamento do terceiro, “A Garota da Torre”, que faz parte de uma trilogia, em breve pela Editora Gutenberg.
Sobre a autora: Brasileira, brasiliense, nascida em 16 de Setembro de 1992, estudante de Design na Universidade de Brasília. Paula Ottoni foi o pseudônimo que criou para se lançar como escritora. Leitora voraz, Ana Paula Fogaça começou cedo a escrever. Aos treze anos terminou seu primeiro livro de ficção (nunca divulgado nem lido), o qual ainda pretende reescrever um dia. A partir daí não parou mais de criar histórias. Em junho de 2010 teve o conto "Projeto do Amor" publicado na revista Capricho, e nos anos seguintes publicou, de forma independente, os livros “Uma Princesa em Meu Lugar” e “A Destinada”, esse último com resenha aqui no blog, para conferir, clique AQUI.
Quer conhecer melhor a Paula e suas obras?
Também confiram a entrevista, que ficou ótima! :D
Sabemos que os contos de fadas fizeram parte da sua infância. Eles ajudaram a desenvolver seu lado de escritora? Se sim, como isso aconteceu?
Não sei se há alguma comprovação científica de que contar histórias para crianças as ajuda a desenvolverem significantemente sua criatividade e o amor pela criação narrativa, mas acredito sinceramente que comigo isso aconteceu! Minha mãe sempre me contava histórias, eu tinha coleções daqueles livrinhos de contos de fadas, que eu amava, até mesmo os mais tristes (tipo “A Pequena Vendedora de Fósforos”...). Eu era apaixonada pelas princesas e tive aniversários temáticos (eu adorava girar usando aqueles vestidos de Bela e Cinderela haha).
Minha mãe estava sempre lá me inserindo cada vez mais no mundo mágico (e instrutivo) dos contos, me levava fitas de vídeo (sim, nada de DVDs nessa época rs) de vários desenhos, eu lia gibis, livros ilustrados e via filmes infantis e acho que isso faz toda a diferença na formação de uma criança. Afinal, são estímulos, elas aprendem com aquilo que veem e vivem, e eu sempre fui estimulada a sonhar e todo esse tipo de coisa que as histórias fantásticas ensinam. Escritores são movidos por sonhos, frustrações, pela beleza e o caos, por uma sensibilidade que está dentro deles e é construída com o tempo e a observação do mundo.
Costumo dizer que o meu mundo é o da fantasia. Desde pequena, e até hoje, sonho em ser transportada para uma dimensão mágica paralela. Uma carta de Hogwarts, um armário, qualquer coisa ou pessoa “maluca” dizendo que há um outro mundo impressionante, cheio de aventura e coisas impossíveis acontecendo, honra, seres mitológicos, heróis e deuses, romances intensos e batalhas épicas. Enquanto não acho esse portal (e vou continuar esperando), eu me refugio na escrita que, de certa forma, me rapta por algumas horas e faz real toda essa imaginação. 
Paula Ottoni na verdade é um pseudônimo. Qual o motivo de você não ter usado seu nome verdadeiro para assinar suas obras?
Então... não sei se há uma resposta exata. O que provavelmente me fez decidir por isso foi o fato de que sou no geral uma pessoa reservada, e escrever e viver a minha “vida normal” meio que acabavam sendo duas coisas distintas. Estou estudando para uma carreira que não vou dizer que não tem nada a ver com a escrita, porque em muitos pontos as coisas podem se sobrepor ou, pelo menos, se complementar. Mas, bom, eu sou uma estudante universitária de Design, e senti que o meu lado escritora meio que tinha de ser separado de alguma forma. Eu teria dificuldade de me organizar se não o fizesse. Com o pseudônimo, eu sei a hora de assinar como Paula Ottoni e a de ser a Ana comum do dia-a-dia, futura designer. Mas eu sou eu, um nome é apenas um nome (momento filosofia barata haha), mas gosto de ser a Ana e a Paula, e a Ana Paula, onde as duas viram uma. Pensei, ainda, em termos mais “práticos” de nome, o que soa melhor, fica mais curto e fácil de escrever, etc. Também não é um sobrenome que não tem a ver comigo, ele tem sim, bastante. Ottoni é da família da minha mãe e eu não herdei.
Você já escreveu diversos livros, sendo que alguns deles ainda nem foram publicados. Você está procurando editora para eles, tem previsão de publicar de forma independente ou pretende deixá-los guardados por algum tempo ainda?
Ah, e aqui eu venho com a maravilhosa notícia! Agora eu tenho uma editora!! \o/ Meu próximo livro, “A Garota da Torre”, vai ser publicado pela Autêntica, selo Gutenberg! Não há data prevista ainda, mas estamos trabalhando cuidadosamente no texto para que fique o melhor possível para os leitores! “A Garota da Torre” é o primeiro de uma trilogia de ficção fantástica para o público jovem. Em breve divulgo mais detalhes, mas o livro já pode ser encontrado no Skoob. Tudo por enquanto é provisório, inclusive a capa representativa. Mal posso esperar para que conheçam essa história! ;D
Seu conto “Projeto do Amor” venceu a 5ª etapa do concurso de ficção CaprichoFic, e foi publicado na revista Capricho depois de ser lido por Meg Cabot. Qual foi a sensação de saber que uma autora consagrada internacionalmente escolheu o seu dentre diversos contos e que depois ele foi publicado em uma revista conhecida no país inteiro?
Cara, não tem preço!! É uma coisa, tipo assim, “UAAAAU, OMG!” Até hoje não acredito! haha Imagina a minha cara quando em 2010, sem nem previsão de publicar nada ainda, eu recebo um telefonema, à noitinha, vendo um dos meus programas de TV favoritos na época (dica: Heartland, série canadense sobre um rancho de cavalos, duas irmãs e um avô), sozinha em casa, aí atendo e uma moça me diz algo como, “Oi, aqui é da revista Capricho, seu conto venceu o concurso de ficção!”, eu tipo “O quê? É brincadeira, né? É sério isso??”, daí comecei a pular, gritar, chorar, perguntei qual o conto (porque eu tinha mandado dois. O que venceu foi o segundo), e ela me disse que todo mundo lá tinha adorado o “Assimilador-de-Pensamentos-Ulta-Sênior-3000”, e eu sem acreditar! haha
Quando desliguei, tremendo, saí ligando pra todo mundo, e tudo o que eu queria era que minha mãe chegasse logo em casa para eu contar a novidade. Antes de sair a revista fiquei indo na banca o tempo todo, quando chegou comprei logo duas. Isso me deu muita esperança, numa época em que eu não tinha confiança suficiente em mim mesma e já estava meio desiludida com os muitos “nãos” que já havia recebido. O que tiro disso tudo e aconselho é: acredite!! Você pode ser lido por sua autora preferida, e ter seu texto numa revista famosa, mesmo que mais de uma dúzia de editoras tenha dito não para as suas escritas.
Em 2011 você publicou seu primeiro romance, “Uma Princesa em Meu Lugar”, de forma independente. Como foi essa experiência? Ficou feliz com o resultado?
Essa publicação independente pelo site Bookess, a qual não me gerou custos, não foi - e eu sabia na época - a melhor maneira de disseminação do meu livro, por motivos de qualidade gráfica, pouco ou nada de retorno em lucros, dificuldade de compra e distribuição, etc. Porém eu não me arrependo e sou muito grata por ter tido essa ideia, porque foi a minha porta de entrada para o mundo editorial, o que me deu leitores, confiança, esperança, feedback, parceiros, e, em resumo, me levou a começar a construir meu nome como escritora. Acho que foi um ótimo começo!
Não precisei me prender a contratos inicialmente, quando eu ainda nem sabia o que queria, e tenho a possibilidade de ainda mudar o que quiser no livro. Eu vejo mais como uma experiência, um teste para saber se eu deveria ou não pisar o meu próximo passo. Sou grata a todo mundo que leu “Uma Princesa em Meu Lugar”, que está lendo ou ainda vai ler, aos que divulgaram, resenharam, participaram do BookTour... Absorvi todas as críticas e opiniões com a visão mais positiva possível, e quando ele for publicado por uma editora, tenho certeza de que estará muito mais preparado, graças a todo esse retorno que obtive com minha tentativa independente. Posso dizer então que, sim, fiquei bastante feliz com o resultado, mas, claro, ele é apenas o primeiro ladrilho em um longo caminho.
Em "A Destinada", a protagonista Eliza é uma vidente que, depois de encontrar com um rapaz através de sonhos bem reais diversas vezes, descobre que é a única que pode salvá-lo de um assassinato e que ele pode ser o amor de sua vida. De onde você tirou inspiração para escrever essa história?
Na verdade não sei... rs talvez de tudo um pouco. O que aconteceu foi que em uma noite de férias eu estava em casa, deitada no sofá procurando algo para ver na TV, e pensei, “Quero escreveu um outro livro, desta vez mais longo, mais sério, mais intenso. Sobre o que ele vai ser?” Daí comecei a pensar, pensar, peguei um papel e fui escrevendo temas e eliminando. Nessa mesma madrugada me veio a ideia de “A Destinada”, defini as linhas gerais, elaborei uma sinopse simples e a partir de então fui desenvolvendo e pensando nos detalhes.
Você escreveu o romance “Half Moon” em inglês. Como foi a experiência de escrevê-lo em outra língua? Há também a versão nacional dele ou é apenas algo para o futuro?
Na verdade escrevi “Half Moon” (Meia-Lua) em português e depois ele foi traduzido para o inglês. Foi uma das minhas várias tentativas para achar meu “lugarzinho” no mercado. E mesmo eu não tendo conseguido um editor americano, a publicação na Amazon foi uma excelente ideia. Ele está chegando a vários países do mundo (até no Japão!), e essa é a grande vantagem de se ter uma versão em inglês. Agora que tenho uma editora, preciso esperar a decisão deles, mas “Half Moon” tem grandes chances de ganhar as livrarias do Brasil em breve!
Você se identifica mais com algum de seus livros? E com algum dos personagens criados por você? Se sim, quais e por quê?
Acho que cada uma das minhas personagens rouba um pouco de mim. Lucy, de Half Moon, é mais agitada, falante e garota moderna de carteirinha (eu, pelo contrário, acharia bem legal voltar ao passado e vestir roupas de época haha), já Eliza, de “A Destinada” é mais calma, suave, introspectiva, mas também corajosa e determinada. Acho que há muito da Eliza em mim (já até ouvi isso hehe). Sobre os livros, sinto uma forte conexão com todos e com a maioria dos personagens masculinos que fazem par com minhas protagonistas. São histórias que, em sua maioria, eu gostaria de viver - pelo menos alguma parte delas!
Sempre que podemos, gostamos de saber quais atores/atrizes o escritor gostaria que interpretassem seus personagens no caso de suas obras virassem série de TV ou filme. Quem você gostaria que interpretasse os protagonistas de “A Destinada”?
Nas minhas referências pensei no Joe como o Ben Barnes (sou muito “in love” por ele haha). Gosto de ficar achando correspondentes na vida real para os personagens que imagino, ou ao menos uma representação bem parecida com o que tenho na cabeça. Pesquisando imagens e modelos consegui achar o “elenco” perfeito. O que acham? 

Ping-Pong:
- Uma curiosidade inédita sobre você: Penso em, no futuro, escrever roteiros. Quem sabe?
- Um autor nacional: Carina Rissi
- Um autor internacional: J.K. Rowling
- Um livro: “A Culpa é das Estrelas” - John Green
- Um programa de TV: The Voice
- Paula Ottoni em uma palavra: Determinada

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Os Segredos de Landara – Bruna Camporezi

Em “Os Segredos de Landara”, livro de estreia da brasileira Bruna Camporezi, conhecemos Landara, uma ilha bem peculiar, com criaturas extraordinárias, poderes mágicos e civilizações bem diferentes, através de uma jovem que acaba acordando sem memória nenhuma (ela não sabe nem o próprio nome!) em uma prisão no local.
Assim que ela acorda, sem saber onde está e nem o motivo de estar ali, vai em busca de respostas, mas não tem como ir muito longe já que está trancada em uma cela. Logo tenta se comunicar com o prisioneiro vizinho, James, um pirata que acaba se tornando seu amigo, e, juntos, conseguem escapar e partem em busca de desvendar os mistérios do local e montam um plano para, também, ajudar a outras pessoas que estão encarceradas injustamente, como eles.
Para isso, a garota, primeiro, vai precisar encontrar um cientista que pode ajudá-la a recuperar sua memória e, junto com James, vão acabar descobrindo que ele esconde algo muito poderoso que pode destruir tudo o que conhecem se cair em mãos erradas. No caminho eles acabam fazendo novos amigos, que passam a acompanhá-los nessa aventura, e enquanto a jovem começa a desvendar seu passado, aprende e descobre mais sobre a ilha misteriosa e seus habitantes.


Adorei a história criada por Bruna, a autora é novinha e tem apenas 20 anos, mas sabe como escrever muito bem,  e muito melhor do que muita gente mais velha, sua narrativa é envolvente, fluida e bem desenvolvida, com personagens e criaturas incríveis, um enredo bem objetivo e rico em detalhes, mas sem ser descritivo demais, tem romance e aventura na medida certa.
Falando em criaturas, há muitas delas com nomes bem diferentes, mas deu para entender, imaginar e gravar tudo direitinho, já que ela conseguiu passar as explicações de forma simples e muito bem feitas, sem confundir o leitor.
Como esse é o primeiro volume de uma trilogia, ainda falta muita coisa para acontecer, e esse livro acabou tendo um teor mais introdutório. Nós conhecemos Landara, aprendemos mais sobre o local e as criaturas que ali vivem, conhecemos também os personagens e já podemos nos identificar bastante com eles, e descobrimos alguns segredos que rodeiam a história. Há ação em algumas cenas, mas o propósito maior que eles buscam ainda está por vir, aqui nós só estamos sendo levados a ele, mas ainda falta para alcançá-lo. Só espero que os próximos volumes não demorem tanto assim para serem publicados porque eu quero saber como a saga continua e, claro, como vai terminar.

O romance, apesar de ter sido meio rápido, me conquistou. Os personagens têm química e o modo como a protagonista meio que lutou contra a atração física imediata que sentiu pelo seu “pretendente” antes de, enfim, se envolver, foi ótimo, inclusive porque ela faz uns comentários engraçados.
Ah, e para os que não curtem triângulo amoroso, uma ótima notícia, ele não existe aqui. Em alguns momentos, no começo, você pode acabar acreditando que a autora vai dar início para algo do tipo, com mais de um pretendente, mas quando você conhece de quem ela realmente vai gostar, isso fica bem claro, não existe outro para ela.
A narrativa é em primeira pessoa e é bem leve e divertida, mesmo nos momentos de tensão há alguma coisa, como um comentário, para aliviá-la. Não espere algo cheio de ação e sangue porque, apesar de essas duas coisas existirem, elas não são exploradas de uma maneira forte.

Gostei de todos os personagens de modo geral, mas minhas preferências são pela protagonista, por Derick, nem preciso comentar muito sobre ele, além de: “Meninas (e meninos), vocês vão querer um desses para vocês também!” (Aliás, antes mesmo de ler, já sabia que ia gostar do Derick pela forma como a autora fala dele. Hahaha), e por James, ele é um pirata hilário, amigo e leal, e me conquistou logo no começo do livro.
O que eu achei bem interessante da escrita de Camporezi é que, além de possuir uma criatividade imensa, ela não deixa nada ser óbvio, mesmo quando a gente pensa que aquilo era algo forçado para fazer com que as coisas dessem certo, ela coloca uma explicação que faz todo sentido e deixa aquela parte se encaixar muito bem com o resto e sem soar artificioso.
A autora tem um vocabulário muito bom, bem amplo, mesmo mantendo a simplicidade, e achei a revisão do livro muito bem feita, só acho que houve um uso excessivo do verbo rir ou semelhantes. Não é a primeira vez que leio algo assim em um livro, mas admito que me incomoda.
O final é daqueles que acabam em um ápice e eu gosto bastante desse recurso, mas prefiro quando sei que a continuação não vai demorar a ser lançada, o que eu estou torcendo muito para que aconteça logo. E, claro, estou super ansiosa para saber o que vem pro aí.

A parte gráfica está muito bem feita. A capa está bem bonita e passa bem o clima do conteúdo do livro. A fonte está em um tamanho grande e bem espaçada, permitindo que o leitor não se canse, e as páginas são amareladas.
O único detalhe dessa parte que não gostei é que há uma divisão no meio dos capítulos (representada por ***) que achei desnecessária, já que várias vezes cortou um diálogo ou uma cena no meio, para ter continuidade logo depois dessa divisão. Prefiro quando esse artifício é usado para encerrar uma parte e começar uma nova, como em um outro lugar, cena ou dia.
Além de talentosa, a Bruna é uma fofa, e tem entrevista com ela aqui no blog. Para conferir, vocês podem clicar AQUI.
Com uma mistura de fantasia, aventura e romance, com personagens bem desenvolvidos e cenários muito bem construídos e apresentados, a obra de Bruna Camporezi definitivamente vale um lugar especial na sua estante.
Avaliação



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